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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.
PELA PAZ NA UCRÂNIA!
APELO A UMA SOLUÇÃO PACÍFICA E DEMOCRÁTICA PARA A UCRÂNIA E DE REJEIÇÃO DA INGERÊNCIA DA NATO
O Conselho Português para a Paz e Cooperação acompanha com profunda preocupação a situação que se vive na Ucrânia, resultante do golpe que, com o apoio político, económico e militar dos Estados Unidos da América, da NATO e da União Europeia, foi levado a cabo em 22 de Fevereiro de 2014.
Ao longo de quase um ano sucederam-se, como é conhecido, graves situações anti-democráticas e ilegítimas, designadamente a constituição de governos que incluíram e incluem elementos de extrema-direita e, mesmo, neonazis; os atentados dos grupos paramilitares de extrema-direita e neonazis do Svoboda, do Pravy Sektor às sedes de sindicatos e de partidos e forças democráticas e anti-fascistas, a perseguição e assassinato de democratas e patriotas ou a promoção da xenofobia, de divisões étnicas e da repressão pelo novo poder golpista. Esta situação levou à resistência e lutas populares nas regiões do Leste e Sul da Ucrânia, – como na Crimeia e no Donbass (Lugansk, Donetsk, Mariupol, entre outras cidades) -, de populações maioritariamente de língua russa, movidas por por sentimentos anti-fascista e patriótico. Como consequência, a população da Crimeia decidiu reintegrar a Federação Russa. E no caso do Donbass, as autoridades de Kiev responderam com uma violenta repressão militar contra as populações, provocando uma guerra civil.
A resposta das, entretanto criadas, Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk obrigaram ao recuo destes militares, mas não conseguiu impedir que milhares de civis tenham sido mortos e centenas de milhar se tenham refugiado e que inúmeras casas, bens e infraestruturas, tenham sido destruídas.
O cessar-fogo negociado em Minsk, em Setembro de 2014, foi sucessivamente violado por militares às ordens de Kiev e por mercenários dos grupos paramilitares, como o Batalhão Azov, que segundo a OSCE utilizaram, em finais de Janeiro e primeiros dias de Fevereiro de 2015, bombas de fósforo e de fragmentação - armas proibidas pelas convenções internacionais - sobre as populações da cidade de Donetsk.
Nos últimos dias têm vindo a público inúmeras, e contraditórias, posições assumidas por diversos apoiantes activos do governo de Kiev e, no dia 5 de Fevereiro, a NATO decidiu constituir uma Força de Intervenção Rápida para actuar na “Europa do Leste” constituída por 6 unidades sediadas na Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia, Roménia e Bulgária, que contarão com 30 000 efectivos, 5 000 dos quais das forças especiais. Força essa que constitui uma clara ameaça para a Federação Russa e para a paz na Europa.
No dia 6 de Fevereiro, Vladimir Putin, Ângela Merkel e François Hollande reuniram em Moscovo, tendo declarado ser a via diplomática a única opção para pôr fim ao conflito na Ucrânia, mas mantendo a União Europeia – que segue os EUA - um processo de pressão e chantagem, incluindo sanções contra Rússia. Nos dia 6 e 7 de Fevereiro, na Conferência de Segurança da NATO, reunida em Munique, os Estados Unidos e o Comandante militar das forças dos Estados Unidos e da NATO na Europa, General Philip Breedlove, defenderam o reforço do apoio militar ao governo de Kiev.
Ontem, 8 de Fevereiro, a Chanceler alemã, Ângela Merkel, anunciou a realização de uma Cimeira de Alto Nível da Alemanha, Rússia, França e Ucrânia, na próxima quarta – feira 11 de Fevereiro, em Minsk (Bielorrússia), declarando ser seu objectivo discutir um conjunto de medidas que visem por fim à violência na Região do Donbass. Tendo-se deslocado, posteriormente aos EUA, para se encontrar com Obama.
Perante uma tão grave situação, como a que se vive na Ucrânia, e as ameaças à paz que ela comporta, o Conselho Português para a Paz e Cooperação reafirma que só uma solução politica que respeite a democracia, as liberdades e o direito dos povos a decidirem do seu futuro pode garantir a paz na Ucrânia e, consequentemente, na região e na Europa. Por isso, o CPPC repudia o recurso ao militarismo preconizado pela NATO e pelos Estados Unidos e exige do Governo Português uma posição consentânea com os princípios da Constituição da República.
A Direcção Nacional do CPPC
Lisboa, 11 de Fevereiro de 2015
Caiu a máscara quando a CNN chamou ao exército ucraniano tropas pró-Estados Unidos
"The mask slips Now CNN is calling Ukrainian Army as pro-U.S. troops."
Leia e oiça aqui.
Carlos Matos Gomes "Dois tristes cucos não fazem um coro"
Dois tristes cucos não fazem um coro. Hollande e Merkel foram mostrar aos europeus que são bem intencionados, mas não contem com eles. Foram dizer que a Ucrânia é um despojo que está a ser disputado pela Rússia e os Estados Unidos. Eles são da petite Europe, nada de confusões. Hollande e Merkel representam dois estados que já partiram os dentes na Rússia, um com Napoleão, outra com Hitler. Aprenderam que não se podem meter lá, mas não aprenderam como viver com a Rússia. A questão é: porque carga de água rebentou a crise da Ucrânia? A melhor resposta que conheço é de um general francês, Jean-Bernard Pinel, num livrinho, Carnet de Guerres et de Crises: “Desde a aqueda do muro, os estrategas e os políticos americanos perceberam uma ameaça principal: uma aproximação seguida de uma aliança entre a Europa e Rússia, que contestaria a supremacia dos Estados Unidos, que lhe permite dirigir com toda a impunidade os negócios mundiais, impor um direito internacional de acordo com os seus interesses.”
A guerra civil na Ucrânia é uma guerra dos Estados Unidos contra a Rússia com dois objectivos; fazer uma ameaça direta, através da colocação de um governo satélite junto às fronteiras e cortar qualquer possibilidade e aliança entre a Europa e a Rússia. Soam assim profundamente ridículas as palavras do pobre Hollande e da sua companheira de viagem quando dizem: que quando a França e a Alemanha se juntam o mundo escuta-os e toma-os em consideração. Putin deve ter-lhes dado palmadas nas costas. Falado do tempo que faz em Moscovo. O problema não é esse… é o de a Europa apoiar um Estado de Israel na Ucrânia, para desempenhar junto da Rússia o papel que Israel desempenha no Médio Oriente. O pobre Hollande ainda teve a ingenuidade de afirmar que nem a França nem a Alemanha estão em guerra na Ucrânia e que não fornecerão armas. Obrigado. Ficamos todos mais descansados. Não falta quem as forneça. Não se preocupem com isso. O complexo militar industrial dos Estados Unidos agradece. As acções já começaram a subir.
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