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Jardim das Delícias


Terça-feira, 30.08.16

A sessão de hoje no Senado brasileiro, EM DIRECTO

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por Augusta Clara às 16:45

Terça-feira, 30.08.16

DILMA, A DIGNA VENCEDORA - Augusta Clara de Matos

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   Assisti a toda a sessão de inquirição de Dilma Roussef no Senado brasileiro que só terminou perto das quatro da madrugada na hora portuguesa.

Dilma saíu totalmente vencedora daquela longa discussão.

Com uma postura de mulher de Estado a que a Justiça não tem nada a apontar, respondeu às perguntas de todos os senadores, quer a seu favor quer contra ela. Verdade se diga que os inimigos pouca coragem demonstraram para a enfrentar, devem estar a guardar-se para destilarem hoje todo o veneno antes da votação. Mas, mesmo de entre os seus adversários, um ou outro se destacou pelo elogio à coragem que demonstrou ao estar ali e não deixar nenhuma pergunta sem resposta nem nenhuma dúvida, ou má fé, sem esclarecimento.

Os primeiros apoios foram os de senadoras mas, a seguir, muitos homens se sucederam no apoio à Presidente e na condenação do golpe.

Dilma foi calma, imparcial na postura, objectiva e absolutamente segura de si durante todo o tempo. Acusou repetidamente Cunha de ser a cabeça da conspiração, Temer de traição e afirmou vezes sem conta tratar-se de um golpe e, referindo-se aos golpes de Estado executados anteriormente no Brasil, explicou que, agora, não é com armas que eles se fazem na América Latina.

Dilma mostrou não ser uma Presidente de fachada. Ela domina todos os assuntos do Estado, nunca actuou levianamente - um senador testemunhou essa realidade ao pormenor -, considera o "impeachment" de enorme gravidade para o Brasil e para o povo brasileiro, sobretudo para as camadas mais pobres que tanto ela como Lula se tinham empenhado em fazer ascender a um nível de vida digno.

Apelou, por isso, fortemente à derrota do "impeachment" e à solução duma política suprapartidária para o entendimento de todas as formações em trono da resolução dos problemas fundamentais do Brasil.

Duvido poder ter assistido a um comportamento de estadista mais inteligente, digno e humano do que aquele de que Dilma Rousseff não abriu mão durante toda aquela longa sessão.

Ficou-me uma ténue esperança de que, ao votarem, alguma luz se faça no meio da mancha de escuridão que paira naquele Senado. Quem sabe?!

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por Augusta Clara às 14:20

Segunda-feira, 29.08.16

O julgamento de "impeachment" de Dilma Rousseff em directo

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por Augusta Clara às 20:30

Sexta-feira, 22.04.16

Em homenagem à Câmara de Deputados brasileiros

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por Augusta Clara às 19:00

Sexta-feira, 22.04.16

Impeachment

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por Augusta Clara às 16:30

Terça-feira, 19.04.16

O que já tinha constado: a promessa de amnistia para quem votasse Sim ao impeachment

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por Augusta Clara às 12:00

Terça-feira, 19.04.16

Brasil – A destituição de Dilma Roussef - Carlos Esperança

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   Foi a primeira vez que vi a justiça popular, no que tem de mais irracional e execrável, a funcionar por interpostos deputados brasileiros.

O mal-estar, a que a corrupção não é alheia, nem nova, deve-se à crise do capitalismo e à queda brutal dos preços das matérias primas, especialmente do petróleo, provocando a recessão que impediu a continuidade do ‘milagre brasileiro’ que retirou da miséria milhões de pobres.

A ansiedade e a revolta, essas, foram estimuladas e ampliadas nas ruas pelos que nunca perdoaram as medidas sociais e o êxito dos governos de Lula, pelos que detêm os meios de comunicação social, pelos que, através de ditaduras militares, fruíram privilégios que procuram recuperar.

O absurdo e imoral processo de destituição de Dilma Roussef foi conduzido por muitos deputados arguidos em processos de corrupção contra uma das raras personalidades da política brasileira que não aparece como suspeita em é alvo de qualquer investigação – a PR.

Não podendo a PR eliminar os corruptos, destituíram-na estes.

O Brasil entrou num processo estranho onde se confundem interesses pessoais, luta de classes, ódios velhos e vinganças mesquinhas, com o país a encaminhar-se rapidamente para o abismo da guerra civil e/ou da ditadura.

No descalabro de um país de ‘portugueses à solta’, vejo a alegria esfuziante de um povo a transformar-se em medo, revolta e desespero, com os velhos demónios despertos.

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por Augusta Clara às 10:00

Terça-feira, 19.04.16

Oh Brasil, oh brasileiros! - Luís Sepúlveda

  

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   Nunca se vio un golpe de Estado tan grotesco como el que se ha perpetrado contra la presidenta Dilma Rousseff. La mayoría parlamentaria no votó según los motivos indicados por la fiscalía para decidir si se mantenía o no la confianza en la presidenta.

En un espectáculo casi circense, pero de circo pobre o de tele basura, los parlamentarios "fundamentaron sus votos" de la manera más vergonzante. Votaron "para que nunca más se enseñe sexo en las escuelas", "para que ninguna mujer aborte", para homenajear al coronel Carlos Brilhante Ustra, el golpista de 1964, el torturador inventor del pau de arara, al que, entre otras víctimas, torturó a Dilma Rousseff cuando era guerrillera y combatía contra la dictadura.

¿Y por qué Brasil tiene un parlamento integrado mayoritariamente por lo peor de la derecha latinoamericana? La respuesta es una sola: tanto los gobiernos de Lula como el de Dilma olvidaron que si llegaron al poder fue por un determinado grado de conciencia social que estaba en su fase "a", la del puro descontento, y era fundamental consagrar todos los esfuerzos a hacer de esa conciencia social primaria una sólida conciencia ciudadana, de pueblo, de enorme país con las más atroces desigualdades sociales. Una conciencia política.

No bastaba con llevar televisores a la favelas si los programas eran hechos para enajenar, no bastaba con hacer posible el acceso al auto si los caminos no conducen a parte alguna, no bastaba con confiarlo todo a una idea de crecimiento y desideologización -todo lo que un gobierno progresista hace es en base a un ideario-, porque entonces se despoja a la mayoría del instrumento para entender qué pasa y por qué pasa. Y lo peor de todo es que ni Lula ni Dilma vieron, pese a las advertencias de muchos intelectuales brillantes, que la mayor prueba de fortaleza ideológica de un gobierno de izquierda es prevenir y evitar cualquier acción turbia pues éstas siempre terminan en corrupción. Dilma sobre todo, olvidó la máxima de un guerrillero ilustre, el comandante Carlos Marighella: vigilancia constante, desconfianza constante.

Lula y Dilma consiguieron que Brasil diera un salto de la condición de país del tercer mundo a la de economía emergente y de peso mundial. Lograron una reducción drástica de la pobreza e incorporaron a millones de brasileños a la salud y la educación, pero olvidaron el imprescindible relato ideológico de por qué se hacía y para qué se hacía. Y lo peor es que es tarde para remediarlo.

Uno de los diputados golpistas votó por la inhabilitación de la presidenta "para que Brasil vuelva a ser campeón mundial de fútbol", otro lo hizo para que "dios reine en todo el país". Ahora sólo resta mirar como se reparten el botín. ¿ Y cuál es ese botín? Los miles de millones de dólares que se destinaron a educación, salud, infraestructuras y servicios públicos. ¡Oh Brasil, meu Brasil!

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por Augusta Clara às 08:00

Domingo, 17.04.16

Brasil - NÃO VAI TER GOLPE!

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por Augusta Clara às 08:00

Sexta-feira, 18.03.16

Brasil: quo vadis? - António Teodoro

o balanço das folhas3a.jpg

 

António Teodoro  Brasil: quo vadis?

 

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   Estou neste momento a viver em S. Paulo, o que me permite acompanhar, hora a hora, a crise brasileira, tanto por intermédio da mídia (como dizem e escrevem os nossos amigos brasileiros) como, sobretudo, pelo contacto com as pessoas, professores e estudantes na Universidade, e cidadãos de classe média alta num dos bairros mais seletos de S. Paulo. E acompanho, pelas redes sociais e o noticiário em Portugal, os ecos desta crise brasileira que, se não fosse demasiado grave e mexesse com as vidas de milhões de pessoas, podia ser considerada uma tragicomédia.

Permitam-me que dê a minha interpretação sobre o que está a suceder no Brasil e dos possíveis desenvolvimentos da situação extremamente complexa que se vive. Uma situação que, segundo descrevem os meus amigos mais velhos, é muito parecida com a dos anos que antecederam o golpe de Estado de 1964, com a diferença de que, agora, enquanto os militares estão silenciosos e com uma (aparente) postura institucional respeitadora da Constituição, são os juízes (ou uma parte do poder judicial) que se assumem como os “justiceiros” que têm a missão de regenerar o País.

Os problemas existentes decorrem diretamente de três situações próximas e já bem definidas: (i) a derrota do candidato das elites nas últimas eleições presidenciais (que, num regime presidencialista como o brasileiro, são também de Governo), a quarta consecutiva, por uma pequena margem e com uma divisão de votos muito marcada em termos de classe e de região; (ii) as consequências da Operação Lava Jato que, de uma operação judicial (e policial) de combate à corrupção, envolvendo e mostrando uma poderosa teia de financiamentos partidários e enriquecimento ilícito de agentes públicos (políticos, empresários e gestores), evoluiu para um golpe de Estado a partir de parte do sistema judicial (e policial), em conluio com a mídia conservadora (com destaque para a rede Globo e as revistas Veja e Isto É); e, (iii) uma conjugação da crise económica com uma crise de governabilidade, onde a primeira piorou a vida dos brasileiros e a segunda colocou o sistema político à beira da implosão, com alguns dos grandes empresários nacionais presos (e as suas empresas em grandes dificuldades, gerando desemprego em massa) e um número elevado de deputados e senadores indiciados por crimes de corrupção, entre os quais os presidentes das duas câmaras do poder legislativo.

Num país com as desigualdades do Brasil, a metáfora da Casa Grande e da Sanzala (título do famoso livro do sociólogo Gilberto Freyre) ainda é a que melhor se adequa à descrição do tecido social brasileiro. As gravuras de Debret do século XIX, retratando as famílias do Rio de Janeiro passeando com os seus escravos, e as fotos daquela outra família do diretor financeiro de um grande clube de futebol, onde ele, a mulher e o caniche seguem à frente, acompanhados pela babá negra, fardada de branco, que leva os dois filhos do casal, a caminho de uma manifestação contra a Dilma e pelo impeachment, representam uma mesma realidade que mais de 150 anos ainda não conseguiu apagar. Para quem julga que estou a exagerar e essa foto representa um caso isolado, aconselho a, quando visitar S. Paulo, passear num shopping de luxo ou no bairro onde vivo.

A Casa Grande não se conformou com a derrota das últimas eleições presidenciais e temeu ainda mais a possibilidade do ex-Presidente Lula se voltar a candidatar (e poder ganhar de novo). Para que isso não pudesse acontecer, a grande mídia (mantenho o registo na escrita do português brasileiro) desenvolveu uma sistemática e persistente destruição do capital simbólico do antigo metalúrgico sindicalista (que saiu do Governo com uma aprovação superior a 80%, um valor sem precedentes na política brasileira), aproveitando muitos “rabos de palha” que, ele e sua família, e sobretudo a cúpula do PT, foram deixando e que revelam uma deterioração dos valores republicanos que deviam nortear todos aqueles que se batem por projetos de transformação social. Mas essa destruição do capital simbólico não foi suficiente. As últimas sondagens, no auge da revelação dos escândalos do “triplex do Guarujá” ou do “sítio de Atibaia” (que Lula jura que não são sua propriedade), mostram que Lula tem condições de disputar e poder ganhar de novo a Presidência da República.

Para isso, a Casa Grande, que, politicamente, é representada por uma complexa aliança de interesses capitaneados por um partido herdeiro da Arena (o partido da ditadura militar, hoje batizado de Democratas) e do PSDB, que tem em Fernando Henrique Cardoso o seu principal símbolo (há pouco mais de um ano vi-o, na Casa de Portugal, elogiar as grandes capacidades de “estadista” e de governante lúcido, imagine-se, a Pedro Passos Coelho) e putativos candidatos como o playboy Aécio Neves, ou o militante da Opus Dei Geraldo Alckmin, decidiu lançar uma ofensiva em várias frentes:

1. Criminalizar Lula e, se necessário, prendê-lo para impedir o seu regresso à vida política ativa.
2. Concretizar o impeachment da Presidente Dilma, derrubando o seu Governo.
3. Mudar algumas opções de política económica que permita ao capital financeiro ocupar o espaço deixado pelas empresas cujos dirigentes estão presos e, sobretudo, não ter o limite do “petróleo é nosso” (vigente desde o final da II Guerra), abrindo a exploração das imensas riquezas do pré-sal às grandes multinacionais do petróleo.
4. Destruir o PT (e o seu aliado próximo, o PCdoB) e impedir que, nos tempos mais próximos, a esquerda tenha influência eleitoral e possa dirigir um país com a dimensão do Brasil.

É neste contexto que tem de ser entendida a decisão de nomear Lula Ministro da Casa Civil, ou seja, uma espécie de Primeiro Ministro nos regimes semipresidenciais, responsável pela articulação política e pela implementação do PAC (Programa de Aceleração e Crescimento). Essa entrada de Lula no Governo Dilma responde a duas necessidades imperiosas: (i) evitar a prisão preventiva de Lula, transferindo a competência da investigação e julgamento do “justiceiro” e mediático juiz de 1ª instância de Curitiba, Sérgio Moro, titular do processo da Lava Jato, para o Supremo Tribunal Federal, o único com competência para investigar e julgar titulares de órgãos de soberania; (ii) dar uma direção política à ação do Governo e reunir apoios para impedir a concretização do impeachment de Dilma.

Num depoimento publicado no Diário de Notícias de 17.03.2016, o Embaixador Seixas da Costa, que teve uma notável atuação enquanto responsável pela Embaixada de Portugal no Brasil há uns anos atrás, durante o mandato de Lula, chamou a essa entrada de Lula no Governo a “bala de prata”. Não concordo com o essencial do seu depoimento, embora concorde que esse gesto foi uma decisão muito arriscada, utilizada por Lula e Dilma para tentarem sair de um cerco extremamente apertado, onde um juiz de 1ª instância tem poderes para realizar escutas telefónicas (“grampear”) à Presidente da República, ou divulgar (“vazar”) para a comunicação social essas gravações no momento em que deixou de ter competência jurídica para acompanhar o processo; ou, onde um outro juiz de 1ª instância que, no Twiter e Facebook, se tinha vangloriado da sua participação nas manifestações anti-Dilma (postando inclusive no Facebook as inevitáveis selfies) se sente à vontade para impugnar um ato da Presidente, neste caso a nomeação de um Ministro que, legalmente, não está sequer indiciado de qualquer crime.

O uso da “bala de prata” é talvez o último recurso ao dispor de Lula e Dilma. Se perderem, caem os dois, o PT (e o conjunto da esquerda entrará em grande convulsão) e o Brasil tornar-se-á o eldorado de um neoliberalismo serôdio próprio das elites subalternas. Aqueles que acham que isto é discurso ideológico vejam qual a política que Estados que têm governadores do PSDB estão a tentar implementar (embora sem grande sucesso até agora, diga-se, devido à forte oposição de estudantes, professores e sociedade civil organizada): a entrega das escolas públicas a empresas privadas, um arremedo das charters schools, bandeira dos governos Bush pai e Bush filho nos EUA.

Os próximos dias serão decisivos. A decisão está também nas mãos daqueles que vivem na Sanzala. Até agora, quem saiu à rua e se pronuncia com os imensos meios que têm ao seu dispor, foram os que vivem na Casa Grande. A Sanzala tem estado na defensiva e silenciosa, por falta de projeto mobilizador e por desmoralização. Se Lula conseguir a mobilização da Sanzala, estabelecer pontes e alianças para alguns sectores da Casa Grande que ainda estão reticentes com o caminho que lhes é proposto, o Brasil pode retomar o caminho de transformações sociais que tiraram da miséria mais de 40 milhões de pessoas num espaço curto de uma década. Mas isso, implicará também, depois de um primeiro embate e da derrota do golpe de Estado em curso, uma renovação moral e um novo projeto político. Se Lula, o PT e as esquerdas não o fizer, a Sanzala não lhes perdoará, abandonando-os à sua sorte.

 

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por Augusta Clara às 17:15



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