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Jardim das Delícias


Quinta-feira, 04.12.14

Ministro da Guerra de Obama destroçado pelo caos estratégico - Mário Ramírez, Washington, Martha Ladesic, Nova York, Charles Hussain, Beirute

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Mário Ramírez, Washington, Martha Ladesic, Nova York, Charles Hussain, Beirute  Ministro da Guerra de Obama destroçado pelo caos estratégico

 

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27 de Novembro de 2014

 

   O secretário norte-americano da Defesa, Chuck Hegel, demitiu-se esta semana em Washington, vítima do “caos estratégico” em relação ao Médio Oriente e ao terrorismo islâmico em que se afunda a Casa Branca.
“Em Washington já ninguém sabe qual é o caminho a adoptar contra Damasco e em relação ao Estado Islâmico, pelo que as deserções políticas a alto nível se tornam naturais”, diz um funcionário do Departamento de Estado. “A confusão é tal que posso dizer que Hegel foi vítima de si próprio, de Obama, de Bachar Assad e do ‘califa’ Ibraim do Estado Islâmico”, acrescentou.
De acordo com fontes políticas e analistas militares, Chuck Hegel demitiu-se de secretário (equivalente a ministro) da Defesa porque reclamava uma guerra de bombardeamentos aéreos contra o regime sírio como caminho para combater o Estado Islâmico (ou ISIS ou Deish), privando-o do seu suposto campo de recrutamento.
“O que Hegel pretendia era um absurdo”, afirma Joanna Herschell, investigadora militar em Nova York. “Teimava no derrube de Assad, uma estratégia que conduziu a Administração Obama ao seu actual beco sem saída, sabendo perfeitamente que não é a Síria o campo de recrutamento do ISIS, que vive sim dos dinheiros sauditas e das infiltrações de mercenários através da Turquia e da Jordânia - pelo menos até há pouco com apoio dos Estados Unidos”, afirmou Herschell.
Fontes do Pentágono revelam que “o último round do combate” que pôs o secretário da Defesa KO foi desigual: “travou-o contra Obama e o chefe do Estado Maior, Martin Dempsey, que de momento parecem mais inclinados para uma reabilitação do regime de Assad como melhor forma de travarem um terrorismo que criaram e agora parece fora de controlo… ou sob controlo de outros, como a Arábia Saudita”, de acordo com um general na reserva.
“Obama cometeu um erro crasso”, considera Joanna Herschell. “Seguiu os caminhos de George W. Bush e deu-lhes piores rumos porque não falhou apenas na guerra contra Assad como acabou por ficar nas mãos de grupos terroristas que formou e alimentou para derrubar Assad”. Segundo a investigadora, “Obama falhou em todas as frentes, incluindo a do novo mapa do Médio Oriente pois conseguiu desmembrar o Iraque mas deixou vastas regiões nas mãos dos terroristas do ISIS, dos curdos iraquianos, cada vez mais interligados com o regime turco, e de Bagdad, sob grande influência iraniana”.
O general na reserva assinala que Chucke Hegel tinha ainda um outro “ponto fraco” na sua estratégia, o reforço do chamado “Exército Livre da Síria”, o grupo “moderado” para derrubar Assad. “Essa carta nunca valeu nada, nem como propaganda”, diz o general, “porque o apoio a esse grupo acaba sempre nas mãos da Al Qaida e do ISIS”.
“Há ainda um outro aspecto no caos criado por Obama no Médio Oriente”, explica a fonte do Departamento de Estado. “Os Estados Unidos surgem agora afectados por uma necessidade de conseguir qualquer coisa com o Irão, se querem acalmar o clima com Damasco, e porque surgem desalinhados de uma teia regional que entretanto a Arábia Saudita, a Turquia… e a França foram criando, trabalhando para um novo mapa do Médio Oriente, sabendo-se ainda que Israel procurará sempre aproveitar, de cada situação, as circunstâncias que lhe forem favoráveis”.

Mário Ramírez, Washington, Martha Ladesic, Nova York, Charles Hussain, Beirute

 

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por Augusta Clara às 17:10

Terça-feira, 02.12.14

Cenas turcas de um tráfico terrorista que oficialmente não existe - Christopher Wadi, Iskanderum, Turquia

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Christopher Wadi, Iskanderum, Turquia  Cenas turcas de um tráfico terrorista que oficialmente não existe

 

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Estado Islâmico em treinos na Turquia

 

   25 de Novembro de 2014

   No porto turco de Iskanderum poucos são os que têm dúvidas: eram mísseis e lançadores de armas pesadas e seguiram em camiões em direcção a zonas onde se sabe existirem bases de terroristas islâmicos, depois de terem sido descarregados de um navio de bandeira norte-americana. Foi há uma semana.
Na zona portuária desta cidade mediterrânica situada na Turquia meridional, muito próximo da Síria, as pessoas são muito reservadas nas suas conversas quando se abordam temas relacionados com a instabilidade militar na região, mas percebe-se que desejam dar a conhecer no exterior do país o facto de também “serem vítimas do terrorismo islâmico e das cumplicidades internas com esses grupos”, de acordo com um homem que apenas declinou o nome próprio, Yildiz.
Os depoimentos recolhidos na zona permitem confirmar declarações feitas há poucos dias pelo deputado Mehmet Ali Ediboglu, eleito pela província de Antioquia em representação do Partido Republicano do Povo, de oposição. “No dia 19 de Novembro”, disse o deputado, “um navio norte-americano entrou no porto de Iskanderum transportando ilegalmente armas” para o terrorismo islâmico.
O transporte é ilegal, de acordo com jurisprudência estabelecida pela justiça turca e que provocou a ira e uma vaga repressiva do então primeiro-ministro Erdogan contra os sectores do aparelho de Estado que apresentaram provas do apoio do regime turco à Al Qaida e grupos afins. No entanto, a operação portuária não foi discreta, porque protegida por contingentes da polícia anti-motins, cuja presença chamou a atenção da população de Iskanderum e também de forasteiros.
Mísseis e lançadores pesados foram descarregados do barco e colocados em camiões que seguiram em comboio para leste, a direcção onde se sabe existirem bases de grupos terroristas, um facto que o governo do agora presidente Erdogan continua a negar.
“O mais provável é que tenham seguido para uma base usada pela Al Qaida e pelo Estado Islâmico na província de Osmanyie, de onde se realizam infiltrações no norte da Síria, na região que serve de suporte à acção do Estado Islâmico”, afirma um activista de oposição.
Segundo a mesma fonte, o terrorismo islâmico “tem bases igualmente nas províncias de Karaman e Sanliurfa, situadas também no sul e sudeste do país, nas imediações do território sírio”. O activista denunciou que a NATO e Israel sabem muito bem disso, “pois o processo funciona em coordenação com o presidente Erdogan, mesmo que para a justiça turca tudo isso seja ilegal”.
Estes assuntos não são segredo na Turquia. “A negação desta realidade é apenas uma grande mentira transformada em verdade oficial num regime cada vez mais autocrático”, diz Rashida, uma professora de passagem por Iskanderum. “Ainda em Setembro último o presidente do Partido Republicano do Povo revelou que o Estado Islâmico tem departamentos em várias cidades turcas para recrutar mercenários para as suas guerras e dispõe bases onde esses indivíduos são treinados com apoios estrangeiros”, acrescentou.
Na mesma declaração proferida em final de Setembro, o presidente do principal partido da oposição afirmou que o ministro-adjunto da Justiça ordenou ao procurador da província de Adana que deixasse de inspecionar os camiões de transporte de armas para os grupos infiltrados na Síria uma vez que esta operação é feita sob a responsabilidade dos serviços secretos turcos, MIT.
“São os que sustentam o terrorismo que dizem combater o terrorismo, isto é tudo uma grande farsa”, denunciou um ancião de Iskanderum, trabalhador portuário reformado, que assistiu a toda a operação de 19 de Novembro.
A revelação de que o primeiro-ministro Erdogan e o filho são interlocutores do tesoureiro da Al Qaida, membro da família real saudita, financiando a organização através de dinheiros públicos turcos, provocou já este ano um grande escândalo na Turquia e a demissão de três ministros.
Erdogan, no entanto, contra-atacou, fez uma grande purga nos sectores dos aparelhos judicial e policial envolvidos nas investigações e meses depois conseguiu fazer-se eleger presidente.
“Na Turquia de hoje, que se faz passar por um país avançado e civilizado, não há dúvida de que o crime compensa”, afirma Kiral, jornalista. “Erdogan costuma dizer que não existe islamismo moderado e islamismo radical, mas apenas islamismo”, acrescentou. “Por uma vez é coerente: não é ele, mas sim os seus aliados ocidentais que lhe chamam ‘moderado’ para lhe permitirem tudo no trabalho sujo de sustentar os ‘radicais’”.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 27.11.14

Senador McCain confirma apoio em Washington ao Estado Islâmico - Mário Ramírez, Washington, Martha Ladesic, Nova York

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Mário Ramírez, Washington, Martha Ladesic, Nova York  Senador McCain confirma apoio em Washington ao Estado Islâmico

 

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21 de Novembro de 2014

 

   O senador republicano John McCain, ex-candidato presidencial, é o interlocutor privilegiado do Estado Islâmico junto do complexo militar industrial que governa os Estados Unidos da América. Esta verdade, não admitida pela propaganda global e “maldita” desde que surgiram os episódios das decapitações de cidadãos norte-americanos, é confirmada pelo senador segundo depoimentos próprios que não deixam margem para dúvidas.
“O Estado Islâmico, ou ISIS ou Daesh, agora identificado como o principal inimigo a abater, é de facto uma criatura de círculos de poder dos Estados Unidos para derrubar o regime sírio”, confirma um coronel na reserva com experiência vivida em departamentos de informações militares. “Tal como os mujahidines e a Al Qaida surgiram no Afeganistão por iniciativa da CIA e de serviços secretos paquistaneses, ingleses e sauditas, o ISIS e o seu ‘califa’ Ibrahimi, aliás Al Baghdadi ou vice-versa, são obra conjunta dos Estados Unidos, Arábia Saudita, Turquia, Qatar… contra Bashar Assad. E o senador McCain é o seu profeta”, ironiza o coronel.
Louis Venturini, activista novaiorquino de movimentos contra a guerra, sublinha que “quando se criam os monstros supostamente para nos servir nem sempre se pensa à partida que podem virar-se contra nós. Os dirigentes americanos têm fartos exemplos dessa realidade, mas nem por isso se emendam e o senador McCain é o exemplo mais actual disso”, prossegue Venturini. “Já o ISIS avançava a todo o vapor pelo Iraque dentro, crucificava, decapitava, drogava e fuzilava em massa à sua passagem, e ainda o senador McCain dizia que estava em contacto frequente com os dirigentes do grupo”, afirma o activista. “Por isso, os jornalistas, os jornais e as televisões que gostam de proclamar como calúnia os laços que existem entre Washington e o Estado Islâmico deviam deixar de tomar as dores como virgens ofendidas”, acrescentou.
“Nunca é demais recordar as palavras do senador McCain”, destaca Venturini: ‘Conheço essas pessoas (os dirigentes do Estado Islâmico); estou em contacto permanente com elas’”.
Qualquer pessoa interessada nestes assuntos, e sobretudo em não ser enganada, tem também acesso a uma entrevista do próprio McCain à cadeia de televisão Fox News na qual o senador declara o seguinte: “Hillary Clinton já relatou numa reunião na Casa Branca há dois anos. Cada membro da equipa de Segurança Nacional recomentou armar o Emirado Islâmico. O presidente opôs-se, como depois de opôs e decidiu não bombardear a Síria quando este país ultrapassou a linha vermelha”.
“Ficamos pois a saber que além de McCain também a então secretária de Estado Clinton e os membros do Conselho de Segurança Nacional patrocinaram o Estado Islâmico junto da Casa Branca”, segundo Sarah Lehary, historiadora e investigadora. “Devemos notar que quando se fala em ‘linha vermelha’ ultrapassada por Assad o que está em causa é uma trágica provocação feita em Agosto de 2013 por grupos afins da Al Qaida e Estado Islâmico chacinando centenas de pessoas com armas químicas nos arredores de Damasco”, acrescenta Lehary. “Não foi Assad, foram os ‘nossos rebeldes’”, denunciou.
Mais recentemente, em 16 de Setembro, o senador McCain declarou num teleshow igualmente da Fox News que discorda da ofensiva de Obama contra o Estado Islâmico, um grupo cujos dirigentes ele conhece e com os quais está em contacto. Nessa entrevista, McCain defende a tese que é preciso apoiar “todos os rebeldes” para derrubar o regime sírio. É por isso, acrescenta, que se tem encontrado com os dirigentes do Estado Islâmico, mantendo-se em contacto permanente com eles.
“Obama faz o papel de bom menino no meio disto tudo”, afirma o coronel na reserva, “mas é preciso que se saiba que isso vale o que vale, entre as ordens de um presidente e a sua execução vai um caminho labiríntico, sobretudo através dos serviços secretos e do Pentágono, onde muitas das suas intenções se dissolvem. Reflectindo assim percebemos muito bem a falta de resultados da campanha aérea contra o Estado Islâmico, que continua tão ou mais forte do que antes”, salienta o coronel. “Não tenho qualquer dúvida”, acrescenta o militar, “McCain foi candidato derrotado mas é senador e a sua confessada ligação a estes assuntos sírios conta muito”.

Mário Ramírez, Washington, Martha Ladesic, Nova York

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quarta-feira, 26.11.14

Presidente da Turquia: “as mulheres servem para ser mães" - Lourdes Hubermann, Istambul” -

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Lourdes Hubermann, Istambul  Presidente da Turquia: “as mulheres servem para ser mães"

 

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25 de Novembro de 2014

O chefe do regime islamita da Turquia, Recep Tayyp Erdogan, negou a possibilidade de existir uma igualdade de géneros, uma vez que as mulheres servem “para ser mães”. “Não se pode dar uma pá e picareta a uma mulher e mandá-la trabalhar”, declarou.
As declarações do presidente turco, cujas acções tanto como primeiro ministro como já no actual cargo têm feito “regressar socialmente a Turquia aos tempos do Império Otomano”, segundo organizações de mulheres, estão a provocar uma onda de indignação no país.
“Não podemos querer que as mulheres façam os mesmos trabalhos que os homens, como aconteceu nos regimes comunistas do passado”, disse Erdogan numa conferência dirigida à Associação Democrática das Mulheres Turcas. Concedeu que “as mulheres devem ser iguais perante a lei”, mas não no seu papel na sociedade.
“A nossa religião destinou um lugar à mulher”, disse o chefe de um regime constitucionalmente laico. “Qual é esse lugar? O da maternidade”, estipulou.
“A Turquia está a transformar-se gradualmente num regime fundamentalista islâmico, o que contraria o espírito de modernidade, a laicidade e a Constituição que nos foram deixados ainda no início do século passado”, denunciou Ceyde Kortmaz, professora e mãe de três filhos. “As pressões religiosas, instituídas como política de regime, estão em todo o lado, principalmente na educação, na vida laboral e na crescente repressão dos costumes”, acrescentou.
“Erdogan não fez mais do que confirmar a regressão social que pretende e está a impor na Turquia”, alega Emine Sevim, membro de uma organização de mulheres, operária de telecomunicações e sindicalista. “A maior parte da Europa conhece Erdogan devido ao seu autoritarismo e às vagas de repressão ordenadas em Istambul, Ancara e Esmirna, mas as consequências da sua acção permanente são muito mais profundas e retrógradas”, denunciou. “Sou mãe, esposa e trabalho, mas sinto que o ambiente no país se parece cada vez com o que era o pensamento social oficial no Império Otomano”, acrescentou.
“É mentira que as feministas sejam contra a maternidade, é mentira que a igualdade perante o trabalho seja uma característica apenas dos antigos regimes comunistas, mas esse tipo de discurso faz parte de uma propaganda insidiosa com que o regime vai minando a sociedade laica”, explicou Ceyde Kortmaz. “O fundamentalismo começa a ser asfixiante neste país e em minha opinião deveria ser esse o motivo para que a União Europeia marginalizasse o regime turco. Já não é apenas a falta de democracia, é o fundamentalismo, é também o apoio ao terrorismo islâmico, isso sim deveria preocupar os difigentes europeus”, prosseguiu Ceyde Kortmaz. “Para que saibam”, advertiu: “não são apenas os talibãs e outros que tais que perseguem as mulheres; na Turquia o regime vai pelo mesmo caminho, com uma aparência mais moderada mas o objectivo é o mesmo”.

Lourdes Hubermann, Istambul

 

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por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 17.11.14

Operação comando assassina cientistas nucleares em Damasco - Charles Hussain, Beirute

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Charles Hussain, Beirute  Operação comando assassina cientistas nucleares em Damasco

 

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13 de Novembro de 2014

 

   O assassínio de cinco engenheiros nucleares que trabalhavam num centro de investigação científica na zona de Barzeh, no norte de Damasco, “não tem assinatura de qualquer grupo terrorista que combate o regime, mas sim de gatilhos mais afinados”, comentam fontes diplomáticas em Beirute.
No ultimo domingo, cinco engenheiros nucleares viajavam num autocarro nas imediações do centro de investigação onde trabalhavam na capital síria e sofreram uma emboscada por um grupo de indivíduos armados. Nenhum escapou com vida ao atentado. Os criminosos sumiram-se sem deixar rasto.
Em Julho passado, seis pessoas que trabalhavam nas mesmas instalações foram vítimas do disparo de um morteiro feito por mercenários islâmicos, conhecidos no Ocidente por “rebeldes”.
Nos bastidores diplomáticos e militares de Beirute considera-se que os dois casos não estão relacionados, pelo menos directa e operacionalmente. “O atentado de domingo teve características de uma operação comando para eliminar peritos da área nuclear e podemos, por isso, compará-lo aos crimes cometidos em grande número em Teerão contra cientistas nucleares iranianos”, afirma um diplomata de um país do Médio Oriente. “É uma eliminação minuciosa, orientada, ao estilo das que os serviços secretos israelitas costumam efectuar um pouco por todo o mundo; e entre nós conhecemos muito bem a obsessão israelita de guardar o monopólio da actividade nuclear no Médio Oriente”, de acordo com a mesma fonte.
Algumas das informações divulgadas sobre o atentado partiram do chamado Observatório Sírio dos Direitos Humanos”, uma entidade com sede em Londres e patrocinada pelas potências que promovem a guerra civil na Síria. Coube ao grupo divulgar as supostas nacionalidades das vítimas: quarto sírios e um iraniano.
Teerão desmentiu, entretanto, a presença de cientistas nucleares iranianos na Síria, pelo que, de acordo com as fontes em Beirute, o “Observatório” “pode estar a cumprir o seu papel de contra-informação”
John Harvey, membro de uma “pool” de jornalistas presente actualmente na capital libanesa, sugeriu que o facto de a citada organização se ocupar em divulgar pretensas informações sobre as vítimas “revela que o atentado tem seguramente mais a ver com o terrorismo selectivo do que com o bas-fond dos mercenários que fazem a guerra por grosso”.

Charles Hussain, Beirute

 

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por Augusta Clara às 08:00

Sexta-feira, 14.11.14

Governo israelita avança na anexação da Cisjordânia - Sara A. Oliveira, Jerusalém

 

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Sara A. Oliveira, Jerusalém  Governo israelita avança na anexação da Cisjordânia

 

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 A colonização e o seu muro

 

 

 

   11 de Novembro de 2014

   O gabinete restrito do governo de Israel aprovou uma lei que estende a aplicação de todas as novas leis israelitas aos colonatos de Jerusalém Leste e da Cisjordânia, decisão que é mais um passo para a anexação de facto desses territórios e viola o direito internacional, nomeadamente através das Convenções de Genebra.
Quatro dos dez membros do gabinete votaram contra, mas impôs-se o peso de decisão da aliança entre Benjamin Netanyahu, a extrema direita racista e o fundamentalismo religioso. A ministra da Justiça, Tzipi Livni, que chefiou a delegação israelita a conversações com os palestinianos, afirmou que apelará contra a decisão. Segundo a ministra, “a decisão pretende tornar normal uma situação anormal através de uma mascarada de direitos civis”.
Nos termos da decisão do gabinete, qualquer lei que seja aprovada pelo Knesset, o Parlamento israelita, será transformada ipsis litris numa directiva militar para ser aplicada nos colonatos num prazo máximo de 45 dias.
“Esta norma é uma consequência natural de tudo quanto tem vindo a ser permitido ao governo israelita em termos de violação do direito internacional”, comentou o jurista Amos Rubinstein. “O mundo inteiro sabe, tal como sabe o maior aliado de Israel, os Estados Unidos da América”, acrescentou Rubinstein, “que sobretudo o actual governo israelita não descansa um momento no processo de anexação dos territórios através da colonização, do roubo de terras e da destruição de casas, árvores e colheitas dos palestinianos. Por muito menos há países que sofrem pesadas sanções impostas pelos Estados Unidos da América e a União Europei”.
Amos Rubinstein recordou a existência de relatórios comprovando que o governo israelita ordenou a construção de 14 mil residências em colonatos durante as conversações com os palestinianos “e continua a confiscar hectare atrás de hectare da Cisjordânia sob pretextos militares e os que lhe aprouver. O objectivo está à vista de toda a gente, mas os principais dirigentes mundiais fingem que não é nada: liquidar a criação de um Estado Palestiniano por não haver territórios onde instalá-lo. Continuar a falar na ‘solução de dois Estados’ começa a ser um exercício de hipocrisia”, denunciou o jurista israelita.

Sara A. Oliveira, Jerusalém

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quinta-feira, 13.11.14

Revolta popular seguida de contragolpe americano no Burkina Faso - Lopez Margallo, Uagudugu

 

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Lopez Margallo, Uagudugu  Revolta popular seguida de contragolpe americano no Burkina Faso

 

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9 de Novembro de 2014

   Os Estados Unidos reagiram prontamente à revolta popular que derrubou o autocrata Blaise Compaoré no Burkina Faso e em menos de 48 horas conseguiram colocar no poder, em Uagudugu, um militar da sua confiança, treinado em instalações do Pentágono.
Descendo às ruas e invocando frequentemente a memória do antigo presidente Thomas Sankara, dezenas de milhar de cidadãos do Burkina Faso conseguiram por fim à presidência de Blaise Compaoré, no poder há 27 anos graças a violenta repressão e aos serviços prestados aos interesses coloniais franceses e, mais recentemente, sobretudo norte-americanos. Esses serviços incluíram a utilização do território do país como plataforma de forças militares neocoloniais para intervenções em outros países africanos, designadamente Mali, Serra Leoa, Costa do Marfim e Libéria.
Compaoré resistira às revoltas populares de 2011 através de um reforço brutal da repressão, mas desta feita não demorou muito a refugiar-se na Costa do Marfim, com ajuda francesa e quando se preparava para alterar a Constituição de modo a perpetuar-se no poder.
Na sequência do levantamento do povo, Campaoré abandonou o país em 30 de Outubro. O general Honoré Traoré, chefe do Estado Maior das Forças Armadas, assumiu o poder o dia seguinte, comprometendo-se a assumir um período de transição de 12 meses.
“Esse período de transição durou menos de 24 horas”, sublinha um diplomata de um país da União Europeia em serviço em Uagudugu, que pediu o anonimato; “As movimentações nas chancelarias foram vertiginosas e prevaleceu a desconfiança dos franceses e dos norte-americanos em relação ao general Traoré”, explicou.
Em 1 de Novembro, o general Traoré anunciou subitamente que cedia o lugar ao tenente-coronel Isaac Yacouba Zida. O Departamento de Estado norte-americano saudou acto contínuo a designação do novo presidente e solicitou-lhe a formação de um governo civil o mais depressa possível. Em Paris, François Hollande repetiu a posição de Washington.
“Uma leitura significativa deste processo”, acrescenta o mesmo diplomata, “é que as leis internas norte-americanas não permitem a um departamento executivo o anúncio do reconhecimento de um governo saído de um golpe de Estado militar. E estamos sem dúvida perante um golpe militar”, de acordo com a fonte diplomática.
“O tenente-coronal Zida é um homem dos americanos”, definiu Issouf Diallo, pequeno empresário e activista político que participou nas manifestações pelo derrube de Campaoré. “Não é segredo que esteve em cursos de formação em bases aéreas norte-americanas na Florida e que também recebeu preparação em serviços de espionagem e informações dada pelo Pentágono”, revela Diallo
“Durou pouco o sonho que chegámos a ter de voltar a viver os tempos de independência nacional do saudoso Thomas Sankara”, segundo Ousman Tindano, professor primário. “Os franceses e os americanos não deixaram: fizeram aqui a mesma coisa que no Egipto – arranjaram um militar ao seu serviço depois de uma revolta popular, mas demoraram muito menos tempo e passaram por cima das formalidades democráticas. Aprendem e agem depressa”, comentou, por seu turno, Issouf Diallo.
“Ainda não é desta que o nosso governo está à altura da ‘terra da gente íntegra’, o significado de Burkina Faso, a designação que o presidente Sankara encontrou para o nosso país, de que os povos se orgulham e que ensino aos meus alunos”, lamentou o professor Ousman Tindano.
Thomas Sankara foi um presidente anti-colonialista, indentificado com o movimento popular e com os Países Não-Alinhados, derrubado e assassinado em 15 de Outubro de 1987 na sequência do golpe de Blaise Campaoré. O acto golpista foi patrocinado pela França, onde pontificavam Jacques Chirac, presidente, e François Mitterrand, chefe do governo.

Lopez Margallo, Uagudugu

 

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por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 10.11.14

O fim da grande mentira - José Goulão

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José Goulão  O fim da grande mentira

 

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9 de Novembro de 2014 

 

   Ainda hoje persistem divisões, mesmo entre tendências anticapitalistas, sobre o papel da União Europeia, a sua génese como CEE, o seu desenvolvimento, a moeda única, a apropriação indevida do espaço continental através do uso e abuso da identificação com a Europa, enfim, há muito que se diga.
Há quem acredite nas boas intenções manifestadas pelos pais fundadores, pelos tratados e a propaganda que os acompanhou, nas virtudes dos alargamentos como meios de exportação da verdadeira democracia, nas bem-aventuranças do Euro e até no carácter potencialmente progressista do federalismo.
Há quem venha percebendo desde o início, no entanto, que a hoje designada União Europeia nasceu como instrumento da guerra fria para aglutinar governos e solidificar o poder militar em defesa dos interesses económicos e militares que se foram, entretanto, agigantando e globalizando. Adaptando-se sempre a União Europeia a essas transformações - e daí a lógica actual de se ter instituído como um bastião fundamental do sistema neoliberal.
Para que possamos todos reflectir ainda mais um pouco, incluindo os que conservam dúvidas sobre o facto de a União Europeia só interessar a quem a criou se continuar a ser como é, creio que os acontecimentos recentes são elucidativos.
Poucos terão reparado que, em plena época da austeridade sobre os povos, tempos em que o tão prometido crescimento económico continua a fazer-se esperar, mais se parecendo com recessão e ameaçando deflação, dias em que até os benditos mercados escorraçam o Euro, os  fiscalizadíssimos orçamentos dos Estados membros foram mãos largas para as despesas militares. Não foi só em Portugal que a educação e a saúde levaram rombos em verbas supostamente para pagar a dívida mas que foram desviadas para a guerra. A ordem foi dada pela NATO na sua última cimeira. Os poderes de Bruxelas, sejam eles as corruptas instituições, o Banco Central, a troika, a Senhora Merkel e outras máscaras da mesma forma de mandar, decidem as nossas vidas de acordo com “os princípios democráticos”. E a NATO é o braço armado – e policial – desse poder global. Também ela está, como demonstram os orçamentos estatais emitidos de Bruxelas, por detrás da austeridade, dos ataques aos direitos dos cidadãos, aos direitos humanos, claro está.
Mais pessoas têm agora conhecimento, porque mais mediatizadas, das actividades do actual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que à frente do governo do Luxemburgo “legalizava” fugais brutais aos impostos de algumas das mais lucrativas multinacionais globais, enquanto se comportava como um dos mais acérrimos defensores da austeridade e dos cortes de direitos das pessoas como presidente da Zona Euro.
Foi esse currículo, não tenham dúvida, que conduziu à entronização de Jean-Claude Juncker como presidente da Comissão Europeia, com a bênção da Srª Merkel, do Sr. Hollande e outros símbolos do poder político na União.
No meio do escândalo fiscal, o Sr. Juncker vai agora ser juiz dele próprio, porque cabe à Comissão decidir se as fugas aos impostos eram “legais” ou “ilegais”. Pelo caminho, o presidente da Comissão e o seu sucessor como primeiro ministro do Luxemburgo vão dizendo que tudo se passou “legalmente”, eram meros actos governativos, não havia qualquer distorção da concorrência mas sim um comportamento “extremamente competitivo”. Nem tocam na questão ética do procedimento, a bem dizer já não há moral que caiba nisto.
Por mim não tenho dúvidas: a grande mentira da União Europeia chegou ao fim do caminho como método de propaganda. Vinte e cinco anos depois da queda do muro de Berlim é isto que o Ocidente exporta para o Leste. E mais a guerra, um grande negócio que a NATO transformou em sistema de polícia dos povos e dos governos.

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Sexta-feira, 07.11.14

Síria é a vítima da falsa guerra contra o Estado Islâmico - Charles Hussain, Beirute

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Charles Hussain, Beirute  Síria é a vítima da falsa guerra contra o Estado Islâmico

 

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2 de Novembro de 2014

 

   Os Estados Unidos estão a bombardear e a destruir as instalações petrolíferas pertencentes ao Estado Sírio, a pretexto de combater o contrabando de petróleo promovido pelo Estado Islâmico, quando este grupo terrorista não usa nem as refinarias nem os pipelines alvejados.
“Quando os meios de propaganda mundiais anunciam em grandes parangonas que ‘os Estados Unidos estão a bombardear instalações petrolíferas do ISIS’ (Estado Islâmico) estão a enganar duplamente as pessoas”, denuncia Peter Elliot, veterano frequentador dos bastidores da espionagem e da diplomacia em Beirute. “Por um lado”, diz, “as instalações pertencem à Síria e não ao ISIS, por quem, quando muito, teriam sido usurpadas com apoio dos Estados Unidos e aliados; por outro lado, o ISIS faz contrabando de petróleo não refinado e não usa pipelines, mas sim comboios de navios para o mercado negro na Turquia.”
As histórias do combate ao Estado Islâmico “estão muito mal contadas”, sublinha Peter Elliot, o que “acontece deliberadamente para tentar disfarçar os vínculos cúmplices que realmente existem entre os aliados ocidentais e os terroristas do ISIS”. Segundo a mesma fonte, “em vez de destruírem as refinarias e os pipelines da Síria que o ISIS não usa, ser-lhes-ia muito mais fácil atacar os comboios de navios que fazem o contrabando, recorrendo para isso aos meios operacionais que já têm em acção. Além de mais fácil seria mais eficaz, se o objectivo fosse mesmo o de acabar com o mercado negro de petróleo como fonte de receitas do Estado Islâmico”, segundo Peter Elliot.
Pierre D’Esterno, um técnico francês de indústria petrolífera estabelecido em Beirute, confirma a tese de Peter Elliot e enquadra-a numa perspectiva mais ampla.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Quarta-feira, 05.11.14

Gaza em asfixia total - Christopher Wadi, Cairo

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Christopher Wadi, Cairo  Gaza em asfixia total

 

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2 de Novembro de 2014

 

   Israel anunciou o encerramento dos postos fronteiriços de Kerem Shalon e Erez, os únicos acessos ainda possíveis à Faixa de Gaza. A partir de agora, o território palestiniano está completamente “fechado ao mundo”, como diz um habitante contactado telefonicamente.
As autoridades israelitas anunciaram a medida poucas horas depois de terem reaberto o acesso à mesquita de Al Aqsa, em Jerusalém, depois de o encerramento ter provocado uma onda mundial de protestos.
O motivo invocado oficialmente pela administração de Telavive para fechar as entradas é o de que da Faixa de Gaza foi disparado um engenho para território israelita. Israel reconhece que o disparo não provocou prejuízos e que a sua autoria não foi reivindicada.
“É a medida punitiva mais grave tomada por Israel até hoje”, diz um professor do território contactado telefonicamente. “Receamos que esteja para acontecer uma nova escalada de violência israelita e agora a nossa asfixia é total, porque nada podemos esperar também do Egipto”.
No Cairo tem subido continuamente de tom a propaganda contra os túneis que ligam o Egipto à Faixa de Gaza, que eram as mais importantes vias de abastecimento de víveres e apoio sanitário ao território onde vivem mais de milhão e meio de pessoas em apenas 320 quilómetros quadrados.
“Os Estados Unidos e Israel não deixam respirar o governo militar de Al Sissi para que este isole ainda mais os palestinianos de Gaza”, diz um activista de um grupo de resistência contra o sistema ditatorial. “O regime de Al Sissi mandou construir uma ‘zona tampão’ entre o território do nosso país e a zona de Rafah, onde o único local de acesso a Gaza a partir do Egipto também está fechado. A partir de agora, Gaza está também bloqueada pelo Egipto e temos conhecimento de que muitas pessoas estão a abandonar Rafah temendo o pior”, informou a mesma fonte.
“Aqui em Gaza não temos dúvida de que o míssil de que Israel fala é um caso mal explicado e não passa de um pretexto para nos bloquear totalmente”, denuncia o professor contactado no território. “Se ninguém reivindicou o seu lançamento qualquer coisa soa a falso, porque os grupos da resistência em Gaza assumem sempre as suas acções. Estamos perante uma vingança sobre as populações palestinianas ainda resultante do golpe sofrido por Israel pelo facto de a Suécia ter reconhecido o Estado da Palestina”, acrescenta a fonte.
Segundo o habitante de Gaza contactado, a “mensagem de Israel ao mundo é simples: se outros países seguirem o exemplo da Suécia serão os palestinianos a sofrer tanto através da colonização, como dos bloqueios, como da guerra”.
“Nós também temos a nossa mensagem”, disse o professor. “Precisamos de mais e mais reconhecimentos de muitos países de todos os continentes; estamos dispostos a resistir para conseguir a nossa libertação. Além disso, estamos conscientes de que os países do mundo têm cada vez mais a noção de que aquilo a que Israel chama ”negociações” ou “processo de paz” não existe, é apenas uma armadilha para fazer passar o tempo até que a criação do nosso Estado seja impossível na prática”.
Segundo os responsáveis israelitas, apenas o que qualificam como “auxílio humanitário crítico” poderá entrar em Gaza. Durante a recente operação de agressão ao território, o exército israelita provocou mais de 2150 mortos, 11 mil feridos e a destruição de 15670 casas.

 

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