Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Jardim das Delícias


Sexta-feira, 07.04.17

59 mísseis para o regresso à normalidade americana da guerra - Carlos de Matos Gomes

pingos1.jpg

 

Carlos de Matos Gomes  59 mísseis para o regresso à normalidade americana da guerra

 

siria.jpg

siria1.jpg

 

 

59 mísseis para o regresso à normalidade americana da guerra.

Os 59 mísseis disparados pelos EUA contra um objectivo na Síria representam o regresso à agenda de guerra da política externa estabelecida no final do século XX. Trump sofreu mais uma derrota. Na campanha eleitoral Trump prometeu desinvestir nas guerras do Médio Oriente (o termo técnico é baixar o nível de empenhamento), porque o petróleo estava barato, era abundante e ele preferia o carvão que dava emprego a americanos. Trump considerava a NATO obsoleta e a Rússia um parceiro em vez de um inimigo.

Esta agenda colidia com os interesses de Israel e da Arábia Saudita que há décadas (pelo menos desde Nixon e Kissinger) dominam a matilha política de Washington. Os tiranetes radicais da Arábia Saudita e de Israel necessitam da desestabilização da região para se manterem no poder. Um Médio Oriente estabilizado é o fim dos negócios e do poder da família Saud e dos radicais judeus. A agenda tradicional dos EUA, a agenda de Clinton, marido e mulher, de Bush pai e filho, de Obama foi a de criar e manter um turbilhão na zona.

Em 2007, o general Wesley Clark, antigo comandante supremo da NATO, numa entrevista muito difundida, desvendou o plano dos EUA e dos seus aliados locais e europeus de tomarem ou destruírem 7 países em 5 anos: Síria, Líbano, Líbia, Somália e Irão, que iriam fazer companhia ao caos do Iraque. Era este o programa de Hillary Clinton.

Em 3 de Fevereiro de 2017, logo após a posse de Trump, o general David Petraeus, antigo director da CIA, alertava o novo presidente para o perigo de alterar a “war agenda”. Numa conferência na Comissão Militar afirmou que a América não podia dar como garantida a atual situação (a situação herdada de Obama). Esclarecia que essa situação não era autosustentada e que fora criada pelos Estados Unidos. Se não for mantida colapsará, garantiu.

Os 59 mísseis lançados sobre uma base siria demonstra que os velhos poderes já estão bem instalados em Washington. A velha situação de desestabilização não colapsou. A família Saud e Benjamin Netanyahu podem celebrar de novo a vitória. Os lobistas do armamento, das companhias militares privadas podem acender charutos.

Não deixa de ser caricato que Trump tenha justificado a sua derrota com um impulso piedoso devido ao choque sofrido com as imagens das crianças atingidas pelas armas químicas. Armas cuja origem ninguém se interessou em investigar, a começar pelo próprio Trump. Já o mesmo tinha acontecido com as armas de destruição em massa de Saddam Hussein, que levaram Bush filho à segunda invasão do Iraque.

A velha ordem regressou a Washington. E à Europa também, com uma diferença: a doutrina Blair de sujeição activa da Europa ganhou adeptos. Hollande e Merkel não estiveram à altura de Chirac e Schroeder. Esses também tinham que vender armas, mas a estes não lhes custa serem rafeiros…

Tudo como dantes. Quartel em Abrantes

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 23:43

Sexta-feira, 27.01.17

O polimento da tragédia Obama - José Goulão

 

 

   Recordemos palavras de Barack Obama no seu último discurso sobre o Estado da União: «A América é a nação mais forte da Terra. As nossas despesas militares são superiores às despesas conjuntas das oito nações que nos seguem. As nossas tropas formam a melhor força combatente da história do mundo».

 
Poderia chamar-lhe o discurso do imperador, mas não façamos disso um cavalo de batalha quando há tanta gente empenhada em descobrir um Obama que não existiu, como forma de esconjurar os legítimos receios com a entrada na Casa Branca de um sujeito como Trump.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Obama não é melhor presidente do que alguma vez foi porque Donald Trump escancarou as portas da mansão presidencial como as de um saloon, semeou dourados pela decoração e pôs as botifarras em cima da mesa oval para assinar a sentença de morte do «Obamacare» e ditar que, para ele, o comércio livre é outra coisa.

Poucos dias antes de pronunciar as citadas palavras imperiais, o então ainda presidente Obama anunciara que o mais recente pacote de despesas militares inclui novos poderes para as 17 agências federais de espionagem, de modo a «contrariar a desinformação e propaganda», alegadamente fomentadas por outras potências; desse esforço, 17 mil milhões de dólares são dedicados à cibersegurança, isto é, à espionagem informática universal – as lendas sobre o papel da Rússia na eleição de Trump serviram assim de pretexto mais actual, como fato feito por medida.

Expansão militar universal, mentira e propaganda foram, portanto, as derradeiras mensagens deixadas pelo presidente Obama, o que torna ainda mais surpreendente o escândalo de tantas boas almas mainstream com a capacidade de Trump para entrar em funções logo a mentir descaradamente. Não descobriram ainda que a mentira é um comportamento inerente ao cargo de presidente dos Estados Unidos da América (e de outros, claro)? Um mentiroso pode ser mais ou menos boçal, mas não deixa de mentir.

«É relevante notar que enquanto tratava assim, e mal, da saúde dos seus compatriotas, Barack Obama e a sua administração tornavam-se responsáveis por massacres massivos de seres humanos em todo o mundo, que não andarão muito longe de um milhão de vítimas.»

Por isso, antes de nos dedicarmos a Donald Trump – infelizmente razões não faltarão nos tempos que aí vêm – passemos uma sintética vista de olhos sobre o testamento político de Obama, esse sui generis Nobel da Paz, quanto mais não seja como antídoto perante a campanha de mistificação e de polimento dos seus catastróficos mandatos.

É sintomático que venha imediatamente à superfície uma única realização quando pretendem passar-se em revista as supostas preocupações «sociais» da gestão Obama/Hillary Clinton/John Kerry: «Obamacare». Além de não ser, no final, nada daquilo que esteve para ser no início, a suposta reforma do sistema de saúde em benefício dos mais desfavorecidos foi, essencialmente, um bónus para as companhias seguradoras e para o totalitário sistema privado de saúde à custa dos contribuintes – incluindo os mais desfavorecidos – e dos cofres públicos federais.

É relevante notar que enquanto tratava assim, e mal, da saúde dos seus compatriotas, Barack Obama e a sua administração tornavam-se responsáveis por massacres massivos de seres humanos em todo o mundo, que não andarão muito longe de um milhão de vítimas.

Às guerras do Afeganistão e do Iraque – com que não acabou, antes alimentou – somam-se a destruição terrorista da Líbia, a catástrofe humanitária gerada na Síria, a tragédia no Iémen, os golpes e contragolpes no Egipto, as fraudes da suposta guerra contra o terrorismo, incluindo comprovados patrocínios da actividade de grupos de mercenários como a al-Qaida e o Daesh, a realização do golpe fascista na Ucrânia e da sequente guerra civil, o estabelecimento do recorde de execuções extra judiciais através de drones e outros métodos de liquidação.

Sem esquecer o constante apoio à transformação de Israel num Estado confessional e fascista que tornou de facto impraticável a tão falada «solução de dois Estados» na Palestina; ou a manutenção da vergonha torcionária de Guantánamo, enquanto dava passos em direcção a um aparente fim do bloqueio a Cuba – que, afinal, se mantém inquebrável.

A tão recente e celebrada abstenção norte-americana permitindo ao Conselho de Segurança da ONU aprovar uma moção condenando o colonialismo israelita não passa de uma manobra cínica e hipócrita. Se Obama tivesse tomado a mesma atitude há oito anos, talvez ainda houvesse margem de pressão internacional susceptível de forçar o fascismo sionista a corrigir o rumo. Mas Barack Obama, quando teve poder real, alinhou sempre, em última análise, no jogo anexionista de Israel; agora, conhecendo o que vai ser a prática de Trump nessa matéria, o gesto é inconsequente, apenas destinado a entrar na História sem fazer História.

Sob a gestão de Barack Obama, o número de países onde as forças especiais dos Estados Unidos fazem guerra passou de 75 para 135. Há meia dúzia de dias, tanques de última geração, mísseis de cruzeiro de longo alcance preparados para transportar ogivas nucleares e uns milhares de soldados norte-americanos foram instalados em nova base militar na Polónia.

A produção e o tráfico de heroína atingiram novos máximos nos últimos anos, graças às condições extremamente favoráveis criadas no Afeganistão e no Kosovo, territórios onde se vive sob a bandeira tutelar da NATO.

E o insuspeito The New York Times revelou que grupos como a al-Qaida e o Daesh foram financiados em milhares de milhões de dólares pelas petroditaduras do Golfo, fortunas essas canalizadas através de uma rede internacional gerida pela CIA.

Expansão, mentira e terror são pilares de qualquer doutrina económica e financeira fascista; pilares esses em que a administração Obama se apoiou sem reservas. Por isso, é injusto acusar Donald Trump de a eles recorrer como se fossem coisas inerentes a um tipo de gestão pessoal e exclusivo.

Democrata ou republicano, neoliberal ou ultranacionalista, deixemos os rótulos de lado. À primeira vista estamos perante duas abordagens diferentes da gestão presidencial, mas não apostemos em qualquer engano do establishment. Obama e Trump: cada um chegou em seu tempo e em determinadas circunstâncias para defender os mesmos interesses.

Podemos estar, porém, perante a explosão de grandes contradições associáveis a um capitalismo mergulhado numa crise a que nem sequer tem valido a fé inabalável no autocontrolo do mercado e na teoria dos ciclos sucessivos. O neoliberalismo puro e duro, assente na globalização, terá atingido os seus limites? Serão necessárias outras receitas, velhas ou renovadas?

Temos pela frente a procura de respostas e a definição de acções perante um novo cenário – mas que não sejam inconsequentes ou folclóricas. Para trás ficou Obama, no cumprimento da sua missão, tão hipócrita como sinistra e sangrenta, na «defesa da democracia». Não será a truculência de Trump – óbvia mas de consequências imprevisíveis – que fará do antecessor um presidente menos péssimo e nefasto do que foi.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 15:15

Sábado, 06.08.16

Líbia, uma obra-prima da NATO - José Goulão

Este Daesh líbio que agora o Pentágono combate é o mesmo de que a NATO se serviu para silenciar Khaddafi

Este Daesh líbio que agora o Pentágono combate é o mesmo de que a NATO se serviu para silenciar Khaddafi

Foto de Ilustração de Amjad Rasm

 

 

AbrilAbril, 4 de Agosto de 2016

 

   Quem desejar conhecer os exemplos dos resultados mais relevantes da cruzada democratizadora que a NATO desenvolve um pouco por todo o mundo poderá estudar a democracia afegã – e não ficará mal servido. Eleições falsificadas para manter os políticos convenientes nos cargos públicos, uma guerra interminável e cada vez mais privatizada, para gáudio das multinacionais de segurança, mercenários e armamentos, e, acima de tudo, o paraíso monopolista da indústria mundial de heroína, fazendo empalidecer a Colômbia como Meca da coca e derivados, transformando os barões mexicanos da droga em pouco mais que merceeiros.

Ou poderia analisar os case studies da Polónia e da Ucrânia – e outros com inegáveis afinidades; a Polónia sob ocupação militar da própria NATO, tal é a parafernália guerreira ali instalada; a Ucrânia transformada em campo de formação de grupos de assalto nazis e de bandos de mercenários islâmicos treinados por oficiais norte-americanos «na reserva», com o pretexto de que a ameaça putinista não abranda enquanto o mundo não se transformar numa gigantesca Crimeia; e ambos os países demonstrando como a democracia moderna, a favorita da Aliança Atlântica, convive com o fascismo tal e qual Deus e os anjos.

Tratando-se todos eles de casos meritórios, permitam-me, contudo, que escolha a Líbia de hoje como obra-prima da NATO. É que nunca qualquer ideólogo, por mais retorcido e criativo que fosse ou seja, conseguiu imaginar algo tão democrático.

Na Líbia, ao que consta, aviões militares norte-americanos, isto é, da NATO, travam a guerra final contra o Daesh, ou pelo menos para retirar a estes mercenários ambulantes o controlo do Golfo e da costa de Sirte, por acaso – por mero acaso – o maior centro da indústria petrolífera líbia. Na Líbia, pelo menos agora, o Pentágono pode dar largas à sua tão propagandeada batalha «contra o Daesh» sem estar obrigado a conter-se, como acontece por exemplo na Síria. Aqui, tal ofensiva não pode ser plena para não se transformar em «fogo amigo» e vitimar os terroristas «moderados» que lutam ao lado do Daesh e da al-Qaida, ou para não prejudicar o objectivo prioritário de aniquilar o governo da Síria, ou ainda para não aborrecer Israel, que «não quer a derrota do Isis na Síria», segundo o seu chefe da espionagem militar. Este Daesh líbio que agora o Pentágono combate é o mesmo de que a NATO se serviu para silenciar Khaddafi – como os dirigentes de Paris tanto queriam – e no qual a CIA e correlativos recrutaram os chefes para infiltrar o terrorismo islâmico na Síria, por exemplo Abelhakim Belhadj, identificado pela Interpol como «chefe do Estado Islâmico no Magrebe».

Na Líbia, o país maior produtor de terroristas islâmicos per capita, confrontam-se hoje vários governos, numerosas milícias e hordas de mercenários, dezenas de senhores da guerra e respectivos exércitos tribais. Isto é, poucas democracias serão tão ricas, multifacetadas e plurais como a que a NATO criou na Líbia.

Há o governo do Congresso Geral Nacional (CGN) em Trípoli, assente numa coligação islamita «de salvação nacional» que não aceitou os resultados gerais das eleições de 2014, por um lado porque as perdeu; por outro lado, invocando uma razão óbvia: alguém no seu juízo perfeito pode ter como referência eleições feitas numa situação caótica e de terror como a líbia?

«Enfim, cinco anos e mais de duas centenas de milhares de mortos depois, a Líbia tem um "governo unificador" com mandato da ONU em Trípoli (...).»

A coligação islamita assenta na Irmandade Muçulmana, com apoio mais ou menos tácito do Ansar al-Sharia (heterónimo líbio da al-Qaida) e sustentada internacionalmente por reconhecidas democracias como o Qatar, o Sudão, a Turquia de Erdogan e, na sombra, a Arábia Saudita. Esta coligação tem como inimigos jurados o Egipto dos generais e os Emirados Árabes Unidos, que de vez em quando a bombardeiam por motivos também inspirados na transparente democracia que ambos os Estados praticam – de tal modo que os Emirados se transformaram num farol para alguns dirigentes europeus, como o actual primeiro-ministro italiano Matteo Renzi.

O CGN de Trípoli, no entanto, parece já não estar apenas por conta própria e dos países que o apoiam. Testemunhou recentemente o seu apoio ao Governo do Acordo Nacional, uma descoberta da ONU que simula um entendimento entre muitas facções para a formação de um «governo unido» em Trípoli. Neste momento, portanto, a diplomacia da ONU e o «islamismo» moderado flirtando com a al-Qaida e apoiado pelo democrata Erdogan fingem que existe uma rota de unificação na Líbia que todos percorrem.

Porém, na Cirenaica, em Tobruk, existe o governo do «Conselho dos Deputados». Junta forças vitoriosas das eleições de 2014, usufrui, em princípio, do reconhecimento internacional e beneficia dos apoios do Egipto, dos Emirados Árabes Unidos e dos serviços secretos de grandes potências da NATO como a França, o Reino Unido e os Estados Unidos. A morte de três espiões franceses na Líbia, em 17 de Julho, escancarou o tipo de envolvimento da espionagem internacional no apoio a esta facção. Como se percebe, nem todas as aventuras dos expeditos agentes secretos acabam em glória como as do James Bond.

A par do «Conselho de Deputados» em Tobruk existe uma espécie de exército regular líbio, também reconhecido internacionalmente, comandado pelo general Khalifa Haftar, um antigo dissidente da estrutura dirigente de Khaddafi. Nesse cenário emerge agora a figura de Saif Islami, o filho sobrevivente de Khaddafi, recentemente libertado da prisão e que vai mobilizando mais apoios políticos do que seria de supor.

Enfim, cinco anos e mais de duas centenas de milhares de mortos depois, a Líbia tem um «governo unificador» com mandato da ONU em Trípoli, ao qual se associou a coligação islamita «moderada», discretamente apoiada pela al-Qaida, Qatar, Arábia Saudita e por um membro da NATO como a Turquia; caças norte-americanos, logo da NATO, usam o espaço aéreo do país como coisa sua para combaterem um grupo terrorista que vão poupando noutros lados, por exemplo na Síria; entretanto, o governo reconhecido internacionalmente, que não é o da ONU, continua instalado em Tobruk com o apoio exposto do Egipto e dos Emirados Árabes Unidos e encoberto dos serviços secretos das principais potências da NATO – Estados Unidos, França e Reino Unido. A alegada legitimidade eleitoral e o apoio da ONU estão em campos opostos enquanto os membros da NATO distribuem o seu apoio por várias facções, incluindo a do filho do dirigente que derrubaram e silenciaram.

A democracia da NATO brilha na Líbia em todo o seu esplendor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 17.11.15

Perfil dum terrorista dos nossos dias - José Goulão

mundo_cao1.jpg

 

José Goulão  Perfil dum terrorista dos nossos dias

 

terroristas dos nossos dias.jpg

 

 

Recebendo homenagens do senador McCain, dos amigos americanos

 

Mundo Cão, 17 de Novembro de 2015

 

   As informações estão em poder da Interpol. Deitar-lhe a mão nestes tempos em que as leis e as fronteiras não são problema para assaltos a vidas, soberanias e privacidades, seria apenas uma questão de, digamos, “vontade política”, não é assim que costuma invocar-se? O seu paradeiro não é certamente segredo para a miríade de serviços secretos que apregoam defender “o nosso modo de vida”: é a Líbia, depois de tão bem democratizada pela NATO, onde ele exerce altos cargos políticos e operacionais no governo dominante, o mesmo que invoca para si próprio “o islamismo puro”.

Nome: Abdelhakim Belhadj. A história da sua vida dava um filme daqueles bem a gosto de Holywood, tanto mais que o seu currículo – em poder da Interpol, repito – corresponde às imagens dos rambos de séries A, B ou C cujos feitos heróicos coincidem com as vontades objectivas dos Estados Unidos e de Israel, países onde os fins e os agentes escolhidos para os executar justificam quaisquer meios e o recurso a psicopatas sanguinários.

Sabe a Interpol que Abdelhakim Belhadj é, no presente, o chefe do Estado Islâmico, ou ISIS ou Daesh, no Magrebe e que, operacionalmente, criou e orienta campos de treino de mercenários assassinos na Líbia, concretamente em Derna, Syrte e Sebrata, além de um escritório do ISIS em Djerba, na Tunísia.

Antes disto, Belhadj chefiou os terroristas do Grupo Islâmico Combatente na Líbia (GICL), que em 2007 mudou de nome para Al-Qaida, mais sintonizado com os tempos. Por quatro vezes, entre 1995 e 1998, tentou assassinar Khadaffi a mando do MI6, os serviços secretos ao serviço do terrorismo de Estado britânico. Perseguido na Líbia mudou-se para o Afeganistão, onde se instalou e agiu ao lado de Ussama bin-Laden, o qual dispensa apresentações.

Como a polícia espanhola suspeita de que foi um dos mandantes do atentado ferroviário em Madrid Atocha, em Março de 2004, foi detido logo a seguir na Malásia. Como se percebe, não terá sido difícil identificá-lo e prendê-lo, porque meia dúzia de dias e milhares de quilómetros mediaram entre crime e captura. Passou então maus bocados numa prisão secreta da CIA para onde foi transferido e onde ficou alojado para experimentar as famosas técnicas de tortura – “condicionamento de comportamento”, chamam-lhe nos Estados Unidos – do professor Seligman, métodos de cujas provas a CIA tentou desesperadamente impedir a divulgação.

Abdelhakim Belhadj restabeleceu-se depressa: para ele não se seguiram penas eternas no campo de concentração de Guantanamo, também ele eterno se a este Obama se sucederem outros obamas, coisa mais do que provável. É verdade que ainda foi extraditado para a Líbia, através de um acordo entre os Estados Unidos e o regime de Khadaffi, onde voltou a ser torturado, dessa feita às mãos do MI6 que antes servira. Nestas coisas, a CIA e a sua irmã MI6 são muito ciosas, separam as águas, cada uma quer fazer a sua tarefa ainda que repetindo-se.

Khadaffi libertou-o em 2010, no quadro de uma “reconciliação nacional”, e mal teve tempo para se arrepender. Abdelhakim Belhadj viajou para o Qatar e no ano seguinte estava à frente de grupos de mercenários que, ao lado e protegidos pelos bombardeamentos da NATO – França e Reino Unido, principalmente – derrubaram e assassinaram Khadaffi. Como recompensa pelos serviços prestados, e por recomendação na NATO, o Conselho de Transição nomeou-o governador militar de Tripoli, a capital.

Belhadj não aqueceu o lugar. Ainda teve tempo, porém, para exigir e obter desculpas dos Estados Unidos e do Reino Unido pelas sevícias sofridas noutros tempos, e o que lá ia lá foi. Outras tarefas estratégicas o aguardavam. Partiu em finais de 2011 para a Síria, onde foi um dos principais fundadores do Exército Livre da Síria, os famosos “moderados” tão queridos da senhora Clinton, da NATO, da União Europeia - com destaque para a França - e dos regimes fundamentalistas do Golfo, Arábia Saudita à cabeça. O objectivo era derrubar Assad, mas Assad resiste e já lá vão mais de 250 mil mortos, milhões de refugiados e um país destroçado, massacre cujas responsabilidades nenhum intervencionista ilegal e ilegítimo assume.

Sempre sem perder tempo, Abdelhakim Belhadj regressou à Líbia natal, onde fundou um partido governante, a maneira que encontrou, num cenário de caos, para instalar os terroristas islâmicos no poder em Tripoli.

Na qualidade de figura de proa na Líbia, provavelmente já na posição de chefe do Estado Islâmico no Magrebe, que a Interpol reconhece, Abdelhakim Belhadj foi recebido em 2 de Maio de 2014 no Ministério dos Negócios Estrangeiros em Paris, tutelado por Laurent Fabius, ministro de Hollande e também um incondicional amigo de Israel.

Laurent Fabius, exactamente: que é ainda o ministro dos Negócios Estrangeiros de Hollande nestes dias em que continuam a sangrar as feridas abertas pelo assalto às vidas dos parisienses, ao que dizem cometido pela organização de que Abdelhakim Belhadj é um dos chefes máximos.

As informações sobre este terrorista-modelo dos nossos dias e o seu currículo estão nas mãos da Interpol. “Estamos em guerra”, proclama o presidente Hollande com os acenos concordantes do chefe da sua diplomacia. Vamos então esperar pelo que se segue, para ver o que acontece.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 15:00

Quarta-feira, 21.10.15

Gangsters - José Goulão

mundo_cao1.jpg

 

José Goulão  Gangsters

 

bush e blair.jpg

 

 

Mundo Cão, 20 de Outubro de 2015

 

   No meio de documentos que a Srª Hillary Clinton foi obrigada a entregar à justiça norte-americana no quadro das investigações de que está a ser alvo, por causa do desempenho como secretária de Estado de Obama, estão papéis arrepiantes. Como este: um “memorando secreto” enviado em Março de 2002 pelo então secretário de Estado, Collin Powell, ao seu presidente, George W. Bush, assegura que a realização de uma guerra contra o Iraque teria sempre o apoio do primeiro-ministro britânico, ao tempo Tony Blair. “O Reino Unido seguirá a nossa liderança”, escreveu Powell, garantindo assim a Bush que poderia começar a preparar a guerra ao receber Blair no seu rancho de Crowford, o que aconteceu em finais desse mesmo mês de Março.

Esta informação, que corre agora tranquilamente pelas agências noticiosas internacionais, tem o conteúdo de uma bomba, mas não é como uma bomba que explode aos ouvidos e olhos dos cidadãos mundiais, duvida-se até que chegue ao conhecimento da maioria deles.

O memorando de Powell revela que um ano antes de a invasão do Iraque se ter iniciado os Estados Unidos e o Reino Unido já tinham decidido que a fariam. Prova-se assim que as sanções contra o povo do Iraque, os arremedos de negociações e as célebres provas sobre a existência de armas de destruição massiva em território iraquiano – que o mesmo Powell se encarregou de fabricar e levar à ONU – foram manobras e mistificações para servirem de pretexto a uma decisão já tomada. A reunião das Lajes, que o governo barrosista de Portugal se dispôs a acolher, adquire, a esta luz, contornos ainda mais vergonhosos para a diplomacia portuguesa e europeia, porque se fez para fingir ao mundo que ia tomar-se uma decisão já tomada. Um faz-de-conta que, daí a dias, proporcionou o início de uma chacina de milhões de seres humanos, ainda longe de estar concluída.

Nesse mês de Março de 2002 já as tropas da NATO se atolavam no conflito do Afeganistão para supostamente combater os talibãs, que por sua vez acolhiam o terrorista Bin Laden, um criminoso criado pelos serviços secretos dos Estados Unidos e que este mesmo país identifica como responsável pelo 11 de Setembro de 2001. Ao virar a mira contra o Iraque, os gangsters de Washington – versão engravatada dos pistoleiros do velho Oeste para consumo do novo Oeste – chegaram a acusar Saddam Hussein de ser cúmplice de Bin Laden e respectiva Al-Qaida, quando os dois eram inimigos fidagais, como não demorou muito a provar-se. Mal os Estados Unidos e os seus mais sonantes aliados da NATO tomaram Bagdade e enforcaram Saddam, o território iraquiano tornou-se base de uma miríade de grupos terroristas na qual não apenas medraram muitas variantes da Al-Qaida como nasceu o famigerado Estado Islâmico.

Documentos como este “memorando secreto” de Collin Powell ajudam a perceber como se promovem as guerras de hoje. Para lançar as da Líbia e da Síria nem terá sido necessário um qualquer escrito de um qualquer secretário de Estado: a porta da mentira estava escancarada.

O Médio Oriente, que já era um barril de pólvora nesse mês de Março de 2002, degenerou num foco de instabilidade militar no meio do qual é fácil detectar rastilhos mais do que suficientes para uma guerra global. Os responsáveis são conhecidos e deveriam estar a contas com tribunais que punem crimes contra a humanidade. Porém, George W. Bush e Collin Powell vivem reformas douradas; de Barroso conhecemos o rasto, desde as malfeitorias à cabeça da Comissão Europeia até ao Grupo de Bilderberg, areópago da conspiração imperial, onde ganhou assento permanente.

E Blair? Treze anos depois te ter comunicado que “seguiria o líder” na devastação do Médio Oriente é o chefe do Quarteto para o mesmo Médio Oriente, entidade burlesca que, fiel aos interesses israelitas e aglutinando os Estados Unidos, a União Europeia, a ONU e a Rússia, finge que a chamada comunidade internacional continua à procura de uma solução para o conflito israelo-palestiniano.

Não só por causa dessa burla, mas também, assiste-se à situação cínica e revoltante de ver a bandeira da Palestina ondular nos mastros da sede da ONU numa altura em que o povo palestiniano está cada vez mais distante do seu Estado independente e viável.

Somos governados por gangsters e mentirosos.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 08.09.15

As lágrimas de crocodilo - Clara Ferreira Alves

o balanço das folhas1.jpg

 

Clara Ferreira Alves  As lágrimas de crocodilo

 

clara ferreira alves.jpg

 

 

Expresso, 5 de Setembro de 2015

 

   Os migrantes que agora nos comovem em Budapeste são os que tiveram sorte, dinheiro e iniciativa para chegar aqui. Para trás ficaram os condenados à morte

E de repente toda a gente se comove. Em quatro anos de guerra, o sofrimento e as mortes na Síria, e no Iraque, não comoveram muitos jornalistas ou espectadores sentados por essa Europa fora. No último inverno, vi crianças ranhosas e friorentas, pés roxos e nus nas neves do Monte Líbano. Vi mulheres sírias e órfãos a prostituírem-se nas ruas de Beirute, vi a superpopulação dos campos de refugiados palestinianos, incapazes de acolherem mais um ser humano por falta de espaço. E vimos as imagens dos corpos despedaçados por barrel bombs, as fomes de Yarmouk, os ataques químicos. Não foi por falta de filmes online, colocados por combatentes, resistentes e sitiados sírios, que deixámos de ver no que a Síria se tornou. Ou o Iraque, onde todos os dias há mortos. O ISIS mobiliza-nos as atenções com a barbaridade do dia, que usa como instrumento de terror e propaganda, e cobre com esta cortina negra o resto do Médio Oriente. O Iraque está a desfazer-se. A Síria já se desfez. O Líbano está por um fio. A Jordânia aguenta-se com esforço. O Egito é um Estado falhado. E a Turquia aproveita para destruir os curdos. Em todos estes conflitos, para não falar do desastre da intervenção na Líbia ou no Iémen, a Europa comportou-se de um modo egoísta e indiferente. Pagou resgates e deixou aos americanos a tarefa de limpar os estábulos de Aúgias. Na verdade, se a invasão do Iraque em 2003 foi um trabalho americano, a Europa foi o parceiro da coligação. Sobretudo o entusiástico Tony Blair, originário de um país que recusa receber mais migrantes, refugiados ou todos os nomes que se vão inventar para os milhões de apátridas e desgraçados que trepam as muralhas e se rasgam nos arames farpados. O horror sírio, ou iraquiano, não motivou uma negociação de fundo, uma cimeira capital, uma mesa-redonda, um diálogo, um princípio. Os americanos decidiram bombardear o ISIS, a Europa não decidiu nada para variar.

De repente, a Alemanha é a campeã dos migrantes e refugiados. O cinismo pessimista tende a ver nestes pronunciamentos mais propaganda do que pragmatismo. A Alemanha sabe que a crise grega a fez ficar mal aos olhos do mundo e tem a oportunidade histórica, a sra. Merkel tem-na, de se reabilitar. E de forçar o resto dos europeus. A Alemanha tem a única liderança forte numa Europa fraca e tem a capacidade industrial para absorver mão de obra barata porque ainda precisa dela.

Há anos que criámos os novos campos de concentração, onde concentrámos os africanos, que vieram antes dos sírios e afegãos e iraquianos, e ninguém se comoveu. Os cadáveres nas praias de Tarifa, os condenados a morrer no deserto, recambiados, não provocaram uma lágrima. A crise destas migrações existe há anos e é preciso perceber que os migrantes que agora nos comovem em Budapeste são os que tiveram sorte, dinheiro e iniciativa para chegarem aqui. Para trás ficaram os condenados à morte, as vítimas de conflitos que ajudámos a provocar e das “primaveras” árabes que o jornalismo e as correntes sociais promoveram com sentimento. Ninguém se lembra de perguntar aos países ricos do Golfo, irmãos da mesma fé, quantos refugiados sírios receberam. O Qatar? Zero. Os Emirados, sobretudo os ricos Dubai e Abu Dhabi? Zero. A Arábia Saudita? Zero. O Kuwait? O Bahrain? Omã? Zero. E são estes sunitas que atiçam a guerra perante a nossa apatia. E por que razão a Europa e os Estados Unidos não os pressionam sabendo que manipulam a guerra para hegemonias e demonstrações regionais de força? Duas respostas. Venda de armas, um dos grandes negócios ocultos da recomposição dos mapas, e um negócio onde os estados legítimos, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia, Alemanha, etc., têm fontes prodigiosas de financiamento. A Alemanha e os Estados Unidos bateram recordes de venda de armas no Golfo em 2014. E petróleo, a moeda de troca e o pão nosso de cada dia. Um dia, os drones que o Ocidente vende serão uma arma terrorista.

A situação do Médio Oriente é hoje a mais explosiva e volátil e com mais repercussões de sempre. Composta pela nova guerra fria com a Rússia de Putin. Os imparáveis fluxos migratórios vão forçar e reforçar partidos de extrema-direita, acender racismos, distorcer demografias, criar máfias, alimentar o extremismo e terrorismo islâmicos e as suas subculturas identitárias e criminais, mudar o mapa político da Europa e o espaço Schengen. Não vão apenas criar riqueza e contribuir para a economia europeia, como dizem os académicos. Uma integração séria custará biliões. É, de longe, o problema mais grave da Europa, acumulado com a anemia económica e com a condenação da população jovem a migrar dos países europeus em austeridade. Bater no coração e proclamar o amor ao próximo nada resolve na frente da batalha. É a retaguarda imoral da piedade virtual.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Quarta-feira, 02.09.15

Introdução à Teoria do Caos- José Goulão

mundo_cao1.jpg

 

José Goulão  Introdução à Teoria do Caos

 

josé goulão.jpg

 

 

Mundo Cão, 1 de Setembro de 2015

 

   É provável que nenhum dirigente da União Europeia ou de Estados membros tenha alguma vez ouvido falar da “teoria do caos”, lançada e burilada no pós-guerra pelo filósofo Leo Strauss, da elite política judia e do establishment dos Estados Unidos, continuada até hoje pelos seus discípulos - e financiada pelo Pentágono. Raros são também os jornalistas que a integram nas suas investigações e análises, sujeitando-se a ser imediatamente rotulados como seguidores lunáticos das chamadas teorias da conspiração.

Em poucas palavras, a “teoria do caos” de Strauss estabelece que a melhor maneira de os Estados Unidos da América impedirem a criação de países ou blocos rivais e beneficiarem de matérias primas baratas e com acesso desregulado é através da instauração de situações de caos governamental e social em diferentes países e regiões, de maneira a que Washington delas possa tirar proveito praticamente exclusivo. Para Leo Strauss, a criação de situações de caos favoráveis aos Estados Unidos deveria ser um fim, nunca um meio.

A “teoria do caos” de Strauss teve desenvolvimentos no início dos anos noventa do século passado, quando Washington tratou de fazer vingar a unipolaridade disfarçada de multipolaridade a seguir ao desmembramento da União Soviética. Por iniciativa de George Bush pai nasceu então a “teoria Wolfowitz”, que deve o nome a Paul Volfowitz, discípulo de Strauss, igualmente membro da elite judia norte-americana, arquitecto da política externa de George Bush filho e da invasão do Iraque. Também foi presidente do Banco Mundial. Regressou à sombra depois de conhecidos os escândalos através dos quais rateava cargos públicos entre os amigos neoconservadores, familiares e namoradas.

Em poucas palavras, a “teoria Wolfowitz – ainda secreta mas parcialmente revelada pelo New York Times e pelo Washington Post em Março de 1992 – estabelece que a supremacia global norte-americana exige o controlo militar, político e económico sobre a União Europeia, para que esta não se torne uma potência capaz de rivalizar com os Estados Unidos. Aliada sim, mas nunca em plano igualitário.

Suponhamos então que a teoria de Strauss e a sua sucessora delineada por Wolfowitz não passam de delirantes teorias da conspiração. Suponhamos até que o seu gestor financiado pelo Pentágono, Andy Marshall, não se reformou apenas no ano passado, já com 92 anos, e nunca existiu. Nem foi nomeado em 1973 – sucedendo a Leo Strauss, por morte deste – por Richard Nixon e confirmado por todos os presidentes até Obama.

Ignoremos então esses supostos delírios e olhemos para a Europa, em especial para a União Europeia e respectivo percurso desde o início dos anos noventa do século passado. Reflictamos sobre as consequências do mergulho suicida no neoliberalismo, da submissão à NATO como braço operacional do Pentágono, do envolvimento em guerras desencadeadas pelos Estados Unidos, desde o Afeganistão à Síria e à Líbia, onde aliás as principais aventuras militares foram confiadas à França de Sarkozy/Hollande e ao Reino Unido de Cameron. Observemos o que está a acontecer na Europa, sobretudo na União Europeia, com a tragédia dos refugiados resultante dessas guerras.

Não será disparatado concluir que a hecatombe humanitária, política e económica dos refugiados resulta das situações de caos criadas no Afeganistão, no Iraque, na Somália, na Líbia, no Mali, na Nigéria, na Síria, no Iémen. Antes destas guerras com a marca do Pentágono, arrastando os mais importantes países da NATO em condições de subalternidade, o problema dos refugiados na Europa não atingira nunca uma dimensão sequer próxima da que agora se regista.

A Europa está há longos anos mergulhada numa crise disparada a partir dos Estados Unidos e que se alimenta a si mesma pelos erros sucessivos cometidos pela União Europeia ao pretender ser um espelho do modelo do lado de lá do Atlântico, mas sem voz própria militar e económica. Crise essa que se agrava através da submissão reforçada com o acordo de comércio livre (TTIP) e, sobretudo, com o problema dos refugiados decorrente das situações de caos que estão para lavar e durar nas zonas e países atrás citados. A gravidade da crise dos refugiados é o veículo que transporta o caos para o interior das fronteiras europeias, potenciado de maneira desagregadora pelo recrudescimento do terrorismo nazi-fascista.

A “teoria do caos” será uma miragem, mas o caos real vai provocando os efeitos desejados pelo complexo militar, político, económico e financeiro que domina o mundo sob as bandeiras dos Estados Unidos e da NATO.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 31.08.15

"Observando la foto de decenas de náufragos libios ..." - Carlos Di Palma

o balanço das folhas2.jpg

 

Carlos Di Palma  "Observando la foto de decenas de náufragos libios ..."

(o autor é uruguaio, licenciado em História e vive em Granada)

 

 

náufragos1.jpg

 

 

 

   Observando la foto de decenas de náufragos libios flotando en el mar a punto de morir ahogados que ha publicado el diario El País de España, yo, Carlos Di Palma, asumo mi condición de profesor de Historia, para decir avergonzado que nuestra “civilización”, “cultura” o como quiera definirse, Occidental y Cristiana, pasará a la historia como la más cruel, sanguinaria y terrorista que jamás haya conocido la Humanidad. Eso será lo que enseñen mis colegas en sus clases dentro de unos cien, o a lo sumo 200 años en sus clases (si antes no nos cargamos el Mundo entero) No conozco culturas ,o imperios que hayan sobrevivido más de 2.000 años. Nosotros estamos en ese límite. Empezamos a molestar y matar a esta pobre gente ya en tiempos de las Cruzadas. No queríamos solo matar a los infieles, sino lo que buscábamos era robarles sus riquezas. Hubo pueblos como los chinos que hicieron murallas para no ser invadidos, pero nosotros teníamos el espíritu de invadir y saltar esas murallas .Los pueblos que construyen muros o murallas para separarse de otros pueblos son siempre necios, o simplemente no han aprendido nada de la Historia. Mandamos a gente como Marco Polo que era nada más que un espía para informar que había de robable en tan lejanas tierras. Lo mismo hicieron los exploradores ingleses en la India y en el África. Luego de sus informes, venían los ejércitos.

A principios del siglo XX se despertó la necesidad del petróleo, y ahí fuimos a robar el oro negro. Casta que se doblegaba, le perdonamos la vida y la llenamos de lujo como Arabia Saudí, y los que se rebelaron fueron exterminados. Últimamente hemos visto como hemos destruido sociedades como la afgana, la iraquí, la libia etc, etc, etc. Nos mostraban los noticieros a la hora de la cena como nuestra maravillosa tecnología bélica podía hacer volar una aldea, un barrio entero colocando una cámara de TV en la punta del misil, destruyendo familias enteras, rebaños, cultivos considerándolos simplemente “daños colaterales” Ahora tenemos los Drones, que matan por control remoto… ¿es esto terrorismo? No sé ustedes, pero a mí me produce mucho terror. No recordemos las bombas atómicas sobre Japón , ni las de napalm sobre Viet-Nam. Ellos no tienen “drones”, pero la desesperación los lleva a un arma aún más terrible y precisa: los “drones humanos”. Hemos destruido Libia que era un país estable y próspero. Era necesario eliminar al dictador Kadafi para “regalarles “ la democracia. Francia formó parte de la coalición y luego firmó contratos petroleros con las nuevas “autoridades” quedándose con el 40% de la producción. Pues que ahora el país de la “libertad, igualdad y fraternidad” se haga cargo del 40% de los refugiados. Una importante funcionaria de la ONU ha propuesto bombardear los puertos de salida de estas embarcaciones precarias, y da igual si los barcos están vacíos o llenos de gente. Los refugiados, los desplazados, los desesperados se están agolpando en nuestras fronteras. Será imposible frenarlos porque le hemos destruido todo y solo les queda lanzarse al mar. Estamos pagando las consecuencias de los estragos que hemos cometido para lograr “espacio vital”. Nuestra civilización es un barco que se hunde… pronto estaremos como estos desgraciados de la fotografía de la vergüenza.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 16.02.15

Danos colaterais - José Goulão

o balanço das folhas2.jpg

 

José Goulão  Danos colaterais

 

josé goulão.jpg

 

 

 

   A imprensa norte-americana e as suas filiais europeias descobriram nas últimas horas uma coisa inquietante: O ISIS, ou Estado Islâmico, ou que lhe queiram chamar, chamem-lhe Al-Qaida, por exemplo, está a avançar na Líbia.
Na Líbia? Leram bem… Na Líbia?
Será que a Líbia ainda existe?
Se existe, quem governa o país? Onde está o governo? Quem manda?
Estas seriamas perguntas que a imprensa norte-americana e as suas filiais europeias deveriam fazer a si mesmas, investigar e encontrar respostas para informar os seus leitores, ouvintes ou telespectadores. Pois é, mas isso dói, não que custe dinheiro porque para a imprensa norte-americana e as suas filiais europeias o dinheiro não é nem nunca será problema. O problema é, adivinhem, medo. Medo naturalíssimo, compreensível, respeitável. Porque procurar conhecer a verdade da situação naquilo a que por hábito ou comodidade ainda chamam Líbia é perigoso, mortal.
Não deveriam pois a imprensa norte-americana e as suas filiais europeias falar de coisas que não podem ou não querem explicar quando ao certo, ao certo mesmo, só têm resposta para duas únicas perguntas:
Quem deixou o que resta da Líbia no estado em que está?
Quem goza do regabofe em que se transformou o comércio petrolífero do território outrora designado Líbia?
Acredito que a imprensa norte-americana e as suas filiais europeias sejam capazes de responder facilmente a estas perguntas. Porém, não as fazem nem respondem, lá sabem porquê.
Porque quanto ao resto, o ISIS, ou Daesh, ou Estado Islâmico, ou Al-Qaida estar a aumentar a sua influência na Líbia, não é notícia. Sempre lá esteve, criou um primeiro “califado” em Derna, na Cirenaica, quando começou a “primavera árabe” Benghazi, em 2011. A caminhada dos seus “combatentes da liberdade”, tornada possível a coberto dos bombardeamentos da NATO contra civis, escolas, instalações sociais e culturais, para conquistar Tripoli, ali instaurar o “poder democrático” e assassinar Khaddafi foi acompanhada com trombetas triunfais pela imprensa norte-americana e as suas filiais europeias. Em vez do “poder democrático” ficou um país em cacos, mas isso agora não interessa nada.
É verdade, o ISIS sempre lá esteve, até na luta clandestina contra Khaddaffi. Pode ter-se chamado outras coisas, tal como na Síria, mas foi, é e será o mesmo ISIS, a fachada de radicalismo islâmico que desde Bin Laden e a Al-Qaida, já lá vão 40 anos, tem servido aos pescadores de águas turvas, incluindo governos que se têm a si mesmos em conta de honestos, democráticos e civilizados, para atingirem objectivos multifacetados que tanto podem ser a instauração de regimes económicos neoliberais puros e duros, o contrabando de riquezas energéticas e minerais, o roubo de preciosidades históricas e artísticas que deveriam ser património da humanidade, o redesenho de mapas regionais, o tráfico de armas e estupefacientes. Enfim, em última análise, o ISIS e as suas mil e uma caras mafiosas servem para manter um estado de guerra permanente de que tão bem sabem alimentar-se a imprensa norte-americana, as suas filiais europeias e os senhores da guerra, alguns dos quais são seus patrões. O resto, como o avanço do ISIS pelo que resta da Líbia não é notícia, são danos colaterais.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 16:00



Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Bravo, plenamente de acordo!

  • Anónimo

    Eu agradeco-lhe a ideia de transcrever aqui este b...

  • Anónimo

    Obrigada pelo teu cometário, Eva. Estava a prepara...

  • Anónimo

    Esqueci-me de assinar.Eva Cruz

  • Anónimo

    É muito importante a tua reacção, também ela legit...


Links

Artes, Letras e Ciências

Culinária

Editoras

Filmes

Jornais e Revistas

Política e Sociedade

Revistas e suplementos literários e científicos