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Jardim das Delícias


Terça-feira, 23.02.21

O Zeca era assim - Augusta Clara Matos

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Augusta Clara Matos  O Zeca era assim
 
 

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   O Zeca não era só o cantor popular como algumas pessoas pensam. Era um ser humano de uma grandeza ímpar aliada à maior simplicidade como nunca conheci igual. Era um poeta de primeira água e um cantor que sempre fez da sua arte uma luta pela liberdade sem tréguas nem amarras.
 
Nunca lhe foi prestada a homenagem atribuída a outros, com menos brilho e merecimento. E isto é um escândalo num país que, em democracia, até homenageia criminosos de guerra. Não gostaria de misturar lama nesta homenagem, mas não consegui.
 
Por mim recordo a homenagem do povo que o acompanhou até à última morada, o acompanhámos, em multidão, pelas ruas de Setúbal cantando as suas canções.
 
Conheci o Zeca pessoalmente. Estive em sua casa cerca de um ano antes da sua morte. Fiquei de voltar porque ele gostava que os amigos o visitassem. As voltas da vida não mo permitiram e não tornei a vê-lo. Mas guardo para sempre uma imagem que, se fosse pintora, deixaria como marca de um dos mais belos instantes que a minha memória reteve.
 
Passou-se uns anos antes, ainda ele se movimentava bem. Eu descia as escadas do edifício do quartel dos bombeiros da Praça da Alegria onde se tinha realizado uma sessão de solidariedade com a Isabel do Carmo e o Carlos Antunes que estavam presos. À minha frente descia um homem magro, simplesmente vestido, da forma como sempre o havíamos visto nos palcos. Era ele, o Zeca, que, de repente, se voltou e me disse: “Tu estás sempre em todas”. Eu não estava perante uma estrela, mas cara a cara com um homem, com toda a sua humanidade e um certo ar tímido, que me falava assim e perante quem eu me sentia tão pequenina. Foi a única e a melhor medalha que alguém me atribuiu e guardo no coração.

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por Augusta Clara às 15:51

Terça-feira, 08.03.16

Virginia Woolf - a mulher e a escritora - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos  Virginia Woolf - a mulher e a escritora

 

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   Virginia Woolf (1882-1941) nasceu no seio duma família inglesa da pequena aristocracia vitoriana. Quando o seu pai, Sir Leslie Stephan, filósofo erudito e uma figura tutelar algo despótica, faleceu a família mudou-se para a área londrina de Bloomsbury onde, mais tarde, haveria de formar-se o grupo com esse nome, constituído maioritariamente por elementos trazidos de Cambridge pelo seu irmão Thoby a que se juntariam os economistas Lynton Strachey e John Maynard Keynes, os escritores E.M. Foster e T.S. Eliot, os pintores Roger Fry e Duncan Grant e outros, entre os quais o próprio Leonard Woolf, historiador, com quem Virginia viria a casar-se. O círculo de Bloomsbury pretendia uma mudança na vida cultural inglesa conciliando "arte e moral", "tradição e verdade".  

A acidentada vida familiar de Virginia Woolf ganhou alguma estabilidade, aos 30 anos, após o casamento, embora as crises depressivas que frequentemente a atormentavam não tivessem desaparecido. Ela e o seu marido compraram uma pequena impressora e constituiram uma editora. Mas era de escrever que Virginia gostava.

Ainda criança Virginia Woolf tinha manifestado a vontade de ser escritora. Apesar dos condicionalismos da época relativamente à educação e à vida intelectual das mulheres, a biblioteca do seu pai tinha-lhe sido franqueada sem quaisquer restrições. De inteligência brilhante, sabia-se uma privilegiada. Tinha consciência de como à generalidade das mulheres do seu tempo estava impedido o desenvolviemento intelectual e o acesso à cultura. As veementes intervenções que teve contra esse estado de coisas granjeram-lhe reacções adversas.

No livro Um quarto que seja seu, constituído por duas prelecções feitas nas universidades femininas de Newham e Girton, em Cambridge, Virginia aborda o problema da sujeição da capacidade intelectual das mulheres da sua época e da falta de condições quer financeiras quer de autonomia para poderem expressar essa capacidade. Porém, o conteúdo destas conferências nada teve de panfletário. Para abordar o tema central, ela desenvolveu a sua argumentação com fineza de raciocínio e de espírito. O conhecimento da vida, da literatura e da História estão bem patentes nestas páginas e, certamente, deliciaram quem a ouviu. Fiquemos nós, agora aqui, com algumas linhas delas extraídas: 

Ao longo de todos estes séculos as mulheres têm servido de espelhos, dotados do poder mágico e maravilhoso de reflectirem a figura do homem com o dobro do tamanho normal. (...) O Czar e o Kaiser nunca teriam usado coroa, nem as perderiam. Qualquer que seja a sua utilização nas sociedades civilizadas, os espelhos são a mola essencial de todo o acto violento e heróico. (...) Este o motivo porque tanto Napoleão como Mussolini insistem com tanta ênfase na inferioridade da mulher, pois se não fossem inferiores eles deixariam de engrandecer. (...) a inquietação que sentem, ante a crítica delas; é impossível que, ao dizer-lhes que este livro é mau, este quadro é fraco ou qualquer outra coisa, deixem de ofender e irritar muito mais do que se fosse um homem a fazer uma crítica idêntica. (...) Como conseguirá pronunciar opiniões, civilizar selvagens, escrever livros, preparar-se e discursar em banquetes, a não ser que ao pequeno almoço e ao jantar lhe reste a possibilidade  de se olhar ao espelho e de se ver pelo menos com o dobro da estatura?

Mas asseguro-vos que esta amostra pouco diz da totalidade desse Um quarto que seja seu, um inteligente livro de ensaios sobre o problema "A Mulher e a Ficção".

Virgínia Woolf foi principalmente romancista. Contudo, alguns dos seus contos revelam-nos bem o modo como soube captar a vida duma maneira muito própria.

Aos 59 anos, com toda a lucidez, atormentada pela constante depressão em que mergulhava, encheu de pedras os bolsos do casaco e deixou-se ir nas águas do rio Ouse escrevendo uma carta ao marido onde explicava porque tomara aquela decisão: Tenho a certeza de que vou enlouquecer outra vez. E sinto-me incapaz de enfrentar de novo um desses terríveis períodos. Começo a ouvir vozes e não consigo concentrar-me (...). Se alguém pudesse salvar-me serias tu (...). Não posso destruir a tua vida por mais tempo.

 

Na única entrevista de que há registo sonoro, dada por Virginia Woolf à BBC em 29 de Abril de 1937, ela põe a tónica na importância das palavras, que existem sobretudo na nossa mente, por muitos dicionários de que possamos dispor. Daí que, por vezes, nos seja tão difícil encontrar a palavra exacta para expressar uma ideia ou exprimir um sentimento. Escutemo-la, pois.

 

 

Livros de Virginia Woolf publicados em Portugal:

 

  • Um Quarto que Seja Seu, Vega
  • Os Três Guinéus, Vega
  • A Casa Assombrada, Relógio d'Água
  • Diário, Vols. I e II, Bertrand Editora
  • Os Contos de Virginia Woolf, Relógio d'Água
  • O Quarto de Jacob, Cotovia
  • Orlando, Livros do Brasil
  • As Ondas, Col. Mil Folhas, Público
  • Rumo ao Farol, Edições Afrontamento
  • Entre os Actos, Cotovia
  • Os Anos, Moraes
  • Mrs. Dolloway, Livros do Brasil
  • A Festa de Mrs. Dolloway, Cotovia
  • Flush, Edições Afrontamento

 

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por Augusta Clara às 15:00

Quinta-feira, 23.04.15

Europa, a solidariedade mora a sul - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos  Europa, a solidariedade mora a sul

 

 

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   A Itália merece ser louvada pelo esforço que tem feito no salvamento de vidas de náufragos no Mediterrâneo, perante a indiferença e desprezo das entidades da União Europeia que nenhuma iniciativa têm tomado.

É porque os barcos se dirigem à costa italiana? E, por isso, a Europa enquanto conjunto tem o direito de se eximir das operações de resgate de vidas humanas?

Tsipras fez um apelo urgente aos países da União Europeia sobre a necessidade de se definir uma outra política migratória.

Parecem ser os povos do Sul da Europa aqueles a quem mais toca a tragédia dos africanos que se fazem ao mar fugindo da guerra e  de todas as ameaças do seu destroçado país. 

Uma só vida é um mundo. Que mal, tão mal andamos, quando a nossa indiferença cresce exponencialmente à intensidade do sofrimento dos outros.

A que genocídio encapotado estamos a assistir?

 

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por Augusta Clara às 11:00

Sábado, 24.01.15

Amanhã "VOU VER-ME GREGA!" - Augusta Clara Matos

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Augusta Clara Matos  Amanhã "VOU VER-ME GREGA!"  

 

   Não conheço bem os meandros político-partidários do Syriza como pouca paciência já tenho para me imiscuir na rede de concordâncias, cola e descola dos partidos da esquerda portuguesa. O que me interessa e apoio nos gregos é que aquele "miúdo" de 40 anos - nem tanto assim, na minha geração já se era bem adulto (a maioria dos capitães de Abril ainda lá não tinha chegado) -, aquele "miúdo", dizia eu, se apresenta à luta contra a barbárie que arrasou os povos do Sul da Europa, neste momento quase transformados em escravos. E é preciso mudar o paradigma. Sabem o que isso é?

O paradigma, a tal palavra que, como tantas outras, de vez em quando entram na moda, também por aí andou papagueada a torto e a direito, melhor dizendo à esquerda e à direita. E tão gastinha, tão gastinha ficou que agora já não se ouve. Quem sabe alguém se tenha lembrado que mudar de paradigma não assim tão fácil, não é para todos, só para os corajosos, os que têm a forte convicção de que o algo de novo que é preciso construir não deixa rasto de ligação ao que não presta e oprime. Por isso, raros foram os que provocaram mudanças de paradigma, na ciência por exemplo, a serem aceites, quando não perseguidos na sua época.

Mas é isso que é preciso. E são os miúdos de agora que têm de o fazer.

Por isso apoio o Syriza, o seu líder e os seus elementos. Que cortem a direito para que a Europa volte a ser mais humana.

 

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por Augusta Clara às 20:20

Terça-feira, 25.11.14

A justiça é mesmo cega? - Augusta Clara Matos

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Augusta Clara Matos  A justiça é mesmo cega?

 

 

 

   Não amo nem odeio José Sócrates por muito que estivesse farta do seu governo - mal eu sabia o que vinha a seguir. Quero, mas quero mesmo acreditar na Justiça, se não já não sei o que nos pode valer no meio de tantos escroques razoavelmente distribuídos pelo poder. Não sei é se consigo. E porque é que não consigo? Pelo mesmo motivo de que me apercebo que outros também não conseguem.
Faço questão de reivindicar o meu direito de cidadania lembrando o seu conteúdo: liberdade de opinião e da sua livre expressão; lembrando, também, que a justiça é exercida em nome do povo tal como os actos governativos o são. Mas estes últimos têm sido tão o inverso do propagandeado que nem os seus próprios eleitores os reconhecem.
E a justiça? Será obrigação minha acreditar cegamente que é justa depois de todos os atropelos que este processo José Sócrates teve até agora: a detenção humilhante, a quebra do segredo de justiça sem que ninguém seja punido por isso, a baixeza das reportagens televisivas e jornalísticas, a ausência de explicação dos crimes que lhe são atribuídos a justificaram a medida de coacção máxima?
Até o facto de o terem levado para uma prisão fora de Lisboa me deixa interrogações. Como se se tratasse dum perigoso terrorista.
Bom, e os outros? Os que têm agitado as notícias no últimos tempos com as derrocadas dos bancos cujos prejuízos caem sobre os nossos impostos? E os submarinos? E ...
Olha, acabo de saber que os dos vistos gold vão sair da cadeia com pulseira electrónica!
Terão sido o ensaio geral? Ou a justiça é mesmo cega?

 

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por Augusta Clara às 17:08

Segunda-feira, 10.11.14

É tão fácil caluniar - Augusta Clara Matos

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Augusta Clara Matos  É tão fácil caluniar 

 

   Mete-me o maior NOJO, repugna-me quem acusa uma pessoa seja do que for sem apresentar provas do que diz. A esta atitude chama-se CALÚNIA, tivemos por cá exemplos nos últimos anos e é o que está a acontecer com Xanana Gusmão relativamente às declarações ao Expresso do oficial da PSP expulso pelo Governo de Timor-Leste. Este senhor, pelo cargo que desempenha, tem a obrigação, se decidiu pronunciar-se em público, de apresentar a verdade, provando-a, ou de se calar e deixar as declarações para quem de direito fazê-lo. 

A minha dúvida é se haverá em Portugal alguém de direito para acusar de corrupção o chefe do Governo dum país independente, quando nesta casa, onde a corrupção se tornou endémica e anda à solta, não há corruptos presos e a justiça não defende os cidadãos da pilhagem a que são sujeitos pelas opções políticas do governo, apoiadas pelo Presidente da República.

Em Portugal, a corrupção é paga por todos nós.

 

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por Augusta Clara às 11:00

Sábado, 11.10.14

A ficção científica à volta do Ebola - Augusta Clara Matos

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Augusta Clara Matos  A ficção científica à volta do Ebola

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   Impõe-se-me um pequeno esclarecimento para pôr travão a uma discussão que por aí anda e mais não está a fazer do que aumentar o pânico gerado à volta do Ebola.

Alguém se lembrou de lançar a ideia de que o vírus foi criado em laboratório por algum Frankenstein talvez para dar cabo da humanidade inteira e ficar por cá sozinho, a desfrutar de todos os bens do planeta. A publicação dum vídeo com o texto duma patente referente ao vírus veio dar os retoques finais ao filme.

Para não me alongar: não há vírus nenhum criado em laboratório. Primeiro porque a investigação científica é feita por equipas, ainda que um cientista se destaque de todos os outros, como conhecemos alguns. A imagem do cientista louco só existe nos filmes. As armas biológicas de que, de vez em quando se fala, referem-se a microrganismos já existentes, não foram criados para o efeito, o que não iliba quem quer que se preste a pôr qualquer material de que disponha ao serviço de poderes despóticos, como aconteceu na Alemanha nazi. Os próprios americanos infectaram as mantas dos índios com o vírus do sarampo que já existia.

Quanto à patente: estive a ver o vídeo e a olhar para o texto e o que lá está escrito tem a ver com a propriedade dum vírus já existente com o objectivo do seu estudo e da produção de medicamentos e, eventualmente, de vacina - há, neste momento, duas vacinas cuja avaliação preliminar já está feita (dentro de pouco se saberá mais sobre isso) -, NÃO DO FABRICO DUM VÍRUS. Só quem não sabe como é a constituição dum vírus pode dizer tal asneira e andar a amedrontar toda a gente. Não se esqueçam de que, também, há a corrente dos anti-vacinas que está convencida de que Deus Nosso (deles) Senhor os protege de todos os males.

Na década de 90 do século passado fiz um estudo sobre os problemas levantados por este tipo de patentes, as "patentes de matéria viva", com o desenvolvimento das técnicas de Engenharia Genética e, sobretudo, nos EUA onde este tipo de investigação estava mais avançada. O desenvolvimento destas tecnologias biológicas fez com que a ciência tivesse entrado no mundo da concorrência. Daí a ter-se passado à ideia de patenteação de material orgânico vivo necessário ao novo tipo de produção.

Na altura, as discussões e os processos em tribunal estavam ao rubro e envolviam pessoas ligadas a várias áreas do conhecimento: biologia, medicina, filosofia, direito - e direito de patentes, em especial -, teologia, etc. Porquê isto? Porque, até então, o que se patenteava eram as "invenções", não as "descobertas" e tudo o que diz respeito à vida é considerado descoberta.

Não sei que desenvolvimentos houve desde que deixei de lidar com essas questões, mas imagino que bastantes. A patenteação de "matéria viva", como são os vírus, deve ter sido aprovada pelo que me foi dado ver no tal vídeo. A poderosa indústria farmacêutica já sabemos o que é, mas não é legítimo que qualquer um pegue no texto da patente e comece a inventar histórias para atormentar ainda mais a vida das pessoas.

Por favor, desfaçam esse boato. 

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 09.10.14

A Indústria do Terror - Augusta Clara Matos

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Augusta Clara Matos  A Indústria do Terror

 

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   Estou hoje perfeitamente convencida de que a Indústria do Medo já tem uma boa sede e está a dar lucros. Acho mesmo que já não se chama "do medo". Passou a chamar-se Indústria do Terror. Começou a instalar-se em 11 de Setembro de 2001 e foi subindo degrau após degrau.

Do medo dum país que tinha armas de destruição massiva e, por isso, era preciso destruir (o país) - e destruiu-se, só depois se dando pelo erro -, para o terror dos rockets vindos da Palestina que também era preciso arrasar - e arrasou-se, mas fez-se uma pausa a fingir de cessar-fogo -, até a uns ditadores que era preciso matar - e mataram-se alguns, e festejou-se muito -, mas ainda não se eliminaram todos os que é preciso. Por isso, criaram-se amigos para cumprir a tarefa.

Chegada a esta parte da história, a nebulosidade instalou-se e não me deixa precisar bem os contornos. Parece que havia amigos que continuam a ser, outros que já não o são bem.

E lá veio a Indústria do Terror dar uma ajuda: "- Vem aí o Estado Islâmico que corta cabeças e não conseguimos combater porque nos roubaram as armas". Mas, desta vez, a sede pediu apoio a uma das sucursais que trouxe um vírus para ajudar a meter os revoltosos em casa sossegadinhos.

Que mais estará para chegar? Suspeito que não ficamos por aqui, mas não quero adiantar-me à prestigiada comunicação social que descartou um dos grandes jornalistas portugueses. Incomodava o que o Baptista Bastos escrevia. Mas não inspirava suficiente terror.

 

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por Augusta Clara às 12:00

Segunda-feira, 18.08.14

Gaza Antes e Depois

 

Gaza Antes e Depois

 

 

(fotografia de Jamal Dajani) 

   Gaza feita em cinzas pelo exército de Israel. Tudo o que tinha sido reconstruído e construído de raíz depois de 2009: a central eléctrica que regularizara o fornecimento de energia com muitas falhas foi a última proeza dos bombardeamentos israelitas. As novas habitações onde as pessoas dispunham de espaço para uma família não ter que viver amontoada num só compartimento, os depósitos de água montados junto dos edifícios - Gaza está praticamente sem água potável - a destruição de escolas, da Universidade, de hospitais, etc., etc. Gaza é um monte de escombros.

E, para além de tudo isto, o governo terrorista de Israel, apoiado e armado pelo campeão da paz, conseguiu dar alento ao ovo da serpente do anti-semitismo que percorre a Europa. Seja onde for, são sempre os mesmos a abrir a caixa de Pandora.

A. Clara

 

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por Augusta Clara às 11:00

Domingo, 10.08.14

É o mal ou o bem que sempre triunfa? - Augusta Clara Matos

 

Augusta Clara Matos  É o mal ou o bem que sempre triunfa?

 

 

   Poderá o bem triunfar sempre? Não creio. Estou a lembrar-me duma conversa entre três presos num campo de concentração nazi sobre esta questão. Pertence ao livro, imperdível, "Vida e Destino" de Vassili Grossman que li há pouco.

Um dos intervenientes diz que o bem é esporádico - pode acontecer, em certos momentos, até em atitudes da pior criatura - mas não faz parte do comportamento geral da humanidade. O mal, sim, esse é geral. Encontra-se facilmente por todo o lado.

Esse indivíduo recusa participar nas obras de construção dos edifícios que virão a ser a câmara de gás e o forno crematório do campo. Ele soube ao que se destinam e não é capaz de aceitar, mesmo consciente dos benefícios que daí advém aos presos que participem nas obras. E sabe, pelo contrário, que quem recusar será de imediato abatido. Os colegas da barraca tentam convencê-lo de não valerem a pena os seus escrúpulos. A câmara e o crematório serão na mesma construídos. Mas esse velho que todos achavam um pouco estranho não consegue dizer sim.

Os anos da ditadura de Videla na Argentina, na década de 1970, foram anos em que o mal triunfou e andou à solta. Muitas  centenas de jovens opositores ao regime desapareceram, sabendo-se mais tarde que foram torturados e assassinados da forma mais bárbara: muitos foram encerrados vivos em sacos fechados lançados ao mar de bordo de aviões. As crianças nascidas na prisão foram retiradas às mães, antes de estas serem assassinadas, e entregues a famílias de funcionários afectos ao regime onde cresceram na convicção de serem aqueles os seus pais biológicos.

As famílias verdadeiras nunca cessaram de procurar os filhos e os netos que sabiam existirem, através do movimento inicialmente chamado "As Mães da Praça de Maio" e, depois, "As Avós da Praça de Maio". E, assim, algumas dessas crianças roubadas pela ditadura foram sendo identificadas. Os julgamentos dos criminosos começaram tarde de mais para todo o mal que provocaram.

Não gosto de panfletos mas defendo que devia ser impossível olhar-se para o lado quando há sempre a propabilidade de anular alguma parcela do mal espalhado, por muito pequena que ela seja ou longo o tempo para o conseguir..   

Estela de Carlotto, uma das Avós da Praça de Maio encontrou agora o seu neto. Eis o vídeo:

 

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por Augusta Clara às 08:00



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