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Jardim das Delícias



Segunda-feira, 12.10.15

Sobre o programa "Eixo do Mal" do passado Sábado, 10 de Outubro - Augusta Clara

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Augusta Clara  Sobre o programa "Eixo do Mal" do passado Sábado, 10 de Outubro 

 

   Como no Sábado não vi o "Eixo do Mal", estive a vê-lo ontem e considero mais que justas as críticas que por aqui li (referia-me ao facebook).

Do programa só se salvou a prestação de Daniel Oliveira. Todas as outras foram para esquecer, incluindo a forma como o coordenador o encerrou, na minha opinião um prolongamento do lamentável "lapso" jornalístico de José Rodrigues dos Santos, quer pelas palavras quer pelo vídeo finais, prova da ausência de ética jornalística estar tão em moda.

Antes disso, já o escritor/jornalista ali tinha sido defendido qual principiante do ofício ameaçado pelas unhas das fantasmagóricas redes sociais à espera do seu primeiro deslize, segundo Luís Pedro Nunes, após aquela louvável reportagem que nos apresentou das ruas de Atenas na altura do referendo grego. Não admira, pois o próprio Luís Pedro Nunes vive apavorado pela hipótese duma invasão da nossa horda aos estúdios da SIC Notícias.

Mas o programa além de lamentável foi espantoso pela cambalhota daquele grupo que, antes das eleições e durante quatro anos, criticou duramente o governo de Passos/Portas pelo que todos conhecemos como uma criminosa acção executiva. Pois, todos os três, que não o Daniel, postos agora perante a hipótese de outro arranjo governativo que nos liberte desse indesejável grupo, argumentaram das mais variadas maneiras, acabando por legitimar qualquer forma que comporte os mesmos partidos, PSD e CDS, quando muito com apoio do PS, mas nunca um governo em que o PS se alie à esquerda parlamentar representada pelo PCP e pelo BE.

Seja qual for a legitimidade constitucional, os três jornalistas do "Eixo do Mal" preferem a solução em continuidade - quase, de certeza, pior - de todo o sofrimento por que os portugueses passaram a verem testada uma experiência governativa com um programa e propostas diferentes que tendam a libertar-nos do garrote das políticas neoliberais.

E esta cambalhota é tão clarificadora das suas genuínas opções que os mesmos jornalistas - Pedro Marques Lopes, Clara Ferreira Alves e Luís Pedro Nunes - exprimem a opinião sobre a curta duração de um ou de outro tipo de governo, ou seja dum governo de esquerda ou dum governo de direita, dentro dos parâmetros dos resultados eleitorais. Quer um quer outro terão vida breve, afirmam.

Depois veio a questão da eleição do próximo Presidente da República. E, aí, não há candidato que se salve senão Marcelo Rebelo de Sousa. Está lançado e eleito, com o bizarro anexo de já terem sugerido, como prova de confirmação da escolha certa, que lhe seja feita uma pergunta sobre a constituição do governo saído das legislativas.

Mais que bizarro, torcido e retorcido mas normal: o Presidente da República a eleger daqui a alguns meses que, por acaso e por enquanto ainda é só candidato (menos no espírito de alguns), um entre vários, é convidado a responder a uma pergunta sobre a formação dum governo que há-de tomar posse antes da eventualidade de ele vir a ser presidente. Se der a resposta certa nem é preciso haver eleições, digo eu. As estrelas televisivas brilham todas com a mesma intensidade.

É tudo normal menos a esquerda formar governo.

 

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por Augusta Clara às 08:00


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