Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.
Paul Watson O Lamento de Moorra
(tradução de Noémia Pinto)
Um conto do Capitão Paul Watson da organização Sea Shepherd que tudo tem feito para combater o ritual massacre de baleiss e golfinhos nas ilhas Faroe pertencentes à Dinamarca.
Tinha ouvido dizer que as ilhas eram lindas, mas tinha ouvido frequentemente histórias horríveis, histórias assustadoras sobre elas. Famílias inteiras passaram perto daquelas colinas altas, escuras e verdes para nunca mais se ter notícias delas.
Hoje não tínhamos grande escolha. A comida escasseava e as lulas corriam perto das escuras praias proibidas.
Alguns dizem que as ilhas estão assombradas por demónios malignos. Outros dizem que uma raça de predadores ferozes vive nas caixas coloridas que vislumbrámos perto da costa. Vimos as suas enormes máquinas de matar flutuantes no mar alto a engolir enormes quantidades de peixe e ficámos chocados com a voracidade do seu apetite.
Uma vez, um primo distante contou-me que conhecia alguém que se tinha conseguido escapulir do horror que se passa nessas praias. Falou do mar a encher-se de sangue e dos gritos das mães à medida que os seus filhos eram dilacerados pelas garras afiadas e impiedosas das criaturas cruéis da praia.
Perguntei ao meu primo o que tinha acontecido a esse seu conhecido. O meu primo respondeu que tinha ficado destroçado emocionalmente. Tinha perdido toda a sua família e sentia-se culpado por não ter ficado para morrer com ela. Um dia, simplesmente morreu de desgosto.
O dia de hoje começou como qualquer outro dia. Conseguia ouvir a tagarelice do camarão e o baque de uma baleia-anã a muitas milhas de distância. Seguíamos um grupo de lulas, o que era empolgante, porque encontrar lulas se tinha tornado difícil ultimamente e estávamos famintos.
Começou por ser um zumbido ligeiro e este zumbido aproximava-se. Era altamente desorientador e, conforme se tornava mais alto, parecia uma muralha maciça de som que nos forçava a afastarmo-nos à medida que se aproximava.
Éramos apenas sete. Tínhamos sido separados do nosso grupo um ano antes por uma dessas coisas flutuantes que trazia atrás de si uma medusa gigante. Era imensa e cintilava com veias azuladas e duras. Vimos as nossas famílias e amigos serem puxados para longe de nós. Foram engolidos por aquela coisa. Nunca mais os voltámos a ver.
E agora este som horrível. O zumbido era agora acompanhado por sons de algo a bater que eram dolorosos e nos cegavam. Tudo o que podíamos fazer era fugir daqueles sons horríveis, mas estes continuavam a aproximar-se cada vez mais. Tentámos, mas não conseguimos fugir.
O som rodeava-nos, forçando-nos a nadar num círculo apertado. Levantei a cabeça por cima da superfície da água e vi objectos estranhos à nossa volta. Estas coisas é que faziam os sons que nos rodeavam, mas não eram coisas vivas, apesar de parecerem ter coisas vivas dentro delas.
E a água por baixo de nós estava a dar lugar a uma solidez estranha. Era claustrofóbico. Estávamos separados do mar por trás e por baixo, quando subitamente vi uma das criaturas mover-se na minha direcção e senti uma dor aguda no meu espiráculo enquanto era brutalmente arrastado pela água e arrastado para uma superfície sólida à medida que toda a água à minha volta desaparecia.
Pude ver dois dos meus amigos estendidos ali perto e foi então que «os» vi. Criaturas horrendas que se moviam em direcção diferente e de uma forma diferente de todas as que vira até então. Faziam barulhos repugnantes.
Vi um grupo daquelas coisas dirigir-se para o meu amigo Boorrna. Tinham apêndices e pareciam estar a segurar objectos. Ouvi o Boorrna gritar de dores e vi que o objecto lhe estava a fazer um buraco na barbatana dorsal. Pegaram noutro objecto e enfiaram-no no buraco feito na barbatana. Era algo de repugnante.
A seguir, vi-os fazer o mesmo à Sharraa e ouvi-a gritar. Era tão penoso respirar, sentia o meu peso fazer pressão no meu peito e os pulmões doíam-me.
Subitamente, uma dor aguda e lancinante disparou por todo o meu corpo. A minha barbatana dorsal parecia estar a ser cortada e ouvi-me gritar tal como tinha ouvido a Sharraa e o Boorrna gritar antes de mim.
Chamei-os, mas a minha voz não podia ser ouvida sem a água para a propagar, tal como também não os conseguia ouvir a eles.
Fui novamente puxado, desta vez de volta à água. «Boorrna, que se passa?»
Ouvi a sua resposta fraca, parecia-me assustado. «Não sei, Moorra, não sei.»
Sentia-me tonto ao mesmo tempo que rolava para o meu lado esquerdo para aliviar a dor do meu lado direito. Estava incapaz de nadar.
«Vem connosco, precisamos de nadar para águas mais profundas.», disse a Sharraa.
«Não me consigo mexer, não consigo nadar», respondi dolorosamente. «Vão sem mim, salvem-se.»
«Não vamos embora sem ti», disse ela.
De repente, a barreira de som voltou, bloqueando as vozes deles, forçando-os a ir para longe de mim. Continuava sem me conseguir mexer e agora aquela muralha, aquela muralha horrível bloqueava o meu caminho para o mar.
Levantei dolorosamente a cabeça para fora da água. Estava rodeado por estas coisas ruidosas e sólidas que flutuavam no mar e à distância consegui ver os meus amigos que se dirigiam para o mar, forçados a afastar-se de mim por mais destas coisas assustadoras e barulhentas.
Fechei os olhos e deslizei de volta ao mar, sentindo-me fraco e confuso.
Repentinamente, senti uma forte pancada nas costas e, quando me virei, vi esta criatura a bater-me com um pau e outra a empurrar-me com outro pau, enquanto eu tentava dolorosamente manter-me a flutuar para poder respirar.
Novamente, vim à tona e levantei a cabeça bem alto fora de água. Estas coisas monstruosas estavam a toda a minha volta e os meus amigos tinham partido. Conseguia ver os seus dentes cintilantes. Os sons que delas saíam eram primitivos e perturbadores.
O que eram eles? O que estavam a fazer?
Só precisava de descansar, mas eles continuavam a atacar-me e empurrar-me. Com grande dificuldade, consegui mexer-me. Conseguia cheirar e sentir o sabor do meu próprio sangue. Estava a sangrar perto do meu espiráculo.
Podia sentir a água por baixo de mim ficar mais profunda e estas criaturas continuavam a empurrar-me e a bater-me e então pararam e ouvi-as afastar-se de mim.
A minha barbatana dorsal latejava, os meus pulmões estavam a rebentar, mas, pior ainda, eu estava perdido.
Levantei a cabeça acima da água. Vi aquelas coisas horríveis afastar-se, mas os meus amigos, a minha família, não estavam em lado nenhum.
A dor de lado aumentava, não conseguia ouvir a minha família debaixo das ondas, não os conseguia ver acima da superfície.
Estava sozinho, completamente sozinho. As colinas por trás de mim escureciam. A água que nunca me tinha parecido fria, começou a ficar fria.
Sozinho, assustadoramente sozinho, e em tremendo sofrimento.
Fechei os olhos e afundei nas profundezas, esperando que a minha família e amigos se tivessem escapado destas ilhas de monstros.
Conforme afundava, vislumbrei uma centena de corpos mortos no fundo do mar. Os corpos esbranquiçados, a apodrecer dos meus semelhantes, jovens e velhos, os caranguejos a comer a carne em decomposição.
Vim descansar no meio deles, os seus olhos vidrados e vazios, e soube que o que estava a ver era um mal que não conseguia compreender, um mal de tão insidioso horror que o meu coração quase rebentou de medo e confusão.
Ouvi uma voz a chamar fracamente. Era a Sharraa. «Onde estás, Morraa, onde estás?»
Olhei novamente para os desventurados cadáveres por baixo de mim e fiquei calado. Não lhe respondi. Não tinha forças para ir ter com eles, mas não os podia chamar para testemunharem esta horrenda e terrível visão.
Preferia morrer a deixá-los ver isto.
Ouvi a voz da Sharraa afastar-se e fiquei aliviado.
Cruz Pereira A RTP para mim acabou
Não sou aficionado, mas ligo a televisão e vejo o canal público (que pago com os meus impostos) a dar tourada ! E já vai na 5ª este ano, com um “share” de cerca de 300.000. Não gosto e nunca gostei de ver. Nem o espectáculo, nem a faena, nem a orquestra, nem o tribalismo. Muito menos posso ver os cavaleiros. Gajos (e agora também gajas) de jaqueta brilhante montados/as num cavalo a espetar farpas que se transformam em bandeirinhas que acenam ao público. Degradante. O cavaleiro é o cobarde da tourada, é o puto/a que insulta e depois foge. As mesmas caras de sempre de olhar bovino. Caras de gente laranja, de bigodes falsamente aristocráticos, as famílias da "tradição" falidas, os betos e os que querem passar por betos, as calças caqui, os penteados, as patilhas…
Não vou continuar a contribuir para isto. Temos que questionar as coisas. É isto a cidadania. Há qualquer coisa de profundamente degradante nas touradas. Não é só o sofrimento do animal, é o espanto com que ele observa os animais da bancada. A incredulidade de estar perante a maldade do mundo. O toiro leva nos olhos uma tristeza de estar assistindo à vileza do humano. Porte imponente, músculos fortes, cornos pontiagudos, nobreza de carácter, mas os olhos. É nos olhos do toiro que nós vemos a sua ingenuidade. Uma criança perdida no meio da multidão.
O animal vive a vida de forma natural. Passa anos a comer ervinhas, a ver pores-do-sol, a esfocinhar amorosamente com outros animais. Vive a vida em liberdade, em campos abertos de luz, por onde pode correr, parar, dormitar, ficar só a ver. Ficar só a viver. Recebe arco-íris com uma chuvinha que lhe molha a língua e as dentolas, afasta borboletas e mosquitos com um espirro, ressona e acorda os pássaros da árvore onde está encostado. O animal não reflecte sobre o mundo, mas vive-o. Sobretudo, sente-o. Os elementos da natureza são-lhe prazenteiros. É-lhe natural ir beberricar aquela água, comer este molhe de ervas, cagar ou mijar onde lhe apetecer. O céu é-lhe natural, as nuvens e o Sol, os caminhos de terra, as plantas, os passarinhos. Aquela brisa que vem em Agosto com cheiro a cereais. Ele levanta a cabeça, fecha os olhos e sente-a. Não pensa sobre ela, mas sabe-a.
De repente, uma arena! Um cubículo de areia com milhares de “pessoas” e vozes e urros! De repente, o horror. Chamam-no, assustam-no, dão-lhe palmadas na cabeça, espetam-lhe ferros frios no lombo. Encosta-se às tábuas, sente a madeira, procura um caminho para voltar para o campo. Está cercado. Cornetas, luzes, gritos. Rios de sangue escorrem-lhe pelo corpo. O peso das bandarilhas coloridas enquanto corre. Não entende aquilo, não sabe o porquê. Cansado, ofegante, em pânico, investe contra o carrossel de homens e cavalos que o rodeiam. Baixa a cabeça, com as patas tenta furar o chão como se pudesse abrir um alçapão que o fizesse cair da arena para um prado onde corresse e lambuzasse as bochechas de outro toiro. Um campo aberto a céu aberto. Sem cornetas, sem pessoas, sem gritos, sem bandarilhas coloridas, sem bigodes quase aristocráticos, sem ferros frios no lombo, sem rios de sangue pelo corpo, sem maldade. O último sonho do toiro antes de morrer. Para mim, a RTP acabou.
Nota de edição: Leiam, também, aqui o texto escrito por um ex-repórter de touradas.
Augusta Clara Os Animais Portugueses de Grande Posse Também Vão à Caça em África
(Entretanto, muitos portugueses comem lixo)
Miguel Pais do Amaral é o dono do grupo editorial Leya que há uns meses destruíu milhares de livros que tinha em depósito em vez de os doar a instituições, nomeadamente bibliotecas públicas, ou a pessoas sem dinheiro para os comprar. Poderia ter sido uma louvável acção mas nada escapa ao tão endeusado mercado. Nem os livros. E lá foram todos parar à guilhotina como no tempo da Revolução Francesa os rebeldes. Antes isso do que a fogueira que poderia estabelecer conotações com tempos mais próximos.
E os milionários portugueses não matam pessoas. Só animais selvagens de grande porte, em caçadas no continente africano, de acordo com o artigo do Expresso desta semana. Aí o mercado é outro e envolve muitos milhares de euros pela morte de cada animal. Pois o Sr. Pais do Amaral é desses. Poupou nos livros, gastou nos leões, nos leopardos, nos elefantes de que, dizem - diz o Expresso - tem a casa cheia de troféus. Só para os livros é que não tinha espaço.
O interessante Sr. Pais do Amaral confessa que, às vezes, lhe fazia impressão matar antílopes. Mas leões, elefantes, leopardos não, "São animais maus e perigosos. Não são simpáticos como os que aparecem nos filmes da Disney". Realmente! Não nos fazem sorrir como os cinicamente imbecis argumentos do milionário português.
Depois há o da bola que lamenta a nossa "ideia errada" sobre os matadores daqueles bichos sem importância - neste contexto também tenho direito a um pouco de cinismo. "Pensam que somos selvagens, mas somos os maiores amigos dos bichos e ajudamos a manter as espécies (..)". Este já matou "tudo o que se possa imaginar, menos leões porque são o símbolo do clube".
Para o Sr. Pais do Amaral há animais maus que têm de ser mortos como os livros maus da Leya que davam muito trabalho a matar com carabina. Arranjou-lhes uma solução global.
O outro, o da bola, arroga-se o direito de se pronunciar sobre a regulação de populações animais. Eu, da regulação desse mundo, o da bola, não sei nada nem quero pronunciar-me. Mas, por amor das vossas bolinhas, deixem lá os animais selvagens em paz. Têm bastante onde fazer circular milhões, na compra de homens.
Rosa Montero Basta ya
Hoy, una vez más, un pobre toro será lenta y sádicamente torturado hasta la muerte en Tordesillas
Publicado no El País. Opinion, em 17 de Setembro de 2013
Basta ya. Hemos llegado, una vez más, a este día emblemático de la brutalidad y la miseria moral. A este martes de septiembre que simboliza todo lo que odio de la sociedad española: su parte oscura, retrógrada, violenta, inculta, primitiva, tribal. Hoy, una vez más, un pobre toro será lenta y sádicamente torturado hasta la muerte en Tordesillas. Quizá en este mismo momento, mientras lees esto, uno de esos cobardes que se autodenominan pomposamente “lanceros” le esté tajando las tripas con una cuchilla.
Basta ya. Año tras año intento apelar a la solidaridad de la gente de bien, que, lo sé, son multitud y ganan por goleada a ese puñado de energúmenos. Incluso en Tordesillas, esa bella ciudad manchada de sangre, hay muchos a quienes asquea esta masacre. Pero se callan. El sábado, en Madrid, hubo la mayor manifestación animalista que se ha celebrado jamás en España (medía más de un kilómetro de largo: qué lamentable el poco reflejo que tuvo en la prensa) y fue contra el Toro de la Vega. Sé que hay otro país y que estos torturadores forman parte de nuestro pasado. Pero ¿hasta cuándo vamos a permitirles celebrar esta orgía de sufrimiento? ¿Hasta cuándo seguirán manchando la reputación de toda España con su ferocidad medieval y obscena?
Basta ya. Esto va dirigido a los políticos. A esa Junta del PP que ampara tal barbaridad. A ese alcalde de Tordesillas del PSOE que comparó el Toro de la Vega con una obra de teatro. Son ellos, los partidos, los verdaderos culpables. Ellos deberían defendernos de estos salvajes. Ellos deberían impedir esta glorificación del sadismo y la violencia (diversos estudios han demostrado la relación entre los maltratadores de animales y los de personas). Reniego de esos políticos cobardes e ineptos que permiten que esta monstruosidad, incomprensible en toda Europa, siga existiendo. Vergüenza y estupor. No nos representan.
.
Canil de Leiria
Como este mundo está cada vez mais parecido com o Inferno de Dante, denunciou-se aqui o morticínio sistemático de crianças do sexo feminino e de violência sobre as mulheres na China e na Índia. Hoje cabe a vez aos maus tratos dos animais, agora não só noutros países mas também no nosso e em instituições oficiais onde não se podem permitir tão bárbaros tratamentos como, por exemplo, os verificados no canil de Leiria (ver fotografias). Certamente não será este o único local que aloja animais abandonados onde isto acontece. Seria muito optimista se em tal acreditasse, mas estas são as fotografias que me chegaram às mãos.
O que delas se pode deduzir é a existência de cães e de gatos a morrerem por falta de alimentos, de tratamento sanitário e de cuidados veterinários, em estado de inanição.
Pergunta-se: - Como é possível persistir nesta crueldade?
É verdade que se faz o mesmo com pessoas, o que não invalida a nossa denúncia de todas as situações idênticas porque os animais também sofrem mas não têm voz para protestar.
VAMOS FAZER CIRCULAR ESTAS FOTOS POR TODO O PAÍS E PROTESTAR JUNTO DAS ENTIDADES RESPONSÁVEIS PELOS CANIS MUNICIPAIS.
.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.