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Jardim das Delícias


Segunda-feira, 13.05.19

O QUE EU QUERIA VER (E DEVIA SER) DISCUTIDO NA CAMPANHA PARA AS ELEIÇÕES EUROPEIAS (independentemente das questões económicas e financeiras de que toda a gente fala) - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos   O QUE EU QUERIA VER (E DEVIA SER) DISCUTIDO NA CAMPANHA PARA AS ELEIÇÕES EUROPEIAS (independentemente das questões económicas e financeiras de que toda a gente fala)

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- O combate intenso e coordenado ao avanço da extrema-direita na Europa e uma campanha de esclarecimento às populações sobre as consequências do retorno de governos fascistas;
- A expulsão da União de países onde se instalem governos com políticas e práticas fascistas e que permitam a livre expressão de grupos que defendem a ideologia nazi e cometem crimes com base nesta ideologia;
- O acolhimento e integração de refugiados e suas famílias como cidadãos europeus de iguais direitos, desmontando a ideia ainda reinante em muitas cabeças de que são todos terroristas;
- O fim da venda de armas por países da EU a países, grupos e coligações que as têm utilizado para destruir países através de guerras que tiveram unicamente como fim roubar-lhes as matérias primas, sabendo nós que foram essas guerras a origem da fuga em massa dos seus habitantes em direcção à Europa nas trágicas condições que levaram a milhares de afogamentos;
- A uniformização de leis em todo o espaço da UE que penalizem sem condescendência a corrupção e as grandes fraudes financeiras que enfraquecem e deterioram a economia dos países;
- Como consequência do afirmado no parágrafo anterior, a luta por uma Justiça igual para todos os cidadãos e não diferenciada entre os que têm dinheiro para se defender e os outros;
- O combate sério e generalizado a todo o tipo de descriminação com base na opção sexual, política, de credo religioso ou outra;
- Exigência da protecção dos mais frágeis como as crianças, os deficientes e os idosos;
- Combate à violência doméstica e, especificamente, que seja dada maior atenção à violência contra as mulheres que tem assumido contornos escabrosos em vários países europeus;
- Acérrima exigência pela liberdade de opinião e de expressão.

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por Augusta Clara às 18:11

Segunda-feira, 02.06.14

A armadilha - José Goulão

http://www.jornalistassemfronteiras.com/

 

José Goulão  A armadilha

 

 

31 de Maio de 2014

 

   A União Europeia não resistiu às suas próprias eleições, através das quais procuraria chancelar um  conteúdo democrático que não tem. Desta conclusão global decorrem todas as análises parcelares, sejam sobre a abstenção, sobre a subida da extrema direita, sobre as falências ideológicas, sobre o primado dos mercados, sobre a falsa história oficial do nascimento e desenvolvimento da integração europeia.

Ironia  das ironias, as eleições europeias não tiveram mais valor democrático do que as que a União Europeia apadrinhou na Ucrânia, legitima no Egipto ou excomunga na Síria. Se na União votaram muito menos de metade das pessoas recenseadas, na Ucrânia não votou meio país, no Egipto o partido mais votado foi proibido de concorrer, na Síria vota-se em plena guerra civil a cujas origens a União Europeia não é alheia.

Sendo a União Europeia uma entidade que, de braço dado com os Estados Unidos da América, define e propaga a democracia, mesmo que para tal seja preciso criar guerras, o cenário descrito nada tem de contraditório. É apenas trágico.

Nas eleições europeias venceu a austeridade, triunfaram os mercados. Tudo se passou como naqueles jogos de futebol em que já se sabem os resultados de antemão porque o árbitro está comprado.

Sabia-se à partida que o vencedor seria a coligação não assumida entre as correntes que teimam em chamar-se sociais democratas e democratas cristãs quando não passam da cara e coroa da moeda neoliberal. A social democracia morreu há muito, nos tempos em que o redentor “socialismo democrático” foi sepultado em múltiplas gavetas, seja por ordens do FMI, seja porque o capitalismo ganhou forças para soltar os mercados ao vento. A democracia cristã perdeu pelo caminho a doutrina social da igreja e uma ética que se extinguiu simbolicamente no dia em que a coligação criminosa de mercados, políticos e mafia assassinou Aldo Moro.

Ganharam pois os que governam e já tinham ganho antes, e antes, e antes porque social democracia e a democracia cristã, hoje irmãs do mesmo sangue, formam o “arco da governação” onde não cabe ou caberá mais ninguém enquanto as coisas estiverem como estão. E estão nas mãos da austeridade, do autoritarismo e dos mercados, contra as pessoas.

Por isso muito mais de metade das pessoas não votaram – em países como a Eslováquia votaram 12 em cada 100 – e muitas fizeram-no seguindo führers, gaulaiters, cappos fazendo-as crer que a História se enganou em 1945 e todos os males vêm daí, a começar por aquilo que é a União Europeia. Males que a União Europeia confirma e assume praticando como democracia aquilo que nada tem a ver com democracia. Por isso o fascismo já não se limita a espreitar, age, manipula e actualizou-se economicamente, não tem qualquer repugnância pelo neoliberalismo, vê nele um sistema de poder autoritário e ditatorial tão bom como os melhores. O teste da Ucrânia é conclusivo – observe-se como o fascismo “pró-europeu” e esta democracia vigorando na União Europeia se entendem tão bem.

Como pessoas e cidadãos somos todos vítima desta armadilha. A única maneira de nos libertarmos dela é destruindo-a.

   

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 27.05.14

Quem se pode admirar dos resultados eleitorais em toda a Europa? - António Pinho Vargas

 

 

António Pinho Vargas  Quem se pode admirar dos resultados eleitorais em toda a Europa?

 

 

   Quem se pode admirar dos resultados eleitorais em toda a Europa?
Julgo até que, no caso da França, muitos votantes de Hollande nas presidenciais - contra Sarkosy, aliado de Merkel - desiludidos com a sua impotência face à hegemonia alemã e a orientação neoliberal austeritária da UE - terão preferido votar Le Pen. Se a UE mudou de rumo e se tornou opressora, tecnocrática e anémica (excepto na persistência na austeridade) não surpreende que o apelo nacionalista em certos países se tenha tornado atractivo. Os eleitores não nascem de um momento para o outro. Deslocam o seu voto em várias direcções numa espécie de desespero desorientado perante os tecnocratas dominantes ignorantes de história.
Salvas as enormes diferenças milenares, o que se verifica não será muito diferente dos últimos séculos do Império Romano: imaginemo-nos numa pequena cidade, ou numa casa de agricultores da Itália imperial, a observar a sua decadência lenta mas irreversível e os estretores políticos sucessivos de generais "bárbaros-romanizados" a combater generais "bárbaros-germânicos". É que já não havia mais ninguém para defender a Roma imperial.
A UE ou muda ou acaba (o que toda a gente sabe mas parece não querer saber).
APV

 

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por Augusta Clara às 08:00

Sexta-feira, 23.05.14

Eleições europeias - José Goulão

http://www.jornalistassemfronteiras.com/

 

José Goulão  Eleições europeias

 

 

   Para que servem umas eleições europeias? Para eleger um Parlamento Europeu.
Para que serve um Parlamento Europeu? Para fazer de conta que existe uma Europa onde os cidadãos contam para alguma coisa, a tal mentira cada vez mais ridícula e insultuosa de que procuramos uma “Europa dos cidadãos” – o devir colectivo de trazer os céus à terra.
Apesar de mudanças no sentido de imiscuir alguma representatividade democrática no fundo do túnel muito escuro da autocracia mercantil e da arbitrariedade bancária, o Parlamento Europeu pouco parlamenta. Não elege os cargos executivos da União Europeia – limita-se a poder recomendar uma tendência na escolha do presidente da Comissão Europeia. Não pode dar forma final a leis: têm sempre de passar pelo crivo censório e mercantil da Comissão e do Conselho. No máximo pode bloquear algumas malfeitorias dos órgãos executivos e não eleitos da União, os quais podem sempre voltar à carga com uma versão mais ou menos mitigada da agressão original. O Parlamento Europeu não decide, recomenda; não demite, adverte; não bloqueia, adia.
Deitados e contados os votos virão os dirigentes cantar a ladainha do costume de que a abstenção  infectou os resultados, os eleitores preferem praia – se estiver sol – ou ficar em casa – se chover – ou futebol – se o houver – ou o cinema, ou outro pretexto qualquer, incapazes de tocar na razão autêntica: mais de metade dos cidadãos estão-se nas tintas para as eleições europeias e muitos dos que vão às urnas fazem-no na esperança de travar a avalancha de castigos que diariamente chega de Bruxelas através dos seus agentes locais ou dos enviados em doses de troikas. Como se não bastasse, muitos dos que votam insistem em mandar para o Parlamento Europeu versões ligeiramente coloridas da mesma negritude que se limita a assinar as ordens dos mercados financeiros.
O cenário em que actua a União Europeia não é obra de improviso ou acaso. Os cidadãos estão longe e alheados porque isso convém a quem manda. A indiferença é uma variante de docilidade; o desinteresse é outra forma da sensação de impotência perante a força do poder instalado; a passagem amorfa e conformada das horas de cada dia é a novela real no meio das outras, tudo servido com a anestesia da propaganda mainstream.
É claro que os cidadãos têm a culpa, mas não do que os culpam os senhores. Têm a culpa de não se revoltar, de não dizer que para ter esta Europa mais vale nenhuma, de não dizer que tanto valem os dirigentes que estão como os que vão a caminho com o selo de garantia de “oposição oficial”, de não dizer que para ter o  modernaço marco travestido de euro mais valem os pobres e antiquados escudos, pesetas, francos, florins, coroas, patacos, o que seja.
A União Europeia que existe – e não vamos sequer discutir o modo como foi parida – é uma tenebrosa estrutura de poder autoritário, uma monstruosa distorção da democracia – mas servida com tal requinte de malvadez que nem coube no imaginário de Orwell.
É contra isto que temos de votar. Com a consciência absoluta de que só isso não chega.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 22.05.14

Merkel diz estar já a preparar nova Comissão Europeia - Pedro Duarte

 

 

Pedro Duarte   Merkel diz estar já a preparar nova Comissão Europeia

 

 

Económico, sapo.pt, 20 de Maio de 2014

 

A chanceler alemã revelou hoje que o governo de ‘Grande Coligação' de Berlim já está a negociar o próximo Executivo europeu, sem contar com o resultado das eleições de domingo.

 

    "O meu partido [os conservadores da CDU] e os sociais-democratas [que estão coligados com a CDU para formar governo] vai apresentar uma proposta consensual para a formação da nova Comissão Europeia", afirmou hoje a chanceler alemã, em entrevista ao jornal ‘Leipziger Volkszeitung'.

Com estas declarações, Angela Merkel deixa a entender que as eleições europeias de domingo não passarão de uma mera formalidade para determinar quem irá ocupar assentos no hemiciclo de Bruxelas, já que não terão qualquer impacto na formação da próxima Comissão Europeia.

Até agora, os partidos políticos europeus têm insistido que o previsto no Tratado de Lisboa - que o nome do presidente da Comissão Europeia ‘levará em conta' os resultados eleitorais - irá ser respeitado, que o voto dos europeus tem significado e que pressionarão os Executivos dos Estados-membros para que o próximo líder do Executivo europeu seja o candidato do partido mais votado: o luxemburguês Jean-Claude Juncker pelo o Partido Popular Europeu, o alemão Martin Schulz pelos Socialistas Europeus, o belga Guy Verhofstadt pelos Liberais e o grego Alexis Tspiras pela Esquerda Europeia.

Mas Merkel tem outras ideias: na entrevista, a chanceler repetiu novamente que não há razão alguma para que haja um "automatismo" entre os resultados das eleições europeias e a proposta que os líderes dos Estados-membros vão acabar por apresentar para quem irá ser o novo presidente da Comissão Europeia.

Merkel recordou que a formação do seu próprio Executivo de coligação "foi precedida por longas negociações até conseguirmos um acordo entre conservadores e sociais-democratas", pelo que está segura que "também conseguiremos chegar a um acordo para a composição da próxima Comissão Europeia", tendo adiantado que esta também será criada nos moldes de uma ‘grande coligação' decidida entre todos os partidos.

Merkel disse esperar mesmo chegar - devido a questões "pessoais" - a um acordo "relativamente fácil" com os sociais-democratas sobre a nomeação dos novos comissários europeus, e também sobre os principais assuntos a tratar pelo novo Executivo de Bruxelas.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quarta-feira, 21.05.14

António Pinho Vargas a propósito das eleições e não só

 
António Pinho Vargas a propósito das eleições e não só
 
   A chuva, segundo Bernardo Soares: "o silêncio que sai do som da chuva espalha-se, num crescendo de monotonia cinzenta, pela rua estreita que fito"
1. Irei votar nem que chova a cântaros. Irei fazê-lo com alguma amargura face ao falhanço das tentativas de acordos das esquerdas. Creio que as divergências que os impediram devem parecer enormes e de grande importância aos olhos das direcções dos part...idos. Estou persuadido de que se sairmos das direcções e dos quadros políticos militantes - na verdade grupos de não muitas pessoas - estas divergências são próximas do incompreensível na situação actual e traduzem mais uma incapacidade de análise política do fundamental do que uma fidelidade à "linha justa" que cada um reclama para a sua orientação específica. A "linha justa" teria sido a capacidade de estabelecer pontos de concordância. Lamento que essa divisão persista e nos obrigue a fazer escolhas quando o que nós queríamos, no fundo, era não ter de as fazer. Nesse sentido uma boa parte da população será mais sábia, estará com uma percepção mais aguda e profunda do que os partidos que se deixaram enredar nos seus jogos e lutas de poder de tendências internas ou no prazer da auto-contemplação de uma qualquer "pureza". A "pureza" teria sido considerar que a pureza não era uma questão crucial neste momento.  Está assim, nada a fazer. Subscrevo portanto a intenção declarada do novo Partido Livre de trabalhar nessa direcção no período que se segue. Quanto ao voto terei de escolher contra vontade.
2. A perturbação invernal que vai por partes do mundo prenuncia cada vez mais e todos os anos, uma catástrofe ecológica planetária já anunciada. Outro aspecto no qual os poderosos do mundo estão claramente muito atrás das percepções dos humanos preocupados e alarmados com o assunto que se reunem e lançam sérios avisos. A propósito, no belo livro "Viagem pela Literatura Europeia" de António Mega Ferreira, o capítulo sobre Bernardo Soares/ Pessoa e o Livro sublinha "a hipersensibilidade" de Bernardo Soares às variações climatéricas com sinal da sua vulnerabilidade enquanto indivíduo. Hoje pode-se falar da vulnerabilidade do género humano face à reacção lenta, pesada e por vezes esmagadora, do planeta ao seu desequilíbrio provocado pelos maus tratos prosseguidos após a revolução industrial até hoje.
Então Bernardo Soares, citado por Mega Ferreira: "o silêncio que sai do som da chuva espalha-se, num crescendo de monotonia cinzenta, pela rua estreita que fito". (p. 250)
APV

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por Augusta Clara às 17:00



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