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Jardim das Delícias


Sábado, 07.11.20

Aos Pássaros - Miguel MT

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Miguel MT  Aos Pássaros

 

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por Augusta Clara às 22:30

Quarta-feira, 07.10.20

Águas Passadas Movem Moinhos - Eva Cruz

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Eva Cruz  Águas Passadas Movem Moinhos

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(Leonor Fini) 

   Sobe do rio um murmúrio de águas mansas, coado por entre os verdes plátanos, agarrados às margens pelas grossas e velhas raízes que há séculos por ali os alimentam. Espreguiçando-se pela manhã ou caloroso e manso pelo fim da tarde, o sol sempre se esgueira, aqui e ali, em jogos de luz, brincando ao sabor da brisa nas frondosas copas da árvores ou cintilando como pérolas de luz na água do rio.

Patos bravos seguem ao jeito da corrente, mergulhando em ginástica acrobática, ensinando os filhos ainda pequenitos que lhes vão no encalço, em ninhadas bem ordenadas e conduzidas. Pequenas manchas castanhas, salpicando a nudez do rio animam as águas quase paradas.

O pensamento também cai no rio e os olhos mergulham fundo até às suas entranhas. O mesmo rio, o mesmo leito, as mesmas margens, as mesmas árvores, as mesmas raízes. Só as águas não são as mesmas, apesar de parecerem paradas. Nem é mesma a vida que nelas corre.
 
Os olhos mergulham bem fundo, saudosos de momentos de outros dias. A mesma imagem do palácio cor-de-rosa, reflectido nas águas do rio, toma agora a cor de pedra, simples miragem do passado, iludindo o presente.
 
Assim aconteceu com D. Quixote, lutando contra moinhos de vento. Moinhos que o vento move, águas movidas pela saudade.
 
“Let bygones be bygones”, passado é passado, “it´s just water under the bridge”, é apenas água por baixo da ponte. Águas passadas não movem moinhos, mas nem tudo leva a corrente.
 
 

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por Augusta Clara às 22:39

Terça-feira, 06.10.20

A garça do Cais do Ouro - Adão Cruz

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Adão Cruz  A garça do Cais do Ouro

 

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por Augusta Clara às 22:41

Sábado, 03.10.20

Adão Cruz - Exposição naTaberna do Doutor, 2020

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EXPOSIÇÃO DE PINTURA

 

ADÃO CRUZ, Exposição
 
   O meu amigo Zé Carlos, dono da Taberna do Doutor, olhou-me bem nos olhos e disse-me: por que é que você tem os quadros no corredor encostados à parede, em vez de os expor aqui na Taberna? Eu respondi: na Taberna…? Oh!...
 
A mais bestial das galerias! Eles aí estão. São 21.
 
Por baixo deste quadro que aqui reproduzo, aquele com que verdadeiramente me identifico, expus o meu resumo curricular. Só me esqueci de referir, no final, que o vinho verde tinto, na minha aldeia e na minha infância, foi o meu segundo leite.
 

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ADÃO CRUZ
 
- Nasceu em Vale de Cambra há oito décadas.
- Licenciado em Medicina e Cirurgia pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
- Médico generalista em Vale de Cambra durante seis anos.
- Médico na Guerra Colonial da Guiné.
- Médico cardiologista, subespecializado em Eco-Doppler cardíaco, tendo sido um dos pioneiros desta técnica em Portugal. Foi quem adquiriu o primeiro Ecocardiógrafo Bidimensional que entrou em Portugal.
- Ex-Assistente Hospitalar de Cardiologia graduado em Chefe de Serviço.
- Fez o essencial da sua formação no Porto, Lisboa, S. Paulo, Madrid, Barcelona, Corunha, Santiago de Compostela, Paris, Roterdão e Bordéus.
- Sócio da Sociedade Portuguesa de Cardiologia.
- Foi sócio da Sociedade Europeia de Cardiologia, com cartão de Cardiologista Europeu.
- Ex-sócio da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos.
- Sócio e colaborador do Sindicato dos Médicos do Norte.
- Sócio da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos.
- Escreve desde jovem e pinta desde a década de oitenta.
- Frequentes colaborações em jornais, revistas e blogues.
- Tem doze livros publicados, entre poesia, contos e pintura, e mais um sobre assuntos de cardiologia.
- Tem quadros seus a ilustrar capas de livros de outros autores.
- Convidado para três bienais.
- Fez diversas exposições individuais e colectivas em Portugal e fora de Portugal.
- Tem quadros seus em sete países.
- Vem referido e comentado na Parte II, Vol. V, da enciclopédia “O Mundo Fascinante da Medicina”, ilustrando os seus quadros outros volumes, nomeadamente uma boa parte do Volume II da mesma Parte II.
- Convidado com poesia e pintura para o livro comemorativo dos noventa anos da BIAL.
- Convidado com texto e pinturas para o livro comemorativo dos vinte e cinco anos da abertura da Unidade de Cuidados Intensivos de Cardiologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia.
 

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por Augusta Clara às 21:10

Quarta-feira, 16.09.20

Fleurs de Rocailles - Eva Cruz

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Eva Cruz  Fleurs de Rocailles

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(Adão Cruz)

 

   “Scent of a Woman”, fragrância exalada de flores de jasmim, de cravo, lírio do vale, violeta que eleva os sentidos à frescura e à beleza dos campos e os enche daquela plenitude indefinível que perdura e leva a acreditar que o céu é feito de perfume.

Foi no Musée du Parfum no centro de Paris que recebi o meu primeiro perfume “Fleurs de Rocailles”, tinha eu dezoito anos, e que guardei religiosamente durante uma vida. Um frasquinho pequenino, esguio, da Caron, criado em 1933. Musée du Parfum ou Fragonard  Musée, em homenagem ao pintor hedonista Fragonard do século XVIII da cidade de Grasse, dos campos de lavanda, do ouro azul, abertos ao infinito, que perfumam as terras provençais, paisagens mágicas que seduziram poetas, escritores, pintores como Van Gogh, Cézane, Picasso, Camus e tantos outros artistas, que por ali encheram a alma de alfazema, rosas, lírios e jasmins.

“Fleurs de Rocailles”, quase no fim de “ PERFUME DE MULHER”, mostra bem, sobretudo a partir do olfacto apurado de um cego, o coronel Frank Slade, que um bom perfume é mais do que um cheiro, é parte integrante de uma personalidade.

Como o sofrimento interior pode escamotear a bondade, aprendeu-o até ao desespero o jovem e inexperiente estudante Charlie, aluno de um dos Colleges da Universidade de Princeton.  A abnegação e a força da amizade irascível de um amante dos prazeres da vida em todos os sentidos criaram em Frank, durante uma curta viagem a Nova York para celebrar o feriado de três dias do Thanksgiving , de Acção de Graças, o novo sentido da vida e a utopia dos últimos sonhos. Charlie, com a frescura virgem e pueril da sua bondade e compaixão enternecedoras, abriu-lhe o caminho para o alento e para um novo sentido e uma nova força de viver, traduzido no arrebatamento estonteante e pungente de um tango dançado por um cego à volta de um etéreo perfume.

A dramática beleza da violência poética, terminando com uma preciosa lição sobre a força da escola na estruturação do carácter, pôs a nu a hipocrisia de muitas escolas de elites, onde o dinheiro é deus e senhor, mais empenhadas no amestramento, como paradigma do cidadão formatado para o sistema, do que na educação de gente com coluna vertebral.

A referência a “Fleurs de Rocailles” perfumou-me inesperadamente a memória e caiu como um bálsamo nas minhas longínquas lembranças, fazendo-me recuar ao “Scent of a Woman” dos meus dezoito anos.

 

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por Augusta Clara às 22:59

Quarta-feira, 19.08.20

A dívida - Adão Cruz

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Adão Cruz  A dívida

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(Adão Cruz) 

   Adoro ir a restaurantes antigos, clássicos, velhos, modestos mas excelentes, que não troco, de forma alguma, pelo mais requintado gourmet. Há sempre uma cena, uma história que o acaso nos oferece como deliciosa sobremesa. Neste restaurante a que fui com um grupo de amigos, onde a vitela assada no forno não tem comparação com outra qualquer, aconteceu o seguinte: no fim da refeição, pedi a conta, e um dos donos do restaurante disse-me que estava tudo pago. Tanto eu como os meus amigos ficámos de boca aberta. Perguntei o que se passava, quando ele me respondeu: Senhor Doutor, isto não é para pagar nada, mas eu tenho uma dívida para com o Senhor Doutor há mais de vinte anos. O Senhor não se recorda, mas vai lembrar-se depois de eu contar. Há vinte e tal anos diagnosticaram-me, em Lisboa, uma leucemia e deram-me seis meses de vida. Indicaram-me todos os tratamentos e cuidados a ter e mandaram-me para a minha terra, dizendo que gozasse o melhor possível o tempo que tinha de vida. Quando cheguei à minha aldeia alguém me disse para consultar o Dr. Adão, e eu assim fiz. O Senhor Doutor ficou meio triste e disse-me compreender a minha angústia, mas que não eram coisas das suas mãos de cardiologista. No entanto, iria recomendar-me um grande amigo, hematologista, o Prof. Arnaldo Mendonça, pois não via melhor pessoa a quem me entregar.

Abro aqui um parêntesis para dizer que o Arnaldo Mendonça, ainda hoje meu grande amigo, foi meu colega no Internato Geral do Hospital de Santo António, seguindo depois para o Hospital de S. João, onde fez a especialidade de hematologia e se doutorou.

Andei no Prof. Arnaldo Mendonça durante doze anos, continuou o dono do restaurante. Ao fim deste tempo, ele mandou-me para casa e recomendou-me que fizesse a vida normal e tentasse viver o mais possível, nada impedindo, dentro do que lhe dizia respeito, de durar até aos cem anos de idade. Como vê, Senhor Doutor, um almoço não é nada comparado com a minha vida.

A mim, confesso, soube-me muito melhor esta sobremesa do que a oferta de mil almoços.

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por Augusta Clara às 23:31

Domingo, 16.08.20

Canções antigas - Adão Cruz

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Adão Cruz  Canções antigas

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(Adão Cruz)

Na recordação das canções antigas
veste-se meu coração das verdes folhas do desejo
o entoa na fragrância dos campos
a melodia dos olhos pendurados na profundidade do céu.
Na sombra da figueira diz-me adeus o sol
em acenos de azul e violeta
por entre os ramos e os sons de uma flauta de lábios doces
que por ali poisou entre sonhos infinitos do lusco-fusco.
As primeiras chuvas do verão humedecem como lágrimas
as palavras ditas e não ditas
no silêncio dos caminhos perfumados de terra e folhas molhadas.
E nada se reconhece na lembrança muda das tardes
que para sempre morreram
mas os passos ecoam em silêncio por entre os pés das oliveiras
onde outrora floriram mil risos de criança.
Que fez de mim este crepúsculo azul
como flecha espetada no vento
ferindo de morte toda a vida de meu sonho-menino?
Onde está a pedra que se fez montanha
o regato que se fez rio
a tripla chama da vida nua
quando sagradas selvas e misteriosas crenças de punhal à cinta
quiseram que fosse santa?
Meu coração peregrino de seu perdido tesouro
entre o sol e as desgarradas nuvens de infinitos céus
ainda hoje se arrasta entre a razão e o abismo
em pálido reflexo de ouro para ser criança na hora de partir.

 

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por Augusta Clara às 23:16

Terça-feira, 04.08.20

Concerto Nº. 21 de Mozart - Maria João Pires

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Maria João Pires   Concerto para piano Nº. 21 de Mozart

 

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por Augusta Clara às 00:33

Sábado, 29.02.20

In limine - Adão Cruz

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Adão Cruz  In limine

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(Adão Cruz)

 

Pelos caminhos de prantos e sorrisos
dentro de um tempo farto de horas sem minutos
a vida vai colhendo flores que murcham
por não serem simples flores ou flores simples
sem exigências de estufa ou jardim
flores de terra húmida
céu por cima e sol de permeio.
Em tudo o que me é vida
interfere a vergonha de ser adulto.
Descortino as janelas
que me disseram haver dentro dos homens
e só vejo muralhas.
Nada de crianças.
Os homens comeram as crianças
os homens comeram-se crianças
os homens pariram-se adultos.
Os pongídeos chegaram a homens.
Quinze milhões de anos
para o homem ser bicho…!
Bicho erecto
rastejo de púrpura.
Eu nasci na erva e dormi no feno
e acordei com a voz dos melros e rouxinóis
e saltitei com os pardais
vesti-me de sol e despi-me de luar
estreei o mundo no abraço das árvores e no beijo dos rios.
Meus olhos dormidos casavam a noite e o dia
no mesmo silêncio de sonho-menino.
A vida viveu em mim
crescendo todos os tamanhos
e medindo todos os céus.
Também eu fui criança
e matei em mim a criança que procuro
ao pensar que eram de amor
as mãos que a mataram.
Passei a vida a correr tropeçando nas sombras
arrumei ao canto da luz mil horas vazias
sangradas a curricular futuros
para ser gente na praça dos homens.
Pisei os passos pequeninos nos avessos da verdade
e palmilhei léguas vagarosas a tossir poeira.
Vestido de ausências
fui renascendo de amor pela vida fora
nos infinitos da fantasia
que outros foram matando lentamente
com fruído prazer.

 

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por Augusta Clara às 22:06

Segunda-feira, 03.02.20

RAFAL OLBINSKI (Polónia, 1943-)

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Iris

 

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por Augusta Clara às 03:17



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