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Jardim das Delícias


Domingo, 17.11.19

Ensaio de Amália Rodigues e Alain Oulman sobre o poema "Soledad" de Cecília Meireles

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Ensaio de Amália Rodigues e Alain Oulman sobre o poema "Soledad" de Cecília Meireles

 

 

 

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por Augusta Clara às 21:51

Quarta-feira, 19.08.15

As mãos que trago - Amália Rodrigues

a noite fez-se para amar 1a.jpg

 

Amália Rodrigues  As mãos que trago

(poema de Cecília Meireles)

 

 

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por Augusta Clara às 20:00

Terça-feira, 03.06.14

Motivo - Cecília Meireles

 

Cecília Meireles  Motivo

 

(Alphonse Mucha)

 

 

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

 

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

 

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

- não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

 

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

- mais nada.

 

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por Augusta Clara às 17:00

Sábado, 01.03.14

Canção - Cecília Meireles

 

Cecília Meireles  Canção

 

(Emile Berchmans)

 

 

Não te fies do tempo nem da eternidade,

que as nuvens me puxam pelos vestidos,

que os ventos me arrastam contra o meu desejo!

Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,

que amanhã morro e não te vejo!

 

Não demores tão longe, em lugar tão secreto,

nácar de silêncio que o mar comprime,

ó lábio, limite do instante absoluto!

Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,

que amanhã morro e não te escuto!

 

Aparece-me agora, que ainda reconheço

a anémona aberta na tua face

e em redor dos muros o vento inimigo...

Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,

que amanhã morro e não te digo...

 

(in Antologia Poética, Relógio d'Água)

 

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por Augusta Clara às 19:00

Quinta-feira, 12.12.13

5º. Motivo da rosa - Cecília Meireles


Cecília Meireles  5º. Motivo da rosa



(Adão Cruz)



Antes do teu olhar, não era,

nem será depois — primavera.

Pois vivemos do que perdura,

 

não do que fomos. Desse acaso

do que foi visto e amado: — o prazo

do Criador na criatura...

 

Não sou eu, mas sim o perfume

que em ti me conserva e resume

o resto, que as horas consomem.

 

Mas não chores, que no meu dia

há mais sonho e sabedoria

que nos vagos séculos do homem.


(in Cecília Meireles, Antologia Poética, Relógio d'Água)


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por Augusta Clara às 17:00

Quinta-feira, 03.10.13

Dia de chuva - Cecília Meireles

 

 

Cecília Meireles  Dia de chuva

 

(Shadi Ghadirian, fotógrafa iraniana)

 

 

As espumas desmanchadas

sobem-me pela janela,

correndo em jogos selvagens

de corça e estrela.

 

Pastam nuvens no ar cinzento:

bois aéreos, calmos, tristes,

que lavram esquecimento.

 

Velhos telhados limosos

cobrem palavras, armários,

enfermidades, heroísmos...

 

Quem passa é como um funâmbulo,

equilibrado na lama,

metendo os pés por abismos...

 

Dia tão sem claridade!

só se conhece que existes

pelo pulso dos relógios...

 

Se um morto agora chegasse

àquela porta, e batesse,

com um guarda-chuva escorrendo,

e, com limo pela face,

ali ficasse batendo

— ali ficasse batendo

àquela porta esquecida

sua mão de eternidade...

 

Tão frenético anda o mar

que não se ouviria o morto

bater à porta e chamar...

 

E o pobre ali ficaria

como debaixo da terra,

exposto à surdez do dia.

 

Pastam nuvens no ar cinzento.

Bois aéreos que trabalham

no arado do esquecimento.

 

(in Cecília Meireles, Antologia Poética, Relógio d'Água)

 

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por Augusta Clara às 17:00

Segunda-feira, 27.05.13

1º. Motivo da rosa - Cecília Meireles

 

Cecília Meireles  1º. Motivo da rosa

 

(Autor desconhecido)

 

 

Vejo-te em seda e nácar,

e tão de orvalho trémula,

que penso ver, efémera,

toda a Beleza em lágrimas

por ser bela e ser frágil.

 

Meus olhos te ofereço:

espelho para a face

que terás, no meu verso,

quando, depois que passes,

jamais ninguém te esqueça.

 

Então, de seda e nácar,

toda de orvalho trémula,

serás eterna. E efémero

o rosto meu, nas lágrimas

do teu orvalho... E frágil.

 

(in Cecília Meireles, Antologia Poética, Relógio d'Água)

 

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por Augusta Clara às 19:00



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