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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.
A partir de agora, o que o PS tem de fazer, mais do que contar votos, é elaborar um Programa de Governo como deve de ser, isto é, dum governo independente de jugos estrangeiros, que tudo faça para minorar e tendencialmente anular os grandes prejuízos da autoria do actual governo na sua acção destruidora dos últimos quatro anos.
Não disse hoje Passos Coelho que já decidiu viabilizar o Programa do Governo e o Orçamento do PS se ele ganhar sem maioria absoluta? Embora a sua palavra pouco valha, aliada ao conhecido feitio de lacrau, pois que apoie, mas na Assembleia da República com o seu grupo parlamentar que espero seja o menor possível. No Governo não o queremos.
Não estou a fazer propaganda eleitoral porque não voto no PS. Porém, não tenho praticamente dúvidas sobre a sua vitória no próximo dia 4. Quer porque não acredito na inimputabilidade mental do povo português que tão sacrificado está, quer porque me parece corresponder ao modelo comportamental do nosso eleitorado por características e razões que não sou a pessoa indicada para expor.
Mas o que me preocupa grandemente, já aqui o disse, são as ligações da esquerda. A esquerda portuguesa, alguma já com tantos pergaminhos, parece viver em casulos e defender-se mais dos seus próximos do que dos inimigos.
Já não sei como se pode falar e voltar a falar nestes defeitos e no desejo de os ver desfeitos sem caír no que já foi dito e redito que é, afinal, o que todos anseiam: ver quem luta por um conjunto de prerrogativas, relativas ao bem-estar dum povo e ao desenvolvimento livre do país, a remar para o mesmo lado, a definir em conjunto as linhas-mestras do que queremos para esta terra.
Tão fácil seria, a nós que somos uma só nação - nem esses problemas nos afectam -, donos dum belíssimo espaço territorial onde se poderia viver sem necessidade da imposição de determinados bens materiais supérfluos que, em vez de nos dignificarem e tornarem genuinamente felizes como seres humanos, nos escravizam. Tão fácil seria se não vivêssemos de políticas alienantes a quem a felicidade me parece dever soar como um conceito menor, quase ridículo.
Um dos jovens do grupo chegado ontem, ao abrigo da plataforma promovida por Jorge Sampaio para integração de estudantes sírios nas universidades portuguesas, dizia que Portugal lhe parecia um paraíso. E é, e é, meu amigo, tem é muitos demónios à solta.
Augusta Clara A campanha eleitoral
Só me apetecia fazer campanha para que ninguém visse nem ouvisse nada da campanha.
Lembrassem-se só, com muita força, de tudo o que os partidos deste (des)governo nos fizeram:
- dos despedimentos;
- das famílias cada vez mais pobres que ficaram sem casas;
- das crianças com fome;
- dos velhos a comerem nos contentores do lixo e sem dinheiro para os medicamentos;
- do número crescente de pessoas a dormir nas ruas;
- dos cortes nos salários e nas pensões;
- dos milhares de portugueses que tiveram de emigrar, entre os quais muitos jovens da geração mais qualificada formada nas últimas décadas, de cujas competências tanto necessitamos e estão a ser postas ao serviço dos países ricos;
- da destruição do nosso Serviço Nacional de Saúde, um dos melhores do mundo;
- da crescente descriminação no Ensino e do vergonhoso desprestígio dos professores;
- de todos as grandes fraudes bancárias que vêm às nossas algibeiras buscar o remédio;
- do desprezo pela cultura;
- da venda a estrangeiros das grandes empresas que deviam ser património nacional
- e de tantas outras acções maléficas do governo de Passos Coelho e Paulo Portas, essas abomináveis criaturas que chegaram ao poder para meter a marcha atrás num país que seguia o seu rumo e, apesar de tudo, apesar desta falsa União Europeia de todos os países e povos, apesar dela, não tinha sofrido, antes deles, uma tão grande destruição.
Sinceramente, não acho que valha a pena ouvir sempre o mesmo que todos estamos fartos de conhecer.
Mas há uma coisa que me preocupa bastante: quando o terror dura muito tempo e faz grandes estragos, é frequente muitas vítimas se cansarem e aceitarem a tirania. É precisamente esse o maior perigo nestas eleições.
José Goulão Na via da fraude eleitoral
Mundo Cão, 6 de Setembro de 2015
Em Portugal, aquilo a que chamam campanha eleitoral degenerou em fraude eleitoral enquanto a Comissão Nacional de Eleições faz papel de morta para condizer com o estado da democracia.
Fraude eleitoral, sim, senhoras e senhores. Não apenas por causa do magno “debate”, “O Debate”, como lhe chamam, uma gigantesca burla mediática em que se associam os maiores impérios censórios da nação numa desavergonhada operação de propaganda do chamado “arco da governação”. Chamar-lhe “O Debate” é um insulto à inteligência dos portugueses, porque não passa de uma luta encarniçada de galos pelo poleiro que o sistema lhes reservou por suposta inerência, esgrimindo com promessas mentirosas e êxitos virtuais para que tudo continue na mesma, a bem do “mercado” e das suas viciosas necessidades de engorda.
Fraude eleitoral, sim, senhoras e senhores. Uma consequência natural do estado de podridão a que chegaram os órgãos de soberania da nação, entretidos com tricas entre castas que vivem do saque dos bens, dos medos e angústias dos cidadãos, gigolos de um processo mediático-judiciário em que os tempos e os espaços daquilo a que chamam justiça contaminam tudo o que deveria ser a concentração da atenção nos reais problemas dos portugueses, em que os “sound bites” vomitados pelos estrategos de marketing publicitário temporariamente contratados pelas “máquinas partidárias” ditam aquilo que vai ser repetido até à exaustão pelos criados ao serviço dos impérios da propaganda.
Isto não é uma campanha eleitoral, senhoras e senhores. Isto é uma monstruosa lavagem ao cérebro com um requinte que nem Orwell imaginaria, ele que previa a atribuição a porcos de actividades que, afinal, foram entregues aos sacerdotes tecnocratas da modernidade, a cavalo nas mais delirantes tecnologias – para acabarem prosaicamente a entrevistar entregadores de pizas.
As leis eleitorais ditam que todas as entidades que apresentam candidatos ao Parlamento, partidos ou coligações, devem ser objectos de um tratamento igualitário, de modo a que os cidadãos tenham conhecimento de todas as propostas para o futuro do país e possam decidir de acordo com as suas consciências assim esclarecidas. Que se danem as leis! O que à partida ficou estabelecido é que existem dois candidatos a sério, que a opção dos eleitores é apenas entre “este” ou “aquele”, sendo que “este” e “aquele” matam o tempo entre jogos de palavras para depois, como sempre, acabarem no colo um do outro ora arrulhando ora arrufando consoante as conveniências, para que o rebanho siga ordeiro a sua via-sacra triste, penosa, sem horizonte nem fim à vista. Os outros candidatos existem, que remédio, para que se cumpra a democracia, mas não vale a pena gastar cera com tão ruins defuntos
O aparelho de propaganda, que substitui com visíveis vantagens e uma eficácia exponencial os lápis azuis dos velhos coronéis, alimenta o festim rapinante entretendo os eleitores com o que fazem ou deveriam fazer “este” e “aquele” até à hora do voto. Para isso existe “O Debate”, transmitido directamente e em cadeia, como uma velha jornada futeboleira, pelas principais estações de televisão. Os outros, os debates organizados para que se finja cumprir a lei eleitoral, vão para os canais das segunda e terceira divisões televisivas, a que nem todos têm acesso, trocando-se assim uma audiência de milhões, tornada obrigatória e sem concorrência, por sessões facultativas ou proibidas dedicadas a alguns milhares – e para quem é bacalhau basta, dirão os enfatuados herdeiros dos coronéis.
Entretanto tempera-se tudo com estatísticas e sondagens vertidas à medida “deste”, “daquele” ou dos dois, para que em vez da vida das pessoas se discutam virtualidades numéricas que demonstram uma coisa e a sua contrária, consoante a perspectiva de que são olhadas ou interpretadas pelos doutores da propaganda.
A fraude eleitoral, em suma, é a maneira de dizer aos eleitores que os problemas da vida que é a sua não são aqueles que eles sentem na pele, na carne e no sangue, mas sim aquilo de que falam “este” e “aquele” e lhes é mostrado por aquelas caixas falantes e coloridas que irremediavelmente os hipnotizam.
A campanha eleitoral em Portugal não é alegre, esclarecedora, sequer uma campanha. É uma burla oficial.
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