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Jardim das Delícias


Sexta-feira, 20.11.15

Terrorismo verbal - José Goulão

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José Goulão  Terrorismo verbal

 

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Mundo Cão, 19 de Nobembro de 2015

 

   O presidente dos Estados Unidos da América aconselha o presidente da Rússia a “focar-se” nos ataques ao Estado Islâmico, ou ISIS, ou Daesh, ou Al-Nusra ou Al-Qaida; o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, propôs que haja uma frente internacional contra o terrorismo.

Disseram-no com ar de grandes estadistas possuidores das soluções para os males do mundo.

Barack Obama queixoso pelo facto de as forças aéreas e navais russas actuando na Síria parecerem “mais preocupadas” em defender o regime de Assad, ao que diz sem poupar os alibis bonzinhos de Washington, Paris, Londres e NATO - a meia dúzia de terroristas “moderados” que servem de interface para abastecer com armas, munições e dólares os terroristas “extremistas”. “Moderação” em que deve confiar-se piamente, sobretudo sabendo que um dos principais fundadores operacionais do grupo foi o chefe em exercício do Estado Islâmico no Magrebe, Abdelhakim Belhadj.

Netanyahu, por seu lado, convencido de que o mundo não conhece a sua generosidade para com o Estado Islâmico ao ceder-lhe os Montes Golã – ocupados à Síria – como rectaguarda, ao facultar-lhe hospitais israelitas para cuidar os terroristas feridos com maior gravidade.

Procurei uma qualificação adequada à gravidade e à irresponsabilidade destas declarações de dois aliados, que se confessam unidos haja o que houver, e só encontro uma: terrorismo verbal. Porque as suas palavras não passam de manobras de diversão que desviam as atenções da essência do terrorismo; porque mentem sobre a realidade gerando propaganda que, em última análise, serve o terrorismo; porque pretendem fazer crer que estes dois seres nada têm a ver com os grupos sanguinários que fingem combater. Obama e Netanyahu aconselham soluções mas continuam a ser a parte essencial do problema.

As forças militares russas colaboram com as forças armadas sírias no combate ao terrorismo? Não existe outra maneira legal de o fazer nos termos da Carta da ONU. A Síria é um Estado soberano, não é um território neutro onde qualquer um pode fazer operações militares quando e como lhe apetece, muito menos invocando argumentos distorcidos. Como é o caso do Pentágono que directamente – agora com tropas no terreno – ou por interpostos terroristas afirma ter como objectivo combater simultaneamente o Estado Islâmico e Bachar Assad, patranha em que nem os autores acreditam porque sabem, melhor que ninguém, que o objectivo é mudar o regime sírio e desmantelar o país. Por isso a “guerra” que Washington e aliados têm alegadamente conduzido contra o Estado Islâmico há mais de um ano deixou os terroristas mais fortes, mais armados, mais endinheirados; à Rússia, porém, bastou pouco mais de um mês para destruir centenas de centros de comando e outros alvos estratégicos do Daesh, libertar aldeias, vilas e aeroportos, estando agora em vias de cortar o eixo terrestre que garante a ligação terrorista entre a Turquia e o Iraque. Até a França, a duras penas, é certo, parece entender que essa é a maneira certa e credível de combater os grupos mercenários, pelo menos tem-no feito nos últimos dias. Sem complexos de coordenar esforços com Moscovo, ou de que tais operações sustentem Assad, na verdade um dos ódios de estimação de Paris. Aliás, a nova opção francesa parece ser a mais eficaz e certeira. Porque, segundo fontes citadas pela imprensa dos Estados Unidos, o ataque gaulês contra o Estado Islâmico lançado no dia seguinte ao dos atentados de Paris, feito ainda em coordenação com sistemas de informações norte-americanos, destruiu várias clínicas e um museu na cidade de Raqqa como sendo assustadores alvos terroristas.

O Obama dos conselhos e acusações à Rússia é o mesmo que contribuiu para destruir a Líbia, que desencadeou a guerra civil na Síria com recurso a mercenários de todos os matizes, que tornou praticamente irreversível o desmantelamento do Iraque. E que agora, de braço dado com Netanyahu, tolera limpezas étnicas no norte do território sírio para criar aí um Estado curdo artificial que lhes garanta o controlo dos manás petrolíferos de uma região que se estende ao país que já se chamou Iraque.

Quanto a Netanyahu e aos seus apelos contra o terrorismo, não há que gastar muito espaço. O mundo sabe que o seu nome se tornou um sinónimo desse mesmo terrorismo.

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 17.11.15

Perfil dum terrorista dos nossos dias - José Goulão

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José Goulão  Perfil dum terrorista dos nossos dias

 

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Recebendo homenagens do senador McCain, dos amigos americanos

 

Mundo Cão, 17 de Novembro de 2015

 

   As informações estão em poder da Interpol. Deitar-lhe a mão nestes tempos em que as leis e as fronteiras não são problema para assaltos a vidas, soberanias e privacidades, seria apenas uma questão de, digamos, “vontade política”, não é assim que costuma invocar-se? O seu paradeiro não é certamente segredo para a miríade de serviços secretos que apregoam defender “o nosso modo de vida”: é a Líbia, depois de tão bem democratizada pela NATO, onde ele exerce altos cargos políticos e operacionais no governo dominante, o mesmo que invoca para si próprio “o islamismo puro”.

Nome: Abdelhakim Belhadj. A história da sua vida dava um filme daqueles bem a gosto de Holywood, tanto mais que o seu currículo – em poder da Interpol, repito – corresponde às imagens dos rambos de séries A, B ou C cujos feitos heróicos coincidem com as vontades objectivas dos Estados Unidos e de Israel, países onde os fins e os agentes escolhidos para os executar justificam quaisquer meios e o recurso a psicopatas sanguinários.

Sabe a Interpol que Abdelhakim Belhadj é, no presente, o chefe do Estado Islâmico, ou ISIS ou Daesh, no Magrebe e que, operacionalmente, criou e orienta campos de treino de mercenários assassinos na Líbia, concretamente em Derna, Syrte e Sebrata, além de um escritório do ISIS em Djerba, na Tunísia.

Antes disto, Belhadj chefiou os terroristas do Grupo Islâmico Combatente na Líbia (GICL), que em 2007 mudou de nome para Al-Qaida, mais sintonizado com os tempos. Por quatro vezes, entre 1995 e 1998, tentou assassinar Khadaffi a mando do MI6, os serviços secretos ao serviço do terrorismo de Estado britânico. Perseguido na Líbia mudou-se para o Afeganistão, onde se instalou e agiu ao lado de Ussama bin-Laden, o qual dispensa apresentações.

Como a polícia espanhola suspeita de que foi um dos mandantes do atentado ferroviário em Madrid Atocha, em Março de 2004, foi detido logo a seguir na Malásia. Como se percebe, não terá sido difícil identificá-lo e prendê-lo, porque meia dúzia de dias e milhares de quilómetros mediaram entre crime e captura. Passou então maus bocados numa prisão secreta da CIA para onde foi transferido e onde ficou alojado para experimentar as famosas técnicas de tortura – “condicionamento de comportamento”, chamam-lhe nos Estados Unidos – do professor Seligman, métodos de cujas provas a CIA tentou desesperadamente impedir a divulgação.

Abdelhakim Belhadj restabeleceu-se depressa: para ele não se seguiram penas eternas no campo de concentração de Guantanamo, também ele eterno se a este Obama se sucederem outros obamas, coisa mais do que provável. É verdade que ainda foi extraditado para a Líbia, através de um acordo entre os Estados Unidos e o regime de Khadaffi, onde voltou a ser torturado, dessa feita às mãos do MI6 que antes servira. Nestas coisas, a CIA e a sua irmã MI6 são muito ciosas, separam as águas, cada uma quer fazer a sua tarefa ainda que repetindo-se.

Khadaffi libertou-o em 2010, no quadro de uma “reconciliação nacional”, e mal teve tempo para se arrepender. Abdelhakim Belhadj viajou para o Qatar e no ano seguinte estava à frente de grupos de mercenários que, ao lado e protegidos pelos bombardeamentos da NATO – França e Reino Unido, principalmente – derrubaram e assassinaram Khadaffi. Como recompensa pelos serviços prestados, e por recomendação na NATO, o Conselho de Transição nomeou-o governador militar de Tripoli, a capital.

Belhadj não aqueceu o lugar. Ainda teve tempo, porém, para exigir e obter desculpas dos Estados Unidos e do Reino Unido pelas sevícias sofridas noutros tempos, e o que lá ia lá foi. Outras tarefas estratégicas o aguardavam. Partiu em finais de 2011 para a Síria, onde foi um dos principais fundadores do Exército Livre da Síria, os famosos “moderados” tão queridos da senhora Clinton, da NATO, da União Europeia - com destaque para a França - e dos regimes fundamentalistas do Golfo, Arábia Saudita à cabeça. O objectivo era derrubar Assad, mas Assad resiste e já lá vão mais de 250 mil mortos, milhões de refugiados e um país destroçado, massacre cujas responsabilidades nenhum intervencionista ilegal e ilegítimo assume.

Sempre sem perder tempo, Abdelhakim Belhadj regressou à Líbia natal, onde fundou um partido governante, a maneira que encontrou, num cenário de caos, para instalar os terroristas islâmicos no poder em Tripoli.

Na qualidade de figura de proa na Líbia, provavelmente já na posição de chefe do Estado Islâmico no Magrebe, que a Interpol reconhece, Abdelhakim Belhadj foi recebido em 2 de Maio de 2014 no Ministério dos Negócios Estrangeiros em Paris, tutelado por Laurent Fabius, ministro de Hollande e também um incondicional amigo de Israel.

Laurent Fabius, exactamente: que é ainda o ministro dos Negócios Estrangeiros de Hollande nestes dias em que continuam a sangrar as feridas abertas pelo assalto às vidas dos parisienses, ao que dizem cometido pela organização de que Abdelhakim Belhadj é um dos chefes máximos.

As informações sobre este terrorista-modelo dos nossos dias e o seu currículo estão nas mãos da Interpol. “Estamos em guerra”, proclama o presidente Hollande com os acenos concordantes do chefe da sua diplomacia. Vamos então esperar pelo que se segue, para ver o que acontece.

 

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por Augusta Clara às 15:00

Terça-feira, 22.09.15

Síria, ejemplo de resistência contra o terrorismo imperialista - Miguel Fernandéz

 

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Miguel Fernandéz  Síria, ejemplo de resistência contra o terrorismo imperialista 

 

 

Siria, 4 años resistiendo al terrorismo imperialis

 

   Tercera Información, 14 de Setembro de 2015

   El presidente sirio, Bashar Al Assad, celebró este viernes su cumpleaños 50 con la difícil tarea de seguir conduciendo las riendas de un gobierno que busca preservar la soberanía e integridad territorial de este país árabe.

Ubicado en el centro de una sensible y complicada polémica, el presidente Al Assad se convirtió en el chivo expiatorio de las grandes potencias occidentales –con Estados Unidos a la cabeza–, quienes buscan sacarlo a la fuerza, con el desgastado argumento de un ejercicio “tiránico y despótico” del poder.

Por otro lado, está la innegable popularidad del líder sirio entre la mayoría de sus compatriotas, quienes reconocen su firmeza dirigiendo durante más de cuatro años la defensa del país, que sufre una cruel embestida terrorista, casualmente patrocinada por los mismos gobiernos que aspiran a defenestrarlo.

Para Occidente, el principal propósito de la agresión contra Siria fue, y sigue siendo Bashar Al Assad. Ni reformas ni supuestos movimientos populares, ni estilos de gobierno, fueron las causas de la violenta arremetida, a pesar de que sigan esgrimiéndolas hipócritamente en los foros internacionales.

Para los grandes círculos de poder resultó muy molesto que este joven mandatario no siguiera las directrices que emanan de Estados Unidos, Inglaterra y Francia; que fuera consecuente defensor de la causa palestina y enemigo jurado del sionismo expansionista que defiende el vecino Israel.

Al Assad jamás retiró su apoyo a Irán –el otro enemigo acérrimo de Occidente en el Medio Oriente–, y eso la granjeó el odio de quienes buscan mantener viva la llama de la guerra en esta zona del mundo.

El presidente sirio no contribuyó a la voracidad financiera del Fondo Monetario Internacional –con quien no tiene deudas–, ni permitió que se privatizara la industria petrolera, lo que alejó la esperanza imperialista de apoderarse de 25 mil millones de barriles de crudo que están como reservas en suelo sirio.

Tampoco toleró la expansión del fundamentalismo islámico y defendió la instauración de una república laica, donde se respetan todos los credos, y donde impera, únicamente, la ley del Estado.

Defiende además, los derechos de las mujeres y sigue, a pesar de una guerra cruel y despiadada, buscando la modernización del país, principalmente en el terreno de la educación y la ciencia.

A pesar de su origen alawita –otro de los argumentos manipulados por Occidente– Bashar Al Assad sigue defendiendo la unidad nacional y el concepto de sirios, por encima del origen étnico o religioso, en un país donde confluyen variedades de culturas y devociones que han vivido en armonía por miles de años.

Para los enemigos de Siria, desatar las rivalidades étnicas, constituía una vía para alcanzar la fragmentación del país y la división de su pueblo, política que fracasó cuando vemos que en las mismas trincheras luchan uno al lado del otro, alawitas, sunitas, chiítas, drusos, armenios, kurdos y cristianos.

A pesar de los innegables errores cometidos durante su mandato, Al Assad persiste en renovar las políticas de Estado, buscando consenso entre los grupos de oposición que no adolecen del mercenarismo de los que buscan, desde el exterior, cercenar al gobierno y apoderarse del país.

También habría que reconocerle su persistente apoyo a la búsqueda de una solución política y pacífica al conflicto iniciado en 2011, alentando propuestas de países amigos que permitan una reconciliación de todas las partes, sin dejar de combatir a las fuerzas terroristas financiadas y armadas por los mismos que rechazan cualquier discusión civilizada.

Hasta los propios enemigos de Siria reconocen que no habría una salida a esta crisis sin la presencia de Bashar Al Assad, después de que todos los planes por derrocarlo se fueron al piso, al no contar con la resistencia del pueblo sirio alrededor de su legítimo gobierno.

Bashar Al Assad estaba en la mirilla del Departamento de Estado norteamericano, mucho antes que comenzaran las fatídicas “Primaveras Árabes”.

Revelaciones de Wikileaks confirmaron que desde 2006 ya se fraguaban planes para provocar la salida del poder del líder sirio. Pero ahí está, festejando su cumpleaños número 50 al frente de su pueblo y de su Ejército, sin la menor intención de claudicar ni rendirse.

 

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 10.09.15

Uma aterradora trama de crises - José Goulão

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José Goulão  Uma aterradora trama de crises

 

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Mundo Cão, 8 de Settembro de 2015

 

   Desde que se tornou pasto da tenebrosa máquina de manipulação em que se transformou a comunicação social dominante, a chamada “crise dos refugiados” está a ser deliberadamente desfocada do seu centro nevrálgico, a questão humanitária, mediante o recurso aos artifícios habituais onde se movem os pescadores de águas turvas, os oportunistas de grosso calibre e, sobretudo, os barões político-militares para quem o mundo é um vasto tabuleiro de guerras e rentáveis oportunidades.

Nas últimas horas, aviões de guerra franceses e britânicos, os mesmos ou gémeos dos que há três anos deixaram a Líbia no caos, começaram a sobrevoar a Síria com o objectivo proclamado de combater simultaneamente o regime de Bachar Assad e o Estado Islâmico, coisa em que ninguém acredita, nem os próprios. A prová-lo está o caricato anúncio de um exercício de tiro britânico já realizado em território sírio para liquidar terroristas que, imagine-se, projectavam abater essa nobre dama que é a rainha de Inglaterra. Em suma, à boleia da “crise dos refugiados”, a NATO entrou directamente na guerra contra a Síria, como os mais falcões dos atlantistas há tanto desejavam.

Descodifiquemos os factos. Depois de o presidente francês Hollande ter declarado que acolher todos os refugiados seria “fazer a vontade ao Estado Islâmico”, aviões franceses e ingleses, logo da NATO (por inerência) entraram em acção num país soberano, sem mandato da ONU nem autorização do governo legítimo, para intimidarem não apenas esse governo como (alegadamente) um grupo que o combate, neste caso o Estado Islâmico, protegido e criado por países aliados de França e do Reino Unido como são Israel e os Estados Unidos da América. Continuando a descodificação, lembro que esse mesmo Estado Islâmico não é mais do que uma consequência directa do desmantelamento do Iraque, da Líbia e da guerra civil síria. Prosseguindo ainda a descodificação, recordo que países como o Qatar e a Arábia Saudita, tão aliados de França, do Reino Unido e da NATO como são os Estados Unidos e Israel, desempenham papéis preponderantes nas situações de caos que geraram a avalanche de refugiados na Europa, sendo que nenhuma dessas monarquias torcionárias do Golfo está disposta a acolher um único refugiado que seja.

Apesar de a teia ser complexa, não é impossível detectar que a actual crise dos refugiados tem o dedo dos Estados Unidos da América e da NATO, como reconhecem, aliás, os serviços de informações militares da Áustria, pelo que, assim sendo, não será novidade para qualquer país da União Europeia.

Porém, não se vejam apenas desvantagens europeias neste fluxo de seres humanos desesperados, fugindo a guerras fomentadas também por potências europeias. Ouçamos o senhor Ultich Grillo, todo-poderoso patrão dos patrões alemães, à cabeça da Federação da Indústria (BDI). “Como país próspero e também pelo amor cristão ao próximo a Alemanha deve permitir-se acolher refugiados”, declarou. Tal como está a acontecer, e logo a um ritmo que permite prodigalizar enfáticos e universais elogios à senhora Merkel. “Devido à nossa evolução demográfica”, acrescenta o senhor Grillo, “asseguramos o crescimento económico e a nossa prosperidade graças à imigração”. Descodificando – será que é mesmo preciso? – desgraçados maduros para aceitar trabalho escravo como quem entra no paraíso são como pão para a boca para os barões da indústria alemã e pangermânica, como outrora foram tão úteis os degredados em campos de concentração.

Assim sendo, nestes dias observamos países que criaram guerras e desmantelaram nações, dando origem a uma vaga de refugiados para a Europa - compartimentando este continente entre cercas e muros com tonalidades concentracionárias -, partirem para novas fases das mesmas guerras, agora sob o pretexto de travarem o movimento de fuga combatendo grupos terroristas que são seus cúmplices e em cuja criação e desenvolvimento participaram. São assim, senhoras e senhores, os dirigentes políticos, militares e económicos que nos governam. Mentirosos irresponsáveis ao serviço de patrões e interesses que ganharão sempre com a tragédia de milhões de seres humanos, sejam quais forem os desfechos das sucessivas crises.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 08.09.15

As lágrimas de crocodilo - Clara Ferreira Alves

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Clara Ferreira Alves  As lágrimas de crocodilo

 

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Expresso, 5 de Setembro de 2015

 

   Os migrantes que agora nos comovem em Budapeste são os que tiveram sorte, dinheiro e iniciativa para chegar aqui. Para trás ficaram os condenados à morte

E de repente toda a gente se comove. Em quatro anos de guerra, o sofrimento e as mortes na Síria, e no Iraque, não comoveram muitos jornalistas ou espectadores sentados por essa Europa fora. No último inverno, vi crianças ranhosas e friorentas, pés roxos e nus nas neves do Monte Líbano. Vi mulheres sírias e órfãos a prostituírem-se nas ruas de Beirute, vi a superpopulação dos campos de refugiados palestinianos, incapazes de acolherem mais um ser humano por falta de espaço. E vimos as imagens dos corpos despedaçados por barrel bombs, as fomes de Yarmouk, os ataques químicos. Não foi por falta de filmes online, colocados por combatentes, resistentes e sitiados sírios, que deixámos de ver no que a Síria se tornou. Ou o Iraque, onde todos os dias há mortos. O ISIS mobiliza-nos as atenções com a barbaridade do dia, que usa como instrumento de terror e propaganda, e cobre com esta cortina negra o resto do Médio Oriente. O Iraque está a desfazer-se. A Síria já se desfez. O Líbano está por um fio. A Jordânia aguenta-se com esforço. O Egito é um Estado falhado. E a Turquia aproveita para destruir os curdos. Em todos estes conflitos, para não falar do desastre da intervenção na Líbia ou no Iémen, a Europa comportou-se de um modo egoísta e indiferente. Pagou resgates e deixou aos americanos a tarefa de limpar os estábulos de Aúgias. Na verdade, se a invasão do Iraque em 2003 foi um trabalho americano, a Europa foi o parceiro da coligação. Sobretudo o entusiástico Tony Blair, originário de um país que recusa receber mais migrantes, refugiados ou todos os nomes que se vão inventar para os milhões de apátridas e desgraçados que trepam as muralhas e se rasgam nos arames farpados. O horror sírio, ou iraquiano, não motivou uma negociação de fundo, uma cimeira capital, uma mesa-redonda, um diálogo, um princípio. Os americanos decidiram bombardear o ISIS, a Europa não decidiu nada para variar.

De repente, a Alemanha é a campeã dos migrantes e refugiados. O cinismo pessimista tende a ver nestes pronunciamentos mais propaganda do que pragmatismo. A Alemanha sabe que a crise grega a fez ficar mal aos olhos do mundo e tem a oportunidade histórica, a sra. Merkel tem-na, de se reabilitar. E de forçar o resto dos europeus. A Alemanha tem a única liderança forte numa Europa fraca e tem a capacidade industrial para absorver mão de obra barata porque ainda precisa dela.

Há anos que criámos os novos campos de concentração, onde concentrámos os africanos, que vieram antes dos sírios e afegãos e iraquianos, e ninguém se comoveu. Os cadáveres nas praias de Tarifa, os condenados a morrer no deserto, recambiados, não provocaram uma lágrima. A crise destas migrações existe há anos e é preciso perceber que os migrantes que agora nos comovem em Budapeste são os que tiveram sorte, dinheiro e iniciativa para chegarem aqui. Para trás ficaram os condenados à morte, as vítimas de conflitos que ajudámos a provocar e das “primaveras” árabes que o jornalismo e as correntes sociais promoveram com sentimento. Ninguém se lembra de perguntar aos países ricos do Golfo, irmãos da mesma fé, quantos refugiados sírios receberam. O Qatar? Zero. Os Emirados, sobretudo os ricos Dubai e Abu Dhabi? Zero. A Arábia Saudita? Zero. O Kuwait? O Bahrain? Omã? Zero. E são estes sunitas que atiçam a guerra perante a nossa apatia. E por que razão a Europa e os Estados Unidos não os pressionam sabendo que manipulam a guerra para hegemonias e demonstrações regionais de força? Duas respostas. Venda de armas, um dos grandes negócios ocultos da recomposição dos mapas, e um negócio onde os estados legítimos, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia, Alemanha, etc., têm fontes prodigiosas de financiamento. A Alemanha e os Estados Unidos bateram recordes de venda de armas no Golfo em 2014. E petróleo, a moeda de troca e o pão nosso de cada dia. Um dia, os drones que o Ocidente vende serão uma arma terrorista.

A situação do Médio Oriente é hoje a mais explosiva e volátil e com mais repercussões de sempre. Composta pela nova guerra fria com a Rússia de Putin. Os imparáveis fluxos migratórios vão forçar e reforçar partidos de extrema-direita, acender racismos, distorcer demografias, criar máfias, alimentar o extremismo e terrorismo islâmicos e as suas subculturas identitárias e criminais, mudar o mapa político da Europa e o espaço Schengen. Não vão apenas criar riqueza e contribuir para a economia europeia, como dizem os académicos. Uma integração séria custará biliões. É, de longe, o problema mais grave da Europa, acumulado com a anemia económica e com a condenação da população jovem a migrar dos países europeus em austeridade. Bater no coração e proclamar o amor ao próximo nada resolve na frente da batalha. É a retaguarda imoral da piedade virtual.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 08.06.15

Linha de montagem terrorista - José Goulão

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José Goulão  Linha de montagem terrorista

 

 

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Mundo Cão, 7 de Junho de 2015

 

   Oficiais e armas norte-americanas chegaram à base militar da NATO de Incirlik, na Turquia, e a uma pequena base na Jordânia durante o mês de Maio para que se iniciem a selecção e o treino da “nova geração” de mercenários do Exército Sírio da Liberdade, a entidade que os Estados Unidos e aliados inventaram para derrubar o presidente sírio, Bachar Assad, e que tem servido como uma das pontes para alimentar a Al Qaida e o Estado Islâmico.

O argumento invocado pelos autores desta estratégia, segundo a qual a operação se destina a combater em simultâneo o exército regular sírio e o Estado Islâmico, tem provocado sorrisos e dichotes no Quartel-General da NATO em Bruxelas. Como pode um grupo inventado do nada, e cuja ligação à Síria não passou originalmente de alguns dissidentes comprados por meia dúzia de patacos entre membros do exército sírio, pode ambicionar uma guerra em duas frentes e contra adversários tão poderosos como as tropas de Damasco e o Estado Islâmico (EI)?

A verdade é outra. A CIA e afins continuam apegadas à estratégia de criar e alimentar redes terroristas cuja utilização vai variando conforme os objectivos em determinado momento e circunstâncias. Nas vésperas da assinatura de um acordo entre os Estados Unidos e o Irão tornou-se claro que o Estado Islâmico, organização cujo comportamento é de pura selvajaria e de cruel banditismo, integra o processo acordado entre Washington e Teerão, com o envolvimento de sectores israelitas, de partilha do Médio Oriente em esferas de influência. O “califado” islâmico proclamado pelo Estado Islâmico em partes contíguas dos territórios da Síria e do Iraque, juntamente com a possível criação de um Estado curdo no Curdistão Iraquiano, fazem parte desta operação de partilha, pelo que o argumento norte-americano de que a “nova geração” dos “moderados” sírios irá combater o EI é pura ficção, uma deliberada mentira.

Círculos de espionagem afectos às estruturas da NATO asseguram que os Estados Unidos estão a preparar um “rigoroso processo de selecção” dos mercenários de “nova geração” de modo a que não sigam as pisadas dos anteriores, isto é, irem engrossar os bandos da Al Qaida e do EI. Para isso prevê-se que os candidatos sejam filtrados através de informações existentes na miríade de bases de dados da espionagem norte-americana criadas pelas acções da NSA através de todo o mundo, tal como foram denunciadas por Edward Snowden. A Turquia e a Arábia Saudita, por sua vez, pretendem ter voz activa nessa selecção, o que deitaria imediatamente por terra, se elas existissem, as intenções da CIA de não recrutar gente muito chegada às teses do radicalismo islâmico.

Na prática, o que está a acontecer – como sempre – a coberto das operações de treino de “combatentes da liberdade” nas bases da NATO na Turquia e em instalações do mesmo tipo na Jordânia, é a criação de bandos terroristas que irão engrossar os já existentes e que alimentam cada vez mais situações de conflito em zonas críticas do globo. Criar grupos terroristas é, no fundo, a essência da chamada guerra contra o terrorismo.

As aberrações são de tal ordem que, no meio delas, se perdeu nos escombros do tão esquartejado direito internacional este princípio básico e ostensivamente caído em desuso: com que legitimidade alguns países se arrogam o direito de fundar grupos armados com o objectivo declarado de ir derrubar um governo de um Estado soberano? Para que conste, as eleições que sufragaram o chefe de Estado da Síria foram bastante mais livres e democráticas que as organizadas pelos Estados Unidos e aliados em países como a Ucrânia, o Iraque e o Afeganistão.

Arrasar o direito internacional invocando o direito internacional é, ao fim e ao cabo, mais um elemento da estratégia dominante de alimentar o terrorismo a coberto de combater o terrorismo, de violar os direitos humanos em nome do respeito pelos direitos humanos.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quarta-feira, 03.06.15

Cristãos desde sempre no Iraque agora em fuga ao “Estado Islâmico” - Alexandra Lucas Coelho (em Erbil)

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Alexandra Lucas Coelho (em Erbil)  Cristãos desde sempre no Iraque agora em fuga ao “Estado Islâmico”

 

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 Refugiados cristãos em Erbil  SAFIN HAMED/AFP

 

 

Público, 30 de Maio de 2015

 

Entre os cristãos que fugiram de Mossul, há quem não pense voltar mesmo que o “Estado Islâmico” saia. Porque os vizinhos, árabes sunitas, ajudaram a expansão jihadista. Segundo retrato de uma região desfeita por todos os erros.

 

   Na porta do contentor, um autocolante em inglês diz: “Salvem os cristãos do Iraque”. Lá dentro há uma família, e à volta outros contentores, outras famílias, uma pequena parte das dezenas de milhares de cristãos iraquianos que fugiram do “Estado Islâmico”, a parte que se acha a salvo e com sorte, porque um contentor é melhor do que uma tenda.

No pátio desta igreja, em Erbil, capital do Curdistão Iraquiano, contentores funcionam até como sala de música, de computadores, de brincar, o que alegra o tempo mas não reverte a história. Vizinhas por baixo de um calendário com a Virgem, adolescentes numa mesa de pinguepongue ou meninos com Legos: refugiados como milhões de iraquianos no seu próprio país, a maior parte dos quais em acampamentos onde a chuva entra, o sol queima.

É assim desde o Verão de 2014, quando o “Estado Islâmico” mudou o mapa oriental ao desfazer a fronteira entre a Síria e o Iraque. Os domínios do auto-proclamado Califado são hoje maiores do que, por exemplo, a Grã-Bretanha, e Erbil já esteve cercada, vai-não-vai para cair. Ainda há um mês a cidade tremeu quando um carro-bomba explodiu a algumas ruas daqui, junto ao Consulado Americano. Militantes do “Estado Islâmico” conseguiram atravessar o Curdistão, território que lhes é hostil, estacionar o carro em Ankawa, o bairro mais cosmopolita de Erbil, e fazê-lo explodir, matando três pessoas e ferindo 14. Atingiram assim, em simultâneo, um alvo americano e o bairro cristão, cheio de refugiados.

“As pessoas foram chegando desde 7 de Agosto de 2014, quando o ‘Estado Islâmico’ começou a atacar os cristãos em Qaraqosh”, conta Daniel Al Khoury, o jovem padre de 25 anos que recebe o PÚBLICO. Estamos apenas a 80 quilómetros de Mossul, a maior cidade do Iraque controlada pelo “Estado Islâmico”, e Qaraqosh fica a meio caminho. Os jihadistas dominaram Mossul a 10 de Junho, foram avançando na direcção de Erbil, até que a 7 de Agosto se deu a debandada de Qaraqosh, 60 mil cristãos, segundo o padre Daniel, mais outros 60 mil em diferentes regiões. “Os peshmerga [combatentes curdos] tinham prometido proteger aquelas povoações mas no último momento avisaram que já não seria possível. Então as igrejas começaram a tocar os sinos.” Era de noite, os cristãos juntaram-se para fugir em carros, autocarros, umas poucas dezenas ficaram para trás, por não terem acordado ou sido localizadas. “Ainda falámos com eles durante dois meses mas agora não sabemos o que lhes aconteceu, se estão vivos ou mortos.” O fluxo de refugiados dividiu-se pelas cidades do Curdistão, Duhok, a norte, Suleymaniah, a sul, Erbil a leste.

Só nesta igreja, Mar Elia, são 118 famílias, ao todo 546 pessoas. “No começo eram 1600. Chegaram sem nada, dormiram no jardim, a igreja começou a distribuí-los por outros espaços.” Ficou cerca de um terço. “A ONU trouxe tendas, mas era demasiado quente, e havia recém-nascidos.” Há fotografias desses dias, aulas a serem dadas dentro de tendas. “Depois outras organizações trouxeram tendas à prova de água, e há dois meses chegaram os contentores.”

 

 

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 02.06.15

A História não perdoa - Miguel Sousa Tavares

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Miguel Sousa Tavares  A História não perdoa

 

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Expresso, 30 de Maio de 2015 

 

   Segunda-feira passada, uma notícia de “Le Monde” rezava assim: “O Estado Islâmico avança e os Estados Unidos não se mexem”. Podia ter escrito antes “A Europa não se mexe”, ou “A França não se mexe”, ou “A Inglaterra não se mexe”. Mas, ao atribuir a responsabilidade de uma resposta exclusivamente aos Estados Unidos, o jornal francês mostrou que certas coisas nunca mudam: quando há um trabalho sujo e difícil para fazer, quando é preciso arriscar vidas, a Europa confia que os Estados Unidos façam esse trabalho — mesmo que a ameaça ocorra dentro ou junto das fronteiras da Europa.

Verdade se diga que, neste caso, a responsabilidade dos EUA vem de trás: a emergência, na Síria e no Iraque, do Estado Islâmico, é uma consequência directa da irresponsável e criminosa Segunda Guerra do Iraque, lançada por esse infeliz ex-Presidente americano George W. Bush. Os que — aqui, como em diversas partes do mundo — usaram as suas tribunas, o seu poder e a sua influência sobre as opiniões públicas para as fazer engolir as mentiras fabricadas pela Administração Bush a fim de justificar uma guerra injustificável e sem sentido, bem podem dormir o sono dos irresponsáveis, mas não o dos justos: os 400 mortos que o EI assassinou nos três primeiros três dias após a conquista da cidade síria de Palmira, são apenas as últimas vítimas à data de uma ideologia de violência demencial que o mundo jamais tinha testemunhado, nem sequer sob o terror nazi. E tornada possível como sequela dessa guerra, entre todas, exemplo da leviandade dos decisores políticos.

 

 

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por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 25.05.15

Truth in Media, programa de Ben Sann - Origin of ISIS

 

"Neste episódio de Truth in Media, Ben Swann explora a origem do ISIS ["Estado islâmico"] que anda há muito esquecida pelos meios de informação Americanos.

Swann coloca a questão central sobre se o ISI foi criado por "inacção" do governo dos Estados Unidos ou por acção "directa"." (Youtube)

 

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por Augusta Clara às 08:00

Sábado, 14.03.15

Uma prova dos nove - José Goulão

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José Goulão  Uma prova dos nove

 

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   No Médio Oriente abundam os indícios de que o exército regular da Síria prepara uma ofensiva para se reapoderar das regiões do nordeste do país envolvendo Raqqa, onde se diz estar instalado o quartel-general dos mercenários do Estado Islâmico, ou Isis, ou Daesh, a designação é o que menos interessa.

Uma acção com este objectivo estratégico apenas se torna possível depois de o regime sírio ter retomado gradualmente o controlo da região de Alepo e da fronteira com o Líbano, o que traduz igualmente uma contrariedade muito forte para todos os que, internacionalmente, se empenharam no desmantelamento da Síria através de uma grande coligação entre os Estados Unidos da América, a União Europeia e os regimes fundamentalistas islâmicos do Golfo.

Olhando e ouvindo o que através do mundo se diz sobre o Estado Islâmico seria de prever que começassem agora a surgir elogios à barreira que Damasco tem erguido ao terrorismo agindo sob a cobertura abusiva do islamismo, tanto mais que ainda há poucas horas o exército sírio tirou definitivamente de circulação o chefe da frente Al-Nusra, uma das muitas designações dessa rede de terror.

Porém, olhando e ouvindo o que se diz pelo mundo tudo leva a crer que muitos dirigentes investidos de altas funções no regime global mais não são do que fala-baratos, cínicos e mentirosos.

Porque este é o preciso momento em que o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, diz que é preciso reforçar a componente militar internacional para derrubar o governo da Síria.

Este é o preciso momento em que o governo do Iraque anuncia o derrube de aviões militares norte-americanos e britânicos que transportavam armas para o Estado Islâmico.

Este é o preciso momento em que são mais claras do que nunca, reconhecidas pela própria comunicação social israelita, as cumplicidades entre Israel e o terrorismo islâmico sob a designação Estado Islâmico, que têm o seu santuário nos Montes Golã, ocupados por Israel à Síria.

Este é o preciso momento em que Abdelhakim Belhadj, terrorista líbio que chefia a coligação “Aurora Líbia”, anuncia que coloca as suas milícias ao serviço do Estado islâmico. Para quem não se lembre, Abdelhakim Bellhadj foi um dos pivots da aliança entre o terrorismo islâmico e a NATO que derrubou e assassinou Khaddafi e desmantelou a Líbia. No caso de haver dúvidas – ainda há quem as tenha – recorda-se que a recompensa dada pela NATO a Belhadj, e prova de reconhecimento pelos serviços prestados, foi a sua designação como primeiro comandante da região militar de Tripoli a seguir à “libertação” e àquilo a que insistem chamar a “instauração da democracia”.

Perante estes factos, por favor não levem a sério os ares circunspectos dos papagaios que vão desfilando pelas televisões falando da suposta guerra dos Estados Unidos e da União Europeia contra o terrorismo islâmico.

Mesmo assim, e havendo quem duvide desta vergonhosa teia de cumplicidades entre o tão civilizado ocidente e o tão bárbaro terrorismo islâmico, preparemos uma prova dos nove. Estejamos de olhos e ouvidos bem atentos às reacções ocidentais quando a Síria se lançar na ofensiva pela recuperação dos seus territórios submetidos à internacional terrorista. Antes disso é ainda é provável que tenhamos mais uma vaga de horror israelita em Gaza – são contas do mesmo rosário – tudo servindo, ao-fim-e-ao-cabo, para identificar, um por um, os membros do bando de irresponsáveis que governa o mundo. 

 

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por Augusta Clara às 08:00



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