Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Jardim das Delícias


Sábado, 13.04.19

Confusões muito convenientes - Augusta Clara de Matos

o balanço das folhas3a.jpg

 

Augusta Clara de Matos  Confusões muito convenientes

eu7.jpg

   Há coisas nos tempos de hoje que estão a tornar-se perigosamente - não é exagero utilizar o advérbio - apreciadas e divulgadas como é o caso da oportuna e incentivada confusão entre o que é o saber e a competência e o que configura a promovida ignorância. E não se trata aqui da ignorância de que todos padecemos em relação a tanto que há para saber. Trata-se de desprezar, atacar e incentivar ao ataque do reconhecido e provado conhecimento adquirido por quem para isso trabalhou e o pôs ao serviço da comunidade.

O mundo vai ao arrepio da democracia. Os estúpidos e os venais conseguiram atingir os lugares de maior poder sobre tudo e todos graças não só ao poder bélico mas tanto ou mais ao comportamento acéfalo e permissivo de grande parte dos cidadãos dos países que se reivindicam dessa mesma democracia. Sabemos bem como lhes foi e tem sido criado o caminho do entorpecimento da razão para aí chegarem.

Quem tem as principais ferramentas para ajudar a inverter este estado da mentalidade colectiva, a Comunicação Social, não o faz. Deixa-se caír, na melhor das hipóteses, no conformismo do assumido como inevitável rumo do futuro global. E a quinquilharia das “ideias” prolifera em todo o suporte onde se podem juntar letras ou sons falados.

O saber é considerado arrogância e a estupidez humildade. E esta confusão contamina até, subrepticiamente, sectores que têm o dever e a capacidade de não se deixarem contaminar.
Neste mundo virado do avesso, oxalá a queima de livros não se propague como se tem propagado a inconsciência e a indiferença crescentes pela anulação dos direitos humanos.

“Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar!” sob pena de sermos nada mais que mais um.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 20:53

Quinta-feira, 20.04.17

Os Antivax - João Vasconcelos-Costa

o balanço das folhas3a.jpg

 

João Vasconcelos-Costa  Os Antivax

 

joão vasconcelos-costa.jpg

 

(doutorado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa e investigador em virologia com agregação em Microbiologia pela Universidade Nova de Lisboa) 

 

18 de Abril de 2017

   Este é o termo que se vulgarizou nos EUA para os pais, geralmente de classe média alta, universitários, politicamente corretos, que recusam vacinar os filhos. Vou escrever sucintamente alguma coisa sobre isto, respondendo a Maria Leite, que comentou um “post” meu no facebook.
 
Deve-se distinguir (o que se reflete numa eventual penalização) da situação de pessoas de poucos meios, não informadas, marginalizadas, que não recorrem habitualmente aos recursos disponíveis do SNS. Da mesma forma, e é problema crescentemente importante, os imigrantes recentes e refugiados, ainda não inseridos.
 
Falo é d”os que sabem”, arrogantes na sua ignorância. Invocam três tipos principais de razões.
 
Primeiro, que a vacinação não é natural. É o estilo “paleo”, bem representado num filme de que agora não recordo o nome, de um pai que (des)educa os filhos a viver na floresta como crianças de Rousseau. Para eles, é boa a dieta das cavernas, do tempo da caça, a vida selvagem, embora todos os dias saiam para a sua vida real de yuppies. As crianças é que pagam.
 
Segundo, a tese de que as vacinações mexem na nossa imunidade natural. Ignorância científica total! Há de facto uma chamada imunidade natural, primitiva e sem grande significado (infelizmente) que não vou agora discutir. Mas, no que toca à generalidade da nossa imunidade, toda ela é memória de contactos adquiridos com tudo o que nos rodeia desde o nascimento, incluindo micróbios. E até temos ao nascer, embora transitoriamente, a imunidade das nossas mães, pelos seus anticorpos que circulam no sangue que passa da placenta para o feto.
 
O que fazemos com as vacinas é simplesmente simular o que a natureza faz, mas orientando, em termos absolutamente biológicos e naturais, para a imunização contra doenças. Mesmo sem isso, adquirimos imunidade contra muitas doenças mesmo sem as termos, por infeções sem sinais clínicos. Por exemplo, eu não preciso de me vacinar contra a hepatite A porque tive contacto com o vírus e estou imunizado, mesmo sem alguma vez ter tido a doença. Não podemos é confiar neste processo natural, por ser muito falível.
 
Terceiro, e tenebroso. A grande fundamentação dos antivax é uma das maiores imposturas da medicina moderna, o trabalho fraudulento de um tal “Dr” Wakefield, que pretende que a vacina contra o sarampo (associada a papeira e rubéola) causa autismo. Esses “resultados” já foram claramente denunciados como fraude científica e ele foi expulso das ordens inglesa e americana. Mas continua a ser muito lido na net e a possuir (sem funções médicas, para que está proibido) uma clínica para autistas muito lucrativa.
 
Ou os antivax temem efeitos negativos das vacinas? Como tudo na medicina, existem, mas são irrelevantes (inchaços locais, alguma dor, febre pouco elevada e passageira) e pouco frequentes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 18:36



Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes


Links

Artes, Letras e Ciências

Culinária

Editoras

Filmes

Jornais e Revistas

Política e Sociedade

Revistas e suplementos literários e científicos