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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.
Carlos Esperança A capitulação grega e Wolfgang Schäuble
Após a reunião do Eurogrupo, sobre o ‘caso’ grego, pensei em Cervantes, na Inquisição e na Pide, numa estranha viagem em que revivi literatura, história e política. À primeira fui buscar D. Quixote, investindo contra moinhos de vento, Tsipras, debalde, a brandir a espada; na segunda vi a Contrarreforma a flagelar com sádicos instrumentos de tortura a heresia grega de dizer impagável a impagável dívida, cujo adjetivo ninguém permite e o implacável Schäuble a querer a humilhação do mensageiro e a imolação da Grécia, qual Torquemada ao serviço da Inquisição do ultraliberalismo.
Mas foi a história recente de Portugal que me levou a perceber o drama de Alex Tsipras. Recordei os presos políticos exaustos, após meses de tortura, noites de insónia, ameaças à família, a vacilarem para salvar uns a troco de traírem outros, ele que tinha contra si portugueses, espanhóis e outros camaradas de insolvência.
Antes do 25 de Abril, magoava-me a dureza com que resistentes julgavam outros, quem não resistia à tortura, consciente dos limites humanos da resistência e da tempestade que varre um preso entre a solidão, o terror e a fidelidade que deve, no estado de torpor em que o colocavam, perante o dilema de quem devia salvar. Quem vacilava era acoimado de rachado.
É à luz do passado que hesito em julgar o presente. Afinal a Sr.ª Merkel foi uma pomba, sem que a Alemanha prescinda de decidir quem substituirá Tsipras no próximo resgate.
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