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Jardim das Delícias


Quarta-feira, 28.10.15

"Cai a chuva no portal" - Lídia Jorge

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Lídia Jorge  "Cai a chuva no portal"

 

edvard munch1.jpg

 

(Edvard Munch)

 

 

Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa cortina
Não a corras, não a rasgues, está caindo
Fina chuva no portal da nossa vida.
Gotas caem separando-nos do mundo
Para vivermos em paz a nossa vida.

Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa toalha
Ela nos cobre, não a rasgues, está caindo
Chuva fina no portal da nossa casa.
Por um dia todos longe e nós dormindo
Lado a lado, como páginas dum livro.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Sábado, 25.04.15

"O dia dos prodígios" - Lídia Jorge

25abril.jpg

 

Lídia Jorge  "O dia dos prodígios"

 

 

25 abril9.jpg

 (Foto de Alfredo Cunha)

 

(...)

   Maria Rebôla parou no postigo da porta. Ofegante como uma posta.

— O que faz vossemecê nessa triste posição? No dia em que se acaba de saber que soldados e grandes chefes fizeram uma revolta?

E como José Jorge Júnior se erguesse sobre os joe­lhos.

— Não sabe ainda que em Lisboa os soldados fi­zeram uma revolução para melhorarem a vida de toda aquela gente? Uma re vo lu ção? Um grande golpe?

E que todos os sinais do céu agora têm sentido?

-—   Um golpe? Perguntou José Jorge Júnior. No go­verno de Lisboa? Duvidoso pela sua mouquidade. Escarranchado sobre os joelhos das suas pernas. Os soldados. Deve haver muito sangue nas valetes des­sa terra, a esta hora, oh Maria. Deve haver. Gente morta por toda a parte. Ai deles se se levanta a pes­te com este sol da primavera. E cinco vezes abriu as mãos disposto a levantar-se. Quem matou quem?

— Olhe, tio José Jorge. Se alguém matou alguém deus ressuscitou a todos, porque estão a dizer que não houve nenhuma baixa. E as maravilhas nessa terra são tantas que dizem. Afirmam a pés juntos. Que só há música, flores e abraços. Dizem. Que de repente os ausentes estão a chegar. Os cegos vêem sem óculos nem outro aparelho. Os coxos deixaram de dar saltinhos, ficando as pernas da mesma altu­ra. Mesmo os manetas tocam violino. De repente. To cam vi o li no. Tio José Jorge. Mas agora não faça mais perguntas que todas são a mais. É tudo o que sei, isto que acabo de contar.

Por isso arrancou do chão dois baldes de água cinzenta, e abalou com pressa. Redonda de talho, avental debaixo do braço. No portal calcou os sapatos, pendurando tudo o que era bocha e mama disse.

— E agora vou-me embora, porque só isto é sabido. E em­bora todos falem da mesma coisa, ninguém se atreve a in­ventar uma parcela que seja, por respeito ao fundamento da verdade. Da pura verdade.

José Jorge Júnior sentou-se à porta sobre uma cadeira de tabua. Fundo côncavo. E com o assento aí enterrado foi abalado por um remoçamento a partir dos pés. Esperancinha, tira o lenço que vou falar contigo. E ele mesmo lho ar­redou da cara. Houve em Lisboa um grande golpe de es ta do. Quem lá vai, ou está, fica pasmado de tanta ousadia e decisão. Pas ma do. Um alvoroço muito intenso e inquieto lhe encheu o espírito. Se procurasse um pauzinho para a mão esquerda, ajudado pelo bordão da direita, encostando o ombro pelos muros e valados, chegaria rápido. Quando ouvisse mais gente falar e correr como Maria Rebôla.

(...)

(in O Dia dos Prodígios, Dom Quixote)

 

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por Augusta Clara às 16:00

Terça-feira, 30.04.13

Lídia Jorge galardoada como Escritora Galega Universal

A Associação de Escritoras e Escritores em Língua Galega (AELG) entrega no dia 4 de Maio, durante a XIV edição dos prémios  AELG, o galardão de Escritora Galega Universal à escritora Lídia Jorge.
.

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por Augusta Clara às 20:00



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