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Jardim das Delícias


Sábado, 06.08.16

Foi em 6 de Agosto de 1945 que os EUA lançaram uma bomba atómica sobre Hirosima

 

PARA QUE O MUNDO NÃO ESQUEÇA

 

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por Augusta Clara às 18:45

Segunda-feira, 10.08.15

A traição dos votos piedosos - José Goulão

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 José Goulão  A traição dos votos piedosos

 

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Mundo Cão, 9 de Agosto de 2015

 

   O primeiro ministro do Japão, o nacionalista Shinzo Abe, e o secretário-geral da ONU, um sul-coreano ao serviço dos Estados Unidos da América, protagonizaram os votos piedosos e de circunstância proferidos a propósito da chacina cometida há 70 anos pela Administração norte-americana contra a população civil da cidade de Nagasaki.

No memorial que recorda e homenageia as vítimas do maior atentado terrorista da História, a seguir ao praticado três dias antes contra Hiroxima, Shinzo Abe e Ban Ki-moon declararam-se favoráveis a um mundo livre de armas nucleares e o segundo manifestou até o desejo de que a bomba de Nagasaki tenha sido a última usada contra seres humanos.

Piedosas palavras estas. Piedosas e traiçoeiras, porque ambos os dirigentes não tiveram pejo em usar o luto e a emoção do lugar e do momento ao serviço de uma doentia manobra de propaganda. No exercício das suas importantes funções, Shinzo Abe e Ban Ki-moon não apenas agem em sintonia com os interesses que recorrem à ameaça terrorista nuclear como sabem que, pelo caminho seguido por eles próprios, jamais haverá um mundo livre da ameaça atómica. Os dois dirigentes mentiram e traíram num momento que lhes deveria ter merecido o maior dos respeitos porque entre os seus contemporâneos e compatriotas, no caso do chefe do governo nipónico, ainda há quem morra hoje por causa da bomba de Nagasaki, mesmo que tenha nascido depois do dia do horror de 9 de Agosto de 1945.

O que Shinzo Abe e Ban Ki-moon fizeram é revoltante, emerge da mais repugnante insensibilidade e entra pelos caminhos da propaganda terrorista.

Shinzo Abe representa o regresso do Japão à mentalidade nacionalista imperial, num quadro de rearmamento das suas tropas e de retorno às tentações intervencionistas. O Japão de Shinzo Abe é um peão da estratégia de “pivot asiático” engendrada pela Administração Obama para deslocalizar o núcleo duro do posicionamento militar imperial para o interior da Ásia. Ou seja, o Japão afirma-se como o mais importante aliado regional dos Estados Unidos da América na sua estratégia de confrontação assumida com a China, a Rússia e os demais países que decidam por si próprios e não através das ordens emanadas de Washington.

Como Shinzo Abe sabe muito bem, o arsenal assassino de armas nucleares faz parte dos instrumentos de terror manipulados no âmbito da estratégia de “pivot asiático”, como de qualquer outra estratégia imperial. Com a diferença de que, por esta via, as cidades japonesas podem considerar-se livres da ameaça nuclear directa – mas não dos seus ricochetes.

Shinzo Abe é um militarista, um frequentador atento, venerador e obrigado das cimeiras do G7, um dos chapéus usados pelo imperialismo, e sabe muito bem que as doutrinas expansionistas assentam na intimidação terrorista na qual se inserem as armas nucleares.

Quanto a Ban Ki-moon, não será preciso perder mais tempo e espaço com este ex-chefe do regime da Coreia do Sul, um zeloso servente de Washington levado para o topo de uma Organização das Nações Unidas tornada uma caricatura de si mesma e das intenções com que foi criada. Olhe-se para o estado em que se encontra o Médio Oriente, onde as responsabilidades da ONU pelo caos existente são gritantes, tanto por intervenção como por omissão.

As faces compungidas e as palavras solenes de Shinzo Abe e Ban Ki-moon no memorial às vítimas do terrorismo nuclear de Nagasaki são uma traição a quantos sofreram e sofrem ainda os seus efeitos; e são um exemplo da propaganda hipócrita que deve considerar-se ainda mais terrorista quando, como é o caso, recorre a votos piedosos. É feio, muito feio mesmo manipular a sensibilidade e o desgosto das pessoas para que, ao-fim-e-ao-cabo, continuem a viver no meio do medo e do sofrimento.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 06.08.15

A ROSA DE HIROSHIMA

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A ROSA DE HIROSHIMA

 

 

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por Augusta Clara às 18:00

Quinta-feira, 06.08.15

Hiroshima (extractos) - John Hersey

 

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   "Com base nas investigações das últimas décadas, mesmo os ensaístas universitários americanos chegam cada vez mais claramente a uma conclusão que os factos há muito impõem: as bombas de Hiroshima e Nagasaki foram uma demonstração estratégica de força, dos Estados Unidos con­tra a URSS, na luta pela supremacia mundial. Hiroshima é bombardeada a 6 de Agosto de 1945. A 8 de Agosto (con­forme previsto entre os Aliados), o Estado soviético declara a guerra ao Japão. E apesar disso..., no dia seguinte Nagasaki ainda é destruída com uma segunda bomba atómica. Seria ainda capaz de agressão uma nação de rastos? Os altos diri­gentes norte-americanos sabiam que não; mas a terem de enfrentar as consequências políticas da participação soviéti­ca, preferiram lançar as bombas sobre as óptimas cobaias japonesas.

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(...)

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Alguns tinham as sobrancelhas completamente queimadas e a pele pendia-lhes da cara e das mãos. Outros, devido à dor, iam de braços erguidos como se transportassem algo em ambas as mãos. Outros vomitavam enquanto caminhavam. Muitos seguiam nus ou completamente esfarrapados. Nal­guns corpos despidos as queimaduras tinham grava­do inscrições — das alças das camisolas interiores e dos suspensórios e, na pele de algumas mulheres (uma vez que o branco repelia o calor da bomba e as roupas escuras o absorviam, conduzindo-o para a pele), os contornos das flores que lhes ornamenta­vam os quimonos. Muitos, apesar de feridos, ajuda­vam familiares em pior estado. Quase todos seguiam cabisbaixos, olhando a direito, em silêncio, de rosto inexpressivo."

(in John Hersey, Hiroshima, Antígona)

 

Nota: Os corpos de muitas pessoas desintegraram-se. Só ficaram as suas sombras estampadas no local onde se encontravam.

 

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por Augusta Clara às 11:00

Quinta-feira, 06.08.15

Trinity, Little Boy, Fat Man - José Goulão

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José Goulão  Trinity, Little Boy, Fat Man

 

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Mundo Cão, 5 de Agosto de 2015

 

   Trinity, Little Boy, Fat Man… Ou Trindade, Rapazinho, Homem Gordo, três designações inócuas e inocentes para um dos maiores crimes contra a humanidade, por certo o maior crime de guerra que continua impune.

Três nomes inócuos e inocentes para três bombas nucleares paridas pelo chamado Projecto Manhattan, em segredo máximo e através de financiamentos clandestinos inspirados em práticas mafiosas de lavagem de dinheiro. Dois mil milhões de dólares foi quanto custou a produção dos três primeiros protótipos de bombas atómicas construídas pelos Estados Unidos, duas das quais foram testadas, por exigência do presidente Truman, nas cidades japonesas de Hiroxima e Nakasaki, tragédias sobre as quais se completam agora 70 anos de luto universal.

A Alemanha nazi rendera-se; a Itália fascista também; o Japão nacionalista estava de rastos, negociando nos bastidores, com as potências vencedoras, a sua rendição. De acordo com versões coincidentes de numerosos historiadores, Tóquio pretendia somente salvaguardar a figura do imperador, circunstância com significado interno mas sem qualquer repercussão externa ou de índole militar.

O uso da bomba de urânio sobre Hiroxima, em 6 de Agosto de 1945, e da bomba de plutónio sobre Nakasaki, em 9 de Agosto, não era necessário para ganhar uma guerra cujo desfecho estava decidido. O sacrifício de centenas de milhares de japoneses inocentes foi o investimento feito pelo complexo militar-industrial norte-americano para mostrar quem ganhara efectivamente a Segunda Guerra Mundial e, sobretudo, quem iria ganhar as guerras seguintes, isto é, quem iria reinar imperialmente sobre o mundo. Essas eram então as circunstâncias.

Por razões estratégicas que se relacionam com os grandes avanços das investigações científicas nos processos da cisão nuclear e das reacções em cadeia, a corrida à bomba atómica mobilizou a Alemanha e os aliados nos últimos anos da guerra. Os Estados Unidos, que entraram tardiamente na guerra, estavam na frente graças aos trabalhos de cientistas de várias nacionalidades, entre os quais se destacou Julius Oppenheimer, de ascendência alemã, a quem Roosevelt entregou a chefia do Projecto Manhattan, nome de código para a produção da bomba atómica em instalações secretas construídas em Los Alamos, no Novo México. Los Alamos não existia, a não ser como uma posta-restante: “1663 Santa Fe”.

Do projecto resultaram três protótipos. Um deles, Trinity, foi testado em segredo no deserto, perto de Alamogordo, em 16 de Julho de 1945. A guerra na Europa terminara havia dois meses e caminhava para o fim na Ásia. Pode afirmar-se, sem erro, que apesar dos avanços científicos a bomba atómica chegou atrasada à Guerra Mundial. Truman sucedera a Roosevelt por morte deste e a sua administração desdobrou-se em pretextos para testar os dois outros protótipos ainda em cenário real, como sinal de superioridade global. Oppenheimer calculara que o lançamento de uma bomba atómica sobre uma cidade poderia provocar cerca de 20 mil mortos. Vaticínios conservadores, dir-se-ia hoje. Em Hiroxima, sob o impacto de Little Boy, morreram mais de cem mil pessoas nos dois primeiros dias e ainda há seres humanos que morrem hoje devido ao efeito continuado das radiações, incluindo pessoas que herdaram de pais e avós as degenerações genéticas por elas provocadas. Em Nakasaki, sob o impacto de Fat Man, perderam a vida entre 60 mil a 80 mil pessoas nos primeiros dias. A primeira foi lançada em 6 de Agosto: deveria ter sido em 1 de Agosto, mas um tufão alterou os planos; a segunda abateu-se sobre Nagasaki, mas deveria ter sido sobre Kokura: tal não aconteceu devido ao facto de esta cidade se encontrar sob céu nublado. Pelo carácter fortuito das decisões percebe-se que não foram tomadas em função de necessidades objectivas de guerra, mas sim pelo desejo arrogante de intimidar tanto inimigos como aliados.

Os segredos de Los Alamos não tardaram a tornar-se de Polichinelo. Hoje há 17 mil ogivas nucleares no mundo, segundo organizações de físicos norte-americanos, desconhecendo-se se esse número inclui ou não as de países, como Israel, que escondem as suas capacidades. Todas elas multiplicam exponencialmente o potencial de morte das três estreantes. O sacrifício das populações de Hiroxima e Nagasaki foi em vão. Um conflito nuclear na actualidade não deixará ninguém em condições de registar quem o ganhou, porque não terá vencedores.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quarta-feira, 06.08.14

Rosa de Hiroshima - Ney Matogrosso

 

Ney Matogrosso  Rosa de Hiroshima

 

Nota: faz hoje 69 anos que os Estados Unidos da América lançaram uma bomba atómica sobre Hiroshima quando a guerra já estava ganha pelos Aliados. No Pacífico a União Soviética estava prestes a derrotar os japoneses. Mas delineava-se já a divisão do mundo em dois blocos geoestratégicos e era preciso demonstrar superioridade. E, assim, se destruiram duas cidades japoneses - Nagasaki foi poucos dias depois. Foi cruel o massacre dos seus habitantes, com a mais terrífica arma usada até então.

O império americano continua a ser fiel aos massacres de populações. Agora, arma Israel, que também tem a bomba atómica, contra a Palestina.

A. Clara

 

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por Augusta Clara às 19:30



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