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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.
PARA QUE O MUNDO NÃO ESQUEÇA
"Com base nas investigações das últimas décadas, mesmo os ensaístas universitários americanos chegam cada vez mais claramente a uma conclusão que os factos há muito impõem: as bombas de Hiroshima e Nagasaki foram uma demonstração estratégica de força, dos Estados Unidos contra a URSS, na luta pela supremacia mundial. Hiroshima é bombardeada a 6 de Agosto de 1945. A 8 de Agosto (conforme previsto entre os Aliados), o Estado soviético declara a guerra ao Japão. E apesar disso..., no dia seguinte Nagasaki ainda é destruída com uma segunda bomba atómica. Seria ainda capaz de agressão uma nação de rastos? Os altos dirigentes norte-americanos sabiam que não; mas a terem de enfrentar as consequências políticas da participação soviética, preferiram lançar as bombas sobre as óptimas cobaias japonesas.
(...)
Alguns tinham as sobrancelhas completamente queimadas e a pele pendia-lhes da cara e das mãos. Outros, devido à dor, iam de braços erguidos como se transportassem algo em ambas as mãos. Outros vomitavam enquanto caminhavam. Muitos seguiam nus ou completamente esfarrapados. Nalguns corpos despidos as queimaduras tinham gravado inscrições — das alças das camisolas interiores e dos suspensórios e, na pele de algumas mulheres (uma vez que o branco repelia o calor da bomba e as roupas escuras o absorviam, conduzindo-o para a pele), os contornos das flores que lhes ornamentavam os quimonos. Muitos, apesar de feridos, ajudavam familiares em pior estado. Quase todos seguiam cabisbaixos, olhando a direito, em silêncio, de rosto inexpressivo."
(in John Hersey, Hiroshima, Antígona)
Nota: Os corpos de muitas pessoas desintegraram-se. Só ficaram as suas sombras estampadas no local onde se encontravam.
José Goulão Trinity, Little Boy, Fat Man
Mundo Cão, 5 de Agosto de 2015
Trinity, Little Boy, Fat Man… Ou Trindade, Rapazinho, Homem Gordo, três designações inócuas e inocentes para um dos maiores crimes contra a humanidade, por certo o maior crime de guerra que continua impune.
Três nomes inócuos e inocentes para três bombas nucleares paridas pelo chamado Projecto Manhattan, em segredo máximo e através de financiamentos clandestinos inspirados em práticas mafiosas de lavagem de dinheiro. Dois mil milhões de dólares foi quanto custou a produção dos três primeiros protótipos de bombas atómicas construídas pelos Estados Unidos, duas das quais foram testadas, por exigência do presidente Truman, nas cidades japonesas de Hiroxima e Nakasaki, tragédias sobre as quais se completam agora 70 anos de luto universal.
A Alemanha nazi rendera-se; a Itália fascista também; o Japão nacionalista estava de rastos, negociando nos bastidores, com as potências vencedoras, a sua rendição. De acordo com versões coincidentes de numerosos historiadores, Tóquio pretendia somente salvaguardar a figura do imperador, circunstância com significado interno mas sem qualquer repercussão externa ou de índole militar.
O uso da bomba de urânio sobre Hiroxima, em 6 de Agosto de 1945, e da bomba de plutónio sobre Nakasaki, em 9 de Agosto, não era necessário para ganhar uma guerra cujo desfecho estava decidido. O sacrifício de centenas de milhares de japoneses inocentes foi o investimento feito pelo complexo militar-industrial norte-americano para mostrar quem ganhara efectivamente a Segunda Guerra Mundial e, sobretudo, quem iria ganhar as guerras seguintes, isto é, quem iria reinar imperialmente sobre o mundo. Essas eram então as circunstâncias.
Por razões estratégicas que se relacionam com os grandes avanços das investigações científicas nos processos da cisão nuclear e das reacções em cadeia, a corrida à bomba atómica mobilizou a Alemanha e os aliados nos últimos anos da guerra. Os Estados Unidos, que entraram tardiamente na guerra, estavam na frente graças aos trabalhos de cientistas de várias nacionalidades, entre os quais se destacou Julius Oppenheimer, de ascendência alemã, a quem Roosevelt entregou a chefia do Projecto Manhattan, nome de código para a produção da bomba atómica em instalações secretas construídas em Los Alamos, no Novo México. Los Alamos não existia, a não ser como uma posta-restante: “1663 Santa Fe”.
Do projecto resultaram três protótipos. Um deles, Trinity, foi testado em segredo no deserto, perto de Alamogordo, em 16 de Julho de 1945. A guerra na Europa terminara havia dois meses e caminhava para o fim na Ásia. Pode afirmar-se, sem erro, que apesar dos avanços científicos a bomba atómica chegou atrasada à Guerra Mundial. Truman sucedera a Roosevelt por morte deste e a sua administração desdobrou-se em pretextos para testar os dois outros protótipos ainda em cenário real, como sinal de superioridade global. Oppenheimer calculara que o lançamento de uma bomba atómica sobre uma cidade poderia provocar cerca de 20 mil mortos. Vaticínios conservadores, dir-se-ia hoje. Em Hiroxima, sob o impacto de Little Boy, morreram mais de cem mil pessoas nos dois primeiros dias e ainda há seres humanos que morrem hoje devido ao efeito continuado das radiações, incluindo pessoas que herdaram de pais e avós as degenerações genéticas por elas provocadas. Em Nakasaki, sob o impacto de Fat Man, perderam a vida entre 60 mil a 80 mil pessoas nos primeiros dias. A primeira foi lançada em 6 de Agosto: deveria ter sido em 1 de Agosto, mas um tufão alterou os planos; a segunda abateu-se sobre Nagasaki, mas deveria ter sido sobre Kokura: tal não aconteceu devido ao facto de esta cidade se encontrar sob céu nublado. Pelo carácter fortuito das decisões percebe-se que não foram tomadas em função de necessidades objectivas de guerra, mas sim pelo desejo arrogante de intimidar tanto inimigos como aliados.
Os segredos de Los Alamos não tardaram a tornar-se de Polichinelo. Hoje há 17 mil ogivas nucleares no mundo, segundo organizações de físicos norte-americanos, desconhecendo-se se esse número inclui ou não as de países, como Israel, que escondem as suas capacidades. Todas elas multiplicam exponencialmente o potencial de morte das três estreantes. O sacrifício das populações de Hiroxima e Nagasaki foi em vão. Um conflito nuclear na actualidade não deixará ninguém em condições de registar quem o ganhou, porque não terá vencedores.
Ney Matogrosso Rosa de Hiroshima
Nota: faz hoje 69 anos que os Estados Unidos da América lançaram uma bomba atómica sobre Hiroshima quando a guerra já estava ganha pelos Aliados. No Pacífico a União Soviética estava prestes a derrotar os japoneses. Mas delineava-se já a divisão do mundo em dois blocos geoestratégicos e era preciso demonstrar superioridade. E, assim, se destruiram duas cidades japoneses - Nagasaki foi poucos dias depois. Foi cruel o massacre dos seus habitantes, com a mais terrífica arma usada até então.
O império americano continua a ser fiel aos massacres de populações. Agora, arma Israel, que também tem a bomba atómica, contra a Palestina.
A. Clara
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