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Jardim das Delícias


Segunda-feira, 13.05.19

O QUE EU QUERIA VER (E DEVIA SER) DISCUTIDO NA CAMPANHA PARA AS ELEIÇÕES EUROPEIAS (independentemente das questões económicas e financeiras de que toda a gente fala) - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos   O QUE EU QUERIA VER (E DEVIA SER) DISCUTIDO NA CAMPANHA PARA AS ELEIÇÕES EUROPEIAS (independentemente das questões económicas e financeiras de que toda a gente fala)

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- O combate intenso e coordenado ao avanço da extrema-direita na Europa e uma campanha de esclarecimento às populações sobre as consequências do retorno de governos fascistas;
- A expulsão da União de países onde se instalem governos com políticas e práticas fascistas e que permitam a livre expressão de grupos que defendem a ideologia nazi e cometem crimes com base nesta ideologia;
- O acolhimento e integração de refugiados e suas famílias como cidadãos europeus de iguais direitos, desmontando a ideia ainda reinante em muitas cabeças de que são todos terroristas;
- O fim da venda de armas por países da EU a países, grupos e coligações que as têm utilizado para destruir países através de guerras que tiveram unicamente como fim roubar-lhes as matérias primas, sabendo nós que foram essas guerras a origem da fuga em massa dos seus habitantes em direcção à Europa nas trágicas condições que levaram a milhares de afogamentos;
- A uniformização de leis em todo o espaço da UE que penalizem sem condescendência a corrupção e as grandes fraudes financeiras que enfraquecem e deterioram a economia dos países;
- Como consequência do afirmado no parágrafo anterior, a luta por uma Justiça igual para todos os cidadãos e não diferenciada entre os que têm dinheiro para se defender e os outros;
- O combate sério e generalizado a todo o tipo de descriminação com base na opção sexual, política, de credo religioso ou outra;
- Exigência da protecção dos mais frágeis como as crianças, os deficientes e os idosos;
- Combate à violência doméstica e, especificamente, que seja dada maior atenção à violência contra as mulheres que tem assumido contornos escabrosos em vários países europeus;
- Acérrima exigência pela liberdade de opinião e de expressão.

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por Augusta Clara às 18:11

Sábado, 27.04.19

A extrema-direita espanhola, as mulheres e os defensores dos animais - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos  A extrema-direita espanhola, as mulheres e os defensores dos animais

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       Amanhã há eleições em Espanha.
Num dia desta semana, um comentador do telejornal da RTP2 apontou, entre os principais motivos para a ascensão da extrema direita naquele país, a explosão dos movimentos feministas com as consequentes reivindicações das mulheres e os movimentos anti-tourada e defensores dos animais. Que coisa mais estranha!
Nunca me tinha constado pelo que tenho lido da História da Europa que os machistas descontentes e os marialvas tivessem tido influência na subida do nazismo ao poder. Bem sei que na Alemanha não havia touradas mas o Hitler até gostava de cães. Se estes fossem motivos fortes, há quanto tempo a teríamos por cá empoleirada no poder ou nem nunca teríamos derrubado o fascismo.
Deixemo-nos de tolices. O crescimento da extrema-direita acontece por motivos económicos e pelo terror infligido às pessoas através de mecanismos enganosos de condicionamento psicológico, fazendo uso da despolitização provocada na maioria dos indivíduos, normalmente os mais desfavorecidos, de uma população.
Os motivos económicos actuais são, sem dúvida, da responsabilidade das políticas da União Europeia e dos Governos da maioria dos países que a constituem que têm sido postas ao serviço da banca e dos banqueiros executores com perícia das grandes fraudes financeiras com enorme peso no acentuar das desigualdades sociais.
Eis um dos caldos de cultura de que se alimenta a extrema-direita, oriunda do mesmo clube de ladrões capitalistas, com as falsas promessas de reversão da situação que sabe nunca ir cumprir. Ao convencer e arregimentar para as suas fileiras os descontentes e incautos, se chegar ao poder, mais não fará do que reforçar a sua exploração e esmagar-lhes futuras rebeliões.
O que têm, então, as mulheres a ver com isto, elas que até às mãos dos mais explorados têm sofrido?
O segundo motivo actual para a aumento da extrema-direita na Europa prende-se com a questão dos refugiados que têm afluído através do Mediterrâneo em fuga às deploráveis condições de vida e às guerras nos seus países desencadeadas pelos ocidentais e “civlizados” sorvedores de petróleo. Virando-se o feitiço contra o feiticeiro, ao engolirem-lhes o petróleo e deixaram-lhes os países feitos em cacos, são agora pressionados a acolhê-los e a dar-lhes possibilidades de continuarem a viver. Que pior havia de acontecer a quem já se recusa a partilhar com os seus do que ainda lhe aparecerem esses “terroristas” e as suas famílias para lhe ficarem com mais umas migalhas? Toca, pois, a meter isto na cabeça daqueles a quem já roubaram tanto para que eles os ajudem a livrar-se desses malfeitores que conseguem chegar à Europa sem se afogarem.
Digam-me, então, o que têm as mulheres e todos os que rejeitam as touradas e os maus tratos aos animais com a ascensão da extrema direita na Europa e, particularmente hoje, em Espanha. Nem Dali diria tal coisa!

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por Augusta Clara às 20:13

Segunda-feira, 22.04.19

Que democracia é esta? - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos  Que democracia é esta? 

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   Afinal vivemos numa democracia e num Estado de Direito ou numa ditadura?

Então como se entende que tenha sido convidado para intervir num fórum onde se debaterão exactamente estes temas o Ministro da Justiça de um Estado que, neste momento, é tudo menos uma democracia, um Estado com um presidente que elogia os torturadores da ditadura militar, onde se destroem em ritmo acelerado todos os preceitos legais e todas as instituições que pretendiam uma aproximação social dos direitos dos cidadãos brasileiros, um Estado onde reina a injustiça e o terror diários?

Como pôde a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa fazer este convite a Sérgio Moro e como pode o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acolher tão nefasto hóspede?

Nesta altura do ano, ao comemorar-se o aniversário da Revolução dos Cravos, é da praxe os jornais e televisões entrevistarem Otelo Saraiva de Carvalho e é sempre com um sorriso complacente que os entrevistadores voltam a ouvir a sua manifestação do desejo de que uma sociedade de democracia directa se tivesse construído a partir da queda da ditadura. E é, igualmente, com um esgar de bonomia, como quem faz a pergunta a um puto da escola, que o interrogam sobre se conhece algum país onde isso tivesse acontecido. A resposta certeira não pode ser mais do meu agrado: - “Construíamo-la nós!”. É isto a utopia. E são as utopias que têm feito o mundo dar saltos.

Eu não posso ser contra os partidos porque sei que a minha vida já não dá tempo para grandes mudanças. Mas os verdadeiros democratas estão a ser submergidos por uma avalanche de nepotismo e de total ausência de nobreza na condução da causa pública, isto é, dos interesses fundamentais de todos nós. Espero que esses, os poucos que no exercício do poder têm essa verdadeira vocação, lá se mantenham. Quanto a nós, os outros todos, SOMOS LIVRES desde o 25 de Abril para podermos formular perguntas como por exemplo, esta:

- O que vem cá fazer um fascista igual àqueles que expulsámos há 45 anos?

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por Augusta Clara às 16:47

Sábado, 13.04.19

Confusões muito convenientes - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos  Confusões muito convenientes

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   Há coisas nos tempos de hoje que estão a tornar-se perigosamente - não é exagero utilizar o advérbio - apreciadas e divulgadas como é o caso da oportuna e incentivada confusão entre o que é o saber e a competência e o que configura a promovida ignorância. E não se trata aqui da ignorância de que todos padecemos em relação a tanto que há para saber. Trata-se de desprezar, atacar e incentivar ao ataque do reconhecido e provado conhecimento adquirido por quem para isso trabalhou e o pôs ao serviço da comunidade.

O mundo vai ao arrepio da democracia. Os estúpidos e os venais conseguiram atingir os lugares de maior poder sobre tudo e todos graças não só ao poder bélico mas tanto ou mais ao comportamento acéfalo e permissivo de grande parte dos cidadãos dos países que se reivindicam dessa mesma democracia. Sabemos bem como lhes foi e tem sido criado o caminho do entorpecimento da razão para aí chegarem.

Quem tem as principais ferramentas para ajudar a inverter este estado da mentalidade colectiva, a Comunicação Social, não o faz. Deixa-se caír, na melhor das hipóteses, no conformismo do assumido como inevitável rumo do futuro global. E a quinquilharia das “ideias” prolifera em todo o suporte onde se podem juntar letras ou sons falados.

O saber é considerado arrogância e a estupidez humildade. E esta confusão contamina até, subrepticiamente, sectores que têm o dever e a capacidade de não se deixarem contaminar.
Neste mundo virado do avesso, oxalá a queima de livros não se propague como se tem propagado a inconsciência e a indiferença crescentes pela anulação dos direitos humanos.

“Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar!” sob pena de sermos nada mais que mais um.

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por Augusta Clara às 20:53

Quinta-feira, 04.10.18

10 Anos de Web Summit - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos  10 Anos de Web Summit

 

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   Vamos ter a Web Summit em Portugal durante os próximos 10 anos. E aqui começa logo a minha estranheza.

Summit significa Cimeira e de tantas já reza a História mas nunca ouvi falar em nenhuma que tivesse durado 10 anos. Eu sei que somos pródigos em originalidade mas este período que corresponde quase ao tempo de uma geração deixa-me desconfiada.

Estive a ouvir com toda a atenção o que foi dito no substancial tempo de antena atribuído ao evento no telejornal da noite da RTP2 e não foi dita uma qualquer palavra quer pelo dono da crescente cimeira, quer pelo Primeiro-Ministro, quer pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, como sempre babado de cosmopolitismo, que indicasse uma única área ou projecto de investigação a beneficiar dos milhões apregoados que chegarão ao país por esta via.

Pouco percebi do objectivo porque foi tudo falado em economês. Falou-se de dinheiro, muitos milhões, de “ser bom para Portugal”, de empresas cotadas na Bolsa, mas de ciência e tecnologia Nada!

E, então, aí os meus neurónios entraram em convulsão porque se recordaram da boneca de plástico que puseram a falar connosco na última Web Summit. E vai daí, eles, os meus neurónios esticaram os braços uns aos outros e fizeram-me chegar a suspeita sobre se não se estará a projectar, em segredo, uma nova geração de portugueses de plástico como a sua Pitecantropa artificial que, depois, poderíamos exportar para o novo mundo que se avizinha onde o sol não faz falta nenhuma porque vai sendo coberto por uma nuvem negra.

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por Augusta Clara às 22:32

Segunda-feira, 17.09.18

A caminho da Internacional Fascista? - Augusta Clara de Matos

 

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Augusta Clara de Matos  A caminho da Internacional Fascista?

 

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   Que eu saiba a União Europeia, apesar de se intrometer muito nas políticas internas dos países e não dever, como há quem afirme por aqui e com razão, não contempla nos seus documentos fundadores uma união de países de regime fascista. Quando se formou não estava prevista a viragem que vários países da antiga Cortina de Ferro viessem a sofrer com a instalação da extrema-direita no poder. Já bastante antes do início deste processo nos lembramos das discussões havidas à volta da entrada ou não da Turquia como membro da União por ainda ali vigorar a pena de morte. Portanto, a União Europeia formou-se pelo agrupamento de várias democracias. Se internamente cada uma delas cumpre os requisitos que as caracterizam, isso é outra coisa.

Mas o caso da Hungria e de outros países como a Polónia e a Áustria já ultrapassam as malformações democráticas e assumem-se como regimes autoritários de características fascistas. São os direitos humanos mais básicos que estão a ser atacados, incluindo os dos refugiados que chegam à Europa a fugir das guerras e da penúria nos seus países; é o ataque às opções sexuais, políticas e religiosas dos seus cidadãos; é a perseguição às minorias étnicas como os ciganos e a anulação de outras liberdades típicas da democracia.
Países que adoptem regimes fascistas devem ser expulsos da União Europeia.

O fascismo está a alastrar rapidamente na Europa e não se vê ninguém tomar medidas que lhe ponham travão. Não se entende, por isso, a votação do PCP, um partido antifascista, contra as sanções propostas no Parlamento Europeu à Hungria. E escuso-me de rebater os argumentos que o partido, ultimamente, tem evocado quando se esperariam tomadas de posição contrárias às que adoptou – em relação ao regime Angolano de José Eduardo dos Santos, à eutanásia, às touradas, que me lembre agora – porque são tão inconsistentes que não têm ponta por onde se lhes pegue.

E eu não quero viver numa União Internacional Fascista!

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por Augusta Clara às 12:00

Quinta-feira, 16.08.18

Complacência, o cancro mole dos democratas - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos  Complacência, o cancro mole dos democratas

 

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   Algum bom senso prevaleceu naquela organização denominada Web Summit para anular o convite a Marine Le Pen a vir discursar durante o evento. Mas não creio que se deva ao bom senso dos organizadores senão à pressão de muitos portugueses que deitam fascismo pelos olhos, à posição de alguns, raros, elementos do PS que não do seu partido, tal como à de outros do PCP. Que eu me tenha apercebido, a posição do Partido Comunista Português, como organização política, foi tão suave que quase não se deu por ela. Apenas um partido por inteiro, o BE, tomou uma posição forte ao interpelar o Governo no sentido de impedir Marine Le Pen de vir participar como oradora no evento.

Pela CML, na pessoa do seu presidente Medina, sempre tão efusivo a acarinhar estrelas mundiais, já não ponho as mãos no fogo.

Mas muitos comentários que por aqui li fazem-me lembrar a Alemanha, em particular, e a Europa das democracias dos anos 30 e começo a duvidar que a História, de facto, nos tenha ensinado alguma coisa. Se bem se lembram os que se interessam por saber como o mundo caminha e caminhou, tanta complacência e medo de ofender os nazis, mais o convencimento da sua fraqueza nunca os deixar chegar ao poder, levaram à derrota da República Espanhola e à sanguinária Guerra Civil que se lhe seguiu bem como aos horrores da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto.

Quando uma pessoa chega aqui e vê pessoas a dizerem que somos democratas e, por isso, é preferível arvorarmos aquela postura de S. Jorge a combater o dragão, neste caso o fascismo da Le Pena, mas na reunião, para ela aprender e ver como temos razão, eu pergunto das três uma: ou nasceram já depois do 25 de Abril, ou não sabem nada da História da Europa do século passado ou estão-se nas tintas porque se convencem de que a elas nunca acontecerá nada se os fascistas voltarem ao poder.

Os mal intencionados poupem-nos a essa cangalhada argumentativa sobre extrema-esquerda, extrema-direita, comunismo, etc., etc. com o objectivo de criarem a ignorante turbulência como única actividade em que demonstram competência.

Aos outros a ingenuidade, no melhor dos casos, leva-os a esquecerem-se de que para sermos todos livres, o que implica muita coisa, temos de impedir a liberdade de alguns só a quererem para muito poucos à custa, se for preciso, da vida de muitos outros.

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por Augusta Clara às 19:05

Quarta-feira, 13.06.18

Exposição de pintura de Adão Cruz, 30 de Junho de 2018, pelas 16h, Galeria Zeller, Espinho

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 Adão Cruz  como um dia de primavera nos olhos de um prisioneiro

 

Caros amigos

A vossa presença, para além de tudo o mais, é uma rica forma de vos ver e estar convosco.

Com um grande abraço do amigo

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Inauguração da exposição de pintura de Adão Cruz
"... como um dia de Primavera nos olhos de um prisioneiro"

 

30 de Junho de 2018, pelas 16h
Galeria Zeller, Espinho

até 30 de Julho de 2018

 


Adão Cruz
Médico cardiologista.
Nasceu em Vale de Cambra há oito décadas.
Como prisioneiro atrás das grades, sempre amou a Liberdade
do Pensamento e da Razão, a verdadeira riqueza do ser humano.
Foi com este amor que sempre sonhou libertar-se ao longo da vida
pelos caminhos da ciência, da escrita e da pintura.



   Ao fim de uma vida, o futuro vai-se naturalmente dissolvendo, entre a razão e o sentimento, adentro de um ser humano preso à sua natureza antropocêntrica. A desilusão, como subtil nevoeiro, vai invadindo todos os cantos e recantos onde antes havia sol.

Ao fim de uma vida, para a vida entender, o ser humano já não precisa dos caminhos da arte e da poesia, principais sentimentos que sempre o conduziram à interface entre o Homem e a sua dimensão universal. Contenta-se com a restrita paisagem de um dia de Primavera, atrás das grades da sua ‘mente cultural’. Ele sabe que isso o derrota e, paradoxalmente, o alivia. Ele sabe ainda que são escassos os dias de Primavera, mesmo que a parte sã da humanidade procure tecer o ciclo da vida com fios de esperança. Ele sabe que há dias de penoso inverno que a parte mais podre da humanidade aproveita para romper o ciclo da vida rasgando a esperança. Ele sabe, ao fim de uma vida, que o estatuto de cada ser humano assenta num contexto de vivências e memórias que fazem o futuro e o desfazem na altura própria, sendo o último suspiro o momento mais democrático da nossa existência.

Por isso as lágrimas secam e os olhos passam a ver a vida humana com outros olhos. Por isso, esta singela exposição de pequenos gestos que se alimentam de corpos e sentimentos, na procura de uma última homeostasia entre a natureza humana e a humanização da vida.

Adão Cruz

 


   O Adão Cruz é um grande pintor e encanta-me o entrosamento perfeito do homem com a obra como acontece entre ele e a sua pintura. Conhecê-lo é verdade que me ajuda a fazer esta afirmação, mas já expôs em alguns países, tem aparecido em tantas mostras que muitos mais saberão encontrar essa estreita identidade. A sua arte não é inócua, sem que, contudo, obedeça a qualquer cânone.

Fossem as palavras os interlocutores felizes para desvelar a ligação entre a serenidade e o conflito que se digladiam na sua pintura, e eu saberia em que recantos da paleta as ir buscar. As cores e as formas não me deixam. Elas tanto gritam como sussurram, tanto apelam às raízes como ao sol e às invernias da árvore da vida, aos vendavais do mundo. E não toleram que lhes toquemos. ‘Podes intuir, mas não venhas perturbar-nos’ avisam mal me vêem por perto. No entanto, sabem que não me são indecifráveis porque à pintura do Adão Cruz nada é indiferente e deixa um ténue fio por onde se pode chegar à teia dos afectos e das revoltas que a permeiam, por vezes apenas ao puro reino da beleza.

Mas não me vencem! Como se se pudesse perder o que ainda é humanidade e, se não nos salva, nos reafirma neste caminho de altos e baixos das montanhas e das planícies, das marés vazias e do mar alto da existência.

Tudo lá está nos quadros do Adão Cruz.

Augusta Clara de Matos



   Tomei contacto com a obra de Adão Cruz tardiamente no blogue ‘Estrolábio’, onde ambos colaborávamos, despertando de imediato a minha atenção. De seguida, chegou-me o convite para a inauguração da sua exposição ‘rente ao cair da folha’, na Galeria Zeller, em Espinho, a que não pude assistir por razões profissionais. Na manhã do Sábado seguinte, fui o primeiro visitante da exposição, tendo tido o privilégio de a percorrer sozinho. Momento de felicidade que a vida me proporcionou!

Ao primeiro olhar fui de imediato atraído pela cor e, de seguida, pela luz, por uma luz que afasta a escuridão, ajudando-nos a ver o que, às vezes, os olhos não detectam. Depois, ao passar de um quadro para outro, algo me obrigava a regressar ao anterior por sentir, nesse curto afastamento, que havia mais um pormenor a atrair a minha atenção. O diálogo entre mim e o autor estabeleceu-se, a pintura do Adão levava‑me a ver o real muito para lá do que a minha simples visão me permitia quando olhava esse mesmo real, ajudando-me assim a procurar a verdade, a procurar a resposta para alguns dos enigmas com que somos confrontados. Regressado a casa, sentei-me ao computador e escrevi quase tudo o que senti nesse diálogo com a pintura do Adão.

A necessidade de conhecer toda a sua obra nasceu em mim.

Lia a sua poesia, lia a sua prosa e a sua pintura logo se me tornava presente, seguindo-se o necessário encontro pessoal, que aconteceu por mero acaso. O médico, o pintor, o poeta, o contista faz do seu saber e da sua arte uma das formas de actuar em prol do humano, numa acção, que é também política e social, assim contribuindo para a necessária transformação do mundo em que vive.

António Gomes Marques

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por Augusta Clara às 16:19

Quarta-feira, 25.04.18

A nossa liberdade e a dos outros - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos  A nossa liberdade e a dos outros

 

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   No dia em que celebramos a nossa libertação do regime fascista de Salazar e Caetano não consigo alhear-me da malvadez e da cobardia que assola outros povos e outros homens justos tratados, neste momento, como criminosos de alta perigosidade enquanto os verdadeiros crápulas gozam de liberdade vestindo a pele de carrascos.

O caso de Lula da Silva é paradigmático e torna-se desnecessário explicar o que já foi repetidamente explicado por conceituados advogados e outras personalidades do próprio Brasil e de todo o mundo. Não cessa a actuação fascista dos juízes, um que o condenou sem provas, o bandalho Moro, outra a juíza que tem proibido, contra a Constituição brasileira e contra todas as leis em vigor, as visitas a Lula até de advogados seus e de uma comissão do poder legislativo a quem é proibido impedir a fiscalização das condições em que um preso se encontra.

Em Espanha, onde os franquistas no poder já investem contra tudo o que mexe, até contra o amarelo das camisolas dos catalães, chega-nos hoje a notícia de que Cristina Fuentes, a presidente da região autónoma de Madrid, se viu obrigada a demitir-se pela revelação de um vídeo de 2011 a roubar cosméticos num supermercado, depois de já ter sido alvo de acusações sobre a obtenção fraudulenta de um mestrado. Assim marcha a política de Rajoy e do seu bando pró-franquista a favor da unidade do reino de Filipe VI.

Mas o que mais me revirou o âmago foram as notícias sobre a Síria.

Seguindo o padrão das descaradas guerras-negócio dos últimos tempos em que primeiro entra em cena o cartel das armas com todos os milhares de vítimas necessários ao lucro, segue-se o cartel da reconstrução. E, então, ouvi eu, a Síria “já” conta com donativos de quatro (4) milhões de dólares para se reerguer das cinzas. Também há Jonets das guerras.

Com toda a tristeza, raiva e revolta que me assalta, a única boa sensação é a de que a Síria resistiu à usurpação dos casposos do Ocidente.

Os povos sempre resistem à tirania, sempre. Na Síria, como na Catalunha, no Brasil e em Portugal.

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por Augusta Clara às 18:26

Quinta-feira, 19.04.18

Tão cosmopolitas que eles são - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos  Tão cosmopolitas que eles são 

 

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   Porque é que as cidades não podem ter bairros antigos com gente lá dentro?

Como é que uma vereação socialista cede à explosão da especulação imobiliária que está aí outra vez sem ter nada a ver com isso? Só pelo turismo? Não acredito.

As cidades têm de preservar a sua história e essa opção, por si só, potencia o turismo, regula-o e educa-o não permitindo que, a pretexto da entrada de divisas, hordas invadam desenfreadamente as ruelas e os bairros mais antigos cuja população, na sua maioria, envelhecida e pobre merece viver em paz os anos tardios das suas vidas.

Eu sei que os cosmopolitas de pacotilha que por aí abundam consideram quem tem esta opinião um careta que “não tem mundo”, não está aberto ao futuro, etc., etc. etc.  Mas cosmopolitismo, na minha opinião, exige inteligência e gosto estético.

Ninguém nega que as cidades têm de evoluir, como tudo na vida e Lisboa já tem uma cidade nova na zona oriental. É pena que seja mais um amontoado de arranha-céus, muitos só ao alcance de detentores de vistos gold, e não se tenha aproveitado para praticar uma arquitectura arrojada mas bela como Óscar Niemeyer fez com Brasília,

Voltando aos bairros antigos do centro: para que serve uma autarquia que, em vez de recuperar as casas, interior e exteriormente, deixando em paz os seus habitantes, tratar dos pavimentos das ruas e preservar as características desses bairros também protegendo o seu património comercial e cultural – em Lisboa, têm desaparecido muitas lojas de qualidade, os cafés, os cinemas, as livrarias - aceita com toda a desfaçatez que “vem aí uma epidemia de despejos” como se fatalmente não tivesse nenhum poder na cidade?

Tenho ouvido dizer a alguns arquitectos que a sua arte tem muito a ver com o bem-estar das pessoas. Pois, por aqui, tudo se está a passar ao contrário.

Amigos cosmopolitas, olhem lá para isto com olhos de ver, sem preconceitos de “p’ra frentex”.

 

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por Augusta Clara às 20:03



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