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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.

Alfredo Barroso Seita reaccionária de 'comentadeiros' lusitanos contra Lula

A indignidade dos "comentadeiros" reaccionários - que pululam como cogumelos venenosos nas páginas dos jornais e nos canais de TV portugueses - vai ao ponto de comparar Lula da Silva, o ex-presidente do Brasil que se tornou preso político, com o insensato, desbocado e colérico Bruno de Carvalho, futuro ex-presidente do Sporting. O que é o mesmo que, por exemplo, comparar o colunista do "New York Times" e Prémio Nobel da Economia, Paul Krugman, com o simploriamente reaccionário e sectário "comentadeiro" de última página do "Público", João Miguel Tavares, que se tornou famoso por ter insultado José Sócrates e por isso ter sido levado a julgamento e absolvido.
O que custa a esta "seita" reaccionária, que abunda nos órgãos de Informação lusitanos, é saber que Lula da Silva foi julgado e condenado sem provas, apenas pela "convicção" individual e colectiva dos juízes que quiseram, à viva força, enfiá-lo numa prisão para o afastar da possibilidade de se recandidatar ao cargo de Presidente do Brasil, quando todas as sondagens prevêem que ele seria o vencedor, com larguíssima vantagem sobre o seu mais directo rival, o fascista Jair Bolsonaro...
Claro que a "seita" reaccionária lusitana ainda não chegou ao ponto de fazer como aqueles controladores de voo militares que aconselharam o piloto do helicóptero que transportou Lula para a prisão de Curitiba a "lançá-lo dele abaixo" durante o vôo! Mas talvez não estejam muito longe de desejar a sua morte,,,
São já legião os juristas, não só brasileiros mas também dos quatro cantos do mundo, escandalizados com a condenação, sem provas, e apenas por mera convicção política, de Lula da Silva. O que a mim me faz lembrar aquela anedota do marido que bate sistematicamente na mulher sem qualquer motivo concreto, e que responde a quem lhe pergunta, então, qual é a razão: «Eu não sei, mas ela sabe com certeza!»...
Também custa muito à "seita" reaccionária lusitana ser lembrada do golpe montado por um "exército" de políticos corruptos da direita brasileira decididos a destituir Dilma Rousseff do cargo de Presidente do Brasil sem que a menor suspeita de corrupção incidisse sobre ela, apenas agarrados a um pretexto meramente formal que poderia servir para destituir todos os PR's e chefes de Governo do mundo. Se não houve "conspirata", e das mais vergonhosas, vou ali e já venho. E o que dizer da autêntica "múmia paralítica" que dá pelo nome de Michel Temer, acusado de corrupção em vários processos e um "fantoche" politicamente incompetente que traíu Dilma Rousseff para a substituir?!
Campo d' Ourique, 10 de Abril de 2018"


(este texto foi escrito há um ano)
Há exactamente 100 anos, em França, a meio da Grande Guerra de 1914-1918, entre 21 de Fevereiro e 19 de Dezembro de 1916, travou-se uma das mais brutais e sangrentas batalhas da história das guerras (envolvendo 2.400.000 homens), na Região fortificada de Verdun, durante 300 dias e 300 noites, à razão de mil mortos por dia, saldando-se, no final, por mais de 300 mil mortos e desaparecidos (porque a morte em massa e a total pulverização de milhares de corpos fizeram desaparecer no anonimato cerca de 100.00 soldados), e cerca de 400 mil feridos.
Os alemães dispararam em média 100.000 obuses por dia. Nove vilas e aldeias, «mortas pela França», foram definitivamente riscadas do mapa. Das 95 divisões que constituíam o Exército francês, 70 divisões combateram em Verdun.
Quer pela sua longa duração, quer pelos terríveis meios de destruição empregues, quer pelo encarniçamento dos adversários na luta, quer pelo horror dos combates, quer pela gigantesca amplitude das perdas, a batalha de Verdun marca uma viragem histórica na maneira de fazer a guerra, alterando completamente a noção tradicional de batalha como confronto breve e violento, mas decisivo, que se tornou obsoleta.
De realçar, também, a incompetência profissional, a crueldade e a desumanidade de muitos generais, que não hesitavam em mandar escolher à sorte, para serem julgados sumariamente, condenados à morte e fuzilados, a título de exemplo, dois ou três soldados de um pelotão que se recusasse a avançar em campo aberto sob fogo cerrado do inimigo (como é mostrado com toda a crueza no terrível filme «Paths of Glory», de Stanley Kubrick, estreado em 1957, e proibido de ser exibido em França - e em Portugal e Espanha, claro! - durante mais de década e meia)...
...E esta era «a guerra para acabar com todas as guerras»!
Foto a preto & branco: imagem do filme de Stanley Kubrick «Paths of Glory» (de 1957);
Foto a cores: pintura de John Singer Sargent (1865 -1925) intitulada «Gaseados» (1918).
O primeiro «grande golpe» de Marcelo Rebelo de Sousa a favor dos partidos de direita, que o apoiaram na sua eleição, traduziu-se num acto de subserviência intolerável por parte do próprio Presidente da República, de uma provocação ao Governo de António Costa, de um insulto aos órgãos de soberania e de uma interferência inadmissível na vida política interna deste País, por parte do arrogante Governador do Banco Central Europeu, Mário Draghi, sentado ao lado do inenarrável Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.
A Esquerda não pode baixar os braços e ficar quieta perante a enormidade política que ocorreu no Palácio de Belém, durante a primeira reunião do Conselho de Estado convocada pelo novo Presidente da República.
Quase toda a gente julga que, uma vez instalado no Palácio de Belém como PR, Marcelo Rebelo de Sousa deixou de ser quem sempre foi ao longo de toda a sua vida política e jornalística.
Puro engano!
Porque, como PR, o «velho» Marcelo ampliou o espaço para a intriga política palaciana de que tanto gosta; para a «criação de factos políticos» nocivos à vida democrática; para as suas proverbiais «facadas nas costas» (dos outros); para o riso escarninho de quem sempre gostou de incomodar os outros - como por exemplo tocando infantilmente às campaínhas altas horas da noite ou recorrendo a uma gralha tipográfica deliberada para chamar «lelé da cuca» a Francisco Balsemão.
A creditem no que vos digo: Marcelo Rebelo de Sousa não ficará satisfeito enquanto não contribuir decisivamente para desfazer a maioria de esquerda na Assembleia da República e forçar a reconstituição, no poder. de uma aliança e de um governo do «bloco central», que ele também nunca deixaria de «picar»...
A curto prazo, quase toda a gente acha óptimo que o novo PR tenha, aparentemente, «desanuviado» o péssimo ambiente causado pelo seu antecessor, Cavaco Silva, e pelo governo dos seus apoios de direita, Passos Coelho e Paulo Portas.
A médio e a longo prazo, porém, a eleição como PR de um velho admirador de Salazar e Marcello Caetano, e velho amigo do ex-banqueiro Ricardo Espírito Santo Salgado, poderá revelar-se dramática para a nossa democracia e uma verdadeira tragédia para a Esquerda, se esta não reagir com firmeza às constantes «provocações» de Marcelo - e se o o PS e António Costa se deixarem «ficar nas covas», em nome de um inqualificável «pacto» não escrito entre o professor e o seu ex-aluno de Direito...
O futuro dirá se tenho razão ou se estou só a delirar!
Alfredo Barroso Vivemos numa Europa dominada pelo medo e pela chantagem
Em Atenas, medo e chantagem estão a fazer o seu trabalho. «Madamas» e «escaravelhos» da direita - gentalha que respira ódio contra a esquerda e pouco ou nada sofre com a austeridade - já estão a levantar a cabeça e a proclamar que vão votar «sim» e aceitar às imposições dos credores (UE, FMI, BCE, banca, mercados financeiros) para derrubar o governo de esquerda apoiado pelo Syriza. E o Partido Comunista grego quer dar uma ajuda, apelando à abstenção contra o Syriza.
Eurocratas e plutocratas, que controlam e financiam os partidos de direita - e seus lacaios social-democratas (?), socialistas (?) e trabalhistas (?) - infelizmente no poder em quase todos os países da União Europeia, estão a ganhar a campanha de chantagem e medo para banir o «mau exemplo» dado por um governo corajoso que ousou fazer frente à «muralha do dinheiro» que domina a Europa.
Não me surpreenderia com o regresso ao poder, em Atenas, dos vassalos da eurocracia e da plutocracia - o partido da Nova Democracia, com o PASOK pela arreata - e que esse vírus ultraliberal e reaccionário inoculado por Bruxelas, ou, mais exactamente, pela Alemanha de Merkel e Schäuble, acabe por contaminar os países submetidos a brutais políticas de austeridade.
É tempo de nos prepararmos para o pior e apelar à resistência contra esta direita ultraliberal e reaccionária, que quer intimidar as populações com a linguagem da chantagem e do medo, para assim impor mais austeridade e prosseguir na sua campanha contra o Estado Social e tudo o que é público. Os políticos que nos governam são cruéis e medíocres, a soldo dos plutocratas e eurocratas. Se vencerem, vão fazer-nos penar por muitos e maus anos.
Alfredo Barroso Estaline ainda aparece muito a apagar fotos e nomes ...
Recebi há poucas horas [ontem], por e-mail, uma espécie de memória descritiva do CONGRESSO DEMOCRÁTICO DAS ALTERNATIVAS (CDA) e constatei que o meu nome já não consta da Comissão Organizadora eleita em 2012, incumbida de organizar o CDA e de preparar os textos para debate e aprovação no Congresso. E, no entanto, fui parte muito activa da Comissão Organizadora, participei na redacção de textos, tanto preparatórios como finais, e só me demiti da CO algumas semanas depois, quando percebi que estava a iniciar-se um processo de «downsizing» político, contrário à ideia inicial dos «fundadores» (digamos assim), processo esse que consistiu na instrumentalização do CDA e que teve como conclusão a fundação do «Tempo de Avançar» e do «Livre», ou seja, um processo em que a montanha que os «fundadores» idealizaram acabou a parir dois ratos - dissidências de esquerda para «unir» a esquerda... Daí, aquilo a que chamo um «processo escandaloso de estalinização do CDA». Tenho dito!
Alfredo Barroso (*) Mais um programa social-liberal do PS
Não constituiu qualquer surpresa para mim o conteúdo do documento intitulado «Uma Década para Portugal» (que em boa verdade abrange apenas meia década), apresentado pelo secretário-geral do PS, António Costa, e pelo coordenador e relator do documento, o economista liberal Mário Centeno.
É óbvio que o documento diz aquilo que querem ouvir, tanto a actual direcção do PS (e a antiga), como a ala mais à direita do partido (na qual pontifica Francisco Assis, que insiste em provar que é um evidente erro de «casting») e também os funcionários e quadros políticos, assim como muitos militantes e eleitores, que se estão perfeitamente «nas tintas» para as orientações ideológicas do partido, e apenas se preocupam com o rápido regresso do PS ao poder, do mesmo modo que os adeptos de um clube de futebol só querem que este seja campeão. O ferrete da «blairização» do partido foi cravado bem fundo no tempo de António Guterres e continua bem à vista.
Atenho-me às «Cinco questões ao PS para memória futura», que tornei públicas em 1 de Agosto de 2014 (no jornal «i»), quando decidi dar o meu apoio à candidatura de António Costa a secretário-geral do PS, em disputa com António José Seguro:
1 - A primeira questão que coloquei foi a de saber qual a atitude da futura direcção do PS relativamente ao «pacto de austeridade perpétua contra a democracia consubstanciado no famoso Tratado para a Estabilidade, a Coordenação e a Governação, vulgo Tratado Orçamental, imposto à zona euro (e à União Europeia) pela chanceler alemã Ângela Merkel, e prontamente aprovado em Portugal pelo PPD de Passos Coelho, o CDS de Paulo Portas e o PS de António José Seguro». Pois a resposta não podia ser mais clara: as normas e regras do Tratado são para cumprir e serão aplicadas na íntegra, com o objectivo de alcançar «o quase equilíbrio estrutural das contas públicas e a redução do endividamento».Mais austeridade à vista, portanto! Até porque António Costa não quer «levar com a porta na cara» em Bruxelas e… em Berlim!
2 - A segunda questão foi a de saber se a nova direcção do PS «(iria) ou não defender, sem ambiguidades, a reestruturação ou renegociação da dívida». A resposta também é muito clara: a direcção do PS abandonou qualquer propósito de renegociar e reestruturar a dívida pública do país. Nada de incomodar os credores e de suscitar a ira de Bruxelas (UE), Berlim e Washington (FMI)...
Alfredo Barroso Doze factos sobre a ocupação ilegal da Palestina por Israel
17 de Julho de 2014
São factos como estes que a seguir se enumeram, que nos devem levar a desconfiar, de cada vez que lemos e ouvimos os media ocidentais anunciar que «terroristas palestinianos lançam mísseis contra Israel» ou que «o conflito entre Palestina e Israel provoca centenas de mortos». É que o território palestiniano de Gaza não tem exército, força aérea ou marinha, ao passo que Israel é a quarta potência militar do mundo. A resistência à ocupação israelita é permitida pelo Direito Internacional, ao passo que a ocupação, o cerco e a punição colectiva de Gaza por Israel, não é permitida.
1 – Só no primeiro dia deste novo massacre (Julho de 2014) foram realizados 273 ataques aéreos (cerca de 11 por hora) numa área de 40 km de comprimento por 12 km de largura, povoada por 1,7 milhões de pessoas (uma das áreas mais densamente povoadas do mundo). Imaginem a catástrofe que é uma área tão exígua com uma população tão grande como esta, sofrer um pesado bombardeamento aéreo de 6 em 6 minutos. A estimativa dos hospitais á a de ficarem sem recursos para atender os feridos ao fim de poucos dias. A electricidade é intermitente e não existe qualquer indicação de que Israel parará o massacre, apesar dos pedidos de diversas nações do mundo.
2 – Embora o Acordo de Paz firmado em 1948 entre a Palestina e Israel (país que estava a ser criado naquele momento) garantisse a divisão quase igualitária do território entre estes dois países (55% para Israel e 45% para a Palestina), desde 1967 (ano da Guerra dos Seis Dias) que Israel ocupa ilegalmente os territórios palestinianos, restringindo cada dia mais o seu tamanho. Ainda no ano de 2012, Israel já ocupava 78% do território e este número não pára de crescer. Cada dia que Israel anexa e permanece em territórios palestinianos ocupados é uma afronta aos Direitos Humanos e ao acordo internacional que poderia trazer finalmente paz para aquela região.
3 – A ocupação israelita é selectiva, roubando aos palestinianos as terras férteis, com acesso a água e recursos naturais, inviabilizando qualquer hipótese de subsistência ou desenvolvimento soberano. Hoje, os territórios palestinianos dependem de Israel para ter acesso a tudo (água, energia, alimentação, telecomunicações etc.). Israel açambarcou o peixe das populações palestinianas proibindo-as de pescar.
4 – Todo tipo de ajuda humanitária precisa de passar primeiro por Israel, que proíbe visitas de activistas dos Direitos Humanos e pessoas interessadas em diminuir o sofrimento dos palestinianos. Existem casos de activistas que morreram tentando impedir a demolição de casas palestinianas em locais que estavam a ser invadidos e ocupados por Israel. O caso de Rachel Corrie, que foi esmagada a sangue-frio por um tractor que estava a demolir casas palestinianas em áreas ilegalmente ocupadas por Israel, é emblemático. Em 2012, um tribunal israelita isentou de toda e qualquer culpa o autor do homicídio, alegando culpa da vítima e não do soldado que assumiu o controlo do tractor depois do trabalhador que o conduzia se ter recusado a passar por cima da jovem militante.
5 – A Faixa de Gaza está situada no litoral do Mediterrâneo. No entanto, não é possível enviar ajuda por mar ao povo palestiniano, porque Israel o proíbe. Em 2010, um corajoso grupo de onze activistas dos Direitos Humanos, oriundos de diversas partes do mundo (incluindo uma vencedora do Nobel da Paz, Mairead Corrigan, uma das poucas premiadas que realmente merecia tal honra) conseguiu fretar um navio para levar comida e materiais escolares para a Faixa de Gaza pelo mar. Embora o navio, baptizado com o nome de Rachel Corrie, já tivesse sido inspeccionado pela ONU e por autoridades iraquianas, com pedidos do governo irlandês para que não fosse interceptado, foi apresado violentamente por tropas israelitas, que impediram sua chegada, prendendo e deportando toda a sua tripulação. Não foi a primeira nem a última vez que isto aconteceu, envolvendo casos de assassinatos de activistas nas invasões e apresamentos de barcos.
6 – Para garantir que o povo palestiniano não fuja e tente recuperar as suas terras definidas pelo acordo de 1948 da ONU, Israel construiu um muro em redor da Faixa de Gaza. É isso mesmo: a Faixa de Gaza é cercada por Israel em toda a volta através de um muro blindado de 5 metros de altura apelidado pela comunidade internacional de «Muro da Vergonha». Mantém, assim, os sobreviventes da Faixa de Gaza numa prisão sem tecto que lembra muito o Gueto de Varsóvia, local onde os judeus polacos foram colocados pela Alemanha nazi durante a II Guerra Mundial, e sofreram as mais duras violações de Direitos Humanos. Infelizmente, Israel faz hoje com o povo palestiniano algo muito parecido com o que fez a Alemanha nazi durante o holocausto. Todavia, a resistência judaica no Gueto de Varsóvia é tratada como algo heróico e lembrada na história, nos livros e nos filmes. Ao passo que a resistência palestiniana é tratada como terrorismo e usada como justificação para mais e mais atrocidades cometidas pelo Estado de Israel.
7 – Quando um cidadão normal quer viajar, ou quando acha que tem de emigrar porque as condições no seu país estão muito difíceis, esse cidadão pode ir para outro país e regressar ao seu quando quiser. Mas esta não é uma opção para os sobreviventes da Faixa de Gaza. Pelo contrário, Israel procura por todas as formas que o povo palestiniano abandone o seu país e vá para campos de refugiados em outros países, pois, uma vez lá fora, o Estado judaico já não os deixa regressar. É uma verdadeira crise humanitária, pois milhares de famílias estão separadas há gerações, sem nenhuma perspectiva de algum dia se reunirem regressando ao seu país de origem. A negação do direito de regresso é uma das grandes violações cometidas pelo Estado de Israel contra o povo palestiniano.
8 – Israel é o país que recebe mais «ajuda militar» dos Estados Unidos desde o final da II Guerra Mundial: em média, 1.800 milhões de dólares por ano. Desde o seu nascimento, Israel consolidou-se como um dos mais poderosos e destruidores exércitos do mundo (é a quarta maior potência, segundo a maioria dos especialistas). Apesar de seu elevado potencial nuclear (e da sua propensão para as agressões e conflitos), Israel recusou-se a assinar grande parte dos tratados internacionais que envolvem a não-proliferação de armas nucleares, utilização de armas que causam danos a civis, entre outras violações dos Direitos Humanos mais básicos.
9 – Ao contrário do que se diz, não foram os árabes que «inventaram» o terrorismo como forma de luta. Pelo contrário, o ataque indiscriminado a alvos civis para causar terror foi algo muito praticado pelos judeus entre 1910 e 1950. No entanto, enquanto movimentos populares, partidos políticos e grupos de resistência árabes são condenados por unanimidade pelas potências ocidentais (que também praticam violações de Direitos Humanos por todo o mundo), os movimentos terroristas judaicos (tratados hoje na história como «heróicos») tiveram total apoio dos Estados Unidos e do Reino Unido, com armas, logística e equipamentos. Apoio, aliás, que os actuais governos israelitas, violadores dos Direitos Humanos, também possuem.
10 – O «lobby» israelita para tornar invisível o povo palestiniano e o seu país é tão poderoso que consegue manter a Palestina ocupada quase como sendo um não-país. E a verdade é que a Palestina levou 64 anos, desde a criação de Israel, para ser finalmente reconhecida em 2012 como Estado com o estatuto de «observador» na ONU. E esta mera aceitação como «observador» foi, mesmo assim, motivo de protesto por Israel e pelos Estados Unidos, que ameaçaram deixar de contribuir para o orçamento da ONU depois de perderem a votação por 138 votos contra 9 (votações parecidas com as que reclamam o fim do bloqueio económico a Cuba por parte dos Estados Unidos, até hoje não cumprido). Vergonhosamente, apesar deste ínfimo progresso, a Palestina ainda não foi reconhecida como membro de pleno direito da ONU, a qual não tem qualquer poder para pôr cobro às sucessivas violações dos Direitos Humanos por parte de Israel.
11 – Nas suas agressões militares, Israel utiliza armas que foram proibidas pela ONU, como o fósforo branco. Desde 2006, quando tentou invadir o Líbano e foi derrotado pelo Hezbollah (que significa «Partido do Povo», em árabe), crescem as denúncias de que o exército israelita estaria a utilizar essas armas em locais densamente povoados, causando terríveis efeitos sobre a população civil.
12 – Outra prática vergonhosa e muito utilizada por Israel e outras potências são os «auto-atentados», ou seja, provocar ou simular um incidente para que ele seja utilizado como justificação para ataques a outras nações ou populações. Esta táctica para garantir apoio popular local e internacional foi muito utilizada na história de Israel. Basta lembrar um episódio ocorrido em 2006, quando foi divulgado que um «cidadão israelita», Gilad Shalit, tinha sido sequestrado pelos terroristas do Hamas na Faixa de Gaza, dando início à Guerra em que Israel matou milhares de civis, apoderou-se de diversos territórios palestinianos na Cisjordânia e tentou apoderar-se do Líbano! Depois não conseguiram esconder que, afinal, Gilad Shalit era um soldado israelita, infiltrado no território palestiniano para espiar e divulgar a localização dos chefes do Hamas, e assim bombardear as suas casas com maior precisão.
(Texto adaptado de http://www.insugencia.org)
Alfredo Barroso A senhorita Maria Luís é como o armeiro branco da anedota...
«Este governo não tem nada contra os funcionários públicos nem contra os pensionistas», disse a inefável ministra das Finanças, senhorita Maria Luís Albuquerque, explicando que o alargamento da famosa Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) justifica-se pela «necessidade de garantir a sustentabilidade das contas públicas». Esta extraordinária declaração da senhorita Maria Luís fez-me lembrar uma famosa anedota, que, por acaso, me foi contada pela primeira vez pelo Raul Solnado, num jantar de aniversário, há mais de 20 anos, e que reza mais ou menos assim:
Numa cidade do sul dos EUA, um preto entra numa loja de venda de armas, é recebido ao balcão pelo armeiro branco dono da loja, vai olhando para as armas expostas nas vitrinas e vai perguntando:
- O senhor tem uma pistola Beretta?
- Não tenho, não senhor!
- E tem uma Walther?
- Não tenho, não senhor!
- E tem uma Smith & Wesson?
- Não tenho, não senhor!
- E tem uma espingarda Remington?
- Não tenho, não senhor!
- E tem uma Brownning?
- Não tenho, não senhor!
- E tem uma Kalashnikov?
- Não tenho, não senhor!
- E tem uma pistola-metralhadora UZI 9MM?
- Não tenho, não senhor!
- E tem uma Breda M37?
- Não tenho, não senhor!
- E tem um lança granadas de espingarda Energa m/953?
- Não tenho, não senhor!
- E tem um lança granadas Battlefield 4 MGL?
- Não tenho, não senhor!
- E tem uma BaZuka by runie84?
- Não tenho, não senhor!
- Oiça lá, o senhor tem alguma coisa contra os pretos?
- Tenho, sim senhor! Uma Beretta, uma Walther, uma Smith & Wesson, uma Remington, uma Brownning, uma UZI 9MM, uma Breda M37, um Energa m/953, um Battlefield 4 MGL, uma BaZuka by runie84, e ainda, se for preciso, um Canhão Sem-Recuo de 106MM!
A senhorita Maria Luís também não tem nada contra os funcionários públicos e contra os pensionistas, a não ser a Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), os cortes brutais nos salários e nas pensões, o aumento dos impostos e das contribuições para a ADSE, a diminuição dos subsídios de doença e de desemprego, assim como das comparticipações nos medicamentos, o aumento das taxas moderadoras no SNS, etc, etc, etc...
Alfredo Barroso Os elogies de Eanes a Cavaque há exactamente três anes ...
O antigo Presidente da República e famoso «general balança», António Ramalho Eanes, garantia, há três anos, que, com Cavaco Silva em Belém, seria possível Portugal libertar-se do «desemprego que magoa e humilha» e da «pobreza que envergonha e ofende a dignidade do Homem». «Acredito que com Cavaco Silva podemos voltar a ter esperança», afirmou o ex-Presidente, que ainda não se sabe se terá, três anos depois, mudado de opinião... Ramalho Eanes, que encabeçava a Comissão de Honra da recandidatura de Cavaco Silva a Belém, disse ainda que Cavaco Silva seria o garante de uma «continuidade estável» e capaz de «manter a serenidade em tempos de turbulência». Como se tem visto, de então para cá... De acordo com o famoso «general balança», no seu estilo oratório inconfundível, Cavaco Silva «tudo fará para redimir o país da crise e do medo em que vive e não resgatará esforços para exercer uma magistratura de intervenção política na sociedade, apontando para o crescimento da economia, criação de emprego e que combata a precariedade do trabalho».
Mais: «Com Cavaco Silva, será possível unir Portugal para, de forma coesa, lançar com propósito e visão humanista ajustada as estratégias que equilibrem as contas públicas, cumprindo os Programas de Estabilidade e Crescimento, mas que também lancem as bases sólidas para um crescimento sustentável da economia portuguesa».
Ou seja, em matéria de prognósticos políticos, económicos e financeiros, o «general balança» continuava a ser um verdadeiro «nabo»... Também o professor João Lobo Antunes, mandatário nacional da recandidatura de Cavaco Silva (já tinha sido o mandatário nacional da candidatura), alertou para a «total gravidade» das «exigências do tempo presente» (estava o PS de Sócrates no poder), e que, por isso, a reeleição de Cavaco Silva se tornava um «imperativo nacional».
E acrescentava o sempre saltitante professor «Pardal»: «Cavaco Silva foi sempre à busca do Portugal que trabalha, e, por isso, nada fere mais a sua sensibilidade do que o drama sem consolação daqueles que não têm emprego, talvez a maior chaga aberta na sociedade portuguesa, de que todos somos solidariamente responsáveis». Devia apenas falar por ele, mas atreveu-se a falar por todos...
Já ninguém se recorda do dramático balanço dos dois mandatos do «general balança», António Ramalho Eanes, como Presidente da República. Lembro só dois números: dissolveu por duas vezes a Assembleia da República e deu posse a 10 governos 10, durante os dez anos que esteve em Belém. Em matéria de «continuidade estável» e de, como ele diz, «manter a serenidade em tempos de turbulência», Eanes foi de facto o exemplo... oposto!
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