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Jardim das Delícias


Sexta-feira, 23.02.18

Se eu percebo a guerra da Síria? Sim, percebo - Augusta Clara de Matos.

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Augusta Clara de Matos  Se eu percebo a guerra da Síria? Sim, percebo

 

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   Depois de terem invadido o Iraque, morto Sadam, destruído o país e deixá-lo mergulhado numa guerra civil;

Depois de terem chacinado Kadafi e deixado a Líbia esfacelada e nas mãos de gangs e grupos vários;

Passaram a outro país com a intenção de fazer o mesmo, mas aí não tem sido nada fácil nem com o apoio dos terroristas islâmicos do DAESH que se empenharam em equipar e armar. porque o poder sírio não esteve pelos ajustes.

Então, embrulhou-se tudo. Meteram-se mais os curdos pelo meio e não se vê como desembaraçar a meada.

Como a indústria das armas deve andar feliz com a ajuda dos amigos de sempre que, como piolho em costura, vão acicatando os ânimos, picando os guerreiros, divulgando falsas realidades!

Para os telejornais, contudo, não há nada mais simples nesta guerra do que a maldade de Assad, o presidente que mata as suas crianças e não quer entregar o poder aos EUA.

A grande parte da opinião pública mundial seria indiferente assistir a mais uma chacina e outro país do petróleo destruído perante o entorpecimento e acefalia provocados pelas reportagens televisivas com terríveis imagens como são sempre as de qualquer guerra.

Entretanto, no país dos homens com razão acha-se por bem distribuir armamento de guerra aos professores, armá-los contra os alunos.
Alguém meteu a bobine ao contrário!

 

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por Augusta Clara às 20:18

Sexta-feira, 20.11.15

Terrorismo verbal - José Goulão

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José Goulão  Terrorismo verbal

 

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Mundo Cão, 19 de Nobembro de 2015

 

   O presidente dos Estados Unidos da América aconselha o presidente da Rússia a “focar-se” nos ataques ao Estado Islâmico, ou ISIS, ou Daesh, ou Al-Nusra ou Al-Qaida; o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, propôs que haja uma frente internacional contra o terrorismo.

Disseram-no com ar de grandes estadistas possuidores das soluções para os males do mundo.

Barack Obama queixoso pelo facto de as forças aéreas e navais russas actuando na Síria parecerem “mais preocupadas” em defender o regime de Assad, ao que diz sem poupar os alibis bonzinhos de Washington, Paris, Londres e NATO - a meia dúzia de terroristas “moderados” que servem de interface para abastecer com armas, munições e dólares os terroristas “extremistas”. “Moderação” em que deve confiar-se piamente, sobretudo sabendo que um dos principais fundadores operacionais do grupo foi o chefe em exercício do Estado Islâmico no Magrebe, Abdelhakim Belhadj.

Netanyahu, por seu lado, convencido de que o mundo não conhece a sua generosidade para com o Estado Islâmico ao ceder-lhe os Montes Golã – ocupados à Síria – como rectaguarda, ao facultar-lhe hospitais israelitas para cuidar os terroristas feridos com maior gravidade.

Procurei uma qualificação adequada à gravidade e à irresponsabilidade destas declarações de dois aliados, que se confessam unidos haja o que houver, e só encontro uma: terrorismo verbal. Porque as suas palavras não passam de manobras de diversão que desviam as atenções da essência do terrorismo; porque mentem sobre a realidade gerando propaganda que, em última análise, serve o terrorismo; porque pretendem fazer crer que estes dois seres nada têm a ver com os grupos sanguinários que fingem combater. Obama e Netanyahu aconselham soluções mas continuam a ser a parte essencial do problema.

As forças militares russas colaboram com as forças armadas sírias no combate ao terrorismo? Não existe outra maneira legal de o fazer nos termos da Carta da ONU. A Síria é um Estado soberano, não é um território neutro onde qualquer um pode fazer operações militares quando e como lhe apetece, muito menos invocando argumentos distorcidos. Como é o caso do Pentágono que directamente – agora com tropas no terreno – ou por interpostos terroristas afirma ter como objectivo combater simultaneamente o Estado Islâmico e Bachar Assad, patranha em que nem os autores acreditam porque sabem, melhor que ninguém, que o objectivo é mudar o regime sírio e desmantelar o país. Por isso a “guerra” que Washington e aliados têm alegadamente conduzido contra o Estado Islâmico há mais de um ano deixou os terroristas mais fortes, mais armados, mais endinheirados; à Rússia, porém, bastou pouco mais de um mês para destruir centenas de centros de comando e outros alvos estratégicos do Daesh, libertar aldeias, vilas e aeroportos, estando agora em vias de cortar o eixo terrestre que garante a ligação terrorista entre a Turquia e o Iraque. Até a França, a duras penas, é certo, parece entender que essa é a maneira certa e credível de combater os grupos mercenários, pelo menos tem-no feito nos últimos dias. Sem complexos de coordenar esforços com Moscovo, ou de que tais operações sustentem Assad, na verdade um dos ódios de estimação de Paris. Aliás, a nova opção francesa parece ser a mais eficaz e certeira. Porque, segundo fontes citadas pela imprensa dos Estados Unidos, o ataque gaulês contra o Estado Islâmico lançado no dia seguinte ao dos atentados de Paris, feito ainda em coordenação com sistemas de informações norte-americanos, destruiu várias clínicas e um museu na cidade de Raqqa como sendo assustadores alvos terroristas.

O Obama dos conselhos e acusações à Rússia é o mesmo que contribuiu para destruir a Líbia, que desencadeou a guerra civil na Síria com recurso a mercenários de todos os matizes, que tornou praticamente irreversível o desmantelamento do Iraque. E que agora, de braço dado com Netanyahu, tolera limpezas étnicas no norte do território sírio para criar aí um Estado curdo artificial que lhes garanta o controlo dos manás petrolíferos de uma região que se estende ao país que já se chamou Iraque.

Quanto a Netanyahu e aos seus apelos contra o terrorismo, não há que gastar muito espaço. O mundo sabe que o seu nome se tornou um sinónimo desse mesmo terrorismo.

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por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 19.11.15

A Crise da Siria bem contada em 10 minutos e 15 mapas HD Legendado em português

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por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 26.10.15

Chegada à paz - Adriana Costa Santos

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CHEGADA Á PAZ é o blogue que relata a experiência de Adriana Costa Santos, que largou tudo em Portugal para ir dar ajuda num campo de refugiados sírios em Bruxelas

 

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 (Adriana Costa Santos à esquerda na fotografia)

  

23 de Outubro de 2015

   A secretária do meu quarto está virada para uma grande parede branca. Conheço os seus riscos de cor, de tantas vezes que me sentei a olhar para ela, de caderno em branco e caneta destapada, prestes a tomar grandes decisões. Numa noite, daquelas que não ficam na memória, ali estava eu, impaciente em relação ao futuro e à espera que uma resposta proviesse da cal. Tinha-me licenciado e resolvera parar de estudar um ano para pensar no resto da minha vida. Enquanto refletia, de computador fechado, os meus amigos do Facebook dividiam-se em opiniões extremas, sem qualquer fundamentação, quanto à grande questão dos refugiados sírios. Usavam e abusavam de termos como invasão, terrorismo e fundamentalismo, disparavam com “eles querem é rebentar com a Europa”, “agora vamos ter de pôr as nossas mulheres de burka”. Naturalmente, surgiam também vozes de apoio e compaixão, e, por todo o lado, centenas de portugueses disponibilizavam-se para receber refugiados nas suas casas. Estava na hora de fazer alguma coisa. Mais do que ler e entender a fundo a guerra na Síria e a crise humanitária a que assistíamos, concluí que o contexto em que me encontrava era o ideal para dar uma ajuda concreta, em qualquer parte da Europa.

Não tenho filhos, nem responsabilidades, tenho um trabalho, mas só para pagar as saídas à noite, não tenho nada a perder. Posso ajudar estas pessoas, aplicar os valores de solidariedade e tolerância que o projeto europeu me ensinou, e que prega, mas não pratica. Uma amiga falou-me do campo de refugiados de Bruxelas e ofereceu-me alojamento em sua casa. Perfeito. Decidi fazer a minha parte. Vou.

Não sei o que me espera, sei que vou dar e receber, aprender, crescer e fazer parte desta História. Sei que serão precisos muitos mais braços, no sítio para onde vou e em todos os campos que, na Europa, se opõem aos muros e às fronteiras, tentando dar esperança e dignidade aos que são iguais a nós e fogem de uma guerra que também é nossa.

Agora é a minha vez de contar ao mundo o que se passa e dar a conhecer a minha versão, pura e dura, dos acontecimentos, mantendo-me fiel aos princípios que me guiam, e com o único objetivo de promover a tolerância, a justiça e a paz.

 

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por Augusta Clara às 10:00

Sábado, 10.10.15

NATO, jogos de guerra, terrorismo e fascismo - José Goulão

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José Goulão  NATO, jogos de guerra, terrorismo e fascismo

 

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 NATO e Hungria vão tratar dos refugiados

 

Mundo Cão, 10 de Outubro de 2015

 

   A polícia de choque global, também conhecida por NATO, está numa fase das mais trauliteiras da sua história, superando os próprios e mais sinistros recordes, além de alargar o raio de acção em presença, eficácia, mobilidade e número de efectivos. Dos jogos de guerra no flanco sul, em áreas de intervenção às vezes também conhecidas pelas designações de Portugal, Espanha e Itália, agora considerados ainda mais importantes devido à “crise dos refugiados”, à proliferação de quartéis-generais em redor das fronteiras russas, ao reforço dos contingentes operacionais na Turquia ditado pelas operações russas contra os mais activos grupos terroristas, à multiplicação por três dos meios da “força de resposta” – A NATO nunca ataca, limita-se a responder – os gendarmes atlantistas não descansam na missão suprema, dir-se-ia divina, de preservar a democracia formatada pela ditadura financeira.

Numa comunicação feita há poucas horas, o social-democrata norueguês Jens Stoltenberg, destacado em funções de secretário-geral da aliança expansionista, anunciou que os efectivos da “força de resposta” vão ser aumentados para 40 mil apenas um ano depois de, em Gales, os expoentes doutrinários os terem fixado em 13 mil. O que mudou em menos de 365 dias exigindo esta ampliação exponencial? Stoltenberg respondeu por metade: o aparecimento “crise dos refugiados”, decorrente das convulsões a sul “do nosso flanco sul”. Quanto à outra metade, o secretário-geral foi omisso, mas nem precisou de ser explícito. A Rússia é a Rússia e agora não lhe bastava ter a querida “democratização” da Ucrânia debaixo de olho como se atreveu a ir combater o terrorismo no Médio Oriente, esse mesmo terrorismo que a NATO enfrenta heroicamente – e com tanta eficácia que os resultados da “primavera árabe” são os que estão à vista de todos.

No quadro da nova situação provocada pela “crise dos refugiados”, uma tragédia humanitária que para os governos dos membros da NATO é assunto a tratar manu militari, a aliança decidiu criar mais dois quartéis-generais em países para lá da antiga “cortina de ferro”. Tratando-se de refugiados, a NATO não poderia ter escolhido melhor a localização das duas novas estruturas operacionais: a Hungria e a Eslováquia, onde dois governos fascistas tratam como terroristas os que fogem da guerra em luta pela sobrevivência. A intimidade da NATO com o fascismo não é de fresca data, não se evidencia apenas na Ucrânia, na Hungria, em Estados do Báltico. Ela foi inscrita no seu código genético ao ter como fundador – logo como grande defensor da democracia – o Portugal salazarento. Por isso, quando um nazi como Anton Gerashenko, conselheiro do ministério do Interior de Kiev, apela ao Estado Islâmico para combater os russos seja no Cáucaso seja no Médio Oriente, em nome da democracia e da sharia (vertente política da ortodoxia islâmica), mais não faz do que respeitar o espírito de missão dos tutores atlantistas. O mesmo Gerashenko que, poucos segundos depois da queda sobre a Ucrânia do avião que fazia o voo MH17, anunciou que fora derrubado por um míssil russo. Uma sentença que ficou como versão oficial, em que ninguém acredita mas prevalece, quanto mais não seja porque é a da NATO e o que a NATO diz não se discute.

Para os que não estar a par do afã expansionista – e defensivo, claro – da NATO lembro que os quartéis-generais na Eslováquia e na Hungria vêm juntar-se aos que já funcionam na Bulgária, na Estónia, na Letónia, na Lituânia, na Polónia e na Roménia, sem contar com o servilismo do governo de Kiev, o qual integra a aliança sem lhe pertencer. O cerco à Rússia é evidente, comprovando-se assim que a NATO é uma instituição de cariz absolutamente defensivo através do respeito estrito por aquela máxima que não é apenas futebolística: a melhor defesa é o ataque.

Por isso, uma nota também sobre os exemplos mais recentes das acções defensivas da NATO e respectivas consequências. Foi em actos de defesa pura que a NATO atacou o Afeganistão, o Iraque, a Líbia e que desencadeou a guerra civil na Síria, tal como esfrangalhara a Jugoslávia. Então, quando o secretário-geral Stoltenberg se queixa da “crise dos refugiados” como resultante das “convulsões” no sul do “nosso flanco sul”, saibam todos que a NATO nada tem a ver com isso, apenas alarga a sua presença e reforça a sua eficácia para se defender do maldito e insidioso terrorismo, o qual a NATO nunca treinou e financiou, nem nunca foi, como agora também não é, seu aliado na Líbia, no Iraque, no Afeganistão, na Síria, na Bósnia-Herzegovina, no Kosovo…

 

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por Augusta Clara às 18:38

Quinta-feira, 10.09.15

Uma aterradora trama de crises - José Goulão

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José Goulão  Uma aterradora trama de crises

 

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Mundo Cão, 8 de Settembro de 2015

 

   Desde que se tornou pasto da tenebrosa máquina de manipulação em que se transformou a comunicação social dominante, a chamada “crise dos refugiados” está a ser deliberadamente desfocada do seu centro nevrálgico, a questão humanitária, mediante o recurso aos artifícios habituais onde se movem os pescadores de águas turvas, os oportunistas de grosso calibre e, sobretudo, os barões político-militares para quem o mundo é um vasto tabuleiro de guerras e rentáveis oportunidades.

Nas últimas horas, aviões de guerra franceses e britânicos, os mesmos ou gémeos dos que há três anos deixaram a Líbia no caos, começaram a sobrevoar a Síria com o objectivo proclamado de combater simultaneamente o regime de Bachar Assad e o Estado Islâmico, coisa em que ninguém acredita, nem os próprios. A prová-lo está o caricato anúncio de um exercício de tiro britânico já realizado em território sírio para liquidar terroristas que, imagine-se, projectavam abater essa nobre dama que é a rainha de Inglaterra. Em suma, à boleia da “crise dos refugiados”, a NATO entrou directamente na guerra contra a Síria, como os mais falcões dos atlantistas há tanto desejavam.

Descodifiquemos os factos. Depois de o presidente francês Hollande ter declarado que acolher todos os refugiados seria “fazer a vontade ao Estado Islâmico”, aviões franceses e ingleses, logo da NATO (por inerência) entraram em acção num país soberano, sem mandato da ONU nem autorização do governo legítimo, para intimidarem não apenas esse governo como (alegadamente) um grupo que o combate, neste caso o Estado Islâmico, protegido e criado por países aliados de França e do Reino Unido como são Israel e os Estados Unidos da América. Continuando a descodificação, lembro que esse mesmo Estado Islâmico não é mais do que uma consequência directa do desmantelamento do Iraque, da Líbia e da guerra civil síria. Prosseguindo ainda a descodificação, recordo que países como o Qatar e a Arábia Saudita, tão aliados de França, do Reino Unido e da NATO como são os Estados Unidos e Israel, desempenham papéis preponderantes nas situações de caos que geraram a avalanche de refugiados na Europa, sendo que nenhuma dessas monarquias torcionárias do Golfo está disposta a acolher um único refugiado que seja.

Apesar de a teia ser complexa, não é impossível detectar que a actual crise dos refugiados tem o dedo dos Estados Unidos da América e da NATO, como reconhecem, aliás, os serviços de informações militares da Áustria, pelo que, assim sendo, não será novidade para qualquer país da União Europeia.

Porém, não se vejam apenas desvantagens europeias neste fluxo de seres humanos desesperados, fugindo a guerras fomentadas também por potências europeias. Ouçamos o senhor Ultich Grillo, todo-poderoso patrão dos patrões alemães, à cabeça da Federação da Indústria (BDI). “Como país próspero e também pelo amor cristão ao próximo a Alemanha deve permitir-se acolher refugiados”, declarou. Tal como está a acontecer, e logo a um ritmo que permite prodigalizar enfáticos e universais elogios à senhora Merkel. “Devido à nossa evolução demográfica”, acrescenta o senhor Grillo, “asseguramos o crescimento económico e a nossa prosperidade graças à imigração”. Descodificando – será que é mesmo preciso? – desgraçados maduros para aceitar trabalho escravo como quem entra no paraíso são como pão para a boca para os barões da indústria alemã e pangermânica, como outrora foram tão úteis os degredados em campos de concentração.

Assim sendo, nestes dias observamos países que criaram guerras e desmantelaram nações, dando origem a uma vaga de refugiados para a Europa - compartimentando este continente entre cercas e muros com tonalidades concentracionárias -, partirem para novas fases das mesmas guerras, agora sob o pretexto de travarem o movimento de fuga combatendo grupos terroristas que são seus cúmplices e em cuja criação e desenvolvimento participaram. São assim, senhoras e senhores, os dirigentes políticos, militares e económicos que nos governam. Mentirosos irresponsáveis ao serviço de patrões e interesses que ganharão sempre com a tragédia de milhões de seres humanos, sejam quais forem os desfechos das sucessivas crises.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 16.03.15

O aniversário - José Goulão

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José Goulão  O aniversário

 

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   Mundo Cão, 16 de Março de 2015

   Diz-se que a História é escrita pelos vencedores, mas nos tempos que correm ela é igualmente obra de imbecis e mentirosos amestrados no obscurantismo da propaganda. No caso da guerra civil síria, como ainda não há vencedores, apenas centenas de milhares de vencidos cujas vidas foram sacrificadas aos riscos de sangue com que se redesenha o mapa do Médio Oriente, prevalecem as sentenças tão delirantes, como idiotas e mistificadoras dos papagaios de serviço às ordens dos que alimentam o conflito enquanto apregoam a democracia e os direitos humanos.

Vamos então a factos, agora que se completaram quatro anos sobre a data do início da guerra estabelecida pelos que a relatam torta e por linhas tortas.

É mentira que a guerra tenha começado porque o regime da família Assad reprimiu manifestações inseridas naquilo a que convencionou chamar-se “primavera árabe”, e que aliás deu excelentes resultados como sabemos pelos exemplos do Egipto, da Líbia, do Bahrein, do Iémen e fiquemos por aqui para não termos de nos alongar sobre países que vivem sob esplendorosas primaveras como a Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Iraque. Por muito que estas palavras possam vir a ofender os olhos de quem anda a ver demasiados telejornais, as acções das tropas de Damasco foram provocadas pelo facto de grupos terroristas injectados no território sírio ao serviço de países estrangeiros, os suspeitos do costume, terem cavalgado sobre as intenções genuínas dos manifestantes, adulterando-as, a exemplo do que aconteceu na Líbia, com os resultados conhecidos. Não é por acaso que um dos terroristas favoritos da NATO em território líbio, Abdelhakim Belhadj, se transformou num dos angariadores de mercenários islâmicos para a guerra civil síria.

Leitores medianamente informados não ignoram que o ovo da pestilenta organização que dá pelos nomes de Isis, ou Daesh, ou Estado Islâmico foi chocado na guerra civil síria pelos chamados “amigos da Síria” e da senhora Clinton a rogo do senhor Obama e do complexo militar industrial que governa os Estados Unidos e o mundo. Eles, esses tais amigos, insistem em dizer que os dinheiros, as armas, o recrutamento e as facilidades de treino por eles providenciados aos terroristas infiltrados na Síria, “libertadores”, como lhes chamam”, se destinavam aos “moderados”, mas a História – não a recitada pelos papagaios travestidos de jornalistas – revela que entre esses “moderados” e a Al Qaida ou Al-Nusra, ou Daesh, ou Estado islâmico ou Isis não existem diferenças porque os primeiros não passam de uma capa ténue incapaz de cobrir o resto, resumindo-se tudo numa palavra: terrorismo.

É de terrorismo que trata a guerra civil síria, essa é a verdade que se tenta esconder em mais este aniversário de uma operação criminosa alimentada pelos que proclamam a paz e a democracia sob as insígnias dos Estados Unidos da América e da União Europeia recorrendo aos prestáveis serviços do terrorismo israelita e dos seus aliados de reconhecidas virtudes democráticas como a Arábia Saudita, o Qatar e a Turquia, imprescindível pilar da NATO. Há poucos dias, um oficial israelita, dito Johnny entre os confrades, foi abatido pelo exército sírio nos Montes Golã quando prestava apoio a uma unidade dos “moderados” do Exército Livre da Síria directamente controlada pelo exército israelita. Para que não se pense, porém, que a generosidade israelita se esgota nesses tais “moderados” recordem-se as informações divulgadas pela própria imprensa israelita dando conta de que o primeiro-ministro Netanyahu não hesita em visitar terroristas do Isis, Daesh, Al Qaida, Al Nusra, o que for, nos hospitais israelitas onde são tratados aos ferimentos sofridos durante as operações contra o povo sírio montadas a partir dos Montes Golã, ilegalmente ocupados por Israel. Notem bem que isto se passa com um chefe de um governo que “não dialoga com terroristas” – na verdade apenas os cumprimenta e lhes estima as melhoras.

Histórias como estas não fazem parte das montagens oficiais sobre o aniversário da guerra civil síria distribuídas pelas centrais terroristas de propaganda e recitadas por mentirosos amestrados. E, contudo, elas existem.

 

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por Augusta Clara às 17:00



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