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Sexta-feira, 27.06.14

Estados Unidos e Barroso atacam gasoduto importante para toda a Europa - Pilar Camacho e Urzula Borecki

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Pilar Camacho (Bruxelas), Urzula Borecki, (Sófia)  Estados Unidos e Barroso atacam gasoduto importante para toda a Europa

 

 

13 de Junho de 2014

 

   Os Estados Unidos, com “a cumplicidade” do presidente da União Europeia, Durão Barroso, impuseram ao governo da Bulgária o cancelamento da construção do gasoduto South Stream, um projecto transnacional criado há quase dez anos para abastecer a Europa com gás natural russo através de uma rota integrando parte do Mar Negro.
A decisão do governo búlgaro foi anunciada horas depois de ter estado em Sófia uma delegação norte-americana chefiada pelo senador republicano John McCain, um dos grandes artífices do golpe de Estado na Ucrânia e que foi informar as autoridades búlgaras sobre “o modo de respeitar as sanções impostas à Rússia”, de acordo com uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Bulgária. Esta delegação rumou a Sófia depois da visita do presidente Obama a Bruxelas.
Pouco tempo antes, em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia tinha informado a Bulgária do levantamento de um processo contra este país por alegadas “irregularidades” nos concursos para construção do South Stream.
“É a cumplicidade lógica do funcionamento da Comissão Europeia”, reconhece um veterano funcionário do Conselho Europeu. “Barroso faz sempre em primeiro lugar aquilo que interessa aos Estados Unidos, basta ver o forcing pelo tratado de comércio livre (TTIP) com que pretendeu assinalar o último ano do seu último mandato”, acrescentou a mesma fonte.
“Barroso vai ficar nos anais das instituições europeias, pelo menos para consumo de bastidores, como um homem dos americanos e para isso nem é preciso ir às suas origens maoístas à moda das conveniências americanas”, declarou o alto funcionário do Conselho. “Ignoro o seu futuro, mas até ao último instante, como acontece agora com o gasoduto, Barroso guarda uma fidelidade absoluta, como quem espera alguma boa recompensa de Washington pela carreira que lhe dedicou”.
O gasoduto South Stream nasceu de uma estratégia desenhada em 2006 pelas empresas russa Gazprom e pela italiana ENI, depois adoptada, em 2007, pelos governos dos dois países. Nos termos dos planos e acordos estabelecidos até 2011, o South Stream tem um troço submarino de 930 quilómetros no Mar Negro, em águas territoriais russas, búlgaras e turcas; segue-se um troço terrestre atravessando a Bulgária, a Sérvia, a Hungria, a Eslovénia e a Itália até Tarvisio, no Norte deste país.
As obras iniciaram-se em 2012, ano em que se associaram ao projecto a empresa alemã Wintershall e a francesa EDF, com o objectivo de começar o fornecimento de gás em 2015.
Com a crise da Ucrânia e as sanções impostas pelos Estados Unidos contra a Rússia, as pressões contra o South Stream “incidiram sobre um dos elos mais vulneráveis, a Bulgária”, denuncia o diplomata búlgaro.
Citando meios empresariais e patronais da Bulgária, a mesma fonte afirma que o gasoduto e os trabalhos com ele relacionados são considerados “um balão de oxigénio para as empresas búlgaras”. Meios políticos búlgaros que sustentam o governo de Plamen Oresharski afirmam que o projecto é “de uma importância vital para o país”.
No entanto, horas depois de ter recebido a delegação de Washington chefiada por McCain, o primeiro ministro de Sófia anunciou a decisão de “suspender os trabalhos do gasoduto”, tornando o seu futuro dependente de “consultas com Bruxelas”.
Consultar Bruxelas, antecipa o alto funcionário do Conselho Europeu, “é o mesmo que colocar-se nas mãos de Barroso para que este confirme as ordens de Washington. É apenas mais uma prova de que a Europa é a parte que mais sofre com as sanções americanas à Rússia, que pelo seu lado encontrou de modo fulminante importantes alternativas através dos acordos com a China e outros que está a desenvolver também na Ásia, como é o caso das Coreias”.
Em Itália, por exemplo, os prejuízos pelo cancelamento do gasoduto poderão ser da ordem dos milhares de milhões de euros, como se admite em Roma.

 

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por Augusta Clara às 08:00



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