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Jardim das Delícias


Domingo, 11.03.18

“CAMBADA DE IMBECIS” - Augusta Clara de Matos

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Augusta Clara de Matos  “CAMBADA DE IMBECIS”

 

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       Foi como nos intitulou ontem o jornalista Pedro Marques Lopes, com anuência dos colegas Clara Ferreira Alves e do exótico Luís Pedro Nunes, no programa “Eixo do Mal” – também não costumo ver mas ontem vi -, a todos aqueles que, nas redes sociais, a espinha encalhada na garganta dos nossos jornaleiros, se têm pronunciado contra a contratação de Passos Coelho como professor catedrático convidado numa instituição da Universidade de Lisboa, Pública.

Sabe-se que as opiniões mudam facilmente de direcção. O pior é quando os valores invertem o sentido ou vão dar uma volta.

Tão forte foi a lixívia neste caso, que até gente de esquerda admite como aceitáveis certas cláusulas do contrato.

Vai daí, Passos Coelho passou a ser a vítima e nós os algozes do rapazinho que nada tinha feito na vida que se conhecesse e se viu alcandorado a Primeiro-Ministro pela mão de Padrinhos, por não lhe concedermos o direito de ser professor catedrático da cadeira, de mestrados e de doutoramentos que só podem visar a crescente especialização num único tema - “Experiência de como se destrói um país”.

Pela minha parte,

- Por todas as pequenas empresas e o pequeno comércio que tiveram de fechar portas durante o seu Governo;
- Pelos milhares de pessoas que ficaram sem emprego e sem saber como dar de comer aos filhos;
- Pelos que caíram na mais profunda miséria e vi a procurar lixo nos contentores para se alimentarem;
- Pelos novos e menos novos que se viram obrigados a emigrar;
- Pelos jovens cuja formação fazia falta ao país e ele mandou embora;
- Pelos cortes na saúde, na educação e na investigação;
- Pelo desprezo com que atacou e roubou os funcionários públicos, pensionistas e reformados para, de gatas, entregar aos bancos alemães o produto desse roubo;
- Pelas grandes empresas património nacional como a TAP. A EDP , os CTT, etc. que entregou de mão beijada ao capital estrangeiro;
- Por todos aqueles que, perante este desastre, desistiram de viver tendo alguns levado filhos consigo;
- Pela indiferença e ausência de compaixão perante os efeitos da destruição que foi causando, e, também, pelo modo maldoso e cínico com que tratou os portugueses como inimigos ;

Pela minha parte, juro com a mão sobre a Constituição da República que ele desrespeitou, que estarei disposta a contribuir com uma fatia dos meus impostos para a sua alimentação … atrás das grades.

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por Augusta Clara às 20:59

Sexta-feira, 29.07.16

Ninguém sabia o que era o FMI. São todos inocentes - Augusta Clara de Matos

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   Esta gente - garotada do governo Passos/Portas mais os comentadores ao seu serviço - que levaram quatro anos a tentar convencer-nos de que destruir o que em Portugal se tinha feito era inevitável, só agora é que se dão conta de que onde o FMI se mete acontece sempre um grande desastre?

Debitam tanta opinião baseada em que saber? Está tudo escrito. É só ler nos livros,fazer pesquisas, estudar em vez de levantarem a crista e servirem os seus senhores que, ao contrário deles, e apesar de lhes pagarem chorudas recompensas para moldarem a opinião pública, eles, esses senhores vivem de rabo para o ar, arrojando-se aos pés do grande capital a quem obedecem cegamente por umas moedas que lhes são atiradas aos pés.

MISERÁVEIS!

O FMI nunca foi uma estrutura de gente de bem. Antes pelo contrário. Quem os deixa entrar sabe sempre ao que vão. Já há demasiados exemplos no mundo para que isso seja ignorado.

Agora vamos ter a mesma avalanche de comentadores a dizerem o contrário. Até o governador do Banco de Portugal está a aproveitar para "se limpar", perdoe-se-me a expressão.

E o que se faz a esta gente que tanto nos massacrou?

 

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 01.03.16

Os primeiros meses de Costa - Freitas do Amaral

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Freitas do Amaral  Os primeiros meses de Costa

 

 

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Visão, 27 de Fevereiro de 2016

O imprevisto aconteceu: com as inevitáveis alterações que sempre resultam de qualquer negociação, a Comissão Europeia e o Eurogrupo aprovaram, pela primeira vez (desde a criação do euro), um orçamento social e não um orçamento neoliberal! Não há ninguém com coragem par ao dizer?

   Já não é surpresa para ninguém que Passos Coelho, mau a governar, foi bom a influenciar quase toda a comunicação social. Verdade seja que o mérito não foi só dele: a moda neoliberal, convertida em pensamento único, faz coro com Berlim e com Bruxelas, com o mesmo entusiasmo com que alinhava com a América de Bush e deprecia a de Obama…

Não é de estranhar, pois, que se leia e se ouça diariamente um coro de críticas e protestos contra António Costa, o seu governo e a maioria que o apoia. Passos dixit!

Considero útil apresentar na VISÃO – um raro bastião da liberdade de imprensa – uma análise alternativa.

Recordemos cinco momentos decisivos:

1. Eleições legislativas: PSD e CDS defenderam, até à exaustão, que as tinham ganho e, por isso, tinham o direito de governar. Não perceberam que este direito só pode ser exercido por quem tiver maioria parlamentar (quer de apoio, quer de não-rejeição). Protestaram vivamente contra um governo apoiado pela maioria de esquerda, e até lhe chamaram “ilegítimo”. Mas ele era tão legítimo, tão democrático e tão irrecusável que até o Presidente da República, contrariado mas cumpridor da Constituição, o nomeou e lhe deu posse!;

2. Eleições presidenciais: foram ganhas, e bem ganhas, por Marcelo Rebelo de Sousa. Não pelo PSD de Passos Coelho, que não queria Marcelo, nem pelo PS, que se dividiu inutilmente;

3. Últimas sondagens: a imprensa favorável a Passos apresentou o PSD e o PS como tecnicamente empatados, mas esqueceu-se de dizer, por um lado, que o PS sozinho já aparece à frente do PSD sozinho – o que significa que nada perdeu, e até começa a ganhar, com a sua aliança à esquerda; e, por outro, que a direita continua a valer apenas 40 por cento, enquanto a esquerda mantém os seus 60 (ou seja, nem o PCP, nem o Bloco, nem o PEV perderam eleitorado por causa da sua aliança com o PS);

4. Orçamento: a direita repete todos os dias que a proposta não presta, que as previsões são irrealistas e, até (pasme- -se), que há um “grande aumento de impostos” – isto dito pelos mesmos que, no governo anterior, decretaram um “enorme aumento de impostos”, o maior de sempre na nossa história financeira! E, é claro, os jornais, rádios e televisões seguidores do pensamento único garantiam-nos todos os dias que aquele Orçamento não passaria em Bruxelas. Contudo, o imprevisto aconteceu: com as inevitáveis alterações que sempre resultam de qualquer negociação, a Comissão Europeia e o Eurogrupo aprovaram, pela primeira vez (desde a criação do euro), um orçamento social, e não um orçamento neoliberal! Não há ninguém com coragem para o dizer?;

5. TAP: a direita achou por bem privatizar a TAP, coisa que muitos dos seus eleitores tradicionais detestaram. O PCP e o Bloco queriam a nossa companhia aérea cem por cento pública, o que era financeiramente inviável. O PS, discordando da privatização, também não concordou com a renacionalização integral. Afirmou sempre que o seu objetivo era repor o controlo estratégico da TAP nas mãos do Estado, sem prejuízo de a gestão da empresa continuar a ser privada. Precisou o Governo de recomprar mais de 50 por cento da TAP? Não. Nessa negociação, muito hábil e bem sucedida, aceitou os 50-50, mas ficando o Estado com voto de qualidade (ou de desempate) nas matérias de interesse estratégico. Brilhante!

Em resumo: nos cinco principais pontos de divergência entre os líderes dos maiores partidos portugueses, a vantagem, ao fim de dois meses e meio, vai em 4-0 a favor de Costa. Os que votaram nele têm razões para estar satisfeitos.

Que o Orçamento seja rapidamente aprovado, e venham depressa as medidas de carácter social – eis o voto de, pelo menos, 60 por cento dos Portugueses.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Sexta-feira, 27.11.15

Estar atento aos uivos na noite onde se foram acoitar - Telmo Vaz Pereira

  

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   Eu detesto medricas e hipócritas, sem esquecer a aversão que tenho a quem se revela biltre no seu todo. É por isso mesmo que sinto um enorme alívio por ver pelas costas os governos de passos coelho: estes últimos quatro anos ainda se revelaram mais insuportáveis do que os vividos quando cavaco silva fora primeiro-ministro. Julgáramos, então, ter conhecido o que de pior poderíamos esperar de uma suposta “direita democrática” no poder. Concluímos entretanto o quanto podíamos estar enganados!

Esta gente que desapareceu do nosso horizonte governativo - subsistirão os seus uivos e latidos na noite escura onde se foram acoitar! - era medricas perante o futuro. Incapaz de nele encontrar faróis, que a orientassem para um qualquer rumo, apostou na salazarenta ideia de sermos poupadinhos (não gastando “acima das nossas capacidades”), honradinhos (pagando sempre as nossas dívidas mesmo que à custa do abandono dos apoios sociais aos mais desvalidos) e tementes da trilogia «Deus, Pátria e Autoridade».

Um Deus, que nada tinha a ver com o do Papa Francisco, porque intolerante para quem lhe desrespeitasse os dogmas, seja em torno do aborto, da adoção por casais do mesmo sexo ou da concepção assistida para as mães solteiras.

Uma Pátria, que só lhes permanecia nos recônditos do cérebro como resquícios da ideologia fascista, porque nunca se viu governo tão submisso a quem, de fora, lhe ia dando as orientações para serem cumpridas.

Uma Autoridade assente num chefe medíocre, que valendo-se da sua maioria parlamentar nem sequer concertava com o parceiro de coligação as decisões casuísticas, que ia tomando.

Era preciso reduzir a despesa do Estado? Pois que se condenassem à fome os que classificou como «peste grisalha».

Não havia emprego para os jovens saídos das universidades? Pois que fizessem as malas e fossem procura-lo onde ele é apenas uma possibilidade cada vez mais difícil.

Gastava-se muito na investigação e no conhecimento sem haver garantias de retorno imediato? Pois que quase se destruísse toda a notável herança deixada por Mariano Gago!

Sem uma ideia de futuro, composta por medíocres que se limitavam a cumprir as ordens do chefe, as equipas ministeriais do XIX e XX governos foram o exemplo mais lapidar de gente hipócrita, capaz de criar uma novilíngua para mentir com todos os dentes e aparentar, a cada instante, dizer o exato oposto do que ia sendo constatado nos indicadores económicos e sociais.

Mas o pior ainda está por descobrir: se se verificar natureza da perseguição tenaz do ministério público contra José Sócrates. Não só na forma odiosa como o quis inculpar na praça pública, mas sobretudo na criteriosa escolha do calendário para ir minuciosamente criando autênticas cortinas de fumo para esconder a argumentação incontestável de António Costa desde que chegou à liderança do Partido Socialista.

Não me admiraria nada que se comprovassem os comportamentos crapulosos de um conjunto de altas figuras do Estado em conluio para impedirem a esquerda de chegar ao Poder.

É, pois, jubilatório este momento em que assisti à tomada de posse de um governo confiante nas suas capacidades e competências para dar aos portugueses o direito a terem um esperançoso futuro.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Sexta-feira, 02.10.15

Patéticos sem vergonha

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por Augusta Clara às 12:00

Terça-feira, 16.12.14

Passos lança aviso à investigação científica - LUSA

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Passos lança aviso à investigação científica

 

Expresso online, 14 de Dezembro de 2014

 

Primeiro-ministro diz que apenas as instituições "muito boas ou excelentes" terão financiamento do Estado.

   O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, avisou hoje que apenas as instituições de investigação científica classificadas como "muito boas ou excelentes" pela auditoria externa que está a ser realizada vão ter financiamento.

"Recorremos a peritos internacionais (...) para fazerem a avaliação externa das nossas instituições científicas e decidimos que aquelas que não forem muito boas ou excelentes terão apenas apoio para funcionamento e que só aquelas que forem muito boas ou excelentes terão mesmo financiamento", afirmou Pedro Passos Coelho em Braga, para encerrar o XXIII congresso da JSD.

O líder do PSD, que garantiu que nenhuma instituição está "acima" daquela auditoria, justificou a opção de financiar apenas as melhores instituições com a necessidade de ter "garantias" que o dinheiro disponível será utilizado para "produzir a melhor" investigação.

"Estamos a conseguir encontrar forma de aplicar melhor o nosso dinheiro, de avaliar melhor as instituições e não há instituições que estejam acima da avaliação e todas tem que ser avaliadas, sejam laboratórios do Estado, sejam centros de referência ligados às universidades, sejam os que foram criados por outros Governos sem nunca sequer terem sido avaliados por ninguém", disse Passos Coelho.

O líder do Governo justificou a opção de atribuir financiamento apenas às melhores instituições com a necessidade de não desperdiçar recursos. "Precisamos das melhores garantias que o dinheiro que temos vai ser bem utilizado para produzir a melhor investigação e esta deve ser realizada por aqueles que tem melhores condições para a realizar", disse.

Passos apontou ainda um destino para a investigação em Portugal."Essa investigação tem que estar ao serviço das empresas, de Portugal", referiu.

 

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por Augusta Clara às 08:00

Terça-feira, 23.09.14

Passos Coelho e as trapalhadas legais - Carlos Esperança

 

 

Carlos Esperança  Passos Coelho e as trapalhadas legais

 

 

   Se o primeiro-ministro, ainda que virtual, se furtou ao dever de entregar no Tribunal Constitucional (TC) a declaração de rendimentos e património da cessação de funções de deputado, perdeu a legitimidade para exercer cargos públicos.

Se o ora virtual primeiro ministro esqueceu se recebia ou não, o complemento de 5 mil euros de uma empresa de atividade duvidosa, de honestidade suspeita e de eficácia nula, não está em causa apenas o oportunismo e o caso de polícia que o tempo  fez prescrever, revela o carácter pessoal e a ilegitimidade de quem alegadamente governa para exigir ao País os sacrifícios que o empobreceram.

Não há maioria da Assembleia da República que possa eticamente esconder desmandos, a havê-los, que permitam a Passos Coelho esconder as contas bancárias de há 14 anos e de as ver confrontadas com o cumprimento das obrigações fiscais.

Fiscalmente, os crimes prescrevem mas, politicamente, ficam como nódoa indelével da conduta de quem os praticou. Pode Passos Coelho ser um caso de amnésia recorrente e não pode deixar de ser ele o primeiro a querer esclarecer as graves acusações de que foi alvo.

Com o PR alheado do país, não pode ficar sob suspeita o cidadão que, na aparência, é quem nos governa.  Um módico de decoro exige que o acusado dê explicações ao país e justifique a calúnia de que é alvo. Estamos perante um dos raros casos em que o ónus da prova se inverte, mantendo-se no cargo. Não adianta pedir desculpa pela não entrega da declaração no TC nem levar à demissão um contínuo da AR que se terá esquecido de a entregar.

Ministros a pedirem desculpa pela incompetência e subalternos a demitirem-se por sua conta, já cansam. Passos Coelho tinha 60 dias para entregar a declaração aos juízes do TC e já lá vão quase 15 anos.

Espera-se a demissão de um dos seus motoristas.

 

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por Augusta Clara às 11:00

Terça-feira, 20.08.13

Passos Coelho fez afirmações gravíssimas no discurso do Pontal - Alfredo Barroso

 

Alfredo Barroso  Passos Coelho fez afirmações gravíssimas no discurso do Pontal

 

   São de uma enorme gravidade algumas das afirmações proferidas pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, na qualidade de presidente do PPD/PSD, durante o discurso que pronunciou no tradicional «comício do Pontal» organizado pelo seu partido.

Demonstrando total desrespeitopela Constituição da República e pelo princípio democrático da separação de poderes, Passos Coelho não hesitou em recorrer, uma vez mais, à dramatização do discurso para pressionar o Tribunal Constitucional (TC), num momento em que este tem entre mãos, para verificação preventiva da constitucionalidade, o diploma do governo sobre a possibilidade de requalificação/despedimento de funcionários públicos.

«Qualquer decisão constitucional não afectará simplesmente o Governo. Afectará o país. Esses riscos existem, eu tenho que ser transparente. Se esse risco se concretizar [o TC declarar a requalificação inconstitucional] alguns dos objectivos terão que andar para trás» - declarou Passos Coelho, não hesitando em atacar «preventivamente» o TC, ao pior estilo de George Bush e Tony Blair quando decidiram, há 10 anos, invadir «preventivamente» o Iraque, com total desrespeito pela ONU e pelo Direito Internacional. A desconformidade de uma certa direita com os princípios básicos em que assenta um Estado de Direito Democrático é total.

Vincando que os objectivos do défice e da dívida até 2015 «têm que ser mesmo cumpridos», Passos Coelho não hesitou em fazer demagogia e mentir, ao afirmar que foram as «desconformidades constitucionais»  declaradas pelo TC que «obrigaram» o governo a subir os impostos e o «obrigam» agora a fazer uma «redução de efectivos na função pública».

Tal como «ensina» a ortodoxia neoliberal, Passos Coelho considera que o Estado deve ser gerido como uma empresa, e exemplifica: «Se não temos dinheiro para pagar salários e pensões, o que fazemos? O que fazem as empresas: reduzem pessoas e baixam salários». Só que o Estado não o pode fazer, lamenta ele, por causa do TC e da Constituição da República Portuguesa (CRP).

Preparando o cenário para as novas e brutais medidas de austeridade que se avizinham, o primeiro-ministro descreveu alguns dos riscos em que o país ainda incorre, a menos de um ano de terminar o programa de ajustamento. Por um lado, o risco externo, uma vez que não é certo que a realidade europeia esteja perante um ponto de viragem – «ninguém tome por adquirido que a crise acabou», disse ele. Mas há também muitos riscos internos, como o risco financeiro e o risco social, embora o maior de todos os riscos seja o que depende dos juízes do palácio Ratton, ou seja, das decisões do TC. E pouco importa ao PM e presidente do PPD que essas decisões sejam constitucionais, legais e legítimas. Para Passos Coelho, há «muitas tormentas» no mar em que ele pretende navegar. Mas ele sabe «para onde quer ir» (?), por muitas tormentas que tenha de enfrentar.

Agarrado ao poder como lapa à rocha, o primeiro-ministro também já está a preparar o cenário para uma eventual derrota da actual maioria nas próximas eleições autárquicas. Admitindo que nestes «momentos de dúvida e incerteza» houve, «dentro da própria maioria, tensões importantes que se manifestaram», Passos Coelho garantiu que tudo isso está sanado, e foi mais longe, numa directa a Paulo Portas: «Hoje temos a certeza que não há ninguém no seio da maioria que não tenha o esclarecimento cabal das consequências que teria para o país uma crise política que pusesse em causa o futuro do país». E nem uma derrota nas eleições autárquicas conseguirá desgrudá-lo do poder:« Muita gente tem olhado para as eleições autárquicas como se pudessem constituir uma espécie de teste ácido ao governo». Mas, asseverou ele: «Nenhuma instabilidade governativa resultará destas eleições. Vou repetir: nenhuma consequência do posto de vista nacional advirá do resultado das eleições autárquicas». Mais: «Qualquer que seja esse resultado não haverá estados de alma dentro do Governo quanto ao trabalho que temos para fazer».

Este político medíocre, inculto, insensível, incompetente e cruel, é perigoso, não duvidem. O ideal político de Passos Coelho seria, porventura, a instauração de uma «democracia musculada», à maneira de Singapura, como ele próprio quase admitiu, num momento de euforia, quando chegou ao poder há dois anos, depois de uma vergonhosa campanha de mentiras ao eleitorado.

Além do tradicional apego da direita (e dos arrivistas) ao poder, só a cobardia política do Presidente da República, Cavaco Silva, e do actual vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, e a total incapacidade da actual direcção do PS para protagonizar uma verdadeira alternativa programática, é que têm permitido a continuação desta criatura maléfica e desqualificada à frente do governo.

Quanto mais tarde Passos Coelho for removido do poder, pior para o País a para os Portugueses.

 

A. B. 17/Agosto/2013

 

 

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por Augusta Clara às 10:00

Segunda-feira, 08.04.13

Sobre o discurso de Passos Coelho diz-nos António Pinho Vargas


 

António Pinho Vargas  "Não lhes chega ..."

 


   Hoje, pela primeira vez, Passos Coelho falou, de um certo modo particular e preocupante, de "situação de emergência" e chantageou à esquerda, à direita e ao centro. O "estado de excepção" - ideia subjacente que se vislumbra a um pequeno passo - é uma situação grave na qual "se suspendem provisoriamente os direitos, as liberdades e as garantias conferidas pelos Estados aos cidadãos". A situação g...rave que preocupa Passos Coelho e os seus seguidores não é no entanto o falhanço sucessivo das previsões e políticas de Gaspar, a sua incapacidade de governar (muitos negógios, contratos e sítios há onde o seu governo não vai, ou quer ir, buscar dinheiro, nem mexer em privilégios, nas rendas, PPPs, bancos, electricidades, etc, (coisas que até a troika diz, imagine-se), perfazendo valores muitíssimo superiores aos valores em questão decorrentes da decisão do TC. Nesses nunca mexeu nem mexerá, muito provavelmente. Mas a dita decisão deu-lhes - no vasto plural - o pretexto ameaçador que agora difundem para preparar "o assalto seguinte", face ao desastre próprio inequívoco. Na verdade, o que o incomoda, o que o preocupa é "o estado de direito" e, em última análise, talvez mesmo a democracia. Mesmo tendo maioria absoluta e o presidente (ca)vácuo. Não lhes chega, o que é deveras extraordinário (e assustador).

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por Augusta Clara às 13:00

Segunda-feira, 08.04.13

O Governo lançou uma guerra aos portugueses - Sérgio Lavos

   Sérgio Lavos  O Governo lançou uma guerra aos portugueses

 

 

Publicado no blog arrastão

 

   Ao ouvir o discurso de Pedro Passos Coelho ao país, não pude deixar de sentir que estava a assistir ao culminar de uma farsa construída nos gabinetes governamentais durante as últimas semanas.

A realidade desmente qualquer mistificação, vulgo spin. O Governo falhou. Falhou tanto e tão completamente que a troika ainda está a ponderar se liberta a próxima tranche do resgate. Falhou todas as previsões, sim, incluindo o défice e a dívida, e por larga margem. E sobretudo perdeu o país, e vai perdendo mais de dia para dia. O Governo falhou de forma tão desastrosa que o corte de 4000 milhões no estado social tinha sido adiado sem data prevista de anúncio. Fracassou em tudo, e apenas teve para apresentar ao país mais fracassos, quando Vítor Gaspar anunciou a revisão das metas orçamentais do défice, da dívida, do desemprego, da recessão.

Mas o Governo - e as centenas de assessores que tem contratado durante os últimos dois anos - sabia que ainda tinha uma última tábua de salvação: a decisão do Tribunal Constitucional sobre as normas ilegais do Orçamento. Por isso, adiou. Adiou a apresentação dos cortes - era suposto ter sido em Fevereiro; e adiou a remodelação - vem aí já a seguir. Não irei tão longe a ponto de achar que o Governo sabia muito bem que o TC iria decidir como decidiu, embora não seja de excluir que soubesse, desde o primeiro momento. Provavelmente, começou a perceber desde o início do ano que poderia usar o previsível chumbo a seu favor. Abril é o mês em que são tornados públicos os números da execução orçamental do primeiro trimestre, é o mês ideal para ensaiar esta desprezível farsa.

As notícias vindas dos gabinetes começaram a saltar como pipocas. os comentadores televisivos fizeram o seu papel, cumprindo na perfeição o guião decidido à partida. O papel dos comentadores políticos - os mais mediáticos são do PSD - é validar o rumo que está a ser seguido. E assim fizeram. As críticas ao Tribunal Constitucional, indignas de um estado de direito, multiplicaram-se. O pânico foi lançado na opinião pública: um chumbo significaria um segundo resgate - como se essse segundo resgate já não estivesse a ser preparado pelo Governo desde a última avaliação da Troika - e os mercados iriam por aí abaixo. O Governo não só sabia que isto iria acontecer como alimentou o pânico. E alimentou o pânico também com a história da queda do Governo. Os comentadores lá papaguearam a narrativa: a queda do Governo seria desastrosa para o país. 

A verdade é que nem só o Governo teve alguma vez intenção de se demitir, como Cavaco Silva, desde o primeiro dia desta coligação, apenas existe para o manter em funções. Passos Coelho está tão colado ao poder como Miguel Relvas - tanto, que este teve de ser sacrificado para que Coelho pudesse continuar a ser primeiro-ministro. Para quê? Para transformar o país, ou, por outras palavras, acabar com a herança de Abril, destruindo o estado social e os valores que o regem, fazendo-nos regredir quarenta anos de uma assentada. A dramatização serviu um propósito, o chumbo do Orçamento é apenas um pretexto para continuar com o mais selvagem revanchismo da direita a que temos oportunidade de assistir desde o 25 de Abril.

Por isso, não surpreende que Passos Coelho e o PSD tenham demonstrado tanto desrespeito pela Constituição. O programa de destruição da democracia que estão a ensaiar implica, pela sua natureza, o completo desregulamento das instituições democráticas, começando pela lei fundamental do país. Portugal é, neste momento, um país a saque pela direita dos interesses e pelo capital financeiro que a apoia. Não vão cair, porque não têm respeito nem pelas leis nem por eles próprios, e têm um inútil da mesma cor política a ocupar a cadeira de presidente da República. O que falha, nesta narrativa? Apenas os limites para a paciência do povo. Porque parece-me que pouca gente acreditará no discurso de um Governo que está a empobrecer-nos para níveis há muito esquecidos. Um Governo que governa para os credores do país e para os seus interesses é um Governo a prazo. Não vai ser bonito, quando a guerra que está a ser lançada aos portugueses fizer ricochete. Estaremos todos cá para ver, de poltrona.

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por Augusta Clara às 10:00



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