Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Jardim das Delícias


Sexta-feira, 11.12.15

A "personalidade" e as pessoas - José Goulão

mundo_cao1.jpg

 

José Goulão  A "personalidade" e as pessoas

 

josé goulão.jpg

 

 

Mundo Cão, 10 de Dezembro de 2015

 

   A revista norte-americana “Time”, ponta de lança da comunicação social ao serviço do regime económico, militar e político global, escolheu a Srª Merkel como a “Personalidade do Ano”.

Nada de novo, nada a estranhar, a figura certa para a decisão certa, tanto mais que, de acordo com a definição da revista, o critério da escolha assenta na influência exercida sobre os acontecimentos do ano, que tanto pode ser “boa” como “má” e vice-versa. Por isso, o principal rival da chanceler alemã no concurso foi o sanguinário chefe terrorista Al-Baghadi, líder do Estado Islâmico; e um dos seus antecessores, homólogo e compatriota contemplado com o galardão foi o próprio Adolf Hitler. Tudo nos conformes.

Creio não haver dúvidas quanto ao teor da influência da Srª Merkel que lhe terá valido tão subida honra no país onde os serviços secretos se têm dedicado a devassar-lhe a vida e os telefonemas. Talvez a “Time” tenha tido, por isso, um insólito rebate de consciência numa instituição onde a consciência não pode nem deve beliscar objectividades, arroubo esse susceptível de ter decidido o sprint final de tão cerrada corrida em desfavor do terrorista mais famoso da era pós Bin-Laden.

A Srª Merkel venceu e devem os súbditos europeus orgulhar-se com a decisão, vinda ela de onde vem. A Srªa Merkel, a mais fundamentalista entre os fundamentalistas do défice, a prodigiosa madrinha do Tratado Orçamental e outras medidas da União Europeia para meter na ordem os madraços que desafiam a prodigiosa ordem neoliberal, a chanceler que sem fazer a guerra pela via militar conseguiu vergar toda a Europa ao poder teutónico, coisa que nem Hitler alcançara com a sua máquina infernal de morte, enfim a chanceler que conseguiu agregar 27 Estados federados à Europa depois da compra da RDA por tuta e meia, sem que a União Europeia se assuma como federação, merece, sem dúvida, a honrosa capa da “Time” que também já pertenceu a Bin-Laden e Obama. Por “boa” ou “má” influência? Os mercados, os banqueiros e outros magnatas, os generais da NATO, os dignitários fascistas ucranianos e de outros tugúrios europeus, os trauliteiros e mentirosos que depois de arrasarem o Afeganistão, o Iraque e a Líbia insistem em fazê-lo na Síria, destacadas figuras pacifistas e humanitárias como o Sr. Netanyahu de Israel não têm quaisquer dúvidas sobre a bondade e a clarividência da senhora. Que importam as vagas de refugiados provocadas por guerras que ela contribui para sustentar, mesmo violando a Constituição do seu país? Que mal tem a expansão da pobreza, da miséria e da humilhação na Europa atrelada à austeridade que ela cultiva com o amor de quem extermina as ervas daninhas no seu bem-aventurado jardim? A “Time” nada tem a ver com isso, o seu jornalismo zela apenas pela ordem estabelecida – onde o terrorismo, até o intelectual, cabe a preceito – no fundo a tecnocracia da influência nada tem a ver com o “bem” ou o “mal”. Não sabemos nós, por experiência própria, que o “mal” pode servir de “bem” e vice-versa, tudo dependendo das circunstâncias e dos interesses, digamos, mais influentes?

A “Time” limita-se a escolher a “Personalidade” e não tem a ver com o desprezo dessa “Personalidade” em relação às pessoas. Isso não conta para nada, tal como a opinião dos leitores da própria “Time”, que assim aprendem a comer e calar como democraticamente deve ser.

Para que conste: no processo que culmina com a capa expondo a “Personalidade do Ano”, que anteriormente se chamava o “Homem do Ano – há que acompanhar os aggiornamenti ditados por essas coisas modernas de género – os leitores da “Time” são chamados a escolher os seus ou as suas favoritas. Neste ano, por exemplo, nenhum dos nomes mais votados pelos leitores foi incluído pelos serviços de selecção da “Time” na ilustre “short list” final que conduziu à coroação da Srª Merkel.

O mais votado dos leitores foi Bernie Sanders, um dos candidatos democráticos à Presidência, Senador pelo Estado de Vermont. Bernie Sanders que defende um serviço de saúde universal e gratuito nos Estados Unidos - achando muito curta a reforma de Obama; que foi contra as guerras desde o Vietname ao Iraque, que denuncia as cumplicidades do poder norte-americano com os grupos terroristas, que defende uma reforma da comunicação social de modo a que deixe de ser um mero poder dos grandes grupos económicos, que apoia a energia limpa e se bate contra o aquecimento global, que alerta contra os perigos dos transgénicos, que contesta a política de golpes e de “quintal das traseiras” na América Latina, que tem o atrevimento de sugerir uma auditoria ao Banco Central (Reserva Federal, FED).

Mas em que mundo julgam estar os leitores da “Time” que sugeriram maioritariamente este Bernie Sanders? Um mundo para as pessoas ou o mundo de “Personalidades” como a Srª Merkel ou o Sr. Al-Baghdadi?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Domingo, 12.07.15

«GRÉCIA: MERKEL DERROTADA. PASSOS COELHO ENGANADO PEDIR-LHE-Á INDEMNIZAÇÃO PARA PORTUGAL?» - texto de «O ECONOMISTA PORTUGUÊS»

 

oeconomistaportuguês.jpg

 

«GRÉCIA: MERKEL DERROTADA. PASSOS COELHO ENGANADO PEDIR-LHE-Á INDEMNIZAÇÃO PARA PORTUGAL?» - texto de «O ECONOMISTA PORTUGUÊS»

 

grécia5.jpg

O Economista Português, 10 de Julho de 2015

 

48 horas antes de o Sr. Tsipras escrever o seu plano para Bruxelas, já a imprensa portuguesa sabia que ele continha a derrota moral do ras grego: manchete do Diário de Notícias de anteontem, anunciando que a Grécia «cedeu».  Mas afinal quem cedeu foi a Madrinha, a Srª Merkel. Ou de como somos levados à certa pelos nossos mass media. E o DN nem é dos piores.

 

Quando o Presidente Barack Hussein Obama lembrou à engenheira química Angela Merkelque, no meio da guerra fria com a Rússia, era má ideia entregar a Grécia a Moscovo, o destino da senhora estava resolvido: passava do Departamento do Tesouro para o Pentágono. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já começara a tocar-lhe o Kindertoetenlieder, mas ela é dura de ouvido e escapou-lhe a mensagem da música.  Diz-se que o Engº Guterres tinha aprendido a infalível ciência de governo: seguir as sondagens. Sabe-se que a Srª Merkel descobriu um sistema ainda  mais perfeito, simples e barato: para governar o mundo basta-lhe ler todos os dias o canto superior direito da primeira página do Financial Times, que publica o índice da bolsa de valores. Ora a Grécia é uns 2% do PIB europeu e as bolsas apenas piscaram o olho perante as maldades que o Sr. Varoufakis ministrou à nova Cariátide (claro que a Srª Merkel ignora o efeito de uma queda acumulada de 1% num plano de investimento em bolsa e por isso considera 1% uma ninharia). Coitada.  Sic transit gloria mundiO Economista Português pede também ao leitor um pensamento bom em intenção do Sr. Sigmar Gabriel, o socialista alemão que andou a fazer a publicidade da chancelarina e a dizer umas verdades duras aos helenos. 

 

A questão grega resolveu-se, como O Economista Português sempre previu, e perde assim muito do seu interesse pois resume-se agora a saber em que medida seremos prejudicados face aos gregos: medida grande? medida pequena? Mas esta questão interessará a alguém em Portugal? Haverá uma oposição responsável que queira governar e tenha um plano de governo?  Haverá uma opinião pública minimamente informada em matéria económico-financeira?

Com efeito, é certo que a Srª Merkel perdeu e os gregos ganharam. Só os mais bacocos elementos do batalhão de semicomentaristas oficiosos das nossas televisões e jornais se deixam enganar pelos eufemismos com que a propaganda alemã começou ontem a mimosear-nos, para ornamentar a sua derrota: «aliviar» (uma linda metáfora de casa de banho)  a dívida grega  e não reestruturá-la, muito menos perdoá-la. A propaganda dos credores colocou hoje nos jornais uma fuga do pedido grego que exagera a austeridade e, para agradar a Berlim, declara que o perdão da dívida será curto, mas sem o quantificar.  Só segunda feira começaremos a medir a exctensão da derrota alemã.  Falando a sério: ainda ontem, no Palais Bourbon, um chefe da direita francesa pedia a Hollande e a Berlim piedade para Portugal e por extensão para a Espanha e a Irlanda quando perdoassem a Grécia. Deus o ouça.

O Dr. Passos Coelho acreditou e verbalizou que a Alemanha não cederia e por isso enfileira entre os derrotados de hoje. Acreditou com a fé cega que põe nos mitos urbanos. Donde lhe brotava tão comovente fé? Só podia nascer dos lábios flexuosos da chancelarina os quais lhe tinham dado a saber que não cederia aos gregos, que nunca por nunca ser lhes cederia. A Srª Merkel disse em segredo ao Dr. Coelho o que nos disse a todos em público e ele, por beber do fino e o suposto segredo lhe quadrar ao simplismo mental em matéria económico-financeira, acreditou.  Coelho  acreditou acompanhadíssimo:  grandes nomes da estratégia portuguesa, incluindo do PS, outros políticos com nome na praça asseguraram-nos publicamente que ela não cederia, que os gregos perderiam, que a política da troika era o 11º mandamento que Ieová dera a Moisés no deserto para a salvação da classe política portuguesa.Enganaram-se.  Prestaram-se às manobras da nova Cariátide. Fizeram que o nosso país  desempenhsse nesta última farsa da Eurozona o divertido papel do Arlequim da commedia del arte. Nunca repararam que a Srª Merkel é tão fértil em ultimatos como é úbere em recuos perante as putativas consequências desses mesmos Diktate? Nunca viram que ela tem a ameaça fácil e a fuga lépida? Os ludibriados, a começar pelo Sr. Chefe de Governo,  têm um plano B para compensar Portugal pelos prejuízos do logro em que nos fizeram cair, prejuízos resultantes de termos abraçado alianças internacionais nocivas aos nossos interesses de nação devedora? Veremos.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 06.07.15

O direito à dignidade - José Goulão

mundo_cao1.jpg

 

José Goulão  O direito à dignidade

 

josé goulão.jpg

 

Mundo Cão, 6 de Julho de 2015

 

   De um lado um grito de dignidade; do outro a surdez e o manobrismo irresponsável do costume.

A senhora Merkel e o senhor Hollande responderam à declaração clara e transparente do povo grego de que não aceitam continuar a pagar com austeridade mortal os erros que não lhe podem ser assacados, assumindo que é preciso respeitar a vontade manifestada nas urnas. No entanto, o espectáculo que as instituições europeias estão a dar no arranque do pós-referendo, e ainda a procissão vai no adro, é o de um circo de manobras e declarações onde se percebe tudo menos o desejo de respeitar a mensagem grega.

Isto é, no seu formalismo habitual, os chefes do Directório que dá ordens na União Europeia proclamaram o respeito pela democracia; e logo os seus subordinados voltaram ao mesmo comportamento chantagista, com destaque para o inenarrável socialista holandês Djesselboem, que chefia a Zona Euro – uma espécie de pau mandado do senhor Schauble às ordens dos especuladores financeiros - em cujas declarações apenas se lê um desejo de vingança e de ajuste de contas contra os gregos. Entretanto, em segundo tempo, a senhora Merkel contradiz o que declarou poucas horas antes advogando que “ainda não há condições para recomeçar as negociações entre a União Europeia e a Grécia”. Por outras palavras, quiseram democracia e agora esperem para dançar a música que nós tocamos.

O ministro grego Varoufakis terá sido uma das primeiras vítimas deste manobrismo, a acreditar na versão oficial de Atenas. Não custa nada perceber, relendo declarações proferidas por alguns dirigentes europeus, que o afastamento do ministro que não se arrojava aos pés dos mandantes europeus e do FMI às ordens dos credores seja uma das condições impostas para o reinício das negociações. Os senhores da Europa, que chamam terroristas a quem lhes aprouver e convenha, estão muito indignados por o senhor Varoufakis lhes ter chamado terroristas a propósito da campanha de intimidação, medo e terror que montaram para que os gregos respondessem sim à austeridade. Afinal não é de Varoufakis que pretendem vingar-se, é dos gregos, contra quem o terrorismo não funcionou.

No domingo, a povo grego não se limitou a reabilitar a democracia como instrumento ao serviço de todos os europeus – assim o saibam aproveitar liquidando, país a país, a ditadura do chamado arco da governação.

Os gregos reabilitaram também o direito à dignidade e, para isso, derrotaram a monstruosa campanha de propaganda local, com ecos mundiais, que a si mesma se chama comunicação social; derrotaram a chantagem contra a democracia emitida de Bruxelas, prometendo o caos no caso de o não vencer; torpedearam o terrorismo do Banco Central Europeu, que tentou criar a anarquia nos bancos gregos seguida de um esvaziamento dos cofres através da fuga de capitais em massa; por fim, derrotaram ainda as sondagens – não nos esqueçamos do papel nefasto destas contra a democracia – que prometeram um “empate técnico” até ao derradeiro instante num referendo em que as duas partes ficaram, afinal, separadas por um fosso superior a 22 pontos percentuais. Isto é não “margem de erro”, nem “engano”, nem fruto de “situações imprevisíveis”. Isto foi, sem qualquer margem de erro, uma burla.

Ao darem um tão sonoro grito de dignidade, os gregos vão precisar de ser firmes e de contar com a solidariedade dos outros povos europeus vítimas desta tragédia, porque o contra-ataque vai ser terrível. Não é possível pagar a dívida grega e não é por isso que existe qualquer legitimidade em chamar caloteiros aos cidadãos da Grécia em geral. Em primeiro lugar, as dívidas renegoceiam-se, reestruturam-se de maneira a que seja criadas condições de crescimento económico e de funcionamento pleno das economias para que possam ser amortizadas.

Além disso, não são os gregos em geral, e entre eles as maiores vítimas da austeridade, os responsáveis pelo estado calamitoso a que chegou a dívida soberana do país. Os vícios de corrupção, nepotismo, evasão fiscal, de viver acima das possibilidades são fruto de décadas de governação desempenhada pelas duas famílias políticas que formaram o arco da governação, agora desfeito na Grécia – socialistas (PASOK) e direita - em conluio com os bancos nacionais e internacionais, entre eles o famigerado Goldman Sachs, como se sabe. Foram elas que fizeram chegar a dívida a 120 por cento do PIB, quando soaram as campainhas de alarme, e que depois disso, rastejando perante Bruxelas e a troika, se submeteram a um memorando de “ajuda” que a fez trepar, até agora, para 170 por cento do PIB.

O primeiro ministro de Portugal em exercício disse, a propósito da Grécia, que não se pode ajudar quem não quer ser ajudado. Está a ver o filme ao contrário, tal como lhe acontece em relação a Portugal: a Grécia (e os outros países assim submetidos) não têm recebido ajudas, têm sido assaltados e saqueados. Os gregos limitaram-se a dizer, pela segunda vez em seis meses, que não querem continuar a ser roubados.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 15:50

Sábado, 07.02.15

A Grécia lavrou a certidão de óbito - Pedro Bacelar de Vasconcelos

o balanço das folhas2.jpg

 

Pedro Bacelar de Vasconcelos  A Grécia lavrou a certidão de óbito

 

pedro_bacelar_de_vasconcelos.jpg

 

 

Jornal de Notícias, 6 de Fevereiro de 2015

 

   Fechou-se este ciclo no lugar onde se abrira: a Grécia. A vitória do Syrisa lavrou a certidão de óbito de uma "política" que recusava admitir alternativas para a quebra da solidariedade europeia que iria transformar os prejuízos comuns provocados pela crise financeira internacional de 2008 nas "dívidas soberanas" dos estados da sua periferia meridional. Entre os caídos em combate, conta-se o Partido Socialista que, à frente do Governo grego, ainda tentou submeter a referendo as políticas draconianas que a troika lhe pretendia impor. Resignou-se, desistiu e acabou por desaparecer nas últimas eleições. As inúmeras tentativas de intimidação dos eleitores gregos durante a campanha eleitoral não resultaram e, agora, inconformados com o resultado das eleições, os vencidos tardam em reconhecer o seu fracasso, profetizando o insucesso do novo Governo e rejubilando ao mínimo sinal de qualquer contratempo que surja na contra ofensiva diplomática lançada pelos novos governantes. E teimam em denunciar a inviabilidade económica das propostas gregas mesmo onde repetem o que os conselheiros económicos do presidente norte-americano proclamam há muitos anos e, até, depois do próprio Barack Obama recomendar que se alivie a pressão sobre a Grécia. O primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, também anima o triste coro destas aves agoirentas. E entende-se por que o faz. Enquanto a Alemanha defendia o seu interesse nacional e a França tergiversava por receio de prejudicar os créditos dos seus bancos, Passos Coelho era apenas movido pela sua "crença" na força regeneradora da miséria e do castigo, pela demonização do Estado e pelo endeusamento do empreendedorismo capitalista.

Por isso, a responsabilização da Alemanha e da Chanceler Angela Merkel pela política de austeridade que arruinou a Europa e os seus povos é um ato de encapotada cobardia. Não foi a Alemanha nem a Chanceler Angela Merkel que aprovaram o Pacto Orçamental e lhe conferiram, na prática, uma força vinculante superior ao Tratado de Lisboa ou à Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia redigida por uma convenção presidida, aliás, por um alemão - Roman Herzog - de que fui, com muito gosto, vice-presidente. Não foi a Alemanha que impôs a participação do FMI nesse esquema absurdo - a famigerada troika! - dos programas de resgate das dívidas soberanas da Grécia, Irlanda, Portugal e Chipre. Não foi Angela Merkel quem levou a Europa e a União Monetária até ao limiar do abismo.

A Alemanha e o seu Governo nunca teriam conseguido levar a cabo um tal empreendimento sem o silêncio e a cumplicidade dos governos dos restantes 27 estados-membros, do Conselho, da Comissão e do Parlamento Europeu. A Europa deve aos gregos esta derradeira oportunidade de enveredar por um novo caminho, o que na França e na Itália já se começou a compreender.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 22.05.14

Merkel diz estar já a preparar nova Comissão Europeia - Pedro Duarte

 

 

Pedro Duarte   Merkel diz estar já a preparar nova Comissão Europeia

 

 

Económico, sapo.pt, 20 de Maio de 2014

 

A chanceler alemã revelou hoje que o governo de ‘Grande Coligação' de Berlim já está a negociar o próximo Executivo europeu, sem contar com o resultado das eleições de domingo.

 

    "O meu partido [os conservadores da CDU] e os sociais-democratas [que estão coligados com a CDU para formar governo] vai apresentar uma proposta consensual para a formação da nova Comissão Europeia", afirmou hoje a chanceler alemã, em entrevista ao jornal ‘Leipziger Volkszeitung'.

Com estas declarações, Angela Merkel deixa a entender que as eleições europeias de domingo não passarão de uma mera formalidade para determinar quem irá ocupar assentos no hemiciclo de Bruxelas, já que não terão qualquer impacto na formação da próxima Comissão Europeia.

Até agora, os partidos políticos europeus têm insistido que o previsto no Tratado de Lisboa - que o nome do presidente da Comissão Europeia ‘levará em conta' os resultados eleitorais - irá ser respeitado, que o voto dos europeus tem significado e que pressionarão os Executivos dos Estados-membros para que o próximo líder do Executivo europeu seja o candidato do partido mais votado: o luxemburguês Jean-Claude Juncker pelo o Partido Popular Europeu, o alemão Martin Schulz pelos Socialistas Europeus, o belga Guy Verhofstadt pelos Liberais e o grego Alexis Tspiras pela Esquerda Europeia.

Mas Merkel tem outras ideias: na entrevista, a chanceler repetiu novamente que não há razão alguma para que haja um "automatismo" entre os resultados das eleições europeias e a proposta que os líderes dos Estados-membros vão acabar por apresentar para quem irá ser o novo presidente da Comissão Europeia.

Merkel recordou que a formação do seu próprio Executivo de coligação "foi precedida por longas negociações até conseguirmos um acordo entre conservadores e sociais-democratas", pelo que está segura que "também conseguiremos chegar a um acordo para a composição da próxima Comissão Europeia", tendo adiantado que esta também será criada nos moldes de uma ‘grande coligação' decidida entre todos os partidos.

Merkel disse esperar mesmo chegar - devido a questões "pessoais" - a um acordo "relativamente fácil" com os sociais-democratas sobre a nomeação dos novos comissários europeus, e também sobre os principais assuntos a tratar pelo novo Executivo de Bruxelas.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00



Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes


Links

Artes, Letras e Ciências

Culinária

Editoras

Filmes

Jornais e Revistas

Política e Sociedade

Revistas e suplementos literários e científicos