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Jardim das Delícias


Quinta-feira, 04.12.14

Ministro da Guerra de Obama destroçado pelo caos estratégico - Mário Ramírez, Washington, Martha Ladesic, Nova York, Charles Hussain, Beirute

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Mário Ramírez, Washington, Martha Ladesic, Nova York, Charles Hussain, Beirute  Ministro da Guerra de Obama destroçado pelo caos estratégico

 

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27 de Novembro de 2014

 

   O secretário norte-americano da Defesa, Chuck Hegel, demitiu-se esta semana em Washington, vítima do “caos estratégico” em relação ao Médio Oriente e ao terrorismo islâmico em que se afunda a Casa Branca.
“Em Washington já ninguém sabe qual é o caminho a adoptar contra Damasco e em relação ao Estado Islâmico, pelo que as deserções políticas a alto nível se tornam naturais”, diz um funcionário do Departamento de Estado. “A confusão é tal que posso dizer que Hegel foi vítima de si próprio, de Obama, de Bachar Assad e do ‘califa’ Ibraim do Estado Islâmico”, acrescentou.
De acordo com fontes políticas e analistas militares, Chuck Hegel demitiu-se de secretário (equivalente a ministro) da Defesa porque reclamava uma guerra de bombardeamentos aéreos contra o regime sírio como caminho para combater o Estado Islâmico (ou ISIS ou Deish), privando-o do seu suposto campo de recrutamento.
“O que Hegel pretendia era um absurdo”, afirma Joanna Herschell, investigadora militar em Nova York. “Teimava no derrube de Assad, uma estratégia que conduziu a Administração Obama ao seu actual beco sem saída, sabendo perfeitamente que não é a Síria o campo de recrutamento do ISIS, que vive sim dos dinheiros sauditas e das infiltrações de mercenários através da Turquia e da Jordânia - pelo menos até há pouco com apoio dos Estados Unidos”, afirmou Herschell.
Fontes do Pentágono revelam que “o último round do combate” que pôs o secretário da Defesa KO foi desigual: “travou-o contra Obama e o chefe do Estado Maior, Martin Dempsey, que de momento parecem mais inclinados para uma reabilitação do regime de Assad como melhor forma de travarem um terrorismo que criaram e agora parece fora de controlo… ou sob controlo de outros, como a Arábia Saudita”, de acordo com um general na reserva.
“Obama cometeu um erro crasso”, considera Joanna Herschell. “Seguiu os caminhos de George W. Bush e deu-lhes piores rumos porque não falhou apenas na guerra contra Assad como acabou por ficar nas mãos de grupos terroristas que formou e alimentou para derrubar Assad”. Segundo a investigadora, “Obama falhou em todas as frentes, incluindo a do novo mapa do Médio Oriente pois conseguiu desmembrar o Iraque mas deixou vastas regiões nas mãos dos terroristas do ISIS, dos curdos iraquianos, cada vez mais interligados com o regime turco, e de Bagdad, sob grande influência iraniana”.
O general na reserva assinala que Chucke Hegel tinha ainda um outro “ponto fraco” na sua estratégia, o reforço do chamado “Exército Livre da Síria”, o grupo “moderado” para derrubar Assad. “Essa carta nunca valeu nada, nem como propaganda”, diz o general, “porque o apoio a esse grupo acaba sempre nas mãos da Al Qaida e do ISIS”.
“Há ainda um outro aspecto no caos criado por Obama no Médio Oriente”, explica a fonte do Departamento de Estado. “Os Estados Unidos surgem agora afectados por uma necessidade de conseguir qualquer coisa com o Irão, se querem acalmar o clima com Damasco, e porque surgem desalinhados de uma teia regional que entretanto a Arábia Saudita, a Turquia… e a França foram criando, trabalhando para um novo mapa do Médio Oriente, sabendo-se ainda que Israel procurará sempre aproveitar, de cada situação, as circunstâncias que lhe forem favoráveis”.

Mário Ramírez, Washington, Martha Ladesic, Nova York, Charles Hussain, Beirute

 

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por Augusta Clara às 17:10

Segunda-feira, 17.11.14

Operação comando assassina cientistas nucleares em Damasco - Charles Hussain, Beirute

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Charles Hussain, Beirute  Operação comando assassina cientistas nucleares em Damasco

 

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13 de Novembro de 2014

 

   O assassínio de cinco engenheiros nucleares que trabalhavam num centro de investigação científica na zona de Barzeh, no norte de Damasco, “não tem assinatura de qualquer grupo terrorista que combate o regime, mas sim de gatilhos mais afinados”, comentam fontes diplomáticas em Beirute.
No ultimo domingo, cinco engenheiros nucleares viajavam num autocarro nas imediações do centro de investigação onde trabalhavam na capital síria e sofreram uma emboscada por um grupo de indivíduos armados. Nenhum escapou com vida ao atentado. Os criminosos sumiram-se sem deixar rasto.
Em Julho passado, seis pessoas que trabalhavam nas mesmas instalações foram vítimas do disparo de um morteiro feito por mercenários islâmicos, conhecidos no Ocidente por “rebeldes”.
Nos bastidores diplomáticos e militares de Beirute considera-se que os dois casos não estão relacionados, pelo menos directa e operacionalmente. “O atentado de domingo teve características de uma operação comando para eliminar peritos da área nuclear e podemos, por isso, compará-lo aos crimes cometidos em grande número em Teerão contra cientistas nucleares iranianos”, afirma um diplomata de um país do Médio Oriente. “É uma eliminação minuciosa, orientada, ao estilo das que os serviços secretos israelitas costumam efectuar um pouco por todo o mundo; e entre nós conhecemos muito bem a obsessão israelita de guardar o monopólio da actividade nuclear no Médio Oriente”, de acordo com a mesma fonte.
Algumas das informações divulgadas sobre o atentado partiram do chamado Observatório Sírio dos Direitos Humanos”, uma entidade com sede em Londres e patrocinada pelas potências que promovem a guerra civil na Síria. Coube ao grupo divulgar as supostas nacionalidades das vítimas: quarto sírios e um iraniano.
Teerão desmentiu, entretanto, a presença de cientistas nucleares iranianos na Síria, pelo que, de acordo com as fontes em Beirute, o “Observatório” “pode estar a cumprir o seu papel de contra-informação”
John Harvey, membro de uma “pool” de jornalistas presente actualmente na capital libanesa, sugeriu que o facto de a citada organização se ocupar em divulgar pretensas informações sobre as vítimas “revela que o atentado tem seguramente mais a ver com o terrorismo selectivo do que com o bas-fond dos mercenários que fazem a guerra por grosso”.

Charles Hussain, Beirute

 

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por Augusta Clara às 08:00

Sexta-feira, 07.11.14

Síria é a vítima da falsa guerra contra o Estado Islâmico - Charles Hussain, Beirute

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Charles Hussain, Beirute  Síria é a vítima da falsa guerra contra o Estado Islâmico

 

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2 de Novembro de 2014

 

   Os Estados Unidos estão a bombardear e a destruir as instalações petrolíferas pertencentes ao Estado Sírio, a pretexto de combater o contrabando de petróleo promovido pelo Estado Islâmico, quando este grupo terrorista não usa nem as refinarias nem os pipelines alvejados.
“Quando os meios de propaganda mundiais anunciam em grandes parangonas que ‘os Estados Unidos estão a bombardear instalações petrolíferas do ISIS’ (Estado Islâmico) estão a enganar duplamente as pessoas”, denuncia Peter Elliot, veterano frequentador dos bastidores da espionagem e da diplomacia em Beirute. “Por um lado”, diz, “as instalações pertencem à Síria e não ao ISIS, por quem, quando muito, teriam sido usurpadas com apoio dos Estados Unidos e aliados; por outro lado, o ISIS faz contrabando de petróleo não refinado e não usa pipelines, mas sim comboios de navios para o mercado negro na Turquia.”
As histórias do combate ao Estado Islâmico “estão muito mal contadas”, sublinha Peter Elliot, o que “acontece deliberadamente para tentar disfarçar os vínculos cúmplices que realmente existem entre os aliados ocidentais e os terroristas do ISIS”. Segundo a mesma fonte, “em vez de destruírem as refinarias e os pipelines da Síria que o ISIS não usa, ser-lhes-ia muito mais fácil atacar os comboios de navios que fazem o contrabando, recorrendo para isso aos meios operacionais que já têm em acção. Além de mais fácil seria mais eficaz, se o objectivo fosse mesmo o de acabar com o mercado negro de petróleo como fonte de receitas do Estado Islâmico”, segundo Peter Elliot.
Pierre D’Esterno, um técnico francês de indústria petrolífera estabelecido em Beirute, confirma a tese de Peter Elliot e enquadra-a numa perspectiva mais ampla.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 30.10.14

CIA contrata homens de Saddam Hussein para reduzir influência do Estado Islâmico - Charles Hussain, Beirute, Mário Ramírez, Washington

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Charles Hussain, Beirute, Mário Ramírez, Washington  CIA contrata homens de Saddam Hussein para reduzir influência do Estado Islâmico

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Embaixador dos Estados Unidos com o seu primeiro ministro do Iraque, Haidar Abadi

 

23 de Outubro de 2014

         Os serviços secretos dos Estados Unidos da América estão a tentar construir uma milícia sunita assente em antigos quadros do regime de Saddam Hussein para tentar minar a influência do Estado Islâmico no interior da comunidade sunita do Iraque, segundo fontes concordantes em Washington, Bagdade e Beirute.
“Criaram o monstro e agora tentam domá-lo porque exagera na ambição e para isso regressam mais uma vez aos tempos das alianças com as gentes de Saddam”, diz Anthony Eliot, presença veterana nos bastidores militares e de espionagem em Beirute. Para tal, prossegue, “a CIA procura entendimentos com figuras das hostes do antigo partido Baas de Saddam que foram proscritas pela invasão americana e depois recusaram integrar-se na estrutura do Estado Islâmico para combater na Síria e dividir o Iraque”.
De acordo com as fontes concordantes, as iniciativas da CIA estão a desenvolver-se a nível tribal no interior da comunidade sunita. Para já, explica Eliot, a espionagem norte-americana conseguiu o apoio da tribo Dulaym, mas a comunidade está muito fragmentada por várias razões: os norte-americanos tentam que a nova milícia fique sob tutela xiita ao nível do poder central; os sunitas, em geral, continuam revoltados com a presença militar e política norte-americana e a estratégia de poder partilhado entre xiitas e curdos; parte dos antigos quadros de Saddam juntaram-se ao Estado Islâmico na sua ofensiva através do Iraque porque “acham que têm pesadas contas a ajustar com o actual poder de Bagdade”, sublinha Anthony Eliot.
A estratégia norte-americana é comandada pelo próprio embaixador dos Estados Unidos em Bagdade, Robert Beecroft, segundo antigos funcionários do Pentágono bem informados sobre as acções da espionagem em curso no Médio Oriente.
“O embaixador já conseguiu o apoio dos sectores iranianos presentes no Iraque, como é o caso dos Guardas da Revolução, da milícia xiita de Mogtad al-Sadr e também do primeiro ministro iraquiano em exercício, o xiita Haidar Abadi”, afirma uma dessas fontes. No entanto, explica, “o chefe do governo de Bagdade precisa de ter o apoio do seu partido Al-Dawa, que até agora se tem oposto, o que é efectivamente um problema devido à precariedade da situação política na capital iraquiana”.
Segundo círculos iraquianos em Beirute, o principal esforço da CIA no âmbito destes planos é obter o envolvimento das tribos sunitas Anbar, a que pertencem grande parte dos principais quadros do Estado Islâmico. “A CIA conseguiu que o chefe destas tribos, Ali Hatem Suleiman, tenha contratado os serviços da Calex Partners nos Estados Unidos, uma empresa da Virgínia pertencente a Jonathan Greenhill, um antigo operacional dos serviços clandestinos da CIA”, segundo uma fonte bem informada sobre os circuitos da espionagem em Beirute. “Uma viragem das tribos Anbar poderia enfraquecer o Estado Islâmico nas suas zonas de maior influência e enraizamento e permitir assim à administração Obama conseguir uma partilha do Iraque através de sunitas mais ‘moderados’ do que a aposta anterior nos homens do califado de Bagdadi”, considera a mesma fonte.
“Este cenário revela na perfeição o que tem sido a anarquia estratégica americana no Médio Oriente”, deduz Anthony Eliot. “Os americanos aliaram-se a Saddam, depois derrubaram Saddam, a seguir falham na gestão do Iraque excluindo os sunitas, depois inventam um grupo terrorista sunita, o actual Estado Islâmico, para dividir a Síria e o Iraque com base em homens de Saddam, agora estão a tentar mobilizar antigos homens de Saddam para combater o Estado Islâmico, salvar Bagdade da ofensiva deste e montar à mesma uma partilha do Iraque com base nos curdos, nos xiitas e nos sunitas “moderados”, por acaso tão saddamistas como os ‘radicais’. Esta deriva só pode provocar guerra e mais guerra”, prevê Eliot. “E não se esqueçam”, adverte, de que “Washington faz estas manobras em coligação não assumida com o regime iraniano com quem está ainda tecnicamente em guerra, pelo menos uma guerra de sanções”.

Charles Hussain, Beirute, Mário Ramírez, Washington

 

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por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 20.10.14

Forças especiais turcas e americanas treinam terroristas nas vizinhanças de Kobane - Charles Hussain, Beirute

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Charles Hussain, Beirute  Forças especiais turcas e americanas treinam terroristas nas vizinhanças de Kobane

 

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 Terroristas do Estado Islâmico treinando na Turquia 

 

 

15 de Outubro de 2014

   Os Estados Unidos criaram uma estrutura especial de âmbito civil e militar para fornecer armamento aos grupos de terroristas islâmicos que continuam a ser treinados no território da Turquia para intervir na guerra civil síria contra o regime de Damasco, segundo fontes diplomáticas ocidentais em Beirute.
A estrutura nasce no âmbito de uma intensa troca de contactos nos últimos dias entre altos quadros operacionais turcos e norte-americanos dos sectores da espionagem. Estes contactos desmentem as divergências que se dizem existir entre Washington e Ancara em relação ao combate contra os terroristas do Estado Islâmico. A única condição exigida aos mercenários em treino na Turquia para poderem receber armamento norte-americano é não pertencerem ao Partido da União Democrática, por assentar sobretudo na comunidade curda da Síria, que os dirigentes turcos e norte-americanos consideram aliada do regime de Bachar Assad. Não é conhecida qualquer disposição que vete o treino e o fornecimento de armas a membros do Estado Islâmico ou de qualquer outro grupo aparentado da Al-Qaida, segundo as fontes diplomáticas.
“Caem por terra as últimas ilusões que ainda poderiam restar quanto ao suposto empenhamento de meios aéreos norte-americanos contra o Estado Islâmico”, afirma Ahmed Kelani, professor turco que leciona em Beirute. “O regime fundamentalista turco e os seus aliados da NATO, principalmente os Estados Unidos, mantêm a política de alimentar a guerra civil na Síria através do terrorismo islâmico e marginalizam os sectores que combatem de facto o Estado Islâmico”, acrescenta o professor.
Os intensos contactos entre operacionais turcos e norte-americanos têm-se registado ultimamente aos níveis dos serviços secretos e dos Estados-Maiores militares. O director do serviço de espionagem turco MIT, Hakan Fidan, esteve há dias em Washington, onde se encontrou com John Brennan, chefe da CIA; uma delegação do Pentágono é esperada a todo o momento em Ancara, enquanto o comandante das operações militares no Sudeste da Turquia, Erdal Ozturk, tem viagem marcada para a capital federal dos Estados Unidos. Este general é o principal responsável pelos combates contra a guerrilha curda na Turquia, a única força que enfrenta efectivamente o Estado Islâmico no Curdistão Iraquiano, a par de grupos curdos do Iraque.
Os grupos de mercenários para infiltrar na Síria são treinados por forças especiais turcas e norte-americanas na província de Sanliurfa, no sul da Turquia, segundo as mesmas fontes diplomáticas na capital libanesa. O território é vizinho da zona de Kobane,no Iraque, onde milhares de civis curdos estão cercados, à mercê do Estado Islâmico.
“Para apurarmos até que ponto chega a mistificação propagandística de que o mundo está a ser alvo basta perceber que enquanto governos de vários países pedem aos turcos e aos norte-americanos que protejam a população de Kobane da violência dos terroristas do Estado Islâmico, nas vizinhanças estão presentes forças especiais turcas e norte-americanas que treinam mercenários islâmicos ditos do Exército Sírio da Liberdade mas que na verdade irão reforçar todos os agrupamentos terroristas que lutam contra Assad, incluindo o Estado Islâmico, Frente Sal-Nursa e outros afins da Al-Qaida”, afirma o professor Kelani. “Não esqueçamos”, acrescenta, “que o presidente turco Erdogan é um dos financiadores da Al Qaida, conforme se percebeu através dos recentes escândalos em Ancara”.

Charles Hussain, Beirute

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 16.10.14

Turquia ataca curdos favorecendo o terrorismo islâmico - Charles Hussain, Beirute

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Charles Hussain, Beirute  Turquia ataca curdos favorecendo o terrorismo islâmico

 

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14 de Outubro de 2014

 

   O exército e a força aérea da Turquia estão a combater a guerrilha curda do PKK no Sudeste do país, a única força que se tem oposto militarmente à progressão dos terroristas do Exército Islâmico (EI) no Curdistão Iraquiano. No meio de uma polémica sobre a utilização das bases turcas pelos Estados Unidos alegadamente para combater o EI, as acções militares turcas traduzem, na prática, um apoio ao Estado Islâmico.
Numa ocasião em que numerosos governos do mundo, incluindo alguns da União Europeia, apelam à Turquia para auxiliar militarmente a resistência curda contra os mercenários do Estado Islâmico/Al Qaida e o seu “califado” que ocupa grande parte do Iraque e parte da Síria, “a resposta do presidente e governo turcos respeita a ordem natural das coisas”, de acordo com um deputado turco da oposição contactado telefonicamente em Ancara. “Entre apoiar os curdos, acompanhando a que parece ser, pelo menos em teoria, a posição ocidental, ou os terroristas islâmicos, o governo turco opta pelo Estado Islâmico ao virar-se contra o PKK no meio de um processo de negociações e quebrando um longo período sem combates”, prossegue a mesma fonte. “A trágica situação dos civis curdos iraquianos de Kebane não incomoda, por isso, os dirigentes turcos e lançar-lhes apelos é inútil”, diz.
Os ataques ordenados pelo presidente Recep Tayiep Erdogan e o primeiro ministro Ahmet Davutoglu representam um revés para o processo das negociações tendo em conta as mais recentes declarações do presidente do PKK, Abdullah Ocalan, segundo as quais o reinício das operações militares implicaria “o fim das conversações”.
“É interessante notar que que os contactos entre Ancara e o PKK têm funcionado como uma bandeira para Erdogan, que a exibiu mesmo na recente campanha em que foi eleito presidente, pelo que o recomeço da guerra significa o abandono dessa estratégia ou o fim do que foi uma desonesta manobra de diversão”, afirma Ahmed Kelani, professor turco em Beirute. “Ao combater os curdos numa altura em que estes são a única força que enfrenta realmente o Exército Islâmico – as acções americanas não têm passado de fogo de vista – Erdogan demonstra quão injusto é chamar ‘fundamentalista moderado’ ao regime turco. É fundamentalista, ponto”.
Kelani recordou os recentes escândalos envolvendo o actual presidente turco e alguns dos filhos, quando Erdogan era ainda primeiro ministro, que o fizeram proceder a um profundo saneamento persecutório na polícia e na justiça para silenciar e neutralizar os sectores que se ocupavam das investigações.
“Muita gente, até no Ocidente, acreditou na versão de que eram assuntos relacionados com quebras das sanções internacionais contra o Irão, quando na verdade o que os investigadores turcos apuraram foi um financiamento clandestino, ilegal e com dinheiros públicos do regime de Erdogan à Al Qaida através do tesoureiro saudita desta organização”, explica Ahmed Kelani.
Juntando a repressão histórica dos regimes turcos sobre a comunidade curda do país, as conhecidas relações entre Erdogan e o terrorismo islâmico, as facilidades que são concedidas em território e bases turcas ao recrutamento, treino e infiltração de mercenários islâmicos na Síria para derrubar o regime de Assad “é lógico concluir que a Turquia não está nada interessada em combater o Estado Islâmico, antes pelo contrário, dadas as afinidades que com ele existem”, prossegue Kelani.
O professor Kelani revela que as cumplicidades entre Ancara e o Estado Islâmico têm aspectos “ainda mais inquietantes e muito pouco conhecidos”. Por exemplo, sublinha, o “regime de Erdogan criou uma milícia fundamentalista designada Hezbollah, que nada tem a ver com o grupo libanês homónimo, constituída maioritariamente por mercenários curdos para combater o PKK e criar a sensação de que existe já uma guerra civil curda entre fundamentalistas islâmicos e os grupos nacionalistas laicos”.
Quanto às alegadas divergências sobre as autorizações à força aérea norte-americana para usar bases turcas no suposto combate ao Estado Islâmico, “isso tem muito mais de farsa do que de coisa séria”, diz Leila Qassim, jornalista libanesa relacionada com meios diplomáticos norte-americanos em Beirute. “Os Estados Unidos têm usado essas bases turcas, que estão ao serviço da NATO, para treinar terroristas do Estado Islâmico, da Al Qaida, da Frente Al Nursa e de outros grupos, ditos moderados ou radicais, que fomentam a guerra civil na Síria”, afirma. “Logo, também poderiam utilizá-las noutras missões, por exemplo combater o Estado Islâmico, se houvesse mesmo vontade para isso. Só que a vontade norte-americana é pouca e o Estado Islâmico é, no fundo, um motivo de convergência de interesses dos Estados Unidos, da Turquia, e também de Israel, relacionados com os novos arranjos territoriais que estão em desenvolvimento no Médio Oriente”, acrescenta Leila Qassim.

Charles Hussain, Beirute

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 25.09.14

Uma guerra real com objectivo falso - Charles Hussain, Beirute

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Charles Hussain  Uma guerra real com objectivo falso

 

 

 

23 de Setembro de 2014

 

   A realização, pela primeira vez, de operações militares directas dos Estados Unidos da América contra território sírio faz fervilhar os bastidores da conspiração e da intriga em Beirute, ainda mais intensamente do que é habitual. E são poucas as dúvidas nesses meios: está em curso uma nova fase da estratégia dos países da NATO para alterar os mapas da região e mudar o regime de Damasco – ou reduzi-lo à insignificância.

“O que nos dizem as últimas notícias divulgadas pelos  mais poderosos media mundiais é que os Estados Unidos da América começaram a combater, em nome da guerra contra o terrorismo, uma organização terrorista que criaram e alimentam”, ironiza Issam Delacroix, jurista franco-libanês há muito radicado em Beirute. “Sejamos realistas, ninguém no seu perfeito juízo pode acreditar nesta patranha à medida das mentes brilhantes dos senhores Hollande, Cameron e Obama: o alvo é a Síria, não o Estado Islâmico e o seu "califa Ibrahimi"”, prossegue.

Delacroix salienta que os principais dirigentes ocidentais há muito “se deixaram enredar numa teia de mentiras, mistificações, dispendiosos e muito perigosos jogos de guerra, em última análise para fazerem o que Israel pretende – um universo de pequenos satélites tribais e sectários em seu redor, entretidos a combater-se entre si”.

“Veremos se dentro em pouco não começará a ganhar forma a criação de uma nova entidade, ou "estado" no nordeste da Síria onde tem funcionado um dos feudos do Estado Islâmico e que, na realidade, não será mais do que uma base operacional da NATO e israelita para orientar o desmantelamento da Síria e do Iraque”, adverte John Summers, operador de câmera canadiano há muito habituado a captar imagens das realidades regionais, “principalmente as que não cabem nos media que têm sempre a certeza de tudo mesmo que num dia digam o contrário do que disseram no anterior”. Essas regiões, explica,“estão hoje muito desertificadas porque a guerra afastou grande parte da vida humana ali temporariamente existente, dominada pelo nomadismo e que se foi deslocando para território saudita. Não havendo pessoas há, no entanto, importantes recursos petrolíferos, os mais importantes da Síria”.

“Sei de fonte segura”, prossegue Summers, “que as estruturas militares operacionais dos grupos de mercenários que compõem o dito Estado Islâmico têm vindo a ser transformadas através da integração de supostos "oficiais" recrutados entre os uigures (minoria islâmica) da China e os chechenos, estes "fornecidos" pelo regime da Geórgia. O seu transporte secreto para a Turquia, e daí para o nordeste da Síria, tem estado a cargo dos Estados Unidos. Isto é, não estamos perante uma guerra para destruir o Estado Islâmico, como promete o presidente Obama, mas para fazer dele qualquer coisa com um papel específico regional e eventualmente mais alargado, China e Rússia que se cuidem”.

A intervenção militar da Jordânia, Arábia Saudita, Bahrein, Qatar e Emirados Árabes Unidos ao lado dos Estados Unidos na operação contra território sírio “faz parte da ordem natural das coisas”, comenta um professor universitário oriundo da Península Arábica de passagem por Beirute e que não deseja sequer citar o país de origem. “A monarquia saudita tem libertado milhares de presos das suas cadeias, de várias nacionalidades, com a condição de irem fazer a jihad contra a Síria, juntando-se aos "moderados" ou aos "radicais", isso não interessa, caso contrário serão decapitados”, explica oprofessor. “Também se sabe que os Estados Unidos e a Turquia lançaram uma operação para tentar deserções da polícia síria em troca de um salário de 150 dólares por mês e criaram para o efeito um gabinete de coordenação. É a isto que pode chamar-se oposição síria, capaz de instaurar a democracia no país? - interroga-se a mesma fonte.

John Summers confirmou que a pretensa distinção entre “moderados” e “radicais” nos grupos que participam na guerra civil síria “é absolutamente falaciosa”. “Conversei com comandantes de grupos do Exército Sírio da Liberdade, os tais "moderados" que os Estados Unidos reconhecem apoiar, e eles não hesitam em admitir que a única maneira de conseguir o objectivo de derrubar o governo de Damasco é combater ao lado dos grupos originários da Al Qaida, tanto a Frente Al Nursa como o Estado Islâmico”. Summers acrescenta que “conhecendo o Pentágono a impossibilidade de derrubar Assad apenas com os "moderados" e mantendo-se visivelmente a intenção de levar até ao fim a mudança de regime em Damasco, nunca iria desmantelar um instrumento fundamental que criou para o efeito, o Estado Islâmico. "Por isso”, salienta, “o objectivo anunciado pelos Estados Unidos para esta guerra, desmantelar o Estado Islâmico, é uma mentira – pelo menos até prova em contrário”.

No Líbano, país tão martirizado por instabilidade, guerras civis e invasões, teme-se o pior na sequência dos novos acontecimentos na Síria. ”À nossa volta está tudo a fragmentar-se e prevemos que iremos sofrer com tudo isto, mas não sabemos como”, afirma Samir Waadib, comerciante de Beirute que já viveu “muitas agonias, mas a pior é sempre a que está para vir”. Recordou que “estamos divididos em comunidades cristã, xiita e sunita e o que acontecer com as relações de forças religiosas nos países à nossa volta vai reflectir-se entre nós, mesmo que as nossas comunidades não estejam alinhadas com as equivalentes em redor. A história do Líbano tem sido feita a conseguir uma vida em paz entre as nossas comunidades e agora vemos que, para desgraça nossa e devido a egoísmos e interesses alheios à região, as explosões sectários nas vizinhanças são a nossa maior ameaça”, disse Samir Waadib.

 

Charles Hussain, Beirute

 

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 19.08.14

Ataques de Obama no Iraque são “desumana cortina de fumo” - Charles Hussain, Beirute

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Charles Hussain, Beirute  Ataques de Obama no Iraque são “desumana cortina de fumo”

 

 

 

11 de Agosto de 2014

 

   Os Estados Unidos e o Reino Unido voltaram a atacar militarmente no Iraque mas entre os objectivos proclamados pelos seus dirigentes não está o de impedir a divisão do país, realçam fontes diplomáticas em Beirute e Bagdade.
Contactado telefonicamente a partir da capital libanesa, um deputado laico do Parlamento iraquiano declarou que as medidas adoptadas nos últimos dias pela Administração norte-americana em relação ao Iraque “ilustram a deriva em que se encontram o presidente Obama e alguns dos seus aliados no Médio Oriente”.
A mesma fonte lamentou que “a inquietação de dirigentes ocidentais com o martírio da minoria religiosa yezidi às mãos do Exército Islâmico não passe de um show off pretensamente humanitário que chega com atraso e ignora localmente outros martírios, como os de cristãos iraquianos crucificados em massa, sem falar já na conivência de Washington com o massacre de seres humanos que prossegue em Gaza”.
“Os ataques americanos são localizados e, pela forma como decorrem, não causam qualquer perturbação à implantação do Exército Islâmico no centro-norte do Iraque e nordeste da Síria, apenas afectam conjunturalmente o seu poder em zonas em redor de Mossul”, revela o mesmo deputado. “Ou seja”, deduz, “não é a divisão do Iraque que preocupa o presidente Obama; o que o incomoda é um acontecimento que pode afectar a desejada participação curda na formação de um governo em Bagdade”.
A minoria religiosa yezidi rege-se por convicções ancestrais em que se conjugam princípios pré-cristãos de origem persa e de várias outras religiões monoteístas. A sua base étnica é curda e o facto de os massacres cometidos pelos fundamentalistas radicais do Estado Islâmico no seio dessa comunidade terem tido uma resposta no mundo anglo-saxónico que não existiu noutras situações idênticas deve-se à perturbação que causou nas relações entre os dirigentes curdos iraquianos e o Estado Islâmico, que têm sido de compreensão e partilha territorial entre ambas as partes.
“É a hipocrisia do costume”, afirma em Beirute um dignitário cristão maronita, o padre Salman Bustros. “As operações em defesa dos direitos humanos variam segundo as conveniências de momento dos senhores dos exércitos. Os irmãos yezidis merecem-me tanto respeito como os irmãos cristãos ou os de Gaza que sofrem martírios, por isso esta maneira  de agir americana e inglesa é, no mínimo, repugnante”, acrescentou.
Entre diplomatas europeus em serviço em Beirute, designadamente franceses e alemães, as recentes medidas tomadas por Obama em relação ao Iraque, e que são “para se prolongar”, têm cada vez mais “o aspecto de uma desumana cortina de fumo para desviar as atenções internas e aliadas do que está a passar-se em Gaza”, segundo um funcionário da Embaixada francesa. “Desde o início do avanço do Exército Islâmico no Iraque que Obama tem afirmado que todas as opções estão em aberto, não devendo ir além de ataque aéreos localizados”, lembrou. “Porque não os usou então para conter o avanço e os faz agora, transformando mais uma tragédia humanitária num simples pretexto que não invocou em situações anteriores idênticas? Recordo que quando os terroristas islâmicos começaram a avançar no Iraque praticaram fuzilamentos em massa de centenas de pessoas, enterradas logo em valas comuns, massacres aliás testemunhados em imagens que correram mundo, perante a inércia de Washington”.
Um adido da Embaixada alemã, que solicitou o anonimato, sublinhou de modo muito crítico a declaração da senadora democrata e chefe da Comissão de Espionagem do Senado, Dianne Feinstein, segundo a qual os ataques contra o Estado Islâmico se fazem agora porque o “grupo representa uma ameaça na nossa rectaguarda”. “Estes são os argumentos que deviam ficar guardados na cabeça de quem os pensou, porque desacreditam qualquer estratégia e as verdadeiras intenções de quem deveria levar a sério a função de defender vidas humanas”, lamentou o diplomata alemão. “Afinal”, acrescentou, “o Estado Islâmico é para os dirigentes dos Estados Unidos da América uma ameaça à sua rectaguarda e, ao mesmo tempo, um aliado na Síria e, quem sabe, no desmantelamento do Iraque”.

Charles Hussain, Beirute

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quarta-feira, 16.07.14

Israel, os terroristas “bons” e os terroristas “maus" - Charles Hussain (Beirute)

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Charles Hussain (Beirute)  Israel, os terroristas “bons” e os terroristas “maus”

 

 

   15 de Julho de 2014

   Na esteira dos seus aliados norte-americanos e europeus, designadamente França e Reino Unido, Israel tem relações cúmplices, inclusive de âmbito operacional, com grupos terroristas islâmicos que participam no processo de “remodelação” de fronteiras em curso no Médio Oriente.
Essa realidade já não é sequer “um segredo de Polichinelo”, admite-se em Beirute, onde se avolumam provas e informações sobre a “rede mais ou menos clandestina, mas conhecida, envolvendo militares e serviços de espionagem de grandes potências e grupos armados sectários e religiosos multinacionais assentes em estruturas mercenárias”, segundo um general do exército libanês na reserva.
“Desde que um oficial austríaco de uma força de observadores das Nações Unidas nos Montes Golã denunciou a colaboração directa entre estruturas militares israelitas e grupos terroristas islâmicos actuando na Síria para derrubar o governo de Assad percebeu-se que estava reservado um papel importante ao denominado Estado Islâmico do Iraque e do Levante nos acontecimentos da região”, declarou o general.
De acordo com as denúncias do oficial austríaco, entretanto tornadas públicas, Israel montou um hospital de campanha nos Montes Golã onde os serviços militares de saúde israelita socorrem mercenários dos grupos islâmicos, transportando-os para hospitais israelitas nos casos mais graves.
O mesmo oficial revelou que existe no mesmo território sírio sob ocupação israelita uma sala de operações comum onde militares israelitas e chefes dos grupos islamitas coordenam as acções na Síria, “e agora por certo também no Iraque, onde o Exército Islâmico proclamou o seu califado”, afirma o militar libanês.
“É importante que se saiba que Israel disponibilizou um sistema de novos mísseis de médio e longo alcance instalado também nos Montes Golã para dar cobertura às operações dos grupos com afinidades à Al-Qaida no interior da Síria”, segundo Nadia Said, comentadora de assuntos militares e estratégicos em meios de comunicação libaneses. “Esta informação não é um ‘top secret’, pois foi divulgada por um dos principais canais de televisão israelitas”, acrescentou.
“A questão é que para Israel e os Estados Unidos há terroristas islâmicos bons e terroristas islâmicos maus”, explica Lionel Villepoint, professor universitário francês há muito radicado em Beirute e que dedica grande parte do seu trabalho a investigar as transformações em curso no Médio Oriente. “Não sou eu que acho, foi o primeiro ministro Netanyahu que o disse segundo os relatos de uma visita que, acompanhado por altos comandos militares israelitas, fez às estruturas colocadas ao dispor dos extremistas islâmicos nos MonteGolã”, acrescentou.
Villepoint recordou o relato da visita de Netanyahu ao hospital de companha montado por Israel para socorrer os extremistas islâmicos que combatem na Síria publicado pelo diário Jerusalem Post, identificado com as correntes governamentais israelitas. “Diz o jornal que Netanyahu declarou aquele hospital como o lugar de separação entre os bons e os maus, sendo os bons os combatentes da liberdade que actuam na Síria e os maus os que, sustentados pelo Irão, apoiam o regime de Damasco”, afirma Lionel Villepoint.
“Pelos vistos”, acrescentou o professor francês, “aquele hospital não separa apenas ‘bons dos maus’; ele simboliza as linhas de confrontação no Médio Oriente e que fazem com que Israel se identifique com o ‘califado’ do Exército Islâmico proclamado no Iraque ao mesmo tempo que combate o Hamas em Gaza”.
“Este comportamento torna evidente a linha de fractura mais importante existente actualmente no Médio Oriente”, sublinha Lionel Villepoint: “Israel, Estados Unidos, grandes potências da União Europeia e as monarquias petrolíferas do Golfo apoiando o extremismo islâmico sunita que concretiza os seus objectivos no terreno; e os mesmos países proclamando como inimigo principal o extremismo xiita, devido aos seus laços com o Irão, e também grupos sunitas ‘contra natura’, como o Hamas, porque recebem igualmente apoio de Teerão”.
O professor Villepoint considera que esta realidade  explica igualmente o que se passou no Egipto, “onde por imposição das ditaduras petrolíferas do Golfo é preciso aniquilar a Irmandade Muçulmana, não sendo por acaso que o grupo equivalente na Síria se submerge perante o poder e os apoios dos novos extremismos. Para o fundamentalismo extremista waahabita que governa a Arábia Saudita, a Irmandade Muçulmana é uma heresia a eliminar”, diz Lionel Villepoint. “E o Hamas", acrescenta, “paga caro por ser uma tripla vítima da situação: nasceu da Irmandade Muçulmana, recebe apoios do Irão xiita e pretende um Estado Palestiniano, coisa que, na verdade, começa a passar à história neste cenário”.

Charles Hussain, Beirute

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por Augusta Clara às 15:50



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