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Jardim das Delícias


Segunda-feira, 30.11.20

PORTUGUÊS LEVEZINHO - Joaquim José Magalhães dos Santos

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Joaquim José Magalhães dos Santos  PORTUGUÊS LEVEZINHO

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(Adão Cruz)

 
METAPLASMOS (B)
Já que lhes falei de "pôr",
Vou-lhes falar de "tirar"...
Sabem que de METAPLASMOS
É que lhe' stou a falar.
Umas vezes acrescenta,
Outras toca a ir buscar.
Se se tira do início,
De AFÉRESE vamos tratar.
Ao falarmos à vontade,
Nós dizemos STOU, não é?
Mas ESTOU é que está certo,
AFÉRESE é o que é!
ENAMORAR era dantes...
Mas hoje é "só" NAMORAR...
Deu-se a AFÉRESE do E...
Foi só pra simplíficar...
NOJO já foi ENOJO
Mas tanto NOJO metia
Deu-lhe a AFÉRESE no E...
Já aí anda á luz do dia!!!
E... no meio? Acontece?
Também do meio se tira?
Se a SÍNCOPE dá na gente...
Na palavra não admira!
Pois se a LUA já foi luNa
E se meNsa é hoje MESA,
Uma SÍNCOPE lhes deu!
Assim mesmo! À Portuguesa!
Até os pobres dos CÃES
Já foram CANES, outrora,,,
Deu a SÍNCOPE ao triste N
E o que temos? CÃES agora...
Mas o bom é que estas SÍNCOPES
Não dão só à gente boa!
MALU veio a dar em MAU...
A SÍNCOPE não perdoa!!!
E então no fim das palavras
Estas quedas não se dão?
E por que não se dariam?
Não há qualquer proibição!!!
APÓCOPES lhes chamamos
E não nos dão protecção!
Pois se até o triste SANTO
Se vê reduzido a SÃO!
E mesmo o velhinho BONUM
Não é hoje mais que BOM!
Os METAPLASMOS reduzem
Tudo sem tom nem som!
Mas não se julgue... Oh! Não!
Por aqui se ficam os cortes!
Perante fúrias assim,
Nem há fracos nem há fortes...~
Há uma D. HAPLOLOGIA
Que até nos faz gaguejar!
Caso especial de SÍNCOPE!
SEMIMÍNIMA = SEMÍNIMA,
E BONDADOSO = BONDOSO...
Ávida! Voraz! Gulosa!
Apetite... monstruoso!
IDOLOLATRIA fica
Reduzida a IDOLATRIA
E VAIDADOSO a VAIDOSO!
Quem pode sobreviver
A alguém assim tão guloso?!
 
20 de Novembro de 2020

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por Augusta Clara às 14:00

Sábado, 28.11.20

Adão Cruz, 2020

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por Augusta Clara às 21:04

Domingo, 22.11.20

Adão Cruz, 2020

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por Augusta Clara às 14:41

Sexta-feira, 20.11.20

Adão Cruz, 2020

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por Augusta Clara às 15:11

Terça-feira, 17.11.20

A bateira submersa - Eva Cruz

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Eva Cruz  A bateira submersa

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(fotografias de Adão Cruz)

   Desta vez não fomos só ver a Ria e espreitar os flamingos se os houvesse. Movia-nos a ideia de petiscar umas enguias fritas na célebre Taberna d’Alcina. Como estava uma bela tarde de Verão de S. Martinho, caminhámos um pouco até à ponta do cais da Béstida, saboreando a frescura das águas antes de saborear a nossa merenda.
 
Entretanto, a paz que por ali costuma reinar foi perturbada por um vozear de pescadores, de um lado e outro do cais. Um pequeno barco a motor tentava a todo o custo levantar do lodo uma bateira submersa que nem se mexia. Mas era tão grande o esforço do barco e a teimosia da barcaça afundada que a corda partiu. Sugestões e ordens de todo o lado, quer dos homens dentro de outros barcos quer dos veteranos displicentes que, de mãos nos bolsos passeavam as horas pela beira do cais, de nada valeram. A bateira estava como que amarrada ao fundo da ria.
 
Foi então que demos conta de um homem novo e corpulento, uma figura hercúlea vestida de fato impermeável de borracha, que desceu o paredão e se enfiou na água escura e lodosa, agarrando-se à ponta da proa e tentando movê-la com força de gigante. A bateira deu de si, ao som do ela aí vai, de todos os circunstantes, deixando a descoberto um dos lados. No meio daquela vozearia, o homem pede um canedo e começa a retirar o lodo do fundo da barcaça para aliviar o peso, quase enfiando a cabeça dentro de água. Depois de muito tempo de luta em vão, surge um novo barco de motor mais potente, amarra de novo a corda e consegue arrastá-la vagarosamente pelas águas fora, com o homem de pé, metido na água até ao pescoço, a empurrar e orientar a bateira. Parou na rampa por onde os barcos acedem à Ria e ali ficou, esburacada e velha à espera de nova sepultura.
 
No fim da merenda regressámos à contemplação da ria, batida pelo sol da tarde reflectido nas águas mansas, em suaves jogos de luz dourados e prateados. Rodámos lentamente pela margem, e poucas aves vimos nos sapais. Uns passaritos, uma ou outra garça pousada ou abrindo as asas e voando suavemente com a elegância própria de uma dança. Flamingos, apenas um, solitário. Eles vêm em tempo mais agreste, já nos tinha dito o pescador, e aquele dia era um dia de Verão em pleno Outono. O que terá levado aquele flamingo a ficar por ali sozinho? Saudades da Ria, como nós, ou já não ser capaz de “ O último voo do flamingo”, e por ali morrer como a bateira. Mia Couto talvez saiba, quando diz, na voz dos que falam dentro dos seus livros, que há-de vir um outro tempo e um outro…até que os flamingos empurrem o sol do outro lado do mundo.

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por Augusta Clara às 15:07

Domingo, 15.11.20

Adão Cruz, 2020

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por Augusta Clara às 22:56

Sábado, 14.11.20

Ser médico. Observar e tratar doentes - Adão Cruz

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Adão Cruz  Ser médico. Observar e tratar doentes

 

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   O exercício da medicina é, sem dúvida, uma arte. Uma arte nobre e extremamente delicada. Assenta num pilar central e fundamental: a Competência. Mas a competência é multifactorial. Para além do inegável factor saber-conhecimento, outros há, sem os quais a competência poderá, simplesmente, não existir. Estes são muitos, mas podemos destacar como mais importantes uma sólida estrutura da consciência, a dignidade, a honestidade, o espírito de sacrifício, a humanidade e o BOM SENSO, indispensável em toda esta integração. Sabemos que o médico, como ser humano que é, está sujeito a erros, vicissitudes e até desvirtudes. Mas como todo o ser humano, tem direito a compreensão e perdão, quando as suas falhas são desvios meramente incidentais. O mesmo não acontece, como é óbvio, quando a sua conduta entra no campo lamacento da desonestidade, da irresponsabilidade e da perda dos valores éticos que integram esta incomparável profissão.

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por Augusta Clara às 19:37

Sexta-feira, 13.11.20

Adão Cruz, 2020

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por Augusta Clara às 14:53

Segunda-feira, 09.11.20

Adão Cruz, 2020

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por Augusta Clara às 15:57

Domingo, 08.11.20

Adão Cruz, 2020

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por Augusta Clara às 21:45



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