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Jardim das Delícias


Segunda-feira, 20.04.20

HOMENAGEM - Adão Cruz

 

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Abril abriu muitas portas, por uma delas passou o Serviço Nacional de Saúde que, justamente, se enaltece no dia da Liberdade. Nesta data histórica, a Direção do Sindicato dos Médicos do Norte realça a importância de um Serviço Público de Saúde universal e inclusivo, sem o qual não seria possível o combate sem tréguas à epidemia que nos assalta.

A Direcção do SMN

 

Adão Cruz  HOMENAGEM

   Sou médico há 56 anos. Lembro-me de sentir muitas vezes na minha vida profissional, vida que procurei levar o mais eticamente, o mais competentemente, o mais dedicadamente e conscientemente possível, desilusões e mesmo algum sentimento de desonra em pertencer à classe médica. Tudo isto, por comportamentos desviantes dentro da própria classe, dentro da sua especial missão de vida, que feriam o nosso principal tesouro, a dignidade e o profundo sentimento humanista.

Sempre tive e ainda tenho muitos amigos das mais diversas profissões, desde trabalhadores mais humildes até cientistas, empresários, políticos e banqueiros. A todos, de formas obviamente diferentes, nunca os deixei de homenagear com a minha leal e sincera amizade, e com o reconhecimento e admiração por muitos exemplos das suas vidas. Porém, esta pandemia que hoje está a roer a nossa existência individual, familiar e social criou em mim, no meio de todos os males, sentimentos que eu nunca havia experimentado de forma tão emocionada e profunda. Por isso a minha homenagem, nesta altura, a todos os profissionais de todas as áreas, amigos e desconhecidos, não pode caber dentro de limites, pois em situação tão complexa, tão intrincada e tão interactiva, é muito difícil separar os mais importantes dos menos importantes.

Nesta infelicidade que nos bateu à porta, há, no entanto, uma multidão de seres humanos que me levaram, indiscutivelmente, à reconquista de uma honra especial em pertencer à sua classe, a classe médica e o Serviço Nacional de Saúde. Um Serviço Nacional de Saúde, fruto do glorioso Vinte e Cinco de Abril, prestes a ser celebrado, um Serviço Nacional de Saúde que abrange políticos, autoridades sanitárias, administrativos, médicos, enfermeiros, auxiliares e pessoal mais anónimo, todos imprescindíveis ao seu funcionamento e ao seu mais sólido e nobre futuro. A todos a minha homenagem.

Fiz cuidados intensivos há largos anos, quando as unidades de cuidados intensivos começavam a aparecer, de forma muito primária, comparadas com as de hoje. Mesmo assim, senti bem fundo a responsabilidade e a abnegação que elas exigiam. Por isso, não me levem a mal que eu deixe aqui uma homenagem muito especial, acima de todas as homenagens, ao trabalho de todo o pessoal que de uma forma heróica dedica as suas vidas, nestes dias tão negros, à prática intensivista, em Portugal e fora de Portugal. São para mim, sem margem de dúvidas, os Heróis da actualidade, aos quais cada país, depois da vitória, deveria erguer o mais majestoso e merecido monumento.

20.04.2020

 

 

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por Augusta Clara às 19:15

Terça-feira, 09.12.14

Ferreira de Castro na Suíça portuguesa - Adão Cruz

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 (Vale de Cambra, foto de Adão Cruz)

 

 

Adão Cruz  Ferreira de Castro na Suíça portuguesa

 

ferreira de castro1.png

 

 

 

 

(Pintura de Adão Cruz, 2013)

 

(Tertúlia realizada pela Assembleia Municipal de Vale de Cambra, no dia 6 de Dezembro de 2014, na Pensão Suíça, em homenagem a Ferreira de Castro, no quadragésimo aniversário da sua morte. Tertúlia em que intervim, juntamente com outros amigos, a convite do Presidente da Assembleia Municipal, o meu velho amigo Eng.º Rui Leite. Para os que não sabem, a Pensão Suíça é uma antiga pensão, em Macieira de Cambra, muito conhecida dentro e fora do país, carregada de histórias e de passado. Aí acorria muitas vezes Ferreira de Castro por curtos períodos de tempo, para descansar e conviver com amigos que o visitavam, de que é exemplo Jorge Amado. Foi na Pensão Suíça que, em Junho de 1974, foi acometido de doença súbita que o haveria de matar alguns dias depois. Um mês antes desfilara alegremente no primeiro de Maio de 1974).

 

   Eu nasci em Vale de Cambra, para cá das Baralhas, a dois quilómetros dos Salgueiros, terra onde nasceu Ferreira de Castro. Aqui vivi, como Ferreirade Castro, a minha infância e aqui permaneci até à idade adulta.

Aqui, criança ainda, comecei a sentir dentro de mim uma certa atracção pelos livros, eu diria mesmo uma necessidade imperiosa de descobrir todos aqueles mistérios contidos dentro das capas dos livros que existiam lá por casa e que pertenceram, a maior parte, a um tio meu que era padre, o que não impedia que houvesse muitos livros não propriamente religiosos, livros profanos e mesmo renegados. Lembro-me de ter nas mãos, ainda criança, uma Biblia protestante, A velhice do Padre Eterno e o Livro de S. Cipriano que era uma espécie de ligação com o diabo. Senti que em mim começava a despertar também, para além da vontade de os ler, a vontade de escrever, que, a certa altura se tornou uma paixão.

Pelos meus dezasseis, dezassete, dezoito anos, eu lia numa noite, à luz de um foco olho de boi, debaixo dos lençóis, para que minha mãe não visse, metade de um livro, ou mesmo um livro inteiro, conforme a espessura. Eça, Camilo, Garrett, Antero, Dumas, Lamartine, Balzac, Voltaire, Victor Hugo, Stefan Zweig, Tolstoi, Dostoievsky, Kafka e até Shakespeare. Recordo-me que havia por lá uma edição do Rei Lear. A memória desse prazer perdura ainda como uma das mais fascinantes sensações da minha adolescência e juventude e da minha vida, esta penetração assim à socapa, meio clandestina, no fabuloso mundo de um livro.

Por essa altura, eu ouvia falar de Ferreira de Castro como escritor, nascido ali ao lado, mas mais como parente de um casal de irmãos, meus amigos e colegas de colégio, o Artur Ferreira de Castro e a irmã Odete Ferreira de Castro, já há muito falecidos, por volta da meia idade. Impressionava-me, sobretudo, o que se contava sobre a sua origem humilde e o seu trabalho infantil, a sua ida para o Brasil, a aventura em princípios da adolescência, pelas florestas da Amazónia, as tremendas vicissitudes por que passou, por necessidades da vida e também por amor ao que, como ele, eu tanto amava, a literatura. Todos os dias, durante anos, passávamos de camioneta, a velha Leyland conduzida pelo Sr. António, eu, minha irmã e outros colegas, a caminho do colégio de Oliveira de Azeméis, diante da casa onde nascera Ferreira de Castro. Muitas vezes o meu olhar perpassava por aquelas janelas, e um inexplicável sentimento de nostalgia e admiração abria o meu jovem espírito a um mundo de fantasia que me ocupava o pensamento durante o resto da viagem.

Um dia, a mãe desses amigos, mais conhecida pela D. Tininha das Baralhas, que foi minha paciente até aos noventa e tal anos, emprestou-me o livro A Missão, com uma amável dedicatória de Ferreira de Castro à sua sobrinha. Aquela assinatura pelo seu punho comovia-me. Foi o primeiro livro que li da sua autoria e a partir daí procurei ler mais alguns, começando, obviamente pela Selva.

Não tive, porém, nem o contacto nem a vivência suficientes para saber o meu grau de identificação com a sua personalidade. Sei que a sua figura e o seu pensamento incutiram em mim um grande respeito. Também não pude, através da sua obra, avaliar esse mesmo grau de identificação, pois li apenas uma meia dúzia dos seus livros, Emigrantes, A Selva, A Tempestade, A Lã e a Neve, A Curva da Estrada, A Missão, mas li-os por volta dos meus dezoito anos, numa altura em que, jovem e imaturo, devorava tudo sem me inteirar, propriamente, do valor literário e humano de quem tais obras escrevia.

Identifiquei-me, isso sim, posteriormente, com a personagem Ferreira de Castro. Com a sua infância, com a sua ânsia de escrever e entrar no mundo da imaginação, da fantasia e da aventura, ainda que motivada pela carência e pela necessidade, com a dramática solidão com que enfrentou sofrimentos e injustiças, com a sua perseverança, com a sua forma de amar, com a serenidade sofredora, com toda a sua revolta perante um regime de opressão e censura, com a sua posição cívica na defesa dos direitos e dignidade do Homem, com toda a sua postura perante os horrores da guerra, com a grande dignidade de verdadeiro cidadão do mundo, com a sua força perante as ameaças da morte que haveria de lançar-lhe as garras precisamente aqui em Macieira de Cambra, onde o conheci pessoalmente. Muito me identificou com ele, também, o seu amor a Vale de Cambra. “A terra é verde e o céu azul; é tudo verde e azul com raras pintas brancas do casario, que mais do que moradias de homens parecem janelas da própria paisagem. Nas noites de luar, quando o grande balão de oiro surge na lomba das montanhas, o vale enche-se de magia, de um sortilégio que paira desde os píncaros longínquos às águas sussurrantes do Caima. De manhã é o milagre, todos os dias há um milagre de luz sobre a terra quando  sol nasce em Vale de cambra”.

027-2013.jpg Nada vou dizer sobre a sua obra. Não me compete, não fiz sobre ela qualquer estudo, e outras pessoas muito mais capacitadas nesse assunto poderão falar. Sei que é um dos autores mais traduzidos em todo o mundo, podendo-se incluir a sua obra na categoria de literatura universal moderna, precursora do neo-realismo. Uma escrita caracteristicamente identificada com a intervenção social e ideológica.

Eu era rapaz novo, um dos poucos clínicos gerais de Vale de Cambra. Fui um autêntico João-Semana, durante anos. Calcorreei montes e vales, de dia e de noite, à chuva e ao vento, de tudo eu fiz nos confins destas terras, dezenas de partos à luz da candeia e do petróleo, hidratações de crianças ressequidas pelas diarreias, punções lombares, drenagens de derrames pleurais, toda a espécie de tratamentos em doentes agudos e em doentes graves e terminais. Apanhei, por assim dizer, aquela fase da medicina em transição da medicina do século dezanove para a medicina moderna. Uma época em que não havia hospitais nem ambulâncias, em que o médico tinha de fazer e tratar tudo o que era grave e não grave. Como dizia o saudoso amigo Dr. Teixeira da Silva, tratar desde a queda do cabelo á unha encravada. E também era por essa altura, um dos poucos jovens ditos, do contra. Na verdade, sempre fora da oposição à ditadura de Salazar, e era mais por esse lado que Ferreira de Castro me conhecia, ou melhor, já ouvira qualquer coisa sobre mim.

Quando eu regressava de alguma visita médica naqueles inóspitos lugarejos da serra, e sobretudo quando sabia que Ferreira de Castro se encontrava de férias na Pensão Suíça, aí parava e lanchava com ele, onde conversávamos um pouco sobre tudo, especialmente sobre a situação política e a censura. Recordo apenas algumas das impressões que me ficaram dos curtos convívios que tive com esse grande homem. Tudo o que dele li e ouvi me pareceu simples, claro e transparente, mas também pedaços de carne viva, de uma autenticidade inquestionável, de uma sombria realidade que ele conseguia preencher de luz brilhante. Em tudo o que dele li, em tudo o que dele ouvi, nunca descortinei qualquer artifício literário que roubasse a naturalidade e a espontaneidade de um ser humano autêntico. Em todo ele, homem lido e conversado, nunca vislumbrei vaidades, desapego à verdade ou ausência de preocupação pela dignidade do ser humano. Era um homem bom e generoso, um verdadeiro cidadão de profundo ideal humanista, inegavelmente comprometido com a causa da liberdade e da justiça social.

Adão Cruz

 

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 (Túmulo de Ferreira de Castro na Serra de Sintra)

 

 

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por Augusta Clara às 08:00

Sexta-feira, 31.05.13

Homenagem ao pintor Luis Dourdil (1914-1989)

 

O Lápis como Instrumento Soberano

 

 

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por Augusta Clara às 17:00

Segunda-feira, 11.03.13

Homenagem póstuma ao Dr. Renato Figueiredo, que foi Director da Biblioteca Municipal e da Academia de Música de S. João da Madeira durante muitos anos, feita pelo seu médico e amigo Dr. Adão Cruz

 

Esta homenagem teve lugar no dia 8 de Março e dela fizeram parte não só as palavras que o Dr. Adão Cruz proferiu na ocasião, como um poema que lhe dedicou e está integrado no seu livro de poesia Vai o Rio no Estuário  recentemente editado.

 

 

(Dr. Renato Figueiredo)

 

 

   Não são fáceis estes momentos de homenagem, pois exigem às palavras grande responsabilidade. Por isso eu procuro que as minhas palavras sejam tão verdadeiras e autênticas quanto possível, e tudo farei para que não me saiam apenas da boca mas nasçam no fundo de mim mesmo.

O Dr. Renato Figueiredo foi um daqueles homens que mereciam ser homenageados em vida, mas não foi. E não foi porque os homens que merecem ser homenageados em vida, não o são. E ainda bem. Porque uma boa parte das homenagens em vida visa apenas dar o aval, dentro da esfera política, social e religiosa, a personalidades, a vidas, existências e comportamentos nem sempre louváveis, ou nem sempre os mais louváveis em termos de ética, política e filosofia socias. O Dr. Renato não caberia neste tipo de homenagens, nem as aceitaria, estou convencido.

Conheci o Dr. Renato Figueiredo há cerca de trinta anos. Por essas alturas ele teve um enfarte do miocárdio e pediu-me que o seguisse, o que eu fiz, da melhor maneira que soube e pude, até ao fim da sua vida. Durante todos estes tempos, os nossos encontros não foram frequentes mas também não foram raros. Foram suficientes para nos conhecermos relativamente bem e para justificarem a minha presença aqui.

Aqui, onde esta homenagem já não é dirigida ao Dr. Renato, pois o Dr. Renato não existe, e isto não o aquece nem arrefece. Falo desta forma um tanto crua, pois sei que o Dr. Renato me entenderia, dado que ele pensava como eu. Com efeito, o Dr. Renato era, como eu, um materialista, no sentido filosófico do termo. Para ele não havia qualquer dualismo corpo-espírito. O homem é, como dizia Espinosa, um todo, um ser uno, indissociável e indivisível, conceito este decorrente, naturalmente, de toda a história da ciência e do desenvolvimento do conhecimento humano. Ao contrário do conceito espiritualista, que divide o homem em duas metades. Uma física, que morre e se putrefaz, e outra sobrenatural qua depois da morte voa para insondáveis paragens, não tendo este conceito nada que o sustente a não ser uma crença, perfeitamente legítima, mas apenas uma crença.

Por isso esta homenagem não é, como disse, ao Dr. Renato. É uma homenagem a uma memória, a um exemplo, à memória de um exemplo que aqui nos trouxe, que nesta sala nos uniu voluntariamente e nos congregou no sentido de darmos o nosso aval a esse exemplo bem como a exemplos semelhantes, e dele retirarmos valores, que de uma forma ou outra usaremos no fazer e refazer da nossa constante reestruturação.

E esse exemplo, à luz dos meus olhos, que não são todos os olhos desta sala, é um exemplo de simplicidade, talvez a mais bela das virtudes do ser humano. Um exemplo de verticalidade, seriedade, honestidade, integridade, lealdade, dignidade em todas as vertentes da vida, um exemplo de visão, quanto a mim muito inteligente e correcta do mundo e das coisas, exemplo de paz e sensatez, uma grande sabedoria, e sobretudo uma mente rica e sentimental. Não me refiro propriamente aos sentimentos mais correntes das relações humanas, à excepção do amor, o mais nobre sentimento, mas àquilo que eu chamo sentimentos essência ou sentimentos nucleares, o sentimento poético, o sentimento artístico o sentimento da inquietação da necessidade científica e filosófica e o sólido sentimento da impermeabilidade ao não racional. Mas em cima de tudo, como cereja no bolo uma encantadora modéstia e humildade. Na minha forma de pensar e de ver as coisas, e pelo que a vida me tem ensinado, estes sentimentos constituem as melhores vacinas contra o obscurantismo, quanto a mim, a principal doença de uma boa parte da humanidade. E são os elementos mais importantes para o homem entender e compreender cada vez melhor a sua integração cósmica e a sua dimensão universal.

Para mim, pessoalmente, a lição de vida e de morte do Dr. Renato Figueiredo foi preciosa.

Fui ver o Dr. Renato dois dias antes de ele falecer. Fomos dois, O Dr. Magalhães dos Santos e eu. Lembro-me das suas últimas palavras, proferidas já com alguma dificuldade. Não tenho qualquer medo do fim, mas angustia-me esta falta de ar. Dois dias depois a falta de ar abandonava-o para sempre.

Fui vê-lo novamente. Ou melhor, não o fui ver porque ele já lá não estava. Já não existia. Fui tentar ver e sentir alguns grãos de poeira do seu rasto. O que vi e senti, tentei traduzi-lo desta forma:

 

Apenas dois raios da frouxa luz do crepúsculo penetram na janela e atravessam a sala bordejando timidamente a penumbra e tocando de leve brilho os sapatos negros

No além do quarto para lá da porta a densa quietude da paz e do silêncio

Sobre a cama um corpo sem dobras estendido de cima a baixo

Nem uma vela nem uma flor nem uma renda

O mesmo leito onde dormiu os sonos temporários

O mesmo leito onde o sono temporário se fez definitivo

A nudez física de singelo pudor enfiada num longo e magro fato preto

A nudez da vida despida de mentira vaidades e impurezas

A nudez da morte limpa de crenças e fantasias

A nudez da vida e da morte abraçadas por fim no esquálido encontro de um corpo que foi gente

Gente que a gente não gosta de ver partir por ser rara

Por ser um verso do Universo ou simples protão mas daqueles que deixam na sua órbita um rasto de luz e dignidade

Adão Cruz

 

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por Augusta Clara às 14:00



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