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Jardim das Delícias


Terça-feira, 28.04.15

A febre da devassa - José Goulão

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José Goulão  A febre da devassa

 

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Mundo Cão, 27 de Abril de 2015 

 

   O escândalo já não é novo. O que se vai renovando quase todos os dias são os dados da amplitude da devassa a que os europeus estão sujeitos por parte da espionagem norte-americana, com a prestimosa colaboração de espiões da União – que não poupam nem políticos, nem empresários, nem segredos tecnológicos e industriais, obviamente sujeitos a patentes.

O que Edward Snowden revelou ao mundo foi apenas a ponta de um icebergue cujos volume e profundidade crescem sem parar. Sabia-se que a National Security Agency (Agência Nacional de Segurança) dos Estados Unidos da América é unha com carne com a sua gémea britânica GCHQ. A imprensa e o Parlamento alemão vêm agora demonstrar que a intimidade é extensiva aos serviços de espionagem da Alemanha, o BND, Gabinete de Defesa da Constituição (curioso nome este), que a seu belo prazer acode às encomendas de devassa feitas pela NSA, ao que parece sem o conhecimento sequer dos órgãos de soberania do país. A torrente de confidências escorre pelo menos desde 2002, tudo à sombra de um manhoso “Memorando de Entendimento” antiterrorista, e só em Março passado a Chancelaria da senhora Merkel teve conhecimento da trapaça.

A coisa passa-se da seguinte maneira: a NSA envia listas de nomes, telefones, endereços electrónicos e IP (protocolos de internet) de pessoas e empresas a espiar e o BND coloca as suas capacidades ao serviço dos espiões norte-americanos, partindo do princípio de que pode fazer o mesmo em sentido inverso. Diz a imprensa alemã que o afã da NSA é imparável, chega a enviar várias listas por dia, de tal modo que o número de entidades devassadas é da ordem das 800 mil, incluindo políticos e cidadãos europeus de numerosas nacionalidades e também empresas de todas as dimensões, entre as quais avulta o gigante EADS (indústria aeroespacial, de defesa e segurança), fabricante do Airbus.

Apanhado em flagrante, o BND alega que o número de atingidos não passa de dois mil; a comissão especializada do Parlamento Alemão (Bundestag) já chegou aos 40 mil e a tarefa está longe de concluída. Em sua defesa – em boa verdade nada disto tem defesa – o BND alega que corresponde aos desejos da NSA no âmbito da boa cooperação, receando que se levantar dificuldades deixa de ter acesso às bases de dados da NSA. Tudo muito instrutivo, muito democrático.

Ora, como se sabe, continua em curso a elaboração do Acordo de Comércio e Investimento Transatlântico (o famigerado TTIP), através do qual os políticos da União Europeia se preparam para entregar a economia e a saúde dos europeus à mais absoluta anarquia produtiva e comercial reinante nos Estados Unidos da América, fazendo orelhas moucas aos protestos de milhões e milhões de cidadãos e instituições da Europa. Mete-se pelos olhos dentro que o frenesi de espionagem norte-americano é ditado, em grande parte, pelos dividendos que o lado de lá do Atlântico pretende retirar deste processo desequilibrado de nascença, que apenas políticos mentirosos e sem escrúpulos podem apresentar como justo e bilateral.

No fundo, no fundo, seja no caso do comércio e do investimento, seja no da intrusão abusiva na vida dos cidadãos e das empresas da Europa, a lógica é a mesma da relação entre a NSA e o BND (ou o GCHQ, ou quaisquer outros congéneres destes 28 de cócoras): o lado americano encomenda ou ordena, o lado de cá obedece, invocando que se levantar problemas pode deixar de ter acesso, no lado de lá, àquilo que na verdade não tem. Chama-se a isto subserviência de simples suseranos.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quarta-feira, 25.09.13

Dilma Rousseff diz que espionagem da NSA é grave violação dos direitos humanos - Ana Fonseca Pereira

 

Ana Fonseca Pereira  Dilma Rousseff diz que espionagem da NSA é grave violação dos direitos humanos

 

 

Publicado no jornal "Público" em 24 de Setembro de 2013

 

Presidente do Brasil propôs na ONU um acordo para regular a gestão da Internet e proteger a circulação de dados das acções de espionagem.

 

 

   A Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, usou o púlpito da Assembleia Geral das Nações Unidas para repudiar o “inaceitável” programa de vigilância electrónica posto em marcha pelos Estados Unidos, dizendo que as escutas de que ela e os seus assessores foram alvo representam “uma grave violação dos direitos humanos”.

Foi em tom duro, sem poupar nos adjectivos, que Rousseff proferiu o primeiro dos discursos dos chefes de Estado na 68ª reunião da Assembleia Geral, precisamente antes de subir ao pódio o alvo das suas críticas, Barack Obama.

A Presidente brasileira, que cancelou a visita de Estado aos EUA, lembrou perante os dirigentes mundiais as notícias de que a Agência de Segurança Nacional (NSA) interceptou não só as comunicações de cidadãos brasileiros, como da própria da Presidência, de representações diplomáticas e até da empresa Petrobrás.

“Imiscuir-se dessa forma na vida de outros países fere o direito internacional e afronta os princípios que devem reger as relações entre elas, sobretudo, entre nações amigas”, disparou a Presidente, antes de acrescentar que Brasília não aceita o argumento de que estas acções se destinam a proteger os Estados do terrorismo – “O Brasil sabe proteger-se. Repudia, combate e não dá abrigo a terroristas.”

Dilma Rousseff recordou ainda o seu passado de combate à ditadura para dizer que esta posição de força do Brasil se enquadra numa política de defesa dos direitos humanos – “não há liberdade sem privacidade”, afirmou – e disse que este caso deve merecer uma resposta tão global como a rede de espionagem montada pela NSA.

“Este é o momento de criar condições para que o espaço cibernético não seja usado ou manipulado como uma arma de guerra”, disse Rousseff, ao propor às Nações Unidas um acordo multilateral “para o governo e uso da Internet, e a protecção dos dados que viajam através dela” de acções de espionagem ou terrorismo. Um acordo que, diz, deve respeitar os princípios da liberdade, transparência, universalidade, diversidade cultural e neutralidade.

No discurso da Presidente houve ainda tempo para outra farpa aos EUA – quando afirmou a oposição brasileira a uma intervenção militar na Síria, ainda que em resposta ao uso “hediondo e inadmissível” de armas químicas –, mas também para recordar as maiores manifestações no país desde o fim da ditadura.

Sublinhando que o seu Governo não reprimiu os protestos de Junho, Rousseff disse que eles são “indissociáveis” do desenvolvimento social a que o Brasil assistiu na última década e afirmou que o grande desafio do seu Governo passa por “transformar a extraordinária energia das manifestações” em avanços concretos. “Para nós, todos os avanços são sempre só um começo. Nossa estratégia de desenvolvimento exige mais, tal como querem todos os brasileiros”.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 20.08.13

Espionagem transparente - José Goulão

 

José Goulão  Espionagem transparente

 

   Barack Obama é um presidente criativo. Cria guerras civis, desmembra países, apadrinha golpes de Estado sendo o primeiro a lavar as mãos das consequências, é um adicto das novas tecnologias, como prova o facto de ter o recorde presidencial do número de execuções extrajudiciais graças ao drone, o avião sem piloto - uma das maravilhas dos tempos modernos.

Houve ainda quem se iludisse com a eleição de Obama, acreditando no milagre de ter saído alguém com boas intenções de uma classe política onde abundam os malfeitores de todos os géneros. Para que não voltem a ser enganados, deixo-vos uma dica que parece um padrão primário de avaliação mas tem uma hipótese de acerto de 100 por cento. Um presidente dos Estados Unidos é sempre um presidente dos Estados Unidos, independentemente do sexo, da cor da pele, do partido político em que está inscrito, desde que seja democrático ou republicano – os outros não contam, sentença esta que tem vindo a globalizar-se, como sabemos. E sendo presidente dos Estados Unidos Obama faz aquilo que os antecessores, um atrás do outro, fizeram: servir o complexo militar industrial, como definiu Eisenhower sabendo muito bem do que estava a falar porque foi quem mais tempo passou na Casa Branca. E se, por acaso, um presidente induz nesse sombrio poder a simples sensação de que pode sair dos eixos, lembrem-se de John Fitzegerald Kennedy, sobre cuja morte existe uma verdade oficial que vale tanto como a versão bushista do atentado de 11 de Setembro de 2001.

O mais recente exemplo da criatividade de Obama e da sua equipa de assessores é a resposta ao descalabro que foi a denúncia da rede de espionagem mundial de cidadãos, empresas e governos montada pelas chamadas agências de segurança, que são braços do tal sombrio poder, centros de conspiração peritos em terrorismo baptizado como “anti-terrorismo”. “Espionagem transparente”, diz ele. Isto é, sim senhor, estamos a espiar-vos, é para vosso bem mas a partir de agora já ficam a saber que estão a ser espiados, os nossos mecanismos democráticos de controlo vão passar a acompanhar tudo de perto e portanto só têm de portar-se bem porque nós fazemos tudo dentro da lei.

Espionagem transparente é assim uma espécie conceito equivalente ao de praticar o terrorismo chamando-lhe “anti-terrorismo”, mesmo que recorrendo a grupos mais do que conhecidos como terroristas.

Espionagem transparente é como uma tortura feita com instrumentos cirúrgicos devidamente esterilizados; ou uma censura em que os censores se instalam amavelmente ao lado dos jornalistas explicando-lhes porque vão suprimindo isto ou aquilo dos seus textos e imagens.

Espionagem transparente é, no fundo, como os golpes de Estado feitos em nome da democracia quando é preciso corrigir a democracia porque os resultados de eleições contrariam os que convêm àqueles que, com Obama à cabeça, foram ungidos pelo poder de decidir o que é ou não democrata.

A espionagem transparente é, pois, um pilar deste brilhante e também transparente edifício da democracia mundial. Assim fica tudo explicado. Ainda bem que os assessores do presidente Obama espremeram as meninges para nos oferecer tão clarividente conceito. 

 

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 16.07.13

Senador socio de la terrorista CIA amenaza a “cualquier” país que otorgue asilo a Snowden - Jean Guy Allard

 

 

Jean Guy Allard  Senador socio de la terrorista CIA amenaza a “cualquier” país que otorgue asilo a Snowden

 

 

 

(Roberto “Bob” Menéndez)

 

 

 

   Publicado em Contraingerencia a 7 de Julho de 2013 
   Conocido por su larga amistad con Luis Posada Carriles, – el torturador, sicario y terrorista de la CIA – Roberto “Bob” Menéndez, el actual titular del Comité de Relaciones Exteriores del Senado norteamericano, amenazó de “serias implicaciones políticas y económicas” a los países que otorgaran asilo y protección a Edward Snowden – contratista CIA que reveló crímenes de esta agencia.
 
Menéndez es este miembro del Senado quién se reunió el 17 de mayo de 2011 con Luis Posada Carriles, en un restaurante de West New York, para felicitar el viejo asesino para su indulto por un tribunal tejano, una operación dirigida por nada menos que Roger Noriega, el ex alto funcionario del Departamento de Estado. El senador famoso por sus lazos con la mafia, tanto italiana que cubanoamericana, es un aliado fiel de la Representante por Miami Ileana Ros-Lehtinen, la también Presidente del “Fondo de defensa” de Posada.
 
“Es evidente que cualquier aceptación de Snowden de algún país, cualquiera de estos tres u otro, va a ponerlos directamente en contra de Estados Unidos. Necesitan saber eso”, dijo Menéndez, en referencia a Venezuela, Nicaragua y Bolivia.
 
“Es muy claro que cualquiera de estos países que aceptan ofrecerle asilo político están dando un paso en contra de Estados Unidos. Es una declaración muy clara. No estoy sorprendido por los países que le están ofreciendo asilo”, aseveró el personaje involucrado desde meses en un escándalo sexual con prostitutas dominicanas menores de edad. El Senador estuvo también en los titulares por su papel al abogar por los intereses empresariales de un acaudalado donador y amigo, el oftalmólogo residente en Florida y de origen dominicano Salomón Melgen.
 
En abril 2006, el Senador se apareció en Ginebra para atacar a Cuba ante la Comisión de los Derechos Humanos con su ayudante personal José Manuel Alvarez, sicario CIA. También viajó con Alfredo Chumaceiro, implicado en el asesinato – ordenado por el dictador Augusto Pinochet – del ex ministro chileno Orlando Letelier, ocurrido en Washington en pleno barrio diplomático.
 
Menéndez fue alcalde de Union City, vecina de Nueva York, a partir de 1986, e hizo que la ciudad tenga fama de paraíso del juego, del racketeering, de la extorsión, del fraude y de la prostitución.
 
En cuanto a Luis Posada Carriles, es reclamado por Venezuela, por su complicidad en la destrucción en pleno vuelo de un avión civil cubano que provocó la muerte de 73 personas. Posada fue jefe de un escuadrón de la muerte de la antigua DISIP, la policía secreta venezolana, que desapareció, torturó y asesinó durante años decenas de jóvenes revolucionarios venezolanos. Participó en varios intentos de asesinato del líder de la Revolución cubana, Fidel Castro.
 
Fuente: http://www.contrainjerencia.com/?p=70546

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quarta-feira, 10.07.13

Estremecedora carta de Edward Snowden a Rafael Correa, presidente de Ecuador

 

Publicado em la Mancha Obrera em 8 de Julho de 2013 

 

   Pocas veces un presidente es digno de palabras como las escritas para Rafael Correa del Ecuador, por el ex agente de la CIA; Edward Snowden, ahora perseguido por Barack Obama al haber publicado la red de espionaje cibernético de los Estados Unidos hacia los ciudadanos del mundo.

Pocas veces palabras tan simples soportan actos tan heróicos, más allá de la literatura épica. Hoy, Snowden y Correa, le regalan a la humanidad una luz de esperanza, sin distinción de nacionalidades, si es la lucha por la justicia lo que impera.

 

 

 

 

 

CARTA ESCRITA POR SNOWDEN AL PRESIDENTE DE ECUADOR, RAFAEL CORREA:

 

“Existen pocos líderes mundiales que arriesgarían estar del lado de los derechos humanos de un individuo frente al gobierno más poderoso del planeta, y la valentía de Ecuador y su pueblo es un ejemplo para el mundo.

Debo expresar mi profundo respeto por sus principios y mi sincero agradecimiento por la acción de su gobierno al considerar mi solicitud de asilo político.

El Gobierno de los Estados Unidos de América ha montado el mayor sistema de vigilancia del mundo. Este sistema global afecta a toda vida humana vinculada a la tecnología; grabando, analizando y sometiendo a un juicio secreto a cada miembro del público internacional. Supone una grave violación de nuestros derechos humanos universales cuando un sistema político perpetúa el espionaje automático, generalizado y sin garantías contra personas inocentes.

De acuerdo a esta creencia, revelé este programa a mi país y al mundo. Mientras el público ha expresado apoyo a la luz que he arrojado sobre este sistema secreto de injusticia, el Gobierno de los Estados Unidos de América ha respondido con una cacería extrajudicial que me ha costado mi familia, mi libertad de movimiento, y mi derecho a una vida pacífica, sin miedo a una agresión ilegal.

Mientras yo enfrento esta persecución, ha habido un silencio por parte de aquellos gobiernos temerosos del Gobierno norteamericano y sus amenazas.

Ecuador, sin embargo, se erigió para defender el derecho humano de buscar asilo. La acción decisiva de su Cónsul en Londres, Fidel Narváez, garantizó que mis derechos fueran protegidos durante mi salida de Hong Kong – Nunca me podría haber arriesgado a viajar sin esto.

Ahora, como resultado, me mantengo libre y capaz de publicar información que sirve al interés del público.

Sin importar los días que me resten de vida, me mantendré dedicado a luchar por la justicia en un mundo desigual. Si alguno de esos días contribuye al bien común, el mundo deberá agradecer a los principios del Ecuador.

Por favor, acepte mi gratitud a usted, como representante de su Gobierno y del pueblo de la República del Ecuador, así como mi gran admiración personal por su compromiso para hacer lo que es correcto, antes que lo que genera recompensa”.

Edward Joseph Snowden.

 

Publicado Por The Expulsor, visto en oficiorojo

 

 

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por Augusta Clara às 10:00



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