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Jardim das Delícias


Segunda-feira, 20.02.17

HÁ 100 ANOS, EM VERDUN, A MAIS BRUTAL E CRUEL CARNIFICINA - Alfredo Barroso

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(este texto foi escrito há um ano)

 

   Há exactamente 100 anos, em França, a meio da Grande Guerra de 1914-1918, entre 21 de Fevereiro e 19 de Dezembro de 1916, travou-se uma das mais brutais e sangrentas batalhas da história das guerras (envolvendo 2.400.000 homens), na Região fortificada de Verdun, durante 300 dias e 300 noites, à razão de mil mortos por dia, saldando-se, no final, por mais de 300 mil mortos e desaparecidos (porque a morte em massa e a total pulverização de milhares de corpos fizeram desaparecer no anonimato cerca de 100.00 soldados), e cerca de 400 mil feridos.

Os alemães dispararam em média 100.000 obuses por dia. Nove vilas e aldeias, «mortas pela França», foram definitivamente riscadas do mapa. Das 95 divisões que constituíam o Exército francês, 70 divisões combateram em Verdun.

Quer pela sua longa duração, quer pelos terríveis meios de destruição empregues, quer pelo encarniçamento dos adversários na luta, quer pelo horror dos combates, quer pela gigantesca amplitude das perdas, a batalha de Verdun marca uma viragem histórica na maneira de fazer a guerra, alterando completamente a noção tradicional de batalha como confronto breve e violento, mas decisivo, que se tornou obsoleta.

De realçar, também, a incompetência profissional, a crueldade e a desumanidade de muitos generais, que não hesitavam em mandar escolher à sorte, para serem julgados sumariamente, condenados à morte e fuzilados, a título de exemplo, dois ou três soldados de um pelotão que se recusasse a avançar em campo aberto sob fogo cerrado do inimigo (como é mostrado com toda a crueza no terrível filme «Paths of Glory», de Stanley Kubrick, estreado em 1957, e proibido de ser exibido em França - e em Portugal e Espanha, claro! - durante mais de década e meia)...

...E esta era «a guerra para acabar com todas as guerras»!

Foto a preto & branco: imagem do filme de Stanley Kubrick «Paths of Glory» (de 1957);
Foto a cores: pintura de John Singer Sargent (1865 -1925) intitulada «Gaseados» (1918).

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por Augusta Clara às 17:00

Sábado, 20.02.16

Há 100 anos, em Verdun, a mais brutal e cruel carnificina - Alfredo Barroso

  

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   Há exactamente 100 anos, a meio da Grande Guerra de 1914-1918, entre 21 de Fevereiro e 19 de Dezembro de 1916, travou-se uma das mais brutais e sangrentas batalhas de toda a história das guerras, na Região fortificada de Verdun, durante 300 dias e 300 noites, à razão de mil mortos por dia, saldando-se, no final, por mais de 700 mil mortos, feridos e desaparecidos.

Os alemães dispararam em média 100.000 obuses por dia. Nove vilas e aldeias, «mortas pela França», foram definitivamente riscadas do mapa. Das 95 divisões que constituíam o Exército francês, 70 divisões combateram em Verdun.

Quer pela sua longa duração, quer pelos terríveis meios de destruição empregues, quer pelo encarniçamento dos adversários na luta, quer pelo horror dos combates, quer pela gigantesca amplitude das perdas, a batalha de Verdun marca uma viragem histórica na maneira de fazer a guerra, alterando completamente a noção tradicional de batalha como confronto breve e violento, mas decisivo, que se tornou obsoleta.

De realçar, também, a incompetência e crueldade de muitos generais, que não hesitaram em mandar escolher à sorte, para serem julgados sumáriamente e condenados à morte, a título de exemplo, meia dúzia de soldados de uma companhia que se recusasse a avançar em campo aberto sob fogo cerrado do inimigo (como é mostrado com toda a crueza no terrível filme «Paths of Glory», de Satanley Kubrik, estreado em 1956, e proibido de ser exibido em França durante cerca de duas décadas).

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Nota minha: a cena final do filme "Path of Glory" de Stanley Kubrick, 1957, em que jovens soldados franceses são fuzilados, acusados de cobardia no campo de batalha, por ordem das bestas dos seus generais.

O filme esteve proibido em França durante 20 anos.

 

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por Augusta Clara às 18:00

Sexta-feira, 28.11.14

A guerra de trincheiras do Bloco - Carlos Matos Gomes

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Carlos Matos Gomes  A guerra de trincheiras do Bloco

 

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   Comemora-se este ano o centenário do início da Grande Guerra (1914-1918), que ficou conhecida como a guerra das trincheiras. De modo simplista, a Alemanha tinha uma ideia para si própria e para a Europa. Atacou e os Aliados defenderam-se na fronteira da França cavando trincheiras e metendo-se dentro delas durante 4 anos. A guerra começa com a Alemanha a ter uma estratégia e os Aliados remetidos à tática. Terminou na situação contrária, com a Alemanha entrincheirada e os Aliados a moverem-se e a vencerem, derrotando-a nas suas trincheiras.

Temo que a história do Bloco seja a da Alemanha. Apresentou-se, na sua fundação, com uma estratégia de vitória e novidade e parece ir acabar entrincheirado numa tática de defesa a todo o custo, sem horizontes. As moções apresentadas na Convenção do Bloco são uma escolha pela guerra de trincheiras e a confissão de ausência de uma estratégia. O Bloco defende um conjunto de bons princípios e de boas intenções e defende-se com eles como os exorcistas se defendiam mostrando a cruz aos possuídos pelos demónios.

Todas as moções são longas análises da situação com a qual a grande maioria dos portugueses está de acordo sem se mexer do sofá. A questão está no que o Bloco propõe para sair da crise, as propostas não levam os seus soldados a sair das trincheiras. Uma mão cheia do quase nada que é prometer uma melhor distribuição da riqueza. As duas moções principais, a E de Pedro Filipe Soares e a U da actual direcção de João Semedo e Catarina Martins, dizem claramente que lutam contra, não lutam por.

Aqui estão aqueles que lutam contra a corrupção e as elites”, garantiu Pedro Filipe Soares. A atual coordenadora do Bloco em representação da moção U, Catarina Martins, defendeu:“Há um amplo consenso sobre o Bloco ser contra a austeridade e sabem todos que não faremos parte de um governo do PS, do pântano do bipartidarismo.”

Quais são as propostas para romper com a austeridade?

A moção E dedica-lhe o capitulo 4.4 O Essencial: O T.O. (Tratado Orçamental) é a barreira entre os que são submissos à ditadura da finança e os que colocam as pessoas no centro da política (…) O BE construirá um programa alternativo de governo que dê resposta às necessidades populares e altere a relação de forças. O caminho é claro: a) Desvinculação imediata do T.O.;b) Reestruturação da dívida pública rejeitando a dívida ilegítima, nacionalização do sector bancário para uma política de defesa da economia e criação de emprego e desobediência à austeridade europeia; c)Nacionalização dos bens comuns privatizados, garantindo o poder público dos setores estratégicos contra a globalização e o combate às rendas parasitárias, criando uma economia para o pleno emprego com direitos; (…)

A moção U dedica à resolução da crise o seu ponto 6. UM PROGRAMA PARA ACABAR COM A AUSTERIDADE: O objetivo imediato do Bloco é o fim da austeridade. Propõe o investimento público para a criação de emprego sustentável e a recuperação dos rendimentos do trabalho e dos serviços públicos degradados através da devolução à esfera pública dos bens estratégicos privatizados. Afirma que “ Este objetivo depende de medidas concretas” A primeira medida deste programa é a renegociação da dívida pública e de toda a dívida externa, cujos valores são insustentáveis. A par desta renegociação, deve iniciar-se a desvinculação do Tratado Orçamental. O núcleo do programa do Bloco completa-se com uma profunda reforma fiscal e com a nacionalização dos bens estratégicos. No caso da banca, o controlo público deve evitar a socialização das perdas e responsabilizar os acionistas e os potentados financeiros – os grandes credores da banca privada.

Não há diferenças entre a essência das duas propostas. Presumo (não as li) que as outras serão do mesmo teor. Elas motivam-me algumas questões:

As medidas apresentadas para sair da crise são adequadas? A maioria são.

São exequíveis? Na actual conjuntura a maioria não é exequível nem interna, nem externamente. Não podem ser levadas a cabo por um só partido nacional, nem por uma só corrente política europeia. O grupo da esquerda radical europeia não consegue por si só provocar a revisão do Tratado Orçamental, nem impor a renegociação da dívida, nem fazer aceitar a renacionalização da Banca, por exemplo. Internamente o Bloco não consegue, isolado, impor nenhuma das suas propostas. Ora o Bloco, tal como o PC, rejeita aliar-se com quem quer que não aceite as suas propostas e já o disse a António Costa.

O Bloco que sai desta Convenção é igual que que entrou, mantém-se, simplesmente, numa posição tática defensiva de afirmação de princípios. Sabe que não consegue sair da trincheira e impô-los. Resmunga.

As propostas do Bloco, mesmo que fossem adequadas e exequíveis seriam suficientes para vencer a crise e acabar com austeridade? Não são, nem seriam. O Bloco não propõe nenhuma medida para aumentar a riqueza produzida em Portugal. Nem para atrair capitais, que leve alguém a preferir investir aqui do que em outra parte. Nem para aumentar as vantagens comparativas de Portugal relativamente a outros estados e espaços. O Bloco não apresenta nenhuma estratégia para Portugal produzir riqueza no mundo global que, bem ou mal, é o que existe e que o Bloco não tem força para alterar radicalmente e que, nem mesmo que tivesse, iria a tempo de proporcionar às atuais gerações, as dos que ainda vivem e votam de viverem melhor. O Bloco não tem um política para a participação de Portugal nos grandes espaços mundiais – UE, Espaço Atlântico (EUA-RU e Canadá ), Lusofonia, Economias Emergentes (BRIC’s). Apenas uma frase sobre a saída da NATO, para a qual o nosso maior contributo é fazer voar meia dúzia de aviões em alegre vigilância turística sobre a orla costeira!

O Bloco repetiu a velha mensagem que há muito transmite à sociedade portuguesa: vai manter-se entrincheirado nas suas posições simpáticas de prometer distribuir melhor o pouco que há. Nada promete fazer para haver mais riqueza.

Foi afirmado que o Bloco não será o CDS do PS, a muleta do PS. Julgo que corre o risco de nem isso vir a ser, mas de se reduzir a um partido-seita, como o MRPP, ou o POUS.

Penso que as lições de história do Fernando Rosas sobre a falência dos movimentos pacifistas, anarquistas, espartaquistas, socialistas no período crucial do verão de 1914 poderiam ter sido úteis aos congressistas da Convenção.

Como se sabe da história da I Grande Guerra, o impasse só se resolveu com a introdução do movimento proporcionado por novas ideias e alianças, quando surgiu o tank que atravessou as trincheiras e a aviação que obrigou as velhas formações a saírem dos seus abrigos. Em minha opinião o Bloco está como os soldados alemães de 1918, começaram por atacar e acabaram a defender-se das novas ameaças com as velhas armas. Não é animador.

 

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por Augusta Clara às 08:00



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