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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.

Camilo Pessanha Venus II

Singra o navio. Sob a água clara
Vê-se o fundo do mar, de areia fina...
Impeccavel figura peregrina,
A distancia sem fim que nos separa!
Seixinhos da mais alva porcelana,
Conchinhas tenuemente côr de rosa.
Na fria transparencia luminosa
Repousam, fundos, sob a agua plana.
E a vista sonda, reconstrue, compara.
Tantos naufragios, perdições, destroços!
Ó fulgida visão, linda mentira!
Roseas unhinhas que a maré partira...
Dentinhos que o vaivem desengastara...
Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos...
(in CLEPSYDRA, Relógio D'Água)
Camilo Pessanha Paisagens de Inverno
(Carlos Zeller)
(A Alberto Osório de Castro)
Ó meu coração, torna para traz.
Onde vaes a correr desatinado?
Meus olhos incendidos que o peccado
Queimou! Volvei, longas noites de paz.
Vergam da neve os olmos dos caminhos.
A cinza arrefeceu sobre o brazido.
Noites da serra, o casebre transido...
Scismae, meus olhos, como uns velhinhos.
Extinctas primaveras, evocae-as.
Já vae florir o pomar das maceiras.
Hemos de enfeitar os chapéus de maias.
Socegae, esfriae, olhos febris...
Hemos de ir a cantar nas derradeiras
Ladainhas... Doces vozes senis.
(in Clepsydra, Relógio d'Água)
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