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Jardim das Delícias


Quinta-feira, 03.05.18

Corrupção - ataquem o Cérbero monstro das três cabeças. Não sejam cobardes nem cúmplices - Carlos de Matos Gomes

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Carlos de Matos Gomes  Corrupção - ataquem o Cérbero monstro das três cabeças. Não sejam cobardes nem cúmplice

 

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   Vamos falar de corrupção? A sério?

Podíamos falar da constituição de monopólios do tempo da primeira industrialização de Portugal, a do Marquês de Pombal, mas vamos ao tempo aqui mesmo ao virar da porta. Como se reconstruiram os grupos privados após a nacionalização da banca em 11 de Março de 1975? Como reapareceram os bancos privados, como surgiram o BIP, das confederações do Porto, Santos Silva, o BCP/Millenium da Opus Dei, Jardim Gonçalves, o BPN de Oliveira e Costa, como reapareceram os Espirito Santo, como desapareceram os Burney, os Pinto Basto, o Totta e Açores, o Pinto e Sotto Mayor, o Crédito Predial, como desapareceu o Banco Português do Atlântico de Cupertino de Miranda e o Pinto Magalhães? Como apareceram os Mello /CUF no sector da saúde privada e nas auto-estradas e como desapareceu a CUF, um grupo insustrial? Como desapareceu a SACOR e surgiu a GALP? Como foram atribuídas as concessões de estradas – BRISA e Autoestradas do AtLântico, de portos, de aeroportos?

Em resumo: Como surgiu a Quinta da Marinha após o 25 de Novembro? Como desapareceram a Siderurgia Nacional, a CIMPOR, a CUF /SAPEC- adubos, as papeleiras, as refinarias nacionais – SACOR e surgiram os concessionários das portagens de autoestradas, os comissionistas de taxas de combustíveis e de electricidade, os merceeiros da grande distribuição?

Corrupção. Como se constroem impérios de serviços? A SONAE, ou o Pingo Doce, ou a Brisa, ou a CUF saúde? Como se constrói uma sociedade de rendas, de rentistas, sem pagar comissões ao poder político?

E não só, como se mantém a ficção de que vivemos num regime de seriedade sem uma comunicação social por conta, como as amantes? A comunicação social é corrupta desde o miolo. É a comunicação da corrupção e ao serviço da corrupção!

Existe algum chefe de governo desde 25 de Novembro de 1975 que não tenha sido um avençado dos grupos cuja criação ou recriação promoveu? Mais, existe algum presidente da República que não tenha sido um instrumento destes poderes? Quem não se aboletou com os fundos estruturais da CEE? A UGT nasceu como? Já alguém ouviu o Torres (um peão, é certo) Couto sobre os fundos para a formação? E quanto ao abate da frota pesqueira ? E sobre a destruição do olival? E sobre a plantação do eucalipto? E como foram elaborados os PDM, os planos directores que trouxeram 80% da população para a faixa litoral? Existe alguém nos vários governos com as mãos limpas?

Como surgiram bancos fantasmas do tipo BPN sem corrupção no topo do regime?

Tenho sobre o cristo do momento, Manuel Pinho, a pior das opiniões: enojam-me os zequinhas como ele, os patetas como ele, os pequenos vigaristas como ele, mas falemos então de gente que determinou o que está a acontecer: Julguem o Ricardo Espirito Santo Salgado! Comecem por ele e deixem para já os peixinhos de aquário, como o Pinho dos corninhos a abrir e a fechar a boca e os Sócrates.

Vamos ser sérios: na operação Marquês comecem por Salgado e pelo Banco Espirito Santo. No caso do Pinho, ou do Sócrates, comecem por Espirito Santo. Sentem Ricardo Espirito Santo Salgado no banco e comecem a fazer-lhe perguntas. Quem o trouxe de regresso a Portugal? Que apoios ele teve para reconstituir o seu império? E chamem Jardim Gonçalves! E chamem as famílias Cupertino de Miranda e de Pinto Magalhães!

Mas, antes de tudo tenham a coragem de julgar Ricardo Espirito Santo Salgado! É nele que tudo começa e é aos Espirito Santo que tudo vai dar. Não sejam cobardes e não atirem areia aos olhos dos portugueses!

Tenham os jornalistas a coragem de ir ao centro do vulcão! Ao Espirito Santo! Porque não vão? Medo? Cumplicidade?

O resto, os ataques a Sócrates e a Pinho são demonstrações de rafeiros que ladram mas não mordem. Estamos a ser – os portugueses em geral – sujeitos a uma barreira de mistificadores e de cobardes que nos querem pôr a discutir as gorjetas que os mandaletes de fazer recados, os groom, receberam quando a questão é a do dono do hotel. Mas esse deu muito dinheiro a ganhar. Sabe muitas histórias… Não é?

A história da corrupção que nos está a ser contada é a história da cobardia de jornalistas e de magistrados. De canalhas que estão a apontar para o lado – foi aquele menino - para que não olhemos para eles.

É o desafio, o meu: políticos, jornalistas, magistrados, tenham espinha, encham o peito e vão a ele! Não sejam rafeiros! Não sejam merdas: atirem-se ao Cérbero, ao “demónio do poço” na mitologia grega, ao monstruoso cão de três cabeças que guardava a entrada do mundo inferior, o reino subterrâneo dos mortos, deixando as almas entrarem, mas jamais saírem e despedaçando os mortais que por lá se aventurassem. Vão à fonte da corrupção: ao Espírito Santo.

Falta-vos coragem? Comeram desse tacho? Não?

Se não falta coragem, se não comeram desse tacho, atirem-se ao Espírito Santo, ao monstro, ao Cérbero, exijam o seu julgamento! Ele sorri e escarnece de vós à saída das audiências! Vão a ele!

O resto são merdices e areia para os olhos do pagode.

 

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por Augusta Clara às 18:05

Quarta-feira, 11.01.17

A Falácia da República Portuguesa dos Sovietes - Augusta Clara

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Augusta Clara  A Falácia da República Portuguesa dos Sovietes 

 

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   Para terminar a conversa porque amanhã já estamos "noutra", convoquemos à cena aquela indómita fantasia que por aí fez caminho no chamado "Verão quente" de 1975. Fantasia, sim, só para quem dela se convenceu porque quem a congeminou sabia bem ao que vinha. Tinha ela como argumento a existência do perigo da instalação aqui no país duma república soviética do tipo da existente na então URSS.
Ora, partindo da improvável hipótese de que um cérebro de caracol - lembrem-se que Álvaro Cunhal era um homem de grande inteligência e, como ele, outro(a)s dirigentes político(a)s da esquerda da altura - conseguia pôr em prática esse projecto, a tal República Soviética do Portugal dos Pequeninos ficaria obrigada a passar a fazer a grande maioria das suas trocas comerciais com a URSS lá na outra ponta da Europa porque, pela certa, sofreria o maior boicote económico de todos os tempos por parte dos países da Europa Ocidental e Central bem como dos EUA.
A esquerda queria mais poder? Queria, sem dúvida, porque já era mais do que evidente a guerra que os sectores donos do dinheiro faziam a uma política que pretendia estender os benefícios e garantir uma vida digna a toda a população. Coisa que não lhes agradava porque, evidentemente, iriam perder privilégios. Porque se nacionalizaram os bancos? Porque os capitais começaram a fugir do país. Que pena não terem ficado nacionalizados, não andaríamos agora a pagar do nosso bolso os monumentais roubos do banqueiros ladrões.
Foi esse medo, a perda das vidas faustosas, custassem o que sempre tinham custado a tantos e tantos portugueses durante os 48 anos de fascismo salazarista que levou ao golpe da direita reaccionária em 25 de Novembro de 1975 e não uma guerra civil que ninguém tinha em mente nem temia. Esse era apenas um capítulo da fantasia propagada. Medo esse que já se tinha manifestado nos atentados do ELP e do MDLP tutelados pelo general Spínola. Lembram-se dos incêndios das sedes do PCP e da morte do padre Max e da jovem que o acompanhava?
E pronto, assim viemos parar ao que nos aconteceu nos últimos anos e que o Governo de António Costa, com o acordo que fez com os partidos de esquerda, tem tentado emendar.

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por Augusta Clara às 19:50

Quarta-feira, 25.11.15

25 de Novembro - César Príncipe

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   O golpe iniciou-se em Novembro, dia 25. Prolongou-se pela madrugada de 26. Corria o Ano da Desgraça de 1967. Oliveira Salazar presidia ao Governo. Américo Tomás presidia à República. Santos Júnior era ministro do Interior. Deus, ao que se presumia e alardeava, tinha Portugal sob custódia há oito séculos. Fátima acabava de ser visitada, no 13 de Maio, pelo papa Paulo VI que (pelo sim, pelo não) evitou escalar Lisboa. Temeu maus encontros. Diz-se que não quis comprometer-se com o regime do Império e de Deus, Pátria, Família. E certamente teria os seus presságios quanto a trombas humanas e pluviométricas. No tocante ao resto, ao que se propagandeava, imperava a Ordem e a Tranquilidade. Vivíamos em paz. De facto, só estávamos em guerra policial contra a população civil desde 1926. Na realidade, só estávamos em guerra militar contra os movimentos armados de libertação desde 1961.

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Os acontecimentos do 25 de Novembro levaram o estado de calamidade a parte da capital e da região envolvente. Tudo começou com medonhos trovões, fortes rajadas, chuvas diluvianas. Os céus desabaram. As águas ocuparam ruas e casas, berços e campas. O saldo foi pavoroso. As autoridades reconheceram a custo e a conta-gotas a existência de 462 mortos. No entanto, as estatísticas revelar-se-iam mais pesadas. A história regista outros números: cerca de 700 vítimas mortais e mais de 1000 desalojados. A Censura afadigava-se para manter a verdade nos varais. Emanava ordens patéticas e categóricas para os órgãos de comunicação. Por exemplo, para a Rádio Clube Português: A partir de agora não morreu mais ninguém. Por exemplo, para o Jornal de Notícias: Urnas e coisas semelhantes: não adianta nada e é chocante. Não falar do mau cheiro dos cadáveres (nem) das actividades beneméritas dos estudantes. É altura de acabar com isso. É altura de pôr os títulos mais pequenos. Somente o clandestino Avante! (Dezembro de 1967) não acatava directivas da Censura: As inundações não teriam originado semelhante tragédia se o governo se tivesse preocupado em resolver da habitação para os trabalhadores, se tivesse cuidado da regulamentação dos rios e da defesa das populações ribeirinhas, se tivesse tomado as medidas de emergência que as circunstâncias impunham (...) porque não foram destruídos pelas chuvas diluvianas os bairros residenciais de Lisboa, mas sim os bairros de Urmeira, Olival Basto, Pombais...Quinta do Silvade, Odivelas (…) os bairros arrasados encontravam-se em zonas baixas, circundadas de colinas, facilmente inundáveis, construídos de tábuas e lata (…) desde há muito que se clama contra o assoreamento dos rios, contra a falta de diques. Desde há muito que se protesta contra os fenómenos de erosão…Nem a mais pequena verba para a regularização das águas do Tejo (…)

E afinal qual a justificação final e oficial para a catástrofe? Ei-la (e não pasmem!), pois continua revista e actualizada: nada tinha a ver com condições sociais, urbanizações precárias ou ilegais, assoreamentos, ribeiras encanadas, colectores bloqueados, deficiências de socorro. Insignes figuras políticas e religiosas remeteram as responsabilidades para a esfera divina. E sabe-se: a cólera dos deuses é milenar. De resto, na linha do jesuíta Gabriel Malagrida que debitou o terramoto de 1 de Novembro de 1755 na conta-corrente dos pecados do marquês de Pombal e dos seus sequazes. Ao fim e ao cabo, também na linha de Calvão da Silva, ministro da Administração Interna, sucessor de Santos Júnior, que a respeito das inundações da Albufeira (2015) logo detectou a mão das forças demoníacas, aceitando como item da teologia pragmática a insensibilidade do Criador: Deus nem sempre é amigo. No afã desculpacionista, apenas cometeu um deslize de angariador de apólices: aconselhou os portugueses a confiar mais nas Companhias de Seguros do que no Omnipotente e Misericordioso. Demonstrou, contudo - vá lá - visionária compaixão ao referir-me ao morto de Boliqueime: Entregou-se a Deus. No fundo, CS, apesar de tantas sanhas e indiferenças das potestades, andou com sorte: apenas foi rejeitado, com o demais lote governamental, pela Assembleia da República. E idêntico e benévolo despacho mereceu SJ, o ministro das cheias de 1967, o ministro da brutal repressão das manifestações estudantis e operárias de 1962, o ministro da PIDE (1961-1969), a que assassinou o general Humberto Delgado, obviamente com a sua chancela, em 1965. SJ foi dispensado pelo marcelismo. Sinais dos tempos: evolução na continuidade. O Júnior deu lugar ao Rapazote. Pior destino teve Malagrida, alvo de auto-de-fé: (…) que com baraço e pregão seja levado pelas ruas públicas desta cidade à Praça do Rossio e que nela morra morte natural de garrote, e que depois de morto seja seu corpo queimado e reduzido a pó e cinza, para que dele e sua sepultura não haja memória alguma.

Novembro, 25.

Data funesta.

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por Augusta Clara às 03:20

Sábado, 21.11.15

O meu PREC - Augusta Clara

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Augusta Clara  O meu PREC

 

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(Adão Cruz)

 

 

   Os bons livros de História, que nos caracterizam com rigor científico a evolução do mundo e das épocas, nunca nos darão a sentir a vivência dos que por elas passaram e foram protagonistas dos acontecimentos.

Ao ler a Visão desta semana ainda fiquei mais ciente disso. O artigo sobre os 40 anos do 25 de Novembro retrata um PREC - Período Revolucionário em Curso - que não foi o meu: ameaças de golpes, reuniões secretas de altas figuras, formação de associações de partidos "esquerdistas" a preparar golpes - que eu me lembre, a FUR, aqui tão falada, durou pouco mais de uma semana - e um sem número de outras negociações que acabaram na "democratização" do país, ajudada pela CIA de Frank Carlucci, que só não eliminou da cena muita gente porque Jaime Neves não teve autorização para fazer o gosto ao dedo.

E o povo português, nós todos? Neste artigo não existimos. Não sei quem é o jornalista que o escreveu. Muito provavelmente não terá vivido este período tão exaltante no dia-a-dia e na convivência humana, incomensuravelmente mais saudável do que a que hoje vivemos, e na criatividade com que procurávamos dar forma a um outro tipo de sociedade.

O meu PREC é o do Zeca Afonso, o dum povo a construir a sua História.

A ninguém que não a viveu é possível compreender como era feliz essa maneira de estar. Não vivíamos em pé de guerra, vivíamos em luta. Tínhamos muito a fazer, como as formigas, cada um por si e em grupos. Vivíamos agitados mas acreditávamos no futuro.

Chorei no 25 de Novembro, esse dia maldito da derrocada da esperança, que nos trouxe até aqui.

Fizeram bem os partidos da esquerda na Assembleia da República em não se associarem às comemorações de tão aziaga efeméride.

Por isso me lembrei, e puxo aqui a propósito, do trabalho que a Adriana Costa Santos está a fazer em Bruxelas junto dos refugiados de guerra. Nem ela imagina o quanto os relatos das suas crónicas são valiosos para se escrever a História destes dias.

Daqui a uns tempos ninguém se lembrará do jovem militar iraquiano que teve de fugir do país com a mãe e as irmãs, as agressões e as ameaças por que passaram até chegarem junto da Adriana que dele, e doutros, nos deixa o rasto para o futuro.

 

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por Augusta Clara às 19:30

Sábado, 25.04.15

Pedra filosofal - Manuel Freire

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Manuel Freire  Pedra filosofal

 

 

 

e o sonho acordou

 

 

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por Augusta Clara às 00:00

Segunda-feira, 25.11.13

A insustentável leveza dos empreendedores do 25 de Novembro - Augusta Clara

 

Augusta Clara  A insustentável leveza dos empreendedores do 25 de Novembro

 

   Estive esta madrugda  a assistir, na RTP Memória, à repetição duma entrevista feita pelo jornalista  Carlos Pinto Coelho, em 2009, aos coronéis Vasco Lourenço e Duran Clemente e pergunto-me se Vasco Lourenço teria hoje o àvontade de fazer certas afirmações que ali fez com um nítido orgulho de ter pertencido ao grupo responsável pelo golpe reaccionário do 25 de Novembro de 1975 como, por exemplo, a de que "a História provou que tínhamos razão" e a acção se fez "com o objectivo da Constituição ser aprovada". Isto pode valer para os meninos que nasceram agora e vão ouvir esta versão na escola. Para quem viveu os acontecimentos, a primeira afirmação é grave, a segunda nada verosímil.

Em que é que a História lhe provará hoje que teve, que tiveram, razão? Não será certamente pela mesma convicção de muitos de nós: terem ajudado o país a  chegar mais depressa ao atoleiro em que nos afundamos.

Aliás, Vasco Lourenço fala quase sempre muito em termos operacionais e muito pouco em termos políticos e, relativamente a este golpe, de facto, não lhe interessava nada uma abordagem dessa natureza. Foi preciso que o entrevistador lhe lembrasse o nome de Carlucci e a oferta de armas por parte da Grã-Bretanha para vê-lo tocar fugidiamente na componente política da questão. 

O 25 de Novembro esteve, durante muito tempo, envolto numa nebulosa que nos ocultava a visão dos factos. Mas com o passar dos anos, e já lá vão 38, o nevoeiro foi-se dissipando e a teia, que parecia não vir nunca a desenlaçar-se, creio já estar desfeita quanto aos objectivos principais a atingir naquele nefasto dia em que muitas armas de Abril se viraram contra nós.

Por isso, não vale a pena voltar ao relato. Mas vale, e nunca deixará de valer, perguntar, por exemplo, se, quando entregaram o comando das operações a Jaime Neves tinham a noção do que esse indivíduo se propunha levar por diante, ou estavam de acordo com as suas intenções. Creio que sabiam porque foi dito na entrevista desta noite e Jaime Neves dá-o a entender no vídeo aqui publicado.

Soube esta semana da responsabilidade de Jaime Neves pelo massacre de Viriyamu em que uma população nativa de Moçambique foi dizimada pelo grupo de militares portugueses sob o seu comando. No relatório dessa acção, ter-se-á ele gabado de ter poupado munições - só gastou 10 porque a população, mulheres e crianças incluídas, sofreu uma chacina com armas brancas. E foi a este homem que o Grupo dos Nove - quem sabe se a conselho de Carlucci, a quem no Congo foi atribuida a intervenção na morte de Lumumba -, entregou a tarefa de acabar com os esquerdismos (palavra muito ouvida na entrevista) do povo português, acalmando, assim, o manifesto nervoso do império americano e dos comandantes das suas fragatas fundeadas ao largo da nossa costa. 

 

P.S.: Perante a polémica que ainda hoje subsiste sobre serem os Comandos da Amadora, chefiados por Jaime Neves, ou os paraquedistas de Tancos a terem ocupado Monsanto, é o seguinte o testemunho que posso dar: duas colegas minhas que iam em serviço tiveram que passar em Monsanto. Como não se aperceberam do impedimento de ali circular, o carro em que seguiam foi atingido com uma rajada de metralhadora dos COMANDOS, tendo uma delas morrido logo ali.

 

 

 

 

E a versão de Otelo bem mais perceptível politicamente

 

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por Augusta Clara às 10:00

Quarta-feira, 30.01.13

Morreu Jaime Neves

 
Publicado na página do facebook de Cantigas do Maio
 
 
   Morreu Jaime Neves, o antigo comandante do Regimento de Comandos da Amadora que, sob a direcção militar de Ramalho Enes, em nome do Grupo dos Nove, matou o PREC... (Período Revolucionário Em Curso) que decorria desde 25 de Abril de 1974.
 
Na rua, Mário Soares e a direcção do PS lideravam a contra-revolução, e o PCP, tendo garantido ao então Presidente da República, Costa Gomes, que não convocaria os seus militantes e apoiantes para qualquer acção de rua, abriria a porta à derrota das unidades militares afectas à Esquerda (Paraquedistas, Escola Prática de Administração Militar, Polícia Militar e RALIS). PCP que, no ajuste de contas, esteve para ser ilegalizado não fora a corajosa declaração pública de Melo Antunes na RTP afirmando ser um partido "insubstituível à democracia". PCP cujas sedes e centros de trabalho, no "verão quente" desse mesmo ano, foram vergonhosamente assaltados, destruídos e queimados por todo o Norte e Centro do país por populares instrumentalizados pela extrema-direira.
 
O resto da história foi longa mas resume-se em poucas palavras: o PS e o PPD/PSD tomaram conta do poder, alternadamente, e acabaram com a revolução, liquidaram uma após outra as conquistas de Abril e hoje, 38 anos passados, fizeram de Portugal um dos países mais pobres e mais desiquais da Europa e onde as liberdades democráticas estão cada vez mais ameaçadas e cerceadas.
 
Morreu Jaime Neves. Não deixa saudades. Nenhumas.
 
"...quando a nossa festa se estragou e o mês de Novembro se vingou..."..."... e quando a espingarda se virou foi para esta força que apontou"... "É um sonho lindo p'ra viver quando toda a gente assim quiser"
 

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por Augusta Clara às 13:00



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