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Jardim das Delícias


Segunda-feira, 13.05.19

O QUE EU QUERIA VER (E DEVIA SER) DISCUTIDO NA CAMPANHA PARA AS ELEIÇÕES EUROPEIAS (independentemente das questões económicas e financeiras de que toda a gente fala) - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos   O QUE EU QUERIA VER (E DEVIA SER) DISCUTIDO NA CAMPANHA PARA AS ELEIÇÕES EUROPEIAS (independentemente das questões económicas e financeiras de que toda a gente fala)

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- O combate intenso e coordenado ao avanço da extrema-direita na Europa e uma campanha de esclarecimento às populações sobre as consequências do retorno de governos fascistas;
- A expulsão da União de países onde se instalem governos com políticas e práticas fascistas e que permitam a livre expressão de grupos que defendem a ideologia nazi e cometem crimes com base nesta ideologia;
- O acolhimento e integração de refugiados e suas famílias como cidadãos europeus de iguais direitos, desmontando a ideia ainda reinante em muitas cabeças de que são todos terroristas;
- O fim da venda de armas por países da EU a países, grupos e coligações que as têm utilizado para destruir países através de guerras que tiveram unicamente como fim roubar-lhes as matérias primas, sabendo nós que foram essas guerras a origem da fuga em massa dos seus habitantes em direcção à Europa nas trágicas condições que levaram a milhares de afogamentos;
- A uniformização de leis em todo o espaço da UE que penalizem sem condescendência a corrupção e as grandes fraudes financeiras que enfraquecem e deterioram a economia dos países;
- Como consequência do afirmado no parágrafo anterior, a luta por uma Justiça igual para todos os cidadãos e não diferenciada entre os que têm dinheiro para se defender e os outros;
- O combate sério e generalizado a todo o tipo de descriminação com base na opção sexual, política, de credo religioso ou outra;
- Exigência da protecção dos mais frágeis como as crianças, os deficientes e os idosos;
- Combate à violência doméstica e, especificamente, que seja dada maior atenção à violência contra as mulheres que tem assumido contornos escabrosos em vários países europeus;
- Acérrima exigência pela liberdade de opinião e de expressão.

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por Augusta Clara às 18:11

Sábado, 27.04.19

A extrema-direita espanhola, as mulheres e os defensores dos animais - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos  A extrema-direita espanhola, as mulheres e os defensores dos animais

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       Amanhã há eleições em Espanha.
Num dia desta semana, um comentador do telejornal da RTP2 apontou, entre os principais motivos para a ascensão da extrema direita naquele país, a explosão dos movimentos feministas com as consequentes reivindicações das mulheres e os movimentos anti-tourada e defensores dos animais. Que coisa mais estranha!
Nunca me tinha constado pelo que tenho lido da História da Europa que os machistas descontentes e os marialvas tivessem tido influência na subida do nazismo ao poder. Bem sei que na Alemanha não havia touradas mas o Hitler até gostava de cães. Se estes fossem motivos fortes, há quanto tempo a teríamos por cá empoleirada no poder ou nem nunca teríamos derrubado o fascismo.
Deixemo-nos de tolices. O crescimento da extrema-direita acontece por motivos económicos e pelo terror infligido às pessoas através de mecanismos enganosos de condicionamento psicológico, fazendo uso da despolitização provocada na maioria dos indivíduos, normalmente os mais desfavorecidos, de uma população.
Os motivos económicos actuais são, sem dúvida, da responsabilidade das políticas da União Europeia e dos Governos da maioria dos países que a constituem que têm sido postas ao serviço da banca e dos banqueiros executores com perícia das grandes fraudes financeiras com enorme peso no acentuar das desigualdades sociais.
Eis um dos caldos de cultura de que se alimenta a extrema-direita, oriunda do mesmo clube de ladrões capitalistas, com as falsas promessas de reversão da situação que sabe nunca ir cumprir. Ao convencer e arregimentar para as suas fileiras os descontentes e incautos, se chegar ao poder, mais não fará do que reforçar a sua exploração e esmagar-lhes futuras rebeliões.
O que têm, então, as mulheres a ver com isto, elas que até às mãos dos mais explorados têm sofrido?
O segundo motivo actual para a aumento da extrema-direita na Europa prende-se com a questão dos refugiados que têm afluído através do Mediterrâneo em fuga às deploráveis condições de vida e às guerras nos seus países desencadeadas pelos ocidentais e “civlizados” sorvedores de petróleo. Virando-se o feitiço contra o feiticeiro, ao engolirem-lhes o petróleo e deixaram-lhes os países feitos em cacos, são agora pressionados a acolhê-los e a dar-lhes possibilidades de continuarem a viver. Que pior havia de acontecer a quem já se recusa a partilhar com os seus do que ainda lhe aparecerem esses “terroristas” e as suas famílias para lhe ficarem com mais umas migalhas? Toca, pois, a meter isto na cabeça daqueles a quem já roubaram tanto para que eles os ajudem a livrar-se desses malfeitores que conseguem chegar à Europa sem se afogarem.
Digam-me, então, o que têm as mulheres e todos os que rejeitam as touradas e os maus tratos aos animais com a ascensão da extrema direita na Europa e, particularmente hoje, em Espanha. Nem Dali diria tal coisa!

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por Augusta Clara às 20:13

Segunda-feira, 22.04.19

Que democracia é esta? - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos  Que democracia é esta? 

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   Afinal vivemos numa democracia e num Estado de Direito ou numa ditadura?

Então como se entende que tenha sido convidado para intervir num fórum onde se debaterão exactamente estes temas o Ministro da Justiça de um Estado que, neste momento, é tudo menos uma democracia, um Estado com um presidente que elogia os torturadores da ditadura militar, onde se destroem em ritmo acelerado todos os preceitos legais e todas as instituições que pretendiam uma aproximação social dos direitos dos cidadãos brasileiros, um Estado onde reina a injustiça e o terror diários?

Como pôde a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa fazer este convite a Sérgio Moro e como pode o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acolher tão nefasto hóspede?

Nesta altura do ano, ao comemorar-se o aniversário da Revolução dos Cravos, é da praxe os jornais e televisões entrevistarem Otelo Saraiva de Carvalho e é sempre com um sorriso complacente que os entrevistadores voltam a ouvir a sua manifestação do desejo de que uma sociedade de democracia directa se tivesse construído a partir da queda da ditadura. E é, igualmente, com um esgar de bonomia, como quem faz a pergunta a um puto da escola, que o interrogam sobre se conhece algum país onde isso tivesse acontecido. A resposta certeira não pode ser mais do meu agrado: - “Construíamo-la nós!”. É isto a utopia. E são as utopias que têm feito o mundo dar saltos.

Eu não posso ser contra os partidos porque sei que a minha vida já não dá tempo para grandes mudanças. Mas os verdadeiros democratas estão a ser submergidos por uma avalanche de nepotismo e de total ausência de nobreza na condução da causa pública, isto é, dos interesses fundamentais de todos nós. Espero que esses, os poucos que no exercício do poder têm essa verdadeira vocação, lá se mantenham. Quanto a nós, os outros todos, SOMOS LIVRES desde o 25 de Abril para podermos formular perguntas como por exemplo, esta:

- O que vem cá fazer um fascista igual àqueles que expulsámos há 45 anos?

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por Augusta Clara às 16:47

Sábado, 13.04.19

Confusões muito convenientes - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos  Confusões muito convenientes

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   Há coisas nos tempos de hoje que estão a tornar-se perigosamente - não é exagero utilizar o advérbio - apreciadas e divulgadas como é o caso da oportuna e incentivada confusão entre o que é o saber e a competência e o que configura a promovida ignorância. E não se trata aqui da ignorância de que todos padecemos em relação a tanto que há para saber. Trata-se de desprezar, atacar e incentivar ao ataque do reconhecido e provado conhecimento adquirido por quem para isso trabalhou e o pôs ao serviço da comunidade.

O mundo vai ao arrepio da democracia. Os estúpidos e os venais conseguiram atingir os lugares de maior poder sobre tudo e todos graças não só ao poder bélico mas tanto ou mais ao comportamento acéfalo e permissivo de grande parte dos cidadãos dos países que se reivindicam dessa mesma democracia. Sabemos bem como lhes foi e tem sido criado o caminho do entorpecimento da razão para aí chegarem.

Quem tem as principais ferramentas para ajudar a inverter este estado da mentalidade colectiva, a Comunicação Social, não o faz. Deixa-se caír, na melhor das hipóteses, no conformismo do assumido como inevitável rumo do futuro global. E a quinquilharia das “ideias” prolifera em todo o suporte onde se podem juntar letras ou sons falados.

O saber é considerado arrogância e a estupidez humildade. E esta confusão contamina até, subrepticiamente, sectores que têm o dever e a capacidade de não se deixarem contaminar.
Neste mundo virado do avesso, oxalá a queima de livros não se propague como se tem propagado a inconsciência e a indiferença crescentes pela anulação dos direitos humanos.

“Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar!” sob pena de sermos nada mais que mais um.

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por Augusta Clara às 20:53

Quarta-feira, 13.03.19

En directo desde Venezuela (Una delegación internacional de activistas contra la guerra visita Venezuela)



Traducido para Rebelión por Paco Muñoz de Bustillo

Rebelión, 12 de Março de 2019

Bueno, conseguimos llegar a Venezuela, pero no fue fácil. Estados Unidos ha cerrado su embajada en Caracas porque no reconoce al gobierno. Por ello, es imposible conseguir un visado. Tal vez esta sea una de las razones por las que cerró la embajada. Si no puedes conseguir un visado y viajar a Venezuela, no puedes ver por ti mismo lo que está pasando y ofrecer un relato contrario al mayoritario. Pero seis de nosotros lo conseguimos y otros llevan camino de hacerlo, aunque con retraso. La mayor dificultad la pusieron las aerolíneas estadounidenses. Si utilizas en una de ellas durante la primera parte del viaje, simplemente no te permiten entrar al avión.

En nuestro vuelo a Caracas coincidimos con Bahman Azad, secretario de organización del Consejo por la Paz estadounidense, que patrocina el viaje, Gerry Condon, presidente de Veteranos por la Paz, Sara Flanders, co-coordinadora del International Action Center, Ajamu Baraka, coordinador nacional de Alianza Negra por la Paz, Joe Lombardo, co-coordinador de la Coalición Nacional Contra la Guerra, la periodista progresista Eva Bartlett y yo mismo. Como no pudimos conseguir los visados antes de salir, el gobierno de Venezuela envió una carta a cada uno de nosotros explicando que teníamos autorización para entrar en el país.

Entre las últimas horas de hoy y mañana llegarán para completar la delegación Sarah Martin, de Mujeres Contra la Locura Militar, Kevin Zeese y Margaret Flowers, de Resistencia Popular, Darien Du Lu, presidenta de la Liga Internacional de Mujeres por la Paz y la Libertad, Miguel Figueroa, presidente del Congreso por la Paz canadiense y Daniel Shea, del comité de dirección de Veteranos por la Paz.

En el aeropuerto nos encontramos con miembros del Comité de Solidaridad Internacional (COSI) *. Nos condujeron hasta el hotel y nos explicaron cómo están las cosas con los apagones y las dos manifestaciones contrarias de ayer. El oeste de Caracas es donde vive la clase media alta que constituye la base de la oposición al gobierno de Maduro. El este de Caracas es lugar de residencia de la clase trabajadora y la población negra y apoya mayoritariamente a Maduro. Hace años era un auténtico barrio de chabolas, pero la revolución bolivariana destinó muchos recursos a la comunidad y ahora sus pobladores viven en agradables edificios de apartamentos.

Cuando llegamos no había luz. Alrededor del 80% de la población carecía de electricidad. El hotel en el que nos alojamos posee su propia planta solar, por lo que cuenta con electricidad y wifi (aunque sea de manera intermitente, y en el momento de escribir esta nota desde mi habitación lo hago a oscuras). Nos explicaron que ha habido dos ataques al sistema eléctrico venezolano; ambos tenían como objetivo el sistema informático que gestiona la energía. Si la electricidad producida no puede enviarse a los lugares que la demandan, existe el peligro de sobrecarga y el sistema se viene abajo. El primer ataque se produjo el jueves pasado. Los operarios eléctricos consiguieron reiniciar el sistema y los ordenadores siguieron funcionando, pero entonces se produzco un segundo ataque, los ordenadores volvieron a venirse abajo y, en el momento en que escribo, la energía no ha podido restablecerse todavía.

Nos explicaron que, a pesar del apagón, las dos manifestaciones programadas para ayer se celebraron. El corte del suministro supone que la gente no puede utilizar las tarjetas de débito para comprar, que los semáforos no funcionan, pero lo peor de todo es que el metro de Caracas tampoco funciona, y este es el medio de transporte utilizado por la mayoría de ciudadanos, al menos los de clase trabajadora, para moverse por la capital. En todo caso, a pesar del apagón, la manifestación a favor de Maduro fue muy numerosa. La de apoyo a Guaidó estuvo menos concurrida de lo esperado.

Las personas progresistas con las que hablamos sobre esto nos dijeron que desde que el pasado 23 de febrero la supuesta “ayuda” no consiguió atravesar la frontera y los soldados que la acompañaban no pudieron entrar en Venezuela, el apoyo a Guaidó ha perdido fuerza, como demuestra la escasa presencia en esa manifestación. No fueron los seguidores de Maduro quienes nos hablaron de la poca participación, sino un corresponsal extranjero que asistió a ambas.

En la manifestación de la oposición, Guaidó afirmo que un gobierno legítimo –se refería a sí mismo– tenía el derecho constitucional a solicitar una intervención militar del exterior; que él no iba a decir cuándo se produciría, pero que dicha intervención tendría lugar. Algunas personas pensaban que los apagones son en realidad un ensayo de lo que EE.UU. podría hacer para interrumpir las comunicaciones durante una invasión.

Pude ver la cobertura que realizó la CNN de estas manifestaciones. Esta cadena intentó poner “buena cara” a lo que pasó ayer. Afirmaron que a la manifestación favorable a Maduro asistieron los mismos de siempre y que Maduro culpó de todo a las sanciones y la intervención de EE.UU. No hicieron mención alguna a la concurrencia de una y otra convocatoria, pero mostraron parcialmente la escasa participación en la de Guaidó y entrevistaron a una mujer que chillaba contra la “dictadura” de Maduro.

A lo largo del día pudimos tener conversaciones informales con miembros del equipo del COSI que había organizado nuestra llegada, incluyendo a Carolus Wimmer, su presidente, y con Carlos Ron, vicepresidente de asuntos exteriores venezolano.

Nos dijeron que aunque puede que la población esté dividida equitativamente a favor y en contra de Maduro, la propia oposición está gravemente dividida y el 86% de la población es contraria a la intervención extranjera.

Al final del día todos los miembros de nuestra delegación, menos dos, habían llegado y celebramos una reunión con nuestros anfitriones en la que repasamos las actividades previstas para la semana y discutimos la posibilidad de celebrar un acto en Caracas.

Ya hemos tenido multitud de propuestas de entrevistas para diversos medios. Cuando regresemos nuestra delegación tiene prevista una conferencia de prensa en la ONU, un informe público y un seminario por internet. La United National Antiwar Coalition dará información pública de estos actos.

Joseph Lombardo es codirector de la United National Antiwar Coalition

Nota: * El Comité Internacional de Solidaridad Internacional (COSI) es una ONG creada en 1971 en Venezuela por reconocidos activistas internacionales. Desde 1972 es miembro del Comité Ejecutivo del Consejo Mundial de la Paz (World Peace Council) creado tras la Segunda Guerra Mundial con el fin de promover la coexistencia pacífica entre naciones y el desarme nuclear.

Fuente: https://www.counterpunch.org/2019/03/12/live-from-venezuela/

El presente artículo puede reproducirse libremente siempre que se nombre a su autor, su traductor y a Rebelión como fuente del mismo

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por Augusta Clara às 22:41

Quinta-feira, 04.10.18

10 Anos de Web Summit - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos  10 Anos de Web Summit

 

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   Vamos ter a Web Summit em Portugal durante os próximos 10 anos. E aqui começa logo a minha estranheza.

Summit significa Cimeira e de tantas já reza a História mas nunca ouvi falar em nenhuma que tivesse durado 10 anos. Eu sei que somos pródigos em originalidade mas este período que corresponde quase ao tempo de uma geração deixa-me desconfiada.

Estive a ouvir com toda a atenção o que foi dito no substancial tempo de antena atribuído ao evento no telejornal da noite da RTP2 e não foi dita uma qualquer palavra quer pelo dono da crescente cimeira, quer pelo Primeiro-Ministro, quer pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, como sempre babado de cosmopolitismo, que indicasse uma única área ou projecto de investigação a beneficiar dos milhões apregoados que chegarão ao país por esta via.

Pouco percebi do objectivo porque foi tudo falado em economês. Falou-se de dinheiro, muitos milhões, de “ser bom para Portugal”, de empresas cotadas na Bolsa, mas de ciência e tecnologia Nada!

E, então, aí os meus neurónios entraram em convulsão porque se recordaram da boneca de plástico que puseram a falar connosco na última Web Summit. E vai daí, eles, os meus neurónios esticaram os braços uns aos outros e fizeram-me chegar a suspeita sobre se não se estará a projectar, em segredo, uma nova geração de portugueses de plástico como a sua Pitecantropa artificial que, depois, poderíamos exportar para o novo mundo que se avizinha onde o sol não faz falta nenhuma porque vai sendo coberto por uma nuvem negra.

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por Augusta Clara às 22:32

Segunda-feira, 17.09.18

A caminho da Internacional Fascista? - Augusta Clara de Matos

 

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Augusta Clara de Matos  A caminho da Internacional Fascista?

 

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   Que eu saiba a União Europeia, apesar de se intrometer muito nas políticas internas dos países e não dever, como há quem afirme por aqui e com razão, não contempla nos seus documentos fundadores uma união de países de regime fascista. Quando se formou não estava prevista a viragem que vários países da antiga Cortina de Ferro viessem a sofrer com a instalação da extrema-direita no poder. Já bastante antes do início deste processo nos lembramos das discussões havidas à volta da entrada ou não da Turquia como membro da União por ainda ali vigorar a pena de morte. Portanto, a União Europeia formou-se pelo agrupamento de várias democracias. Se internamente cada uma delas cumpre os requisitos que as caracterizam, isso é outra coisa.

Mas o caso da Hungria e de outros países como a Polónia e a Áustria já ultrapassam as malformações democráticas e assumem-se como regimes autoritários de características fascistas. São os direitos humanos mais básicos que estão a ser atacados, incluindo os dos refugiados que chegam à Europa a fugir das guerras e da penúria nos seus países; é o ataque às opções sexuais, políticas e religiosas dos seus cidadãos; é a perseguição às minorias étnicas como os ciganos e a anulação de outras liberdades típicas da democracia.
Países que adoptem regimes fascistas devem ser expulsos da União Europeia.

O fascismo está a alastrar rapidamente na Europa e não se vê ninguém tomar medidas que lhe ponham travão. Não se entende, por isso, a votação do PCP, um partido antifascista, contra as sanções propostas no Parlamento Europeu à Hungria. E escuso-me de rebater os argumentos que o partido, ultimamente, tem evocado quando se esperariam tomadas de posição contrárias às que adoptou – em relação ao regime Angolano de José Eduardo dos Santos, à eutanásia, às touradas, que me lembre agora – porque são tão inconsistentes que não têm ponta por onde se lhes pegue.

E eu não quero viver numa União Internacional Fascista!

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por Augusta Clara às 12:00

Terça-feira, 21.08.18

Em jeito de resposta à CARTA DO PAPA FRANCISCO AO POVO DE DEUS - Adão Cruz

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Adão Cruz  Em jeito de resposta à CARTA DO PAPA FRANCISCO AO POVO DE DEUS

 

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Meu caro amigo Papa Francisco


Desculpe tratá-lo assim, sem formalidades. Tenho por si respeito, consideração e sinto que sou seu amigo. Tenho, sobretudo, alguma compreensão. Compreensão pela enorme dificuldade que sente em lidar com a doença da sua igreja, pela obrigação que lhe cabe de limpar a infecção que a instituição que chefia vai deixando pelo caminho e pela impossibilidade de apresentar as medidas concretas que toda a gente reclama. Não tenho dúvidas de que é um homem sério, honesto e bem intencionado, mas também não tenho dúvidas de que é um homem incapaz de curar este cancro bem mais difícil do que o da menina a quem deu um beijo. Mas não é por isso que o quero acusar, nem tenho o direito de o fazer. A carta que escreveu foi dirigida ao Povo de Deus, ao qual não pertenço. No entanto, convivo diariamente com esse mesmo povo e navegamos no mesmo barco, o que legitima, até certo ponto, a minha resposta.

Somos mais ou menos da mesma idade, ambos fomos enjaulados num seminário de jesuítas onde me cortaram as asas da minha infância e adolescência, dos dez aos catorze anos. Em vez de desenvolverem em mim a liberdade de pensar com que “Deus nos dotou”, sempre me alimentaram com o secular e religioso paínço com que se domesticam as aves engaioladas. Com o Papa Francisco, nessa idade, provavelmente aconteceu o mesmo. Simplesmente o Papa Francisco chegou a Papa e eu não passei de um percevejo igual aos que subiam pelas pernas da cama da nossa camarata. Felizmente! O que me valeu foi pirar-me daquele inferno onde deram cabo da minha liberdade, galgando os altos muros da cerca do seminário, numa qualquer madrugada em que a minha vida deixou de ser a mais grotesca forma de não ser. Em relação ao tema que motivou a sua carta e a minha resposta, não tenho consciência de algum dia ter sido assediado sexualmente, mas lembro-me de certos gestos, atitudes e palavras como “amizades particulares”, entre padres e alunos e mesmo entre alunos, coisa que eu na altura não entendia e hoje entendo perfeitamente. Fui uma violentada vítima da religião mas nunca fui vítima sexual.

A sua carta ao Povo de Deus é uma montanha de eufemismos e de subterfúgios. O seus eufemismos, ainda que pacificadores, não conseguem esconder que o abençoado e teórico coração da igreja foi sempre um coração falso, hipócrita e obscurantista. E isso é tanto mais grave quando toda a gente sabe que o Papa Francisco é uma pessoa inteligente. Fala de abusos sexuais de crianças “cometidos por um número notável de clérigos e pessoas consagradas” quando devia falar de um número incomensurável e intercontinental de vis e obscenos criminosos, capazes de agressões cujas características até arrepiam um ser humano normal, e que deviam ser julgados e eventualmente encarcerados. Fala em olhar para o futuro no sentido de “gerar uma cultura capaz de evitar que estas situações aconteçam e não encontrem espaços para serem ocultadas e perpetuadas”. Situações e espaços são o que não falta nos milhões de sinistros alvéolos deste secretíssimo labirinto que é a igreja. O problema não está nos espaços nem nas situações mas na mente perversa, sórdida, talvez doente em muitos casos, de milhares de cabeças que encimam qualquer traje eclesiástico, nomeadamente os ridículos e espalhafatosos trajes cardinalícios. As suas palavras, para além de eufemismos, são palavras ocas. O meu amigo Papa Francisco sabe perfeitamente e muito melhor do que eu que essa cultura, essa dignidade, esse carácter, essa ética humana religiosa, os sagrados princípios e mandamentos que deveriam ser o coração da igreja a que preside, nunca existiram e dificilmente poderão existir, porque a árvore está podre há séculos. A sede de poder, a ligação à riqueza e à vaidade, a demagogia, a falsa caridade, a lavagem cerebral, a manipulação de massas que é exercida diariamente pela pérfida organização, com objectivos económico-financeiros acima de tudo, as monumentais fraudes financeiras, a colaboração em actos bélicos com ditaduras e opressões, a escandalosa luxúria de grande parte da cúria romana, por vezes a expensas de esmolas e fundos caritativamente doados para fins humanitários, a profunda hipocrisia reconhecida por muito do “Povo de Deus”, a perda da liberdade de pensamento e a ditadura religiosa são o tronco dessa árvore que não pode deixar de dar ramos criminosos de que é exemplo o inadmissível crime universal da pedofilia.

Diz o Papa Francisco que “a dor dessas vítimas é um gemido que clama ao céu, que alcança a alma e que, por muito tempo, foi ignorado, emudecido e silenciado. Mas o seu grito foi mais forte do que todas as medidas que tentaram silenciá-lo”. Mais eufemismos, mais subterfúgios. Ignorado, escamoteado, emudecido, silenciado. O Papa Francisco sabe que foi a igreja e só a igreja a calar esse gemido, criando inclusive uma espécie de catecismo ou de mandamentos que continham as regras e a conduta a seguir pelos clérigos para silenciar, esconder e abafar tais crimes. Foi a igreja que sempre tentou emudecer e silenciar não só o grito das vítimas mas sobretudo o ribombante clamor de tanta gente honrada e horrorizada, mesmo dentro do Povo de Deus, a denúncia amplamente difundida por numerosos jornalistas e investigadores de grande prestígio (Eric Frattini, Gianluigi Nuzzi, Emiliano Fittipaldi, David Yallop e tantos outros) que escreveram dezenas de livros profundamente documentados, sendo muitos deles levados a tribunal pela própria igreja e de lá saindo absolvidos.

Não vou comentar toda a carta do Papa Francisco, até porque grande parte dela é tecida de conceitos e questões religiosas que não me dizem rigorosamente nada. Mas quando o meu amigo Papa Francisco se dirige ao Povo de Deus sabe a quem se dirige, e sabe que, apesar de haver muita gente de fé que pensa e julga, a maior parte das pessoas cuja fé ninguém tem o direito de condenar são pessoas que, de uma forma ou de outra, perderam ou desleixaram a capacidade de pensar pelas suas próprias cabeças, nunca tiveram interesse e curiosidade na análise dos fenómenos que as rodeiam nem alimentaram a necessidade de julgamento, prescindem do conhecimento da verdade, fugindo mesmo dela quando pressentem que ela espreita e não querem dar à consciência o valor que ela tem, porque foram ensinadas e formatadas para não duvidarem de uma integridade e de uma sacralidade que a igreja nunca teve.

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por Augusta Clara às 23:06

Quinta-feira, 16.08.18

Complacência, o cancro mole dos democratas - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos  Complacência, o cancro mole dos democratas

 

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   Algum bom senso prevaleceu naquela organização denominada Web Summit para anular o convite a Marine Le Pen a vir discursar durante o evento. Mas não creio que se deva ao bom senso dos organizadores senão à pressão de muitos portugueses que deitam fascismo pelos olhos, à posição de alguns, raros, elementos do PS que não do seu partido, tal como à de outros do PCP. Que eu me tenha apercebido, a posição do Partido Comunista Português, como organização política, foi tão suave que quase não se deu por ela. Apenas um partido por inteiro, o BE, tomou uma posição forte ao interpelar o Governo no sentido de impedir Marine Le Pen de vir participar como oradora no evento.

Pela CML, na pessoa do seu presidente Medina, sempre tão efusivo a acarinhar estrelas mundiais, já não ponho as mãos no fogo.

Mas muitos comentários que por aqui li fazem-me lembrar a Alemanha, em particular, e a Europa das democracias dos anos 30 e começo a duvidar que a História, de facto, nos tenha ensinado alguma coisa. Se bem se lembram os que se interessam por saber como o mundo caminha e caminhou, tanta complacência e medo de ofender os nazis, mais o convencimento da sua fraqueza nunca os deixar chegar ao poder, levaram à derrota da República Espanhola e à sanguinária Guerra Civil que se lhe seguiu bem como aos horrores da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto.

Quando uma pessoa chega aqui e vê pessoas a dizerem que somos democratas e, por isso, é preferível arvorarmos aquela postura de S. Jorge a combater o dragão, neste caso o fascismo da Le Pena, mas na reunião, para ela aprender e ver como temos razão, eu pergunto das três uma: ou nasceram já depois do 25 de Abril, ou não sabem nada da História da Europa do século passado ou estão-se nas tintas porque se convencem de que a elas nunca acontecerá nada se os fascistas voltarem ao poder.

Os mal intencionados poupem-nos a essa cangalhada argumentativa sobre extrema-esquerda, extrema-direita, comunismo, etc., etc. com o objectivo de criarem a ignorante turbulência como única actividade em que demonstram competência.

Aos outros a ingenuidade, no melhor dos casos, leva-os a esquecerem-se de que para sermos todos livres, o que implica muita coisa, temos de impedir a liberdade de alguns só a quererem para muito poucos à custa, se for preciso, da vida de muitos outros.

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por Augusta Clara às 19:05

Sexta-feira, 20.07.18

Ysrael, you have a problem - Valdemar Cruz

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Valdemar Cruz  Ysrael, you have a problem

 

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Expresso Curto, 20 de Julho de 2018

 

Ainda no mundo ecoavam os festejos do centenário do nascimento de Nelson Mandela, e já Israel concretizava no Parlamento – Knesset – a ameaça esboçada ao longo dos últimos tempos de aprovar a lei do Estado Nação do povo judeu, através da qual legaliza, de facto e de jure, um regime comparável ao “apartheid”, como afirmaram alguns deputados da oposição. Ao reservar em exclusivo para os judeus o direito à autodeterminação e ao estabelecer o hebreu como única língua oficial, Israel institucionaliza a discriminação em relação aos palestinianos, uma situação muito bem documentada, mesmo antes desta lei, pelo Departamento de Estado dos EUA e outras organizações independentes de âmbito internacional, como estruturas da ONU.


Aprovado com oito votos a favor e sete contra, o novo texto, que torna legaliza a discriminação de quem não é judeu, reconhece o direito à autodeterminação, mas apenas a uma parte da população constituinte do estado de Israel. Tal como está escrito, “o direito a exercer a autodeterminação nacional no Estado de Israel é um exclusivo do povo judeu”. A importância e o significado da nova lei, na qual tanto apostou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, resulta da circunstância de passar a formar parte das chamadas leis básicas, que regem o sistema legal como se fossem a Constituição que Israel não tem. Logo, são mais difíceis de revogar e só podem ser alteradas por uma norma do mesmo nível.


Israel sempre se definiu como um Estado judaico. Alguns deputados contrários à aprovação da lei sublinharam o facto de, tal como acontece, de resto, na declaração de independência de Israel, em nenhum momento se mencionar a palavra “democracia”, nem a palavra “igualdade”. Desse ponto de vista, o texto é coerente com a prática quotidiana de uma política de Estado assente na discriminação das minorias não judias, com destaque para os quase 20% de cidadãos que constituem a população de árabes israelitas.


Observadores internacionais têm sublinhado que esta é uma forma de cilindrar a ideia de que Israel possa ser o país de todos os seus cidadãos, como se confirmou no mês passado, quando uma proposta naquele sentido nem sequer foi admitida a discussão na Knesset.


A caminho de se tornar cada vez mais um estado étnico, Israel está a fazer tudo para tornar irreversível a impossibilidade de concretização da ideia de dois estados com uma única capital. Num dos pontos da nova lei sublinha-se que a capital de Israel “é Jerusalém completa e una”. Esta é uma longa batalha que tem vindo a ser travada por Netanyah, ao ponto de, no jornal inglês The Independent, o colunista Ben White perguntar “Porquê agora?”. Responde dizendo que um dos fatores passa por Netnyahu estar a pensar em prováveis eleições ainda este ano e querer assegurar o pleno dos votos à direita.


As condenações internacionais têm-se sucedido. Em linha com a posição da União Europeia, Augusto Santos Silva, Ministro dos negócios Estrangeiros, reprovou a aprovação da nova lei, que considerou “muito pouco compreensível” à luz da história do povo judeu.


Uma das questões que agora se coloca passa por saber se pode um estado, escudado na circunstância de cumprir algumas formalidades da democracia, persistir na concretização de todo um conjunto de políticas de cariz antidemocrático sem uma condenação firme e eficaz da comunidade internacional. É a diferença que vai entre murmurar-se que há um problema chamado Israel, e dizer frontalmente a Israel que tem um problema: com a democracia, com os direitos humanos, com o respeito pelas minorias. Ora, isto na verdade não é um problema. É um oceano de problemas, do qual é indispensável tirar as devidas ilações e desencadear as inevitáveis consequências.

 

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por Augusta Clara às 15:58



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