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Jardim das Delícias


Quinta-feira, 19.07.18

Adão Cruz em “…como um dia de Primavera nos olhos de um prisioneiro”, por Diana Familiar

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labor.pt, 19 de Julho de 2018

 

Obras podem ser visitadas até 30 de julho em Espinho

O médico cardiologista Adão Cruz começou a pintar por volta da década de 80 e nunca mais parou. “Ainda tenho umas coisitas dessa época muito ingénuas”, relembrou o pintor e escritor durante a conversa com o labor na Galeria Zeller, em Espinho, onde tem patente a exposição “…como um dia de Primavera nos olhos de um prisioneiro”.

Adão Cruz teve três ateliers que deveriam ter sido o refúgio dele e das suas telas brancas e onde a sua arte não teria fim, mas apenas o quarto e último atelier perdurou até aos dias de hoje. E esse quarto atelier é precisamente junto ao seu quarto de dormir. Por muitas vezes “levantava-me e pintava até de madrugada” em momentos que considera ser “momentos de necessidade espontânea de exprimir o que está cá dentro”, confidenciou o pintor.

Sempre que começa uma nova obra até pode ter “umas ideias na cabeça, mas nada é predefinido. A minha pintura não tem nada de académico, nada de esquemas, é de um amadorismo total de um autodidata, é gestual, espontânea, muitas vezes grosseira, mas não estou preocupado com nada disso”, revelou Adão Cruz ao labor.

Para o médico, pintor e escritor, “qualquer obra de arte, seja um poema ou um quadro, qualquer artista ou qualquer pessoa introduz dentro da obra, quer de forma consciente, inconsciente ou subconsciente, toda a sua vida, cultura, ilusões e desilusões, alegrias e tristezas e a sua visão das coisas e do mundo” e “qualquer pessoa que vá ver a obra não a vai ver com os meus olhos e vivências, mas segundo a sua própria visão e vivências”.

A obra de arte é “um estímulo que vai despertar, às vezes, muita coisa que está hibernada dentro de nós. Muitas vezes nem sabemos até nem conhecemos muita coisa que está cá dentro”, considerou Adão Cruz.

O título desta exposição “…como um dia de Primavera nos olhos de um prisioneiro” “parece uma coisa sem sentido nenhum, mas não é”, responde o pintor à questão do labor.

“Nunca fiz nada na minha vida quer do ponto de vista da poesia, da arte e até do ponto de vista profissional que no fim me satisfizesse completamente. Agora transplantando para a poesia e para a arte nunca fiz uma obra em que chegasse ao fim e dissesse isto é o melhor que consegui fazer, cheguei sempre ao fim com uma desilusão”, explicou.

Nesta procura pela obra prima que começa sempre por ser cativante, continua incessante e acaba sempre por ser frustrante, algo que “não me parece ser só meu, mas parece que é comum à maior parte dos artistas”, sempre ficou com “a sensação de que estava sempre agarrado às grades de uma prisão a olhar para uma belíssima paisagem e da qual não podia usufruir. Sempre essa sensação”, confessou Adão Cruz ao labor.

O médico, pintor e escritor chegou a uma idade, 81 anos, em que “não me apetece fazer exposições”, assumiu ao nosso jornal.

A prova disso está nos dois convites que recebeu para realizar exposições individuais em Madrid e na Galiza, em dezembro do ano passado, e que declinou porque tem uma vida muito ativa e ocupada em grande parte pela família.

Esta exposição apenas foi feita devido à “picardia” de muitos amigos e por a Galeria Zeller ser uma espécie de família.

As centenas de obras de sua autoria estão expostas em sete países desde Portugal, Espanha, França, Berlim, Irlanda, Croácia, Suíça até ao Brasil.

Os refugiados, a inocência e a infância

 

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Entre as cerca de 40 obras da exposição “…como um dia de Primavera nos olhos de um prisioneiro”, estão cinco quadros com três aspetos em comum. Um barco, pessoas e o mar. Num deles existe a uma grande distância uma cidade. O que nos levou a questionar se de alguma forma estariam ligados ao drama vivido por milhares de refugiados. E estávamos certos.

“Foram todos feitos de seguida exatamente numa altura em que o problema dos refugiados me estava a tocar muito. Está relacionado sem dúvida. Sou uma pessoa que penso muito e tenho necessidade de muitas vezes exprimir os meus pensamentos quer através da poesia, da literatura e da pintura”, assumiu Adão Cruz ao labor.

Um outro quadro que chamou a nossa atenção tem um menino a olhar para duas pombas brancas que “não é nada de especial”, mas é “um quadro que o meu filho Manuel Cruz (ex-vocalista dos Ornatos Violeta) gosta muito, é muito simples, é um momento de inocência”, indicou o artista. Outro fator que constatamos é que pelo menos três obras têm casas isoladas com árvores e vegetação. Essas obras têm “uma ligação à parte rural. Eu cresci e vivi numa aldeia (em Vale de Cambra). A única verdadeira saudade que tenho é da minha infância passada em contacto com os animais e a natureza e do luar e das estrelas no campo. Eu vivi ligado a tudo que era a natureza”, admitiu Adão Cruz, confirmando, assim, a influência da sua infância nos seus quadros e que inclusive teve pessoas que o chamaram à atenção sobre isso.

Todas as obras são em acrílico porque é “muito mais fácil em termos técnicos” do que o óleo que chegou a usar, explicou o pintor que usa “uma técnica mista tanto com pincéis, farrapos, esponjas, mãos e tudo que tiver à mão para dar efeito”.

Neste momento, não está a trabalhar em nenhum quadro novo. “Tenho uma tela preparada para começar quando esta exposição acabar”, adiantou Adão Cruz ao labor.

A exposição “…como um dia de Primavera nos olhos de um prisioneiro” de Adão Cruz pode ser visitada até ao dia 30 de julho na Galeria Zeller em Espinho.

Próximo livro poderá ser publicado em 2019

Até ao momento, o médico já publicou 12 livros de pintura, poesia e contos. “Tenho um livro de poemas, uns 30, que ainda não foram publicados. Vamos ver se é lá para o princípio do ano”, contou Adão Cruz.

Continua a dar consultas em S. João da Madeira

O médico cardiologista continua a dar consultas, duas vezes por semana, às terças e às quintas-feiras, no seu consultório em S. João da Madeira.

Além disso, marca sempre presença todas as terças-feiras, às oito da manhã, na reunião de serviço de cardiologia de intervenção de Gaia.

O médico cardiologista continua a ter um número considerável de doentes. “Alguns deles são muito antigos e outros, ao contrário daquilo que pensava, são doentes de primeiras consultas” o que estará relacionado com o facto de a saúde estar “muito mal. As pessoas são tão mal atendidas e as pessoas procuram mais do que o ato médico em si. Elas procuram um bocado de conforto, carinho e a explicação daquilo que têm porque qualquer doente percebe desde que seja usada uma linguagem simples”, constatou Adão Cruz.

O que sobra do seu tempo e tem que ser muito é absorvido pela família. “Dá-me um gozo muito grande dedicar-me à família”, concluiu Adão Cruz ao labor.

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por Augusta Clara às 14:55

Quarta-feira, 13.06.18

Exposição de pintura de Adão Cruz, 30 de Junho de 2018, pelas 16h, Galeria Zeller, Espinho

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 Adão Cruz  como um dia de primavera nos olhos de um prisioneiro

 

Caros amigos

A vossa presença, para além de tudo o mais, é uma rica forma de vos ver e estar convosco.

Com um grande abraço do amigo

adão

 

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Inauguração da exposição de pintura de Adão Cruz
"... como um dia de Primavera nos olhos de um prisioneiro"

 

30 de Junho de 2018, pelas 16h
Galeria Zeller, Espinho

até 30 de Julho de 2018

 


Adão Cruz
Médico cardiologista.
Nasceu em Vale de Cambra há oito décadas.
Como prisioneiro atrás das grades, sempre amou a Liberdade
do Pensamento e da Razão, a verdadeira riqueza do ser humano.
Foi com este amor que sempre sonhou libertar-se ao longo da vida
pelos caminhos da ciência, da escrita e da pintura.



   Ao fim de uma vida, o futuro vai-se naturalmente dissolvendo, entre a razão e o sentimento, adentro de um ser humano preso à sua natureza antropocêntrica. A desilusão, como subtil nevoeiro, vai invadindo todos os cantos e recantos onde antes havia sol.

Ao fim de uma vida, para a vida entender, o ser humano já não precisa dos caminhos da arte e da poesia, principais sentimentos que sempre o conduziram à interface entre o Homem e a sua dimensão universal. Contenta-se com a restrita paisagem de um dia de Primavera, atrás das grades da sua ‘mente cultural’. Ele sabe que isso o derrota e, paradoxalmente, o alivia. Ele sabe ainda que são escassos os dias de Primavera, mesmo que a parte sã da humanidade procure tecer o ciclo da vida com fios de esperança. Ele sabe que há dias de penoso inverno que a parte mais podre da humanidade aproveita para romper o ciclo da vida rasgando a esperança. Ele sabe, ao fim de uma vida, que o estatuto de cada ser humano assenta num contexto de vivências e memórias que fazem o futuro e o desfazem na altura própria, sendo o último suspiro o momento mais democrático da nossa existência.

Por isso as lágrimas secam e os olhos passam a ver a vida humana com outros olhos. Por isso, esta singela exposição de pequenos gestos que se alimentam de corpos e sentimentos, na procura de uma última homeostasia entre a natureza humana e a humanização da vida.

Adão Cruz

 


   O Adão Cruz é um grande pintor e encanta-me o entrosamento perfeito do homem com a obra como acontece entre ele e a sua pintura. Conhecê-lo é verdade que me ajuda a fazer esta afirmação, mas já expôs em alguns países, tem aparecido em tantas mostras que muitos mais saberão encontrar essa estreita identidade. A sua arte não é inócua, sem que, contudo, obedeça a qualquer cânone.

Fossem as palavras os interlocutores felizes para desvelar a ligação entre a serenidade e o conflito que se digladiam na sua pintura, e eu saberia em que recantos da paleta as ir buscar. As cores e as formas não me deixam. Elas tanto gritam como sussurram, tanto apelam às raízes como ao sol e às invernias da árvore da vida, aos vendavais do mundo. E não toleram que lhes toquemos. ‘Podes intuir, mas não venhas perturbar-nos’ avisam mal me vêem por perto. No entanto, sabem que não me são indecifráveis porque à pintura do Adão Cruz nada é indiferente e deixa um ténue fio por onde se pode chegar à teia dos afectos e das revoltas que a permeiam, por vezes apenas ao puro reino da beleza.

Mas não me vencem! Como se se pudesse perder o que ainda é humanidade e, se não nos salva, nos reafirma neste caminho de altos e baixos das montanhas e das planícies, das marés vazias e do mar alto da existência.

Tudo lá está nos quadros do Adão Cruz.

Augusta Clara de Matos



   Tomei contacto com a obra de Adão Cruz tardiamente no blogue ‘Estrolábio’, onde ambos colaborávamos, despertando de imediato a minha atenção. De seguida, chegou-me o convite para a inauguração da sua exposição ‘rente ao cair da folha’, na Galeria Zeller, em Espinho, a que não pude assistir por razões profissionais. Na manhã do Sábado seguinte, fui o primeiro visitante da exposição, tendo tido o privilégio de a percorrer sozinho. Momento de felicidade que a vida me proporcionou!

Ao primeiro olhar fui de imediato atraído pela cor e, de seguida, pela luz, por uma luz que afasta a escuridão, ajudando-nos a ver o que, às vezes, os olhos não detectam. Depois, ao passar de um quadro para outro, algo me obrigava a regressar ao anterior por sentir, nesse curto afastamento, que havia mais um pormenor a atrair a minha atenção. O diálogo entre mim e o autor estabeleceu-se, a pintura do Adão levava‑me a ver o real muito para lá do que a minha simples visão me permitia quando olhava esse mesmo real, ajudando-me assim a procurar a verdade, a procurar a resposta para alguns dos enigmas com que somos confrontados. Regressado a casa, sentei-me ao computador e escrevi quase tudo o que senti nesse diálogo com a pintura do Adão.

A necessidade de conhecer toda a sua obra nasceu em mim.

Lia a sua poesia, lia a sua prosa e a sua pintura logo se me tornava presente, seguindo-se o necessário encontro pessoal, que aconteceu por mero acaso. O médico, o pintor, o poeta, o contista faz do seu saber e da sua arte uma das formas de actuar em prol do humano, numa acção, que é também política e social, assim contribuindo para a necessária transformação do mundo em que vive.

António Gomes Marques

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por Augusta Clara às 16:19

Quinta-feira, 06.06.13

Convite para a exposição de pintura de Adão Cruz e João Alexandre, em Espinho

Porto 3 de Junho de 2013

 

Caros amigos

 

A Galeria Zeller convidou-nos, a mim e ao meu amigo João Alexandre, que nesta altura se encontra temporariamente em S. Paulo, para fazermos uma exposição de pintura.

A inauguração será no dia 8 de Junho pelas 18 horas, na Galeria Zeller, em Espinho.

Como sempre, não há nada que substitua a vossa presença.

Um abraço do

 

                                                          

                                               Adão Cruz

 

 

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por Augusta Clara às 21:02

Quinta-feira, 06.06.13

Entre as mãos e o sonho - exposição de pintura de Adão Cruz e João Alexandre

 

adão cruz   joão alexandre

 Espinho

8 Junho - 8 Julho

2013

Inauguração

8 Junho - 18h

 

.

   Entre as mãos e o sonho nascem as coisas. E as coisas são de água e pedra, de dor e alegria, de cor e sombra de realidade e fantasia. E também são de poesia as coisas que nascem entre as mãos e o sonho, as coisas da vida.

A criação não precisa de donos e intérpretes mas de sentimentos, de encontros e desencontros no desenrolar das coisas entre as mãos e o sonho.

As coisas não nascem dos dias seguidos e de acasos, mas das horas sem tempo dos dias vividos entre o ontem e o amanhã na realidade e absurdo do hoje e agora.

A eterna beleza permanece entre as mãos e o sonho, a luz incendeia a esperança onde vive a angústia e o que somos por dentro desnuda a forma de moldar as coisas.

Entre as mãos e o sonho há uma vasta planície de esperança, uma montanha mágica de silêncio e uma calma harmonia do mar que que nos fazem emigrar para fora de nós mesmos.

Depois vem a lua e os braços do luar como algas de luz, depois vem o sonho recuperar a paz do fundo do mar.

ADÃO CRUZ  MAIO 2013

 

 

 

adão cruz

 

 

 

Natural de Vale de Cambra

Escreve desde jovem

e pinta desde a década de oitenta

Tem nove livros publicados

Várias exposições de pintura

em Portugal e outros países

 

.

 

 

joão alexandre

 

 

 

Nasceu em 1960 em Sever do Vouga. Em 1982

licenciou-se em artes plásticas na Faculdade de

Belas-Artes de São Paulo. Em 1992 estabeleceu‑se

como artista plástico no Porto. Desde essa altura

tem realizado exposições individuais e coletivas

em locais como:

Prémio Baviera de Pintura – Fundação Serralves,

Porto (2000); Museu Municipal Santos Rocha

– Figueira da Foz (2001); Palácio Foz – Lisboa

(2002); ‘Europa Arte Languases’ Spazio, Lab. del

Liceu Artistico – Milão, Itália (2003); Galeria BNC

Art – Barcelona, Espanha (2003); ‘Ambiguidades’

Museo de Cáceres – Cáceres, Espanha (2006);

‘Status Quo’ Galerie Révol – Oloron Sainte-Marie,

França (2007); ‘Regardes Croisés’ Galerie Art et

Vision – Genève, Suisse (2007); ‘Modus Operandi’

Centro das Artes do Espectáculo – Sever do

Vouga (2

 

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por Augusta Clara às 08:00

Sábado, 23.02.13

Os Movimentos da Dança

Dança

 

 

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por Augusta Clara às 19:00

Sexta-feira, 25.01.13

De partida - Nuno Júdice

 

 

Nuno Júdice  De partida

 

(Colecção da Galeria Zeller)

 

 

Ouvindo as canções de kurt weil,

sob um céu de chuva em lisboa, posso pensar

que estou em berlim, sob um céu de neve,

ou noutro sítio assim, onde quando chove

se escreve.

 

Ouvindo essas canções que martelam

sílabas secas, com um piano que empurra

os sentidos para o fim da frase, espero

que a chuva venha do norte, e que os cinzentos

cantem, com tons negros na sua base,

um destino sem sorte.

 

Ouvindo a chuva que já não canta,

com o rumor apressado de quem não está

para ficar, colecciono os sons de

kurt weil, como gotas ásperas na boca,

bebendo até ao fim as suas canções

em que não entra a chuva, como se assim

começassem os grandes nevões.

 

Cantar, então, com uma nuvem

em cada mão.

 

(in Nuno Júdice, Teoria Geral do Sentimento, Quetzal)

 

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por Augusta Clara às 17:00



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