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Jardim das Delícias


Domingo, 21.06.20

Adão Cruz, 2020

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por Augusta Clara às 13:09

Sábado, 20.06.20

Adão Cruz, 2020

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por Augusta Clara às 16:04

Sexta-feira, 12.06.20

Adão Cruz, 2020

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por Augusta Clara às 22:13

Quinta-feira, 04.06.20

A vida - Eva Cruz

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Eva Cruz  A vida

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(Claudia Tremblay)

   As notícias incomodam. Não basva o vírus associado
aos números funestos, aos doentes, à morte e ainda
todos os dias somos fustigados com casos de
afogamento, suicídio, raptos e assassinatos de violência
extrema. Há uma tal desvalorização da vida que a
substituem, de ânimo leve, pela morte irremediável que
tudo acaba. Matam-se pessoas como quem mata pulgas
ou formigas. Alguns actos são tão estranhos e hediondos
que me tiram o sono. Ainda não estava longe a morte da
pobre pequenita Valentina, já surge o da jovem estudante
de Évora, morta por um colega, também ele na flor da
vida. Gente com o ar mais normal, com um sorriso a
inspirar ternura e compaixão, onde não se vislumbra uma
réstia da maldade que pode levar a tais actos. Não sei o
que será pior para um ser humano se a morte dela se a
destruição da vida dele, já que ela nada mais sentirá, dure
a eternidade o tempo que durar, e ele irá justamente
amargar o sofrimento eterno de uma vida. Estou nestas
cogitações, quando ao lado da minha porta, mesmo à
frente dos meus olhos, em plena luz do dia, um homem
com uma faca espetada na barriga pela mão de alguém,
segundo consta, inundado de álcool ou droga, esperava
pela ambulância. Aparato policial, homens fardados dos
pés à cabeça, uma paisagem lunar na pacatez da rua. Ao
mesmo tempo, na mais indiferente televisão, um polícia a
esmagar o pescoço de um negro como quem esborracha

uma barata, pelo “terrível” crime de querer pagar com
uma nota de vinte dólares, presumivelmente falsa. Muito
para cá da ancestral barbárie, da irracional inquisição, do
inferno do holocausto, nunca pensei ser tão difícil, nos
dias de hoje, entender os fantasmas da mente humana e
delinear as fronteiras entre a sanidade e a loucura.
Para além de todos os factores de ordem genética,
biológica, cultural, social, psicológica e educacional ainda
acredito que a família, a escola, o meio social e laboral
podem ter o mais determinante papel no crescendo ou
na prevenção destes crimes com que nos deparamos.
Porém, a verdadeira causa é muito profunda e radica, a
meu ver, nos crimes de colarinho branco, no abominável
camuflado tráfico de droga por pessoas tidas como gente
de bem, na ganância desenfreada, no obscurantismo de
toda a espécie, muitas vezes acenando e encenando o
Bem para praticar o Mal. Sociedade tão bárbara que me
tira o sono e a vontade de sonhar com um Mundo
Melhor.

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por Augusta Clara às 16:19

Sexta-feira, 22.05.20

Mãe - Adão Cruz

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Adão Cruz  Mãe

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(Adão Cruz)

 

Mãe
a palavra universal
a palavra mais consensual da humanidade.
Nem Deus…
Deus é de uns e não de outros
Deus é conceito de muitos
e negação de outros tantos.
A mãe é de todos sem excepção
a mãe é de todos e é só nossa
a mãe é do crente e do ateu
a mãe é do pobre e do rico
do sábio e do ignorante.
A mãe é dos poetas
dos filósofos e artistas
dos bons e dos maus
a mãe é do amigo e do inimigo.
Não há mãe de uns e não de outros
não há ninguém sem mãe
e não há mãe de ninguém.
A mãe é de toda a gente
a mãe é de cada um
a mãe é do mundo inteiro
e do nosso mais pequeno recanto.
A mãe é do longe e do perto
da água e do fogo
do sangue e das lágrimas
da alegria e da tristeza
da doçura e da amargura
da força e da fraqueza.
A mãe é certeza e aventura
medo e firmeza
dúvida e crença
a haste que se ergue no céu
ou se aninha rente ao chão
para que a morte a não vença.
A mãe é a outra parte de nós
sem mãe somos metade
sem mãe nada é exacto
igual a um
igual a infinito
onde se tocam princípio e fim
onde os tempos se encontram
sem presente passado e futuro.
A mãe é a lágrima que não seca
no sorriso que não se apaga
a nuvem que chove no sol que aquece
a mensagem da luz e da harmonia
e dos acordes matinais
com que abre o nosso dia.
A mãe levanta-se nas lágrimas da noite
e mesmo cansada
não perde a voz nem a cor da madrugada.
A mãe é a voz que se não teme
a voz que se confia
a voz que tudo diz
nas consoantes do grito
nas vogais do silêncio
nos abismos da agonia.
Mãe
primeira palavra a nascer
a última palavra a morrer.
A mãe é sempre a mesma
a mãe nunca é outra
na sua infinita diferença.
A mãe é criação
a mãe é sempre o fim
da obra-prima inacabada
a mãe nunca é ensaio
nem esboço nem projecto.
A mãe é um milagre
no milagre do mundo
o único milagre concebido
real e concreto.
Chora para que outros riam
ri para que a dor a não mate
mistura-se com a luz das estrelas
para vencer a escuridão
devora as nuvens por um raio de sol.
A mãe é beleza e poesia
aurora fulgurante
aurora adormecida
a mãe é bela porque é simples
porque nasce da silenciosa lógica da vida.
A mãe é fragilidade da semente
a força do tronco
a beleza da flor
a doçura do fruto
o dom de renascer.
A mãe é tudo numa só coisa
AMOR.

 

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por Augusta Clara às 13:34

Terça-feira, 19.05.20

Adão Cruz, 2020

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por Augusta Clara às 17:58

Terça-feira, 19.05.20

Adão Cruz, 2020

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por Augusta Clara às 17:47

Sábado, 16.05.20

Uma joaninha - Eva Cruz

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Eva Cruz  Uma joaninha

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(Evelina Oliveira)

 

   Com todos os problemas que a pandemia nos trouxe, há um indubitável benefício, pouco valorizado, que a humanidade lhe deve. Poder-se-ia falar da melhor qualidade do ar, da água, das boas transformações da natureza, do reaparecimento de aves e insectos, do ressuscitar das coisas belas que se perderam pela destruição e desumanização daquilo a que chamamos progresso. Deixo, porém, este campo para os cientistas e académicos que com rigor e precisão o fazem melhor do que eu. Limito-me a observar outro campo, aquele a que os meus olhos sempre se habituaram a contemplar, a conhecer pelo cheiro e pela cor, pela beleza pujante ou agreste, pelo brilho do sol ou pelo fustigar do vento, bravio, manso, cultivado pelas mãos carinhosas que o amanham ou revoltado pelo desprezo e abandono.

Há dias ouvi o cuco: Cu-cu, cu-cu. Não o ouvia há anos. Espreitava-me, empoleirado num ramalho. Como fazia em criança, respondi-lhe: cu-cu, cuco ramalheiro quantos anos tenho solteiro. Só que vai tão longe esse tempo…que o cuco se deve ter fartado de rir. Nesse mesmo dia, uma poupa cor de toupeira, com uma crista matizada de branco, caminhava pelo campo fora, garbosa e imponente, como se fosse a dona do mundo. Depois cantou: poupa, poupa, tudo é pouco. Mau sinal, diziam os antigos, ano de fome. Ela lá sabe. Voando pelos ares vê melhor e mais longe do que aqueles que se passeiam cá por baixo. Pegas, melros, pombos-rolos são aos bandos. Fazem estragos, depenicam tudo o que nasce da terra e das árvores, mas é o preço que cobram por dar vida e beleza à natureza adormecida. Porém, o que mais me surpreendeu foi uma joaninha, poisada na haste de uma espiga de centeio, ali nascida de alguma semente trazida pelo vento. Joaninhas, grilos, cigarras, alfaiates, louva-a-deus, pirilampos… desandaram por completo. A joaninha, pequenina, vermelhinha, luzidia, cheia de pintinhas pretas, poisada na haste, libertava em mim um mundo de visões e sensações indescritíveis. Joaninha, Ladybug, Marienkäfer, aqui ou lá, sempre feminina e distinta.

A arte é o expoente máximo da expressão do sentimento. Particularmente a arte de escrever, a arte da palavra, por vezes tão difícil e dolorosa. Criar pela escrita o que aquela joaninha trazia no vermelho luzidio do seu vestido às pintinhas pretas, as recordações que o tempo levou, os reflexos dos olhos que viram searas de trigo e centeio a ondular ao vento, as vozes e os rostos tão distantes não é tarefa para mim. Fica a vontade e o sonho.

Quando me aproximei da Joaninha ela voou, mostrando por baixo das asas vermelhas um outro par de asas sedosas e rendadas. Joaninha aboa, aboa quo teu pai foi pra Lisboa, com uma faca de latão, espetada no coração.

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por Augusta Clara às 14:00

Sexta-feira, 01.05.20

Adão Cruz, 2020

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por Augusta Clara às 18:57

Segunda-feira, 27.04.20

Adão Cruz, 2020

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Adão Cruz, 2020

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por Augusta Clara às 22:35



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