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Jardim das Delícias


Segunda-feira, 02.11.15

Convicções LXXXVI - Adão Cruz

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Ontem na UNICEPE

   Ontem [sexta-feira] estive presente na UNICEPE no lançamento de um livro de Gonçalo M. Tavares. Entre muitas outras coisas o autor disse que a definição de saúde da OMS é perfeita: “A saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afeções e enfermidades”. Alguém da assistência contestou, dizendo que não passa de um disparate, possivelmente pensando que a doença é apenas física ou mental. Estou de acordo com Gonçalo M. Tavares e com a OMS. No entanto, sendo o escritor um homem que me pareceu fascinado pelos pequenos e mesmo microscópicos problemas filosóficos da nossa vida, gostaria de dizer que, em meu entendimento, a OMS nem necessitaria de ser redundante. Bastaria dizer que a saúde é UM ESTADO DE COMPLETO BEM-ESTAR. Para quem, como eu, não existe qualquer dualidade corpo-espírito, para quem, como eu, não existe qualquer fronteira entre a pele e a carne, entre a carne e o sangue, entre o sangue e o cérebro, entre o cérebro e a mente, entre a mente e o pensamento, entre o pensamento e a vida, para quem, como eu, o ser humano é um todo indivisível e indissociável ainda que constituído por miríades, biliões ou triliões, de subunidades tendo a mente como a força hierarquicamente soberana, para quem, como eu, a humanidade não é um mero conjunto de homens e mulheres mas uma intrincada rede de relações e de vida, a saúde só poderá definir-se, única e exclusivamente, como o completo bem-estar do “TODO” do ser humano.

 

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por Augusta Clara às 14:00

Terça-feira, 25.08.15

Convicções LXXXV - Adão Cruz

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(a jeito de resposta a alguns comentários ao artigo “Fátima”, de Carlos Esperança)

 

   Ninguém de bom senso é contra os crentes, ninguém tem o direito de ser contra os crentes do que quer que seja. Toda a gente, seja quem for, tem o dever de respeitar o legítimo direito de cada um às crenças que tiver. Durante a minha vida tive muitos pacientes e amigos, padres e freiras, a cujas crenças nunca me referi nem nelas interferi, e a quem tratei com o maior desvelo que pude. Um desses amigos, grande amigo que depois foi bispo, foi o único, porque ele assim o queria nas nossas conversas, a ouvir-me falar contra as igrejas e as religiões.

O mesmo não se pode dizer da crença em si, que qualquer um pode respeitar ou não. Os direitos são de todos e não só de alguns. Qualquer um que assim o entenda, tem todo o direito de não aceitar uma crença, tem todo o direito de não ter o mínimo de respeito por uma crença, e tem todo o direito público e a liberdade cidadã para a negar, denunciar e combater, sobretudo se essa crença é um fenómeno de dimensão social. Sobretudo se essa crença, na sua maneira de ver, dentro do pensamento e da razão, e se não bastar, à luz de provas que eventualmente existam, uma fraude, com graves implicações sociais e humanitárias de toda a ordem. Se assim não fosse, nada nos dava o direito de combater as terríveis consequências das crenças islâmicas que hoje aterrorizam o mundo.

Se a Igreja católica não tivesse os argentários objectivos que tem, e tivesse algum respeito por esses peregrinos que eu respeito, proibiria de forma categórica que todo e qualquer objecto de valor ou esmola fossem deixados em Fátima. Essa atitude, para mim a única, poderia angariar-lhe, isso sim, algum respeito. Mas todos aqueles que param para pensar sabem que isso não é possível, pois a única finalidade da invenção de Fátima é mesmo a extorsão e a rentabilidade da fé. De outra forma, teria os dias contados. Fátima é um fenómeno público, tido por milhões de pessoas como farsa monumental,  com enormes interacções e interpenetrações sociais a todos os níveis, e ninguém  pode retirar a ninguém o seu direito de cidadão para a denunciar e combater.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 23.06.15

CONVICÇÕES LXXXIV - Adão Cruz

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   Já fui convidado para alguns almoços e jantares ditos gourmet. De uma maneira geral posso dizer que foram barretes. A pagar nunca aconteceu e estou convencido de que, por vontade própria, nunca acontecerá. Há dias, por engano e porque não tinha alternativa entrei num desses restaurantes e fiquei estarrecido mal abri o cardápio. O menu mais barato andava pelos oitenta euros e nem reparei se não seria, porventura, o menu infantil, pois os outros iam por ali acima. A servir-me havia aí uma dúzia de pessoas, entre rapazes e raparigas. Uma apresentou-me com ar glorioso a lista, outro trouxe-me uma infindável variedade de pão, outra verteu um pouco de azeite numa pequena concha a que juntou umas gotas de vinagre balsâmico, um rapaz trouxe um prato, outro rapaz transportou o talher, uma rapariga apresentou os vinhos à taça, entre seis e dez euros cada meio copinho e outro rapaz verteu a amostra de vinho no meu copo.

Vi-me à rasca para escolher alguma coisa que eu entendesse ter ar de comida normal, pois todos os pratos tinham uma classificação com mais vocábulos do que a classificação científica de qualquer espécie biológica. Como só havia uma sopa, dita de peixe, escolhi essa. Havia um prato que me parecia o menos misterioso, pois tinha no meio da frase a palavra cabrito e que eu também escolhi. Quanto a preços andava tudo ela por ela, mas muito acima dela. Alguém me trouxe o prato da sopa, salvo erro uma menina, com dois ou três pedacinhos de peixe no fundo – disse-me ela que era peixe – sobre os quais verteu um consommé pelo bico de um bule. A minha profissão não é cozinheiro mas cozinho há quase meio século e não tenho a menor dúvida de que esta amostra de sopa, que não se pode dizer que estivesse má, fica a milhas de uma verdadeira sopa de peixe. Quanto ao cabrito, que era comestível mesmo dentro do inabitual fenótipo, nada tinha do verdadeiro genótipo culinário do nosso cabritinho português. Uma espécie de mutação digna de ser enviada ao IPATIMUP.

Mas o pior de tudo foram todas as paneleirices que rodearam a refeição. Desculpem o termo mas não encontro palavra mais adequada. Eu sei que os empregados e empregadas, coitados, têm de cumprir os protocolos impostos pelos iluminados e por vezes ridículos coreógrafos destas fofoquices tão queridas daqueles que passam a vida a comer dinheiro. Mas com franqueza! Não sendo de minha natureza ser indelicado, vi-me obrigado a pedir a uma menina que não me descrevesse tão pormenorizadamente o que eu ia comer, pois dava-me a sensação de que iria ingerir um complicado sistema de relojoaria.

Ao fim de uma dezena de perguntas ao longo da entediante refeição, elaboradas e repetidas por cada uma e cada um dos empregados: a sopinha estava boa…, o cabritinho está bom…, que tal o vinho…,está a gostar…, está tudo bem…, não falta nada…, precisa de ajuda…? Com esta última não me contive e disse à menina: esta é a pergunta que eu faço aos meus netos, quando eles arrastam as colheres da sopa. Queres ajuda?

Está tudo bem menina, não pergunte mais nada e traga-me a conta por favor.

 

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por Augusta Clara às 14:00

Sexta-feira, 12.06.15

CONVICÇÕES LXXXIII - Adão Cruz

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  Sempre tive respeito e consideração por Júlio Isidro como profissional da televisão.

Contudo, ao vê-lo enrolado numa das mais vergonhosas campanhas da TV, isto é, na vigarice da publicidade dos remédios ou pseudo-remédios milagrosos, perdi-lhe o respeito.

E cheguei à convicção de que tudo é vendável, nomeadamente o uso-fruto da inteligência e a dignidade.

 

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por Augusta Clara às 14:00

Sexta-feira, 08.05.15

CONVICÇÕES LXXXII - Adão Cruz

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   Hoje na estrada deparei com um formigueiro de gente a caminho de Fátima, a pé. E pensei. Alguém já viu um padre, um bispo, um arcebispo, um cardeal, ou mesmo uma simples madre ou freira, a caminho de Fátima, a pé? Suponho que não. Estou convencido, e é apenas uma convicção, de que o não fazem porque é muito cansativo, porque não acreditam que seja remédio para coisa alguma, e ainda porque sentiriam uma grande vergonha. Tais humilhantes penitências são para as ovelhas do Senhor e não para os pastores.

Custa-me muito dizê-lo, mas também eu um dia fui a Fátima a pé. Andava pela minha adolescência, princípios da idade adulta, altura em que ainda não me tinha libertado por completo das garras que a igreja havia cravado na alma da minha infância e da minha juventude. Lembro-me de um velhote sentado na berma da estrada que me disse: Ó meu rapaz vai mas é trabalhar. E senti-me muito triste. Hoje, como os pastores, morreria de vergonha…mas por outras razões.

 

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por Augusta Clara às 14:00

Segunda-feira, 13.04.15

CONVICÇÕES LXXXI - Adão Cruz

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   Fala-se muito em direita e esquerda. São dois termos profundamente enraizados na nossa vida política. Há quem queira menosprezar esta dicotomia, não porque a menospreze, antes pelo contrário, mas porque se sente muito desconfortável. Sou uma pessoa quase obsessiva a procurar o caminho da lucidez. Julgo, nas minhas reflexões e pelo que todos conhecemos, que a maioria das pessoas de esquerda são gente de boa matriz humana, são gente menos comprometida com os interesses do sistema e com o poder económico, são, por tudo o que somos dados a ver no dia-a-dia, muito menos corruptos, e tudo procuram fazer, ao contrário dos que pairam pelas áreas políticas da direita, para dignificar a luta em favor dos fracos. São quem dá o corpo ao manifesto, tantas vezes sem qualquer proveito pessoal, e têm, de uma maneira geral, um elevado sentido da dignidade e da vida. São lúcidos e muitas vezes senhores da verdadeira cultura do percurso e não do enciclopedismo balofo que por aí se vê, gente que reflecte a vida e o mundo em sentido solidário, gente que questiona e se questiona constantemente sobre a verdade e a justiça. A ambição que lhes reconheço é a de ajudar a criar um mundo melhor e mais justo. Sendo gente humana que erra e aprende com os erros, são irredutíveis na sua força ideológica sem deixarem de ser flexíveis, reconhecendo, contudo, que a verdadeira flexibilidade nada tem a ver com a flexibilidade  e as liberdades formais, alimentadas pelos canais da estupidez e da perversão dos media, o grande domínio da direita.

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por Augusta Clara às 16:00

Quarta-feira, 08.04.15

CONVICÇÕES LXXX - Adão Cruz

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   Na cidade de Fafe, a partir desta quarta-feira, vai haver um encontro internacional de causas e valores da humanidade. Um dos momentos desse encontro acontece hoje com a presença do cardeal hondurenho Óscar Maradiaga, presidente da Cáritas Internacional e um dos nove cardeais conselheiros do Papa Francisco. Irá debater, à mesa do café Arcada, com Maria Barroso, presidente da Fundação Pro Dignitate, “o valor da dignidade humana”.

O que não se diz é que este cardeal, seguindo o histórico exemplo da Igreja por toda essa América Latina, apoiou e colaborou no golpe das Honduras que depôs um presidente democraticamente eleito, dando origem a uma ditadura que fez muitas perseguições e muitos mortos. Rica dignidade humana, exemplar vida “Pro Dignitate”!

 

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por Augusta Clara às 15:00

Quarta-feira, 18.03.15

CONVICÇÕES LXXIX - Adão Cruz

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   Dizia há dias um jornal que os lobos do Vaticano voltaram. Não voltaram porque sempre lá estiveram. Por táctica e estratégia assumiram, desde Bento XVI, uma espécie de hibernação, a ver até onde o Papa Francisco se atreve.

Qual reforma da Igreja, qual transparência, qual limpeza!

Diz ele, o Papa Francisco, que o seu pontificado será curto e não está livre de ser cilindrado. Ele sabe bem as águas em que se move.

Só não sabe quem não quer. Muita gente sabe que a igreja foi sempre reaccionária e retrógrada, atravessando os séculos até aos dias de hoje, de braço dado com o poder e o dinheiro, a ambição, a opressão e o crime. Pela maior parte das cabeças da Cúria Romana, passa tudo menos Deus. A Santa Sé é sé de tudo menos de santidade.

Nada mudou nem mudará, porque todo este esquema é uma cristalizada estrutura genética imutável, servindo de carapaça ao núcleo duro, esse sim, renovando constantemente as suas aprimoradas estratégias de corrupção e crime.

Tudo leva a crer que os duros do Vaticano não diferem dos duros da mafia a que pertencem e cumprem escrupulosamente as ordens dos donos do mundo. À falta de um mandante concreto…dizem ser Deus quem manda. O fim é sempre o mesmo. Segurar o Sistema seja qual for a tempestade que o ameace. Alimentar a todo o custo, ainda que com novas formas e fórmulas, o obscurantismo, único modo de manter a sobrevivência da monumental  verdade-mentira de sempre, espinha dorsal de uma igreja que nada tem a ver com a igreja de Cristo.

E o Papa Francisco sabe disso. A sua resignação ou o seu assassínio tornam-se, desta forma, muito prováveis.

 

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por Augusta Clara às 14:00

Quarta-feira, 11.03.15

CONVICÇÕES LXXVIII - Adão Cruz

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   Por cada cabelo branco que nasce, há, provavelmente, uma ou mais células cerebrais que se consomem. É a lei da vida. Por esta lei da vida desconfio que possa haver, em muitos seres humanos, algum grau de displasia e degenerescência na sua admirável capacidade de pensar. O sinal desta desconfiança reside, a meu ver, naquilo que me parece ser alguma instabilidade e algum desacerto no fio-de-prumo do seu carácter.

 

Dá ideia de que as células, cansadas de tanto pensarem bem, como acontece tantas vezes na vida, se desmobilizam e se demitem, por vezes, do rigor funcional que lhes é exigido. Há muita gente ansiosa por pendurar a tabuleta a dizer “cheguei até aqui”. Por vezes não querem parar um pouco para pensar e entender que esta viagem não tem fim, é a viagem da dignidade humana, e qualquer fictícia chegada arruma a pessoa para fora da única vida que vale a pena viver.

 

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por Augusta Clara às 14:00

Segunda-feira, 02.03.15

CONVICÇÕES LXXVII - Adão Cruz

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   Ler um livro não significa folhear um livro nem absorver integralmente um livro. Ler um livro pode saldar-se apenas pelo descobrir de qualquer coisa que nos faltava, de cuja falta não nos dávamos conta, coisa que jamais encontraríamos se o não tivéssemos lido, e que depois de o ler consideramos uma peça fundamental na construção da nossa vida e da nossa autenticidade.

 

   Ler um livro é ajudar a construir a casa que se vai erguendo dentro de nós ao longo da vida, podendo acontecer que essa leitura permaneça como uma das pedras basilares do edifício, bem ou mal construído. A magia do livro é tão grande que pode criar pedras muito diferentes para casas muito diversas.

 

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por Augusta Clara às 17:36



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