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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.
Camilo Pessanha Paisagens de Inverno
(Carlos Zeller)
(A Alberto Osório de Castro)
Ó meu coração, torna para traz.
Onde vaes a correr desatinado?
Meus olhos incendidos que o peccado
Queimou! Volvei, longas noites de paz.
Vergam da neve os olmos dos caminhos.
A cinza arrefeceu sobre o brazido.
Noites da serra, o casebre transido...
Scismae, meus olhos, como uns velhinhos.
Extinctas primaveras, evocae-as.
Já vae florir o pomar das maceiras.
Hemos de enfeitar os chapéus de maias.
Socegae, esfriae, olhos febris...
Hemos de ir a cantar nas derradeiras
Ladainhas... Doces vozes senis.
(in Clepsydra, Relógio d'Água)
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