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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.
Teolinda Gersão História do quotidiano
(Alphonse Mucha)
Ele amou aquela mulher, porque ela tinha um riso fresco, uma contagiante alegria de viver, e sobretudo não era quotidiana. Mas depois de casar exerceu sobre ela um longo trabalho de domesticação, porque inconscientemente não podia aceitar que uma mulher casada não fosse igual a determinada imagem que se impunha. Forçou, lutou, e aos poucos, recalcitrante, ela foi cedendo. Quando a viu o dia inteiro ocupada na casa, banal, cinzenta, áspera e um pouco gorda, ele deixou-a entregue aos afazeres domésticos e foi procurar outra mulher que tinha um riso fresco, uma contagiante alegria de viver, e sobretudo não era quotidiana.
(in Os guarda-chuvas cintilantes, o jornal)
Cecília Meireles Motivo
(Alphonse Mucha)
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
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