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Jardim das Delícias


Sábado, 17.10.15

CARTA AO LUATY BEIRÃO DO DR. LUÍS BERNARDINO (assinem, por favor)

dr. luis bernardino.jpg

 

Caro Luaty

   Nós, os subscritores desta carta, estamos em vários sectores da vida do nosso País, somos diferentes uns dos outros em muitas coisas, mas todos temos em comum valores fundamentais: liberdade, respeito pelos outros, solidariedade social até ao altruísmo, coerência. Este texto não se afastará destes princípios universais, por isso esta é uma mensagem que podia ser subscrita por qualquer Homem de boa vontade, aonde quer que esteja.

1. Começamos por lembrar que o nosso País, Angola, precisa, mais do que nunca, de jovens, e tu és um jovem; de pessoas com apurada preparação técnica e profissional – e este é o teu caso; de gente com grande sensibilidade aos problemas sociais do nosso Povo: assim és tu; de alguém com grande idoneidade e elevados princípios morais – e para quem conhece as tuas opções na vida e o teu quotidiano Angolano e acompanha o que se tem passado nos últimos 25 dias, esta é mais uma descrição da tua pessoa. Portanto o teu perfil é o do cidadão exemplar de que Angola precisa para ser uma nação feliz e próspera. Não nos podes faltar: a nós e a Angola!

2. Vamos abstrair-nos das causas que motivaram a vossa prisão (para nos mantermos na tónica dos universais): após três meses de prisão preventiva, a investigação terá sido feita, um processo de acusação foi elaborado e não foram aduzidas razões para manter, excepcionalmente, a prisão preventiva. À luz do Direito Angolano vocês deviam ter sido libertos, aguardando julgamento. A manutenção das medidas coercivas só pode explicar-se por uma “vendeta” do Executivo, que quer punir (extrajudicialmente) os jovens que têm posto em causa a governação do Presidente da Republica;

3. Contra esta prepotência que deixa transparecer com clareza a submissão do poder judiciário ao político, vocês reagiram iniciando uma greve da fome, na qual só tu persistes, provavelmente por grande força ideológica e por um princípio nobre de coerência e respeito por ti próprio.

4. Porque sabemos que a tua fibra de lutador te tem tornado inflexível mesmo perante os entes mais queridos que te têm rogado para cessares algo que cada vez mais te pode ser fatal; porque sabemos que o poder, ou pelo menos um certo poder, é por definição insensível - nós, no domínio dos princípios e da coerência a que dás prioridade, argumentamos que ao prolongares esse comportamento até às últimas consequências, estás a enfraquecer o campo dos que pensam como tu, estás a deixar sem resposta as acusações que te fizeram, estás, em resumo, a desistir da tua luta, ainda que de uma forma heróica.

5. Mas como referiu o escritor Moçambicano Mia Couto, numa recente homenagem com a presença do seu Presidente da Republica: “… Infeliz é o País que precisa de heróis …” O ideal é não precisarmos de heróis e muito menos de mártires… Queremos, sim ter a todo o momento, cidadãos exemplares na luta diária pela Democracia e pelo Bem do Povo Angolano. E tu és exemplar entre os exemplares.

Querido Luaty, queremos com esta mensagem desobrigar-te do teu compromisso. Rogamos-te para que termines a tua greve, para recuperares a tua força física e juntar-te a NÓS."

Luís Bernardino, Médico

Assinar em: https://www.facebook.com/events/433717973486565/

 

PLEASE SIGN THIS LETTER TO MAKE LUATY STOP HIS HUNGER STRIKE.

Today the Angolan newspaper Novo Jornal published the following letter written by Dr. Luís Bernardino to Luaty Beirão. We created a facebook event with the goal of collecting as many signatures we can get from those who support this message. SIGN BELOW ON COMMENTS. Your name will get to Luaty on a list attached to this letter.

SIGN AND SHARE!

We, the signatories of this letter, are from various walks of life in our country, and we are different from each other in many things, but we all have the same fundamental values in common: freedom, respect for others, social solidarity towards altruism, and a respect for coherence. This text will not depart from these universal principles, so this is a message that could be subscribed to by any man or woman of good will, wherever they may be.1. We start by remembering that our country, Angola, needs, more than ever, young people, and you are a young man; people with technique and professional preparation - and this is your case; of people with great sensitivity to the social problems of our people: something you possess; someone with great integrity and high moral principles - and for those who’ve followed your life options and your everyday life in Angola, and are aware of what has happened over the past 25 days, this is a description of your person. So, your profile is the model citizen that Angola needs to be a happy and prosperous nation. We, and Angola as a country, cannot be without you!

2. Let us abstract ourselves from the causes that led to your imprisonment (in keeping with the universal themes of this letter): after three months of preventive custody, the investigation will have been made, a prosecution process was developed and no reasons were put forward for maintaining you in preventive imprisonment. In light of the Angolan law, you all should have been released pending trial. Maintaining these coercive measures can only be explained as a "vendetta" by the Executive, who wants to (extra-judicially) punish young people who have questioned the governance of the President of the Republic;

3. Against this arrogant backdrop that clearly reveals the judiciary’s submission to the political power, you responded by starting a hunger strike, in which only you persist, presumably because your great ideological force and a noble principle of consistency and respect for yourself.

4. Because we know that your moral fiber as a fighter has made you become inflexible even towards your most loved ones who have begged you to cease an action that becomes more fatal by the day; because we know the power, or at least a certain power, is, by definition, insensitive – we, by considering the principles and coherence that you prioritize, argue that by prolonging this behavior until its final consequences, you are weakening the field of those that think as you do, you are leaving unanswered the accusations made to you, and you are, in short, giving up your fight, even if in a heroic way.

5. But as said by the Mozambican writer Mia Couto, in a recent tribute in presence of its President of the Republic: "... Unfortunate is the country that needs heroes..." Ideally, we do not need heroes and martyrs ... What we indeed want, at all times, is model citizens in the daily struggle for democracy and the wellness of the Angolan people. And you are a model citizen among the model citizens.
DEAR LUATYTHROUGH THIS MESSAGE, WE WISH TO RELIEVE YOU FROM YOUR COMMITMENT.WE ASK YOU TO TERMINATE YOUR STRIKE, TO REGAIN YOUR PHYSICAL STRENGTH AND TO

 

Sign in: https://www.facebook.com/events/433717973486565/

 

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por Augusta Clara às 18:30

Sexta-feira, 30.01.15

Carta Aberta de Alexis Tsipras aos Leitores do Handelsblatt

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Carta Aberta de Alexis Tsipras aos Leitores do Handelsblatt

 

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Publicado no original em 13 de Janeiro de 2015 e traduzido pelo Aventar

 

   A maior parte de vós, caros leitores do Handelsblatt, terá já uma ideia preconcebida acerca do tema deste artigo, mesmo antes da leitura. Rogo que não cedais a preconceitos. O preconceito nunca foi bom conselheiro, principalmente durante períodos em que uma crise económica reforça estereótipos e gera fanatismo, nacionalismos e até violência.
Em 2010, a Grécia deixou de conseguir pagar os juros da sua dívida. Infelizmente, as autoridades europeias decidiram fingir que o problema poderia ser ultrapassado através do maior empréstimo de sempre, sob condição de austeridade orçamental, que iria, com uma precisão matemática, diminuir drasticamente o rendimento nacional, que serve para pagar empréstimos novos e antigos. Um problema de insolvência foi tratado como se fosse um problema de falta de liquidez.
Dito de outro modo, a Europa adoptou a táctica dos banqueiros com pior reputação, que não reconhecem maus empréstimos, preferindo conceder novos empréstimos à entidade insolvente, tentando fingir que o empréstimo original está a obter bons resultados, adiando a bancarrota. Bastava bom senso para se perceber que a adopção da táctica “adiar e fingir” levaria o meu país a uma situação trágica. Em vez da estabilização da Grécia, a Europa estava a criar as condições para uma crise auto-sustentada que põe em causa as fundações da própria Europa.
O meu partido e eu próprio discordamos veementemente do acordo de Maio de 2010 sobre o empréstimo, não por vós, cidadãos alemães, nos terdes dado pouco dinheiro, mas por nos terdes dado dinheiro em demasia, muito mais do que devíeis ter dado e do que o nosso governo devia ter aceitado, muito mais do que aquilo a que tinha direito. Dinheiro que não iria, fosse como fosse, nem ajudar o povo grego (pois estava a ser atirado para o buraco negro de uma dívida insustentável), nem sequer evitar o drástico aumento da dívida do governo grego, às custas dos contribuintes gregos e alemães.
Efectivamente, passado menos de um ano, a partir de 2011, as nossas previsões confirmaram-se. A combinação de novos empréstimos gigantescos e rigorosos cortes na despesa governamental diminuíram drasticamente os rendimentos e, não só não conseguiram conter a dívida, como também castigaram os cidadãos mais frágeis, transformando pessoas que, até então, haviam tido uma vida comedida e modesta em pobres e mendigos, negando-lhes, acima de tudo, a dignidade. O colapso nos rendimentos conduziu milhares de empresas à falência, dando um impulso ao poder oligopolista das grandes empresas sobreviventes. Assim, os preços têm caído, mas mais lentamente do que ordenados e salários, reduzindo a procura global de bens e serviços e esmagando rendimentos nominais, enquanto as dívidas continuam a sua ascensão inexorável. Neste contexto, o défice de esperança acelerou de forma descontrolada e, antes que déssemos por ela, o “ovo da serpente” chocou  – consequentemente, os neo-nazis começaram a patrulhar a vizinhança, disseminando a sua mensagem de ódio.
A lógica “adiar e fingir” continua a ser aplicada, apesar do seu evidente fracasso. O segundo “resgate” grego, executado na Primavera de 2012, sobrecarregou com um novo empréstimo os frágeis ombros dos contribuintes gregos, acrescentou uma margem de avaliação aos nossos fundos de segurança social e financiou uma nova cleptocracia implacável.
Recentemente, comentadores respeitados têm mencionado a estabilização da Grécia e até sinais de crescimento. Infelizmente, a ‘recuperação grega’ é tão-somente uma miragem que devemos ignorar o mais rapidamente possível. O recente e modesto aumento do PIB real, ao ritmo de 0,7%, não indica (como tem sido aventado) o fim da recessão, mas a sua continuação. Pensai nisto: as mesmas fontes oficiais comunicam, para o mesmo trimestre, uma taxa de inflação de -1,80%, i.e., deflação. Isto significa que o aumento de 0,7% do PIB real se deveu a uma taxa de crescimento negativo do PIB nominal! Dito de outro modo, aquilo que aconteceu foi uma redução mais rápida dos preços do que do rendimento nacional nominal. Não é exactamente motivo para anunciar o fim de seis anos de recessão!
Permiti-me dizer-vos que esta lamentável tentativa de apresentar uma nova versão das “estatísticas gregas”, para declarar que a crise grega acabou, é um insulto a todos os europeus que, há muito, merecem conhecer a verdade sobre a Grécia e sobre a Europa. Com toda a frontalidade: actualmente, a dívida grega é insustentável e os juros não conseguirão ser pagos, principalmente enquanto a Grécia continua a ser sujeita a um contínuo afogamento simulado orçamental. A insistência nestas políticas de beco sem saída, e em negação relativamente a simples operações aritméticas, é muito onerosa para o contribuinte alemão e, simultaneamente, condena uma orgulhosa nação europeia a indignidade permanente. Pior ainda: desta forma, em breve, os alemães virar-se-ão contra os gregos, os gregos contra os alemães e, obviamente, o ideal europeu sofrerá perdas catastróficas.
Quanto a uma vitória do SYRIZA, a Alemanha e, em particular, os diligentes trabalhadores alemães nada têm a temer. A nossa tarefa não é a de criar conflitos com os nossos parceiros. Nem sequer a de assegurar maiores empréstimos ou, o equivalente, o direito a défices mais elevados. Pelo contrário, o nosso objectivo é conseguir a estabilização do país, orçamentos equilibrados e, evidentemente, o fim do grande aperto dos contribuintes gregos mais frágeis, no contexto de um acordo de empréstimo pura e simplesmente inexequível. Estamos empenhados em acabar com a lógica “adiar e fingir”, não contra os cidadãos alemães, mas pretendendo vantagens mútuas para todos os europeus.
Caros leitores, percebo que, subjacente à vossa “exigência” de que o nosso governo honre todas as suas “obrigações contratuais” se esconda o medo de que, se nos derem espaço para respirar, iremos regressar aos nossos maus e velhos hábitos. Compreendo essa ansiedade. Contudo, devo dizer-vos que não foi o SYRIZA que incubou a cleptocracia que hoje finge lutar por ‘reformas’, desde que estas ‘reformas’ não afectem os seus privilégios ilicitamente obtidos. Estamos dispostos a introduzir reformas importantes e, para tal, procuramos um mandato do povo grego e, claro, a cooperação dos nossos parceiros europeus, para podermos executá-las.
A nossa tarefa é a de obter um New Deal europeu, através do qual o nosso povo possa respirar, criar e viver com dignidade.
No dia 25 de Janeiro, estará a nascer na Grécia uma grande oportunidade para a Europa. Uma oportunidade que a Europa não poderá dar-se ao luxo de perder.

 

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por Augusta Clara às 17:00

Quinta-feira, 11.09.14

Vai à m**** João !!! - por Carlos Paz, Professor Universitário no ISEG

 

Carlos Paz  Vai à m**** João !!!




Carta Aberta a um MENTECAPTO (João César das Neves)

Meu Caro João,

Ouvi-te brevemente nos noticiários da TSF no fim-de-semana e não acreditei no que estava a ouvir.

Confesso que pensei que fossem "excertos", fora de contexto, de alguém a tentar destruir o (pouco) prestígio de Economista  (que ainda te resta).

Mas depois tive a enorme surpresa: fui ler, no Diário de Notícias a tua entrevista (ou deverei dizer: o  arrazoado de DISPARATES que resolveste vomitar para os microfones de quem teve a suprema paciência de te ouvir). E, afinal, disseste mesmo aquilo que disseste, CONVICTO e em contexto.

Tu não fazes a menor ideia do que é a vida fora da redoma protegida em que vives:

- Não sabes o que é ser pobre;
- Não sabes o que é ter fome;
- Não sabes o que é ter a certeza de não ter um futuro.

Pior que isso, João, não sabes, NEM QUERES SABER!

Limitas-te a vomitar ódio sobre TODOS aqueles que não pertencem ao teu meio. Sobes aquele teu tom de voz nasalado (aqui para nós que ninguém nos ouve: um bocado amaricado) para despejares a tua IGNORÂNCIA arvorada em ciência.

Que de Economia NADA sabes, isso já tinha sido provado ao longo dos MUITOS anos em que foste assessor do teu amigo Aníbal e o ajudaste a tomar as BRILHANTES decisões de DESTRUÍR o Aparelho Produtivo Nacional (Indústria, Agricultura e  Pescas).

És tu (com ele) um dos PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS de sermos um País SEM FUTURO.

De Economia NADA sabes e, pelos vistos, da VIDA REAL, sabes ainda MENOS!

João, disseste coisas absolutamente INCRÍVEIS, como por exemplo: "A MAIOR PARTE dos Pensionistas estão a fingir que são Pobres!"

Estarás tu bom da cabeça, João?

Mais de 85% das Pensões pagas em Portugal são INFERIORES a 500 Euros por mês (bem sei que algumas delas são cumulativas - pessoas que recebem mais que uma "pensão" - , mas também sei que, mesmo assim, 65% dos Pensionistas recebe MENOS de 500 Euros por mês).

Pior, João, TU TAMBÉM sabes. E, mesmo assim, tens a LATA de dizer que a MAIORIA está a FINGIR que é Pobre?

Estarás tu bom da cabeça, João?

João, disseste mais coisas absolutamente INCRÍVEIS, como por exemplo: "Subir o salário mínimo é ESTRAGAR a vida aos Pobres!"

Estarás tu bom da cabeça, João?

Na tua opinião, "obrigar os empregadores a pagar um salário maior" (as palavras são exactamente as tuas) estraga a vida  aos desempregados não qualificados. O teu raciocínio: se o empregador tiver de pagar 500 euros por mês em vez de 485, prefere contratar um Licenciado (quiçá um Mestre ou um Doutor) do que um iletrado. Isto é um ABSURDO tão grande que nem é possível comentar!

Estarás tu bom da cabeça, João?

João, disseste outras coisas absolutamente INCRÍVEIS, como por exemplo: "Ainda não se pediram sacrifícios aos Portugueses!"

Estarás tu bom da cabeça, João?

Ainda não se pediram sacrifícios?!?

Em que País vives tu, João?
Um milhão de desempregados;
Mais de 10 mil a partirem TODOS os meses para o Estrangeiro; Empresas a falirem TODOS os dias; Casas entregues aos Bancos TODOS os dias;
Famílias a racionarem a comida, os cuidados de saúde, as despesas escolares e, mesmo assim, a ACUMULAREM dívidas a TODA a espécie de Fornecedores.

Em que País vives tu, João?

Estarás tu bom da cabeça, João?

Mas, João, a meio da famosa entrevista, deixaste cair a máscara:
"Vamos ter de REDUZIR Salários!"


Pronto! Assim dá para perceber. Foi só para isso que lá foste despejar os DISPARATES todos que despejaste.

Tinhas de TRANSMITIR O RECADO daqueles que TE PAGAM: "há que reduzir os salários!".

Afinal estás bom da cabeça, João.

Disseste TUDO aquilo perfeitamente pensado. Cumpriste aquilo para que te pagam os teus amigos da Opus Dei (a que pertences), dos Bancos (que assessoras), das Grandes Corporações (que te pagam Consultorias).

Foste lá para transmitir o recado: "há que reduzir salários!".

Assim já se percebe a figura de mentecapto a que te prestaste.

E, assim, já mereces uma resposta:

- Vai à M****, João!

Um Abraço,
Carlos Paz

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por Augusta Clara às 08:00

Sexta-feira, 20.09.13

Carta aberta a uns pedaços de merda - Ferreira Fernandes

 

Ferreira Fernandes  Carta aberta a uns pedaços de merda

 

 

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   Publicado no Diário de Notícias em 19 de Setembro de 2013

   Olá, amiguinhos do FMI. Eu sou o ratinho branco. Desculpem estar a incomodar-vos agora que vocês estão com stress pós-traumático por terem lixado isto tudo. Concluíram vocês, depois do leite derramado: "A austeridade pode ser autodestrutiva." E: "O que fizemos foi contraproducente." Quem sou eu para desmentir, eu que, no fundo, só fiquei com o canto dos lábios caídos, sem esperança? O que é isso comparado com a vossa dor?! Eu só estiquei o pernil ou apanhei três tipos de cancro, mas é para isso que servimos nos laboratório: somos baratos e dóceis. Já vocês não têm esses estados de alma (ficar sem emprego, que mau gosto...), vocês são deuses com fatos de alpaca e gravata vermelha como esses três novos que acabam de desembarcar para nos analisar os reflexos. "Corre, ratinho branco!", e eu corro. Vocês cortam-me as patas: "Corre, ratinho branco!", e eu não corro. E vocês apontam nos vossos canhenhos sábios: "Os ratos sem pernas ficam surdos." Como vocês são sábios! E humildes. Fizeram-nos uma experiência que falhou e fazem um relatório: olha, falhou. Que lição de profissionalismo, deixam-nos na merda e assumem. Assumir quer dizer "vamos mudar-lhes as doses", não é? E, amanhã, se falhar, outro relatório: olha, falhou. O vosso destino, amiguinhos do FMI, eu compreendo. Vocês são aves de arribação, falham aqui, partem para ali. Entendo menos o dos vossos kapos locais: em falhando e ficando, porque continuam seguros no laboratório?

 

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por Augusta Clara às 08:00

Sexta-feira, 02.08.13

Carta Aberta do Maestro António Victorino D'Almeida ao Secretário de Estado da Cultura

 

CARTA ABERTA AO SECRETÁRIO DE ESTADO DA CULTURA

 

  
Publicado em spautores.pt
 
   O Senhor Secretário de Estado da Cultura ter-se-á pronunciado – e se não se pronunciou, ou se a ideia que se transmitiu não era esta, fácil se lhe tornará desmenti-lo ou esclarecê-lo – acerca de duas formas alegadamente antagónicas de encarar a defesa e a divulgação da Cultura “num país com pouco dinheiro, como é o nosso”.

Segundo o Secretário de Estado, há quem defenda que a divulgação dos valores culturais deve atingir o maior número possível de pessoas, levando o Teatro, a Música, o Cinema, a Dança, as Artes Plásticas, etc., não apenas aos grande centros populacionais, mas também às cidades do interior, às vilas ou mesmo às aldeias mais recônditas do interior.

O Senhor Secretário de Estado, implicitamente, está contra essa ideia, pois considera que, na actual conjuntura, só é admissível e desejável a atribuição de subsídios estatais a manifestações artísticas ou culturais marcadas por aquilo a que terá chamado a Excelência.

Resumindo, os trabalhos que mereçam o rótulo de excelência serão - ou seriam - subsidiados, pelo que não restaria aos outros candidatos a apoios do Estado senão trabalhar ainda mais e produzir consequentemente melhor.

Numa linguagem mais popular, teriam que deixar crescer as unhas antes de quererem tocar guitarra...

É um critério.

E, a priori, eu até acho positivo que se defendam critérios – concorde-se ou não com eles… – num país cada vez mais à deriva, no qual, muito especialmente na política, já poucos sabem ao certo quem é quem.

Por outro lado, porém, há que assumir as responsabilidades inerentes aos critérios que se defendem, o que também significa ter de se prestar um certo número de esclarecimentos.      

Admitindo como certo que o Senhor Secretário de Estado defende que só está disposto a apoiar a excelência, a minha primeira pergunta como cidadão é solicitar que nos dê um exemplo de algo que já tenha subsidiado – ou se prepare para subsidiar – e que considere excelente.

Trata-se de algum teatro comparável, por exemplo, ao Burgtheater de Viena? De alguma orquestra comparável à Filarmónica de Berlim? De alguma sala de ópera ou de bailado ao nível do Bolshoi de Moscovo, do Carnegie Hall de Nova Iorque ou do Scala de Milão?...

Na verdade, os exemplos atrás citados, merecem, de facto, a classificação de excelência, mas nada têm que ver com adjectivações mais próprias do nosso meio, tais como “digno”, “aceitável”, “razoável”, ou mesmo, na melhor das hipóteses, “bastante bom”.

Em Portugal, a excelência é, sem dúvida, atingida, mas só a nível individual - livros de um Saramago, quadros de um Júlio Pomar, recitais de piano por um Artur Pizarro ou de poesia por uma Eunice Muñoz, monólogos como a “Maria Parda” da Maria do Céu Guerra, etc. - ou tratando-se de pequenos grupos.

Eu estou a lembrar-me de um grupo de câmara – inequivocamente excelente -, cujos membros, tudo músicos de primeira classe mundial, só poderão levar para casa cerca de 300 Euros, no caso de fazerem um concerto em determinada cidade do país.

É com semelhantes apoios que se promove a excelência?

E acaso pensará o Senhor Secretário de Estado que, mesmo abrindo  a bolsa para pagar a um convidado especial, um espectáculo de ópera no São Carlos  (em cujo fosso de orquestra, para já, nunca poderá caber o número de instrumentos e de músicos exigidos  por Wagner…!) poderá verdadeiramente classificar-se de excelente?!

Por cá, deverá saber o Senhor Secretário de Estado da Cultura, faz-se o que se pode e, muitas vezes, é graças a verdadeiros milagres de talento, de perseverança, de generosidade e de verdadeiro amor pela Cultura.

Aceitamos como justos os aplausos e os elogios que reflictam um sincero incentivo para que continuemos na luta que travamos; até admitimos que, nalguns casos, nos vejam como heróis; mas ninguém será tão inconsciente que acredite ser possível fazer em Portugal uma integral de Mahler, de Bruckner ou de Stravinsky, por exemplo, que mereça o rótulo de verdadeira excelência!

E todavia, se olharmos à impressionante quantidade de jovens talentos que tem vindo a manifestar-se na Música (e também poderia decerto falar no Teatro, no Cinema e noutras artes!) até nem estaríamos assim tão longe desse objectivo. Bastava um pouco mais de azul no vesgo horizonte dos vários poderes - não só o político, tome-se nota… - que deixam a Cultura morrer à beira da praia, afogada em desesperança, enquanto uma intelectualidade cangalheira irá preparando comovidas homenagens aos futuros defuntos.

Sem um verdadeiro e consistente apoio, a tal excelência a que o Senhor Secretário de Estado terá dito que aspira, só se consegue fora das nossa fronteiras, razão pela qual irão embora os melhores futebolistas, os melhores ciclistas, os melhores enfermeiros, os melhores investigadores e, aos poucos e poucos, os melhores em tudo.

E vamos à segunda pergunta:

Quem foi que classificou, - e a partir de que critérios - os eleitos à categoria de excelência?

O Senhor Secretário de Estado poderá sempre alegar que todas as escolhas e selecções, desde as classificações de um júri de danças de salão  aos veredictos de um tribunal, estão sempre sujeitas a um certo grau de subjectivismo.

Todos sabemos isso, incluindo o Monsieur de La Palisse.

Mas é possível - e cada vez mais urgente – estabelecer uma diferenciação entre o subjectivismo de um julgamento, perfeitamente legítimo, e determinados actos de pura irresponsabilidade que vão corroendo com carunchoso afã a vida de uma imensidade dos nossos dos artistas.

Para julgar há também que poder ser julgado, através de indicadores de prestígio curricular, tanto ao nível profissional como até académico - a despeito de uma alarmante desvalorização dos títulos de “Doutor”, outrora uma consagração do mérito, hoje quase uma obrigação na luta por qualquer emprego…

Ora, é importante que o Senhor Secretário de Estado esclareça quem é que julga quem, nomeadamente segundo os seus severíssimos critérios de excelência obrigatória.

Imaginemos, por exemplo, que alguém envia para o Senhor Secretário de Estado uma partitura coral-sinfónica, por exemplo, sem nenhuma assinatura que possa identificar o autor, no intuito de a ver incluída na programação de qualquer evento mais ou menos directamente subsidiado pelo Estado.

O Senhor Secretário de Estado apelará decerto para os seus especialistas. Mas estarão esses especialistas (que não sei quem são, mas talvez seja ignorância minha, pelo que me abstenho de avançar com quaisquer comentários favoráveis ou desfavoráveis)  em condições de garantir através da leitura das pautas que a obra em questão é mesmo excelente ou apenas de razoável qualidade? Estarão esses julgadores em condições de assumir por inteiro a responsabilidade pelos seus conselhos ou veredictos? Terão eles, como decisores da carreira e da própria vida de muitas pessoas, a mesma excelência que o Senhor Secretário exige às obras ou aos projectos?

Desejava-se, sem dúvida, uma resposta elucidativa e tranquilizadora, pois é natural que se deseje saber quem é que nos julga ou classifica.

Mas sendo tão escassa a fatia do orçamento de Estado que vai para o Palácio da Ajuda, também seria absurdo que um Secretário de Estado e os seus colaboradores revelassem uma qualidade excepcional no seu trabalho.

Portanto, apenas se aconselha que o Senhor Secretário de Estado encare de frente as realidades do seu país e admita que, dentro dos seus modestos recursos, lá vai fazendo o que pode, obviamente sem excelência.

Acontece, entretanto, que talvez pudesse fazer, não muito mais, mas um pouco melhor, sobretudo se escutasse mais pessoas, nomeadamente os profissionais das diversas artes, gente habilitada a abrir-lhe os olhos para um mundo que talvez só conheça em teoria, como espectador de camarote.

A tecnologia que hoje permite organizar com uma eficácia e uma celeridade nunca outrora conhecidas todo o tipo de manifestações de rua, também poderá ser utilizada, parece-me, como instrumento desse maior diálogo entre cidadãos e instituições, evitando-se desde logo a perda de tempo e paciência no agendamento de audiência formalistas, cheias de “Vossas Excelencias”, mas sem conduzirem, na maioria dos casos, a nada que ajude a produzir excelência.

Esta será, portanto, a minha primeira participação nessa rede de contactos e informação.

E, precisamente, para contestar com um exemplo o critério alegadamente defendido pelo Senhor Secretário de Estado, vou referir o caso do Teatro Nacional de São Carlos, ao que se diz, uma das instituições culturais mais subsidiadas deste país.

Penso que ninguém pretenderá afirmar que a sala do São Carlos  goza de qualquer índice desejável de popularidade.

Como já escrevi atrás, não é um teatro com condições para oferecer récitas de uma qualidade realmente comparável aos grandes teatros estrangeiros; e mesmo que invista assinaláveis quantidades do seu dinheiro a contratar, por exemplo, uma grande cantora ou um grande cantor, aquilo que for gasto com esses artistas irá faltar para outros elementos que são essenciais a um espectáculo que assenta muito especialmente no todo.

Com efeito, a ópera é por essência um espectáculo completo, derivando daí o seu próprio nome: Opera, palavra italiana, significa Obra.

Ora, apesar de uma choruda parcela do orçamento atribuído à Cultura ir, segundo sei, para os chamados teatros nacionais, nem por isso a população de Lisboa encara o edifício do largo de São Carlos com uma referência topográfica:

- É um teatro ou coisa parecida que fica ali para os lados do Governo Civil, não é…? - costuma ser a reacção dos taxistas.

Contudo, o São Carlos até tem recentemente obtido um êxito bastante satisfatório com os espectáculos na rua: segundo sei, a população de Lisboa adere, ouve em silêncio, aplaude no final e pergunta quando é o próximo.

Até hoje, independentemente do vento - que é o grande inimigo de todos os espectáculos ao ar livre… - nunca ouvi falar de forma depreciativa, antes pelo contrário, dessa iniciativa. E se o espectáculo oferecido ao público for, por exemplo, um recital por um grande solista ou por um óptimo grupo de câmara, até poderá revestir-se de uma efectiva excelência.

Ora, daqui resultará, parece-me, que alguns desses espectadores de rua - que jamais terão sequer pensado entrar num teatro de São Carlos totalmente impopular - comecem a admitir realizar essa experiência, transformando uma dispendiosa espécie de sarcófago de memórias num espaço vivo de verdadeira Cultura.

Logo, parece-me que o Senhor Secretário de Estado deveria atentar nesse fenómeno e concluir que os caminhos certos são, de facto, os que levam a Cultura ao comum das pessoas e não aqueles que assentam em quaisquer utópicas excelências, destinadas a minorias economicamente mais protegidas.

Haverá efectivamente que divulgar as Artes e a Cultura junto do maior número possível de núcleos populacionais; haverá que fazer concertos pela chamada província - pois o público acorre às centenas ou mesmo aos milhares (e disso tenho eu provas muito concludentes…) -;  haverá que  dar sempre o nosso melhor, jamais cedendo por desleixo ou preguiça à defesa intransigente da qualidade possível; mas também haverá que não usar de qualquer arrogância, proclamando e exigindo uma excelência que, no actual estado da nação, não passa de uma incoerência risível e absurda: pobres na educação, na saúde, na habitação, na qualidade de vida, mas alegadamente opulentos nos grandes palcos ou na ópera!

Haja ou não qualquer reacção por parte da Secretaria de Estado, estou disposto a usar, a partir de agora, este meio de comunicação das ideias, no qual até me estreei a fazer um sincero elogio, pois o que é preciso é apoiar o que for bom - e não mascarar o que está errado.

 

Com os meus cumprimentos

António Victorino D’Almeida

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por Augusta Clara às 08:00

Quarta-feira, 03.07.13

Carta Aberta a Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa - Pedro Abrunhosa

 

Pedro Abrunhosa  Carta Aberta a Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa

 

 

 

Exmo Senhor Presidente da República
 

Num dos mais conturbados e tristes momentos da História Portuguesa, a última coisa farei será remeter.me ao silêncio ou assistir, passivo, ao  violento bater da bigorna que tem esmagado o país.

Depois de 48 anos de ditadura, altura em que a República foi suspensa e  a voz da esmagadora maioria da população amordaçada, Portugal viveu uma verdadeira primavera: a Revolução  de 25 de Abril de 1974. Esta,  devolveu não só a voz ao povo, como, e sobretudo, a sua Dignidade.

Instaurada a democracia, abolida a censura, aniquilada a vergonhosa polícia secreta, a PIDE, legalizaram.se os partidos e legitimou.se um Governo nas urnas, pela primeira vez em meio século. E assim aconteceu. O País passou ordeiramente da pior das ditaduras à candura da Democracia. E todos aplaudimos porque essa foi a nossa vontade, e, por tal sonho, milhares de portugueses haviam perecido, sido torturados ou simplesmente abatidos, na cobardia escura dum dos muitos cárceres do Estado Novo.

Volvidos 39 anos sobre a corajosa Revolução dos Capitães, pergunto.me onde teremos falhado nós os que sonhámos um País sem pobres, sem desafortunados, sem excluídos, onde haja direito a Saúde, Justiça, Ensino integralmente gratuitos para todos, todos, todos os Portugueses. Assim o consagrámos na Constituição, assim foi sufragada pelos partidos que nós elegemos, assim consta dessa suprema Lei à qual eu agora apelo e anseio se faça cumprir de vez.

Onde foi, neste percurso de Democracia já madura, que decidimos que eram os ' mercados' a quem devia Portugal prestar contas e não aos seus, aos Portugueses, aos que pela manhã se levantam e labutam até ao cair do sol, aos que pagam do fundo do seu já desgastado bolso a imensa fatia com que alimentam uma obscura máquina fiscal que, por sua vez, pouco lhes dá em troca? Que segurança poderão ter os Portugueses, agora que o contrato social foi quebrado e as reformas que descontaram durante décadas servem para suprir fundos privados de ' segurança social' a quem um dia recorrerão e obterão um 'não' como resposta garantida? Que Democracia é esta? A quem entregámos nós o poder ao longo destas quatro décadas, e que lentamente foi deixando cair, um após outro, todos os avanços civilizacionais que havíamos conquistado à força do voto e da inocência colectiva? Porque regredimos tanto e empossámos um Presidente que jurou fidelidade à nossa Constituição e que, permita.me V. Exa, na realidade, a parece desprezar?

Que Governos tem sido estes, por nós permitidos, que tem sabido manter as hostes bem alinhadas, bem alimentadas, numa massa balofa de nacional.favorismo onde já não impera ideologia alguma mas a lei do mais selvático capitalismo, o contratozinho assinado agora 'enquanto for ministro, secretário de estado, para dele usufruir amanhã quando for gestor da parte contrária'? Até que ponto fomos cegos ou apenas não quisemos ver que venderam Portugal fatiado, a metro, a granel às mega Corporations a quem temos ainda que pagar o que é legitimamente nosso se quisermos os ossos de volta ? Como permitiram as elites dos Partidos do falacioso 'arco do poder ' que esses nobres instrumentos de Democracia fossem tomados de assalto por uma gente arrivista, sem qualquer preparação política, anti.democaratas, que os usaram, desafazendo.os aos olhos de todos nós, para arranjarem o emprego, talvez a quimera de riqueza, que fora deles jamais conseguiriam? Como deixámos nós, eleitores, militantes, simpatizantes, que isto acontecesse debaixo das nossas barbas? Apenas pelo recato do nosso impuro silêncio.

E quem ajuda V.Exa, senhor  Presidente da Republica, que afinal é nosso e devemos.lhe respeito institucional, a terminar o mandato com alguma dignidade para que reste Dignidade a nós, Portugueses, pagadores de impostos e pouco mais?

E que fazer a este Governo, morto como um feto no útero e que teima ainda que tem personalidade jurídica, autoridade, sabedoria?

Nestes pobres e tristes dias de verão de 2013, pautados pelo calor tardio e a cegueira medíocre dos que ocupam de momento as cadeiras do poder, não me podia permitir o silêncio.

Como cidadão ainda livre, reclamo eleições. Quero legitimar um Governo que me legitime e não me traía.

Aja, senhor Presidente da República. Ouça aqueles que votaram em si. E, por uma vez, os que não votaram também. Somos todos Portugueses. E queremos todos estar consigo ao tomar esta difícil, mas inultrapassável, decisão. O povo Português saberá manter.se ordeiro mas não submisso. Que desta tremenda instabilidade se construa a verdadeira Paz. Em Paz. Sempre em Paz
 

Com os mais cordiais cumprimentos,

Pedro Abrunhosa

Lisboa, 2. Jul. 2013

 

 

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por Augusta Clara às 10:00

Quarta-feira, 13.02.13

Mais uma jovem que deixa o país – Carta aberta de Ana Isabel Oliveira a Cavaco Silva

 

Ana Isabel Oliveira  Carta aberta

 

 

 

Exmo. Sr. Presidente da República,

 

Começo hoje o meu caminho de saída. Saio do meu país levando comigo os meus trinta anos, os meus sonhos, a minha força e vontade de trabalhar. Saio do meu país escorraçada por uma economia podre e corrupta; por políticas sujas e elitistas; por políticos que há mais de trinta anos governam as suas vidas ao invés de governar o país. Onde o senhor se inclui, Sr. Presidente da República.

Começo hoje o meu caminho de saída. E deixo para trás um país que premeia o trabalho com pedidos de sacrifícios, o esforço de uns com a opulência descarada da vida de outros, os sonhos com frustração e desespero. Deixo um país a lutar pelo futuro e levo comigo a mágoa de não ficar para a luta. Mas a minha vida já esperou de mais; o meu filho de dois anos já esperou demais, já deve demais. Viver neste país tem sido uma teimosia que, para mim, termina agora.

Não sei se volto. Farei parte da grandiosa diáspora que V/ Ex.ª se farta de elogiar e louvar em folclóricos eventos, de gente que foi escorraçada do seu país? Serei um dos brilhantes cérebros em que os país investiu e que, estupidamente, mandou embora? Serei um dos repetidos exemplos daqueles que só depois de deixar o país alcançam o respeito do mesmo país que os ignorou enquanto lutavam por ele? Serei uma pessoa, mais uma, uma cabeça e um corpo a lutar num país que não é o seu? Isso, de certeza.

Deixo o meu país e sei que vou encontrar oportunidades novas e novos desafios. Mas não vo-lo agradeço. E dispenso os discursos paternalistas de que “há males que vêm por bem”, de que devo receber com entusiasmo as dificuldades da minha vida porque elas escondem oportunidades imperdíveis. Dispenso esse discurso porque o meu país me retirou a possibilidade de escolha. Dispenso o seu paternalismo. A sua pena. O seu desprezo pela classe a que pertenço. Dispenso os seus discursos, os seus silêncios, as suas palavras, as suas reservas em contribuir para a governação de um país onde é Presidente da República. Dispenso-o.

Ainda assim, dirijo-me a si, porque, contra a minha concordância e o meu voto, é o Presidente da República do meu país. E tem responsabilidades, E devia pagar pela culpa que tem no estado a que as coisas chegaram. E como não paga, tem, ao menos, de me ouvir.

Começo hoje o meu caminho de saída. De si, Sr. Presidente da República que se dispensa de o ser, dispenso tudo. De si e de todos aqueles que, neste momento, encaminham o meu país para o abismo.


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por Augusta Clara às 09:00

Quarta-feira, 30.01.13

Segurança Social versus pensionistas, reformados e aposentados (Carta aberta a Pedro Passos Coelho) - Maria da Conceição Batista

 

Maria da Conceição Batista  Carta aberta a Pedro Passos Coelho

 

 

FALEMOS SÉRIO!!!!

 

    Pedro é o trato que usarei para me dirigir a ti, naquilo que há para falarmos sério. Porque sou veterana, apesar de ter consciência de que não somos amigos.

Não és meu amigo, como me trataste, hipocritamente e de forma quase insultuosa, na tua mensagem de Natal. Eu não sou tua amiga, porque não tenho como amigos quem me insulta, quem procura humilhar-me, que mente e me tira o que a mim me pertence. Amigos respeitam-se. E eu não me sinto respeitada por ti, Pedro.

E não sou hipócrita ao dizer frontalmente o que sinto, na pele daquilo que é hoje o meu estatuto: pensionista, reformada APÓS 49 ANOS DE TRABALHO. Mais anos do que aqueles que tens de vida, Pedro.

Falemos sério, Pedro. Porquê essa obstinada perseguição àqueles que construíram riqueza nacional ao longo de muitos anos de trabalho, enquanto tu, Pedro, crescias junto de pais que, creio, trabalhavam para tudo te darem, e que hoje não valorizas  como esforço enquanto cidadãos e enquanto pais?

Porquê essa perseguição obsessiva àqueles que construíram um país de verticalidade, de luta e resistência, enquanto caminhavas nas hostes dos boys de um partido disponível para compensar aqueles que gostam de “engrossar” a voz, mesmo que desrespeitando os que tudo fizeram pela conquista do espaço democrático, onde cresceste em liberdade? Uma liberdade conquistada, muito suada, e por isso ainda mais digna de ser respeitada.

Respeito, Pedro, é o que se exige por aqueles que hoje persegues, lesto e presto  sem sentido, como que procurando um extermínio que não ousas confessar.

Falemos sério, Pedro. É tempo de falares sério, apesar do descrédito em que caíste. E falemos sério sobre reformas, sobre pensionistas e sobre Segurança Social.

Não fales sobre o que desconheces. Não te precipites no que dizes.  Não sejas superficial, querendo parecer profundo apenas porque, autoritariamente, “engrossas” a voz. Não entregues temas tão complexos ao estudo de “garotos”, virgens no saber-fazer. Não entregues estudos a séniores que, vendendo a alma ao diabo, se prestam a criar cenários encomendados, para servirem os resultados que previamente lhes apresentaste, Pedro. E os resultados são, como podemos avaliar, desastrosos, Pedro. Económica e socialmente.

Vamos falar sério, Pedro. Não porque tu o queiras, mas porque eu não suporto mais a humilhação que sinto com as falsidades ardilosas lançadas para o ar, sobre matérias que preferes ignorar, porque nem sequer as estudas.

A raiva cresce dentro de mim, porque atinge a verticalidade e honestidade que sempre nortearam a minha vida, Pedro. Uma raiva que queima, se silenciada, E não me orgulho disso, podes crer Pedro.

Vamos por fases cronológicas que te aconselho a estudar:

a)   Pedro, por acaso sabes que o sistema que hoje se designa por “Segurança Social” deriva da nacionalização – pós 25 de Abril – das “Caixas de Previdência” sectoriais, que antes existiam?

b)   Por acaso sabes, Pedro, que o Estado português recebeu, sem qualquer custo ou contrapartida, os fundos criados nestas Caixas de Previdência, a partir das contribuições dos trabalhadores e dos seus empregadores?

c)   Por acaso sabes que a Caixa Geral de Depósitos – Banco estatal de Valores e de credibilidade inquestionável – é, acrescidamente, património dos muitos reformados e pensionistas que hoje somos? É, Pedro, a CGD era o Banco obrigatório por onde passavam as contribuições destinadas às Caixas de Previdência, mas entregava a estas, as contribuições regulares, apenas 4, 5 e 6 meses depois. Financiando-se com estas contribuições e sem pagar juros às Caixas, Pedro?

Por isso sou contra qualquer alienação da CGeral. Também está lá muito de mim. Um muito que deveria estar na Segurança Social nacionalizada…para ser bem gerida.

d)   Sabes por acaso, Pedro, que o Estado Português nunca reembolsou a Segurança Social pela da capitalização que conseguiu com a “nacionalização” das Caixas, como o fez aos Banqueiros?

e)   Saberás, Pedro, que a “nacionalização” das Caixas de Previdência” se deve à necessária construção de um verdadeiro Estado Social,  para o qual, maioritariamente, é a Segurança Social que contribui, sem as devidas e indispensáveis contribuições do Estado? Um Estado Social criado de base a partir dos “dinheiros” pertença daqueles que hoje são reformados e pensionistas. E que por isso exigem respeito pelo seu contributo mas, igualmente, exigem sejam bem geridos, porque ao Estado foram confiados contratualmente. Para me serem reembolsados mais tarde.

E boa gestão, Pedro, é  coisa que não vejo na Segurança Social, sujeita a políticas de bastidores duvidosas e para as quais nunca fui consultada.  Acredita, Pedro, os reformados, pensionistas e aposentados, sabemos o que dizemos quando afirmamos tudo isto, porque ainda temos muita capacidade – suportada por uma grande e valiosa experiência – para sermos um verdadeiro governo de bastidores. Com mestria, com sabedoria, com isenção e sem subserviências.

f)    Por acaso sabes, Pedro, que a dívida do Estado à Segurança Social é superior à dívida externa, hoje nas mãos da chamada “troika”?

Pois é, Pedro, a dívida sob o comando da troika é de 78 mil milhões de Euros, é? A dívida à Segurança Social, aos milhões de contribuintes, muitos deles hoje reformados, é de 80 mil milhões de dívida. Valor que cresce diariamente, porque o Estado é um mau pagador. Uma dívida que põe em causa não só os créditos/reembolsos aos reformados e pensionistas, na forma contratada, mas igualmente as obrigações/compromissos intergeracionais.

Porque estás tão preocupado em “honrar” os compromissos com o exterior e não te preocupas em honrar os compromissos para com os credores internos que são, entre muitos, os aposentados, os reformados e os pensionistas, antes preferindo torná-los no “bombo de festins” de um governo descontrolado?

Falemos sério, Pedro. Reabilita-te com alguma honra, perante um programa eleitoral que te levou, precocemente, ao lugar que ocupas. Um lugar de representatividade democrática, que te obriga a respeitar os representados. Também os reformados, aposentados e pensionistas votam.

E falando sério, mas com muita raiva incontida, Pedro, vou dar-te o meu exemplo, apenas como exemplo de muitas centenas de milhar de casos idênticos.

a)   Trabalhei 49 anos. Fui trabalhadora-estudante. E sem Bolonhas e/ou créditos, licenciei-me com 16 valores, a pulso. Nunca fui trabalhadora e/ou estudante de segunda. E fui mãe, num pais em que, na época, só havia 1 mês de licença de maternidade e creches a partir dos dois anos de idade das crianças. Como foi duro, Pedro. E lutei, ontem como hoje, para a minha filha, a tua Laura, as tuas filhas e muitas mais jovens portuguesas, terem mais do que eu tive. A sociedade ganha com isso. O Estado Social também tem obrigações pela continuidade da sociedade, pela contínua renovação geracional. Lutei, Pedro, muito mesmo e sinto muita honra nisso como me sinto orgulhosa do que conquistou a minha geração.

b)   Fiz uma carreira profissional, também ela dura, também ela de luta, numa sociedade que convencionou dar supremacia aos homens. Um poder dado, não conquistado por mérito reconhecido, Pedro. Por isso tão lenta a caminhada pela “Igualdade”.

c)   Cheguei ao topo da carreira, mas comecei como praticante. Sem “ajudas”, sem “cunhas”, sem “padrinhos” e/ou ajuda de partidos. Apenas por mérito próprio, duplamente exigido por ser Mulher. Um caminho que muito me orgulha e me enformou de Valores, Honra e Verticalidade. Anonimamente, mas activa e participadamente.

d)   No final da minha carreira profissional, eu e os meus empregadores, a valores capitalizados na data em que me reformei, (há dois anos) tínhamos depositado nas mãos da Segurança Social cerca de 1 milhão de Euros.

    Ah! É bom que se lembre que os empregadores entregam as suas contribuições para a conta do/a seu/sua funcionário/a. Não é para qualquer abutre esperto se apropriar dele. O modelo que Churchil idealizou – e protagonizou – após a 2ª guerra mundial. Uma compensação no desequilíbrio entre os rendimentos do Capital e os do Trabalho, e que foi adoptado em Portugal ainda antes do 25 de Abril.

   Quase um milhão de Euros, Pedro. Só nos últimos 13 anos de trabalho foram entregues 200 mil Euros à Segurança Social, entre mim e o empregador.

   A minha pensão vem daí, Pedro. De tudo o que, confiadamente, entreguei à gestão da Segurança Social, num contrato assinado com o Estado Português. E já fui abrangida pelo sistema misto. E já participei no factor da sustentabilidade, beneficiando o Estado Social.

e)Mas há mais, Pedro. A esse cerca de1  milhão de Euros, à cabeça dos cálculos da minha pensão, retiraram  às minhas contribuições, à minha  “conta”, 20%, ou seja 200 mil Euros. Como contributo para o Estado Social. Para a satisfação do compromisso que devo para com as gerações seguintes. Para o Serviço Nacional de Saúde, para um melhor bem estar da sociedade portuguesa.

E o dinheiro que se encontra – em depósito – nas mãos do Estado português através da Segurança Social, é de cerca de 800 mil Euros. Que eu exijo bem gerido e intocável.

      f)Valor que, conforme os meus indicadores familiares (melhores      que a  média das estatísticas) da esperança de vida (85 anos em média), daria para uma pensão anual de 40.000€ actualizada   anualmente pela capitalização dos meus fundos. É bom que saibas que, sobre este valor, eu pagaria cerca de 16.000€ de IRS, fora os demais impostos. Mas, por artes de uma qualquer “engenharia financeira” nunca recebi nada disto.

Mas se aquele valor, que foi criado pelas contribuições de tantos anos de trabalho, estiver nas minhas mãos e sob a minha gestão, matéria em que fui profissional qualificada e com provas dadas, eu serei uma Mulher que poderá dormir descansada, porque serei  independente para mim e para ajudar filhos e netos, sem ter que acordar de noite angustiada.

É, Pedro, falemos sério e honra os compromissos que o Estado tem para comigo. Dá instruções ao Ministério da Solidariedade Social(?) para que me entregue o “meu dinheiro”. O MEU, Pedro!

E vou refazer contas:

a)   De modo frio, direi que o Estado tem que pôr à minha disposição os 100% de contribuições que lhe foram confiadas, ou seja, os cerca de 1 milhão de Euros.

b)   Arredondando, e muito por excesso, descontando os valores  de que já fui reembolsada, o Estado português deve-me 900.000€. É esta a verba que quero que o Estado português me pague, porque é este o valor de que sou credora.

c)   Gerindo eu esta verba podes crer, Pedro, que só com os rendimentos que obtenho da sua aplicação, e já depois de impostos pagos, terei mais do que o valor que tenho hoje como pensão. É simples, Pedro, e deixo de ser uma “pedra no sapato” dos governantes. Deixo de ser “um impecilho” na boca de “garotos” que não sabem o que dizem. E, de uma Mulher anónima com honra e verticalidade, que sou hoje, passo a ser uma Mulher rica, provavelmente colunável, protegida por todos os governantes, mesmo que a ética perca a sua verticalidade e a moral passe a ser podre.

Mas porque é tempo de falares sério, Pedro, fala aos portugueses a verdade sobre assuntos que nos interessa:

- quanto é que o cidadão e político Pedro Passos Coelho já descontou para a Segurança Social e/ou ADSE?

- quanto receberias hoje de reforma se, conforme as excepções de privilégio na lei, te reformasses?

- quanto descontam os deputados e demais políticos para a Segurança Social ou ADSE?

- qual o montante de reforma a que têm acesso, privilegiadamente, e ao fim de quantos anos de exercício da política, independentemente da sua idade?

- Quem, e quanto recebem de reforma vitalícia, ex-governantes e outras figuras políticas, só pelo exercício de alguns anos em cargos  públicos?

- qual o sistema de Segurança Social que suporta estas reformas  e a quem pertence esse dinheiro? São os OE’S que o suportam, ou são os “dinheiros” daqueles que contribuíram e/ou contribuem para o Sistema?

- sendo o Estado uma entidade empregadora, qual o valor da sua contribuição (%) para a ADSE ou Segurança Social, por trabalhador? E as contas, estão regularizadas?

Falemos sério, Pedro! Os reformados exigem a verdade mas, igualmente, exigem respeito, por nós e pelo nosso dinheiro que, abusivamente, vai alimentando o despesismo de um Estado que vive de mordomias elitistas, acima das capacidades do país. Isso sim, Pedro!!!!!!!!

A reformada,

M.Conceição Batista

Lx. 19/01/2013

PS – Aguardo que me seja entregue o meu dinheiro, conforme mencionei atrás. Tenho vida a organizar

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por Augusta Clara às 10:00

Sexta-feira, 30.11.12

Carta Aberta a Passos Coelho

 

 

Exmo. Senhor Primeiro-Ministro,

 

Os signatários estão muito preocupados com as consequências da política seguida pelo Governo.

 

À data das últimas eleições legislativas já estava em vigor o Memorando de Entendimento com a Troika, de que foram também outorgantes os líderes dos dois Partidos que hoje fazem parte da Coligação governamental.

 

O País foi então inventariado à exaustão. Nenhum candidato à liderança do Governo podia invocar desconhecimento sobre a situação existente. O Programa eleitoral sufragado pelos Portugueses e o Programa de Governo aprovado na Assembleia da República, foram em muito excedidos com a política que se passou a aplicar. As consequências das medidas não anunciadas têm um impacto gravíssimo sobre os Portugueses e há uma contradição, nunca antes vista, entre o que foi prometido e o que está a ser levado à prática.

 

Os eleitores foram intencionalmente defraudados. Nenhuma circunstância conjuntural pode justificar o embuste.

 

Daí também a rejeição que de norte a sul do País existe contra o Governo. O caso não é para menos. Este clamor é fundamentado no interesse nacional e na necessidade imperiosa de se recriar a esperança no futuro. O Governo não hesita porém em afirmar, contra ventos e marés, que prosseguirá esta política - custe o que custar - e até recusa qualquer ideia da renegociação do Memorando.

 

Ao embuste, sustentado no cumprimento cego da austeridade que empobrece o País e é levado a efeito a qualquer preço, soma-se o desmantelamento de funções essenciais do Estado e a alienação imponderada de empresas estratégicas, os cortes impiedosos nas pensões e nas reformas dos que descontaram para a Segurança Social uma vida inteira, confiando no Estado, as reduções dos salários que não poupam sequer os mais baixos, o incentivo à emigração, o crescimento do desemprego com níveis incomportáveis e a postura de seguidismo e capitulação à lógica neoliberal dos mercados.

 

Perdeu-se toda e qualquer esperança.

 

No meio deste vendaval, as previsões que o Governo tem apresentado quanto ao PIB, ao emprego, ao consumo, ao investimento, ao défice, à dívida pública e ao mais que se sabe, têm sido, porque erróneas, reiteradamente revistas em baixa.

 

O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo.

 

A recente aprovação de um Orçamento de Estado iníquo, injusto, socialmente condenável, que não será cumprido e que aprofundará em 2013 a recessão, é de uma enorme gravidade, para além de conter disposições de duvidosa constitucionalidade. O agravamento incomportável da situação social, económica, financeira e política, será uma realidade se não se puser termo à política seguida.

 

Perante estes factos, os signatários interpretam – e justamente – o crescente clamor que contra o Governo se ergue, como uma exigência, para que o Senhor Primeiro-Ministro altere, urgentemente, as opções políticas que vem seguindo, sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República, poupando assim o País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências.

 

É indispensável mudar de política para que os Portugueses retomem confiança e esperança no futuro.

 

PS: da presente os signatários darão conhecimento ao Senhor Presidente da República.

 

Lisboa, 29 de Novembro de 2012

 

MÁRIO SOARES

ADELINO MALTEZ (Professor Universitário-Lisboa)

ALFREDO BRUTO DA COSTA (Sociólogo)

ALICE VIEIRA (Escritora)

ÁLVARO SIZA VIEIRA (Arquiteto)

AMÉRICO FIGUEIREDO (Médico)

ANA PAULA ARNAUT (Professora Universitária-Coimbra)

ANA SOUSA DIAS (Jornalista)

ANDRÉ LETRIA(Ilustrador)

ANTERO RIBEIRO DA SILVA (Militar Reformado)

ANTÓNIO ARNAUT (Advogado)

ANTÓNIO BAPTISTA BASTOS (Jornalista e Escritor)

ANTÓNIO DIAS DA CUNHA (Empresário)

ANTÓNIO PIRES VELOSO (Militar Reformado)

ANTÓNIO REIS (Professor Universitário-Lisboa)

ARTUR PITA ALVES (Militar reformado)

BOAVENTURA SOUSA SANTOS (Professor Universitário-Coimbra)

CARLOS ANDRÉ (Professor Universitário-Coimbra)

CARLOS SÁ FURTADO (Professor Universitário-Coimbra)

CARLOS TRINDADE (Sindicalista)

CESÁRIO BORGA (Jornalista)

CIPRIANO JUSTO (Médico)

CLARA FERREIRA ALVES (Jornalista e Escritora)

CONSTANTINO ALVES (Sacerdote)

CORÁLIA VICENTE (Professora Universitária-Porto)

DANIEL OLIVEIRA (Jornalista)

DUARTE CORDEIRO (Deputado)

EDUARDO FERRO RODRIGUES (Deputado)

EDUARDO LOURENÇO (Professor Universitário)

EUGÉNIO FERREIRA ALVES (Jornalista)

FERNANDO GOMES (Sindicalista)

FERNANDO ROSAS (Professor Universitário-Lisboa)

FERNANDO TORDO (Músico)

FRANCISCO SIMÕES (Escultor)

FREI BENTO DOMINGUES (Teólogo)

HELENA PINTO (Deputada)

HENRIQUE BOTELHO (Médico)

INES DE MEDEIROS (Deputada)

INÊS PEDROSA (Escritora)

JAIME RAMOS (Médico)

JOANA AMARAL DIAS (Professora Universitária-Lisboa)

JOÃO CUTILEIRO (Escultor)

JOÃO FERREIRA DO AMARAL (Professor Universitário-Lisboa)

JOÃO GALAMBA (Deputado)

JOÃO TORRES (Secretário-Geral da Juventude Socialista)

JOSÉ BARATA-MOURA (Professor Universitário-Lisboa)

JOSÉ DE FARIA COSTA (Professor Universitário-Coimbra)

JOSÉ JORGE LETRIA (Escritor)

JOSÉ LEMOS FERREIRA (Militar Reformado)

JOSÉ MEDEIROS FERREIRA (Professor Universitário-Lisboa)

JÚLIO POMAR (Pintor)

LÍDIA JORGE (Escritora)

LUÍS REIS TORGAL (Professor Universitário-Coimbra)

MANUEL CARVALHO DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa)

MANUEL DA SILVA (Sindicalista)

MANUEL MARIA CARRILHO (Professor Universitário)

MANUEL MONGE (Militar Reformado)

MANUELA MORGADO (Economista)

MARGARIDA LAGARTO (Pintora)

MARIA BELO (Psicanalista)

MARIA DE MEDEIROS (Realizadora de Cinema e Atriz)

MARIA TERESA HORTA (Escritora)

MÁRIO JORGE NEVES (Médico)

MIGUEL OLIVEIRA DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa)

NUNO ARTUR SILVA (Autor e Produtor)

ÓSCAR ANTUNES (Sindicalista)

PAULO MORAIS (Professor Universitário-Porto)

PEDRO ABRUNHOSA (Músico)

PEDRO BACELAR VASCONCELOS (Professor Universitário-Braga)

PEDRO DELGADO ALVES (Deputado)

PEDRO NUNO SANTOS (Deputado)

PILAR DEL RIO SARAMAGO(Jornalista)

SÉRGIO MONTE (Sindicalista)

TERESA PIZARRO BELEZA (Professora Universitária-Lisboa)

TERESA VILLAVERDE (Realizadora de Cinema)

VALTER HUGO MÃE (Escritor)

VITOR HUGO SEQUEIRA (Sindicalista)

VITOR RAMALHO (Jurista) -que assina por si e em representação de todos os signatários)

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por Augusta Clara às 14:00



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