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Jardim das Delícias


Quarta-feira, 25.04.18

SEMPRE - Adão Cruz

25 de Abril. O mais belo poema colectivo da minha existência, apesar da total ausência de sentimento poético-social de tanta gente! Ainda hoje, ao olhar para as suas caras, muitas delas de grandes amigos meus, e que nunca deixaram de o ser, eu vejo uma lapela nua, não propriamente a do casaco, mas a da mente. E não me venham com os óculos escuros das tolerâncias e diferenças de ideias. Eu sei o que são tolerâncias e diferenças de ideias. Mas a poesia do 25 de Abril é tão universal e profunda que não há óculos que a possam emsombrar.

 

Cravo copy 2.jpg

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por Augusta Clara às 15:29

Sábado, 10.05.14

"Eixo do Mal" especial 25 de Abril - 40 anos depois

 

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por Augusta Clara às 11:00

Sexta-feira, 25.04.14

Mar português - Dulce Pontes

 

Dulce Pontes  Mar português

(poema de Fernando Pessoa)

 

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por Augusta Clara às 21:00

Sexta-feira, 25.04.14

VINTE E CINCO DE ABRIL - Maria Teresa Horta

 

 

Maria Teresa Horta  VINTE E CINCO DE ABRIL

 

 

Este é um poema

com saudade da festa

 

Dias de vermelho

de damasco e de riso

 

Das horas de alegria

e de bandeiras,

de cravos rubros postos no vestido

 

Este é um poema

feito de memória

 

De pressa incontida

no passo corrido

 

De fala crescida

de prisões abertas

 

De escrita liberta

retomando o sentido

 

Este é um poema recordando

a mudança, da esperança

e do sonho acontecido

 

Com palavras

do corpo e de lembrança

 

Exigindo o futuro

a promessa e o grito

 

Este é um poema

cantando a liberdade

 

De lágrimas costuradas

suturando o sorriso

 

Ousando dizer da ambiguidade

da estranheza do novo

misturado ao antigo

 

Este é um poema

torneando o avesso

 

Da luz da madrugada

de uma noz de vidro

 

Do voo das gaivotas

junto à pele das águas

fazendo do Tejo o seu precipício

 

Este é um poema

de visitar a História

 

Da revolução o ganho

e também o perdido

 

Da viagem e do mar

da língua portuguesa

onde na paixão me encontro comigo

 

Maria Teresa Horta, 22/04/14

 

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por Augusta Clara às 18:00

Sexta-feira, 25.04.14

Carlos Matos Gomes disse o que teria feito de diferente se soubesse o que sabe hoje

Carlos Matos Gomes  Se eu soubesse o que sei hoje...
   No Notícias Magazine de hoje [dia 20] perguntaram a vários "capitães de Abril" o que teríamos feito de diferente se soubessemos o que sabemos hoje. Eis aqui a minha resposta:
"Se eu soubesse o que sei hoje…
Teria feito o que fiz para acabar com a guerra colonial e derrubar a ditadura. Teria tentado impor a mediação internacional, através da ONU, para conduzir o processo de transição para as independências das colónias.
Teria lutado com maior veemência pela instauração de um sistema político mais directamente ligado às pessoas e menos, muito menos, capturado pelos partidos. Com a criação, por exemplo, de uma segunda câmara.
Teria, no chamado PREC, empenhado-me mais numa aliança entre o grupo de militares ditos na altura e na classificação do tempo “do COPCON”, com o “Grupo dos Nove”, de modo a evitar o 25 de novembro, que esteve prestes a ser putchista e acabou por ser a imposição de um modelo padronizado de sistema democrático, de que a triste situação que hoje vivemos é fruto.
Ter-me-ia batido, mais do que fiz, para manter no domínio público empresas estratégicas fundamentais na área da energia, dos transportes, nas comunicações e no sector financeiro, nomeadamente com o reforço da Caixa Geral de Depósitos e de um Banco de Fomento de capitais públicos.
Teria dedicado maiores esforços na área da Justiça, impondo uma rigorosa seleção e avaliação dos magistrados e promovendo uma justiça orientada para as vítimas e não para os criminosos.
Teria estado mais atento aos fenómenos de corrupção e de nepotismo, com atenção especial às autarquias e ao que diz respeito ao ordenamento do território, para evitar fenómenos de “algarvisação”, de” litoralização “ e de desertificação do interior.
Teria tido uma especial às leis de imprensa, obrigando a clarificar a sua posse dos meios de comunicação social e favorecendo empresas constituídas por jornalistas.
Teria furado os pneus do carro que Cavaco Silva levou ao congresso do PSD da Figueira da Foz para fazer a rodagem.
Teria, por fim, promovido, a leitura de “A Arte de Furtar”, incluindo-o nos curriculas escolares, como de estudo obrigatório.
Carlos Matos Gomes".

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por Augusta Clara às 16:00

Sexta-feira, 25.04.14

As fotografias de Alfredo Cunha

 

As fotografias de Alfredo Cunha

 

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por Augusta Clara às 14:00

Sexta-feira, 25.04.14

Qualquer dia - Zeca Afonso

 

Zeca Afonso  Qualquer dia

 

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por Augusta Clara às 13:00

Sexta-feira, 25.04.14

A última entrevista de Salgueiro Maia - 2ª. parte

 

A última entrevista de Salgueiro Maia - 2ª. parte

 

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por Augusta Clara às 11:00

Sexta-feira, 25.04.14

A última entrevista de Salgueiro Maia - 1ª. parte

 

A última entrevista de Salgueiro Maia - 1ª. parte

 

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por Augusta Clara às 10:00

Sexta-feira, 25.04.14

25 de Abril, o grande vencedor - Adão Cruz

 

Adão Cruz  25 de Abril, o grande vencedor

 

 

   O 25 de Abril foi o mais importante fenómeno político-social da nossa história moderna. O mais fascinante fenómeno político-social da vida de todos aqueles que tinham dentro de si a terra preparada para nascerem cravos.

Foi uma rajada de vento estilhaçando as janelas do tempo e deixando entrar o futuro e os sonhos pela mão dos pequenos gestos de cada um de nós. Uma generosa pincelada de cor e de vida nas paredes gastas da existência, nas palavras desencantadas e nos rostos mortos da esperança. O abrir da madrugada que há tanto tempo se recusava a ser dia.

Sensação única e irrepetível. A praça do entusiasmo era demasiado grande e a alegria brotava em cada esquina, entoando canções que ardiam no ventre da arte e da poesia. Eram muitas as certezas, ainda mais as incertezas e uma cândida ingenuidade brilhava em todos os olhos. Acreditava-se que neste pérfido mundo ainda havia almas grandes, as únicas capazes de ultrapassar a fronteira para além da qual o homem adquire a dimensão da cidadania, da honra e da dignidade.

Ao calor do 25 de Abril se deve o germinar da revolucionária ideia de que é na relação com os outros que nós percebemos quem somos e que o sentido da nossa existência é o sentido da nossa coexistência. A maior conquista do 25 de Abril foi, de facto, o nascimento de uma necessidade crescente de sentir a beleza, o autêntico, a verdade, o gosto da vida para cada um e para todos, a solidariedade, a sede de saber e a consciência da soberania da liberdade e da justiça.

Comemoramos hoje os quarenta anos do nascimento de uma vida por que tanto lutámos. Mas é com tristeza que penduramos o cravo na lapela e uma lágrima nos olhos. Hoje já não sabemos se é dor ou alegria o que sonhamos quando abrimos ao sol as portas de Abril. Não sabemos se é dor, tristeza ou alegria, aquilo que sentimos quando a revolução faz tantos anos de saudade e nostalgia.

O 25 de Abril sempre teve e tem alma de esquerda. Nunca poderia ser o gene da nova ditadura que aí está desde há muito, cada dia mais tecnologicamente evoluída e sofisticada. Não demorou muito depois de Abril a incubação do ovo da serpente. Como fazem os micróbios quando aprendem a utilizar o antibiótico como alimento, os saudosos do antigo regime apoderaram-se da palavra democracia, usando-a como rótulo do veneno que lentamente foram injectando nas consciências e nas inconsciências do nosso povo.

O seu caldo de cultura é não só o domínio da comunicação, onde ferreamente institucionalizou a desinformação e a mentira com máscaras de informação, mas também a eterna manutenção da ignorância, da estupidificação, da pobreza e do obscurantismo. Tudo em nome da competitividade e da convergência, da globalização, da modernidade, da religiosidade, da flexibilização, da privatização, palavras inquestionáveis das estratégias de dominação por parte daqueles que sabem quem tudo ganha à custa de quem tudo perde.

São estes responsáveis pelo abrir de portas e pelo estender de tapetes às chancelarias do crime que provocaram ou facilitaram esta barbárie dos tempos modernos, a corrupção, os roubos ao país, os cortes de salários e o esbulho das pensões, a degradação social, a fome ao lado da loucura do consumismo, o monetarismo e o ultraliberalismo cujo útero reside nos tecnocratas da rapina e na cabeça do patrão planetário que os condecora por cavarem cada vez mais fundo o fosso entre ricos e pobres.

De cravo ao peito ou sem ele, comemoram com toda a desfaçatez a honrosa revolução que sempre odiaram, numa tentativa de a desnaturar e de neutralizar o genuíno espírito de Abril. O que se passa na Assembleia da República é paradigmático. A hipocrisia é maior do que o monte de cravos ali aprisionados nesse dia. Dia que muitos suportarão com dificuldade, conhecidos que são os seus claros sinais de alergia.

Nos dias que correm, a luta tem de ser redobrada dentro de cada um de nós. Não é o grau de facilidade ou dificuldade ou a carga pragmática ou utópica que ditam o que deve ser feito ou obstam àquilo que deve ser feito, mas é, sobretudo, a resistência e a força da verdade da nossa consciência perante a submissão.

A identificação com os autênticos valores de liberdade em todo um processo de valorização pessoal e colectiva, exprime uma inquestionável adesão ao Bem e à Justiça, uma interioridade e uma nobreza de carácter só reconhecidas às almas grandes. É por tudo isto que ABRIL é e será sempre o GRANDE VENCEDOR.

Adão Cruz

 

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por Augusta Clara às 08:00



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