Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Jardim das Delícias


Quinta-feira, 16.11.17

O que o País deve a Marcelo e o que não pode consentir - Carlos Esperança

o balanço das folhas3a.jpg

 

Carlos Esperança  O que o País deve a Marcelo e o que não pode consentir

 

carlos esperança.png

 

 

   Após a tomada de posse, Marcelo surgiu sem prótese conjugal, irradiando simpatia, em flagrante contraste com o antecessor. Com a cultura, inteligência e sensibilidade que minguavam a Cavaco, tornou-se um caso raro de popularidade.

O respeito pela Constituição da República, elementar no constitucionalista, levaram-no a aceitar o Governo legitimamente formado na AR e a que Cavaco dera posse com uma postura indigna de quem, sem passado democrático, é devedor à democracia dos lugares cimeiros que ocupou.

Marcelo, em vez de ameaçar o País e denunciar à Europa os perigos imaginários que um ressentido reacionário lobrigou no entendimento democrático dos partidos de esquerda, ajudou ao desanuviamento do ambiente político e à higienização do cargo para que fora eleito. Fez o que devia, e teve a decência de romper com a herança de dez anos.

Esgotado o mérito que lhe será sempre creditado, entrou num frenesim próprio de quem é hipercinético, por temperamento, e ansioso de mediatismo, por idiossincrasia, como se estivesse em permanente campanha eleitoral.

A presença constante nas televisões, a opinião sobre tudo, o comentário que vai da bola à alta política, o exercício das suas funções e a exorbitância delas, a ida a funerais e casamentos, a presença pública em cerimónias litúrgicas e a confusão entre o Palácio de Belém e a sacristia, onde se comemoram milagres, começa a inquietar quem vê na sua conduta o atropelo à laicidade do Estado e a ingerência abusiva em funções do Governo e no condicionamento do comportamento dos seus agentes.

Ao ler hoje o elogio do PR ao lastimável pedido de desculpas do ministro da Saúde por mortes causadas por uma bactéria, como se o ministro fosse responsável, vi uma cultura judaico-cristã de culpa e de arrependimento, incompatível com a dignidade das funções e os esforços para resolver situações imprevisíveis, e que, no seu dramatismo, tendem a ser exploradas e ampliadas pela morbidez instalada na comunicação social.

É altura de dizer basta à deriva presidencial, que não tem uma palavra para condenar os silêncios sobre os desvios dos fundos comunitários, as fraudes nas autarquias e os atrasos nas investigações sobre as eventuais burlas nos bancos GES/BES, Banif, BPN, BPP e BCP, e se torna excessivamente loquaz a querer transformar o OE-2018, em discussão na AR, num instrumento para a sua popularidade.

Há já dificuldade em distinguir a genuína empatia de um caso patológico de narcisismo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Sexta-feira, 08.04.16

PRESENÇA DE MARIO DRAGHI NO CONSELHO DE ESTADO A CONVITE DO PR FOI UMA PROVOCAÇÃO E UM INSULTO À NOSSA SOBERANIA

conselho de estado.jpg

 

   O primeiro «grande golpe» de Marcelo Rebelo de Sousa a favor dos partidos de direita, que o apoiaram na sua eleição, traduziu-se num acto de subserviência intolerável por parte do próprio Presidente da República, de uma provocação ao Governo de António Costa, de um insulto aos órgãos de soberania e de uma interferência inadmissível na vida política interna deste País, por parte do arrogante Governador do Banco Central Europeu, Mário Draghi, sentado ao lado do inenarrável Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.
A Esquerda não pode baixar os braços e ficar quieta perante a enormidade política que ocorreu no Palácio de Belém, durante a primeira reunião do Conselho de Estado convocada pelo novo Presidente da República.
Quase toda a gente julga que, uma vez instalado no Palácio de Belém como PR, Marcelo Rebelo de Sousa deixou de ser quem sempre foi ao longo de toda a sua vida política e jornalística.
Puro engano!
Porque, como PR, o «velho» Marcelo ampliou o espaço para a intriga política palaciana de que tanto gosta; para a «criação de factos políticos» nocivos à vida democrática; para as suas proverbiais «facadas nas costas» (dos outros); para o riso escarninho de quem sempre gostou de incomodar os outros - como por exemplo tocando infantilmente às campaínhas altas horas da noite ou recorrendo a uma gralha tipográfica deliberada para chamar «lelé da cuca» a Francisco Balsemão.
A creditem no que vos digo: Marcelo Rebelo de Sousa não ficará satisfeito enquanto não contribuir decisivamente para desfazer a maioria de esquerda na Assembleia da República e forçar a reconstituição, no poder. de uma aliança e de um governo do «bloco central», que ele também nunca deixaria de «picar»...
A curto prazo, quase toda a gente acha óptimo que o novo PR tenha, aparentemente, «desanuviado» o péssimo ambiente causado pelo seu antecessor, Cavaco Silva, e pelo governo dos seus apoios de direita, Passos Coelho e Paulo Portas.
A médio e a longo prazo, porém, a eleição como PR de um velho admirador de Salazar e Marcello Caetano, e velho amigo do ex-banqueiro Ricardo Espírito Santo Salgado, poderá revelar-se dramática para a nossa democracia e uma verdadeira tragédia para a Esquerda, se esta não reagir com firmeza às constantes «provocações» de Marcelo - e se o o PS e António Costa se deixarem «ficar nas covas», em nome de um inqualificável «pacto» não escrito entre o professor e o seu ex-aluno de Direito...
O futuro dirá se tenho razão ou se estou só a delirar!

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 15:00

Terça-feira, 15.03.16

A cerveja no topo do dolo - Marcos Cruz

ao cair da tarde 5b.jpg

 

Marcos Cruz  A cerveja no topo do dolo

 

marcos cruz.jpg

 

 

   Antes, a análise política nos media era bem mais profunda, a fasquia do argumentário estava alta e o leitor/espectador, regra geral, sentia a necessidade de se informar, de trabalhar o seu eu político para acompanhar a discussão das matérias. Depois, já com o fim do milénio à vista, alguns órgãos de comunicação social, e não só tabloides, também jornais de referência, entenderam que se Maomé não ia à montanha era preciso levar a montanha a Maomé, pelo que, postas as coisas em palavras francas, baixaram consideravelmente o nível. Veio a política pop, aquela que se faz parecer democrática, na medida em que todos se sentem capazes de a discutir, mas afasta, talvez como nenhuma outra, as pessoas dos assuntos que afectam mais as suas vidas. A “gaffe” passou a ter honras de manchete, qual sardinha que um dia acorda e é marisco, o fait-divers suplantou a premência noticiosa do grande facto, a escolha da gravata do político tornou-se mais importante que o seu ideário. Um dos ícones do novo paradigma era então meu chefe: Carlos Magno. Independentemente de estarem sanados os conflitos que tivemos e de hoje nos cumprimentarmos com amabilidade, manda a verdade que o descreva como um surfista da análise política, alguém que contribuiu conscientemente para um strip que reduziu a esfera política não à sua essência mas, bem pelo contrário, ao seu artifício. Ele e outros cavalgaram essa onda e, no seio de uma opinião pública lisonjeada com a promessa de maior participação (ou “interactividade”, era a palavra), ajudaram a legitimar uma nova concepção de política, destituída dos pressupostos de nobreza e representatividade que a distinguiam. A partir dali, tendia a ser tacitamente aceite que os políticos se representassem a si mesmos e aos seus interesses, como acontece com os clubes de futebol, que há muito já se livraram da responsabilidade de promover o desporto. Para a análise, em consequência ou conformidade, sobravam os aspectos tácticos e, menos, estratégicos (os dias passaram a ser mais curtos), desvalorizados que haviam sido os da substância política – no que ela contém de ética, cultura, ideologia, etc. – quer do discurso quer da acção. A aferição da qualidade de um político deixou de se prender tanto com os seus valores (não materiais, entenda-se) e tornou-se mais vinculada ao conhecimento que ele revela do xadrez em que se move e à habilidade com que dentro dele verga os adversários e rechaça os seus ataques. Muitas vezes, observando esta autodesresponsabilização do jornalismo, a cada dia mais enredado na política dos interesses, promovendo orgulhosamente o trânsito de dois sentidos entre o seu espaço e o dos políticos (com claro prejuízo da política), falei na necessidade de dar às pessoas instrumentos – fossem eles notícias, reportagens ou os então glorificados conteúdos – para compreender, discutir e co-criar a realidade, em vez de as anestesiar com programas que as tornavam menos e menos exigentes, atentas, profundas, responsáveis e interventivas. Em resposta, era-me sistematicamente despejado aquele chavão: "Deve dar-se às pessoas o que elas querem".

Hoje, ao ver Marcelo na presidência da República, é inevitável lembrar-me desse tempo.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 15:00

Sábado, 12.03.16

Benvindos ao marcelismo-leninismo! - António Ribeiro

 

marcelo1.jpg

 

   Para quem pensava que já não havia nada para inventar em matéria política e ideológica, o dia 9 de Março trouxe uma imensa novidade a Portugal e ao Mundo: o maravilhoso mundo novo do Marcelismo-Leninismo!

O facto é que esta velha Nação de quase 900 anos, cuja História o novo Presidente tanto incensou logo no dia da inauguração do seu "buffet" político, continua a dar novos mundos ao mundo e a apontar os caminhos da mais criativa dialética.

Quem podia adivinhar que seria um herói nado e criado nos naperons e nos "frous" do Ancien Régime, e suavemente educado pelas Tias fofinhas do Movimento Nacional Feminino, a assaltar em 2016 o nosso quartel de Moncada e a fazer a diferença em Belém, esse palácio mítico que evoca o berço de Jesus. Qual Fidel, qual Che, vocês já foram! Agora, o que está a dar... dá pelo nome de Marcelo Rebelo de Sousa!

Deus seja louvado! Fosse o Padrinho ainda vivo e ficaria orgulhoso da volta que isto deu. Acabou a luta de classes! Malta da Quinta da Marinha e do Bairro do Cerco, unidos venceremos! Alexandre Soares dos Santos e Zé Chunga, o bar fica aberto dia e noite! Fado e tintol, sem dúvida, mas também muitos coiratos e chutos de seringa! E futebol, muito Futebol acima de tudo, para que o Braga se faça também uma Nação!

lô Trump, alô Putin, alô Merkel, alô Kim Jong-un. Olhem para Portugal. Venham cá beber uns penáltis e comer umas sandochas com o Professor Marcelo mais a malta. Deixem-se dessas merdas que vos dividem, quem tem Marcelo tem tudo e o admirável mundo novo já cá chegou primeiro. Bem feita para vocês todos!

Sim, porque Portugal sempre andou muito à frente. Nas Cruzadas, nos Descobrimentos, no Colonialismo, e na Revolução em que os canos das espingardas viraram floreiras de cravos.

Dá gosto viver aqui neste país gentil. Dá gosto aprender com o Professor que sabe tanto. Dá gosto saber que o Palácio do Poder se transformou de repente na Casa de Nós Todos. E dá gosto poder abraçar o Patrão disto tudo e poder dizer-lhe “Eh pá, estás muita baril!”

Quem quer cá saber se o Marcelismo-Leninismo é a Esquerda da Direita ou a Direita da Esquerda? Ou nem Direita nem Esquerda, mas antes pelo contrário? Bah, isso são tudo minudências e trocos ideológicos.

Agora vamos ser todos felizes e amigos. Não emigrem mais, aproveitem a curtição que vem aí. Depois de tudo o que nos aconteceu, também já merecíamos um barrete decente. Perdão, uma boina decente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 19:06

Sexta-feira, 11.03.16

As escolhas de Marcelo - Carlos Esperança

o balanço das folhas3a.jpg

 

Carlos Esperança  As escolhas de Marcelo

 

carlos esperança.png

 

   Depois de um brilhante discurso de posse, na forma e na substância, a mostrar a fibra do estadista e a marcar contraste com o antecessor, na cultura, inteligência e grandeza, quis homenageá-lo com uma venera cuja pressa se pode perceber, para o afastar.

Apesar de comum aos anteriores chefes de Estado livremente eleitos, não é protocolar a imposição e, no caso de Cavaco, a Ordem da Liberdade (Grande Colar) foi inadequada a quem não levantou a mais leve suspeita ou o menor indício de afeto pelo valor que dá o nome à condecoração, antes e depois de Abril. Não havia necessidade!! Havia a Ordem Militar de Cristo (Militar Antiga) ou a Ordem do Infante D. Henrique (Nacional).

No mesmo dia juntou inúmeras religiões na mesquita de Lisboa, num apelo ao “espírito ecuménico”, como se num Estado laico a promíscua e hipócrita reunião de religiões que se combatem, pusesse fim ao proselitismo que as devora e nos consome.

Soube-se depois que as suas primeiras visitas de Estado são respetivamente ao Vaticano e a Espanha, uma teocracia e uma monarquia, duas exóticas e anacrónicas formas de Estado, ambos com chefes vitalícios, o primeiro sem direito a sucessão e o segundo com ela assegurada pelo mais tradicional e popular método de reprodução. Salva-o o facto de aviar os dois no mesmo dia, mas, a esta velocidade, dá a volta ao mundo no primeiro ano de mandato.

No primeiro balanço pode dizer-se que o discurso esteve à altura das expectativas, mas as primeiras decisões lançaram a perplexidade sobre as intenções que o movem. Pode acontecer que, à semelhança do que fez a Cavaco, seja uma forma de se desobrigar dos únicos estados que foram criados por fascistas, respetivamente Mussolini e Francisco Franco.

Não tendo sido seu apoiante, considerá-lo-ei meu presidente, enquanto respeitar a CRP e honrar a República.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Sexta-feira, 26.02.16

A posse de Marcelo e a primeira-dama - Carlos Esperança

carlos esperança.png

 

 

   Nos onze dias que ainda faltam para a tomada de posse do Presidente da República, uma eternidade para quem espera, há dez anos, o retorno do cargo à sua dignidade, há já uma excelente notícia. Não haverá primeira-dama, o resquício monárquico que as Repúblicas alimentam, como as teocracias islâmicas o harém do califa.

Para quem luta pela igualdade de género e anseia por uma mulher na P.R., é deprimente assistir à deslocação do inquilino de Belém, constantemente acompanhado pela prótese, dando a ideia de que, sem ela, se sente como um idoso que esqueceu os óculos e recebe, para ler, o discurso impresso.

O protocolo vai ser modificado e consta que a mulher de Ferro Rodrigues, que tem vida própria e não usa o pseudónimo de segunda-dama, tem a gentileza de estar presente para escoltar a D. Maria Cavaco, para que esta se mantenha no horizonte visual do marido a servir de benzodiazepina que o conforte na ação de despejo do Palácio de Belém.

Feito o corte com a subalternidade da mulher, no mais elevado cargo da República, a nível simbólico, está aberto o espaço para uma mulher o ocupar. E não faltam mulheres com inteligência, cultura e preparação para exercerem as funções, com a dignidade que lhes tem faltado e sem necessidade de um primeiro-cavalheiro.

Viva a República!

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 14:00

Terça-feira, 02.02.16

Cromolândia - César Príncipe

o balanço das folhas3a.jpg

 

César Príncipe  Cromolândia

 

césar príncipe1.jpg

 Beppe Grillo, senador-cromo

 

césar príncipe2.jpg

Mário Jardel, deputado-cromo.

 

césar príncipe3.jpg

 Marcelo Rebelo de Sousa, presidente-cromo.

 

césar príncipe4.jpg

 Ilona Staller/Cicciolina, deputada-cromo(AR, 19/11/1987)

 Novo busto da República?

Recepcionista do Palácio de Belém?

 

         As recentes eleições para a Presidência da República ampliaram o efeito e demonstraram a eficácia das campanhas de imagem. Venceu, como era das previsões político-climáticas, o candidato mais vendível a públicos tele(visados). A promoção de ícones não é um monopólio das tevês, mas os restantes meios são subsidiários ou retrógrados. No Ocidente, uma grande televisão tem mais força do que uma grande religião. Os fanáticos ou fiéis do écran são formatados pelo sistemicamente catalogado e homologável. Milhões de telespectadores são diariamente alimentados por via auditiva e visual. Jazem ligados à máquina. Só algumas minorias têm capacidade de autodefesa nacional e global. As fábricas de moldes e modas operam em laboração contínua. O processo de captura e persuasão de audiências conta, à partida, com inúmeros complacentes e cúmplices, viciados em tablets em vez de tabuadas, instados a trocar convicções por caras. O culto do padroeiro, dos posters da realeza, das vampices e vipices aburguesadas, dos cromos futebolísticos, das beldades de passarela e dos galãs e barbies do cinema, dos ídolos da canção – assenta no indivíduo-show, no iluminado-bafejado pelos holofotes. Os programadores de atracções fazem entrar pelas nossas casas dentro profissionais da demagogia e fantoches da diversão. Ocupam, em tempo real, o centro das salas e a parede nobre dos dormitórios. São armas apontadas a alvos. Procuram e conseguem rebaixar os níveis de atenção e selecção. Objectivo: transformar cabeças humanas em cabeças de gado. O poder mediático, pouco a pouco, torna o bicho ou a bicha num familiar, e assim canoniza qualquer criação ou criatura com recorte e potencial para servir os donos disto tudo. Para culminar os toques e retoques dos tevê-eleitos, irrompem, de canal em canal, dezenas de comentadores, quase todos abalizados e quase todos simuladores de independência, provindos de universidades católicas e laicas e de outras linhas de montagem e lavagem de cérebros.

Haverá ainda e por aí quem se espante? É a sociedade do espectáculo como modelo de sequestro psicopcional, de infantilização e degradação do espaço cívico e cultural. Exemplos triunfantes: Cicciolina e Grillo, a actriz pornográfica e o comediante da Itália das berlusconices, a concubina feita rainha, o bobo feito rei; Jardel (Brasil), antigo futebolista, analfabeto relapso, teve direito a puta-secretária e a conexões com corleones locais. E por aí adiante, Deus meu! A lista seria abundante, exuberante. A democracia burguesa é inclusiva: jamais excluirá ladrões de estirpe, criminosos de guerras convencionais e assimétricas, truões sem noção das cenas que fazem, safadinhas de anúncios classificados, fala-baratos de cátedra, dealers de interesses, ideias ou ideais (grossistas e retalhistas).

Marcelo tirou cursos de cadeirão académico, de líder partidário, de conselheiro de presidente da República e de candidato a presidente da Câmara e a presidente da República. E, além de ter ido repetidamente à praça como professor-opinador de todas as matérias, foi protagonizando rábulas de engraçadinho da turma. Pelos vistos, o chamado povo gosta do género: 24 de Janeiro dixit. Marcelo ganhou à primeira, com apoio maciço e massivo dos equipamentos mediáticos e apoiado nas suas graças. Que de muitas é ornado. Rezam os boletins. Recebeu um embaixador em cuecas. Fugiu dos fotógrafos em mota de água. Lançou-se ao Tejo para um banho de poluição e saiu limpo e vivo. Guiou um táxi pelas mourarias, com mini-saia no banco traseiro. Travestiu-se de gentil coiffeur de balzaquianas. Estacionou num lugar reservado a deficientes. Sabe-se lá que mais lhe debitam ou virão a averbar no currículo. Mas não foram nem serão as traquinices-marcelices o grande risco para as barreiras constitucionais e para as expectativas dos portugas em geral e dos seus votantes em particular, muitos provavelmente distraídos, levados na onda hertziana.

O que advirá? Aguentem, aguentem! O entertainer seduziu e poderá abandonar, na primeira e apertada curva, milhares ou milhões de teledependentes-telede(votos). Mas a decepção não será universal: neste preciso momento, há um cidadão feliz em Portugal e que dificilmente se arrependerá de haver apostado no filho do ministro de Salazar e putativo afilhado de Caetano: Ricardo Salgado (o do banco sólido e confiável) terá um amigo do peito em Belém. Preocupante será que Marcelo, como Cavaco e Passos e Portas, abdique de ser presidente dos portugueses e se trespasse, no meio das travessias e travessuras, como presidente-delegado de Bruxelas, do BCE, do FMI e de corporações autóctones de idêntico jaez.

Pior do que Cavaco não será possível. Diz-se. Assevera-se. Jura-se. Arrenega-se. Mas Marcelo deu uma cabazada nas eleições e, em termos de conservadorismo táctico-militante e da carteira de compromissos, era o mais enfeudado dos dez candidatos. Há muitos anos que, na Cromolândia, não vencem os melhores. Que mais, caríssimos?

Temos o Santo Marcelo entre nós. Obrigado, portugueses!

César Príncipe

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 08:00

Segunda-feira, 25.01.16

A propósito da eleição de Marcelo Rebelo de Sousa - Carlos de Matos Gomes

carlos matos gomes.jpg

carlos matos gomes1.jpg

 

   A propósito da eleição de Marcelo Rebelo de Sousa. Primeiro: parabéns a Marcelo. Quis e conseguiu. Foi premiado. Segundo: parabéns aos portugueses: quiseram e tiveram o que quiseram. Terceiro, parabéns à democracia que permitiu a Marcelo ser eleito e aos portugueses elegerem quem quiseram. Estamos todos de parabéns. Assim é que é bonito!
Sou, desde que me conheço, adepto e praticante do princípio (herança materna) de que, em boa parte, temos o que merecemos e somos capazes de alcançar.

Como povo fomos tendo ao longo da História o que conseguimos. Temos uma História que nos diz que somos mais assim - como a primeira ilustração: obedientes e servis e só raramente como os da segunda ilustração, os assado que se revoltam. O resultado desta eleição é apenas mais um acto de mansidão. Venham a mim os mansos, poderia Marcelo dizer.

Hoje, mais uma vez, fomos mais assim e digo-o sem qualquer azedume, nem tristeza, do que assado.

Guterres, aquele que poderia ser o presidente em vez de Marcelo, também pensa assim como os portugueses: não lhe agrada muito pertencer ao rebanho dos servos, dos assim, mas ainda lhe agrada menos meter-se em assados de revolta e contestação. Prefere um trono de dar bons conselhos sem consequências, como o da ONU. É o melhor exemplar de português que refila mas amouxa.

É fácil, neste quadro de assim, contra assado(S), perceber a ausência de jovens da política nacional e a sua fuga para o emprego no estrangeiro. Nem são assim, dispostos a serem servos, nem querem ser obrigados aos assados de uma revolta. Os pais e os avós já se queimaram por isso e até as pensões lhes levaram.

Marcelo escolheu para palco da sua proclamação aos súbitos a Faculdade de Direito, o local que forma os guardiões da lei, da ordem, da conservação. A sede do império dos desafectos, que todas as faculdades de direito são. Escolheu o local da impostura em que assentamos a nossa vida colectiva: a de que a de que a lei promove a justiça, quando de facto promove a ordem e defende o poder.

Para ser coerente, Marcelo deveria ir a Fátima agradecer e tomar posse em Mafra. Os locais em que os portugueses celebram a fé e a crença no divino para a realização dos seus desejos e derrota dos seus temores. É essa política que Marcelo nos promete: ordem e fé, O mesmo que prometeu o seu padrinho e homónimo Caetano aos portugueses ao tomar posse: fé no futuro porque temos um passado abençoado. Funcionou até à revolta dos descamisados…

Assim e assado

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 19:00

Terça-feira, 19.01.16

Marcelo e os media: das contradições e do populismo à manipulação pura e dura - César Príncipe

o balanço das folhas3a.jpg

 

César Príncipe  Marcelo e os media: das contradições e do populismo à manipulação pura e dura

 

césar príncipe.jpg

 

 

Fernando Correia

O que não faltam no quotidiano das salas de redacção são professores – isto é, antigos ou actuais docentes dos vários níveis de ensino – sejam eles directores, comentadores, analistas, cronistas, jornalistas, fotógrafos, operadores de câmara, informáticos, etc. Mas conhecido por “o professor” só há um. Ele. Só que o currículo do mestre na sua ligação aos media tem muito pouco de magistral – antes pelo contrário.

“O professor”

Apesar de o cognome de Marcelo Rebelo de Sousa (M.) se dever em grande parte à sua assumida intenção de explicar a política aos outros, julgo interessante registar o depoimento de uma jornalista que foi sua aluna há duas décadas na Faculdade de Direito de Lisboa. Eis extractos de um recente texto online de Mafalda Anjos, directora adjunta da Visão.

“Gostava de dar boas notas e, também assim, ‘comprar’” a popularidade que granjeava na Faculdade. Fazia questão de corrigir algumas dezenas de testes, para sentir o pulso à classe. Mas era tão mãos-largas nas notas que até os próprios assistentes subalternos consideravam tal generosidade estupidamente despropositada, e não o escondiam. Para quem quisesse perceber, ficava logo ali bem claro que, com Marcelo, as coisas nunca são o que parecem. Elogiar não é o mesmo que apoiar? Fumar não é o mesmo que inalar? Na cabeça de Marcelo, claro que não. É possível, de facto, dizer tudo e o seu contrário, sempre com um enorme sorriso na cara. (…) Embora adorado pelos alunos, e de longe o professor mais popular da Faculdade no meu tempo (…) nunca foi uma referência entre a doutrina em matéria de direito constitucional. (…) Sempre que me lembro de Marcelo e dos tempos da faculdade, recordo o elogio mais demolidor que alguma vez ouvi sobre alguém: ‘Gosto muito de o ouvir. Costumo concordar sempre com ele, sobretudo nos assuntos que não conheço bem’”.

“Teria de ser muito estúpido”

A relação próxima de M. com a tv tem sido muito falada, tendo em conta, nomeadamente, os últimos anos de presença dominical na TVI. Mas é preciso lembrar que o seu contacto com o público através da palavra e da imagem vem dos anos 90, com presença regular aos microfones da Rádio Renascença e da TSF. Depois veio a tv, entre 2004 e 2005 na TVI, entre 2005 e 2010 na RTP e logo a seguir novamente na TVI, assim consumando uma longa utilização dos media enquanto instrumento de notoriedade e de promoção pessoal. A sua acusação aos candidatos adversários de que, ao contrário do que acontece com ele, não se lhes conhece a posição sobre esta ou aquela situação ocorrida no passado, reveste-se de pouca seriedade e muita hipocrisia.

O apego de M. ao megafone televisivo não tem nada de desinteressado e tem muito de interesseiro. Interrogado, em devido tempo, sobre a sua permanência na tv na hipótese de vir a ser candidato, M. não hesitou na resposta: “teria de ser muito estúpido, e apesar de tudo as pessoas reconhecem-me alguma inteligência, para, podendo ter uma tribuna, até ao verão ou Outono do ano que vem, sendo as eleições em Janeiro de 2016, decidir abandonar essa tribuna um ano antes”. O certo é que só nas vésperas do anúncio da candidatura viria a deixar a preciosa “tribuna” (“lugar elevado de onde falam os oradores” e “os pregadores”, diz o Houaiss).
Realmente, estúpido não será; mas fica à liberdade do leitor escolher outros termos definidores do perfil da criatura.

O vergonhoso caso do Semanário

A ligação mais profunda de M. com os media foi na imprensa, desde logo no Expresso. Num texto tido como elogioso (Sol, 2.1.16) recorda-se que o semanário “era muitas vezes uma arma política” e que “Marcelo chegava a escrever notícias sobre si mesmo”; “inova na forma como se faz jornalismo em Portugal”, pondo, por exemplo, no verão de 1979, “jornalistas a percorrer praias e festas em busca de intrigas sociais.” Em 1981 entra para o governo presidido pelo dono do Expresso, e então, já “do outro lado da barricada do jornalismo político, servia de porta-voz de Balsemão e promovia fugas de informação selectivas para os jornais. Era uma das fontes do então jovem jornalista Paulo Portas.”
Terminemos com a evocação – e não é a primeira vez que o faço, praticamente com as mesmas palavras – de uma história edificante sobre a ligação de M. à imprensa.

Em Novembro de 1983 saía o primeiro número do Semanário (criado por M. e, entre outros, Daniel Proença de Carvalho e José Júdice) em cujo Estatuto Editorial se fazia solene profissão de fé na “liberdade”, na “Pátria”, na “bondade e dignidade do Estado”, na “unidade nacional”, na “iniciativa privada”, na “sociedade das ideias”, no “orgulho da História”, no “reencontro de um sentido espiritual como forma de ter fé na vida”, numa “informação que seja o resultado do rigor no profissionalismo” e numa “opinião que seja livre e tenha mérito”.

Mas as coisas não eram bem assim.

Treze anos volvidos, numa prosa evocativa da efeméride (“Semanário, 13 anos”, in Semanário, 30.11.96), o presidente do conselho de administração no tempo da fundação – M., pois claro – veio confessar e vangloriar-se de que, afinal, por detrás daquelas palavras estava “um projecto político militante”; que o que se pretendia com o jornal era “contestar o Bloco Central e preparar uma alternativa de centro e direita ao Partido Socialista liderante e ao Presidente da República em funções”; e que, “politicamente, o Semanário cumpriu a sua missão”, na medida em que, nomeadamente, “contribuiu decisivamente para a queda do Bloco Central, para a ‘Nova Esperança’ e a subida ao poder de Aníbal Cavaco Silva”, e “em 1987 viu completado o seu desígnio na maioria absoluta do PSD, corolário da luta de anos”.

Manipulação pura e dura, pois, de um candidato a Belém que, sabiamente, Paquete de Oliveira classificou como “um sagaz malabarista que faz do sofisma a maneira mais hábil para esconder a mentira ou a contradição” (Público, 16.1.16).

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 15:30

Sexta-feira, 08.01.16

MARCELUX - César Príncipe

o balanço das folhas3a.jpg

 

César Príncipe  MARCELUX

 

 

Marcelux.png

 

Cartaz retro MRS 

 

   Há razões nacionais e internacionais, regionais e sociais, culturais e de género para obrigar Marcelo a ir à segunda volta e aí ser derrotado e devolvido ao altar-cátedra da TVI (empresa audiovisual dita independente), onde regularmente o lente de Direito celebrou anos a fio missa dominical vespertina. De resto, assaz concorrida e generosamente paga. Segundo a mediatest, contabilizou mais fiéis do que a eucaristia matinal transmitida pela mesma estação. Tratemos, pois, da vaga marcelista (2ª edição). O marcelismo retomou as agendas. Não será assunto instantâneo. O caso remete-nos para o séc. XX. Para milhões de cidadãos – será oportuno recordar - bastou Marcelo I, o que ficou nos documentários, o abandonado pela GNR, cercado pelas tropas e pelo povo, saído in extremis do Quartel do Carmo, encafuado num blindado a caminho do exílio. Que o Supremo Magistrado do Juízo Final o conserve no purgatório como professor e no inferno como ditador. E agora? Brevemente o país será chamado a eleger o inquilino do Palácio Cor-de-Rosa. O Marcelo de 2016, afilhado do Marcelo de 1974, assume-se como vencedor antecipado. O showman conta com o favor dos oráculos da Grei.

Marcelux1.jpg

Saboaria PAF 

Defendemos outro perfil para a Presidência:

1. Os portugueses precisam de um presidente que jure e de facto cumpra e faça cumprir a Constituição. Programa Comum da Democracia. Ponto irrenunciável. Linha intransponível. Marcelo é um sofista da palavra e um retalhista das leis da República. Pratica jurisprudência à la carte. Tem, no entanto, um roteiro de sangue: o dos interesses nacionais e internacionais da alta burguesia. O seu trajecto é o da evolução na continuidade. Pretende-se, com um apagão histórico-dinástico, retirar Marcelo da linha parental de Cavaco. Cavaco Silva e Marcelo de Sousa são estirpes evolutivas de Oliveira Salazar, Américo Tomás e Marcelo Caetano. Estirpes que foram e são apoiadas por idênticas forças económico-financeiras e matrizes ideológicas. A dupla Cavaco-Marcelo, com as suas peculiaridades, (um) hirto e iletrado, (outro) lesto a disparar comentários e a despachar livros, sinaliza o legado do autoritarismo e do elasticismo conservador possíveis num país que passou por uma revolução. Uma ruptura extensa e profunda que forçou o antigamente a esmerar-se em miméticas de hiber(nação), arremedos tiranossáuricos, inflexões tácticas, modulações discursivas. Mas, no essencial, a direita reagrupa-se e cerra fileiras. Por regra, só diverge entre si no episódico e secundário. Com tais performances de ruído e diversão (sociedade plural oblige), a direita, além da prossecução de latos e lautos desígnios, envia um sinal alienatório e instrumental aos insatisfeitos ou revoltados com a sua política: é possível dizer mal e votar nos causadores do mal. A direita (clássica ou pós-moderna) é useira e vezeira a ocupar fortalezas institucionais e privadas, a montar redes de influência, a improvisar coberturas, a estilizar imposturas, a assessorar regressos das castas, a concretizar retrocessos civilizacionais. Tem os cursos todos: os da ditadura real e os da democracia formal.
2. Numa Europa onde cresce a repulsa pelo gangsterismo bancário e pelos fundos-abutres, pelo assalto a patrimónios públicos e rendimentos colectivos e pela degradação dos serviços básicos, nesta Europa que dá múltiplos sinais de resistência e viragem e neste mundo a procurar alternativas ao processo de globalização imperial, precisamos de um chefe de Estado que seja mais amigo de Portugal (Povo Português) do que dos Ricardos Salgados, que provadamente se afirme defensor da nossa soberania, da nossa independência e da nossa honra, com visão multilateral e multifocada, advogado dos nossos legítimos interesses nos centros de representação, legislação e decisão.
3. Os portugueses precisam de um presidente que patrocine a instituição das regiões administrativas e rompa a fatalidade das assimetrias e da discriminação dos investimentos e da desertificação do interior e Marcelo liderou a campanha anti-regionalização que introduziu a figura do referendo no ordenamento constitucional e lançou toneladas de propaganda negra contra a electiva e efectiva descentralização.
4. Precisamos de um presidente que assuma o corpo de valores do trabalho, da segurança social, da saúde, do ambiente, da cultura, da paz, da igualdade e liberdade cívicas e de género e Marcelo é um cultor e difusor de direitos elitistas, machistas e patriarcais: na sua fase de liderança, o PSD votou contra a criação do Serviço Nacional de Saúde e Marcelo gabou-se de haver tido um papel determinante na manutenção da penalização da IVG. No ano da graça de 2016, os utentes em geral do SNS (desorçamentado, onerado de taxas, despovoado de servidores, esvaziado de valências e avaro nas prescrições, fisicamente extinto ou afastado das populações – isto é - sabotado pelos partidos do candidato das II Conversas em Família) e as mulheres em particular deveriam replicar e fazer abortar as pretensões de MRS a Belém. Fazer abortar Marcelo. Passa-palavra. A comunidade feminina portuguesa pagou uma farisaica e vexante factura marcelista: teve de esperar 10 anos para não incorrer em prisão, enquanto as fêmeas da burguesia (abonadas de carteira e informadas dos circuitos) sempre puderam dar ou não à luz ou ao interruptor uterino conforme o seu arbítrio, nem que tivessem de se deslocar a Londres e a outras praças da especialidade. E MRS sabia. E bem. Sempre foi um sensor ambiental.
5. MRS é um músico-geringonça a tocar para grandes públicos, principalmente para as vítimas dis(traídas) do sistema. O sistema deu-lhe corda e visibilidade. É versátil e cativante. Cultiva as artes cénicas. Tanto mergulha na poluição do Tejo como conduz um velho táxi na velha Lisboa. Tem roupeiro para cada saison. Enverga peles de jogador de salão e jongleur de écran. Preza os espaços lux. Sempre frequentou a corte: a corte do capital e a corte da capital. Também não desdenha da corte na aldeia. De quando em vez toma ares de província. Come uns petiscos e inaugura a sua biblioteca e goza o foguetório e aplaude a banda e beija a criancinha ataviada. À moda de personagens reais, aristocráticas e afidalgadas. É a sua regionalização.
6. MRS teve berço estado novo. Ainda jovem escreveu cartas de confidente a Salazar e a Caetano. Numa delas denunciava os comunistas como sombra tenebrosa acobertada na Oposição. Sanhas de mocidade portuguesa, com certeza. Epistolografia adulatória de quem naturalmente (estaria nos horóscopos) idealizava uma carreira na senda paterna. Não há que carregar demasiado na parte juvenil do cadastro. MRS até já cumpriu pena de serviço cívico: passeou pela Festa do Avante!

Rangel, outrora regente da SIC, alardeou ser capaz de eleger um presidente da República com o marketing de um sabonete. O homem era ambicioso e jactante mas tinha queda para o negócio. Há quem não lhe fique atrás: recentemente, a TVI, da multinacional PRISA, lançou a bomba do encerramento/colapso do BANIF. A cacha desencadeou uma corrida aos depósitos, operando-se uma sangria imediata de 1.000 milhões de euros. Ante o descalabro induzido, o Banco Central Europeu fechou a torneira. O Santander, accionista da PRISA, abocanhou o Banco Internacional do Funchal a preço de ocasião. Operação coordenada? Prodigiosa coincidência? De qualquer modo, a TVI mostra o seu instinto matador e o seu faro jackpot. Não há dúvida: facilitou a saída do El Gordo português ao Santander e mantém a expectativa de sucesso da sua candidatura: a marcelista. A confirmar-se o êxito da aposta belenense, a saboaria Judite de Queluz lograria bater a fábrica de sabonetes de Carnaxide, e - voilà - com um produto de largo espectro, já que viria reanimar a direita tecnofórmica e submarinista, ultimamente bastante flácida e cabisbaixa, a precisar (rapidamente e em força) de viagra PAFoda.

Que Deus tenha atempada misericórdia dos portugueses e das portuguesas em idade de votar e procriar.
Reprise do marcelismo, não.
Oremus.

César Príncipe
(01/01/2016)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Augusta Clara às 14:20



Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes


Links

Artes, Letras e Ciências

Culinária

Editoras

Filmes

Jornais e Revistas

Política e Sociedade

Revistas e suplementos literários e científicos