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Jardim das Delícias


Sábado, 13.04.19

Confusões muito convenientes - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos  Confusões muito convenientes

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   Há coisas nos tempos de hoje que estão a tornar-se perigosamente - não é exagero utilizar o advérbio - apreciadas e divulgadas como é o caso da oportuna e incentivada confusão entre o que é o saber e a competência e o que configura a promovida ignorância. E não se trata aqui da ignorância de que todos padecemos em relação a tanto que há para saber. Trata-se de desprezar, atacar e incentivar ao ataque do reconhecido e provado conhecimento adquirido por quem para isso trabalhou e o pôs ao serviço da comunidade.

O mundo vai ao arrepio da democracia. Os estúpidos e os venais conseguiram atingir os lugares de maior poder sobre tudo e todos graças não só ao poder bélico mas tanto ou mais ao comportamento acéfalo e permissivo de grande parte dos cidadãos dos países que se reivindicam dessa mesma democracia. Sabemos bem como lhes foi e tem sido criado o caminho do entorpecimento da razão para aí chegarem.

Quem tem as principais ferramentas para ajudar a inverter este estado da mentalidade colectiva, a Comunicação Social, não o faz. Deixa-se caír, na melhor das hipóteses, no conformismo do assumido como inevitável rumo do futuro global. E a quinquilharia das “ideias” prolifera em todo o suporte onde se podem juntar letras ou sons falados.

O saber é considerado arrogância e a estupidez humildade. E esta confusão contamina até, subrepticiamente, sectores que têm o dever e a capacidade de não se deixarem contaminar.
Neste mundo virado do avesso, oxalá a queima de livros não se propague como se tem propagado a inconsciência e a indiferença crescentes pela anulação dos direitos humanos.

“Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar!” sob pena de sermos nada mais que mais um.

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por Augusta Clara às 20:53

Quinta-feira, 03.05.18

Corrupção - ataquem o Cérbero monstro das três cabeças. Não sejam cobardes nem cúmplices - Carlos de Matos Gomes

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Carlos de Matos Gomes  Corrupção - ataquem o Cérbero monstro das três cabeças. Não sejam cobardes nem cúmplice

 

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   Vamos falar de corrupção? A sério?

Podíamos falar da constituição de monopólios do tempo da primeira industrialização de Portugal, a do Marquês de Pombal, mas vamos ao tempo aqui mesmo ao virar da porta. Como se reconstruiram os grupos privados após a nacionalização da banca em 11 de Março de 1975? Como reapareceram os bancos privados, como surgiram o BIP, das confederações do Porto, Santos Silva, o BCP/Millenium da Opus Dei, Jardim Gonçalves, o BPN de Oliveira e Costa, como reapareceram os Espirito Santo, como desapareceram os Burney, os Pinto Basto, o Totta e Açores, o Pinto e Sotto Mayor, o Crédito Predial, como desapareceu o Banco Português do Atlântico de Cupertino de Miranda e o Pinto Magalhães? Como apareceram os Mello /CUF no sector da saúde privada e nas auto-estradas e como desapareceu a CUF, um grupo insustrial? Como desapareceu a SACOR e surgiu a GALP? Como foram atribuídas as concessões de estradas – BRISA e Autoestradas do AtLântico, de portos, de aeroportos?

Em resumo: Como surgiu a Quinta da Marinha após o 25 de Novembro? Como desapareceram a Siderurgia Nacional, a CIMPOR, a CUF /SAPEC- adubos, as papeleiras, as refinarias nacionais – SACOR e surgiram os concessionários das portagens de autoestradas, os comissionistas de taxas de combustíveis e de electricidade, os merceeiros da grande distribuição?

Corrupção. Como se constroem impérios de serviços? A SONAE, ou o Pingo Doce, ou a Brisa, ou a CUF saúde? Como se constrói uma sociedade de rendas, de rentistas, sem pagar comissões ao poder político?

E não só, como se mantém a ficção de que vivemos num regime de seriedade sem uma comunicação social por conta, como as amantes? A comunicação social é corrupta desde o miolo. É a comunicação da corrupção e ao serviço da corrupção!

Existe algum chefe de governo desde 25 de Novembro de 1975 que não tenha sido um avençado dos grupos cuja criação ou recriação promoveu? Mais, existe algum presidente da República que não tenha sido um instrumento destes poderes? Quem não se aboletou com os fundos estruturais da CEE? A UGT nasceu como? Já alguém ouviu o Torres (um peão, é certo) Couto sobre os fundos para a formação? E quanto ao abate da frota pesqueira ? E sobre a destruição do olival? E sobre a plantação do eucalipto? E como foram elaborados os PDM, os planos directores que trouxeram 80% da população para a faixa litoral? Existe alguém nos vários governos com as mãos limpas?

Como surgiram bancos fantasmas do tipo BPN sem corrupção no topo do regime?

Tenho sobre o cristo do momento, Manuel Pinho, a pior das opiniões: enojam-me os zequinhas como ele, os patetas como ele, os pequenos vigaristas como ele, mas falemos então de gente que determinou o que está a acontecer: Julguem o Ricardo Espirito Santo Salgado! Comecem por ele e deixem para já os peixinhos de aquário, como o Pinho dos corninhos a abrir e a fechar a boca e os Sócrates.

Vamos ser sérios: na operação Marquês comecem por Salgado e pelo Banco Espirito Santo. No caso do Pinho, ou do Sócrates, comecem por Espirito Santo. Sentem Ricardo Espirito Santo Salgado no banco e comecem a fazer-lhe perguntas. Quem o trouxe de regresso a Portugal? Que apoios ele teve para reconstituir o seu império? E chamem Jardim Gonçalves! E chamem as famílias Cupertino de Miranda e de Pinto Magalhães!

Mas, antes de tudo tenham a coragem de julgar Ricardo Espirito Santo Salgado! É nele que tudo começa e é aos Espirito Santo que tudo vai dar. Não sejam cobardes e não atirem areia aos olhos dos portugueses!

Tenham os jornalistas a coragem de ir ao centro do vulcão! Ao Espirito Santo! Porque não vão? Medo? Cumplicidade?

O resto, os ataques a Sócrates e a Pinho são demonstrações de rafeiros que ladram mas não mordem. Estamos a ser – os portugueses em geral – sujeitos a uma barreira de mistificadores e de cobardes que nos querem pôr a discutir as gorjetas que os mandaletes de fazer recados, os groom, receberam quando a questão é a do dono do hotel. Mas esse deu muito dinheiro a ganhar. Sabe muitas histórias… Não é?

A história da corrupção que nos está a ser contada é a história da cobardia de jornalistas e de magistrados. De canalhas que estão a apontar para o lado – foi aquele menino - para que não olhemos para eles.

É o desafio, o meu: políticos, jornalistas, magistrados, tenham espinha, encham o peito e vão a ele! Não sejam rafeiros! Não sejam merdas: atirem-se ao Cérbero, ao “demónio do poço” na mitologia grega, ao monstruoso cão de três cabeças que guardava a entrada do mundo inferior, o reino subterrâneo dos mortos, deixando as almas entrarem, mas jamais saírem e despedaçando os mortais que por lá se aventurassem. Vão à fonte da corrupção: ao Espírito Santo.

Falta-vos coragem? Comeram desse tacho? Não?

Se não falta coragem, se não comeram desse tacho, atirem-se ao Espírito Santo, ao monstro, ao Cérbero, exijam o seu julgamento! Ele sorri e escarnece de vós à saída das audiências! Vão a ele!

O resto são merdices e areia para os olhos do pagode.

 

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por Augusta Clara às 18:05

Terça-feira, 15.03.16

A cerveja no topo do dolo - Marcos Cruz

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Marcos Cruz  A cerveja no topo do dolo

 

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   Antes, a análise política nos media era bem mais profunda, a fasquia do argumentário estava alta e o leitor/espectador, regra geral, sentia a necessidade de se informar, de trabalhar o seu eu político para acompanhar a discussão das matérias. Depois, já com o fim do milénio à vista, alguns órgãos de comunicação social, e não só tabloides, também jornais de referência, entenderam que se Maomé não ia à montanha era preciso levar a montanha a Maomé, pelo que, postas as coisas em palavras francas, baixaram consideravelmente o nível. Veio a política pop, aquela que se faz parecer democrática, na medida em que todos se sentem capazes de a discutir, mas afasta, talvez como nenhuma outra, as pessoas dos assuntos que afectam mais as suas vidas. A “gaffe” passou a ter honras de manchete, qual sardinha que um dia acorda e é marisco, o fait-divers suplantou a premência noticiosa do grande facto, a escolha da gravata do político tornou-se mais importante que o seu ideário. Um dos ícones do novo paradigma era então meu chefe: Carlos Magno. Independentemente de estarem sanados os conflitos que tivemos e de hoje nos cumprimentarmos com amabilidade, manda a verdade que o descreva como um surfista da análise política, alguém que contribuiu conscientemente para um strip que reduziu a esfera política não à sua essência mas, bem pelo contrário, ao seu artifício. Ele e outros cavalgaram essa onda e, no seio de uma opinião pública lisonjeada com a promessa de maior participação (ou “interactividade”, era a palavra), ajudaram a legitimar uma nova concepção de política, destituída dos pressupostos de nobreza e representatividade que a distinguiam. A partir dali, tendia a ser tacitamente aceite que os políticos se representassem a si mesmos e aos seus interesses, como acontece com os clubes de futebol, que há muito já se livraram da responsabilidade de promover o desporto. Para a análise, em consequência ou conformidade, sobravam os aspectos tácticos e, menos, estratégicos (os dias passaram a ser mais curtos), desvalorizados que haviam sido os da substância política – no que ela contém de ética, cultura, ideologia, etc. – quer do discurso quer da acção. A aferição da qualidade de um político deixou de se prender tanto com os seus valores (não materiais, entenda-se) e tornou-se mais vinculada ao conhecimento que ele revela do xadrez em que se move e à habilidade com que dentro dele verga os adversários e rechaça os seus ataques. Muitas vezes, observando esta autodesresponsabilização do jornalismo, a cada dia mais enredado na política dos interesses, promovendo orgulhosamente o trânsito de dois sentidos entre o seu espaço e o dos políticos (com claro prejuízo da política), falei na necessidade de dar às pessoas instrumentos – fossem eles notícias, reportagens ou os então glorificados conteúdos – para compreender, discutir e co-criar a realidade, em vez de as anestesiar com programas que as tornavam menos e menos exigentes, atentas, profundas, responsáveis e interventivas. Em resposta, era-me sistematicamente despejado aquele chavão: "Deve dar-se às pessoas o que elas querem".

Hoje, ao ver Marcelo na presidência da República, é inevitável lembrar-me desse tempo.

 

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por Augusta Clara às 15:00

Sexta-feira, 23.10.15

Testemunhas de Jeová - Carlos de Matos Gomes

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Carlos de Matos Gomes  Testemunhas de Jeová 

 

 

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   A comunicação social portuguesa transformou-se na Sociedade Torre Vigia do Sião. A possibilidade de um governo apoiado numa maioria de esquerda converteu a comunidade jornalistas e opinadores em missionários da congregação de leitores fundamentalistas da Bíblia criada por Charles Taze na Pensilvânia, nos Estados Unidos. Todos transmitem a mensagem dos “meninos de Deus” de aviso da proximidade do fim do mundo. As televisões, as rádios, os jornais foram assaltados por bandos de pregadores bíblicos que anunciam o Armagedão, a batalha decisiva entre o Bem e o Mal.

Por obra e graça da proposta de um vulgar secretário geral de um vulgar Partido Socialista de chefiar um vulgar governo de um pequeno Estado com o apoio de um vulgar partido que reúne cidadãos oriundos de vários movimentos da esquerda europeia pós Maio 68, maioritariamente de classe média urbana e progressista e de um vulgar partido comunista que procura o seu lugar nos novos tempos históricos, os opinadores que enxameiam a comunicação social portuguesa transformaram-se em esconjuradores bíblicos. Para a comunicação social portuguesa António Costa passou a ser o Anjo do Mal. Nas redacções de jornais, rádios e televisões a escatologia passou a ser religião única. Descobrimos que existem mais Césares das Neves nas televisões, jornais e rádios que ricos nas Bahamas!

A possibilidade de um governo normal, que substitua o gangue que devastou Portugal durante quatro anos, incendiou o desejo de salvação através da palavra que existe em cada plumitivo. De repente, perante o fim do mundo que avança com António Costa à frente, a multidão de crentes nas bênçãos dos mercados subiu aos púlpitos, saiu à rua para, de porta em porta e com os olhos arregalados, a voz num sufoco, anunciar o perigo mortal que aí vem com comunistas, bloquistas e outros apóstatas do euro, da dívida, do défice, da austeridade, em suma. Passaram a ser testemunhas da única religião verdadeira, a do paga e aguenta. Passos Coelho, Paulo Portas e a sua PAF passaram à categoria de Guardiões do Templo de Jeová. Todos repetem a frase bíblica de Isaías: “Antes de mim não foi formado nenhum Deus e depois de mim continuou a não haver nenhum.”

Nada existia antes deles e nada existirá depois deles, garantem com ar zangado dos Césares da Neves as testemunhas e os meninos de Deus que desfilam por ecrãs de televisão ou em fotografias nos jornais. São as testemunhas fiéis e verdadeiras que lutam para impedir a chegada do Apocalipse.

A possibilidade de um governo do Partido Socialista, apoiado pelo Bloco de Esquerda e pelo Partido Comunista revelou que a comunicação social portuguesa é uma seita. Uma seita como a das Testemunhas de Jeová, com os seus membros subordinados a um secreto Corpo Governante, o único com autoridade para interpretar as Escrituras.

A tentativa de António Costa teve, pelo menos, o mérito de desmascarar a falsidade da independência e da pluralidade da comunicação social. Sobra uma seita de pregadores bíblicos, de Césares da Neves, que nos impingem a “Boas Novas do Reino de Deus”. Do seu. Se quiserem saber tudo o que há para saber, e salvarem-se do Mal que se aproxima leiam a Sentinela e o Despertai, os órgãos oficiais da seita.

 

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por Augusta Clara às 10:00

Quinta-feira, 15.10.15

O regresso manso do salazarismo - Carlos Esperança

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   A colossal chantagem da comunicação social sobre António Costa, com os donos a comandarem a agenda, das confederações patronais e da própria Igreja católica onde o bispo António Marto, vidente de Fátima, por apelido e consanguinidade, revela o pavor da democracia quando os resultados não favorecem os interesses da pior direita, do pior PR e do pior governo do regime democrático.

Os humores e rumores dos manipuladores da Bolsa de Valores, dos terroristas das agências de ‘rating’ e dos oportunistas de todas as ocasiões, revelam também o pavor da perda do poder.

Hoje já não precisam de assassinar o líder da oposição, como Salazar fez a Humberto Delgado, basta-lhes dar voz aos que a não teriam, se não se passassem para o seu lado, e mobilizarem a sua máquina de terror.

No PSD de hoje não caberiam os antigos presidentes, Sá Carneiro, Emídio Guerreiro ou Nuno Rodrigues dos Santos, como já não cabem Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira ou António Capucho, tal como não cabe no CDS Freitas do Amaral, o fundador que foi expulso pelo bando de Paulo Portas.

Em Belém encontra-se ainda um salazarista reciclado, em fase terminal de mandato, e em S. Bento, ansioso e apavorado com a Justiça, um retornado ressentido.

Só falta mesmo organizarem uma manifestação espontânea de «ativo repúdio a António Costa» com um grupo de bandeiras à frente e de bandalhos atrás, com o público à força no meio e a força pública à volta, a uivar com toda a força «não queremos comunistas, não queremos comunistas, não…».

 

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por Augusta Clara às 11:00

Sexta-feira, 04.09.15

Verdade e opinião em tempo de intoxicação - Carlos de Matos Gomes

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Carlos de Matos Gomes  Verdade e opinião em tempo de intoxicação

 

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   Já faltou mais para as eleições, aquele tempo em que, à semelhança de épocas de guerra e de caça mais se mente. A novidade está agora na forma insidiosa de mentir, multiplicando visões da verdade, e nos mentirosos, onde aos que mentem por dever de ofício, se juntam agora os que, por dever de ofício, deviam defender a verdade, os jornalistas e comentadores.

Um artigo do El País, de 28/08 alerta para que o princípio da manipulação consiste em: “hacernos creer que no existe la verdad más que en sus múltiples versiones.”

Num momento em que a comunicação social se transformou numa tropa de moços de recados do governo e os seus funcionários se converteram em meninos de deus a venderem a ideologia dominante, o artigo de El País sobre verdade e opinião, manipulação e propaganda, desenvolve a ideia de como as novas tecnologias e as redes na internet amplificam o trabalho de esvaziamento do sentido crítico iniciado pela propaganda política.

Os técnicos da propaganda, que incluem boa parte dos jornalistas, aproveitaram as três grandes formas dos escritores modernos se relacionarem com a verdade: dizer que é inabarcável, dizer que é inefável, isto é que não se pode exprimir, ou dizer que não existe.

Em períodos eleitorais são estas as abordagens à verdade feitas pela propaganda. Basta um pequeno exercício de leitura dos títulos dos jornais, ou das reportagens das televisões: ou se focam num pormenor para desviar as atenções, ou garantem que é indiscritível, ou pura e simplesmente ignoram-na.

“Se neste milénio os atletas do inabarcável parecem ter-se refugiado na autoficção para concentrar o esfoço e limitar o campo de batalha, as outras duas vias de relação com a verdade continuam a contar cadáveres porque a realidade se fez inefável, ou construindo mundos paralelos que podem equiparar-se ao mundo real e até suplanta-lo. “

Os técnicos de propaganda política agem de acordo com o ideal da linguagem niilista, aquilo que designam por pós-modernidade, para impingirem aos consumidores dos seus produtos que qualquer narração (o termo que usam é narrativa) pode criar uma verdade que não tenha nada a ver com a realidade. “Até aqui, nada de novo: a velha verdade das mentiras. O novo neste processo é que, após invadirem o terreno do jornalismo e da História, os propagandistas políticos estejam a ter êxito na venda da ideia de que a verdade só existe em múltiplas versões.” Em especial na versão do patrão, digo eu.

O caso típico é o dos números de fenómenos sociais e económicos. Se um ministro fornece números falsos sobre desemprego, ou sobre a dívida, logo os propagandistas agem apresentando múltiplas interpretações do fenómeno: desemprego de curta e longa duração, taxa homóloga, ou referida ao mês anterior, ou a 2011, ou a 2008. Seguindo o velho princípio do poeta Aleixo: “a mentira para ser segura e ter profundidade tem de ter à mistura alguma verdade.” Assistimos a este truque diariamente. Feito despudoradamente.

“Em 1950, quando Hannah Arendt regressou por algum tempo à Alemanha do seu exílio, descobriu com estupefacção que os seus compatriotas tratavam os factos históricos como se fossem meras opiniões. No relativismo, que os cidadãos (neste caso alemães) consideravam a essência da democracia, Hannah Arendt reconheceu a herança do regime nazi. Para a autora de «As origens do totalitarismo», a persuasão e a violência podem destruir a verdade, mas não substitui-la: “Os factos e as opiniões, se bem que devam manter-se separados, não são antagónicos; pertencem ao mesmo campo. Os factos dão origem às opiniões, e as opiniões, inspiradas por paixões e interesses diversos, podem diferenciar-se amplamente e ser legítimas conquanto respeitem a verdade factual.”

É no respeito pela verdade, ou pela simples aceitação de que a verdade existe, que a porca da propaganda torce o rabo. Ó verdade factual, quão longe andas da propaganda e da tua casa mãe, o noticiário!

De Hannah Arendt, no ensaio «Verdade e política»: “A liberdade de opinião é uma farsa, a menos que garanta uma informação objetiva e que não estejam em discussão os factos em si mesmos.”

Veja o artigo original em http://cultura.elpais.com/cultura/2015/08/28/actualidad/1440793795_270814.html

 

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 25.11.14

A justiça é mesmo cega? - Augusta Clara Matos

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Augusta Clara Matos  A justiça é mesmo cega?

 

 

 

   Não amo nem odeio José Sócrates por muito que estivesse farta do seu governo - mal eu sabia o que vinha a seguir. Quero, mas quero mesmo acreditar na Justiça, se não já não sei o que nos pode valer no meio de tantos escroques razoavelmente distribuídos pelo poder. Não sei é se consigo. E porque é que não consigo? Pelo mesmo motivo de que me apercebo que outros também não conseguem.
Faço questão de reivindicar o meu direito de cidadania lembrando o seu conteúdo: liberdade de opinião e da sua livre expressão; lembrando, também, que a justiça é exercida em nome do povo tal como os actos governativos o são. Mas estes últimos têm sido tão o inverso do propagandeado que nem os seus próprios eleitores os reconhecem.
E a justiça? Será obrigação minha acreditar cegamente que é justa depois de todos os atropelos que este processo José Sócrates teve até agora: a detenção humilhante, a quebra do segredo de justiça sem que ninguém seja punido por isso, a baixeza das reportagens televisivas e jornalísticas, a ausência de explicação dos crimes que lhe são atribuídos a justificaram a medida de coacção máxima?
Até o facto de o terem levado para uma prisão fora de Lisboa me deixa interrogações. Como se se tratasse dum perigoso terrorista.
Bom, e os outros? Os que têm agitado as notícias no últimos tempos com as derrocadas dos bancos cujos prejuízos caem sobre os nossos impostos? E os submarinos? E ...
Olha, acabo de saber que os dos vistos gold vão sair da cadeia com pulseira electrónica!
Terão sido o ensaio geral? Ou a justiça é mesmo cega?

 

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por Augusta Clara às 17:08

Domingo, 07.07.13

Pátria, lugar de exílio - César Príncipe

 

 

César Príncipe  Pátria, lugar de exílio

 

(Paula Rego, Salazar vomitando a pátria) 

 

 

   Exilado na internet, dedico este texto aos que defendem a comunicação como veículo intermodal, transportador de memória multifocada, informação contrastada e crítica estruturada. Creio que os leitores compartem este sentimento de vazio e desinserção no contexto mediático. Sentimento que não é sinónimo de queixume, antes constatação da natureza de classe das empresas de informação, opinião e lazer. O capitalismo lançou uma operação de saque global e os jornais, as rádios e as televisões constituem unidades de cobertura. Portanto, quem se opõe ao sistema é irradiado ou reduzido a figura de convite. 

Não ignoramos as leis do confronto, a vocação selectiva e repressiva das instituições, o ânimo insaciável do neoliberalismo. Compete-nos surpreender o manifesto e o inconfessado da ordem cleptocrática. Viver exilado tem sido uma das fracturas e uma das facturas da nossa identidade, um dos défices de habitabilidade da pátria de Camões, ele, por mais que se retoque a iconografia e se agendem evocações solenes, pungente retrato da pátria incomum: deserdado e rec(luso), elevado a poeta oficial. Numerosos titulares das letras, das artes e das ciências legaram, além da sua obra, a sua cólera e a sua melancolia. Para além de Daniel Filipe, [1] Paula Rego [2] , evocaremos mais duas vozes do exílio externo e do exílio interno: Almeida Garrett, [3] no séc. XIX; Egas Moniz, [4] no séc. XX. Mas a exclusão não atingiu nem atinge apenas a intelligentzia. Nem somente as lideranças da dignidade nacional e do progresso colectivo. Milhões de portugueses foram e continuam a ser desapossados de direitos fundamentais, tratados como párias e apátridas. Portugal é uma multissecular praça de silenciamentos e ostracismos. A segregação cobre uma vasta gama de preceitos e preconceitos. Transcende o estigma racial, o confinamento territorial, o nobiliário de sangue, a soberba etnocêntrica, a sobranceria egocêntrica. Os detentores da riqueza e dos instrumentos de coacção só toleram o outro quando fortemente acossados e enquanto não consertam as fendas das muralhas e não absorvem ou isolam os processos de mudança. 

Ilusão do todo 

As classes parasitárias e obscurantistas jamais se movem por impulsos de fraternidade e liberdade ou pelo badalado todo nacional. Na mistificação fascista, o todo era um chavão mitogeográfico (incluía Portugal do Minho a Timor). Não considerava nem poderia abarcar todo o espectro cívico, todo o mosaico populacional. O segmento monopolista, latifundista, financista e colonialista era o sector favorito, beneficiário do escudo protector do Estado. A maioria dos portugueses vivia extremamente condicionada. As forças nacionais e internacionais que provocam tal desvalorização e marginalização de activos culturais e sociais só brandamente pagam as suas dívidas de opressão e sangue. Durante a revolução de Abril (1974-1975) coube às elites da ditadura experimentar o assédio popular. Contudo, o poder emergente consentiu que as figuras de topo ficassem a salvo. Embarcaram para o triângulo do exílio dourado : Lisboa-Funchal-Rio de Janeiro. Todas as formas de governação definem uma pauta de apaniguados e desafectos. De longe a longe, cabe à classe alta descer ao rés-do-chão da História, ferir os tímpanos com o vozear do poboo [5] e preparar as malas de cartão, melhor dizendo, Louis Vuitton. 

Bom aluno euro-americano 

Deter-nos-emos, agora, na comunicação anti-social. Os carros de combate mediáticos existem para cobrir as forças que os sustentam e desarmar ou exacerbar a conflitualidade (conforme a carteira de encomendas), seja através de operações de descrédito da contestação e do desvio de atenções para alvos falsos ou secundários; seja pelas campanhas intimidatórias, incriminatórias, manipulatórias e censórias, dramatizando o reportado ou relegando-o para a não-existência. Objectivo último: afastar o grande público das correntes de contraprojecto e contra-análise, a fim de que as minorias não evoluam para maiorias; limitar os efeitos do anticânone no tecido psicossocial; manter de pé a pirâmide dos interesses. Os jornais, as rádios e as televisões (nas mãos de grupos multimédia, ancorados à finança e balizados pelo consenso rotativista) são chiens de garde dos senhores de turno. Ostentam os guiões do patronato que mais ordena e da agiotagem que mais conta, fornecem argumentário para a resig(nação) e a capitulação. Na emergência, a pátria deles é a patroika, instância de ocupantes e colaboracionistas, da Comandita das Três Siglas e do Clube dos Miguéis de Vasconcelos. Bom aluno euro-americano, o complexo mediático abraça a doutrina do alinhamento e da circularidade e da capsulagem do adverso. Para iludir a questão informativa e opinativa, multiplica os apresentadores da normalidade e aparentadores de diversidade e selecciona trupes de maldizer de superfície. A gramática reaccionária tomou conta de páginas e antenas. A vulgata política e a publicidade comercial confundem-se. Morfologicamente. Ideologicamente. Programaticamente. Vender, vender: mercadorias do ilusório. Formar, formar: opções do tolerado. Fabricar, fabricar: barreiras do cerco. Físicas e mentais. 

Prato único 

A culinária mediática aplica a receita come-em-casa. Socorre-se de enchidos regionais e entalados made in. Os shows de bidé e concursos de ralé complementam jornais e telejornais. Representam uma fatia generosa do menu. Apostados na baixeza dos produtos e infantilização dos públicos, os criativos têm vindo a tabloidizar toda a página impressa e toda a grelha audiovisual. A estilística expõe a natureza dos pratos do dia e da noite. Apesar dos enfeites de mesa, as entradas e as sobremesas não conseguem anular o sabor a prato único. Não será por casualidade que, apartado o lixo institucional e privado (que também abunda no carrossel virtual), numerosos ciber-materiais superam em redacção e especialização o jornalismo corporativo. A qualidade temática e a pertinência vocabular foram, em grande medida, desalojadas da comunicação oficiosa. Prolifera a vassalagem de alterne e impera a ignorância hiperactiva. A generalidade da competência e da decência foi posta na prateleira ou na solitária. Sobeja alguma excelência enquadrada, monitorizada, aperreada. Por vezes, tolerada como engodo para impingir o resto do cardápio. 

Salazar regurgita

Falemos de vómito. Na ditadura, Paula Rego pintou Salazar vomitando a Pátria. No presente quadro, sentimos vontade de vomitar os restos ou as regurgitações do salazarismo e dos Novos Secretariados da Propaganda. Ler, ver e ouvir o mesmo ou o idêntico começa a causar um fastio de morte, estilo nausée sartreana, mal du pays. Estão a tornar-se impróprios para alimento humano os noticiários e os comentários padronizados, os entretenimentos primários, os atentados à Pátria de Pessoa. Os chefs desta ementa são recrutados pelo bureaue conómico-político. Compete-lhes manter a pax mediática. Há que reconhecer: têm tido êxito a fabricar dependentes do rendimento cultural mínimo e do rendimento eleitoral máximo. No entanto, até entre os fidelizados, corre uma percepção de enfado: dizem sempre o mesmo, dão sempre a mesma coisa. As manifestações de enjoo são idênticas às dirigidas aos parceiros do poder central: são todos iguais. Daí até o grosso dos consumidores se consciencializar da sua condição (antropológica, histórica, social, classista) vai uma persistente didáctica. Que dificilmente se ministrará sem uma ruptura de modelo. 

Todas as armas 

Não dispõe este exilado de meios para constitucionalizar as indústrias de mensagens, cada vez menos distinguíveis das indústrias de massagens. A viragem programática pressupõe uma outra agenda de valores e um suporte material compatível. Apesar da desproporção de meios, cumpre-nos rebater os centros comerciais mediáticos, ampliando a oferta democrática, introduzindo novas cores na paleta sistémica. Os administradores da informação e do entretenimento não alteram a agulha sem entrar em campo um agente histórico empenhado noutros conteúdos, noutras linguagens, noutras embalagens. Para tal, há que reactivar e renovar o formulário de resistência e alternativa. Teremos de optimizar os recursos da guerra popular prolongada: maquis electrónico, imprensa de trincheira e da linha da frente, editoriais de rua, editoras de nicho, faixas de desfile, folhas volantes, panfletos esvoaçantes, caixas do correio, debates de tertúlia, agitações de assembleia, bandas de megafones, tempos de antena, o que mais a imaginação discorrer, a situação sugerir, a tesouraria consentir. Há que deitar mão a todas as armas. A ironia, por exemplo, não requer grande taxa de esforço patriótico. Procuremos sensibilizar algumas entidades escrutinadoras, reguladoras, fiscalizadoras. Para acudir à Pátria, abarrotada de exilados e carecida de alimentação saudável, o Barómetro Marktest poderia medir os indicadores de repugnância, enriquecendo as teses de doutoramento e os congressos de nutricionismo; a ERC deveria enviar, com carácter de urgência, amostras de víveres ao Instituto Ricardo Jorge; a ASAE deveria entrar de rompante nas empresas de artigos contrafeitos, muitos fora de prazo, talvez do tempo da outra senhora. O denunciado é mais pernicioso do que a venda de cavalo por vaca e peixe-caracol por bacalhau. 

EUA/UE 

Como curar o mal du pays? Haverá alguma estância para doenças hepatomediáticas? Onde procurar a verdade dos manuais? Junto de Assange, Manning e Snowden, derradeiros jornalistas de investigação do auto-intitulado Mundo Livre ? Subsistirá algum recanto seguro para os mensageiros audazes e honrados? EUA e UE são centrais de géneros avariados, de informação subprime. Basta folhear um newspaper ou sintonizar os satélites: teremos de andar com potentes lupas, radares e projectores em busca da objectividade prometida e da pluralidade perdida. Pouco haverá a esperar dos maiores fabricantes e distribuidores de lixo celulósico e hertziano. Mesmo que disfarcem com tecnologias de ponta e cantilenas de rights and liberties os seus programas de liquidação de conquistas civilizacionais e de redução de cabeças. [6] De maneira que urge recolocar a eterna questão: Que fazer? [7] 

Eis o testemunho de um ex-aquartelado, actual infoguerrilheiro. 

Para que conste. 

Na rede.

 

1. Pátria, Lugar de Exílio , Daniel Filipe (1925 - 1964). Edição do Autor, sobrecapa de Pilo da Silva, 1963, Lisboa. Despacho da Direcção-Geral da Informação: Trata-se de uma colectânea de poemas do género "revolucionário", escritos em 1962, que pretendem ser um grito contra a opressão em que se vive no País, sob o medo das balas e dos carrascos. (23/03/1972). Proibição de circular: ordem nº 100 - DGI - GE (27/03/1972). Interessante o auto de denúncia transformado em autodenúncia e a sanha persecutória nove anos após a saída do livro. Na verdade, achava-se esgotado. O inquisidor não deixava contudo de fazer doutrina expurgatória. A segunda edição apenas viria à luz depois da Revolução de Abril: Editorial Presença, 1977, Lisboa. 

2. Paula Rego, Salazar a vomitar a Pátria , óleo s/ tela (94 x 120 cm), 1960, Col. Fundação Calouste Gulbenkian. 

3. Almeida Garrett (1799-1854). Escritor, pedagogo, diplomata, lutador de pena e armas na mão. Exilado em Londres e Paris por diversas vezes, entre 1823 e 1931. Viveu períodos de clandestinidade. Participou no Desembarque do Mindelo com as tropas liberais e no levantamento do Cerco do Porto (1832-1833). 

4. Egas Moniz (1874-1955). É-lhe atribuído o desabafo: Vivo exilado na minha pátria. Investigador, neurocirurgião, republicano. Em 1945, foi galardoado com o Prémio de Oslo, graças à descoberta da Angiografia cerebral (1932); em 1949, recebeu o Prémio Nobel da Fisiologia e Medicina como reconhecimento pela Leucotomia pré-frontal (1935). Nos meios oposicionistas correu durante muitos anos o remoque de Salazar ao saber que Egas Moniz fora laureado: Então já temos um Meio Prémio Nobel! O certo é que a Imprensa, uma alinhada, outra amordaçada, exceptuando o jornal República, foi parca em notícias e vibrações. O ditador quis achincalhá-lo, sob o pretexto de haver partilhado o Nobel com o suíço Walter Hess (1881-1973). Critério recorrente nos domínios da medicina, física, química, paz. A alergia do homo santacombensis pelos avanços científicos (práticos e conceptuais) de Egas Moniz já havia sido patente no arrumo do livro A vida sexual (fisiologia e patologia) na lista negra, apesar de ser uma versão da tese de doutoramento e das provas de concurso para professor universitário. A primeira edição da Fisiologia é de 1901, a da Patologia é de 1902, com chancela da França Machado-Editora, Coimbra. Sucederam-se 20 edições até 1933. A Livraria Ferreira, da capital, fez sair dezenas de milhares de exemplares. Até que o regime de Deus, Pátria e Família diabolizou a obra. Os editores desinteressaram-se do best-seller. Ventura Landesma Abrantes (1883-1956), amigo de Egas Moniz, que fazia pontes com membros do Governo, conceituado agente cultural (fundador da Oliventina, da Casa Editora Ventura Abrantes, da Feira do Livro de Lisboa (1931), representante português nas exposições livreiras de Sevilha, Barcelona e Florença), voltaria a dar à luz o tratado científico. A ditadura passou a tolerar A Vida Sexual , com a devida prudência: mediante receita médica. 

5. Poboo meudo, arraia meuda . Caracterização medieval das camadas desfavorecidas. Alusão a levantamentos populares. Fernão Lopes (1380-1460): Crónica de D. Pedro I, Crónica de D. João I. 

6. O Der Spiegel descreveu a administração Obama como "totalitarismo soft" . ( The Guardian , John Pilger, 04/07/2013). 

7. Que fazer?, Vladimir Ilitch Lénine (1870-1924). Primeira edição em russo: Editorial Dietz, 1902, Estugarda. Obra divulgada no Ocidente sobretudo através das Éditions en Langues Etrangéres, 1941-1954, Éditions du Progrès, 1962, Moscovo, Éditions du Soleil, 1966, Paris. Em Portugal, Que fazer? integrou as Obras Escolhidas , tomo I, Editorial Avante!, 1977, Lisboa. No Brasil, há a edição Hucitec, 1988, São Paulo. 

 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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por Augusta Clara às 08:00



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