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Quinta-feira, 30.10.14

CIA contrata homens de Saddam Hussein para reduzir influência do Estado Islâmico - Charles Hussain, Beirute, Mário Ramírez, Washington

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Charles Hussain, Beirute, Mário Ramírez, Washington  CIA contrata homens de Saddam Hussein para reduzir influência do Estado Islâmico

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Embaixador dos Estados Unidos com o seu primeiro ministro do Iraque, Haidar Abadi

 

23 de Outubro de 2014

         Os serviços secretos dos Estados Unidos da América estão a tentar construir uma milícia sunita assente em antigos quadros do regime de Saddam Hussein para tentar minar a influência do Estado Islâmico no interior da comunidade sunita do Iraque, segundo fontes concordantes em Washington, Bagdade e Beirute.
“Criaram o monstro e agora tentam domá-lo porque exagera na ambição e para isso regressam mais uma vez aos tempos das alianças com as gentes de Saddam”, diz Anthony Eliot, presença veterana nos bastidores militares e de espionagem em Beirute. Para tal, prossegue, “a CIA procura entendimentos com figuras das hostes do antigo partido Baas de Saddam que foram proscritas pela invasão americana e depois recusaram integrar-se na estrutura do Estado Islâmico para combater na Síria e dividir o Iraque”.
De acordo com as fontes concordantes, as iniciativas da CIA estão a desenvolver-se a nível tribal no interior da comunidade sunita. Para já, explica Eliot, a espionagem norte-americana conseguiu o apoio da tribo Dulaym, mas a comunidade está muito fragmentada por várias razões: os norte-americanos tentam que a nova milícia fique sob tutela xiita ao nível do poder central; os sunitas, em geral, continuam revoltados com a presença militar e política norte-americana e a estratégia de poder partilhado entre xiitas e curdos; parte dos antigos quadros de Saddam juntaram-se ao Estado Islâmico na sua ofensiva através do Iraque porque “acham que têm pesadas contas a ajustar com o actual poder de Bagdade”, sublinha Anthony Eliot.
A estratégia norte-americana é comandada pelo próprio embaixador dos Estados Unidos em Bagdade, Robert Beecroft, segundo antigos funcionários do Pentágono bem informados sobre as acções da espionagem em curso no Médio Oriente.
“O embaixador já conseguiu o apoio dos sectores iranianos presentes no Iraque, como é o caso dos Guardas da Revolução, da milícia xiita de Mogtad al-Sadr e também do primeiro ministro iraquiano em exercício, o xiita Haidar Abadi”, afirma uma dessas fontes. No entanto, explica, “o chefe do governo de Bagdade precisa de ter o apoio do seu partido Al-Dawa, que até agora se tem oposto, o que é efectivamente um problema devido à precariedade da situação política na capital iraquiana”.
Segundo círculos iraquianos em Beirute, o principal esforço da CIA no âmbito destes planos é obter o envolvimento das tribos sunitas Anbar, a que pertencem grande parte dos principais quadros do Estado Islâmico. “A CIA conseguiu que o chefe destas tribos, Ali Hatem Suleiman, tenha contratado os serviços da Calex Partners nos Estados Unidos, uma empresa da Virgínia pertencente a Jonathan Greenhill, um antigo operacional dos serviços clandestinos da CIA”, segundo uma fonte bem informada sobre os circuitos da espionagem em Beirute. “Uma viragem das tribos Anbar poderia enfraquecer o Estado Islâmico nas suas zonas de maior influência e enraizamento e permitir assim à administração Obama conseguir uma partilha do Iraque através de sunitas mais ‘moderados’ do que a aposta anterior nos homens do califado de Bagdadi”, considera a mesma fonte.
“Este cenário revela na perfeição o que tem sido a anarquia estratégica americana no Médio Oriente”, deduz Anthony Eliot. “Os americanos aliaram-se a Saddam, depois derrubaram Saddam, a seguir falham na gestão do Iraque excluindo os sunitas, depois inventam um grupo terrorista sunita, o actual Estado Islâmico, para dividir a Síria e o Iraque com base em homens de Saddam, agora estão a tentar mobilizar antigos homens de Saddam para combater o Estado Islâmico, salvar Bagdade da ofensiva deste e montar à mesma uma partilha do Iraque com base nos curdos, nos xiitas e nos sunitas “moderados”, por acaso tão saddamistas como os ‘radicais’. Esta deriva só pode provocar guerra e mais guerra”, prevê Eliot. “E não se esqueçam”, adverte, de que “Washington faz estas manobras em coligação não assumida com o regime iraniano com quem está ainda tecnicamente em guerra, pelo menos uma guerra de sanções”.

Charles Hussain, Beirute, Mário Ramírez, Washington

 

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por Augusta Clara às 08:00



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