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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.

Alfredo Barroso Seita reaccionária de 'comentadeiros' lusitanos contra Lula

A indignidade dos "comentadeiros" reaccionários - que pululam como cogumelos venenosos nas páginas dos jornais e nos canais de TV portugueses - vai ao ponto de comparar Lula da Silva, o ex-presidente do Brasil que se tornou preso político, com o insensato, desbocado e colérico Bruno de Carvalho, futuro ex-presidente do Sporting. O que é o mesmo que, por exemplo, comparar o colunista do "New York Times" e Prémio Nobel da Economia, Paul Krugman, com o simploriamente reaccionário e sectário "comentadeiro" de última página do "Público", João Miguel Tavares, que se tornou famoso por ter insultado José Sócrates e por isso ter sido levado a julgamento e absolvido.
O que custa a esta "seita" reaccionária, que abunda nos órgãos de Informação lusitanos, é saber que Lula da Silva foi julgado e condenado sem provas, apenas pela "convicção" individual e colectiva dos juízes que quiseram, à viva força, enfiá-lo numa prisão para o afastar da possibilidade de se recandidatar ao cargo de Presidente do Brasil, quando todas as sondagens prevêem que ele seria o vencedor, com larguíssima vantagem sobre o seu mais directo rival, o fascista Jair Bolsonaro...
Claro que a "seita" reaccionária lusitana ainda não chegou ao ponto de fazer como aqueles controladores de voo militares que aconselharam o piloto do helicóptero que transportou Lula para a prisão de Curitiba a "lançá-lo dele abaixo" durante o vôo! Mas talvez não estejam muito longe de desejar a sua morte,,,
São já legião os juristas, não só brasileiros mas também dos quatro cantos do mundo, escandalizados com a condenação, sem provas, e apenas por mera convicção política, de Lula da Silva. O que a mim me faz lembrar aquela anedota do marido que bate sistematicamente na mulher sem qualquer motivo concreto, e que responde a quem lhe pergunta, então, qual é a razão: «Eu não sei, mas ela sabe com certeza!»...
Também custa muito à "seita" reaccionária lusitana ser lembrada do golpe montado por um "exército" de políticos corruptos da direita brasileira decididos a destituir Dilma Rousseff do cargo de Presidente do Brasil sem que a menor suspeita de corrupção incidisse sobre ela, apenas agarrados a um pretexto meramente formal que poderia servir para destituir todos os PR's e chefes de Governo do mundo. Se não houve "conspirata", e das mais vergonhosas, vou ali e já venho. E o que dizer da autêntica "múmia paralítica" que dá pelo nome de Michel Temer, acusado de corrupção em vários processos e um "fantoche" politicamente incompetente que traíu Dilma Rousseff para a substituir?!
Campo d' Ourique, 10 de Abril de 2018"
Brasil247.com, 20 de Março de 2016
Muitos alegam certeza de que Lula será preso na semana que entra. Teorias conspiratórias afirmam ser uma “farsa” o “sorteio” no STF que colocou nas mãos de Gilmar Mendes processo pedindo cassação da posse de Lula como ministro e o envio de seu processo para o juiz Sergio Moro.
Funcionaria assim: na semana que entra, o STF não irá se reunir por ser “semana santa” – sim, a Constituição diz que o Estado brasileiro seria “laico”.
Como na sexta-feira passada Gilmar Mendes concedeu liminar cassando a posse de Lula e mantendo o processo dele com Moro, este pode determinar a prisão do ex-presidente e só na semana seguinte o plenário do STF analisaria o caso.
Com Lula preso, seria muito difícil o STF suspender a prisão dele, oriunda da decisão de Mendes.
Sim, o plano pode funcionar. Uma chicana jurídica pode encarcerar o ex-presidente da República nos próximos. Não se saberá direito por que Lula está sendo preso. Alegarão que ele tenta atrapalhar as investigações contra si, por certo. Essa tem sido a desculpa para a Lava Jato manter pessoas presas sem provas e sem julgamento.
Para o Brasil, a possível prisão de Lula é uma das maiores tragédias de sua história. Ele foi o único presidente que reduziu a pobreza e a desigualdade de forma consistente e rápida. Colocou negros nas universidades, criou uma classe média emergente da pobreza.
A elite começou a ter que compartilhar espaços com gente desdentada e usando chinelo de dedo. Negros começaram a “se achar”, querendo “até” o impensável: “fazer faculdade”.
A manifestação da última sexta-feira na avenida Paulista reuniu uma maré humana avassaladora. Este blogueiro esteve no local. Participei de todas as manifestações anteriores em defesa do governo Dilma. Nenhuma se compara a essa.
Por várias vezes temi ser pisoteado ou esmagado. Perdi a câmera com todas as imagens no meio da confusão. As pessoas estavam ensandecidas.
Classes A, B, C e D misturavam-se. A maioria dos manifestantes, como acontece em média no Brasil, era negra ou mestiça. Nada que lembrasse as manifestações monocromáticas da direita, com aquelas madames de caras deformadas pelo excesso de botox e os indefectíveis cabelos aloirados em salões de beleza que cobram preços ridiculamente extorsivos
A pobreza estava lá, o povão que não tem Facebook, que não tem como comprar kits antipetistas que picaretas vendem na internet, mas que sabe quanto a sua vida melhorou.
São essas pessoas que não vão se conformar com a arbitrariedade que está prestes a ser praticada. Muita gente está quieta, só olhando o que está acontecendo. Mas quem acha que o povo é cego ou estúpido, vai quebrar a cara.
Na sexta, voltava para casa pela avenida Paulista junto de uma marcha de outras pessoas que também deixava o local. Ocupávamos as duas pistas – sentido bairro-centro e centro-bairro. E entoávamos palavras de ordem, tais como “Não vai ter golpe” e “Lula, guerreiro do povo brasileiro”.
Para minha surpresa, pessoas começaram a sair às janelas dos prédios residenciais da avenida e apoiaram os manifestantes. Isso, na avenida Paulista.
Quem estava lá, viu. Fiquei surpreso. Pessoas começaram a colocar panos vermelhos nas janelas.
Quem disse que nessa região só tem “coxinhas”? O que deduzi é que grande parte das pessoas que discordam não abre a boca, não se manifesta a fim de “evitar confusão”.
Contudo, a possível prisão de Lula fará a situação política no Brasil mudar de patamar. Muita gente vai entender que uma linha-limite foi cruzada.
Muita gente irá entender que Lula não estará sendo preso por, hipoteticamente, ter um apartamento de 200 metros quadrados no Guarujá e um sitiozinho em Atiba, propriedades modestíssimas em um país em que qualquer vereadorzinho tem fazendas que valem centenas de milhões de reais.
E toda essa gente sabe que Lula não enriqueceu na política, apesar de até hoje ser o político mais popular do país – que outro político colocaria centenas de milhares nas ruas em sua defesa?
Se essa conspiração infame vingar, nunca mais um governante tentará ajudar o povo de verdade. Os políticos terão sempre presente o seguinte ensinamento: o único político que tentou de fato melhorar a vida do povo, acabou encarcerado.
António Teodoro Brasil: quo vadis?
Estou neste momento a viver em S. Paulo, o que me permite acompanhar, hora a hora, a crise brasileira, tanto por intermédio da mídia (como dizem e escrevem os nossos amigos brasileiros) como, sobretudo, pelo contacto com as pessoas, professores e estudantes na Universidade, e cidadãos de classe média alta num dos bairros mais seletos de S. Paulo. E acompanho, pelas redes sociais e o noticiário em Portugal, os ecos desta crise brasileira que, se não fosse demasiado grave e mexesse com as vidas de milhões de pessoas, podia ser considerada uma tragicomédia.
Permitam-me que dê a minha interpretação sobre o que está a suceder no Brasil e dos possíveis desenvolvimentos da situação extremamente complexa que se vive. Uma situação que, segundo descrevem os meus amigos mais velhos, é muito parecida com a dos anos que antecederam o golpe de Estado de 1964, com a diferença de que, agora, enquanto os militares estão silenciosos e com uma (aparente) postura institucional respeitadora da Constituição, são os juízes (ou uma parte do poder judicial) que se assumem como os “justiceiros” que têm a missão de regenerar o País.
Os problemas existentes decorrem diretamente de três situações próximas e já bem definidas: (i) a derrota do candidato das elites nas últimas eleições presidenciais (que, num regime presidencialista como o brasileiro, são também de Governo), a quarta consecutiva, por uma pequena margem e com uma divisão de votos muito marcada em termos de classe e de região; (ii) as consequências da Operação Lava Jato que, de uma operação judicial (e policial) de combate à corrupção, envolvendo e mostrando uma poderosa teia de financiamentos partidários e enriquecimento ilícito de agentes públicos (políticos, empresários e gestores), evoluiu para um golpe de Estado a partir de parte do sistema judicial (e policial), em conluio com a mídia conservadora (com destaque para a rede Globo e as revistas Veja e Isto É); e, (iii) uma conjugação da crise económica com uma crise de governabilidade, onde a primeira piorou a vida dos brasileiros e a segunda colocou o sistema político à beira da implosão, com alguns dos grandes empresários nacionais presos (e as suas empresas em grandes dificuldades, gerando desemprego em massa) e um número elevado de deputados e senadores indiciados por crimes de corrupção, entre os quais os presidentes das duas câmaras do poder legislativo.
Num país com as desigualdades do Brasil, a metáfora da Casa Grande e da Sanzala (título do famoso livro do sociólogo Gilberto Freyre) ainda é a que melhor se adequa à descrição do tecido social brasileiro. As gravuras de Debret do século XIX, retratando as famílias do Rio de Janeiro passeando com os seus escravos, e as fotos daquela outra família do diretor financeiro de um grande clube de futebol, onde ele, a mulher e o caniche seguem à frente, acompanhados pela babá negra, fardada de branco, que leva os dois filhos do casal, a caminho de uma manifestação contra a Dilma e pelo impeachment, representam uma mesma realidade que mais de 150 anos ainda não conseguiu apagar. Para quem julga que estou a exagerar e essa foto representa um caso isolado, aconselho a, quando visitar S. Paulo, passear num shopping de luxo ou no bairro onde vivo.
A Casa Grande não se conformou com a derrota das últimas eleições presidenciais e temeu ainda mais a possibilidade do ex-Presidente Lula se voltar a candidatar (e poder ganhar de novo). Para que isso não pudesse acontecer, a grande mídia (mantenho o registo na escrita do português brasileiro) desenvolveu uma sistemática e persistente destruição do capital simbólico do antigo metalúrgico sindicalista (que saiu do Governo com uma aprovação superior a 80%, um valor sem precedentes na política brasileira), aproveitando muitos “rabos de palha” que, ele e sua família, e sobretudo a cúpula do PT, foram deixando e que revelam uma deterioração dos valores republicanos que deviam nortear todos aqueles que se batem por projetos de transformação social. Mas essa destruição do capital simbólico não foi suficiente. As últimas sondagens, no auge da revelação dos escândalos do “triplex do Guarujá” ou do “sítio de Atibaia” (que Lula jura que não são sua propriedade), mostram que Lula tem condições de disputar e poder ganhar de novo a Presidência da República.
Para isso, a Casa Grande, que, politicamente, é representada por uma complexa aliança de interesses capitaneados por um partido herdeiro da Arena (o partido da ditadura militar, hoje batizado de Democratas) e do PSDB, que tem em Fernando Henrique Cardoso o seu principal símbolo (há pouco mais de um ano vi-o, na Casa de Portugal, elogiar as grandes capacidades de “estadista” e de governante lúcido, imagine-se, a Pedro Passos Coelho) e putativos candidatos como o playboy Aécio Neves, ou o militante da Opus Dei Geraldo Alckmin, decidiu lançar uma ofensiva em várias frentes:
1. Criminalizar Lula e, se necessário, prendê-lo para impedir o seu regresso à vida política ativa.
2. Concretizar o impeachment da Presidente Dilma, derrubando o seu Governo.
3. Mudar algumas opções de política económica que permita ao capital financeiro ocupar o espaço deixado pelas empresas cujos dirigentes estão presos e, sobretudo, não ter o limite do “petróleo é nosso” (vigente desde o final da II Guerra), abrindo a exploração das imensas riquezas do pré-sal às grandes multinacionais do petróleo.
4. Destruir o PT (e o seu aliado próximo, o PCdoB) e impedir que, nos tempos mais próximos, a esquerda tenha influência eleitoral e possa dirigir um país com a dimensão do Brasil.
É neste contexto que tem de ser entendida a decisão de nomear Lula Ministro da Casa Civil, ou seja, uma espécie de Primeiro Ministro nos regimes semipresidenciais, responsável pela articulação política e pela implementação do PAC (Programa de Aceleração e Crescimento). Essa entrada de Lula no Governo Dilma responde a duas necessidades imperiosas: (i) evitar a prisão preventiva de Lula, transferindo a competência da investigação e julgamento do “justiceiro” e mediático juiz de 1ª instância de Curitiba, Sérgio Moro, titular do processo da Lava Jato, para o Supremo Tribunal Federal, o único com competência para investigar e julgar titulares de órgãos de soberania; (ii) dar uma direção política à ação do Governo e reunir apoios para impedir a concretização do impeachment de Dilma.
Num depoimento publicado no Diário de Notícias de 17.03.2016, o Embaixador Seixas da Costa, que teve uma notável atuação enquanto responsável pela Embaixada de Portugal no Brasil há uns anos atrás, durante o mandato de Lula, chamou a essa entrada de Lula no Governo a “bala de prata”. Não concordo com o essencial do seu depoimento, embora concorde que esse gesto foi uma decisão muito arriscada, utilizada por Lula e Dilma para tentarem sair de um cerco extremamente apertado, onde um juiz de 1ª instância tem poderes para realizar escutas telefónicas (“grampear”) à Presidente da República, ou divulgar (“vazar”) para a comunicação social essas gravações no momento em que deixou de ter competência jurídica para acompanhar o processo; ou, onde um outro juiz de 1ª instância que, no Twiter e Facebook, se tinha vangloriado da sua participação nas manifestações anti-Dilma (postando inclusive no Facebook as inevitáveis selfies) se sente à vontade para impugnar um ato da Presidente, neste caso a nomeação de um Ministro que, legalmente, não está sequer indiciado de qualquer crime.
O uso da “bala de prata” é talvez o último recurso ao dispor de Lula e Dilma. Se perderem, caem os dois, o PT (e o conjunto da esquerda entrará em grande convulsão) e o Brasil tornar-se-á o eldorado de um neoliberalismo serôdio próprio das elites subalternas. Aqueles que acham que isto é discurso ideológico vejam qual a política que Estados que têm governadores do PSDB estão a tentar implementar (embora sem grande sucesso até agora, diga-se, devido à forte oposição de estudantes, professores e sociedade civil organizada): a entrega das escolas públicas a empresas privadas, um arremedo das charters schools, bandeira dos governos Bush pai e Bush filho nos EUA.
Os próximos dias serão decisivos. A decisão está também nas mãos daqueles que vivem na Sanzala. Até agora, quem saiu à rua e se pronuncia com os imensos meios que têm ao seu dispor, foram os que vivem na Casa Grande. A Sanzala tem estado na defensiva e silenciosa, por falta de projeto mobilizador e por desmoralização. Se Lula conseguir a mobilização da Sanzala, estabelecer pontes e alianças para alguns sectores da Casa Grande que ainda estão reticentes com o caminho que lhes é proposto, o Brasil pode retomar o caminho de transformações sociais que tiraram da miséria mais de 40 milhões de pessoas num espaço curto de uma década. Mas isso, implicará também, depois de um primeiro embate e da derrota do golpe de Estado em curso, uma renovação moral e um novo projeto político. Se Lula, o PT e as esquerdas não o fizer, a Sanzala não lhes perdoará, abandonando-os à sua sorte.
António Ribeiro Brasil: a grande manobra da direita contra Lula da Silva
Incomodam-me alguns com a história de Lula da Silva. Mesmo amigos que respeito, aparecem por aí desembestados com esta porcaria toda, como nunca o estiveram com Collor de Melo ou com (por cá também temos disso) um Dias Loureiro, um Paulo Portas, um Zeinal Bava ou um Henrique Granadeiro; ou com qualquer um dos vários banqueiros que nos estão a custar os olhos da cara.
Não conheço pessoalmente Lula. Nem tenho interesses pessoais no Brasil. Mas viajei extensamente por esse grande país da lusofonia, grande em recursos e em capacidades. Não sei sequer se Lula roubou ou não alguma coisa no exercício das funções públicas. E se for culpado, que o condenem. A Lei deve ser igual para todos. Mas mesmo para todos, não apenas para alguns! E constato que há uma parte ruidosa, embora minoritária, do Brasil que não gosta dele. Cerca de dez por cento. Desde logo porque nasceu humilde e trabalhou numa cidade industrial do estado de São Paulo, onde foi operário.
Mas há mais razões para tanto incómodo e excesso de zelo das elites. É que o país (qualquer país) tem recursos finitos e necessidades infinitas. E quando alguns estão no poder apropriam-se da maior parte do rendimento nacional. Mas quando, finalmente, um ex-quase pé-descalço consegue chegar ao Poder, com credenciais modestas mas fortes convicções, e opera uma redistribuição do rendimento nacional em benefício dos mais pobres, logo começa o escândalo. Cá em Portugal também se passa isso, com a modesta redistribuição operada por aquilo a que depreciativamente alguns despeitados chamam "a geringonça"; ou com o ódio profundo que esses mesmos nutrem a um ex primeiro-ministro mais "fontista" e reformador do que todos os outros e que pretendem condenar a todo o custo.
O Brasil é um país muito rico, mas ao mesmo tempo muito pobre. Foi historicamente pilhado por uma minoria profundamente corrupta, por uma pequena elite que dispôs de todos os seus recursos e se apropriou prolongadamente dos dinheiros públicos e com eles construiu fortunas impensáveis.
Essa gente, enquanto há desenvolvimento, aquieta-se. Por isso Lula e o seu governo conseguiram tirar da pobreza, em poucos anos, 60 milhões de brasileiros que passaram a integrar uma pujante classe média. Gente que antes vivia na miséria e que passou a ter uma vida digna. Mas, quando os preços dos hidrocarbonetos caem e a crise financeira aperta, o Brasil fica a descoberto, é apanhado em contra-pé, e a oligarquia do costume logo salta indignada, pronta a jurar vingança, a humilhar e esmagar o pobre que ousou um dia alterar o ancestral estado das coisas. Para que sirva de exemplo, para que nunca mais alguém ouse fazer o mesmo!
Custa ver o que se passa no Brasil por estes dias. Num país que alimenta uma tamanha cultura de corrupção - que faz parte do ADN nacional, nem que seja por desporto - não é de estranhar tanta indignação por alegados favorecimentos (não provados) de um ex-Presidente a um grupo de empreiteiros? Isso num país onde toda a gente sabe que os votos dos Senadores se compram para operar reformas legislativas e emendas constitucionais ao preço de várias dezenas de milhões de dólares por voto. Se não sabem, pois que leiam "Notícias do Planalto", um livro sobre os escândalos da época de Fernando Collor de Melo e que levaram á sua demissão.
Essa gente que agora anda tão indignada, até apela aos militares que intervenham e reinstalem a Ditadura, como o fizeram, nos anos sessenta, outros militares-criminosos com o Acto Institucional Nº 5, que colocou o Brasil sob uma mordaça fascista e o o submeteu à mais formidável pilhagem de que há memória.
Antes de se indignarem com as supostas patifarias de Lula, que leiam e que se informem. Mas não venham falar do que não sabem. E, sobretudo, sendo Portugueses, que não venham fazer a política de cá através dos problemas de lá. Porque é aí mesmo que querem chegar. Não nasci ontem.
Acho que não restam dúvidas do que está por detrás: a reacção das classes endinheiradas do Brasil que querem manter o poder custe o que custar mesmo que aquela percentagem da população que graças a Lula pôde passar a ter uma refeição por dia volte a deixar de a ter. E, sobretudo, porque, graças a isso, começou a emergir no Brasil uma classe média que abriu os olhos para muitos aspectos da realidade nacional que desconhecia. E o medo que Lula se recandidate em 2018. Isto com alguma ajuda da CIA à mistura. Quem duvida?
A. Clara
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