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Jardim das Delícias


Sexta-feira, 08.04.16

Orvalhinha (Drosera rotundifolia) - Andreia Dias

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Andreia Dias  Orvalhinha (Drosera rotundifolia

 

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   “Existem plantas carnívoras em Portugal? Mas comem carne? “

Recordo em criança, ter convencido os meus pais a comprarem um vasinho de planta carnívora para ter no meu quarto. Achava eu que resolveria o problema das moscas no Verão. Mas uma planta carnívora, ainda que comprada em cativeiro, requer cuidados especiais e a pobrezita, rapidamente sucumbiu… apesar dos meus esforços diários em apanhar moscas e colocar nas suas “armadilhas”. Parecia tímida e ao contrário do que pensava, não reagia instantaneamente, como que se quisesse “provar” os meus dedos… e não fosse o “diabo tecê-las”, colocava as moscas com uma pinça, como se tratasse da operação cirúrgica mas minuciosa que alguma vez se viu.

Mais tarde, descobri que existem plantas carnívoras em Portugal. E tão perto de casa… quando vi a primeira, confesso que fiquei desiludida… com o tamanho, mas são tão singelas e delicadas que a desilusão rapidamente desvaneceu.

Se fosse um insecto, não resistiria a tocar nas gotículas atraentes, trespassadas por luz, como prismas separando as suas cores. Mas claro, inconsciente do meu fim…como os insectos que são atraídos por estas armadilhas botânicas.

Em Portugal, estão referenciadas 8 plantas carnívoras espontâneas. São plantas pouco estudadas, pelo que não se sabe se actualmente continuam a existir todas as espécies.

 A Drosera rotundifolia pertence à família das “orvalhinhas”, uma das 2 existentes no nosso país. É uma planta rosetada que habita locais muito húmidos e pantanosos. Tem preferência por terrenos ácidos e com baixas concentrações de nutrientes. As suas folhas modificadas são cobertas por glândulas pediculadas recobertas por mucilagem. Esta mucilagem atrai os insectos e aprisiona-os envolvendo-os. As glândulas segregam enzimas digestivas ocorrendo em seguida, a absorção dos produtos assimiláveis dos insectos. Terminando este processo, as glândulas e as folhas que estavam curvadas envolvendo o insecto, retomam a sua posição inicial.

 

Curiosidades: Drosera vem do Latim e”droseros” e significa orvalhada ou aguada; rotundifolia, também do Latim “rotundos”, significa redondo ou esférico e “folius” folha. No Inverno criam um hibernáculo para suportarem o frio.

 

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por Augusta Clara às 18:00

Quinta-feira, 25.02.16

Veado (Cervus elaphus) - Andreia Dias

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Andreia Dias  Veado (Cervus elaphus)

 

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   Serra da Lousã, final de tarde de um dia quente de Setembro. Ouvem-se bramidos vindos de várias direcções… parece que os Deuses da montanha estão zangados e em breve haverá concílio. É o auge da brama dos veados. Pé ante pé, no meio de urzes e carquejas, senti um forte cheiro e subitamente, surge um enorme veado, ostentando com orgulho as suas hastes de 8 pontas. Estava quase em contra-luz, mas a esbelta silhueta sobressaía naquele cenário tranquilo, onde só os insectos se ouviam. Por momentos abriu e fechou as narinas, detectou odores e desapareceu. Como é que um ser tão corpulento pode ser tão discreto e silencioso?

Também uma fêmea, esbelta e curiosa, espreitou-me do alto do seu longo pescoço entre estevas da Serra de Silves. Um punhado de segundos em que ficámos a olhar-nos como se fossemos os únicos seres à face da Terra. Surpreendida, “piscou-me o olho” como se me cumprimentasse: “Olá e adeus!”.

É sempre gratificante um encontro com estes animais, ainda que fugaz, perdura na lembrança.

O veado é uma espécie de grande porte que se distribui pelo hemisfério Norte (Europa, Ásia e Norte de África). É o maior cervídeo da fauna portuguesa.

A cor da pelagem muda com a estação do ano, sendo castanho-avermelhada no Verão e castanho-escuro no Inverno. As crias apresentam manchas brancas no dorso para se camuflarem.

Os machos são mais robustos e pesados do que as fêmeas e desenvolvem hastes. Estas estruturas servem para medirem forças com machos rivais na altura da reprodução.

Alimentam-se de matéria vegetal como ervas, folhas, brotos de árvores e arbustos, frutos e cogumelos.

É uma espécie social, durante a maior parte do ano, machos e fêmeas agrupam-se separados por sexo. Na época do acasalamento (Setembro – Novembro), os machos adultos formam haréns que podem reunir 20 fêmeas. É nesta época, denominada brama, que os machos competem pelas fêmeas e emitem altos bramidos para as atraírem. Em Portugal, esteve quase extinto no séc. XX, mas a espécie tem-se expandido devido a fugas ou sendo reintroduzida. Em alguns locais, é uma importante presa para o lobo-ibérico.

Curiosidades: O peso varia com a região, sendo que os animais mais a Norte tendem a ser maiores; as hastes dos machos são estruturas ósseas ramificadas que crescem todos os anos e caem após a época da reprodução. A idade rigorosa só é possível ser determinada com exactidão, através da análise dos sedimentos de crescimento dos dentes molares. No entanto, através da apreciação das hastes que perdem, é possível atribuir-lhes uma classe de idades (jovem: 3 – 4 anos; adulto: 4 – 10 anos e maduro (> 10 anos), podendo avaliar-se aproximadamente pelo número de pontas somando 1, já que no primeiro ano de idade a haste não é ramificada (ex. 4 pontas corresponderá a um animal de cerca de 5 anos).

 

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por Augusta Clara às 17:30

Segunda-feira, 08.02.16

Pisco-de-peito-azul (Luscinia svecica) - Andreia Dias

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Andreia Dias  Pisco-de-peito-azul (Luscinia svecica)

 

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   Foi num dia de Janeiro, a brisa parecia cortar as orelhas… mas, como no Alentejo há dias em Janeiro que parecem Primavera, e o anterior assim tinha sido, o gorro ficou no conforto do lar…

Todos os Invernos desejava encontrar um Pisco-de-peito-azul, os anos passaram… “prometi-me” que não passaria de 2016. O amigo Jorge Safara, sabendo do meu anseio, “provocou-me” com o envio de uma foto de um belo macho, a poucos quilómetros de Évora. Combinámos a hora e lá fomos… binóculos, telescópios… mas não me saía do pensamento “sabes que o bicho não estará à tua espera…”.

Chegámos a uma pequena ribeira, ladeada de tifas bamboleantes. As condições não eram as melhores…o vento distorcia os sons da manhã, a brisa gelava as extremidades. Os trabalhos agrícolas tinham início e ao longe lavrava-se a terra.

Entre toutinegras e pardais que pulavam e desapareciam entre os caniços,…ups… esvoaça uma avezinha de cauda avermelhada… seria? Tão discreto, tão fugaz… bravio e arrojado, um macho empoleira-se e canta… o meu coração bate acelerado, como pode um ser tão pequenino provocar tamanha emoção? Daquela que não se esquece...

E outro? Sim, dois belos machos de pisco-de-peito-azul. E o azul, é mesmo azul, azul. Mas que dia de sorte! Afinal… ele lá estava… à espera da minha foto. Obrigada, senhor Pisco-de-peito-azul, que em espanhol tem o nome engraçado “Ruiseñor”.

Com cerca de 14 cm de comprimento, é semelhante em tamanho, ao pisco-de-peito-ruivo. É a mancha azul do peito, que o caracteriza, embora seja evidente apenas nos machos adultos. As fêmeas são muito menos chamativas e vistosas.

Distribui-se pela Europa, África, Ásia e Alasca. É invernante em Portugal e migrador de passagem. Pode ser observado em todo o país, sendo raro no interior e de mais fácil observação no litoral, embora tenha distribuição localizada. Nidifica em zonas de alta montanha, em grande parte da metade meridional da Europa.

Habita zonas húmidas (sapais, salinas, ribeiras, com vegetação de porte arbustivo bem desenvolvido). Alimenta-se de pequenos coleópteros, insectos aquáticos, dípteros e larvas. Também pode ingerir alguns frutos de arbustos silvestres e no Outono consome sementes.

 

Curiosidades: Luscinia svecica  em latim significa “rouxinol sueco”. Constroem os ninhos no chão, debaixo de arbustos ou no meio da vegetação, geralmente não muito afastados de água.

 

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por Augusta Clara às 14:00



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