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Jardim das Delícias


Sexta-feira, 26.02.21

Adão Cruz, 2021

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por Augusta Clara às 22:40

Terça-feira, 23.02.21

Recordar Zeca Afonso - Eva Cruz

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Eva Cruz  Recordar Zeca Afonso

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(Dorindo Carvalho)

   Faz anos a 23 de Fevereiro que morreu Zeca Afonso. Surgiu na vida académica de Coimbra duas gerações antes da minha passagem por lá. No entanto, tive a sorte de o ouvir cantar ao vivo, ainda novo, numa serenata monumental no largo da Sé Velha, junto à casa onde viveu. Lá está o azulejo a lembrar: “ Nesta casa viveu o trovador da liberdade José Afonso (o Zeca)”. Juntamente com ele cantou Luiz Goes (Luís Góis), o inesquecível trovador de Coimbra, com a sua inconfundível voz de barítono.
 
Há momentos que a memória nunca apaga, como o último concerto do Zeca no Coliseu do Porto, quando as forças já lhe faltavam, e se viu obrigado a sentar-se num banquinho à boca de cena. Invadiu-nos a tristeza, mas todos cantámos. A última memória viva do Zeca para quem lá esteve. Inesquecível foi também o seu funeral, milhares e milhares de pessoas acompanhando a urna envolvida num pano vermelho sem símbolos como pedira, levada pelos amigos cantores até à campa rasa.
 
O Zeca, ainda no Liceu, já era conhecido pelo “bicho que canta bem”. “Bicho” era o nome dado aos estudantes do Liceu que também estavam sujeitos à praxe. O cantar bem livrou-o das maldades das trupes. O Zeca viveu intensamente a vida académica, as farras, as praxes, a boémia coimbrã. Tal como Adriano e Góis fez parte do Orfeão Académico. Foi balador, trovador, cantor, compositor notável. Soube adaptar a música popular portuguesa, os temas tradicionais e a poesia à palavra de protesto com a mestria de um génio. Juntamente com Adriano encarna a lenda coimbrã do combate ao fascismo e ao salazarismo na luta pelos ideais da liberdade, tendo sido o mentor da canção de intervenção em Portugal. Trilhou sempre um percurso de coerência até que uma doença incurável lhe roubou a vida, tão novo, quando tinha ainda tanto para dar à vida.
 
Pelo seu talento e genialidade, Zeca Afonso está acima do ser humano comum e devia ser lembrado sempre, não só em Abril. Com mais convicção e frequência é homenageado, celebrado, lembrado e cantado fora do nosso país. Não foi por acaso que disse um dia:” A Galiza é para mim uma espécie de Pátria espiritual”.
 
Por toda a Galiza há associações culturais e musicais recheadas de espólio do Zeca. Em Ourense, onde actuou ainda durante a ditadura de Franco, no célebre Liceo Ourensano, é admirado como um dos seus melhores músicos e cantores. “Cantigas de Maio” é uma espécie de tesouro que alguns dos nossos amigos guardam em disco por ele autografado. Na Sardenha, curiosamente, o dia Vinte e Cinco de Abril é também o dia da libertação do regime fascista de Mussolini. Um grupo de cantoras costuma entoar “Grândola Vila Morena” de Zeca Afonso em sardo ou sardenho “Grândola Bidda Morisca”.
 
A minha admiração por Zeca Afonso leva-me a pensar que as gerações mais novas deviam ser ensinadas, na Escola, a aprender com a sua grandeza e coragem a perseguir o sonho e a utopia. Na riqueza das suas letras, na beleza da sua música, na força da sua palavra há um mundo de aprendizagem que vai da poesia e da música à Literatura, à Filosofia, à História, à Vida político-social e à Fraternidade. José Afonso foi também professor e até por isso devia ser lembrado. Para além do que ensinou aos seus alunos, deixou-nos a todos uma grande lição de vida. Por isso, nunca devia ficar atrás de outros escritores e poetas que fazem parte dos currículos escolares.
 
Zeca Afonso morreu… mas… “a sua voz perdurará para lá de todos os chacais.”

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por Augusta Clara às 00:28

Segunda-feira, 22.02.21

O moinho - Adão Cruz

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Adão Cruz  O moinho

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(Afão Cruz) 

 

Se eu soubesse dar às palavras que tenho dentro de mim
o cantar deste regato
 
Se entre as pedras do meu leito saltitassem estas águas
que me fizeram criança
 
Se fosse de menino este chão que tenho dentro de mim
numa caixinha de esperança
 
E de sonho fosse o moinho que mói o trigo da ilusão
não queria outro moinho para a farinha do meu pão.

 

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por Augusta Clara às 18:00

Segunda-feira, 22.02.21

Cuidemos do nosso jardim - Eva Cruz

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Eva Cruz  Cuidemos do nosso jardim

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(Adão Cruz)

 

   “Cândido ou o Optimismo” de Voltaire, um dos maiores vultos do Iluminismo, é uma obra notável que foi publicada clandestinamente no século XVIII, o que lhe valeu nos séculos posteriores milhares de edições. Romance picaresco ou Bildungsroman, conto filosófico ou sátira tornou-se inspirador de vários autores, artistas, músicos, cineastas, não só pela crítica mas também pela filosofia que encerra. Debruça-se sobre a metafísica do Mal, sobre a utopia e a distopia da Vida e do Mundo. Não vou entrar por considerações académicas ou filosóficas, pois não é essa a minha área nem o meu propósito.

Cândido é um jovem que vive num mundo paradisíaco, recebendo de seu mestre ou tutor Pangloss ensinamentos de optimismo, essencialmente baseados na filosofia de Leibniz. Abruptamente, este seu mundo edénico é cortado quando Cândido toma contacto com a realidade. A sua vida sofre imensos reveses e ele acaba convencido de que se não tivesse passado por tudo isso não estava a comer doce de cidra e pistache. “Tudo isso está muito bem dito - mas devemos cultivar o nosso jardim”. 

A propósito de Optimismo, as palavras mais marcantes da minha vida de professora foram ditas por um aluno, hoje um grande senhor e um grande amigo. “Obrigado, professora, por ser optimista.” Na verdade, nunca, por mais básico que fosse o conhecimento de algum aluno, eu deixei de ter para com ele uma palavra de esperança ou entusiasmo. Por isso, quero deixar aqui o meu apreço às palavras do virologista Pedro Simas, o qual, no meio desta arrasadora pandemia, deste tenebroso confinamento, aparece sempre com um rosto calmo e tranquilizante, com palavras de esperança transmitindo algum do ansiado optimismo que tanto escasseia. Pedro Simas dá-nos a todos uma excelente lição de pedagogia. A sua expressão e a sua voz inspiram confiança e optimismo, aquilo de que neste momento mais precisamos. É uma voz eloquente, sábia, serena, credível e muito simples. Das poucas que não assustam. Todos o entendemos e todos nos animamos ao ouvi-lo dizer, sem demagogias, que Portugal está a ter uma redução abrupta de contágios, resultante do confinamento, o que poderia colocar o país entre os melhores do mundo a controlar a terceira vaga da pandemia. 

Todos os dias nos entra em casa a comunicação social, com imagens de enfermarias a abarrotar de doentes em estado deplorável, de ambientes quase surreais, seringadelas em braços mil vezes repetidas, de INEMS e ambulâncias com luzes de alarme e sirenes de emergência, de telejornais abarrotados de recordes de mortes e infectados como se de resultados de jogos se tratasse. Recuperados, sempre no fim da lista, como notícia secundária. Se porventura, alguma melhoria se nota aqui ou ali, vem logo um “mas…” ou “ o pior está para vir… “ou” já se atingiu o limite…!” E como se não bastasse, vêm a seguir políticos e comentadores que nada têm a ver com profissionais de saúde, a assustar com gráficos, opiniões e poses de quem sabe tudo e mais alguma coisa. “ Quem está fora racha lenha” diz o nosso povo. Curiosamente, os menos críticos, mais reservados e serenos são os da linha da frente, aqueles que fazem o mais difícil, estóico, único e exemplar. 

É muito importante estarmos informados, é muito importante passar a mensagem da gravidade da situação que todos estamos a viver, mas também é muito importante a forma, a sabedoria e a pedagogia com que essa informação se faz. E, acima de tudo, que não se critique de ânimo leve quem está a fazer o melhor que pode, com todas as carências que não são só de agora, no meio de um labirinto de científicas e humanas dúvidas e incertezas. Todos acham que fariam melhor, todos querem tirar dividendos políticos desta triste situação, e é isto que leva à saturação e ao descrédito e dá muitas vezes vontade de dizer ”put yourself on the other side.” 

Cândido foi perdendo ao longo da vida o optimismo exagerado, mas chegado ao fim, aceitou os ensinamentos de Pangloss “ tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis”. Sem maniqueísmos, aprendamos a dizer “ tudo isso é muito bem dito, mas cuidemos do nosso jardim”

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por Augusta Clara às 16:14

Segunda-feira, 15.02.21

Não entendo este mundo - Adão Cruz

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Adão Cruz  Não entendo este mundo

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(Adão Cruz)

 

Não entendo este mundo moribundo
este mundo escuro sem sol e sem luar
já não entendo esta onda de sismos e cifrões
esta dor de milhões de cabeças
rolando como esferas para o fundo dos abismos.
Não entendo este mundo dilacerado e sem vida
não aguento este frio de quatro paredes
este jogo perdido no cemitério da história
este profundo alarido
este diabólico mistério de morte concebido
esta vida sem sentido
a que chama mercado a argentária escória.
Não entendo este mundo de olhos vendados
este silêncio absorto e abstracto
no assalto impune a soberanas nações
este mundo de vidas sem direitos nem justiça
este mar de sangue nas garras dos algozes
este rasgar de corações
este martírio tatuado na pele dos inocentes
por tanques e canhões.
Não entendo este mundo
ameaçado por mísseis e aviões
não entendo tantas chagas do cancro da guerra
este perigo sistémico diariamente assente
na inelutável corrida para a desordem suprema.
Já não sou capaz de aguentar o peso
deste criminoso superlucro e mais-valia
brilhando como a luz do inferno na ponta dos punhais.
Não entendo este mundo
escorraçado para as bermas da fome
pela infame corrida para o inglório podium
dos vencedores da ganância enlouquecida.
Não entendo este caminho do caos e da fatalidade
esta ensanguentada bandeira erguida para o nada
este constante apunhalar da liberdade
este mundo apodrecido
na secura do grande rio da esperança.
Já não acredito no sonho do poeta
quando subiu a colina para admirar o céu
e o céu desabou no obscurantismo da mente e da razão
e a poesia morreu…
na globalização da morte e da destruição.

 

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por Augusta Clara às 17:47

Sábado, 13.02.21

Não há poeta - Adão Cruz

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Adão Cruz  Não há poeta

 

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(Adão Cruz) 

 

Não há poeta para a réstia de sol
de um rosto engelhado de luz.
Não há poeta para o poema de um momento
entre a singeleza do pensamento
feito suspiro de terra seca
e um estuário de rugas
cavadas de longas madrugadas.
Não há poeta para a liberdade de criar sem algemas
a majestade de um só verso
feito sorriso de cristal.
Não há poeta para tão serena harmonia
da assilabada amargura do peso do tempo.
Não há poeta para a nudez da vida
perdida para lá de um rosto apagado de ilusões.
Não há poeta para uma flor aberta
nos olhos do silêncio entre a vida e a morte.

 

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por Augusta Clara às 17:22

Segunda-feira, 08.02.21

O jardim que eu fiz - Adão Cruz

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Adão Cruz  O jardim que eu fiz

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(Adão Cruz)

 

O jardim que eu fiz
tinha água sonhos e sol.
O jardim que eu fiz
tinha noites de lua cheia.
Não tinha palavras carnívoras
nem ratos comedores da razão.
Os dedos tocavam as flores…
sem perigo.
O dia nascia
e da noite vinha uma promessa de eterno deleite.
A lua deitava-se suavemente no teu regaço
como desejo contido
que sempre haveria de florir
no jardim que fiz um dia.
E os dedos tocavam as flores que se abriam de prazer.

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por Augusta Clara às 17:09

Quinta-feira, 04.02.21

Les Angles - Adão Cruz

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Adão Cruz  Les Angles

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(Adão Cruz)

Deslizar na brancura de Les Angles
é quase um sonho.
Um sonho cego mudo paralítico
sem a cor das pinceladas do céu franjado de arco-íris
cavalgando os altos cirros velozes e frios
incapaz de desfibrar o complexo estroma
que nos enlaça e entrelaça
num abraço de fogo e água
amor e raiva e mágoa
voando sobre o abismo serôdio de um beijo alheio
ridículo-lascivo criptogâmico-adolescente
que torna fria a madrugada e sem sol o acordar.
Alguma coisa eu perdi
lá no céu aqui na terra ou no mar
para não ser capaz de sonhar
com olhos palavras e pernas para andar.
Deslizar na brancura de Les Angles
é um sonho morto…doem muito os sonhos mortos!
Talvez em Villefranche de Conflent nas margens de La Têt.
Em Villefranche de Conflent encontrei-me com Chagall
eu mal o conhecia ele de mim nem sabia.
Enquanto o Nuno corria atrás do petit train jaune
eu voava atrás do sonho
mas Chagall nada me dizia.
Mal o conhecia
gostava dele
da frescura e da audácia
da sua enganosa realidade
mas naquele dia…!
Amores flutuando nos ares
silhuetas bizarras
criações poéticas
não me tocavam
soavam a falso.
Apenas uma frase me deixou pensativo
o nosso universo interior é a realidade
talvez mais real do que o mundo visível
mais real do que as pedras do que o frio e a pele arrepiada.
Sempre pensei que a infância marcara a minha vida
Mas onde vai a infância se bem corresse!
Nunca dela pensara fugir
ao contrário de Chagall.
Alguma coisa eu perdi lá no céu aqui na terra ou no mar
alguma coisa eu perdi que faz falta ao sonho para sonhar.

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por Augusta Clara às 18:43

Quarta-feira, 03.02.21

Um gesto de silêncio - Adão Cruz

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Adão Cruz  Um gesto de silêncio

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(Adão Cruz)

 

Todos nós temos os nossos desertos
pequenos ou grandes
e todos nós temos os nossos labirintos
grandes ou pequenos
simples ou complexos.
Os caminhos e os percursos
entre os nossos desertos e os nossos labirintos
mais rectos ou mais sinuosos
são ao fim e ao cabo os caminhos da nossa vida.
E esses caminhos são feitos predominantemente de silêncio.
A grande força da nossa vida reside no silêncio
o silêncio das nossas meditações
das nossas reflexões
das nossas decisões
dos nossos segredos e intimidades
dos nossos medos e coragens
dos nossos sonhos e entusiasmos
das nossas alegrias
das nossas mágoas e frustrações.
O silêncio é a primeira voz que um homem ouve
quando está dentro de si.
O silêncio é o respirar do nosso íntimo
a dialéctica da nossa personalidade
o único espaço onde a mentira não cabe.
O silêncio é o relógio oculto e secreto das nossas horas.
Nós somos a nossa própria teia
e só o silêncio nos deixa ver e separar
os emaranhados fios que a tecem.
A mágica sensatez do silêncio
é o fio-de-prumo da nossa calibração.
São imensas as verdades que podemos conhecer
só por ficarmos estendidos a pensar calmamente
porque as verdades estão em nós
e só o silêncio nos permite desvendá-las.
Tantas vezes o silêncio tem vontade de fugir
e necessidade de gritar…
de gritar as verdades que descobre
mas como o silêncio não tem palavra de se ouvir
vai enformando os mais variados actos da vida
os gestos e as artes da vida que só nele vivem.
Assim nascem assim se criam e se desdobram
todas as nossas inúmeras expressões vivenciais
que mais não são do que as vozes ampliadas
dos nossos próprios silêncios.

 

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por Augusta Clara às 12:26

Terça-feira, 02.02.21

Sobre um texto de Adão Cruz - Eva Cruz

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Eva Cruz  Sobre um texto de Adão Cruz

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(Adão Cruz)

 
  

   É difícil encontrar o caminho rectilíneo da objectividade no mundo de memórias e sentimentos que me ligam ao meu irmão. Percorrendo os corredores do tempo, numa vivência de total cumplicidade de ideais e de valores, somos árvores irmãs, nascidas da mesma semente, enraizadas no mesmo ventre que cresceram afagadas pelo mesmo sol, fustigadas pela mesma chuva e pelo mesmo vento. Vestiram-se de rosas e espinhos, e nos seus ramos cantaram todos os pássaros que ali fizeram ninho. Deram frutos feitos de sonhos, tanta vez roubados às estrelas. Na sua folhagem nasceu a Primavera, que a vida foi lentamente murchando até o Inverno chegar. “Não há volta a dar-lhe”. A Primavera vai e volta sempre, mas a vida não volta mais. O sonho verde, levando o mundo pela frente, toma agora as cores do fim da tarde. O tempo rodou, e a vida foi-se encurtando deixando cada vez mais  longe a Primavera.

Grande parte da vida de meu irmão cruzou-se com a minha e também por esta terra passou. As alegrias e as tristezas que o ligam ao seu velho consultório também por mim e pelos meus foram partilhadas. Também nós sentimos a falta dos curtos momentos da hora de almoço, das breves e sãs conversas, das trocas de opinião, do alívio, ainda que momentâneo, do stress que o trabalho a todos nos trazia.

Resta dizer que fica para trás uma doce e amarga saudade. Numa análise o mais objectiva possível, e num julgamento criterioso e autêntico, foi o dever  cumprido. Fica, porém, a nudez daquilo que não foi feito.

Esperando que me desculpem a influência da amizade e dos laços familiares, não ficaria bem com a minha consciência se, nesta fase da vida, deixasse de dizer que a imagem que se impõe do meu irmão é de força e confiança, de inteligência, de espírito combativo, de coragem e audácia, de emoções fortes e sentimentos sãos, de nobreza e generosidade. Numa irrequietude constante, persegue a ciência e a arte à procura da sua essência e faz dela a sua crença. Aí assenta todo um exemplo de vida, na tentativa de agregar a humanidade na mudança para um mundo melhor, mais justo e entendível. A mão que cura é a mesma mão que pinta, que escreve, que acarinha, que afaga. A mão da sabedoria do médico, a mão poética da pintura, a mão colorida do poeta e do escritor, a mão solidária na firmeza do amigo.  

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por Augusta Clara às 19:24



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