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Jardim das Delícias


Quarta-feira, 23.05.18

Palavras e poesia - Adão Cruz

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Adão Cruz  Palavras e poesia

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(Adão Cruz)

 

Madrugada sempre mortal

Regresso obscuro de além dos sonhos

Jogo imaginário de sabor amargo

Sempre que os pés pousam na terra.

 

Procuro as palavras que são chaves de si mesmas

E com elas tento abrir o pensamento

No silêncio que as transforma em poesia.

 

Tudo em vão!

 

Por elas vivi e me transformei a vida inteira

Em rosas de orvalho e cheiro a alecrim

Por elas rasguei as trevas

E aliviei a dor que há dentro de mim.

 

Mas a poesia é mentirosa irrealista

E o bálsamo que suaviza o sofrimento

Não passa de vãs palavras e cacofonias

Ilusões a pagar no fim da vida

Com um rosário de angústias e agonias.

 

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por Augusta Clara às 18:19

Quarta-feira, 16.05.18

Céu azul - Adão Cruz

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Adão Cruz  Céu azul

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(Adão Cruz)

 

 

 

Acordei hoje com o céu azul

Não só o que me entrava pela janela

Mas também o que me saía da alma.

Ambos se fundiam numa mancha celestial

Onde se inscreviam versos

Muito dispersos

De um poema azul sem igual.

Não havia dores

As estrelas cintilantes há muito se apagaram.

Não havia sangue

Há muito que o sol-pôr adormeceu.

Não havia nada.

Apenas a glória de um poema azul

Fruto maduro da madrugada

Mãe fertilizada

De um sonho-sémen da memória.

 

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por Augusta Clara às 18:59

Sábado, 12.05.18

Poema do desgaste e do contraste - Adão Cruz

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Adão Cruz  Poema do desgaste e do contraste

 

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(Adão Cruz)

 

Há muito que não saía à rua

há muito que não saía fora de mim

em direcção ao meu corpo abandonado

estendido em fria paleta sem cor

sobre um manto de poemas carcomidos

ruídos de musgo e manchas de bolor.

 

Há muito que não saía à rua

há muito que não sentia a dor

do desprezo da poesia

feita espuma de coisas impalpáveis

escaldantes, abertas e sangrantes

no sofrido labirinto da alma vazia.

 

Há muito que não saía à rua

há muito que não me apercebia

um só momento

do cantar bronco do poeta

em perpétuo e estúpido invento.

 

Há muito que não saía à rua

há muito que não dobrava a porta

deste corpo abandonado

na escuridão de uma noite peregrina

de lacrimosas horas perdidas

em poemas de cinza em cada esquina.

 

Há muito que não saía à rua

há muito que não sentia o abrigo dos lençóis

e pisava o chão purulento do degredo

na lama fria dos poemas e do medo

que rompiam as cadeias do meu corpo.

 

Há muito que não saía à rua

há muito que as linfas secaram a felicidade

mudando o cair da noite e o nascer do dia

em matéria grosseiramente física

de versos telúricos, celulósicos, iónicos

sem poesia nem liberdade.

 

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por Augusta Clara às 16:25

Segunda-feira, 30.04.18

Adão Cruz, 2018

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Adão Cruz

 

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por Augusta Clara às 18:31

Segunda-feira, 30.04.18

Adão Cruz, 2018

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Adão Cruz

 

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por Augusta Clara às 17:31

Quarta-feira, 25.04.18

SEMPRE - Adão Cruz

25 de Abril. O mais belo poema colectivo da minha existência, apesar da total ausência de sentimento poético-social de tanta gente! Ainda hoje, ao olhar para as suas caras, muitas delas de grandes amigos meus, e que nunca deixaram de o ser, eu vejo uma lapela nua, não propriamente a do casaco, mas a da mente. E não me venham com os óculos escuros das tolerâncias e diferenças de ideias. Eu sei o que são tolerâncias e diferenças de ideias. Mas a poesia do 25 de Abril é tão universal e profunda que não há óculos que a possam emsombrar.

 

Cravo copy 2.jpg

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por Augusta Clara às 15:29

Quarta-feira, 25.04.18

JÚLIO POMAR

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por Augusta Clara às 15:07

Terça-feira, 10.04.18

Emiliano Cavalcanti - "Samba"

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Emiliano Cavalcanti

 

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(Samba)

 

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por Augusta Clara às 21:00

Quarta-feira, 04.04.18

Cândido Portinari (Brasil)

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Cândido Portinar

 

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por Augusta Clara às 21:56

Segunda-feira, 02.04.18

Adão Cruz

a noite fez-se para amar 1a.jpg

 

Adão Cruz

 

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por Augusta Clara às 21:00



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