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Jardim das Delícias


Segunda-feira, 11.03.13

Espanha e Grécia: protestos já se inspiram no 2 de Março

 
Somos Pequenos Mas Temos Muita Força e Grandes Potencialidades para Sermos um Exemplo
 
 
Publicado em Esquerda.Net em 10 de Martço de 2013
 
   "Contra o desemprego: seis milhões de razões" foi o lema das manifestações deste domingo em 60 cidades espanholas, promovidas por organizações sindicais e cidadãs que integram a "Cimeira Social". Na Grécia, convoca-se nas redes sociais uma concentração na Praça Syntagma inspirada no 2 de Março português.
(Cartaz da manifestação em Atenas: "Pobreza, desemprego, suicícios… Chega! Portugal mostra o caminho!")

 

A manifestação contra o desemprego e "por uma democracia social e participativa" foi convocada por dezenas de organizações em Espanha e arrancou no sábado em Bilbau, com milhares de pessoas nas ruas. Este domingo foi a vez das restantes localidades, onde se ouviu bem alto o protesto contra a corrupção e os cortes na saúde e na educação que, para os organizadores da manifestação, "ameaçam seriamente a convivência democrática".

"Nem dívida nem cortes. Queremos eleições" era um dos slogans mais lidos nas pancartas do cortejo em Madrid, onde participaram os líderes das Comisiones Obreras e da UGT e muitos reformados e funcionários públicos. "A cidadania sabe que os funcionários da administração pública não são uma cambada de preguiçosos, como lhes chamam alguns meios de comunicação e setores privados com interesses no desmantelamento dos serviços públicos", afirmou um dos manifestantes ao Publico.es.

A Cimeira Social junta sindicatos, associações ecologistas, feministas, de consumidores e de vários setores sociais. Esta rede afirma "o fracasso das políticas de austeridade dogmática" dos últimos anos, que já levou ao número de seis milhões de desempregados em Espanha. E sublinha o apoio à iniciativa legislativa popular pela dação em pagamento, avisand o Governo para que "não tente enganar" as pessoas na tramitação parlamentar da iniciativa que está em debate no Congresso dos Deputados e propõe a paralisação dos despejos, com a entrega da casa a saldar a dívida ao banco.

Grécia: "Portugal mostra o caminho"

Uma convocatória nas redes sociais está a marcar para este domingo uma concentração contra a austeridade em frente ao parlamento grego, na Praça Syntagma. Mas desta vez, a inspiração do protesto é o 2 de Março português.

"Pobreza, desemprego, suicídios… Chega! Portugal mostra o caminho!" é o slogan desta manifestação anti-austeridade referida também no blogue Keep Talking Greece. No cartaz de apelo à manifestação, a foto é do Terreiro do Paço no passado sábado.

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 05.03.13

No sábado em Lisboa ...

... foi assim

 

 

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por Augusta Clara às 12:00

Domingo, 03.03.13

A matemática da manifestação e mais umas considerações - Augusta Clara

Augusta Clara  A matemática da manifestação e mais umas considerações

 

 

   Ontem à noite no Público o jornalista João Pedro Pereira, cujo nome nome não conhecia – na verdade a leitura do jornal já não me merece a atenção que lhe dedicava no tempo do Vicente Jorge Silva e num período subsequente em que lia o que escrevia um conjunto de jornalistas que foi afastado da redacção . Mas dizia eu que o referido jornalista se apressou (eram 19,11h quando a notícia foi publicada na versão online) a elaborar uma série de cálculos que pretendiam demonstrar não ter tido a manifestação em Lisboa dimensão correspondente à estimada pela sua Organização.

O patrão ter-lhe-á emitiu uma ordem e, vai daí, o jornalista munido de régua e esquadro, lá foi fazer uma série de cálculos sobre a densidade populacional (número de ocupantes por metro quadrado) da Praça do Comércio nos casos alternativos dos manifestantes terem espaço suficiente para estar à larga  ou “como sardinha em lata”, baseando-se no número de pessoas que a Praça do Comércio, ou Terreiro do Paço como é vulgarmente conhecida, poderá albergar (180 mil segundo ele, 200 mil de acordo com a Antena 1, nada que não se possa precisar consultando os serviços da Câmara Municipal de Lisboa).

Bom, não vale a pena acrescentar muito mais: a preocupação em minimizar a visível grande manifestação que teve lugar em Lisboa foi de tal ordem que os cálculos geométricos abrangeram a área ocupada pela estátua de D. José I, a Praça dos Restauradores, a do Rossio, a da Avenida da Liberdade e a de cada uma das ruas que desembocam no Terreiro do Paço.

É fácil de perceber a origem da encomenda sem fazermos grandes especulações. Para que não restem dúvidas: a direita ligada ao Governo, claro está.

 E muito gostaria de terminar aqui este texto, mas, em consciência, não posso, agora por conta daquilo que eu própria observei.

Impossibilitada de estar fisicamente nas ruas, estive com muita atenção, através da televisão, ao que se ia passando, com algum privilégio de abrangência de visionamento global sobre quem estava no terreno devido aos meios aéreos de reportagem que a SIC Notícias utilizou. E não me restaram dúvidas sobre a extraordinária dimensão do protesto que invadia as ruas de Lisboa. Já a manifestação estava a chegar ao Terreiro do Paço ainda estava a sair gente do Marquês de Pombal. Para quem tem a noção da distância entre os dois locais, não vale a pena acrescentar mais nada.

Mas o que me causou estranheza foi a imagem de conjunto vista de cima através da filmagem aérea: quando a parte oeste da praça ainda se encontrava, de facto, com espaços vazios, a densa mole de gente a perder de vista que descia pela Rua do Ouro exibindo algumas faixas típicas destes eventos, encontrava-se parada sem se perceber porquê, não avançando para o meio do espaço. Pergunto-me  a  quem mais interessaria provar que esta manifestação do povo de Lisboa não era o que, na realidade, foi: um grande grito de desespero mas também de força de toda esta gente que já não se revê nos partidos existentes?

Se esta manifestação não encheu o Terreiro do Paço de acordo com a possibilidade que tinha de o encher, eu não consigo sobre isso ter as certezas do jornalista do Público mas, ao contrário dele, pelo que vi, havia gente de sobra para não caber lá. Lembremo-nos que ele fica total e facilmente repleto quando as pessoas são convocadas de vários pontos do país, normalmente por organizações sindicais.

Não estou a construir nenhuma teoria da conspiração. Longe de mim afirmar que os partidos não devem existir. Lutámos pela sua existência no tempo do fascismo. Mas ainda ontem, no programa “Eixo do Mal”, o Daniel Oliveira, assumido elemento do Bloco de Esquerda, afirmava veementemente que os partidos da esquerda com representação parlamentar, todos dizia, não estão a fazer o que deviam. Concordo com ele. O que se passa no Parlamento já não vai ao ritmo da urgência do desespero deste povo e deste país a ser destruído.

Faz falta organização? Claro quer faz, mas não necessariamente a dos partidos políticos tal como existem e actuam. O núcleo do grupo organizador mais expressivo destas últimas movimentações de massas, o “Que se Lixe a Troika!” é composto por muita gente jovem. Felizmente, quando se pensava que os jovens não se mobilizavam para a luta como nas gerações anteriores, está mais que provado não ser verdade. A juventude é sempre vida a pulsar, esta é uma lei que ninguém escreveu.

Os problemas da unidade da esquerda, esses são mais complicados, por todo o mundo não só em Portugal. São talvez problemas da espécie humana, da sua competição permanente. Na Pré-História uns grupos mostrariam mais força física, agora mostram mais razão, mas as diferentes ideologias são igualmente defendidas com unhas e dentes.

O que não vale é usar truques e expedientes para fazer vingar o domínio de cada grupo. Haverá solução para este problema? A História está cheia destes comportamentos. Conhecemo-los na História que nos foi dado viver, a nossa História recente.

É verdade, aquela História, os seus acontecimentos, e consequentes licenciaturas que o Camilo Lourenço resolveu afirmar que não servem para nada.

 

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por Augusta Clara às 19:00

Sábado, 02.03.13

Que se Lixe a Troika! O Povo É Quem Mais Ordena! - 2 de Março - Cobertura em 360º

 

Manifestação "Que se Lixe a Troika" com cobertura inovadora em 360º

 

 

 
"A partir das 15 horas, durante o próprio dia, através do endereço
http://www.alivepanos.com/troikaportugal360/
foi possível acompanhar a evolução dos acontecimentos na World Wide Web, através de PC's e também dispositivos móveis, como tablets e smartphones."
 

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por Augusta Clara às 20:30

Sábado, 02.03.13

Que se Lixe a Troika! O Povo É Quem Mais Ordena! - 2 de Março - Sérgio Godinho

 

 

Sérgio Godinho  Maré Alta

 

 

   Em 1971, para encerrar o meu primeiro disco, Os Sobreviventes, escrevi uma canção com uma das letras mais curtas: «Aprende a nadar, companheiro, que ...a maré se vai levantar, que a liberdade está a passar por aqui. Maré alta maré alta maré alta». Às vezes o menos é mais.

Estávamos então em pleno marcelismo, e digo-o com letra pequena porque era uma versão já semi-inerte do fascismo. E no entanto, havia ainda uma polícia política, agora com três letrinhas apenas, DGS, que se dedicava às mesmas nobres actividades da PIDE sua mãe. Vigiar, prender, torturar, nada de novo. Havia uma guerra colonial que se arrastava pelos campos minados de África, campos imensos sem fim à vista nem esperança de solução. E muitos mortos e feridos e enlouquecidos. Havia censura de peneira fina, e havia a emigração dos pobres, uma peneira de furos largos a deixar fugir o melhor de nós.

E no entanto a liberdade estava a passar por aqui. «O solo que pisamos é livre, defendamo-lo» foi o que pensaram e fizeram muitos resistentes, novos e antigos.

Havia um velha adivinha que perguntava: «Qual é a altura do Salazar?» E respondia-se: «É a altura de se ir embora». O mesmo valia para a sua herança e os seus descendentes. Era altura de se irem embora.

Foi nesse conjunto de pensamentos e acções que se chegou à luminosa manhã do 25 de Abril. Vim então de longe, como muitos de nós, para ver e acreditar nos meus olhos e em todos os meus sentidos. E para cantar pela primeira vez no centro do redemoinho de uma maré alta onde todos pudemos vir à tona e navegar à vista longínqua.

Passados todos estes anos, sabemos como o país está em maré intencionalmente esvaziada e sangrada, e assim estará nos tempos mais próximos, aconteça o que acontecer.

Mas não interiorizemos o medo escuro nem o conformismo pardo. O presente tem «o acesso bloqueado»? Cabe a nós encontrarmos novas chaves, novos atalhos, novas formas activas de o usufruir. Queremos as nossas vidas, sim, por difícil que seja habitá-las neste presente sombrio.

O solo que pisamos é livre, e desde há muito terreno libertado. Defendamo-lo.

A liberdade está a passar por aqui.


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por Augusta Clara às 11:00

Sábado, 02.03.13

Que se Lixe a Troika! O Povo É Quem Mais Ordena! - 2 de Março - Diana Andringa

 

 

Diana Andringa  Que se Lixe a Troika! Queremos as Nossas Vidas 

 

 
   Dizem-nos por vezes: «não vale de nada fazer manifestações — “eles” não nos ouvem». Mas como certamente não nos ouvem é se ficarmos cada um em sua casa

(os que ainda a têm),

evitando as notícias que doem
...
(aquela família que não pode pagar a renda, a mãe que gostaria de dar leite ao seu filho, a operária que chora a fábrica deslocada — «fazíamos coisas tão bonitas, às vezes nem sabíamos como aquilo saía das nossas mãos» — o homem que se suicidou deixando uma nota a pedir desculpa aos seus credores)

esperando que nunca, nunca, sejamos nós ou os nossos a notícia, distraindo-nos com pequenas coisas para evitar pensar,

com medo de pensar, de dizer, de agir, divididos entre nós ao sabor da propaganda

(«a culpa é dos velhos, que recebem pensões que os novos já não vão poder receber; dos jovens, esses piegas que, em vez de irem trabalhar para as obras noutros países, querem ser úteis estudando no nosso; das mulheres, que por quererem estar na produção negligenciaram os filhos; dos imigrantes, que vieram disputar-nos empregos; dos médicos, que recomendam exames e medicamentos a pessoas descartáveis; dos trabalhadores, que ousam fazer greves»),

dormindo mal, esgotando ansiolíticos e maravilhando governantes e estrangeiros com a brandura dos nossos costumes.

Poupemos, pois, nos ansiolíticos:

gritar alto, cantar, unindo as diferentes vozes, é melhor para a saúde.

Até porque, como escreveu Gabriel Celaya, «as palavras que todos repetimos sentindo como nossas voam».

E, vindo tão a propósito, copio aqui esse poema:

LA POESÍA ES UN ARMA CARGADA DE FUTURO

Cuando ya nada se espera personalmente exaltante,
mas se palpita y se sigue más acá de la conciencia,
fieramente existiendo, ciegamente afirmado,

como un pulso que golpea las tinieblas,
cuando se miran de frente
los vertiginosos ojos claros de la muerte,
se dicen las verdades:

las bárbaras, terribles, amorosas crueldades.
Se dicen los poemas
que ensanchan los pulmones de cuantos, asfixiados,
piden ser, piden ritmo,

piden ley para aquello que sienten excesivo.
Con la velocidad del instinto,
con el rayo del prodigio,
como mágica evidencia, lo real se nos convierte

en lo idéntico a sí mismo.
Poesía para el pobre, poesía necesaria
como el pan de cada día,
como el aire que exigimos trece veces por minuto,

para ser y en tanto somos dar un sí que glorifica.
Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejan
decir que somos quien somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno.

Estamos tocando el fondo.
Maldigo la poesía concebida como un lujo
cultural por los neutrales
que, lavándose las manos, se desentienden y evaden.

Maldigo la poesía de quien no toma partido hasta mancharse.
Hago mías las faltas. Siento en mí a cuantos sufren
y canto respirando.
Canto, y canto, y cantando más allá de mis penas

personales, me ensancho.
Quisiera daros vida, provocar nuevos actos,
y calculo por eso con técnica qué puedo.
Me siento un ingeniero del verso y un obrero

que trabaja con otros a España en sus aceros.
Tal es mi poesía: poesía-herramienta
a la vez que latido de lo unánime y ciego.
Tal es, arma cargada de futuro expansivo

con que te apunto al pecho.
No es una poesía gota a gota pensada.
No es un bello producto. No es un fruto perfecto.
Es algo como el aire que todos respiramos

y es el canto que espacia cuanto dentro llevamos.
Son palabras que todos repetimos sintiendo
como nuestras, y vuelan. Son más que lo mentado.
Son lo más necesario: lo que no tiene nombre.
Son gritos en el cielo, y en la tierra son actos.

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por Augusta Clara às 10:00

Sábado, 02.03.13

Que se Lixe a Troika! O Povo É Quem Mais Ordena! - 2 de Março

 

José Mário Branco  Qual é a tua ó meu!

 

De norte a sul do país, nas ilhas, no estrangeiro, tomemos as ruas

 

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por Augusta Clara às 09:00

Sexta-feira, 01.03.13

Que se Lixe a Troika! O Povo É Quem Mais Ordena! - 2 de Março - Zeca Medeiros

Apelo de Zeca Medeiros

 

 

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por Augusta Clara às 18:00

Sexta-feira, 01.03.13

Que se Lixe a Troika! O Povo É Quem Mais Ordena! - 2 de Março - Grande Oficina Popular

Grande Oficina Popular em Lisboa junto à estátua do Marquês de Pombal, 2 de Março às 14h

 

Anda fazer o teu cartaz... netos, filhos, pais e avós... tudo a escrevinhar e a desenhar porque o Povo é quem mais ordena.
 

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por Augusta Clara às 17:00

Sexta-feira, 01.03.13

Que se Lixe a Troika! O Povo É Quem Mais Ordena! - 2 de Março - Apoio da AOFA

A AOFA (Associação de Oficiais das Forças Armadas) esclarece:

 

 

   Porque nos últimos dias nos têm chegado frequentes interpelações sobre a forma como nos posicionamos em relação às iniciativas cívicas que têm vindo a decorrer bem como as já anunciadas, com particular destaque para a Manifestação do próximo dia de 2 de Março, a AOFA reitera inequivocamente a sua Solidariedade para com todas essas iniciativas e aqui relembra, sobre este propósito, o Comunicado Oficial que fizemos a 14 de Setembro de 2012 e que congrega as nossas posições. Em termos individuais os Militares que assim o entendam, na qualidade de cidadãos, irão igualmente participar!

 

http://www.aofa.pt/artigos/AOFA_Iniciativas_Civicas.pdf

 

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por Augusta Clara às 14:00



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