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Jardim das Delícias


Segunda-feira, 16.03.15

O aniversário - José Goulão

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José Goulão  O aniversário

 

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   Mundo Cão, 16 de Março de 2015

   Diz-se que a História é escrita pelos vencedores, mas nos tempos que correm ela é igualmente obra de imbecis e mentirosos amestrados no obscurantismo da propaganda. No caso da guerra civil síria, como ainda não há vencedores, apenas centenas de milhares de vencidos cujas vidas foram sacrificadas aos riscos de sangue com que se redesenha o mapa do Médio Oriente, prevalecem as sentenças tão delirantes, como idiotas e mistificadoras dos papagaios de serviço às ordens dos que alimentam o conflito enquanto apregoam a democracia e os direitos humanos.

Vamos então a factos, agora que se completaram quatro anos sobre a data do início da guerra estabelecida pelos que a relatam torta e por linhas tortas.

É mentira que a guerra tenha começado porque o regime da família Assad reprimiu manifestações inseridas naquilo a que convencionou chamar-se “primavera árabe”, e que aliás deu excelentes resultados como sabemos pelos exemplos do Egipto, da Líbia, do Bahrein, do Iémen e fiquemos por aqui para não termos de nos alongar sobre países que vivem sob esplendorosas primaveras como a Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Iraque. Por muito que estas palavras possam vir a ofender os olhos de quem anda a ver demasiados telejornais, as acções das tropas de Damasco foram provocadas pelo facto de grupos terroristas injectados no território sírio ao serviço de países estrangeiros, os suspeitos do costume, terem cavalgado sobre as intenções genuínas dos manifestantes, adulterando-as, a exemplo do que aconteceu na Líbia, com os resultados conhecidos. Não é por acaso que um dos terroristas favoritos da NATO em território líbio, Abdelhakim Belhadj, se transformou num dos angariadores de mercenários islâmicos para a guerra civil síria.

Leitores medianamente informados não ignoram que o ovo da pestilenta organização que dá pelos nomes de Isis, ou Daesh, ou Estado Islâmico foi chocado na guerra civil síria pelos chamados “amigos da Síria” e da senhora Clinton a rogo do senhor Obama e do complexo militar industrial que governa os Estados Unidos e o mundo. Eles, esses tais amigos, insistem em dizer que os dinheiros, as armas, o recrutamento e as facilidades de treino por eles providenciados aos terroristas infiltrados na Síria, “libertadores”, como lhes chamam”, se destinavam aos “moderados”, mas a História – não a recitada pelos papagaios travestidos de jornalistas – revela que entre esses “moderados” e a Al Qaida ou Al-Nusra, ou Daesh, ou Estado islâmico ou Isis não existem diferenças porque os primeiros não passam de uma capa ténue incapaz de cobrir o resto, resumindo-se tudo numa palavra: terrorismo.

É de terrorismo que trata a guerra civil síria, essa é a verdade que se tenta esconder em mais este aniversário de uma operação criminosa alimentada pelos que proclamam a paz e a democracia sob as insígnias dos Estados Unidos da América e da União Europeia recorrendo aos prestáveis serviços do terrorismo israelita e dos seus aliados de reconhecidas virtudes democráticas como a Arábia Saudita, o Qatar e a Turquia, imprescindível pilar da NATO. Há poucos dias, um oficial israelita, dito Johnny entre os confrades, foi abatido pelo exército sírio nos Montes Golã quando prestava apoio a uma unidade dos “moderados” do Exército Livre da Síria directamente controlada pelo exército israelita. Para que não se pense, porém, que a generosidade israelita se esgota nesses tais “moderados” recordem-se as informações divulgadas pela própria imprensa israelita dando conta de que o primeiro-ministro Netanyahu não hesita em visitar terroristas do Isis, Daesh, Al Qaida, Al Nusra, o que for, nos hospitais israelitas onde são tratados aos ferimentos sofridos durante as operações contra o povo sírio montadas a partir dos Montes Golã, ilegalmente ocupados por Israel. Notem bem que isto se passa com um chefe de um governo que “não dialoga com terroristas” – na verdade apenas os cumprimenta e lhes estima as melhoras.

Histórias como estas não fazem parte das montagens oficiais sobre o aniversário da guerra civil síria distribuídas pelas centrais terroristas de propaganda e recitadas por mentirosos amestrados. E, contudo, elas existem.

 

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por Augusta Clara às 17:00

Segunda-feira, 16.02.15

Danos colaterais - José Goulão

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José Goulão  Danos colaterais

 

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   A imprensa norte-americana e as suas filiais europeias descobriram nas últimas horas uma coisa inquietante: O ISIS, ou Estado Islâmico, ou que lhe queiram chamar, chamem-lhe Al-Qaida, por exemplo, está a avançar na Líbia.
Na Líbia? Leram bem… Na Líbia?
Será que a Líbia ainda existe?
Se existe, quem governa o país? Onde está o governo? Quem manda?
Estas seriamas perguntas que a imprensa norte-americana e as suas filiais europeias deveriam fazer a si mesmas, investigar e encontrar respostas para informar os seus leitores, ouvintes ou telespectadores. Pois é, mas isso dói, não que custe dinheiro porque para a imprensa norte-americana e as suas filiais europeias o dinheiro não é nem nunca será problema. O problema é, adivinhem, medo. Medo naturalíssimo, compreensível, respeitável. Porque procurar conhecer a verdade da situação naquilo a que por hábito ou comodidade ainda chamam Líbia é perigoso, mortal.
Não deveriam pois a imprensa norte-americana e as suas filiais europeias falar de coisas que não podem ou não querem explicar quando ao certo, ao certo mesmo, só têm resposta para duas únicas perguntas:
Quem deixou o que resta da Líbia no estado em que está?
Quem goza do regabofe em que se transformou o comércio petrolífero do território outrora designado Líbia?
Acredito que a imprensa norte-americana e as suas filiais europeias sejam capazes de responder facilmente a estas perguntas. Porém, não as fazem nem respondem, lá sabem porquê.
Porque quanto ao resto, o ISIS, ou Daesh, ou Estado Islâmico, ou Al-Qaida estar a aumentar a sua influência na Líbia, não é notícia. Sempre lá esteve, criou um primeiro “califado” em Derna, na Cirenaica, quando começou a “primavera árabe” Benghazi, em 2011. A caminhada dos seus “combatentes da liberdade”, tornada possível a coberto dos bombardeamentos da NATO contra civis, escolas, instalações sociais e culturais, para conquistar Tripoli, ali instaurar o “poder democrático” e assassinar Khaddafi foi acompanhada com trombetas triunfais pela imprensa norte-americana e as suas filiais europeias. Em vez do “poder democrático” ficou um país em cacos, mas isso agora não interessa nada.
É verdade, o ISIS sempre lá esteve, até na luta clandestina contra Khaddaffi. Pode ter-se chamado outras coisas, tal como na Síria, mas foi, é e será o mesmo ISIS, a fachada de radicalismo islâmico que desde Bin Laden e a Al-Qaida, já lá vão 40 anos, tem servido aos pescadores de águas turvas, incluindo governos que se têm a si mesmos em conta de honestos, democráticos e civilizados, para atingirem objectivos multifacetados que tanto podem ser a instauração de regimes económicos neoliberais puros e duros, o contrabando de riquezas energéticas e minerais, o roubo de preciosidades históricas e artísticas que deveriam ser património da humanidade, o redesenho de mapas regionais, o tráfico de armas e estupefacientes. Enfim, em última análise, o ISIS e as suas mil e uma caras mafiosas servem para manter um estado de guerra permanente de que tão bem sabem alimentar-se a imprensa norte-americana, as suas filiais europeias e os senhores da guerra, alguns dos quais são seus patrões. O resto, como o avanço do ISIS pelo que resta da Líbia não é notícia, são danos colaterais.

 

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por Augusta Clara às 16:00



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