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Jardim das Delícias


Quinta-feira, 17.09.15

Elegia de Setembro - Manuel Alegre

manuel alegre.png

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por Augusta Clara às 14:00

Sábado, 04.07.15

Discurso de Péricles aos Atenienses - Manuel Alegre

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Manuel Alegre  Discurso de Péricles aos Atenienses

 

a escola de atenas, rafael1.jpg

 

(Rafael, a Escola de Atenas)

 

 

Deixai-os em treino permanente
Como se a vida fosse apenas exercício
Atenas ama o vinho e a poesia
E Esparta o sacrifício

Que nos acusem de vida fácil e leviandade
Que digam que não sabemos guardar segredo
Nem combater
Em Atenas reina a liberdade
E em Esparta o medo

A nossa força é a diferença

Não são precisas provações nem disciplina
Atenas vive como quer e como gosta
Porque a nossa coragem não se aprende não se ensina
A nossa é de nascença
E não imposta

Deixai-os pois dizer que vão vencer
Eles fogem da vida por temor da morte
Nós vamos para a morte por amor da vida
E enquanto Esparta só combate por dever
Nós iremos lutar com alegria

Por isso Atenas não será vencida

(in Chegar Aqui, 1984)

 

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por Augusta Clara às 14:00

Segunda-feira, 02.02.15

Trova do vento que passa - Adriano Correia de Oliveira

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Adriano Correia de Oliveira  Trova do vento que passa

(poema de "Praça da Canção" de Manuel Alegre agora reeditado)

 

 

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por Augusta Clara às 21:00

Quinta-feira, 27.03.14

E agora o que é que resta? - Manuel Alegre

 

Manuel Alegre  E agora o que é que resta?

 

 

(Almada Negreiros)

 

 

E agora o que é que resta? Agora que

está tudo como dantes e nós a mais?

Havia um continente e uma guitarra

a nossa vida foi de luta (não te esqueças)

agora que está tudo como dantes.

 

E por isso perguntas para quê

para quê as renúncias os exílios

o heroísmo até? Ah é verdade: o sonho.

«Eles não sabem que o sonho». Por isso

não estão a mais. E tudo como dantes.

 

Nós é que não. Homens de guerra (dizes)

antigos combatentes um tudo nada

românticos. Talvez nostálgicos da própria

nostalgia. Agora que

está tudo como dantes. E nós a mais.

 

Nós que fomos do não quando era o sim

e não caímos nunca em tentação.

Amen. Terá sido por isso que pecámos?

Tudo afinal está como dantes. E nós a mais.

 

Havia o sonho. Etc. e tal. Como despi-lo

agora que não há sequer lugar

para a memória? Paixão da História.

Ou o sentido estético da vida. Agora que

está tudo como dantes. Nós é que não.

 

Porque entretanto temos brancas. Vê:

no cabelo e na alma. Pior ainda:

o que sabes não pode partilhar-se

o que sabes é tua vida: fraternidade

intransmissível. Por isso está a mais.

 

Agora que está tudo como dantes

e não temos senão ó vilanagem

esta página branca onde o poema

continua a bater-se até ao fim.

Agora que

 

(in Babilónia, O Jornal)

 

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por Augusta Clara às 19:00

Quarta-feira, 26.02.14

Como em Agosto, na Ria, ... - Manuel Alegre

 

Manuel Alegre

 

(Adão Cruz)

 

 

   Como em Agosto, na Ria, quando chegas da Barra e te lanças à água, finges de afogada, eu corro a sal­var-te, trago-te ao colo e nado sem esforço, tu não pesas, somos os dois um só, uma só forma. Alquimia, conjunção astral, o que quiserem.

Sempre que vou à Barra vejo ainda a tua casa ape­sar de demolida, procuro-te nas águas, agora negras, no cheiro às ervas das areias, na maresia e na salsugem, procuro-te na luz, a luz branca das salinas, estás ainda na ponte de madeira que já não há, passa um barco da Capitania, quem sabe se não te leva para a Torreira ou S. Jacinto, procuro-te na maré cheia e na maré baixa, nas gaivinas, nos patos reais, nos maçari­cos, nas rolas que passam no fim de Agosto. Há uma gaivota que voa em direcção ao sol.

— Aquela gaivota enlouqueceu, diz Afonso Fur­tado, meu pai, que é tu cá tu lá com as aves da Ria.

 

(in A Terceira Rosa, Dom Quixote) 

.

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por Augusta Clara às 15:00

Domingo, 27.10.13

Manuel Alegre sobre Salgueiro Maia

 

 

 

 

"Faz hoje 20 anos que faleceu Salgueiro Maia. Homem a quem devemos muito e que nunca pediu nada. A recusa da pensão à família é um dos episódios mais tristes dos governos de Cavaco Silva. Ficam as famosas palavras que proclamou em Santarém antes de sair com os seus Homens. 'Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!'" “Ele ia de Santarém a caminho de Lisboa não sabia se ganhava não sabia se perdia. Ele ia de Santarém para jogar a sua sorte a caminho de Lisboa em marcha de vida ou morte. E dentro dele uma voz todo o tempo lhe dizia: Levar a carta a Garcia. Ele ia de Santarém todo de negro vestido como um cavaleiro antigo em cima do tanque verde com o seu elmo e sua lança ei-lo que avança e avança ninguém o pode deter. Ele ia de Santarém para vencer ou morrer. E em toda a estrada o ruído da marcha do Capitão. Eram lagartas rangendo e mil cavalos correndo contra o tempo sem sentido. E aquela voz que dizia: Levar a carta a Garcia. Era um cavaleiro andante no peito do Capitão. E o pulsar do coração de quem já tomou partido. Ele ia de Santarém todo de negro vestido.”
Manuel Alegre

 

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por Augusta Clara às 20:00

Sexta-feira, 17.05.13

É preciso um país - Manuel Alegre

 

Manuel Alegre  É preciso um país

 

 

(Adão Cruz)

 

Não mais Alcácer Quibir.

É preciso voltar a ter uma raiz

um chão para lavrar

um chão para florir.

É preciso um país.

Não mais navios a partir

para o país da ausência.

É preciso voltar ao ponto de partida

é preciso ficar e descobrir

a pátria onde foi traída

não só a independência

mas a vida.

 

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por Augusta Clara às 20:00

Terça-feira, 22.01.13

Resgate - Manuel Alegre

Manuel Alegre  Resgate

 

(Adão Cruz)

 

"Escrevi hoje este poema que aqui vos deixo"

 

 

Há qualquer coisa aqui de que não gostam
da terra das pessoas ou talvez
... deles próprios
cortam isto e aquilo e sobretudo
cortam em nós
culpados sem sabermos de quê
transformados em números estatísticas
défices de vida e de sonho
dívida pública dívida
de alma
há qualquer coisa em nós de que não gostam
talvez o riso esse
desperdício.
Trazem palavras de outra língua
e quando falam a boca não tem lábios
trazem sermões e regras e dias sem futuro
nós pecadores do Sul nos confessamos
amamos a terra o vinho o sol o mar
amamos o amor e não pedimos desculpa.

Por isso podem cortar
punir
tirar a música às vogais
recrutar quem vos sirva
não podem cortar o verão
nem o azul que mora
aqui
não podem cortar quem somos.

Águeda 23/12/2012
Manuel Alegre

 

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por Augusta Clara às 17:00



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