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Jardim das Delícias


Terça-feira, 19.01.16

História do quotidiano - Teolinda Gersão

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Teolinda Gersão  História do quotidiano

 

alphonse mucha, 1920a.jpg

 

(Alphonse Mucha)

 

   Ele amou aquela mulher, porque ela tinha um riso fresco, uma contagiante alegria de viver, e sobretudo não era quotidiana. Mas depois de casar exerceu sobre ela um longo trabalho de domesticação, porque inconscientemente não podia aceitar que uma mulher casada não fosse igual a determinada imagem que se impunha. Forçou, lutou, e aos poucos, recalcitrante, ela foi cedendo. Quando a viu o dia inteiro ocupada na casa, banal, cinzenta, áspera e um pouco gorda, ele deixou-a entregue aos afazeres domésticos e foi procurar outra mulher que tinha um riso fresco, uma contagiante alegria de viver, e sobretudo não era quotidiana.

(in Os guarda-chuvas cintilantes, o jornal)

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por Augusta Clara às 17:00

Terça-feira, 03.06.14

Motivo - Cecília Meireles

 

Cecília Meireles  Motivo

 

(Alphonse Mucha)

 

 

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

 

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

 

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

- não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

 

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

- mais nada.

 

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por Augusta Clara às 17:00



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