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Delícias são tudo o que nos faz felizes: um livro, a magia dum poema ou duma música, as cores duma paleta ... No jardim o sol não raia sempre mas pulsa a vida, premente.
Nota: o texto seguinte pertence ao livro correspondente a esta imagem. Foi seu autor o professor, escritor e jornalista brasileiro Paulo de Castro, publicou-o a Forum Editora do Rio de Janeiro em 1969. Adquiri-o aqui em Portugal em 1973 mas, neste momento, não consigo encontrar-lhe nenhuma referência. É pena porque se trata duma obra de qualidade, muito bem documentada.
Como se lê na contracapa "Este livro é um estudo e um testemunho. Estudo de problemas atuais delineado num fundo histórico, e em análises de ordem filosófica e política, cingindo todos os aspectos da agressão sionista ao mundo árabe, e um testemunho de um amigo de sempre do povo judeu - desde as jornadas na Espanha Republicana até aos campos de concentração fascistas durante a última guerra mundial".
Dada a dificuldade actual em se encontrar este livro, tentarei publicar outras partes do seu conteúdo em próximas edições. Neste momento em que a monstruosa invasão e destruição da Faixa de Gaza pelas poderosas forças armadas de Israel procura justificar-se por causas próximas, mas actuando com uma brutal desproporção e desrespeito pelo Direito Internacional e a protecção de civis em conflitos armados - na verdade, Israel não pretende mais do que fazer desaparecer Gaza do mapa e usurpar-lhe o território -, o testemunho de quem conheceu a fundo os pressupostos do sionismo e a maneira como a Inglaterra manobrou para a criação do Estado de Israel não pode deixar de ser uma preciosa leitura. A. C.
Paulo de Castro A Grande Fraude
A instalação dos sionistas na Palestina é uma fraude, de tipo monumental.
A seguir à derrota da Turquia, no fim da Primeira Guerra Mundial, a Palestina ficou sob o mandato britânico. Nesse momento, o país contava 700.000 habitantes, dos quais 574.000 muçulmanos, 70.000 cristãos e 56.000 judeus. Em 1946, a população era de 1.936.000 habitantes, dos quais 1.293.000 árabes (muçulmanos e cristãos) e 608.000 judeus e 35.000 de várias origens. No mesmo mês de maio de 1948, se não se tivesse dado a expulsão, teriamos 1.380.000 árabes e 650.000 judeus, isto é, a proporção de um judeu para dois árabes.
Quanto à propriedade da terra, apesar de tôda a corrupção dos sionistas e de todos os fundos da Agência Judaica, os judeus possuíam apenas 6%, cifra que não justifica a tentativa de domínio sôbre tôda a Palestina. A Declaração Balfour de 1917 concedia “um lar judeu na Palestina”, não a Palestina para os judeus, ou um Estado judeu na Palestina.
Mas a convicção dos meios sionistas é que mediante uma pressão inclusive pelo terror, o govêrno britânico no fim do Mandato entregaria a Palestina, tôda a Palestina à Agência Judaica, a qual com suas fôrças militares treinadas na Palestina com a benevolência dos inglêses, imporiam a sua vontade total, à totalidade do país.
A Declaração Balfour, pelo lugar que ocupa na tragédia do povo da Palestina, merece que nos detenhamos um pouco na sua análise, que terá naturalmente de seguir, inevitavelmente, em alguns pontos trabalhos já realizados por intelectuais árabes, e judeus não-sionistas.
A 2 de novembro de 1917, o govêrno britânico publicou sob a forma de uma carta enviada por M.A.J. Balfour, mais tarde Lord Balfour, então Ministro das Relações Exteriores, a Lord Rotschild, uma declaração concebida nestes têrmos: "Tenho o grande prazer de dirigir-lhe da parte do govêrno de Sua Majestade a seguinte declaração de simpatia pelas aspirações sionistas dos judeus, declaração que submetida ao Gabinete foi por êle aprovada:
“O Govêrno de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento na Palestina de um Lar Nacional para o povo judeu e empregará todos os seus esforços para facilitar a realização dêste objetivo, sendo claramente entendido que nada será feito que possa representar um prejuízo aos direitos civis e religiosos das comunidades não-judaicas na Palestina assim como aos direitos e ao estatuto político de que os judeus possam beneficiar em qualquer outro país."
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