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Jardim das Delícias


Segunda-feira, 16.03.15

Bárbaros - José Gil

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José Gil  Bárbaros

 

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Visão, 12 de Março de 2015

 

   Porque é que os jihadistas do Estado Islâmico destroem monumentos, estátuas da civilização assíria, de há três mil anos? Não é por serem, como eles dizem, obras de arte de uma religião idólatra, incitando, hoje ainda, à idolatria. Quem é atualmente incitado pela cultura antiga mesopotâmica à idolatria? Aquelas justificações são absurdas.

Mas talvez o terrível instinto de morte dos jihadistas acerte quando deteta na arte da civilização mesopotâmica uma ameaça aos seus dogmas. Quem não reage às destruições no Iraque com um profundo senti­mento de pânico, como se fosse vítima de uma catástrofe pessoal imediata? Fomos atingidos do mesmo modo com a notícia da destruição dos budas de Bamiyan que nos deixou perturbados, indignados e impoten­tes perante um ato mortífero, irreversível, irremediável. Qualquer coisa morreu em nós com o atentado ao Museu e à Biblioteca de Mossul e, depois, com o ataque à cidade histórica de Nimrud.

A brutalidade com que foram executados choca-nos como se fossem cenas apocalíp­ticas. À maneira das decapitações reais, os «martelos, picaretas, berbequins» e bulldozers arrasaram as estátuas e esculturas de Nimrud. Sábado, os bulldozers começaram a destruir a maravilhosa cidade de Hatra. Para nós, que nos preocupamos com a pos­sibilidade ameaçadora de um visitante de um museu tocar com um dedo num quadro, aquelas imagens são explosões de bombas. Nada comparável com o modo como o regime nazi tratou a «arte degenerada» do modernismo europeu. Os nazis criavam rituais para destruir as obras de arte - e roubavam-nas para proveito próprio. Os jihadistas desprezam os rituais, são puros bárbaros que usam a tecnologia ocidental para infligir selvaticamente morte e medo. Esta brutalidade aberta, exposta no espaço público mundial, caracteriza a sua estraté­gia do terror: não se visa só o medo, mas o caos através do pânico.

AQUI, TAMBÉM, os jihadistas diferem dos na­zis. Estes escondiam os campos de concen­tração, querendo mostrar uma sociedade alemã «normal». Os extremistas islâmicos fazem tudo para transmitir de si a imagem de uma comunidade diferente, incompreen­sível e inaceitável pelo Ocidente. 0 objetivo é desestabilizar, fragilizar e provocar o caos no mais íntimo das certezas e do sentimen­to de segurança: «Como é possível que enterrar crianças vivas, decapitar, queimar publicamente homens em jaulas seja ditado por regras que asseguram a vida de uma sociedade?» A esta pergunta, o Estado Islâmico responde: «É possível. Olhem para nós.» E, com esta certeza irredutível atirada ao Ocidente com a firmeza de um bulldozer a esmagar estátuas milenárias, o fundamentalismo islâmico procura suscitar nele, magicamente, a adesão à sua crença.

A destruição do património artístico do Iraqui é um atentado à vida de todos os homens, no mundo inteiro. Não só porque abre um campo de possibilidades aterradoras (e se as bombas rebentassem no Louvre ou no Met de Nova Iorque?), mas porque fere e mutila a nossa identidade de seres humanos. Se so­fremos na pele com as notícias das catástro­fes provocadas pelos jihadistas é porque no nosso espírito e no nosso corpo está inscrita a memória viva da antiga Assíria. Mesmo se nunca ouvimos falar de Sumérios, da Babiló­nia, de Hammurabi ou da escrita cuneiforme Não se trata de «lembranças», mas da me­mória inconsciente transmitida de geração em geração e de século em século, de que são feitos os corpos, as línguas e a inserçãc de um indivíduo e de um grupo no espaço e no tempo do mundo. No desdobramento motor do meu corpo está virtualmente gravada a existência das pirâmides do Egito. Se a grande pirâmide de Gizé fosse destruída por um atentado, o meu corpo transformar-se-ia inconscientemente. Habitamos o planeta integrando o seu território no espaço do nosso corpo, e o nosso tempo é feito da memória imemorial da Terra.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 01.09.14

«Una donna yazida costa 12 dollari» - Luca Geronico

 

 

 

Luca Geronico  «Una donna yazida costa 12 dollari»

 

 

 

 

 

Avenire.it, 22 de Agosto de 2014

 

   «Quindicimila dinari, circa 12 dollari».  Tanto vale una donna yazida al mercato  di Mosul. «Omar, un mio caro amico  musulmano, ha finto di essere uno di loro: ha comprato tre ragazze per farle scappare. Adesso sono  qui a Erbil, protette dai servizi segreti», spiega Hussam Salem, attivista della Yazidi solidarity and fraternity league.
«Genocidio» pare una parola troppo pesante sulle labbra di questo ragazzo più serio dei suoi 27 anni. «Non è la prima volta nella storia per noi yazidi», ti dice  lui con molta calma e dignità. Con la sua “League”, sta catalogando foto e testimonianze. Primi dettagli, prime prove, di quella che tutti i superstiti sperano diventi  una causa alla Corte penale internazionale per crimini contro l’umanità.
Difficile avere adesso una stima del numero delle vittime:  famiglie scappate a Duhok a piedi, altre messe in salvo con il ponte aereo, altre che hanno varcato il confine. Primi “reperti”, di una storia da ricostruire. Il primo racconto del genocidio è un tragico ritornello: «Ad Ardan, nelle montagne del Sinjar, sono stati uccisi  415 uomini e bambini: fucilati o sgozzati. Tutte le donne sono all’aeroporto di Tell Afar», la cittadina in mano all’Isis. Tutte rapite, come le tre ragazze di Mosul.  Ferocia, che si può trasformare in faida intercomunitaria:  quando gli uomini dell’Isis sono arrivati a Tell Afar, metà sciita e metà sunnita, gli sciiti sono scappati sulle montagne. «Noi yazidi li abbiamo accolti,  un gesto di solidarietà fra popolazioni perseguitate  ». Apertosi un corridoio, gli sciiti sono scappati  a Sud e «alcuni gruppi sunniti, per vendicare di aver ospitato gli sciiti, hanno assalito il villaggio degli yazidi. Sono stati loro a portare quelle donne all’aeroporto  di Tell Afar», spiega Hussam. Faide etnicoreligiose  di bande assassine, mentre la gran parte della  popolazione ha aperto le porte di casa ai profughi: «A Bashika abbiamo accolto quelli che fuggivano da Mosul. Nessuna distinzione etnica o religiosa».
Anche la fuga sui monti del Sinjar si è tramutata in una  trappola diabolica. «Bambini e anziani abbandonati  e morti di fame. Un mio amico – dice mostrando  la foto di una ragazzina Down di 16 anni – ha abbandonato  la figlia sul ciglio della strada. Handicappata,  non riusciva più a camminare. Per fortuna è sopravvissuta  a due giorni di digiuno. Adesso è in salvo in un campo profughi a Duhok».
L’elenco potrebbe continuare, una lista che Hassan aggiorna ogni sera mentre di giorno, assieme al collecting  documents, distribuisce cibo e coperte con “Un ponte per”, l’ong italiana presente in Iraq da oltre 20 anni. Giustizia, per la Lega degli yazidi, in questo  momento significa «protezione internazionale: la chiediamo alle Nazioni Unite e anche al Vaticano».
Protezione e sicurezza, dove le forze presenti sul terreno,  nelle scorse settimane, hanno fallito. «Lo chiediamo  anche alla Santa Sede. Prima il Papa chiedeva di proteggere i cristiani, adesso chiede di proteggere le minoranze. Parole per noi importantissime». A due passi dall’ufficio di “Un ponte per”, nel parco davanti  alla chiesa siriaco-cattolica di Mar Shimuni, si aspetta  l’arrivo di un carico di materassini dell’Unhcr. Hussam saluta gentile e va ad aggiornare il suo archivio: il tempo farà giustizia.

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por Augusta Clara às 08:00



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