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Jardim das Delícias


Quarta-feira, 24.09.14

O discurso da actriz Emma Watson na ONU que todos nós (homens e mulheres) devíamos ler

 

Emma Watson fez um demolidor discurso sobre a necessidade da união de esforços para se acabar com a desigualdade entre homens e mulheres

 

 

 

Veja aqui o texto completo publicado no jornal El País no dia 22 de Sembro de 2014.

 

 

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por Augusta Clara às 16:00

Quinta-feira, 19.12.13

A mulher, a eterna ameaça e vítima ancestral - Carlos Esperança

 

Carlos Esperança  A mulher, a eterna ameaça e vítima ancestral

 

 

   Há dias publiquei uma foto de Annette Kellerman (1886/1975) a promover o Direito das mulheres ao uso do maiô, em 1907. Era um fato de banho que apenas deixava o pescoço e os braços à mostra. Valeu-lhe a prisão.

A nadadora australiana, atriz e escritora, foi presa por atentado ao pudor. Não podia ser o que descobria a causa de tão cruel punição, era o medo da emancipação, da igualdade de género que, durante milénios, justificou a violência das instituições contra a mulher, como se a humanidade pudesse existir sem ela, como se cada um de nós pudesse nascer, sem ser asfixiado, de pernas atadas, como os homens a queriam.

No Concílio de Niceia (séc. IV), discutiu-se com “seriedade” e “pureza de intenções” a questão de saber se as mulheres tinham alma, e hoje, quando cada vez menos pessoas se interessam pela existência da alma, a mesma Igreja discute a alma do zigoto.
Almas do diabo!

Maria Montessori (1870/1952), pedagogista e pedagoga, mulher que estudei por dever profissional, foi das primeiras educadoras de crianças deficientes e a primeira médica italiana. As dificuldades que teve de vencer, as provocações e o assédio de que foi alvo!

A frequência de classes com homens, na presença de um corpo nu, era inadequada. Foi obrigada a realizar as dissecações de cadáveres sozinha, depois do horário dos colegas. Aos 18 anos, esta mulher era a minha heroína. O seu currículo na pedagogia científica e na filosofia educacional rivalizam com a coragem cívica. A sua biografia e bibliografia equivalem-se.

Na ditadura clerical-fascista de Salazar a mulher só podia ausentar-se para o estrangeiro com autorização do marido. Este administrava-lhe os bens, abria-lhe a correspondência, exercia um direito. A violação não era crime.

Quem tem medo da mulher não tem confiança em si. Quem quer aprisionar-lhe a alma não sabe ser livre. Ninguém é livre se exercer a escravatura. Temos sido um mundo de escravos na ilusão de que a violência é uma forma de liberdade e uma manifestação de poder, desconhecendo que na desigualdade de géneros se encontram as amarras que nos tolhem, a desonra que nos diminui, o opróbrio que nos envenena.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Sábado, 12.10.13

O mundo das meninas que não são Malala - Cláudia Luís

 

 

Cláudia Luís  O mundo das meninas que não são Malala

 

 

Publicado no Jornal de Notícias em 11 de Outubro de 2013

 

     Malala Yousafzai tem a atenção do Mundo. Sobreviveu a uma bala talibã por lutar pelo direito à educação das meninas. Mas há milhões de "Malalas" que não se ouvem, não se veem, que já nem existem.

Esta sexta-feira, na segunda vez em que se assinala o Dia Internacional das Meninas, revelam-se estudos arrasadores sobre o que é, afinal, nascer mulher.

As mulheres e as meninas têm 14 vezes mais probabilidade de morrer numa situação de desastre ou conflito do que os homens e os meninos. A conclusão é de um estudo da Plan Internacional, uma Organização Não Governamental espanhola, e foi citado pelo jornal "El Mundo". A conclusão é reforçada por uma investigação britânica da London School of Economics, que verificou que os meninos acabam por ter maior prioridade nas operações de resgate.

Quando falta comida, as meninas comem menos e os meninos comem mais. Parte-se do princípio de que eles precisam de mais alimento, porque têm mais energia do que elas.

As que conseguem sobreviver a situações de grave adversidade têm, quase sempre, o resto da sua vida comprometida. Com idades entre os 10 e os 19 anos são obrigadas a prostituírem-se em troca de dinheiro, comida ou abrigo.

Em alguns países, "as meninas são vistas como uma riqueza familiar, porque podem ser trocadas por dinheiro ou comida. São mão de obra barata e estão proibidas de contestar os seus pais", disse um rapaz do Zimbabué à Plan Internacional.

 

 

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por Augusta Clara às 10:00

Sexta-feira, 11.10.13

As Mulheres Que Não Existem - Augusta Clara

 

 

Augusta Clara  As Mulheres Que Não Existem

 

 

 

Nota: Publiquei este texto pela primeira vez no blog Estrolabio em 17 de Setembro de 2010. Três anos depois a situação da mulher no mundo não melhorou. Antes pelo contrário: os crimes de violação colectiva na Índia, ocorridos em meses próximos, os casamentos de meninas com menos de 10 anos de idade, prática frequente em certas comunidades islâmicas cujo resultado em casos chegados ao nosso conhecimento foi a morte, o assassinato de recém-nascidos do sexo feminino considerados em excesso em alguns países, bem como a violência contra as mulheres tão bem conhecida no nosso mundo ocidental, fazem com que ele seja, infelizmente, actual ainda que em alguns parágrafos estejam referenciados casos acontecidos na altura em que foi publicado. Foram só mais uns dos que continuam a acontecer.

Agora que o atentado de um talibã contra Malala Yousafzai chamou a atenção do mundo para a sua coragem e determinação em prosseguir a luta pela igualdade de direitos entre homens mulheres e que o Prémio Sakharov lhe foi atribuído, pareceu-me oportuno trazê-lo de novo.

 

 

 (Yavuz Sariyildiz)

   Em Ciudad Juárez, no norte do México, perto da fronteira com os EUA, há mulheres que são mortas e vão para o lixo como os cães e os gatos atropelados.

O escritor chileno Roberto Bolaño, no seu monumental “2666”, reservou 300 das páginas do livro só para fazer um relato pormenorizado das mortes e desaparecimentos de muitas dessas mulheres. E descreveu coisas abomináveis.

Mas não é para falar do livro de Bolaño que escrevo. Refiro-o para elogiar um autor que teve a lucidez e a generosidade de abdicar dum tão grande espaço da sua obra para denunciar factos a que o resto do mundo não dá a menor importância.

Actualmente a comunicação social referiu com abundância as mortes resultantes de guerras entre os grupos de narcotraficantes que dominam a sociedade mexicana. Mas onde é que se ouve falar das mulheres de Ciudad Juárez? A identidade de muitas delas nunca foi reconhecida. Era gente de existência nula, na verdade considerada menos que gente, circulando entre os países da região ou regressada clandestinamente dos EUA onde fora em busca de algum sonho. Se calhar, muitas até já nem queriam ser belas, muito felizes ou muito amadas. Queriam, talvez, ter apenas uma vida própria e em paz. Mas, um elevado número não teve outra hipótese do que regressar para se prostituir ou para trabalhar em bares de frequência duvidosa, o que vinha a dar no mesmo.

No México, os narcotraficantes gozam do estatuto de gente importante que, eles próprios, se impõem mas conferido, também, por sectores da sociedade mexicana, por medo ou conivência. Conivência que se estende à troca, entre todos, dessas mulheres que, ao tornarem-se inúteis, vão para o lixo. São menos que zero. Servem, apenas, para satisfação dos “guerreiros” do narcotráfico e de toda a imensa nuvem que os esconde. Animam a luta, dão sangue novo. Depois, são abandonadas como os caçadores abandonam os cães, terminada a época da caça.

Quem se indigna pelo destino dessas pobres mulheres? Quem as considera gente como nós, com as nossas vidas cheias de direitos e de objectivos? Praticamente ninguém. E Bolaño fê-lo. Já gostava da sua obra. Agora não perco um livro. Infelizmente, Bolaño morreu precocemente e, qualquer dia, já não tenho nenhum para ler.

No Darfur as mulheres fogem, despojadas de tudo, apenas carregando os filhos, à frente das milícias que, a soldo do poder ou com a sua falsa cegueira, as violam a elas e às filhas ainda crianças, torturam e matam, à sua frente, os filhos e outros familiares.
Mesmo quando as víamos nas reportagens televisivas que, entretanto, parecem ter cessado, as suas faces eram o silêncio, o silêncio dos grandes dramas e das grandes tragédias a que falta o coro. Mas, para os grupos editoriais da comunicação social, as mulheres do Darfur não dão lucro. O seu sofrimento não dá notícias que alimentem a mediocridade intelectual reinante, como dão as intrigas palacianas que nos martelam a cabeça dia após dia.

No Sudão, o presidente, acusado de genocídio pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), foi reeleito e não se prevê que a protecção de que tem gozado abra brechas não mudando, assim, nada para essas mulheres cuja vida continuará a ser uma fuga permanente não se sabe para onde, até que alguma poderosa organização internacional resolva agir, tarde e mal, e as proteja se, nessa altura, as mulheres do Darfur ainda forem gente ou já só farrapos humanos. 

Quereriam, apenas, poder viver nas aldeias, onde habitavam e de onde foram expulsas, com as suas famílias. 

E as de várias etnias africanas a que costumes ancestrais, perfeitamente ignorados pelo colonialismo – como não, se já os elementos masculinos das etnias eram cidadãos de segunda ou terceira classes? -, submetem a mutilações sexuais ainda crianças, a fim de que nunca sejam mulheres de corpo inteiro, nunca possam sentir prazer no sexo, reservando-as à exclusiva tarefa da procriação? O que fizemos nós, os civilizados, em prol do desenvolvimento dos povos, tão apregoado como obra nossa, durante os séculos de colonização para que, com a chegada da independência, estas práticas não tenham desaparecido?

Aqui chegados, é oportuno pensar no papel que a religião tem tido na penalização das mulheres.

 

 

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por Augusta Clara às 12:00



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