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Jardim das Delícias


Quinta-feira, 25.09.14

Uma guerra real com objectivo falso - Charles Hussain, Beirute

http://www.jornalistassemfronteiras.com/

 

Charles Hussain  Uma guerra real com objectivo falso

 

 

 

23 de Setembro de 2014

 

   A realização, pela primeira vez, de operações militares directas dos Estados Unidos da América contra território sírio faz fervilhar os bastidores da conspiração e da intriga em Beirute, ainda mais intensamente do que é habitual. E são poucas as dúvidas nesses meios: está em curso uma nova fase da estratégia dos países da NATO para alterar os mapas da região e mudar o regime de Damasco – ou reduzi-lo à insignificância.

“O que nos dizem as últimas notícias divulgadas pelos  mais poderosos media mundiais é que os Estados Unidos da América começaram a combater, em nome da guerra contra o terrorismo, uma organização terrorista que criaram e alimentam”, ironiza Issam Delacroix, jurista franco-libanês há muito radicado em Beirute. “Sejamos realistas, ninguém no seu perfeito juízo pode acreditar nesta patranha à medida das mentes brilhantes dos senhores Hollande, Cameron e Obama: o alvo é a Síria, não o Estado Islâmico e o seu "califa Ibrahimi"”, prossegue.

Delacroix salienta que os principais dirigentes ocidentais há muito “se deixaram enredar numa teia de mentiras, mistificações, dispendiosos e muito perigosos jogos de guerra, em última análise para fazerem o que Israel pretende – um universo de pequenos satélites tribais e sectários em seu redor, entretidos a combater-se entre si”.

“Veremos se dentro em pouco não começará a ganhar forma a criação de uma nova entidade, ou "estado" no nordeste da Síria onde tem funcionado um dos feudos do Estado Islâmico e que, na realidade, não será mais do que uma base operacional da NATO e israelita para orientar o desmantelamento da Síria e do Iraque”, adverte John Summers, operador de câmera canadiano há muito habituado a captar imagens das realidades regionais, “principalmente as que não cabem nos media que têm sempre a certeza de tudo mesmo que num dia digam o contrário do que disseram no anterior”. Essas regiões, explica,“estão hoje muito desertificadas porque a guerra afastou grande parte da vida humana ali temporariamente existente, dominada pelo nomadismo e que se foi deslocando para território saudita. Não havendo pessoas há, no entanto, importantes recursos petrolíferos, os mais importantes da Síria”.

“Sei de fonte segura”, prossegue Summers, “que as estruturas militares operacionais dos grupos de mercenários que compõem o dito Estado Islâmico têm vindo a ser transformadas através da integração de supostos "oficiais" recrutados entre os uigures (minoria islâmica) da China e os chechenos, estes "fornecidos" pelo regime da Geórgia. O seu transporte secreto para a Turquia, e daí para o nordeste da Síria, tem estado a cargo dos Estados Unidos. Isto é, não estamos perante uma guerra para destruir o Estado Islâmico, como promete o presidente Obama, mas para fazer dele qualquer coisa com um papel específico regional e eventualmente mais alargado, China e Rússia que se cuidem”.

A intervenção militar da Jordânia, Arábia Saudita, Bahrein, Qatar e Emirados Árabes Unidos ao lado dos Estados Unidos na operação contra território sírio “faz parte da ordem natural das coisas”, comenta um professor universitário oriundo da Península Arábica de passagem por Beirute e que não deseja sequer citar o país de origem. “A monarquia saudita tem libertado milhares de presos das suas cadeias, de várias nacionalidades, com a condição de irem fazer a jihad contra a Síria, juntando-se aos "moderados" ou aos "radicais", isso não interessa, caso contrário serão decapitados”, explica oprofessor. “Também se sabe que os Estados Unidos e a Turquia lançaram uma operação para tentar deserções da polícia síria em troca de um salário de 150 dólares por mês e criaram para o efeito um gabinete de coordenação. É a isto que pode chamar-se oposição síria, capaz de instaurar a democracia no país? - interroga-se a mesma fonte.

John Summers confirmou que a pretensa distinção entre “moderados” e “radicais” nos grupos que participam na guerra civil síria “é absolutamente falaciosa”. “Conversei com comandantes de grupos do Exército Sírio da Liberdade, os tais "moderados" que os Estados Unidos reconhecem apoiar, e eles não hesitam em admitir que a única maneira de conseguir o objectivo de derrubar o governo de Damasco é combater ao lado dos grupos originários da Al Qaida, tanto a Frente Al Nursa como o Estado Islâmico”. Summers acrescenta que “conhecendo o Pentágono a impossibilidade de derrubar Assad apenas com os "moderados" e mantendo-se visivelmente a intenção de levar até ao fim a mudança de regime em Damasco, nunca iria desmantelar um instrumento fundamental que criou para o efeito, o Estado Islâmico. "Por isso”, salienta, “o objectivo anunciado pelos Estados Unidos para esta guerra, desmantelar o Estado Islâmico, é uma mentira – pelo menos até prova em contrário”.

No Líbano, país tão martirizado por instabilidade, guerras civis e invasões, teme-se o pior na sequência dos novos acontecimentos na Síria. ”À nossa volta está tudo a fragmentar-se e prevemos que iremos sofrer com tudo isto, mas não sabemos como”, afirma Samir Waadib, comerciante de Beirute que já viveu “muitas agonias, mas a pior é sempre a que está para vir”. Recordou que “estamos divididos em comunidades cristã, xiita e sunita e o que acontecer com as relações de forças religiosas nos países à nossa volta vai reflectir-se entre nós, mesmo que as nossas comunidades não estejam alinhadas com as equivalentes em redor. A história do Líbano tem sido feita a conseguir uma vida em paz entre as nossas comunidades e agora vemos que, para desgraça nossa e devido a egoísmos e interesses alheios à região, as explosões sectários nas vizinhanças são a nossa maior ameaça”, disse Samir Waadib.

 

Charles Hussain, Beirute

 

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por Augusta Clara às 08:00

Sexta-feira, 19.09.14

Entrevista com o arqueólogo Cláudio Torres, conduzida por Paulo Barriga

 

Cláudio Torres fala sobre os estilhaços da Primavera Árabe

 

 

 

Diário do Alentejo, 12 de Setembro de 2014

 

   A fragmentação da Síria e do Iraque. O eternizar da guerra na Palestina. O choque de interesses no Médio Oriente entre a Arábia Saudita, Israel e Irão. A criação do nono Estado Islâmico. A barbárie que todos os dias nos entra em casa pela janela televisiva. A ameaça de ataques terroristas na Europa. E, mais recentemente, a grande campanha de jovens jihadistas pela reconquista do território do Al Andaluz, que corresponde na generalidade à Península Ibérica, são os pontos de partida para esta grande entrevista com Cláudio Torres, arqueólogo, diretor do Campo Arqueológico de Mértola (CAM). Um verdadeiro laboratório sobre o passado árabe na Ibéria que hoje está financeiramente “bastante mal”, embora sempre preparado para “novas aventuras”.

 

Entrevista Paulo Barriga

Enquanto investigador das culturas do mundo árabe e mediterrânico, como observa o desmembramento e até a anarquia que se instalou em alguns países, após a chamada Primavera Árabe?

Não creio que seja correto falar do mundo árabe em geral quando nos referimos aos últimos acontecimentos políticos que têm agitado o norte de África e o Próximo Oriente. Se pode ter havido alguma contaminação inicial entre os acontecimentos que eclodiram na Tunísia e, de certa forma, a explosão urbana no Egito, é o único caso que pode servir de exemplo às revoltas incluídas mais tarde na chamada Primavera Árabe. Senão vejamos: a Argélia, apenas emergente de uma longa guerra colonial, continua ainda a manter um equilíbrio precário e onde o fundamentalismo religioso tem sido mais ou menos controlado pelo exército. Marrocos, para já, mantem-se dominado por um regime musculado. O caso da Líbia assemelha-se mais ao que se passou no Iraque e Afeganistão, onde, cavalgando e alimentando descontentamentos populares, foram os interesses petrolíferos a justificar a intervenção estrangeira. Neste caso, onde inicialmente foram criados e fortemente armados grupos de guerrilha fanatizada, estes três países foram praticamente destruídos para que as grandes empresas petrolíferas americanas e inglesas recuperassem o controlo sobre o ouro negro destas antigas colónias que, por acidentes históricos, tinham escapado da sua esfera de influência. A Síria e o Líbano, vistos inevitavelmente em conjunto, são outro caso diferente que está certamente relacionado com as feridas deixadas pela Guerra Fria. Tem sido um campo de batalha entre as grandes potências em que o jogo no terreno tem pertencido à Arabia Saudita e a Israel, por um lado, e ao Irão, pelo outro.

Em termos estruturais, pelo menos em termos culturais, é possível constituírem-se sociedades democráticas, ao jeito europeu, nos países islâmicos da bacia do Mediterrâneo?

Também aqui há casos muito diferentes. A Tunísia, o Líbano e a Turquia que, por razões históricas, estão mais próximos da cultura europeia, já construíram referentes que certamente vão permitir uma melhor assimilação dos chamados valores da democracia ocidental. Os outros países são casos muito diferentes. Ou porque têm, eles próprios, um poderoso mosaico de culturas, como o Irão, a Síria, e o Egito e mesmo os farrapos em que foi retalhado o Iraque. Os casos da Argélia e de Marrocos são parecidos no seu esforço recente de recuperar a sua identidade histórica ligada indissociavelmente à cultura amazigh-berbere.

Hoje em dia quase que existe uma espécie de muro a separar os hemisférios Norte e Sul do Mediterrâneo. De onde advém esta falta de compreensão e de adaptação mútuas entre povos que durante milénios partilharam o mesmo caldeirão cultural?

Historicamente os habitantes das margens norte e sul do Mediterrâneo sempre pertenceram às mesmas famílias e à mesma cultura. Depois do desmembramento do Império Romano e da formação na Europa e no Magreb de vários países, o Mediterrâneo continuou a ser a grande plataforma comum para os intercâmbios comerciais e culturais até aos movimentos militares da Reconquista, a partir do século XII. Sob a capa de um movimento religioso, Roma tenta reconstituir o império assimilando todo o Mediterrâneo e cristianizando o Sul muçulmano. É neste contexto que decorre a Idade Média e que se afirma no Sul, como reverso da medalha, o Império Otomano. A sua derrota nos tempos modernos motiva a ocupação colonial de todo o Sul, transformando todos estes países em simples apêndices da Europa capitalista. A violência desta ocupação é bem patente na Guerra da Argélia que praticamente se arrastou até aos nossos dias. Não podemos esquecer que a ocupação política, económica e cultural de todos estes países pelas potências coloniais, sobretudo Inglaterra, França e Estados Unidos, durou praticamente até aos nossos dias. Não é portanto de admirar que os movimentos de libertação colonial ainda não tenham chegado ao fim.

Estamos a falar de uma barreira cultural e religiosa difícil de transpor, ou o que está em causa, de facto, são razões de ordem económica?

São razões de ordem económica, naturalmente. Só que ainda é muito pesado o envolvimento cultural e sobretudo religioso. O domínio cultural, devido sobretudo à imprensa e televisão, é praticamente absoluto ao contrário do facto religioso que tem vindo a transformar-se numa poderosa arma identitária. O Islão desempenha hoje, no mundo moderno, o papel do cristianismo primitivo na afirmação e sobrevivência de populações humilhadas e escravizadas.

Este novo pseudo-Estado, autodenominado Estado Islâmico do Iraque e do Levante, é para levar a sério?

Não só levado a sério, como compreendido e inserido no seu contexto. É a abertura, a porta de acesso ao paraíso tão desejado e esperado. É um sonho, uma esperança para populações desesperadas a quem foram arrancadas as raízes e muitas vezes a própria razão de viver.

 

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por Augusta Clara às 14:00

Sexta-feira, 12.09.14

Afinal quem criou o monstro? - Telmo Vaz Pereira

 
Telmo Vaz Pereira  Afinal quem criou o monstro?
 
 
22 de Agosto de 2014
 
   As revelações recentes de Edward Snowden, de acordo com especialistas, não constituiu uma surpresa absoluta, já que ficou no passado comprovado pelos documentos secretos publicados pela Wikileaks de Julian Assange, que Osama bin Laden da Al-Qaeda foi uma criação da CIA, treinado em Langley, Virgínia, e posteriormente financiado e armado pelo governo americano para que a sua organização combatesse os soviéticos que ocupavam o Afeganistão. Depois da retirada do vencido exército russo daquele território, a criatura ficou fora do controlo do criador, para quem virou as suas armas.
Ironicamente, o Estado que secretamente fabrica, treina, arma e financia terroristas e recorre a eles para combater os seus adversários, é o mesmo que elabora uma lista das organizações e dos seus líderes "mais procurados", não constando dela nenhum dos presidentes norte-americanos, assim como estabelece quais são as organizações "terroristas" a perseguir com prioridade, conforme os seus desígnios e conveniências, encontrando-se entre estas movimentos de libertação nacionais ou organizações que lutam pela independência como foi o IRA ou a ETA, assim como a OLP de Arafat ou ainda mais recentemente o Hamas que luta contra a ocupação sionista do território palestino. Recorde-se que no passado também constaram por exemplo dessa lista os Tupamaros (do actual presidente Jose Mujica do Uruguay), os Sandinistas da FLSN na Nicarágua, assim como o MPLA de Angola e ao mesmo tempo que financiavam a UPA de Holden Roberto, o PAIGC da Guiné-Bissau e a FRELIMO de Moçambique, bem como os seus líderes em finais dos anos 50 e princípios dos anos 60, e simultaneamente forneciam armamento através da NATO ao ditador Salazar para combater os "terroristas" das colónias africanas.
Agora, Edward Snowden, o antigo funcionário da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, sigla em inglês) refugiado em Moscovo, revelou que os serviços de inteligência britânica (MI6), norte-americana (CIA) e de Israel (Mossad) colaboraram na criação do grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) ou ISIS, na sigla em inglês.
Snowden revelou que os serviços de inteligência daqueles três países - EUA, Reino Unido e Israel -, cooperaram juntos a fim de criarem uma organização terrorista que fosse capaz de atrair todos os extremistas do mundo para um só lugar que lhes interessasse, dentro de uma estratégia batizada como “O Ninho dos Zangões” (The Hornet’s Nest). Os documentos revelam que o "Calif" Abu Bakr Al Baghdadi, líder da organização ISIS, fez um intenso treino militar através da 'Mossad', inteligência de Israel, primeiro nesse país e depois com a CIA numa base militar secreta na Jordânia. Para além do treinamento militar, Al Baghdadi estudou técnicas de comunicação e oratória com a orientação de especialistas americanos e sionistas para atrair "terroristas" de todos os cantos do mundo.
Os documentos da NSA mencionam “a recente colocação em prática de um velho plano britânico conhecido como o ‘Ninho de Vespas’ para proteger a entidade sionista e criar uma religião fanática que inclua lemas islâmicos e que repudie qualquer outra religião ou seita”.
Segundo os documentos divulgados por Snowden, “a solução encontrada pelos países envolvidos para proteger o Estado judeu-sionista foi criar um inimigo próximo de suas fronteiras, mas dirigi-lo contra os movimentos de resistência e estados islâmicos que se opõem a Israel”.
Também desta vez, a criatura está fora do controlo do criador.
Foto: AFINAL QUEM CRIOU O MONSTRO ? As revelações recentes de Edward Snowden, de acordo com especialistas, não constituiu uma surpresa absoluta, já que ficou no passado comprovado pelos documentos secretos publicados pela Wikileaks de Julian Assange, que Osama bin Laden da Al-Qaeda foi uma criação da CIA, treinado em Langley, Virgínia, e posteriormente financiado e armado pelo governo americano para que a sua organização combatesse os soviéticos que ocupavam o Afeganistão. Depois da retirada do vencido exército russo daquele território, a criatura ficou fora do controlo do criador, para quem virou as suas armas. Ironicamente, o Estado que secretamente fabrica, treina, arma e financia terroristas e recorre a eles para combater os seus adversários, é o mesmo que elabora uma lista das organizações e dos seus líderes "mais procurados", não constando dela nenhum dos presidentes norte-americanos, assim como estabelece quais são as organizações "terroristas" a perseguir com prioridade, conforme os seus desígnios e conveniências, encontrando-se entre estas movimentos de libertação nacionais ou organizações que lutam pela independência como foi o IRA ou a ETA, assim como a OLP de Arafat ou ainda mais recentemente o Hamas que luta contra a ocupação sionista do território palestino. Recorde-se que no passado também constaram por exemplo dessa lista os Tupamaros (do actual presidente Jose Mujica do Uruguay), os Sandinistas da FLSN na Nicarágua, assim como o MPLA de Angola e ao mesmo tempo que financiavam a UPA de Holden Roberto, o PAIGC da Guiné-Bissau e a FRELIMO de Moçambique, bem como os seus líderes em finais dos anos 50 e princípios dos anos 60, e simultaneamente forneciam armamento através da NATO ao ditador Salazar para combater os "terroristas" das colónias africanas. Agora, Edward Snowden, o antigo funcionário da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, sigla em inglês) refugiado em Moscovo, revelou que os serviços de inteligência britânica (MI6), norte-americana (CIA) e de Israel (Mossad) colaboraram na criação do grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) ou ISIS, na sigla em inglês.Snowden revelou que os serviços de inteligência daqueles três países - EUA, Reino Unido e Israel -, cooperaram juntos a fim de criarem uma organização terrorista que fosse capaz de atrair todos os extremistas do mundo para um só lugar que lhes interessasse, dentro de uma estratégia batizada como “O Ninho dos Zangões” (The Hornet’s Nest). Os documentos revelam que o "Calif" Abu Bakr Al Baghdadi, líder da organização ISIS, fez um intenso treino militar através da 'Mossad', inteligência de Israel, primeiro nesse país e depois com a CIA numa base militar secreta na Jordânia. Para além do treinamento militar, Al Baghdadi estudou técnicas de comunicação e oratória com a orientação de especialistas americanos e sionistas para atrair "terroristas" de todos os cantos do mundo.Os documentos da NSA mencionam “a recente colocação em prática de um velho plano britânico conhecido como o ‘Ninho de Vespas’ para proteger a entidade sionista e criar uma religião fanática que inclua lemas islâmicos e que repudie qualquer outra religião ou seita”.Segundo os documentos divulgados por Snowden, “a solução encontrada pelos países envolvidos para proteger o Estado judeu-sionista foi criar um inimigo próximo de suas fronteiras, mas dirigi-lo contra os movimentos de resistência e estados islâmicos que se opõem a Israel”. Também desta vez, a criatura está fora do controlo do criador.
 

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por Augusta Clara às 11:00

Sexta-feira, 12.09.14

Le plan d’Obama pour attaquer la Syrie, sous couvert de la lutte contre l’EIIL - Mickael

 

 

Mickael  Le plan d’Obama pour attaquer la Syrie, sous couvert de la lutte contre l’EIIL

 

 

News360x, 11 de Setembro de 2014

 

   Le président Obama se prépare à faire quelque chose de terriblement dangereux en Syrie et en Irak. La montée de l’EIIL (Etat Islamique en Irak, en Syrie et au Levant « ISIS ») a entravé la vieille stratégie de l’Empire consistant à déployer des combattants islamistes pour faire son sale boulot dans le monde arabe et musulman. L’EIIL (« ISIS »), le Frankenstein né des efforts états-uniens pour favoriser un changement de régime en Syrie, s’est retourné contre ses maîtres, des Etats-Unis, de l’Arabie Saoudite, du Qatar et de la Turquie pour établir son propre califat, dans lequel des milliers d’autres combattants islamistes se précipitent. Même les médias états-uniens reconnaissent maintenant que les soi-disant rebelles syriens «modérés» pour lequel Obama veut collecter 500 millions de dollars, sont pratiquement inexistants. Ils ont toujours été un mirage, créatures de la propagande occidentale. Les islamistes étaient la seule force qui pouvait remettre en cause l’armée syrienne sur le champ de bataille, et maintenant qu’ils se rallient à l’EIIIL (« ISIS »), ou qu’ils s’enfuient, Obama ne sait pas vers qui se tourner.

Certes, les États-Unis peuvent bombarder des positions de l’EIIL (ISIS) en Syrie, et se préparent déjà pour le faire, mais ce n’est pas la guerre qu’Obama voulait faire. Il y a trois ans, quand Obama a lancé sa sale guerre contre la Syrie, le plan était que les djihadistes musulmans versent leur sang pour renverser le président Assad. Une fois que l’acte sale et criminel a était réalisé, les djihadistes étaient censés permettre à l’OTAN et aux rois corrompus de la péninsule arabique de choisir les prochains dirigeants de la Syrie. La CIA rejouait Lawrence d’Arabie, en utilisant les djihadistes comme chair à canon, pour les mettre de côté quand le temps de partager le butin serait venu.

Tel était aussi le plan en Libye, où l’OTAN et le même gang de voleurs financés et armés par les monarchies arabes ont entraîné le renversement de Mouammar Kadhafi. Mais les djihadistes libyens n’ont pas réussi à coopérer avec le régime de l’empire.

Le réseau jihadiste mondial que les Etats-Uniens et les Saoudiens ont créé dans les années 1980 a déclaré son indépendance, et Washington n’a personne pour les remplacer. Des troupes états-uniennes sur le terrain sont inacceptables tant pour les gens de la région que pour le public états-unien. Obama et ses sbires disent les États-Unis et ses alliés écraseront l’EIIL (ISIS) – mais ce sera comme étouffer son propre enfant dans son berceau, et supprimerait tout espoir des Etats-Unis d’atteindre son objectif stratégique de changement de régime en Syrie.

Surveillez le grand changement (« Big Switch »)

Si Obama était sérieux dans sa volonté d’écraser l’EIIL (ISIS), le meilleur et le plus logique allié serait le président syrien Assad, dont l’armée a jusqu’ici prévalu contre toutes les sortes de djihadiste que les États-Unis ont été en mesure de jeter contre lui, y compris l’EIIL (ISIS) sous ses incarnations précédentes. Personne, plus que la Syrie et ses soldats, veut que l’EIIL (ISIS) soit battu, plusieurs soldats syriens sont morts dans cette guerre diligentée par les États-Unis dans des proportions plus importantes que tout autre groupe, civils ou rebelles. Si l’objectif d’Obama était de mettre la région à l’abri de l’EIIL (ISIS), Obama devrait coordonner ses mouvements avec l’armée syrienne.

Mais il ment – tout comme l’administration Bush a menti pour faire en sorte que le peuple états-unien croit que Saddam Hussein était responsable du 11/9. L’objectif des États-Unis n’était pas de se venger du 11/9, mais d’envahir l’Irak. De la même façon, Obama est obligé de pallier à la défection de l’EIIL (ISIS) du contrôle occidental, mais son objectif reste de renverser le président Assad. Et, il dira n’importe quel mensonge, ou des combinaisons de mensonges, pour envoyer des bombes US sur le gouvernement syrien, sous le couvert de la lutte contre l’EIIL (ISIS). Vous pouvez parier que la CIA brûle d’impatience et cherche un prétexte pour faire de cette défaite stratégique des États-Unis une excuse pour attaquer directement la Syrie. Et c’est ce qui rend cette période si dangereuse.

 

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por Augusta Clara às 08:00



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